O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

Mostrando postagens com marcador Aviões do Forró. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A baixa literatura de algumas letras de forró

No mundo do forró os fãs costumam tratar seus bandas prediletas como times de futebol e não raro ocorrem eventos semelhantes a brigas de torcidas. Eles defendem suas bandas com unhas e dentes e procuram denegrir as bandas "adversárias". Uma dos casos mais evidentes é o que ocorre entre Aviões do Forró e Garota Safada. Existe até uma baixa dedicada ao assunto.


Um dos temas ultimamente mais abordado nesses embates são as letras de qualidade duvidosa. No entanto um internauta chamado Gustavo fez uma relação que prova que pedras devem ser jogadas com muita moderação, pois a maioria das bandas tem teto de vidro. Veja a relação abaixo:

Limão com Mel
"Esse vaqueiro é ruim que dói. Esse cavalo é ruim que dói. Esses dois são ruim que dói." (Criatividade!? Romantismo!?)

Mastruz Com Leite
"Jogaram uma bomba, no cabaré... Voou pra todo canto pedaço de mulher" (Cadê as letras que falam de poesia, do homem sertanejo!?)

Noda de Caju
"Tinrintintin" "Chama na grande" "Cachorrão" (Momento tragico do vaneirão do noda)

Calcinha Preta
"Que foi que eu fiz pra você Mandar os "homi" aqui vir me prender" (Preciso comentar?)

Garota Safada
"Toda vez que eu bebo eu invoco o He-Man He-Man! He-Man!" (Linda Letra neh?)

Aviões do Forró
"Bara bara bara bara Bere bere bere Bere bere bere Bara bara bara bara (Acreditem, essa perola é do Dorgival Dantas)

Forró do Muído
"Chame Bina,Chame Ela, Será que Bina vem com nós?" (Eu hein!)

Cavaleiros do Forró
"Olha o menino, Olha o menino, Olha o menino de papai" (Saudade da Cavaleiros romantica...)

Saia Rodada
"É o seu vizinho que quer comer meu cuuelhinho" (Não acredito que uma musica assim consagra uma banda)

Furacao do Forró
"O que a cachaça fez comigo? Eu to louca, louca, louca." (Louco devia estar quem escreveu isso!)

Solteirões do Forró
"Vai safadinho, vai vai safadinho Vai Vai Vai" (Amo esse tipo de refrão rico em conteudo)

Forró Real
"Quem vai querer a minha piriquita? A minha piriquita? A minha piriquita?" (Alguém!?)

...

Esta relação foi obtida na comunidade Círculo de Forró

domingo, 28 de agosto de 2011

Dançarinas dos Aviões do Forró na Playboy

domingo, 21 de agosto de 2011

O encontro de Xandy Avião e Gusttavo Lima


Depois de ter figurado na coletênea "Assim você me mata", com as regravações mais constrangedoras da música sertaneja em 2011, Gusttavo Lima resolveu estender o "conceito" para o visual. O mais provavel que tenha acontecido é que durante os ensaios no PROJAC para o Criança Esperança, Gusttavo tenha conseguido acesso ao guarda-roupas de Agostinho Carraro e "dado um ganho" num modelito. Na fuga do local tropeçou em um fio desencapado e levou uma descarga elétrica de 220V. Foi socorrido por Xandy, cantor dos Aviões do Forró. Com a coluna doendo por causa de um mal jeito na queda, Gusttavo escora-se em Xandy e bate esta foto.

sábado, 20 de agosto de 2011

A semana no Forró

aResumão do que aconteceu no forró no última semana.

- Calcinha Preta está em turnê pela Europa. Os shows ocorrerão na Itália (Milão), Espanha ( Madrid e Barcelona), Portugal (Porto e Lousada) e na Holanda (Amsterdã). A banda inclusive anda causando frisson em sua passagem pelo velho mundo, a música "Será que vai rolar?" ainda em alta rotatividade nas raves de Ibiza e Saint Tropez, em versão technoforró.


- Os últimos meses tem sido bem agitados para o Forró do Muído. O novo cantor Naldinho não foi bem recebido pelos fãs, que fizeram uma verdadeira marcha virtual nas redes sociais implorando pela volta de Binha Cardoso. A cantor Simaria não ficou em cima do muro e deu a entender que apoiou a causa dos fãs. Inclusive insinuou que sairia da banda junto com a irmã Simone para integrar um suposto "Forró das Coleguinhas" e segundo fontes, brigou feio com o chefão da A3 Entretenimentos Isaias Cds. Resultado: apartir do dia 10 de setembro Binha Cardoso volta pro Forró do Muído.

Binha Cardoso e Simaria Mendes - A força de uma amizade fez a diferença

- A banda Mala 100 Alça confirmou que fará parte da trilha sonora do filme Nego D´água. O filme, dirigido pelo autor e diretor Flavio Henrique, será ambientado no bairro do Angaray, uma colônia de pescadores de Juazeiro da Bahia e terá Maria Flor no papel principal. O grosso do elenco no entanto, será de artistas locais.

- É hoje a apresentação dos Aviões do Forró no Criança Esperança. Só que quem está esperando o reconhecimento da banda como o grande nome do gênero da atualidade, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Consta que a banda dividirá o palco com Roberta Sá e Geraldo Azevedo, cantando um pout pourri de forrós antigos. Na cabeça da produção, os dois convidados emprestariam respeitabilidade, coisa que difinitivamente os Aviões do Forró já possuem. Já Roberta Sá e Geraldo Azevedo precisam é de mídia, sumidos que estão e isso conseguirão às custas dos Aviões. Lamentável tudo isso.

Ensaio dos Aviões do Forró no Criança Esperança

- O Movimento Forró das Antigas, capitaneado por Mastruz com Leite, Magníficos e Limão com Mel vão fazer uma expensa excursão pelo estado do Pará, passando por cidades como Belém, Capanema, Bragança, Castanhal, Tucuruí e Marabá. Enquanto a atual geração do forró se enreda cada vez mais em intrigas, difamações e traições, o pessoal dos anos 90 demontra que a união faz a força.

- A cantor Samyra do Forró dos Plays fez ontem a cirurgia de retirada do útero em função de um câncer recentemente detectado. A banda não quiz escalar uma substituta e permanece em recesso enquanto aguarda a recuperação de sua líder.

Samyra Show, cantor do Forró dos Plays de licença médica

- É hoje em Natal a gravações do sexto disco de carreira da Garota Safada. A inovação fica por conta de que pela primeira vez se tratará de uma gravação ao vivo. A expectativa é grande, tanto na escolha do repertório - devido a recentes denuncias de cópias de músicas - quanto pelo resultado técnico final. O disco ainda não tem previsão de lançamento.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Documentário sobre os Aviões do Forró

Desde que este Cabaret se lembra por gente, que queríamos contar a história dos Aviões do Forró. Sabíamos que tratava-se de um roteiro pronto para um filme. Foi com muita emoção que assistimos esse documentário e é com muito orgulho que apresentamos com primazia e exclusividade este video para nossos nobilíssimos frequentadores. Depois ele vai ser replicado em meio mundo de blogs e site, mas aqui você viu antes!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3



O tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 dos Aviões do forró sintetiza a obra com perfeição: um disco inesquecível. Originalmente um sucesso na voz do bregueiro recifense Kelvis Duran, "Estando com outro e pensando em ti" anuncia em grande estilo o que o ouvinte ganhará de presente no resto do disco. Uma metaleira tropical quentíssima, uma pegada de bateria de mover estátuas e o dueto vocal de um casal de gordinhos que quebrou paradigmas de beleza física incontestes até então.

Quando me referi ao ouvinte ganhar um presente não fiz uso de figura de linguagem. Foi literalmente isso que aconteceu. Era a inauguração do CD Promocional invendável, idéia do homem que ao invés de chorar a morte do CD como produto comercial, inventou sua reencarnação como produto de divulgação, Isaias Duarte, o popular Isaias CDs. O disco era distribuído de graça para o público onde quer que os Aviões se apresentassem. O plano deu formidavelmente certo e o disco foi escutado a exaustão, de Icó a Bodocó, de Picos do Piauí a Patos da Paraíba.

