O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Três Cabras & Um Cabaré

Essa semana fui premiado com três demonstrações de generosidade, destas revigoram nossas esperanças do futuro da humanidade. Quem acompanha o blog sabe a um mês atrás minha casa foi invadida durante a madrugada, fui espancado e os larápios levaram meu notebook. Durante um mês tive que puxar o freio das postagens e operar apartir de lan houses. Pois meus camaradas Denis Santos e Coutinho (Twitters devidamente linkados) me ajudaram a adquirir outro computador - este em que estou digitando este texto.

E hoje, meu amigo de Quixeramobim - Ceará, Lucas Ameida, deu uma repaginada geral no blog, emprestando ao mesmo um visual menos furreba série C que ele tinha. E tudo isso de graça sem cobrar nem uma paçoquinha do Bar da Salete. O curioso é que nos conhecemos trocando farpas na época do Watergate do Forró, eu defendendo minhas posições e ele defendendo os Aviões. Hoje somos grandes chapas e não passamos um dia sequer sem falar meia dúzia de merdas no MSN. Ele apartir de hoje irá postar no Cabaret artigos sobre forró, pois o cara é inteligente, escreve bem, tem senso crítico - existe isso em fãs dos Aviões ´- e tem conhecimento de causa. E é bonito, vai atrair mais menininhas para esse cafofo. Confiram a cútis da criança.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Timpin na Estrada - Segunda Estação: Recife, parte 3

E às seis da manhã, no aeroporto do Recife, eu cheguei e caguei. Se tem um órgão de meu corpo que não costuma me deixar na mão, é o sistema intestinal. Toda manhã, logo depois do canecão de café e do cigarro, vem o cagão. Em Salvador isso não rolou, mas foi só chegar no Recife e aspirar o ar familiar de uma cidade onde já morei, que a rotina se fez valer. Foram onze minutos redentores no sanitário masculino do segundo piso.

Feito isso, o próximo passo era dar prosseguimento à resolução dos aspectos práticos pendentes da viagem. A saber, conseguir dinheiro para comer e um canto para dormir. O canto para dormir estava parcialmente esquemado, já tinha ligado para o amigo e padrinho de casamento Petrúcio, avisando que iria pra lá. O diacho é que estava chegando com cinco dias de antecedência.

Já a questão do dinheiro, cabe aqui uma informação que tenho a mais absoluta certeza de que após escrevê-la, o leitor pensará que sou bem mais imbecil do que imaginavam inicialmente. Eu estava sem o cartão magnético do banco para sacar o dinheiro no caixa eletrônico. Desde dezembro que o cartão está com minha esposa, que viajou com nossos filhos para o interior de Pernambuco pra passar uns tempos com a familia.

Tentem me entender. Eu achava que em Salvador conseguiria um camarada que me passasse o número de uma conta, para minha esposa depositar o dinheiro que Dan Ventura havia me depositado. Simples assim. Só que a vida é sempre mais compicada...


Dan Ventura, patrono supremo de minha viagem tinha me ajudado. Quem não se ajudou fui, saindo sem cartão. Ele canta no Bonde do Maluco e quem dá uma de maluco sou eu.


Minha idéia então era ir ao banco e inventar uma história triste de que era um turista incauto que havia sido assaltado e que precisava sacar dinheiro mostrando a carteira de identidade e digitando a senha. Só que para levar a cabo esse plano genial, precisava esperar a agência abrir, ou seja, mais quatro horas com uma fome que me corroia as entranhas.

Aberta a agência, mais perrengue. O primeiro foi que era dia de pagamento de bolsa-familia, aposentadoria ou sei lá o quê e a porra da agência estava apinhada de gente. Cada qual mais perdido que o outro, sem saber em que fila quilométrica entrar. Lá pelas onze e meia da manhã chego na boca do aixa e o segundo perrengue, só podia sacar R$100,00. Mas, como para quem não tem o que vem, vem bem, catei os cenzão e saí do banco mais feliz que lambari depois de enxurrada.

Desde a Bahia que eu estava em um jejum musical auto imposto. Preparei uma play list incluindo Kelvis Duran, Tayrone Cigano, Conde & Banda Só Brega e Labaredas da paixão, para ir me sintonizando com a cidade. Recife tem uma cena brega que é totalmente endêmica e viva. Claro, isso no ponto de ônibus onde aguardava a condução que me levaria ao Mercado de Afogados, onde tiraria a barriga da miséria.



Devorei três pratos feitos no valor de R$6,00 a unidade. Dois de galinha cabidela e um de carne frita. Não dispensei nem a farinha, que nunca costumei comer muito. Umas quatro garrafas de Coca-cola com muito gelo completaram o banquete. Palitei os dentes e cendi um cigarro me sentindo novamente um Rei. As coisas estavam voltando para seus devidos lugares.

Quer dizer, mais ou menos. Nem o Petrúcio e nem a esposa deles atendiam o celular. Eu sabia qual era o bairro onde eles moravam, mas não sabia nem que ônibus pegar e nem onde era a nova casa deles. Por isso, me dicidi por primeiro tentar fazer uma visita ao bairro onde tinha morado a três anos atrás. Tinha três camaradas por lá que poderiam me dar abrigo. Mas advinhe, o primeiro tinha se mudado, o segundo estava viajando pra Aracajú e o terceiro tinha acabado de sair pra praia sem hora pra voltar (em Recife, o domingo praieiro de quem trabalha no comércio é na segunda, a praia lota!), encontrei só a esposa dele. Joguei conversa fora, atualizemos as fofocas e vazei.

Só tinha então uma chance, achar a casa de Petrúcio no bairro de Água Fria e rezar para todos os deuses para que tivesse alguém em casa. Após alguns pedidos de informação embarquei no ônibus PE 15 - Afogados e desci no primeiro ponto em que tinnha uma paisagem familiar. E andei, perguntei, andei, perguntei, perguntei e andei mais um pouco até que entrei em um bequinho que tinham me indicado e bati em uma porta de ferro verde. A tarde já estava no fim e a noite se avizinhava. Momentos de tensão. A porta se abriu e uma mulher falou:

- Timpin, seu doido, o que tu tá fazendo aqui?
Era Vera, esposa de meu compadre Petrúcio. Desabei nos pés dela sob o peso de minha mochila e exclamei do fundo dos meus esfumaçados pulmões:
- Estou salvo!!! Posso ficar aqui?
- Claro! Mas hôme, tú tá fedendo mais que cú de bode véio! De onde tú vem?
- Já te conto, posso tomar um banho?
- Deve!

Após um banho de quinze minutos e um sabonete, vesti uma bermuda que era dela (a topeira não tinha levado nenhuma) que só serviu amarrando firmemente com minha sinta, comprei dezoito latas de cerveja e nos pusemos a beber, conversar e ouvir música. Vera me apresentou o DVD da banda Kitara, a nova sensação brega do Recife. Sefhany e Larissa, as filhas do casal, pulavam no meu colo. Era eu de novo o Rei, o lorde de ascendência merovíngia que nunca deixei de ser.



Conversamos sobre nossos tempos no sertão nordestino. Era o fim do meu terceiro dia de viagem e parecia que fazia um mês que tinha saído de Curitiba.

Timpin na Estrada - Primeira Estação: Salvador, parte 2

Esperei o sol nascer para conferir os bolsos. Fora as moedas perdidas dentro da mochila, tinha uma nota de Vinte Reais. É que o otimista aqui, tinha torrado R$20,00 no aeroporto de Curitiba num livro do Bukowski. Mais R$20,00 nas latas de cerveja da sexta. Mais vintão na cervejada da véspera e o resto em créditos de celular, todos carcomidos pelas falcatruagens da Tim.

Tudo o que eu queria era um copão de café e uma carteira de cigarros. Voltei para a rua do bar, peguei meu Bukoswsky pra ler e fiquei esperando pra ver o primeiros corno que aparecesse carregando uma sacola de pão, sinalizando que existia uma padaria e que estava aberta.


Meu padrinho espiritual Charles Bukoswki, exercitando uma de nossas paixões


Oito da matina apareceu o primeiro, em menos de cinco minutos estava eu tomando degustando um cafézão açucarado da pova e fumando um cigarrinho. Na padaria tinha recarregado os créditos do celular, o que me deixava com R$8,00 no bolso. Assim que o bar abriu pedi uma latinha de refrigerante e finquei raízes na mesinha da frente, sem a mínima previsão do que aconteceria durante o dia.