Mas estratégia milagrosa de marketing nenhuma estouraria um disco se não tivesse ancorada em um bom repertório. E que repertório! Praticamente todas as músicas caíram no gosto popular. Depois da citada faixa de abertura, uma sensacional sequência de músicas com temática romântica, mas irresistivelmente dançantes, "O que tem que ser será", "Eu não vou mais chorar" e "Titular e absoluta" que consagrou Solange Almeida como a melhor cantora de forró em todas as votações populares, posto que mantém até hoje.

Apartir da quinta faixa uma seção do velho e bom forró com letras de duplo sentido, que por sua vez evidenciou a todos o carisma do cantor Xandy Avião, quando canta passagens como "vai, vai, vai que tá gostoso / vai, vai, tá gostosinho / ela se deita e pede pra alisar o seu bichinho" ou quando emenda sua "vinheta" pessoal "urudocudo duco duco skidiguidigui dow!!". O homem é a reencarnação de Jackson do Pandeiro.

Depois, mais pegadas romanticas, chegando ao seu ápice em "Tô sozinho", que arrisca ser a melhor composição de Dorgival Dantas, conhecido nacionalmente através de "Você não vale nada, mas eu gosto de você". A interpretação de Xandy para a letra de amor resignado é de um alcance emocional extremo, que culmina no cruzamento final de frases entre ele e Solange. Enquanto ele joga a toalha cantando: "Mas tá tudo bem, tá tudo normal / você já deve ter uma pessoa legal / capaz de te dar o que eu não te dei / amor e carinho como seu sempre sonhei", ela como que comovida, canta: "não amor, não, não vá / se me dar uma chance de tentar / te fazer, mais feliz / do que qualquer pessoa possa estar". Um clássico absoluto.

O repertório é tão bom que até músicas menores como "Alta Estação" ou "Fica comigo" poderiam muito bem serem destaques e faixas de trabalho em outro disco de uma banda qualquer e a bobinha "Bem me quer mal me quer" passa desapercebida. "Coração" encerra a obra com chave de ouro, do mesmo quilate de "Tô sozinho".

Os Aviões do Forró vinham de dois lançamentos irregulares e experimentais - os dois discos das bundas na capa - e de uma treta judicial com os Gaviões do Forró pela paternidade da renovação que a nova pegada inspirada no vaneirão trouxe para o gênero. Com este irretocável Volume 3 inaugurou com cinco anos de atraso o século XXI para o forró, gerando uma infinidade de imitações. Se por um lado o CD Promocional revolucionou a distribuição de música no Brasil - até os artistas sertanejo hoje em dia fazem uso dele, este disco revelou-se atemporal. Soa atual mesmo depois da avalanche de imitações.

O tempo nunca fez ele envelhecer.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Povo canta forró... e agora a gente ouve!

O DVD dos Aviões do Forró, gravado em Salvador no segundo semestre do ano passado e lançado recentemente pela Som Livre já é o terceiro mais vendido do catálogo da gravadora. Some-se a isso a inclusão de sua gravação do clássico "Ovo de Codorna" e pode-se afirmar que a banda vive um bom momento no sudeste. Os Aviões continuam sendo a grande aposta para que o forró supere o nicho regional Norte/Nordeste.

Mas o que pouco tem sido comentado são os aspectos técnicos. O avanço foi significativo. Uma das maiores deficiências das gravações de shows de forró sempre foi a captação do áudio da platéia. No show de Salvador, ouve-se com nitidez o coro da platéia durante a execução dos maiores sucessos.


No novo DVd dos Aviões do Forró, Ivete Sangalo participa em duas músicas


Não é a primeira vez que isso ocorre, o novo DVD dos veteranos da Limão com Mel, "Um Show de Emoções" gravado no Chevrolett Hall de Recife em fevereiro deste ano, também deu um trato especial na captação de áudio. No caso específico da Limão, tratou-se da correção de uma falha que prejudicou muito um lançamento anterior, o show de comemoração de 20 anos de carreira autoral do cantor Batista Lima.

Gravado na cidade pernambucana Salgueiro, berço tanto da banda quanto do cantor, simplesmente não se ouvia nada que viesse do público, resultando em silêncios constrangedores que comprometeram o resultado final de uma das melhores apresentações da história da música brasileira. Pode parecer exagero, mas afirmo que não é. Este disco ainda será reconhecido pela crítica cultural num futuro próximo. Que Batista Lima não seja amplamente aclamado por seu talento como compositor, é mais uma das injustiças praticadas neste país com artistas populares.

No caso dos Aviões do Forró e levando em conta a popularidade da banda, espero que a experiência inspire e motive as dezenas de Fulanos CDs que gravam quase todos os shows das bandas de forró. Que corram atrás da inovação, que reconsiderem os equipamentos necessários para mais esse avanço. Foi apartir do forró que surgiram os revolucionários CDs promocionais, foi apartir do forró que as gravações de shows e posterior divulgação na Internet se popularizou, nada mais natural de que seja apartir do forró que surja mais essa inovação.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A viagem se aproxima do fim

A minha viagem de mapeamento musical das regiões Norte e Nordeste está chegando ao fim, depois de Salvador, Recife, Sertão de Pernambuco, estou em Belém. Quem acompanha este Cabaret a mais tempo sabe o quanto eu sonhava em conhecer essa cidade em geral e as festas de aparelhagens em particular. Pois este sonho foi realizado. Vejam:


Timpin na fazendo o S do Super Pop


Conheci um monte de gente bacana e vivi muitas situações que só quem põe o pé na estrada com uma idéia na cabeça e uma mochila nas costas vive. Daqui a dois dias volto pra Curitiba e chegando lá, faço um invetário geral de tudo o que me aconteceu. Obrigado por não abandonarem este Cabaret que ficou este tempo inteiro praticamente entregue as baratas.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aviões do Forró e Forró do Muído na Revista Billboard Brasil

A Billboard Brasil, edição de junho, foi histórica. Pela primeira vez uma revista séria de música e de circulação nacional, colocou um artista sertanejo em sua capa: Luan Santana. Pena que não escalaram um profissional da área para fazer a matéria, o que fez com que resultasse extremamente superficial, não analisando a fundo o quanto o fenômeno Luan Santana - e de resto, a nova musica sertaneja inteira - representa para a renovação da música pop brasileira.



Na mesma edição foi publicada uma matéria preparada por alguém mais afim com o tema, o caso de Vladimir Cunha, com uma sensacional análise do atual mercado do forró, dando ênfase aos Aviões do Forró, recentemente contratados pela Som Livre, mas descrevendo também a bagunça que se tornou a questão dos direitos autorais.

Vou postar aqui a transcrição da matéria na íntegra. Vou fazer em duas partes, hoje posto o corpo da matéria e amanhã os apêndiçes, com comentários meus sobre os temas abordados. Polêmicos, vou logo avisando.

Se alguém quiser que eu transcreva a reportagem sobre o Luan Santana, é só dar o toque na caixa de comentários.

Boa leitura!

Upgrade no Bate-coxa

Faz um calor dos infernos em São Paulo na noite desta sexta-feira, em abril, mas no boteco do Pinguinzinho ninguém parece estar muito preocupado com isso. Como tantos outros bares da avenida Cruzeiro do Sul, bairro de Santana, o local é ponto de encontro de office-boys, comerciários, empregadas domésticas, motoboys, peões de obra. O som é alto: muito brega, calypso e forró eletr6onico de Calcinha Preta, Saia Rodada, Limão com Mel, Collo de Menina e Gatinha Manhosa. Pela avenina, o vai e vem de ônibus é intenso e destinos como Vila Nova Galvão, Jardim Fontális, Cachoeirinha, Jova Rural e Vista Alegre denunciam o estrato social dos passageiros. Não chega a ser uma vizinhança miserável, mas ela guarda poucas semelhanças com a São Paulo que aspira um dia a ser a Manhatan dos trópicos. As calçadas são mal cuidadas, o lixo se acumula aqui e ali e quase não se veem patrulhas policiais. Na esquina fica a praça construída onde antes era a penitenciária Carandiru. Do outro lado lado da rua - cercado por barracas de churrasquinho de gato e ambulantes vendendo cerveja, vinho barato e vodka com energético -, o Santana Hall, onde a banda Aviões do Forró faz sua primeira apresentação em São Paulo depois de dois anos longe da cidade.