A primeira coisa que aconteceu foi um tiozinho feio que só a porra, quase tão magro quanto eu e que falava pelos cotovelos. Era músico. Percussionista para ser mais exato, mas alegava não fazer feio em intrumento algum. Seu nomera era Mangueira dp Pituaçu. Me deu aulas vocais de tenor, soprano. Ensinou-me as sutilezas dos arranjos percussivos. Contou-me setenta e tantas histórias. Chorou na última delas, que versava sobre a homenagem que sua familia tinha lhe feito no seu aniversário de cinquenta anos e foi embora com os olhos ainda úmidos e me desejando muita boa sorte, nem imaginando o quanto precisaria dela.

Depois começou a turma domingueira do bairro, pra fazer o aquecimento via cervejas geladas e caldo de mocotó, para depois descerem para a praia. Pediram cervejas. Muitas cervejas. Começei a olhar para minha latinha de refrigerante de uma maneira nem um pouco amistosa. Mesmo assim elegi uma sucessora, trocando apenas de marca.

Começou a chegar mais gente, mais cervejas sendo abertas, mais caldo de mocotó atiçando minhas lombrigas e eu ali, sendo observado de cima abaixo sem que um puto dequer puxasse assunto. A única coisa que me fazia lembrar que eu não era um inseto, era os sorriso simpáticos da mina do bar. E suas coxas. No som, o novo promocional dos Aviões do Forró era repetido à exaustão, puxado pela infame "Minha Mulher não deixa não", só pra me lembrar o que cacete eu tenho que o resto da humanidade. Eu tenho mais é que me foder, mesmo.


Timpin, tu quer beber? Vou não, quero não, posso não, meu bolso vazio não deixa não


Quando o sol chegou a pino e todo mundo já tava bêbado, mandei o Universo inteiro se foder e pedi uma cerveja pra mim. Foi aí que um maluco puxou assunto comigo, pergutou de onde era e coisa e tal, mas o entrosamento não fugiu muito dessas preliminares. Em pouco tempo o pessoal todo desceu pra praia e fiquei lá, de novo sozinho com os donos do estabelecimento e com as coxas desfilando pra lá e pra cá.

Até que o par de coxas veio e falou comigo. Era um recado do dono da casa onde eu não tinha podido passar a noite. Foi aí que meu barraco desabou. Foi aí que o meu barco se perdeu. O cara estava simplesmente me dizendo que o guitarrista da banda proeminanete tinha alegado que não tinha combinado nada com isso. Que o baixista da mesma banda estava vindo pra "ver o que iriam fazer comigo" e qua a assessora da mesmíssima banda não teria tempo pra mim, pois estava enrolada com um show que estava naquela coisa de sai ou não sai.

Pelo menos consegui o telefone fixo da casa do guitarrista, já que o viado não atendia o celular. O puto se desculpou todo, dizendo que morava de favor na casa da irmã e que ela não se sentia nem um pouco à vontade dentro de casa com hóspedes do sexo masculino. Aí eu pensei: fudeu tudo.

E fudeu mesmo, quando o baixista da passagem aérea chegou com o outro morador da casa onde não pude dormir, queriam me fritar numa grelha, me esculhamdno, me chamando de irresponsável, inconsequente, porra-loca, todas essas coisas que já tinha ouvido de minha mãe e das professoras de educação artítistica no primário. Queriam me despachar de volta para Curitiba no mesmo dia.

Diante de minhas negativas em abortar a viagem, me deram umas horas para resolver o problema e sairam de carro, dizendo que iriam tentar arrumar um lugar pra mim. Passaram a chave na casa e sumiram. Claro que não consegui nada. Quer dizer, o meu amigo Roberto Kuelho, do Blog do Kuelho até me atendeu e prometeu me ajudar, mas o problema é que ele é de Feira da Santana, a 100Km de Salvador e meus míseros trocados que tinha no bolso não me levariam nem pra rodoviária.


O compositor e blogueiro Roberto Kuelho, o único baiano que se dispôs a me ajudar efetivamente. Eu cá com as coxas, ele acolá com os peitos. Observem sua cara de safado da porra!


Quando a noite de domingo chegou, os caras que tinham saído voltaram. Nada feito, não tinham conseguido nem uma caixa de areia de gatos disponível. Eu teria que ir embora. Falei que tinha desistido de Salvador e estava disposto a sumir dali. Pedi pra me despacharem pra Recife. Eu já tinha avisado meus contatos de lá que iria aparecer, mas no caso, chegaria de surpresa uma semana antes. Na situação onde me encontrava, isso era um peido pra quem está cagado. Conseguiram um vôo pras cinco da matina de segunda-feira.

Conseguiram mais. Conseguiram uma nota de cinco reais e me largaram num ponto de ônibus onde eu poderia chegar ao aeroporto. Já era noite e eu mal conseguia ler os letreitros dos coletivos que passavam, tamanha era a fome que embaçava meus olhos, consumia meus tecidos musculares e reservas secretas de gordura. Mas como disse, sou durão, consegui chegar chegar na porra de aeroporto as 20:00, para nove horas de uma famérrima espera. Minha espernaça, uma rede wireless que me permitisse chorar as pitangas pra cima de algum infeliz via MSN e acabar com a reputação de todos os pagodeiros baianos no Twitter.

Cheguei no balcão de informações da INFRAERO e perguntei:

- Moço, não tem wireless no aeroporto?

Ele olhou dentro dos meus olhos e disse:

- Tem! - fez uma pausa, sempre me olhando - Mas não é livre - mais uma pausa, um pouco mais demorarda e continuando a me olhar - Tem que comprar um cartão ali na agência - apontou a agencia e quando eu a vi, deu o tiro de misericórida - Mas ela está fechada.

- Muito obrigado, tchau.

No primitivo linguajar timpínico este "muito obrigado, tchau" pode ser traduzido por "terra de corno, aeroporto de corno" ou então "filho de rapariga, enfiasse teu sarcasmo e essa tua inornia no cú!"

Achei uma tomada no terceiro andar, liguei o computador e fiquei vendo uns filmes que a semanas estavam esperando três centímetros cúbicos de minha atenção. De vez enquando dava pause, tomava muita água e saia pra fumar e fugir do torturante cheiro de comida que vinha da praça de alimentação, que insistia em se esparrmar por todos os setores do aeroporto.

Quando as cinco da matina chegaram, as recebi com alegria e entusiasmo. Era o fim de meu segundo dia de viagem e promessa de que tão cedo não colocaria meus pés de novo naquele lugar ou oviria um disco de swingueira no meu Ipod. Era o mínimo de contas que naquela situação, poderia prestar à minha honra, minha dignidade e meu orgulho ferido. Foge, foge Timpin! Foge, foge com o Superman.

Timpin na Estrada - Primeira Estação: Salvador, parte 1

Prefácio

Fazer uma viagem de reconhecimento musical pelo Norte e Nordeste era um sonho óbvio, para um blogueiro independente como eu. E justamente por ser um blogueiro independente, tratava-se de um sonho virtualmente impossível. Como sou realista e sempre exijo o impossível, nunca desisti dele.

A maré mudou no dia em que conversava sobre o carnaval baiano via MSN com o baixista de uma proeminente banda de lá. A uma certa altura da conversa ele me disse que, se eu conseguisse hospedagem em Salvador, ele me conseguiria as passagens de avião. Beleza, maravilha, mas ainda me faltava bancar os custos da viagem.

O problema foi resolvido quando contei meu plano, também via MSN, para Dan Ventura, cantor da banda de arrocha Bonde do Maluco. O doido se dispôs a me ajudar financeira, sob o pretexto de gostar de meu trabalho. Claro que não acreditei no maluco, até ser supreendido por um extrato bancário. A grana - que não era pouca - estaria na minha conta na segunda-feira. Isso foi numa quinta-feira. Na mesma quinta liguei pro baixista das passagens aéreas e na sexta estava de mala e cuia partindo para a viagem, com R$100,00 no bolso, fruto do vale de adiantamente que havia conseguido com a chefe. Inventei a desculpa de uma vó doente para me ausentar por uns dias e ferro na boneca.


Dan Ventura, cantor do Bonde do Maluco e patrono supremo da viagem de Timpin pelo Norte e Nordeste. Venha o que vier, a culpa é dele.