Apesar do nome pomposo, o Santana Hall é a típica casa de shows da periferia. As paredes são encardidas e o chão de lajota está permanentemente úmido por causa do calor e dos copos com resto de bebidas que o público joga no chão. Nos mezaninos, "camarotes VIP" para quem pode pagar um pouco mais e não quer se espremer com o resto do povo na pista de dança. O backstage é acanhado; os camarins, modestos. Quando alguém liga a máquina de gelo seco, uma nuvem de fumaça torna quase impossível enxergar alguma coisa no corredor que dá acesso ao palco.

Sentado em uma cadeira de plástico, Xand Avião, vocalista da banda, aguarda sem parecer se incomodar. Do Santana Hall, segue hoje para uma apresentação em Guarulhos - a rotina de dois shows por noite que o grupo sempre cumpre quando toca em grandes centros. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, os Aviões do Forró são tão populares quanto Ivete Sangalo ou a Banda Calypso. Tocam para platéias que variam entre 10 e 35 mil pessoas e causam comoção por onde passam com seu aparato de palco, ônibus e carretas plotados com o logo e a foto dos cantores do grupo - uma tradição inventada pelas bandas de forró, que competem entre si para ver quem tem a maior infra-extrutura. Sem ônibus (ou carreta) e sem as enormes plotagens com as fotos dos cantores, dificilmente uma banda consegue convencer o público a assistir o seu show. No mundo do forró, o aparato tecnológico é quase tão importante quanto a música. A suposta arte fica em segundo plano. O negócio é show business no sentido mais literal da palavra.

"A questão é quem São Paulo, apesar de tudo, existe preconceito contra o nordestino", respode Xand Avião quando lhe pergunto porque os Aviões não causam tanto barulho no Sudeste. As pessoas podem até ouvir e gostar de forró, mas não assumem isso porque na cabeça deles esse tipo de música está ligado às pessoas mais humildes, ao trabalhador, à doméstica, ao porteiro do prédio. Então elas preferem ignorar o tipo de música que a gente faz. Por isso ele fica restrito à periferia. Mas eu tenho o maior prazer de tocar aqui para essas pessoas. São nordestinos que vieram de longe, que sentem saudades de casa e que matam essa saudade indo a nossos shows. A classe média, a classe alta, eles não vem, tem preconceito."

Faz sentido. Numa cidade onde "baiano" é expressão pejorativa, a desconfiança de que o forró ainda não virou mainstream por questões de preconceito tem sua razão de ser. Se até o brega pop de Belém do Pará conseguiu projeção nacional via Banda Calypso, seguido pelo tecnobrega surrupiado dos paraenses pela Banda Djavu, o que falta para que o forró siga o mesmo caminho?

A resposta pode estar no novo disco dos Aviões do Forró. Depois de oito anos em esquema independente, a banda assinou com uma gravadora. Seu sétimo disco, "Aviões do Forró Volume 7", saiu em maio pela Som Livre. O investimento é alto e prevê apresentações em programas da globo e publicidade maciça. Quem sabe até mesmo música em novela. O objetivo é tirar o grupo do gueto das festas agropecuárias e casas de shows de periferia.

LOGÍSTICA PRÓPRIA

A questão é saber se a gravadora vai conseguir lidar com essa nova configuração de mercado criada pelos grupos populares do chamado Brasil Profundo. Assim como o tecnobrega de Belém, o forró criou seu próprio sistema de produção, distribuição e vendas. No forró, CDs e DVDs não são vendidos, são distribuidos ou dados de brinde na compra de merchandising ou ingressos. Ao planejar uma turnê, a banda mapeia as cidades por onde vai passar. Meses antes das apresentações, um representante do grupo passa por todas elas distribuindo CDs e DVDs. O investimento. O investimento é relativamente baixo. Mil discos custam em média R$500,00 para serem confecionados e rapidamente se multiplicam nas mãos dos camelôs, fàs e pirateiros, até atingir a casa dos milhares. Na semana do show o CD já está tocando na feira, no boteco, na cidade toda... Se der tudo certo, daí para um público de 20 mil pessoas pagando R$15 e R$30 por ingresso é um pulo. Os Aviões do Forró prensam mensalmente 50 mil discos.

Foi dessa forma que Antonio Isaias - um dos sócios dos Aviões do Forró, mais conhecido como Isaias CDs - transformou o grupo numa máquina de fazer dinheiro, estabelecendo uma escala industrial de produção que gerou uma série de outras bandas. Além dos Aviões, somente a A3 entretenimento - empresa que Isaías montou com os empresários Carlos Aristides e André Camurça em 2006 - controla as bandas Forró dos Plays, Forró do Muído, Solterões do Forró e mantém seis casas de shows e duas emissoras de rádio.

Xand Avião admite que sim, houve um choque inicial de interesses da Som Livre e o modelo de negócios adotado pelo grupo. Mas um acordo foi firmado e a banda só poderá manter seu esquema de distribuição gratuita nos seis lançamentos anteriores. O "Volume 7", explica ele, está sendo comercializado de acordo com a estratégia "ortodoxa" das gravadoras.

Difícil entender porque voltar ao convencional se o sistema criado por Isaias rendeu tanto dinheiro e visibilidade para o grupo. "Vale a pena porque a Som Livre é o aval que a gente precisa para crescer ainda mais", responde Xand. "O suporte que a gravadora vai nos dar deve fazer com que a gente saia deste mercado segmentado e alcançe o nível que a Calypso alcançou. Imagino a banda na TV, nos programas de auditório, na trilha das novelas. Quem sabe agora, que os Aviões vão começar a aparecer na Globo, a classe média não passa a gostar da gente?"

Enquanto a classe média não vem, o forró continua do mesmo jeito, nessa de ninguém musical que se formou nos recantos mais distantes do Brasil, onde direitos autorais e patrimoniais são mera abstração. Como não existe um mecanismo regulador, a pirataria pode ao mesmo tempo ser aliada e inimiga. É o que ocorre com a banda Forró do Muído, cuja música "São Amores" - uma versão não autorizada de "Son Amores" da dupla espanhola Andy & Lucas - estourou no norte quando a banda paraense Quero Mais a transformou em tecnobrega. Como sempre acontece nesses casos, passa a ser considerado autor da música o artista que primeiro estoura com ela em determinada região do país. Dependendo da parte do país em que você estiver, "São Amores" pode ser creditada ao Forró do Muído, aos Aviões do Forró, à Banda Djavú ou à Quero Mais.

É um conflito que está longe de se resolver. Até porque boa parte dos discos de forró que circulam longe dos grandes centros é de gravações ao vivo. Como é prática comum o show de uma banda não se limitar apenas às suas composições, quando um disco ao vivo chega aos camelôs, não fica muito claro ao público que músicas são daquele grupo, quais são as versões de sucessos internacionais ou quais são covers de artistas de outros gêneros e regiões do país. Produtores, músicos e empresários alegam desconhecer a procedência desse material, mas o fato é que, além dos CDs distribuídos por empresas como a A3, são as gravações ao vivo que ajudam a banda a massificar seu trabalho nas cidades mais distantes dos grandes centros e a impor como sua, a composição de outro artista.

MAL NECESSÁRIO

Vi o Forró do Muído ao vivo pela primeira vez em um show para 15 mil pessoas, no Parque de Exposições de Imperatriz (MA) em maio de 2009. Naquele momento "São Amores" era, ao mesmo tempo, um dos grandes hits das aparelhagens de tecnobrega de Belém do Pará, nas mãos da Quero Mais, e um sucesso que o Muído carregava em suas apresentações pelo Nordeste. Um período em que, muito antes da Banda Djavú, os paraenses acusavam de transformar em forró os sucessos de tecnobrega e vice-versa. A culpa, como não poderia deixar de ser, era dos misteriosos discos ao vivo, que atribuiam a autoria das músicas a quem estivesse executando no momento da gravação do show.

Por ironia, um dos pontos altos da apresentação do Muído foi durante a música "Ai que vida", cuja autoria muita gente credita ao grupo, mas que na verdade é do compositor Cícero Filho e foi gravada por Lili Araújo e Banda Bali em 2008. "Ai que vida" faz parte da trilha sonora da comédia de mesmo nome, dirigida pelo maranhense Cícero Filho e cultuada no Nordeste depois que caiu nas mãos da pirataria. Impulsionada pelas vendas no camelôs, em uma semana a produção fez, nos cinemas de Teresina, mais dinheiro do que Harry Potter e o Enigma do Principe. Na esteira do sucesso do filme, a música tornou-se febre no Piauí, Tocantins e Maranhão.

Mais tarde, no ônibus da banda, a vocalista Simaria - que desde 2007 divide a sociedade da banda com a irmã Simone, o cantor binha e a A3 Entretenimento - me explicaria que aprender a conviver com a informalidade é a única forma de sobreviver quando se está longe das gravadoras. Ela admite, porém, que o preço a se pagar por essa "ajuda" pode ser amargo demais: a falta de controle de direitos autorais e patrimoniais e a constante confusão na cabeça do público sobre a verdadeira procedência das músicas que consome.

De penetra em um camarim VIP do Santana Hall, observo a turma se espremer na beira do palco enquanto os Aviões do Forró tocam "O mundo gira", seu maior hit, um forró com tema de vingança amorosa cuja letra diz "Pintei o meu cabelo me valorizei / Entrei na academia / Eu malhei, malhei / Dei a volta por cima / E hoje te mostrei meu novo namorado". As mulheres se identificam com a letra e berram o refrão, que funciona como deixa para a vocalista Solange almeida emendar com "Me Adora", de Pitty, aquela do "que você me adora / que me acha foda".

A música termina e Xand Avião reaparece no palco. Pergunta quem é nordestino e quase todo o Santana Hall levanta os braços. Xand então cita nominalmente várias cidades: Fortaleza, Natal, João Pessoa, Sobral, Caruaru... A cada nome, mais gritos da platéia. Nessa noite, no Santana Hall, os Aviões do Forró são a sínteses dos anseios de autoafirmação e identidade do seu público. Agora, com um contrato com a Som Livre, exposição na TV e o sonhado acesso à classe média, é possível que tudo mude. E que encontros como esse, em lugares como o Santana Hall, jamais aconteçam novamente.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Novo e arriscado vôo dos Aviões do Forró & Dez alertas do controlador de vôo Timpin

É o fim de um conto de fadas.

Os Aviões do Forró assinaram um contrato de distribuição de seu Volume 7 com a Som Livre. Com a negociata, acabou tanto a distribuição gratuita de CDs nos shows, quanto o insentivo a downloads na Internet e farta oferta em camelódromos. E foram justamente essas duas práticas que cimentaram o sucesso da banda e garantiram-lhe o status de maior banda de forró da atualidade.




A justificativa para tal atitude é a presença em programas de auditório de peso, músicas inseridas em trilhas sonoras de novelas e divulgação em horário nobre. Com o selo da Globo na asa os Aviões poderão vencer o forte preconceito que a classe média do sul/sudeste alimenta contra as bandas de forró e finalmente alcançar o tão adiado sucesso nacional.

Se isso ocorresse, seria a correção de uma das maiores injustiças da história da música brasileira. Como Ivete Sangalo já falou, o vocalista Xandy Avião é a reencarnação de Jackcon do Pandeiro e Solanje Almeida é uma das melhores cantoras desse país.


Solanje Almeida, a popular SOOOOOOOOOOOlanja!!!


Só que esse lançe é arriscado. Timpin explica.

Tendo em mente o público sulista, na escolha do repertório evitaram letras mais picantes ou políticamente incorretas - o supra sumo da poesia dos Aviões - e deram uma limpada no som, numa nada sutil mudança na forma com que os arranjos foram concebidos.

O resultado foi que o disco, além de ter sido até agora pouco escutado no nordeste, por conta falta de distribuição gratuita e ausência nos camelódromos, não foi bem recebido pelo público local. Só que não é só isso.

Ao longo das 17 faixas do lançamento, não se encontra um único grande hit. O único candidato, a primeira música "Pegadinha do inglês" não chega aos pés dos grandes clássicos da fuleragem do naipe de "Risca Faca", "Beber, cair e levantar" ou "Chupa que é de uva". Nas românticas ocorre o mesmo, temos as bacaninhas "Feito Capim" e "Se livra dela", mas nada do nível de "Tô sozinho" ou "Pode chorar".

Se o pior acontecer, que seria o fracasso comercial no sul, os Aviões do Forró correm também o risco de perderem em casa o atual embate com a banda Garota Safada, essa sim, dono do grande hit de 2010, a simples e perfeitinha "Tentativas em vão". O conto de fadas não teria seu tradicional final feliz.


Aí está o vocalista Wesley Safadão da Garota Safada, que além de emplacar "Tentativas em vão", cultivar uma cabeleira style, sabe ordenhar vacas


Mas não quero construir fama de agourento. Gosto também de falar de coisas positivas. Existe uma banda que tem potencial para cumprir a missão de sucesso no sul que os Aviões se incubiu. Ela também é de Fortaleza e pertence a mesma A3 Entretenimentos que comanda os Aviões.

E seu nome é...Forró do Muído.


Eis A BANDA de forró que pode estourar nacionalmente


As razões que me levam a afirmar isso são inúmeras. A principal e a que mais me leva a ficar impressionado com a inédita falta de visão de mercado dos figurões da A3 é que o Muído é Pop. Extremamente Pop. Pop na ascepção do termo, ou seja, divertir, entreter e fazer das pessoas, criaturas mais felizes, ora bolas.

Os figurões da A3 que me referi chamam-se: Antonio Isaias, André Camurça e Carlos Aristides. Na esperança de que uma dessas três almas, por um desses milagres da conectividade virtual e do poder evangelizador do Twitter, calhar de ler esse texto, Timpas vai gastar um pouco de sua farta beleza e vai listar dez argumentos para demonstrar que o Muído sim, tem carta na manga para estourar nacionalmente e ser ouvido até em Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai.

- Possui um frontman competente e experiente, na figura de Binha Cardoso.
- As vocalistas Simone e Simaria são irmãs, lindas, jovens, carismáticas, competententes e tem uma história de vida que daria um filme versão feminina para Os Filhos de Francisco.
- O Forró Pé de Serra, cuja sonoridade o inconsciente coletivo do público do sul já assimilou via Luis Gonzaga, foi genialmente mantido no som da banda. A Zabumba tá lá, o triângulo, está tudo lá.
- O onipresente saxofone de Fabiano, que caracteriza tanto o estilo do Muído, também o transforma em algo moderno, vigoroso, contagiante e eu diria até internacional.
- As letras são jovens e divertidas.
- Músicas como as da meninha tem cacife para emplacar em novelas e gerar até produtos de mercandising.
- As versões de músicas estrangeiras, como a sensacional "Colado em suas mãos", que com um mínimo de boa vontade da A3 em acertar os direitos de reprodução para serem utilizadas, são hits prontos.
- A faixa etária dos fãs do Muído é a mais ampla entre todos os artistas nacionais, vai de crianças a aposentados do INSS.
- A presença de palco faz com que os shows sejam festas inesquecíveis.
- Por último, mas nem por isso mais importante, o Muído ainda não foi testado, até agora só foram lançados CDs promocionais, sem um único disco de carreira no mercado.