Foi assim na louca que tudo aconteceu. Em menos de dois dias a viagem saiu dos mais delirantes sonhos de minha mente, para a realidade factual. Quando os deuses resolvem te sortear na loteira deles, não tem corno que impeça seu sonho de ser realidade.
Agora senta que lá vem a história.

Parte Um - Perdas e Danos na capital dos Baianos

Introdução

A intenção da primeira etapa da turnê era, uma vez em Salvador, e ciceroneado por pessoas do meio, aprender como funciona a dinâmica do pagode baiano. O resultado não poderia ter sido mais exitoso, mas pelos meios completamente opostos às expectativas anteriores a expedição.

Quando saí de Curitiba estava animadíssimo - lembro que ao me despedir dos colegas de trabalho exclamava eufórico e seachão: vou conhecer todo mundo, chamarei o Eddy (Edcity) de Lacraia, roubarei o boné do Marcio Victor (Psirico), chamarei o Xandy (Harmonia do Samba) de corno, direi a Igor Kanário (A Bronkka) e Chiclete (No Styllo) pessoalmente que eles parecem duas bichonas batendo boca e por aí vai.
Acabou que não conheci nenhum deles e isso - e o que levou a isso - acabou sendo muito mais didático do que se tivesse connhecido esse povo. As coisas que me aconteceram - lições de vida, ora xongas - me ensinaram muito mais do que se tivessem acontecidos as entrevistas, pois nesse caso mui provavelemente eu teria sido enrolado por tudo mundo e apresentaria aos leitores deste Cabaret um relatório fantasioso.



Grosso modo, o funcionamento do pagode baiano é o seguinte: ele não funciona. Que ali existe uma cena riquíssima em sua diversidade e vitalidade, não sou cara de pau de negar. Mas que a desunião, o choque de egos inflados, as maracutaias empresarias e a ausência de assessorias competentes, inviabilizam a ruptura do nixo local de Salvador.

Os números não deixam mentir, as exeções à regra são Psirico e Parangolé. Fora essas duas bandas, quase nenhuma tem uma agenda relevante fora de Salvador. Alguns shows pingados aqui e acolá. São todos santos de casa de poucos milagres.

O que era para ser uma semana de intensos contatos e conversas, resumiu-se às piores 48 horas de que tenho lembrança.

Primeiro Dia

Cheguei em Salvador na sexta-feira a meia noite mal cabendo em mim de tanta euforisa e saí no domingo, praticamente no mesmo horário, mal podendo esperar pelo segundo exato do avião decolar e sumir de lá, sem a mais remota intenção de voltar.
Juro que estou sendo até ameno em descrever, mas fui tratado feito um cagalhão de cachorro em um gramado qualquer. Não sou revanchista e muito menos vingativo. Sou um doce de pessoa, mesmo vendo aquele falso do Chimbinha chorando na televisão. Não vou citar nomes que comprometam reputações que já se comprometem por si próprias.

O primeiro presságio da encrenca em que eu estava me metendo foi logo na chegada. Ao ligar para o celular do músico de uma banda e morador da casa onde eu iria me hospedar, ouvi a seguinte resposta "este número está programado para não recber chamadas". Sobrou para o amigo que estava me esperando no aeroporto - outro músico de uma banda - me levar para a casa de um amigo dele, no improviso.

Foi lá que passei a primeira noite. Não digo que não foi, mas teria sido bem mais divertido se logo na chegada tomasse uma germânica cervejada de comemoração, afinal Salvador é ou não a capital do carnaval de seis meses? Imagine estimado leitor, o susto ao chegar na casa do cara e ver garrafas e mais da garrafas... de água mineral. Água mineral pra caralho, garrafas e mais garrafas delas! Casa onde só mora homem, louças por lavar e diversos recipientes de produtos vazios e nenhuminha de nem nada lata de cerveja. Certamente o segundo presságio, mas o pior cego é aquele...

Mas como disse, não posso dizer que não foi divertido, foram quase quatro horas de muitas histórias do mundo do pagode, alguns videos no youtbe apresentados e alguns ídolos de barro destruídos pelas marteladas das versões alternativas da história. Mesmo assim, na hora do meu amigo músico ir embora e deixar-me na casa do amigo do amigo, pedi para passarmos num posto de gasolina pra mim comprar um lanche, pois não havia comido nada desde a hora do almoço. E o cardápio tinha sido um cachorro-quente de R$2,00.

Comprei outro cachorro quente de R$2,00 e oito latas de cerveja para a goroba descer.
Como já era quase amanhecendo o dia - o sono pesando - e não tem muita graça beber sozinho quando não se está sozinho, engoli o cachorro quente mais três latas de cerveja e fui dormir.


Eis o bairro onde fui tentar uma hospedagem


Só que a porra da janela do quarto não tinha veneziana e mal consegui pegar no sono e o sol já estava queimando meu rosto. Dei um giro de 180 graus e meus pés passaram a ser assados. Peguei o travesseiro e fui dormir no chão. Foi um sono assaz inqueito. Dez da manhã e já estava de pé. Doido para sorver uma impossível canecona de café preto.

Nunca vi um fogão mais subutilizado em toda a minha vida. Estava ali somente para superte de garrafas vazias de água mineral. Ao acordar, se não tomar um canecão de café preto, não sou gente, sou pré homo sapiens, nem homo habilis dá pra chamar, pois fico fico num estado de inabilidade para nada, muito menos pensar. E menos ainda falar. E os donos da casa querendo saber quem caralho era afinal de contas Timpin, metralhando uma pergunta atrás da outra.

A única coisa que atinei foi tentar ligar de novo, sem sucesso, para o cara que originalmente iria me hospedar. O mais lógico diante do fracasso dessa segunda tentativa seria ligar para a assessora de imprensa da banda do cara. Ela não atendeu. Mandei duas mensagens explicando minha situação e pedindo encarecidamente que ela localizasse o músico. Pouco tempo depois recebo uma mensagem dela dizendo que não estava em Salvador, mas que assim que chegasse - quando, meu deus? - me ligaria.

Na agonia, entrei na Internet através do computador de meus hospedeiros e avisei o ligadíssimo do dono da comunidade do Orkut da banda do musico incomunicável. Logo depois ele me responde que deu o recado pro cara e que só me restava esperar seu retorno. E eu esperei. Esperei pra caralho, esperei até que esquecer do café e o corpo tratar de acordar por sí só.

Aí lembrei das latas de cervejas sobreviventes da noite anterior. Abri a primeira. Depois a segunda, a terceira e logo logo tinham ido todas pra fita. Foi quando um bar, do outro lado da rua, a uns vinte metros de distância, começou a olhar pra mim. E eu a olhar pra ele. A paquera durou uns cinco minutos e lá estava eu, tentando convencer uma atendente gatinha e proprietária de uma das cochas mais estonteantes de 2011 a me emprestar o casco de uma garrafa de Skoll, eu devolveria depois. Negócio fechado, ela devolveria o troco depois também. Comprei também um pastel de carne, à guiza de almoço.

Sentei no chão do sala tentando escrever um post sobre o começo da viagem, bebericando e comendo o pastel. Desisti de escrever por falta de conteúdo. Tentei ligar de novo, tanto pro músico quanto pra asessora. Nada. Ao devolver o casco, queimei o troco na forma de uma coxinha e pedi outra cerveja para auxiliar a digestão.

A atendente gatinha até que era simpática, ia soltando sorrisos generosamente e acabei pedindo outra cerveja. E assim por diante, até o sol se pôr e meu celular finalmente começar a tocar. Primeiro foi o cara que tinha me buscado no aeroporto e me largado lá. Dizendo que eu tinha que - pelo amor de Deus! - arrumar um lugar pra passar a noite porque o amigo dele queria levar a namorada pra lá - erá sábado, ora pois. Depois foi a assessora da banda finalmente me ligando - mas sem ter voltado pra Salvador - CAGANDO na minha cabeça por ter viajado tendo feito apenas UM tratado de hospedagem.

Taí uma coisa que não costumo levar muito na esportiva é levar um sermão quando estou comendo água. Fiquei puto, entrei na casa, enfiei os computador na mochila e mais algumas tralhas que estavam esparramadas pelo chão e vazei. Saí andando a esmo e trocando as pernas pelas ruas do bairro até começar a entregar as pontas e passar a procuar por um abrigo urgente. Estava positivamente bêbado. Achei uma em construção em estado de abandono, tomada pelas ervas daninhas e elegi meu lar. Tenho uma vaga lembrança de ter me jogado no chão de um quartinho escuro usando a mochila como travesseiro.