Pronto. Vou parar por aqui senão vou acabar escrevendo as 95 teses de Luthero e algum fã maluco do Muído - que é o que mais tem por aí - pode acabar imprimindo e pregando na porta da sede da A3 e o Isaías CDs, que é meio invocado, pode não entender a piada e mandar seus jagunços atrás de meu lindo e magrelo escalpelo loiro.

E eu não nasci pra ser herói, eu nasci pra ser cowboy, como o leitor pode conferir na ilustração abaixo.


No futuro todos os seres humanos serão assim, no salto evolutivo do homo sapiens sapiens pro homo sapiens timpinus

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Agora tem um Tambor Digital rufando em nosso favor

Desde que começei meu trabalho em divulgar a musica original brasileira e tentar derrubar o preconceito que existe com relação a ela, conheci muita gente interessante, fiz amigos até, coisa que nem imaginava que iria ocorrer, mas teve um fato que nem de longe, nem meus delírios mais insanos, poderia cogitar. André Forastieri abraçou a nossa causa.

Em vários textos ele já pontuou em algumas frases nosso ponto de vista. Em dois textos no entanto, foi explícito em manifestar seu apoio. Um foi no ano passado, na época da premiação do VMB da MTV. O título, linkando original, é Filosofando no VMB. Essa semana ele voltou ao tema, ao comentar uma matéria sobre artistas sertanejos que foi publicada na Folha Ilustrada.

Para se dimensionar a importância desse apoio a nossa se causa, é necessário um breve resumo da biografia desse cara.

André Forastieri começou como editor chefe justamente da Folha Iustrada, isso nos anos 80 contando com 22 anos. Foi sumariamente demitido por causa de uma frase, na qual brincava que o Brasil só iria pra frente depois que alguém desse um tiro em Regina Cazé. Parece que ela leu e não gostou.

Depois disso fez história na extinta revista musical Bizz. Sua matérias lá marcaram um geração. Mas marcante mesmo foi a revista que ele criou depois de abandonar a Bizz para seguir suas convicções (se é que dá pra dizer que as tem) editoriais: a Revista General. Foram dezeseis edições que venderam pouco, mas praticamente todo mundo que comprou, as tem guardadas até hoje. Muita gente montou fanzines inspirados por ela. Timpin foi um deles.

Caleidoscópio era o nome do meu fanzine. Foi uma das épocas mais legais da minha vida.

Quando a General quebrou Forastieri descobriu o Ovo de Colombo, uma revistinha pequena e barata, destinada ao público infantil que curtia Mangá e desenhos japoneses. Cavaleiros do Zodíaco, Pokemon, essas coisas. Ganhou muito dinheiro e reinvestiu a grana numa editora, a Conrad. E a Conrad desde então passou a ser uma das editoras mais inovadoras do mercado editorial brasileiro.

Hoje ele já não faz parte mais desta editora. Tem sua própria empresa, a Tambor Digital, onde edita revistas de tecnologia, video games e a Movie, sobre cinema. André Forastieri é um visionário e tem muita gente importante, formadores de opinião inclusive, que presta muita atenção em tudo que ele fala.

Ter um cara desses do nosso lado é muito, mas muito importante.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Aviões do Forró x Garota Safada




Uma nova estrela começa a brilhar cada vez mais no cenário do forró: Wesley Safadão. Sua banda Garota Safada está conseguindo o que até então parecia impossível, ameaçar a unanimidade chamada Aviões do Forró. Pra quem está de fora isso pode parecer banal, mas não é. Mesmo com o sucesso nacional da Calcinha Preta, graças ao impulso que o talento de Dira Paes deu a "Você não vale nada", a liderança do Aviões não sofreu um arranhão sequer.

Mas com Garota Safada a coisa muda de figura. O embate entre os Aviões e Calcinha Preta se deu no sul e sudeste. Um jogo fora de casa, por assim dizer. Como se um jogo importante de beisebol fosse disputado no Maracanã. Para um público indiferente, tanto faz quanto tanto fez quem sai vencedor. Só que a disputa com Garota Safada está se dando no centro do território forrozeiro: o sertão nordestino.




Não que Wesley Safadão tenha puxado essa briga, ele apenas está fazendo seu som, investindo em sua carreira e animando muitas festas. A questão é que o pessoal da A3 Entretenimentos, empresa que é proprietária do Aviões, Forró do Muído, dentre outras bandas, não aprecia uma das regras mais básicas do capitalismo, a livre concorrência. O próprio Xandy Avião costuma fazer piadinhas nos shows com outros cantores que começam a fazer sucesso.

E já faz um certo tempo que Xandy tá tirando onda com a cara de Wesley Safadão.



Não é de hoje que a A3 pratica concorrência desleal. Todo mundo que trabalha no meio sabe disso. Eles tocam músicas de bandas iniciantes como se fossem suas, entopem os camelódromos com CDs promocionais seus e com isso abalam muitas carreiras de muita gente.

O Bonde do Maluco, banda de arrocha da Bahia, sentiu isso na pele e até hoje, mesmo já estando com quatro discos lançados, ainda não se recuperou por completo do baque que foi ter tido as principais músicas de seu sensacional e revolucionário disco de estréia, tocadas pelo Aviões num fatídico disco promocional. Aquele que tinha "Chupa que é de uva", pra se ter uma idéia.

Faça o teste. Cante os seguintes versos e pergunte de quem é a música: "abre o som do porta mala / bote a gata pra dançar / abre mais uma cerveja / que o bicho vai pegar / abre, abre / abre, abre abre". Todos responderão que é do Aviões. Essa e mais meia dúzia de músicas, todas do Bonde do Maluco.

No caso com a Garota Safada, a bronca foi por causa do megasucesso que a música "Tentativas em vão" está fazendo. A música periga superar o arrasa-quarteirão que foi "Chora Me Liga" no ano passado. Sem nenhum grande hit para incluir no Volume 7 do Aviões, a A3 foi procurar o compositor de "Tentativas em Vão" e propôs o pagamento de R$30.000,00 pelos direitos exclusivos da música. Proposta recusada. Ponto para o compositor e para a esperança de que esse país ainda tome jeito.

Em outras épocas, talvez o poder de fogo do capital financeiro da A3 Entretenimentos, garantisse a vitória nessa pendenga, mas os tempos são outros. Hoje em dia uma banda de forró faz um show na sexta-feira em Juazeiro do Norte, na Bahia e já no sábado, o pessoal de Campina Grande, na Paraíba, já está escutando a gravação do show em seu mp3. Assim como notícias, como essa tentativa de corrupção por causa de uma música, correm soltas.



Some-se a isso tudo um fato fundamental que sinaliza Garota Safada como substituda dos Aviões do Forró como maior banda da atualidade: apresença de palco marcante de Wesley Safadão. Sua voz não perde em nada para de Xandy Avião, nem seu carisma, nem sua simpatia. No entanto Welsey tem uma vantagem inestimável para os tempos modernos: é jovem, bonito e atraente.

As meninhas adoram a bunda de Wesley Safadão. As menininhas veneram a bunda de Wesley Safadão. Estou falando aqui de uma faixa etária para a música realmente importa em suas vidas. É essa faixa etária que vota em enquetes, passa o dia twitando, no Orkut e no MSN. É a galera que cria os virais, a mais eficiente forma de divulgação.




Aviões do Forró - e tudo por culpa de sua produção - tem tudo para entrar pra História como a mais importante banda de forró da primeira década do século XXI. E só da primeira década.

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Ouça o sucesso Tentativas em vão AQUI

Baixe aqui o CD inteiro. Timpas recomenda

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pagando Pau 2

Continuando a série de pagação de pau, vou colar aqui o post excelente do novo blog do Igor Mago. Ainda estou na batalha de encontrar bons blogueiros de forró. Esse do Igor, com toda a certeza, é um deles. Nesse post ela correu atrás de todos os compositores e cantores que gravaram originalmente as músicas do Volume 5 do Forró do Muído. E olha que essa não é uma tarefa fácil. Ficamos no aguardo de mais Posts Igor!

Forró do Muído Volume 5 - A Origem das Músicas




Olá meu povo, estamos de volta.

O pessoal já tava dizendo que eu estava muito “culto” e não estava falando de nenhuma das minhas bandas preferidas. Então trago Forró do Muído neste post e vou logo dizendo que Muído é mais do que cultura (rsrs), é sinônimo de alegria e diversão!!

“É ou num é ou num é?”

É! Então venho aqui falar um pouco da origem de algumas das músicas do mais novo cd da banda. Lançado no fim de Maio e estourado durante o São João, o “Volume 5” é na minha opinião, o melhor da banda até agora.

O CD ficou bem diversificado. Do samba trouxeram 3 músicas: Da Banda Samprazer sairam duas, “Paixão Veradeira” do Billy SP, e “Chora”, parceria do próprio Billy junto com André Lemos. A terceira é o hit “Para de pirraça” que vem da banda Imaginasamba, música dos integrantes Suel e Leandrinho junto com Paulinho do Swing e Simpatia.




Do Sertanejo, trouxeram da dupla Hugo Pena & Gabriel a ótima música “Fora do Eixo” escrita pelo próprio Hugo Pena em parceria com Ronais Borges e a canção “Coisas Esotéricas” do compositor Baroni. Além dessas, estão presentes a já estourada “Chora, Me liga” de João Bosco & Vinicius, escrita por Euler Coelho e também uma versão da música “Ajoelha e Chora” do grupo sul mato-grossense Tradição (aquela que estourou com a música do “Barquinho”). Esta canção é assinada por Luiz Cláudio, Markinhos Ulyan e Sandro Coelho, integrantes da própria banda.

Duas das mais belas músicas do CDs são versões de músicas internacionais. A música “Anjo” (Que no Brasil é também cantada por André Leonno) é uma versão da música “Angel” do cantor e compositor cubano Jon Secada (que fará show no Brasil em Outubro). Já a principal canção deste novo CD “Cuidado” é uma versão da música “Colgando en tus manos” do cantor e compositor venezuelano Carlos Baute que canta esta música junto com a espanhola Marta Sánchez.



Essa canção tem algumas coisas interessantes, na tradução. A versão de Simaria (nossa vocalista) que em português ficou: “Te envio mensagem as 4:40” em espanhol era “Te envio canciones de 4:40”. Na verdade, “4:40” é um grupo dominicano, que Baute queria fazer uma homenagem a um dos seus integrantes, o músico Juan Luis Guerra. A adaptação continuou fazendo “Marbella” virar “Venezza” e “Venezuela” virar “Fortaleza” e assim a versão forrozeira ficou show de bola e caiu no gosto da galera. Aliás, Simaria Mendes também assina junto com Emanoel a música “Rola um Flashback” que pra mim é uma das melhores do álbum.

O volume 5 segue com uma versão em forró da belíssima “Sem Você”, da banda de Rock Católica Rosa de Saron, escrita por Guilherme de Sá (o vocalista).

No gênero do forró, duas músicas são regravações: a irreverente “Não vem que não tem” do baiano radialista cantador Edigar Mão Branca e a “Ele é louco por forró” da ótima compositora Zelia Santti (Ainda farei um post sobre ela). Esta última canção foi lançada pela primeira vez pela banda sergipana Mulheres Perdidas.



Completando o CD, a já conhecida “Dança do Ice” versão nacional de Noberto Curvelo, da banda baiana Cangaia de Jegue para a música "Rise Up", do Dj suíço Yves Larock.

O restante tem a cara do muído: “Doidão, Loucão, tesão”, “A galera da curtição”, “Lei Seca”, “Volta atrás”, “Vai coleguinha”, “Me fez sofrer” e “Ai que vida”, fazem uso da irreverência, dos bordões, do romantismo e da animação que Simone Mendes, Simaria Mendes e Binha Cardoso trouxeram pra o forró!




Quem quiser baixar o volume 5 é só entrar no site do Forró do Muído em http://www.forrodomuido.com.br/.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Delicada Arte de Lidar com uma Espécie em Extinção

Escrever a coluna Tudo Junto & Misturado no site Bis MTV é um trabalho que me traz uma imensa satisfação e que mesmo sem remuneração, faço com muita dedicação e paudurescência. Ouço novos sons, faço novas amizades e divirto-me muito. Só que, como de resto tudo nessa vida, tem também aqueles momentos em que dá vontade de enfiar o dedo no cú e puxar até rasgar.

Esses momentos costumam ocorrer quando tenho que lidar com uma espécie que desde o período cretácio desistiu espontaneamente de evoluir, os assessores de imprensa. Acontece que em minha área de atuação as informações disponíveis são pouquíssimas, logo, preciso telefonar para as assessorias e obter aqueles dados que agregam valor à matéria. É aí que começa a via crucis.

De presto eles afirmam que gostam muito da idéia, ainda mais quando ouvem as três letrinhas mágicas: ême, tê e vê. A segunda coisa são promessas de envio rápido de informações e fornecem e-mail e MSN. Então por razões que a razão desconhece quase nunca estão on line e quando estão quase nunca respondem as mensagens e quando respondem em geral fornecem prazos que nunca são cumpridos e quando cumprem, repassam aquelas mesmas parcas informações que eu já tinha encontrado na Internet. Basicamente releases (muitas vezes mal escritos e cheio de erros de ortografia e concordância) ou entrevistas de baixa criatividade.

Então acontece o momento em que eles travam, digo que já tenho aqueles dados e envio outras perguntas. Daí pra frente é mais fácil marcar uma entrevista exclusiva com Mahmud Ahmadinejad do que falar com eles. O resultado é que os prazos vencem, escrevo as colunas com o que tenho nas mãos e seria muito bom, seria muito legal se a coisa morresse aí. Mas não. Essa coisa é pior do que gato, tem sete vidas ou mais.

Por outra razão que a própria razão, tal qual um Luis Inácio Lula da Silva, é a última a saber, eles reaparecem no MSN. Isso quando não ligam! No caso da excelentíssima senhora S. Mello Pinto, de uma banda aí que não vou citar o nome por que ainda alimento esperanças de traçar a vocalista, me telefonou aos berros dizendo que não era nada bom cutucar leão com vara curta porque não tinha tirado o parágrafo que ela tinha MANDADO tirar. O meu patrão, o intrépido André Forastieri, nunca me mandou fazer nada. Mas o pior mesmo sabe o que é? Eu pensava que o dito popular era cutucar onças com varas curtas. Até onde eu saiba, além de terremotos e revoluções, aqui também não existem leões. Lá na Africa, de novo até onde eu saiba, ninguém cutuca leão com porra de vara nenhuma.

O pessoal que assessora a dupla Victor & Leo, pelo menos, fogem de mim como o diabo da cruz. O cidadão chamado Luis Antonio, para vocês terem uma idéia, a esta altura já deve ser um notório corno, pois está a semanas viajando e por conseqüência, sem dar um trato na patroa. Tudo para não dar satisfações sobre as merdas que andou fazendo com o pessoal dos fãs clubes nas turnês.

Mais recentemente outro martírio, seguindo todos os passos do roteiro apresentado acima, a coisa aconteceu de novo com a coluna sobre Axé Music e a banda Via Circular. Tudo pronto, coluna on line e milagrosamente no outro dia, na primeira hora da manhã a janela do MSN da assessora de imprensa é a primeira a se abrir como um coração em flor no desktop do meu computador. Disse que o pessoal não gostou do texto, que não entendeu onde eu quis chegar, que comecei falando de um evento, depois fiz uma tour rápida pelo história do Axé para só no final, falar da Via Circular.