Eis a rua onde perambulei feito um cão sarnento e sem dono


Acordei de magrugada deitado em cima de escombros de tijolos, madeiras e entulhos, com as roupas cheias de pega-pegas, amor-de-sogra ou sei lá que cacete de nomes que aquelas paradinhas que grudam tem. Tirei o que deu pra tirar na hora e me deitei no piso da construção.

O diabo é que eu não consigo dormir de costas, como a maioria das criaturas normais. Não sei se é pelo fato de eu ser gaúcho, mas só sei dormir ou de bruços ou de lado. De bruços naquela porra de concreto salpicado era impossível e de lado até que dava, até o momento que as sailências do concreto começavam a perfurar o coro e atingir o osso. Devido a minha peculiar constituição física, coro e osso tenho em abundância.

Lembrei dos mendigos e suas camas de papelão. Pensei em sair atrás de algum, mas meu senso de ridículo e minhas questões de honra me impediram. Sou realmente um cara durão, resisti firme e tentei dormir mesmo assim. Claro que não consegui e como tinha pacotado logo ao anoitecer, acordei de madrugada sem sono e curado da bebedeira. Na casa ao lado, um jovem casal bebia ao som de um discode Zeca Pagodinho que ouviram três vezes, até que enjoram - ou se embebedaram, sei lá - o que sei é depois do CD do Zeca, deixaram a música Liga da Justiça, da banda Leva Nóiz, no repeat até ser esculhambados pelos vizinho e parararem com a putaria.

Foi uma longa espera até o dia amanhecer, sem saber ao certo se ele viria para o meu bem ou o meu mal. Era o fim de meu primeiro dia em Salvador e apesar dos percalços, ainda estava otimista.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Maxixe - A Nova e Subversiva dança gaúcha

Quando o Movimento Tradicionalista Gaúcho fechou o cerco sobre a Tchê Music no começo do século, nem imaginava que dentro de seu próprio cafofo surgiria uma das mais belas histórias que a cultura popular nos premiou nos últimos tempos. Trata-se do maxixe, a mais nova dança surgida das periferias de Porto Alegre e que prova que a cultura não obedece leis e desconhece proibições.

Para contar essa história temos que voltar no tempo até a década de 90, quando o grupo Tchê Barbaridade começou a inserir uma batida mais acelerada, inspirada no axé baiano, em sua sonoridade. Aos poucos, as letras que até então falavam em sua maioria da terra, da revolução e do orgulho de ser gaúcho, passaram a adotar uma temática mais jovem e urbana. O sucesso inspirou outros grupos, como Tchê Guri e Tchê Garotos a seguirem esse viés.


grupo de dança Patrulha Maxixeira


A consolidação do movimento se deu na virada do século quando o principal jornal impresso do sul do país, a Zero Hora, lançou na sua edição dominical uma coletânea intitulada Tchê Music que fez um sucesso estrontoso, atingindo a marca de 120.000 cópias vendidas já nas três primeiras semanas. O êxito irritou os tradicionalistas e deu inicio a uma longa guerra que culminou com a proibição das bandas de usarem bombachas e demais indumentárias gaúchas e com o fim das apresentações em Centros de Tradiçào Gaúchas (CTGs), controlados a mão de ferro pelo MTG.

O embate entre os artistas da Tchê Music e os Tradicionalistas que comandam os CTGs já foi abordado superficialmente em minha segunda coluna no Bis MTV e merece um artigo mais aprofundado, que com certeza ainda será escrito. Para a contextualização do Maxixe no entanto, este breve introdução já é suficiente.

A gênese do maxixe é mais um caso pra lá de curioso e que comprova que a Africa vingou a escravidão através da música. Enquanto o vanerão seguia subjugado pelo arreio dos Tradicionalistas, a dança permanecia quadrada e não atraía a parcela negra da população porto-alegrense. Com a inclusão de elementos do axé e do pagode no som da Tchê Music, os negros passaram a descer o morro e frequentar os CTGs. E foram apenas dois negrinhos vileiros, apelidados de Faísca & Fumaça, que deram inicio ao calvário dos patrões cetegistas.

Como não sabiam dançar o dois pra lá dois pra cá do retangular vanerão ortodoxo, começaram a rebolar e adaptar o seu samba no pé ao som da sanfona. As pessoas mais próximas achavam aquilo muito engraçado e aos poucos começaram a imitar. Como chacoalhar o esqueleto era muito mais divertido do que tentar inutilmente ensinar Faísca & Fumaça a dançarem durões, a moda começou a se espalhar e os dançarinos da nova dança, que a principio era apenas alguns, passaram a ser dezenas, depois centenas e os problemas começaram a aparecer.

Naturalmente que os arautos da tradição campeira e dos valores da familia gaúcha não permiritiam tamanho deprave dentro de seu respeitoso estabelecimento cultural. Os seguranças começaram a receber ordens para expulsar sumariamente a bagaceiragem que insistisse naquela dança obcena. Foram criados Comitês de Observação, que inicialmente faziam uma advertência verbal e no caso de reincidência, olho da rua.

Aqui nos adentramos num surrealismo nonsense capaz de envergonhar Bob Esponja e seu amigo Patrick. Proibir a Banda Vaneira de tocar em um ambiente cuja função é preservar uma tradição específica e antiquada é algo questionável, mas compreensível. Proibir por decreto que artistas usem determinadas vestimentas em suas apresentações é algo ridículo. Agora proibir que se dance de certa maneira é uma absurdidade de proporções caralhosféricas.

Chega a ser cômico só de se imitar os apuros que passaram os pobres coitados dos empregados que calharam de pegarem esse rabo de foguete que deve ter sido tranbalhar nos tais Comitês de Observação. O rosto estático, os olhos movimentando-se de um lado a outro em busca dos transgressores subversivos.

- Olha lá! Olha lá! Pega aqueles dois! Não, não, não! Lá tem mais, vai nos dois que eu pegos outros. E aquelas quatro gurias lá? Ah meu deus, isso não vao dar dar certo... Alô? Patrão? Manda o cheque pelo correio que eu prefiro eu prefiro ser cafetão de puta de BR.

Brincadeiras à parte, não raro os barracos acabavam na delegacia de polícia, com um lado alegando desrespeitos às normas de uma intituição sério e o outro alegando racismo.

Como tudo o que é proibido é mais gostoso, a noticia de que uma dança proibida estava sendo praticada nos CTGs começou a chamar a atenção da juventude e a nova mania começou a se espalhar como fogo em mato seco, chamando a atenção do jornalista Marcelo Machado da RBS que passou a acompanhar o desenrolar dos fatos mais de perto e publicar textos sobre o tema em sua coluna na Zero Hora. Como o jornalismo precisa de rótulos da mesma forma que um brigadiano precisa de suborno, a dança recebeu o nome de maxixe e seus patricante passaram a ser chamados maxixeiros.


Patrulha Maxixeira em Dom Pedrito


Como a juventude urbana costuma andar em bandos não tardou para que pipocassem as tribos maxixeiras pelas periferias da capital gaúcha. Tendo em vista a organização da cena emergente, Paulinho Bombassaro criou o Clube do Maxixe, localizado no Clube Farrapos, onde todos os domingos à tarde são ministrados cursos de dança e à noite a bailanta come solta.

Atualmente a exitem diversos grupos organizados, como nomes diversos como Bonde dos Maxixeiros, DN -Danadas Maxixeiras, Tradição Maxixeira, SWAT - Elite Maxixeira e os pioneiros da Patrulha Maxixeira, o primeiro a se organizar e hoje um dos maiores e mais ativos. Segundo Soraia Ramos, uma das coordenadoras do grupo, hoje a Patrulha que começou quase como uma brincadeira entre e amigos e agora já age num esquema quase profissional, participando em gravações de DVDs, aberturas de shows como Calcinha Preta e Banda Calypso.

Enquanto isso os tradicionalistas dogmáticos ladram, mas a caravana não para. Como a cultura é uma entidade viva e em plena evolução, aquele rebolado de Faísca & Fumaça acabou dando origem a uma revolução que aos poucos vai mudando os rumos da música gaúcha. Afinal de contas, com o aumento da quantidade de maxixeiros, acaba surgindo uma demanda que acaba forçando os artistas e bandas a criarem músicas que possam ser dançadas por eles, num círculo virtuoso que prova mais uma vez que a capacidade criativa musical do povo brasileiro é como uma égua chucra que não tem relho que dome.

Mas aigalhetchêporquera, seu!

...

Texto publicado originalmente no Bis MTV

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Os 20 melhores discos da década segundo o Cabaré do timpin

Frente ao abaixo-assinado que acabou de receber exigindo que eu mude assunto, vou publicar uma prévia da minhas dos 20 discos mais importantes para a POP MOB - a Musica Original Brasileira da década inaugural do século XXI. Não esperem rigor cronológico, ainda falta checar umas datas. Mas é isso daí. Depois faço um post comentando cada um deles.


Furacão 2000 - (2000)
Ivete Sangalo - Volume 1 (2000)
Banda Calypso Volume 1 - (2001)
Bruno & Marroni - Acústico (2001)
Aviões do Forró - Volume 3 (2005)
Psirico - Macumba Popular Brasileira (2005)
Victor & Leo - Acústico Independente (2005)
Tradição - Micareta Sertaneja (2008)
Fantasmão - Pluralidade (2007)
Forró do Muído - Volume 4 (2007)
Bonde do Maluco - Volume 1 (2007)
Tchê Garotos do Brasil - Ao Vivo (2005)
Edu & Maraial - Volume 4 (2008)
Stefhany - Volume 2 (2008)
Dj Maluco & Aladin - Volume 1 (2009)
Exaltasamba - Ao Vivo na Ilha da Magia (2009)
Jeito Moleque - 5 Elementos (2009)
Rei da Palomba - O Rei da Palomba (2009)
Banda Djavú - O Furacão é Show (2009)
Gang do Eletro - Volume Beta (2010)

E aceitamos sugestões de reavaliação na caixa de comentários.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Wagner Pekois, o novo grupo Tradição e o Troféu Timpin de Topeira do Ano

Já fazia meses que estava tentando conversar longamente com Wagner Pekois, guitarrista do Tradição, sobre os desafios que a banda enfrenta depois que Michel Teló saiu fora, deflagrando uma série de baixas que levou a deixá-lo como único membro da formação original. No último dia 26 eles estariam em Curitiba para se apresentarem no Vitória Villa. Era a oportunidade de ouro. Liguei pro cara, combinamos a entrevista, dei meu telefone e pedi pra que ele me ligasse no dia, dizer onde estava e acertarmos os detalhes.

Quando dei a notícia pros meus filhos eles ficaram mais feliz que filhote de ganso em taipa de açude. Nos últimos dias o Arhur - oito anos e skatista iniciante - já fazia contagem regressiva, falta três dias, falta dois, é amanhã pai! Alice - quatro anos e mala sem alça sênior - consumiu as últimas reservas de paciência da familha cantando a música "Te dou o céu" pra repassar a letra e não fazer feio no dueto que pretendia fazer com o novo vocalista Guilherme Bertoldo.

Até a Mylena, que tem 12 anos e como chegou a pouco tempo do nordeste ainda não teve tempo de ser contaminada pela febre de fanatismo que a galera tem lá em casa pelo Tradição, se empolgou para ir junto.

Chega o bem-dito dia e tô eu lá no Orkut, na hora de meio-dia, o Pekois me encontra on line e em vez de me ligar, o viado resolve combinar tudo por ali mesmo. Sabe como é, o cara quando quer dar uma de bem bom e posar de bem relacionado pros colegas de trabalho, acaba comprando corda para o próprio enforcamento. Falei pra todo mundo:

- Ó vou me encontrar com os caras do Tradição nesse tal de Hotel Bristol hoje de noite!
- Porra, esse hotel aí chique pra cacete, deve ser até seis estrelas, fica ali no lado da Rua 24 Horas.
- Então fechou a polenta, vou filar uma meia dúzia de chopes e um jantar filé num restaurante do meu nível às custas do Tradição.

Daí só fiquei falando merda com o Pekois até que o dono do PC chegasse e me chutasse da cadeira. Liguei pra casa, dei a notícia pro povo e combinamos de nos encontrar as 18:45 no terminal tubo da Estação Central, no alto do Calçadão da XV.Quando o biarticulado encostou e galera desceu, vi que até a Dafne, filha da vizinha, integrou o combo.

- Caralho! Os caras vão pensar que eu trampo numa creche comunitária.

Aí pensei - ah, não dá nada, os caras são gente boa - e começemos a descer o calçadão em direção à 24 Horas. Não tinha anotado o número, mas lembrava que o hotel ficava na rua XV de novembro número mil e lá vai cacetada, então era só ir em frente até encontrar a placa Hotel Bristol. Atravessamos todo o calçadão, atravessamos a Praça Osório, passamos pela rua que ia dar na 24 Horas, andamos mais quatro quadras e nada do lazarento do Hotel. O pessoal já estava começando a ficar impaciente, principalmente minha esposa, sempre respectiva aos mínimos motivos para me encher o saco.

- Pede informação ué, pergunta praquele taxista ali.

O taxista não sabia me informar com precisão onde ficava o hotel. Perguntou se eu não sabia a rua e o número. Disse que só sabia a rua. XV de novembro.

- Ah meu filho, então você está procurando no lugar errado, a rua XV de novembro fica lá pra trás.
- Mas essa aqui não é a XV de novembro?
- Não, essa daqui é a Comendador Araújo.
- Quer dizer que a rua muda de nome depois que passa pela praça
- Sim!
- Mas, mas...tenho certeza que a rua era XV de novembro, numero e alguma coisa...
- Então esse hotel fica no Alto da XV, bem longe - e ficou me olhando como quem diz, opa! ganhei uma corrida, sem imaginar que eu estava liso.

Minha mulher ouviu a conversa toda e ficou me olhando como se eu fosse um inseto. Liguei pro Pekois, fora de área. Liguei pro novo baixista Lelê, desligado. Mas péraí, o cara da firma que tinha me dado a dica da localização era o Saul o mestre da logística que é capaz de achar o Hotel Pindaíba em Bodocó só pelo cheiro, liguei pra ele. Me falou que na verdade o hotel ficava na Visconde de Nacar. Nervoso, peguei todo mundo pelo braço e voltamos as quatro quadras e no local indicado, não achei nenhum Bristol, somente um De Ville. Liguei de novo pro Saul e ele me respondeu que então tinha se confundido com os nomes. E desligou. E eu descobri na prática a diferença entre as palavras logística e etimologia. Era bom com orientação e ruim como nomes, sacou mané?

Estagiários de psicologia sabem que quando o desepero se instaura em uma criatura, o primeiro traste inútil que ela se livra pra não afundar é a racionalidade. Fui perguntando pra cada um que encontrava na rua onde ficava o hotel, recolhendo informações confusas e contraditórias e andando, andando muito. Quando passamos pela terceira vez pela mesma esquina o otimista Arthur falou, entre divertido e apreensivo.

- Papai, parece que estamos perdidos numa floresta, andando em círculos.

E minha ficha e minha casa caíram. A noite estava fadada a passada no sofá. O que restou para tentar me redimir com os moleques foi levá-los para praticar contravenção autorizada, brincarem de patinação no sitio arqueológico da Praça Tiradentes. Lá tem umas ruinas em exposição protegidas por uma chapa de vidro. As acrianças adoram brincar em cima daquilo e de dia sempre tem um guardinha que proibe. De noite não.

Claro, ainda fiquei tentando ligar no celular do Pekois e toda hora conferindo se ELE por ventura não me ligaria notando meu atraso. O puto não ligou. Eu só não me injuriei e dei um Control Del em toda a discografia do Tradição quando cheguei em casa, porque assistimos a apresentação natalina das crianças cantantes e dançantes do Palácio Avenida. Foi emocionante e ora xongas, vamos admitir, a noite até que terminou legal.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A nova Cultura de Massas brasileira e o sucateamento da Escola...de Frankfurt

Em meio a todo o barulho causado pelas críticas à educação púplica no Brasil e o consequente sucateamento de suas escolas, quase ninguém se atentou ao fato de que o povo brasileiro "deseducado", "ignorante" e "malandro", sem nunca ter sido consultado sobre o que pensava sobre a crise da indústria fonográfica ou a questão dos direitos autorais diante das novas tecnologias, não se fez de rogado, fez um admirável uso dessas mesmas tecnologias e mesmo sem saber o que estava fazendo - e talvez, graças a isso - implodiu a Escola de Frankfurt e toda a ideologia que ela exportou para a teoria da comunicação do século XX.