Se parasse aí, eu nem estaria escrevendo este texto, mas os caras conseguem se superar, ela queria que eu mandasse o texto antes de postar para ser aprovado e aí sim, mantermos uma parceria. Se fosse uma parceria envolvendo sexo eu até achararia justo e aceitável, mas uma parceria para gerar colunas chapas brancas, tô fora. A matéria foi feita inteiramente com as informações passadas a mim pela Julli, do fã clube oficial.

Assessoria de Imprensa é algo que só tinha função na era pré-digital, onde era possível ter controle quase absoluto sobre as informações que eram divulgadas. Agora felizmente as coisas estão mudando numa velocidade tão grande, que esses últimos representantes da espécie não se dão conta das cagadas que estão fazendo. O controle sobre as informações está saindo das mãos dos poucos eleitos por indicação e indo para as mãos dos mais rápidos, espertos e inteligentes, eleitos por meritocracia.

No constante aprendizado da vida, (e do jornalismo, pois sou um auto ditada que está aprendendo a profissão tomando cacetada) o Timpinho aqui de hoje em diante só vai se relacionar com fãs clubes, que ao contrário daqueles locais cheios de tiazinhas mal comidas que são as assessorias de imprensa, está cheio de gatas lindas e maravilhosas. Afe Maria! Grandiospai!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Making Off da Coluna do Muído

Depois de dois meses de colagens de notícias, já está mais do que na hora de começar a blogar de verdade. Para estréia vou contar o making off da coluna do Forró do Muído, que é quase tão interessante quanto a coluna em si. Foi um mês de bateção de cabeça até chegar ao resultado final.

A idéia inicial era escrever um perfil bem bacana dos Aviões do Forró, que eu considero a melhor banda do estilo em atividade no momento. Pra inicio de conversa não sou jornalista formado, não tenho as manhas, não tenho as técnicas, logo, acessei o site da banda, fui na seção de contato e mandei um e-mail propondo uma pauta. Como sou um reles desconhecido, naturalmente que não me responderam.

Resolvi mudar de estratégia e atacar na comunidade oficial da banda, que tem milhares de membros. Dando uma lida nos tópicos identifiquei um cara que aparentemente sabia tudo sobre a banda. Mandei um scrap pro cidadão e ele inicialmente demonstrou interesse em ajudar. Somente inicialmente, pois novamente não recebi mais nenhum retorno. Só que fuçando nas comunidades do cara notei um padrão, todos estavam falando bem de um tal Forró do Muído.

Forró do Muído? Eita nomezinho estranho da gota, nunca jamais tinha ouvido falar. Imediatamente fui nas comunidades de download e tratei de baixar algo deles pra escutar. Foi só descompactar o arquivo e jogar no mp3 pra que a cagada fosse feita. De cara notei que além de tocarem forró de uma maneira muito original, o som tinha uma levada muito, mas muito maneira.

Fui escutando no mp3 no ônibus no caminho de casa, mal conseguindo esperar pra ouvir aquilo num som potente, se possível tomando uma gelada. Foi o que fiz e quando botei pra tocar o Muído Elétrico, versão acelerada das músicas pro carnaval, já estava subindo as paredes.

- Puta que o pariu cara, esse som é do caraaaaaaaaalho! - Estava definida a coluna da próxima semana.

No outro dia, de volta ao trampo, comecei minhas pesquisas na web. Se eu já estava apaixonado pelo som deles, imaginem a minha surpresa ao digitar o nome das vocalistas no google e ter essa foto como resposta. Amor a primeira vista.



O problema é que em termos de informações biográficas da banda, encontrei pouquíssima coisa. Um release breve da banda e apenas uma entrevista, nada mais. Muito pouco pra escrever a coluna que a banda merceia. Apenas a informação de que a banda era sucesso absoluto no norte e nordeste, com uma média superior a trinta shows por mês. No entanto, notei que tinha um blog muito bem organizado tocado pelos fãs. Calejado pelo fato de ter sido ignorado nas tentativas de contato via e-mail (o que já tinha ocorrido com o Fantasmão e com a Stefhany), resolvi mudar de tática e contatar os fãs.

Deu certo, no outro dia estava lá o e-mail de Flaviane Torres, uma das minas que tocavam o Blog do Muído, dizendo que achava a interessante a proposta. Melhor, ela tinha contado direto com Simaria, uma das vocalistas da banda. Animado com a perspecitiva de que Simaria responderia minhas perguntas, adiei a coluna do Muído por uma semana e acabei escrevendo o texto Pirataria Legal, sobre os caras que gravam os shows ao vivo. Escrevi dez perguntas e mandei pra Flaviane repassar pra Simaria.

Só que durante a semana a banda estava em turnê por cidades do interior, o que dificultava imensamente o contato, somente no fim de semana que Flaviane conseguiu repassar as perguntas para Simaria. Chaga a segunda-feira e nada de Simaria responder, terça-feira e nada novamente. Ocorre que eu tinha o hábito de enviar minhas colunas na segunda, no máximo terça-feira. Então, pelo MSN, desabafei pra Flaviane que tava foda, todos os meus esforços tentando contato, tentando divulgar a banda para um público diferente e eles nem tchuns.

Pedi pra ela que me contasse tudo o que sabia sobre a história da banda. Ela começou a escrever e não parou mais. Ficou meia hora digitando no improviso e forçando sua tendinite. No final, a coluna estava pronta. Foi só salvar a conversa, abrir meu editor de texto e escrever a matéria. Como Flaviane estava meio insegura quanto às informações, pediu o texto pra mostrar pra Simaria. Mais uma vez não obteve retorno. Já impaciente com a demora toda e crente de que não tinha escrito nada que comprometesse a banda, mandei a coluna pro pessoal do MTV Bis e fui embora.

Eis que então, lá pelas 20:00, a própria Simaria liga no meu celular. Meu coração quase parou, aquela gostosona e talentosa estava falando com euzinho, um fã recém conquistado. Só que a alegria se dissipou assim que ela acabou de se apresentar. Tinha muita coisa errada no texto, não era daquela forma que as coisas tinham acontecido. Quando desliguei o celular pensei:

- Caralho! Agora que dei uma dentro, acabo dando uma fora?

Estava sem computador e a lan house do bairro tinha sido fechada no fim de semana anterior. O que fazer? E se a matéria já estivesse on line, o que faríamos pra corrigir a besteirada? Liguei pra um amigo, passei meus dados e senha de e-mail e pedi pra ele enviar uma mensagem de pelamordedeus, não postem o texto! pro pessoal do Bis. Com o cú não, na manhã seguinte acesso o site e Ufa! Não tinha sido publicado. Simaria, na ligação, prometeu ligar de novo para corrigirmos tudo. O dia de quinta-feira passou e nada da ligação.

Na sexta-feira, as dez horas da manhã resolvi chutar o balde e gastar algum dinheiro com interurbanos. Liguei na A3 Entretenimentos, empresa que gerencia a banda e abri meu coração pro primeiro infeliz que me deu atenção. Disse que estava com a matéria pra lá de atrasada e que meu emprego estava em risco. O cara se comoveu e me passou o telefone da assessora de imprensa da banda. Liguei na casa da mulher, maior choradeira de criança e tal e expus meu problema.

Ela me deu o endereço de seu e-mail, pediu pra me passar o texto para corrigir e até o final do dia a coluna estaria fechada. Acontece que a banda estava em Fortaleza e faria um show pela noite, logo, a assessora estava assoberbada até o talo com as funções de ceder credenciais de imprensa e outros detalhes. Meu desconfiômetro piscou, meus nervos estava à flor da pele. Fui na farmácia mais próxima do trampo, comprei uma Maracujina, tomei meio vidro no gargalo mesmo, sentei na frente do PC, respirei fundo e pensei, tenho que escrever uma coluna tapa buraco pra semana não passar em branco.

Foi assim que surgiu a coluna "A salvação da produção musical vem da selva".

Desde que comecei a colunar no Bis que decretei o sábado como o dia de fazer minhas audições. Como minha área é vastíssima e não tem como eu conhecer todos os discos de todo mundo sobre os quais escrevo, costumo baixar tudo o que posso durante a semana e, no sábado, compro uma caixa de latinhas de cerveja, ponho o som no máximo e faço o que chamo de Imersão Total no Trabalho do Artista. Começo cedo, lá por uma da tarde e quando chega a noite já estou completamente bêbado e manjando tudo do som da banda ou do cantor.

E foi assim, no final da sessão etílica que estou eu lá, ouvindo Forró do Muído ao vivo em Massaranduba, quando toca o celular e ela própria, a mesma que estava cantando "São Amores" no volume máximo. Manguaçado que estava, foi mal ela começar a falar que já cortei.

- Você é uma traíra do caralho!
- O que?
- Ficou de me ligar e não ligou! Ficou de mandar e-mail e não mandou!
- Mas eu respondi as perguntas...
- Que porra de responder perguntas, sua fuleira! Eu não quero mais caralho nenhum de respostas, a porra do texto tá pronto, é só corrigir o que estava errado.
- Mas tu não recebeu minhas respostas?
- Recebi caralho nenhum!

E assim por diante.

Na segunda-feira, ressaca pantagruélica, eu era só arrependimento. Liguei pra assessora de imprensa e me desmanchei em desculpas. Ela riu um pouco e ficou de me ligar na terça pra acertarmos o texto por telefone mesmo. Liguei também pra Simaria (esse mês eu tô fudido com os descontos de ligações) e ela riu bastante com a comédia da situação e ficou de mandar o e-mail pro endereço correto, tinha mandado pro meu Hotmail bichado. Desta vez as duas cumpriram a promessa.

Ocorre que nem tudo seria tão fácil e indolor assim. Além de me passar as informações corretas, numa longa ligação de mais de quarenta minutos (bom!), começou a dar pitacos em frases que eu tinha escrito que, embora corretas, ela achava que não pegava bem pra imagem de Simaria (mau!). Já falei, não sou jornalista formado, não tenho experiência, foi meu primeiro contato com assessorias de imprensas.

Com esta frase, em específico, ela empiçou:

"As duas cantam desde criança, quando moravam no interior da Bahia. Cheias de talento, mas destituídas de uma banda, toda vez que tinha algum artista tocando em sua cidade elas iam lá e imploravam para cantar junto. Tanta persistência acabou levando as duas a toparem com Frank Aguiar, virando backing vocal e dançarinas da banda do hoje deputado federal."

Encasquetou com o "implorar". Nesta outra frase, implicou com o "chorar as pitangas":

"Insatisfeitas com o trabalho secundário que estavam fazendo, abandonaram o barco para se lançarem como dupla. Infelizmente, devido a falta de um empresário eficaz, os dois discos que lançaram não aconteceram. Foi quando resolveram chorar as pitangas para Fernando Gusmão, vocalista do Rasta Chinela."

Como vocês bem podem observar, essas frases não saíram no texto final, isso porque eu reescrevi quase tudo, mantendo apenas o parágrafo inicial e a piada com o espanhol no final, que tanto a assessora quanto a Simaria pediram pra tirar, mas que o casca grossa aqui, que pode até ser um folgado aprendendo jornalismo na base da quebração de cabeça, mas não é otário, manteve. Pô, Simaria querida, se por um acaso estiver lendo isso, entenda, trata-se de um final de texto que preserva aquela jovialidade característica do som da banda, além de dar aquele toque de humor imprescindível. Ficou legal, admita.

No final tudo deu certo, a coluna saiu, o pessoal do Blog do Muído divulgou e eu ainda por cima estou com a Simaria no meu MSN e na minha agenda do celular. Se eu fosse o espanhol namorado da Simaria, tratava de se mudar nem que fosse pra Quixeramobin e ficar mais perto de sua namorada. Não é por nada, mas sabe como é que é, nénão?

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Quer ler a reprodução da tal coluna? O Site Bis MTV não existe mais, então reproduzimos aqui no blog, clique já!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tudo Junto & Misturado



Latino, como sempre, é o dono das melhores sacadas. Em seu novo disco, chamou vários amigos para fazer duetos. O resultado foi uma salada de ritmos capaz de fazer os puristas vomitarem as próprias tripas por quatro dias consecutivos. Latino sacou o espírito da época e graças às parcerias, misturou diversos estilos, com diversos graus de êxito.

Mas não é do disco dele que quero falar aqui. Não agora. Agora é a hora de falar de uma revolução nem um pouco silenciosa que está ocorrendo na música brasileira. Não é a MPB, esta se encontra em estado catatônico e nada de empolgante pode se esperar dela. São os ritmos populares, aqueles que são tratados como lixo pela Zelite Cultural.

A globalização fez bem para os ritmos populares. Ao invés de comprarem briga com os pirateiros, usaram a contravenção para divulgar o seu som. Se ligaram que dinheiro se ganha é fazendo show, é trabalhando e não desfrutando a vista do mar em apartamento em Ipanema, enquanto o ECAD deposita a verba dos direitos autorais direto na conta corrente. Vai trabalhar vagabundo!

Só que o aspecto mais interessante dessa coisa toda é que os estilos começaram e se influenciar mutuamente. O sertanejo incorporou a batida do vanerão e aposentou a choradeira do primeiro boom causado por Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano. Os pioneiros foram Bruno & Marrone. Reparem, Chitãozinho & Chororó nunca foram muito inovadores, apenas seguiam a maré.

O vanerão, que ficou anos e anos engessado, mantido em cativeiro dentro dos CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) chupinhou a batida do axé e do forró e modernizou-se, de modo a conquistar o público jovem, que já não suportava mais Gaúcho da Fronteira e Oswaldir & Carlos Magão. Tchê Garotos e o Grupo Tradição lotam estádios em suas turnês.


O forró, desde a inovação estética e formal que foi o Mastruz com Leite nos primórdios dos anos 90, sempre foi afeito a antropofagias diversas, por vezes as mais sem noção. Os caras são capazes de adaptar qualquer música ao ritmo do forró. Na época do frissom do filme "Tropa de Elite", até o A-ra-pa-pá eles conseguiram. E foram os Aviões do Forró que mais uma vez inovaram o estilo, com o minimalismo e a, por que não dizer? libertinagem do Pancadão carioca.


E a Banda Calypso, que eu considero a grande banda brasileira da década, influenciou todo mundo, principalmente com seu modus operandi: produção totalmente independente e vistas grossas à pirataria. Muito mais do que o anarco-capitalista Eike Batista, se tem um brasileiro que merece estar rico, este cidadão chama-se Chimbinha e neste momento está escolhendo as músicas de sua banda que estarão no playlist da próxima versão do Guitar Hero.

Desnecessário dizer que com toda essa mistura houve um salto de qualidade no som de todo mundo. A festa é geral, tá todo mundo feliz pacas. Justamente por não pertencerem a Zelite Cultural, não ocorreram brigas de ego e nem ataques de ciumeira de parte alguma. Eu arrisco de dizer que estamos na eminência de uma grande revolução na música brasileira. Um amálgama sonoro com potencial planetário. Muito mais que aquela porcaria fabricada em laboratório chamada Lambada.

O mais irônico nisso tudo é que a enviada especial da Zelite, aquela imbecil da Regina Cazé, só fez foi atrasar essa revolução em alguns anos em seus programas em que não fazia outra coisa além de estereotipar pessoas como este que vos escreve, pobre da periferia.

E a MPB como a conhecíamos? Ah essa daí, no dia em que a MTV propôr um Estúdio Coca-Cola reunindo Latino e Caetano Veloso, aí sim deposito 5mg de esperança em sua ressurreição.


originalmente publicado no site Bis

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