Não. Você não precisa ser formado em comunicação pela USP para seguir lendo esse post. A maioria das teorias, se despidas de sua linguagem empolada, podem ser facilmente explicadas em meia dúzia de linhas. E é isso que este Cabaré vai fazer.


Walter Benjamin, um dos mais encardidos tiozinhos da Escola de Frankfurt em seu ambiente de trabalho


A Escola de Frankfurt era basicamente um grupo de pensadores alemães que viviam nesta cidade e que não viam com bons olhos as novas mídias que emergiam na época - o rádio, a televisão e principalmente as reproduções em disco. Segundo eles, a reprodução em escala industrial das obras de arte destruiria a aura mágica do "original" e do "único" e, num último grau, mataria a diversidade e acabaria por criar uma cultura global homogênia e facilmente controlável pelas forças opressoras das classes dominantes.

Era a emergente Cultura de Massas, baseada no que se chamava de Broadcasting, onde poucos veículos emissores difundiriam a informação que seria consumida por uma ampla massa de receptadores passivos.

Papo de comunista mal amado, eis a verdade. O triste é que esse pensamento contaminou o meio intelectual por mais de meio século - e ainda continua contaminando! - apesar dos surtos de pós-modernismo dos anos 60. Aliás, pós-modernismo é um termo que até hoje ninguém soube explicar satisfatoriamente. Talvez a melhor explicação seja: a tentativa de sintetizar uma cultura que por sua própria natrureza, não pode ser sintetizada. Ou seja, uma desonesta manobra por parte de filósofos e pensadoreas para manterem seus empregos.

Por sorte, nosso populacho, livre de patrulhamentos ideológicos e culturais - posto que o que ele produz não é considerado cultura - conseguiu subverter o termo Cultura de Massas. Tudo porque ele soube, mais do que qualquer outro povo de qualquer outro país do mundo, fazer bom uso das novas mídias digitais.

Enquanto as classes dominantes ficaram enxugando gelo e chorando as pitangas diante da impossibilidade de se criar um mercado viável para a música diante da queda do controle sobre os direitos autorais, o povo não sabia dessa impossibilidade e por isso, conseguiu criar seu mercado.

O inicio da revolução proletária se deu nos camelódromos, no começo dos anos 90. Era a época das fitas cassete, mas somente os durangos consumiam aquelas infames fitinhas, pois a qualidade do som não chegava aos pés dos originais. Com o advento dos CDs o cenário começou a mudar, já não eram só os durangos que frequentavam os camelódromos, mas também os primeiros consumidores pragmáticos que levavam em conta a relação custo/benefício na hora de comprar discos.

Não se sabe se o mercado por si só teria dado conta do recado, o que se sabe é que duas mentes visionárias foram fundamentais para que a revolução tomasse o rumo que tomou - Chimbinha da banda Calypso e Antonio Isaias, empresário dos Aviões do Forró.

Chimbinha não tinha empresário nem gravadora, mas tinha a cara e a coragem. A cara para dar aos tapas batendo de porta em porta das rádios para implorar que tocassem suas músicas e a coragem para reinvestir tudo o que ganhava, em CDs do disco de estréia da sua banda que eram vendidos a preços praticamente de custo para os logistas das cidades em que se apresentava. Foi o primeiro a fazer uso inteligente do barateamento das gravações. Depois de dois anos praticamente passando fome em cidades nem sempre maravilhosas, a estratégia deu certo e hoje ele tem mansão em Alphaville e jatinho particular. Além de fazer de sua banda um paradigma de ruptura dentro da musica brasileira, mas isso já é outra história.

Antonio Isaias foi mais radical. E mais esperto. Ao invés de vender seus discos a preços de custo e esperar pela sorte de alguém comprar em uma loja, resolveu dar os discos de graça para quem fosse aos shows dos Aviões. Eram os Promocionais Invendáveis. A vitória do ovo de um colombo histórico diante do ovo dourado de uma galinha folclórica. E a esperteza residia no fato de que, uma vez que os CDs não eram comercializados, estavam livres para gravar qualquer música, sem o empecilho de ter que pagar direitos autorais. Em menos de dois anos os Aviões passaram a ser a maior banda de forró do mundo e a empresa de Isaias, a mais poderosa do mercado. E a mais polêmica e criticada, mas isso também já é outra história.


Isaias Duarte - ou Isaias CD - o homem forte da A3 Entretenimentos


Paralelamente a estas empreitadas invodoras, popularizava-se no Brasil a banda larga e as redes sociais, que o povo recebeu entusiasticamente, principalmente o Orkut e o MSN. Popularizaram-se os downloads. Os camelôs logo se reiventaram e passaram a trabalhar mais em cima dos DVDs, o que ajudou ainda mais na divulgação dos artistas, pois junto ao som foi adionada a imagem, para beneficio de todo mundo. Nunca tinha se consumido tanta música nesse país.

As classes dominantes continuavam enxugando gelo e a música "séria e de qualidade" produzida e consumida por essas classes permanecia numa espécie de stand by, no aguardo da resolução dos problemas de direitos autorais. O povo, ignorando esses problemas e diante de uma enorme oferta, acabou por obrigar a demanda a se qualificar, ou seja, os artistas se viram forçados a se diferenciarem da grande concorrência, fazendo de nossa música popular a torna-se a mais rica e diversificada do planeta.

O paradigma da Cultura de Massas, aquele onde poucos veículos emitiam uma informação que seria consumida por uma população passiva estava mudando. A informação passou a ser distribuída em rede. O termo hit passou a dar lugar ao viral. Era o começo do fim do Broadcasting.

Só que outra bronca dos malas de Frankfurt continuava de pé: a reprodutibilidade técnica e o fim da aura mágica" do "único" e "original". E não é que o povo brasileiro, com seu famoso jeitinho, conseguiu dar cabo disso?

A coisa toda começou lá no Ceará, no mesmo começo dos anos 90 em que as fitas cassete começaram a proliferar. Foi um cara chamado Chiquinho, da Discofran de Viçosa no Ceará, que começou a gravar os shows a partir da mesa de som onde trabalhava nos eventos. A principio era para ele mesmo escutar em casa e no carro, mas com o tempo, mais pessoas passaram a se interessar pelas gravações e ele passou a vender as fitas - inclusive alguns shows ele lençava em vinil! Inaugurou-se um mercado que foi crescendo aos poucos.

Na verdade era uma bomba relógio esperando o estopim digital para explodir.E a explosão aconteceu.

Foi tudo tão rápido e tão recente que talvez esse seja um dos primeiros artigos da imprensa a abordarem o tema. É dificil rastrear quem foram os pioneiros, isso demandaria uma pesquisa longa que estrapola os limites deste post, mas a coisa começou lá pela metade dos anos 00, quando as máquinas de múltiplos gravadores dos pirateiros passaram a serem usadas para reproduzir em CD as gravações dos shows assim que eles ocorriam. Esses discos eram disponibilizados para venda na saída, como souvenir.

Uma idéia genial, afinal de contas, quem não gosta de escutar no conforto de seu lar aquele show bacana que tanto o divertiu ou emocionou? Surgiam assim os chamados Fulanos CDs, gravadores que passaram a ser tratados como estrelas, disputando entre si quem tinha a fama de melhor qualidade na gravação. China CDs, Gustavo CDs, Clebemilton CDs, surgiram centenas deles. Daí para as gravações cairem nas redes sociais foi um pulo, mais inevitável que uma derrota em Copa do Mundo tendo um Dunga no comando e um Grafitte entre a lista de convocados.

São centenas de comunidades para downloads de shows no Orkut. Além da qualidade de gravação, a velocidade na postagem dos links para download passou a ser fator de concorrência entre os Fulanos CDs, criando entre o público uma nova forma de consumir música. Agora o pessoal não se contenta mais em escutar o último promocional de sua banda preferida, agora a galera quer escutar o show mais recente. E consegue.

Se a banda Garota Safada tocar hoje de madrugada em Patos da Paraíba, o fã que mora Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, pode escutar a gravação - com boa qualidade - antes que o dia amanheça.

Por essa, certamente os sizudos pensadores de Frankfurt não esperavam. Se eles queriam a unicidade de cada apresentação ou apreciação de uma obra de arte, aí está! Com a vantagem de que estas apresentações únicas estão aí para todos, de graça. É a classe operária indo ao paraíso.

É certo que essa cultura libertária ainda não foi disseminada homogeniamente por todo o país. O Sul/Sudeste - olhe que curioso dizer isso! - ainda está muito atrasado com relação ao Norte/Nordeste. Pra se ter uma idéia, o pessoal do Norte, mais especificamente a cena tecnomelody de Belém, a muito abandonou o conceito ultrapassado de disco e trabalha majoritariamente em cima de singles, coisa que as bandas mais descoladas do primeiro mundo estão apenas engatinhando na prática. Enquanto isso, os artistas de sertanejo ou pagode do Sul/Sudeste ainda estão na fase de distribuir CDs de graça nos shows.

Mas é uma questão de tempo. A crônica da morte anunciada da indústria fonográfica é implacável. Os pagodeiros e sertanejeiros - e toda a produção musical do Rio Grande do Sul, infelizmente - ainda estão muito amarrados ao esquema das gravadoras. Falta um Chimbinha ou um Antonio Isaias no setor. O Sorocaba, que faz dupla com Fernando, era um vislumbre de esperaça quando arquitetou na base da independência o fenômeno Luan Santana. Mas foram ambos cooptados pela Som Livre, a gravadora que atualmenta representa o maior perigo para a moderna música sertaneja, mas isso, mais uma vez, é outra história.

O legal de tudo isso é que essa inversão completa do paradigma da cultura de massas não foi empreendida por meia dúzia de intelectuais ou artistas metidos a vanguarda, mas sim por uma massa anônima e caótica, que se auto-organiza espontaneamente, supera as contingências e se diverte pra cacete.

Claro que os repeitáveis acadêmicos estudiosos de Frankfurt torçem o nariz quando alguém passa na frente de sua casa escutando alto no som do carro coisas como "Você diz que não me ama / você diz que não me quer / mas fica pagando pau..." e com certeza se recusarão a admitir que terão que aprender tudo de novo. Claro também que os respeitáveis músicos da MPB também torçem o nariz quando ouvem coisas como "Na sua boca eu viro fruta / chupa que é de uva..." e com certeza se recusarão a admitir que a "linha evolutiva da musica popular brasileira" é apenas uma linha, arbitrária e equivocadamente criada, que não representa em nada a realidade musical desse país.

Azar o deles. Na hora em que eles vierem com a cebola e o tomate, já estaremos com o molho pronto, o churrasco no fogo, a cerveja gelada, o som no talo e fazendo a maior festa sobre os escombros de Frankfurt.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Avesso da Tropicália

Nando Reis é um cara bacana, boa praça mesmo. Seu novo DVD, lançado no final de semana passado está aí para confirmar isso. E mais. Trata-se de uma demonstração de coragem e atitude diante da pasmaceira e mediocridade generalizada que impera entre os artistas da MPB. Para o que ele definiu ampliação de suas próprias fronteiras, chamou para participar do show alguns dos nomes mais desprezados palo status quo: a Banda Calypso e a dupla Zezé di Camargo & Luciano.

O repertório também não foi nada convencional. Tem Roupa Nova – a banda mais subestimada deste país – Calcinha Preta, Wando e também o anátema da crítica especializada: Guilherme Arantes. Não faltou gente dizendo que trata-se de uma suicídio comercial. Balela. É visonarismo dos bons, isso sim. E está faltando gente com visão nesse país.

É chocante constatar que o sexagenário Caetano Veloso seja uma das únicas vozes a afirmar em palestras, congressos e entrevistas que a Banda Calypso é revolucionária, que a nova cena do pagode baiano é riquíssima. Com isso em mente resolvi esse mês reler seu livro Verdade Tropical e acabei por contatar paralelos interessantes entre o cenário musical atual e o do final da década de 60.

Quando Caetano e seus baianos se mobilizaram para criar um movimento que acabou por receber o nome de Tropicália tinham em mente implodir o sectarismo que existia entre a dita MPB séria e engajada, a jovem guarda e a cultura de massas internacional. Se observarmos com atenção, hoje em dia este sectarismo voltou a ocorrer. Esse DVD novo do Nando Reis – por sua pecularidade – e as declações de Caetano – por sua singularidade – são exceções que confirmam a existência de uma regra. Sem medo de errar, afirmo aqui nesta coluna que uma nova Tropicália se faz necessária. Só que com um pequeno desvio de rota.

Ao invés de integrarmos a nossa MPB séria à cultura de massas internacional, devemos integrá-la à cultura de massas interna. Sim, existe uma cultura de massas genuinamente brasileira em plena vitalidade, embora a crítica se recuse a considerá-la como cultura. Igualzinho ao que ocorria nos 60 com relação ao pop americano, era considerado lixo cultural.

Gente! Sertanejo é cultura de massas. Pagode é cultura de massas. Forró é cultura de massas. O nosso Tecnomelody idem. Existe um antagonismo gritante entre esses gêneros e a MPB e tudo o que é considerado de “bom gosto” nesse país.

Não seria bacana se o próprio Caetano se atentasse a isso e fizesse um reload de seu movimento dos anos 60? Para que uma ruptura paradigmática ocorra no senso comum, precisamos de nomes de peso do nosso lado. Estamos entrando nos anos 10, a década da imagem de um Brasil Pop perante o mundo. Amazônia, Pré-Sal, Copa do Mundo, Olimpíadas, as evidências são várias. Todas as atenções estarão voltadas para cá na década que se inicia. E que música pop apresentaremos ao mundo? Essa MPB rançosa que chafurda na herança maldita da bossa nova? Espero que não.

Eu costumo brincar que a Tropicália usava o mote antropogagia para conceitualizar seu movimento e que agora temos que mudar para autopofagia. Expliquei minha teoria para o porteiro do prédio onde eu trabalho. Ele coçou a barba e como é daquelas pessoas que quando se comovem com alguém que tenho um problema sem solução, sempre tentam ajudar, me veio com essa:

- Que tal fazer um Reality Show com essa gente toda? Essa coisa de manifesto, movimento, isso não cola mais hoje em dia com essa moçada que só quer saber de Internet.
- Como é que é?
- Ponha esse povo todo, esses cantores, trancados todos juntos dentro de um estúdio por 90 dias e vê o que eles conseguem fazer.

E não é o que o seu Amaral, mesmo provavelmente não tendo entendido patavinas da minha cantilena sobre Autopofagia e nunca tenha ouvido falar da Semana de Arte Moderna, conseguiu intuir uma parada bacana. Imaginem se um canal de TV abraçe essa ideia e convoquem para um confinamento criativo a Gaby Amarantos, o Maderito, o Waldo, o Chimbinha, o Sorocaba, o Victor Chaves, o Edu Luppo, o Belo...? Seria, no mínimo, interessante, e no máximo, a salvação da MPB

E tudo teria saído da cabeça de um porteiro. Isso não é lindo?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um olhar sobre a Música Original Brasileira

Após intensas e acaloradas discussões, consegui que os editores do jornal O Liberal autorizassem a publicação, neste distinto cabaré, das colunas que escrevo para o supracitado jornal. Apresento para vocês então, minha primeira coluna. Trata-se de uma breve apresentação e um resumo do que penso sobre a música brasileira.

De noite ou no máximo amanhã posto a segunda coluna.

Em tempo: fui autorizado a comprar briga com um povinho mala de Belém na terceira coluna. Ela sairá no sábado.


Um olhar sobre a Música Original Brasileira




Olá pessoal! É com muito orgulho que inauguro aqui minha coluna semanal neste jornal. Antes de mais nada, uma breve apresentação. O leitor deve estar se perguntando – quem é Timpin? A resposta poderia ser algo como:

Um cara aí, surgido das profundezas do nada e que, numa tarde de sábado, tomando cerveja e escutando Tchê Garotos, Fernando & Sorocaba e Aviões do Forró, bateu os olhos na capa do livro Além do Bem e do Mal, de Friedrich Nietzsche e teve uma epifania: "Será que existiam mais pessoas como ele, que escutavam ritmos verdadeiramente populares e que gostassem de ler?"

Como de resto a maiora das epifanias, a minha também foi seguida por uma cabulosa rede de sincronicidades, como se um gatilho tivesse sido apertado.

Na segunda-feira, ao chegar no trabalho e acessar o blog do jornalista André Forastieri, lá estava o texto noticiando que ele havia sido contratado pela MTV para tocar um novo blog musical. E esse blog, segundo ele, seria criado pela multidão e quem apresentasse uma proposta bacana, teria seu espaço. Apresentei a proposta de uma coluna semanal falando sobre ritmos populares de maneira respeitosa, como se fosse música pop como qualquer outra. Ganhei meu espaço e desde abril do ano passado estou, fazendo alguns barulhos, escrevendo sobre o que gosto, conhecendo certos amigos e escolhendo os inimigos certos. E me divertindo muito, naturalmente.

Minha aproximação com a música do Pará se deu inicialmente com a admiração pelo trabalho da banda Calypso e se efetuou em definitivo com minha indignação diante da apropriação indevida do Tecnomelody por parte dos baianos da banda Djavú. Passei alguns meses investigando o caso, fazendo muitos telefonemas e preparando uma matéria que denunciasse o caso.

Em dezembo do ano passado concluí minhas investigações e publiquei no blog BiS MTV a reportagem Watergate do Tecnobrega. Mas não me limitei a isso. Fiz divesas ligações para diversos jornais para que o caso repercutisse. Foi assim que acabei conhecendo a produtora Meg Martins, que me conseguiu esse espaço no jornal O Liberal.

Aqui o leitor se informará sobre o que o povo brasileiro anda produzindo em termos de música originalmente brasileira. Desde o principio, fui motivado pela percepção de que os ritmos verdadeiramente populares, como o brega, forró, axé, pagode ou sertanejo, não recebiam a mesma atenção e repeito por parte da crítica cultural como por exemplo, o samba, a bossa nova e a MPB, que venhamos e convenhamos, de popular não tem nada.

Vivemos num país com uma riqueza musical sem par no planeta e essa riqueza é desprezada pela crítica cultural como uma coisa menor, fruto de um povo brejeiro. Isso só acontece aqui. Pegue-se como exemplo um país como os Estados Unidos, eles pegaram o blues dos pretos - e olhe que eles eram e são mais racistas que nós! - e transformaram no rock n' roll. Por lá a música popular é folk, aqui no Brasil não é nada, não exite sequer um termo que englobe e contextualize gêneros como o forró, o calypso e o sertanejo.

Eu costumo chamar de Música Original Braileira, numa clara oposição a Música Popular Brasileira, um rótulo que com os anos ficou vazio de significado e numa tentativa quase quixotesca de mudar a mentalidade de nossas elites culturais. Claro que não vou mudar o mundo com uma coluna semanal. Mas pelo menos, quero que pessoas como eu, tenham possilidade de ler artigos escritos com empenho e seriedade sobre seus artistas preferidos.

O estado do Pará já presenteou o Brasil com a Lambada, com o trabalho sensacional da Banda Calypso e está na eminência de exportar um novo ritmo, o Tecnomelody. Esta coluna se propõe a informar o leitor sobre esses e demais gêneros populares. Um forte abraço e até a semana que vem

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Som do Sul

Hoje descobri um novo Universo. Uma nova Realidade Paralela da Cultura Musical Brasileira. Hoje eu descobri quem não os verdadeiros undergrounds brasileiros. Você por um acaso já ouviu falar de bandas como Doce Encanto, San Marino, Sétimo Sentido ou Brilha Som? Eu também não tinha ouvido. Eu já tinha no meu Ipod uma coletânea da banda Terceira Dimensão, que tocam um som semelhante ao das bandas que citei, só não sabia que a cena era tão grande.



Ontem à noite a vendedora de DVDs do Terminal de Ônibus do Guaraituba escalou a minha existência para voltar a ser comprador. Argumentei que meu reprodutor estava estragado e ela replicou que eu poderia comprar CDs de música. Como meu ônibus estava demorando, resolvi dar uma olhada nos produtos disponíveis.

Em meio aos costumazes Beyouncé, coletâneas de hip hop e funk, Lady Gaga e Djavu, vislumbrei um Melhores Bandas do Sul. Nenhum nome conhecido. Instinto pesquisador de Timpin em modo ON, perguntei pra comerciante informal:

- Me diz uma coisa, essas bandas não tocam no estilo do Terceira Dimensão?
- Acho que sim.
- Vou arriscar, faz por dois e cinquenta?
- Claro, tu é cliente antigo.
- Fechou a polenta então.

Agora demanhã escutei a bolachinha. O som é derivado de valsas e foi evoluindo entre os imigrantes europeus até chegar atualmente a uma batida bem acelerada e dançante. É fundamentalmente consumido nas cidades do interior da região sul, principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É o som dos bailões da alemoada. Nunca aparecem na mídia, no máximo nas AMs da vida. Isso é o máximo que sei sobre esse gênero musical, não sei nem seu nome.

Mas vou saber. O encarniçadinho do brega aqui vai atrás. Infelizmente a net acho que pouco vai ajudar. Vou ter que fazer uns telefonemas, conversar com pessoas, tomar umas cachaças. Mas acho que vou gostar, adoro devorar novidades, adquirir conhecimento profundo de generos popular obscuras e pagar pau de esnobe em rodinhas universitárias.

Me aguardem.

terça-feira, 9 de março de 2010

Grupo Tradição brinca de Rede Globo

Desde fevereiro do ano passado que o grupo Tradição está vivendo um Big Brother Brasil à sua maneira.

Em fevereiro Michel Teló deixou o grupo para viver sua carreira solo. Após cumprir a agenda de shows por um período de cinco meses, Michel lançou seu disco Balada Sertaneja e desde então tem trabalhado em cima de sua estréia. Estranhamente ele usa o mote Micareta Sertaneja como publicidade de seus shows e este mote era do grupo Tradição, inclusive era o nome dos dois últimos discos da banda.

No undergroud do showbusiness sertanejo se comenta a bocas pequenas que Michel levou também todo o conjunto de telões e deixou o Tradição no seco. Vai saber. Do jeito que os artistas se cercam de assessorias de imprensa assépticas, esse tipo de informação é quase impossível de ser checada.

Em junho o sanfoneiro Gerson Oliveira, depois de muito diz-que-não-diz, também picou a mula, dizendo que montaria uma outra banda com um antigo vocalista do Tradição, Serjão, que administrava uma loja de cosméticos em Campo Grande. Só que nos primeiros meses Gerson tocou junto com Michel e a tal banda até agora agora não deu os ares de sua graça.

Na virada do ano foi a vez dos batuqueiros "serem eliminados". Wlajones e Arapiraka abandonaram a casa. Arapiraka, aparentemente está curtindo umas férias enquanto Wlajones está tocando com meio mundo de gente, dentre os mais famosos, a dupla Maria Cecilia e Rodolfo.

Neste último final semana Aderson Nogueira, o bateria e também vocalista, anunciou que seguiria carreira solo. São raros os bateristas que arriscam este caminho. Ringo Starr e Phil Colins são os mais famosos, fora eles, pouquíssimos se deram bem. Como Anderson tem um timbre de voz que combina bem com a vanera, é possível que se dê bem. Só o futuro dirá.


Juliano, que deixou o 6éD+ para ser o novo membro do Tradição

Seguindo sua "tendência Rede Globo", o Tradição está substituindo os dissidentes por adolescentes, a ponto de surgirem brincadeiras de que o nome da banda poderia ser mudado para Malhação. Tanto o novo vacalista Guilherme Bertoldo, como o novo sanfoneiro Jeferson e o novo percussionista Juliano, todos tem em torno de 18 anos. O novo cabeçalho do Ning da banda já ostenta a foto dos piás.




Esse rodízio de membros vem demonstrar que o Tradição se transformou numa espécie de franquia, como era o Menudo. Cada vez mais sob a batuta do baixista Carlos Dias, a banda está em plena e pública metamorfose e no concorrente mercado da música sertaneja, isso é uma atitude ousada e corajosa. Mas como a banda tem um público deveras fiel, é bem capaz de que no final tudo dê certo.

E como diz o ditado, se ainda não deu certo, é porque o final ainda não chegou.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tchê music: prenúncio do fim? (ou a volta dos que não foram?)

Saiu hoje na Zero Hora
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Estilo%20de%20Vida&newsID=a2690557.xml

Cerca de três anos após a polêmica que varreu bailantas Rio Grande afora, os bons filhos à casa tornam. Em 2006, de um lado, estavam os integrantes das chamadas bandas de tchê music, do outro, os tradicionalistas. Agora, nomes até pouco tempo da tchê music, como Luiz Cláudio e a Tribo da Vanera e o grupo Quero-Quero, estão voltando às origens.

Outros, como o Tchê Barbaridade, tentam o meio-termo. Será o início do fim da tchê music? E eles serão aceitos de volta nos CTGs? Pelas palavras do presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), Manoelito Savaris, não vai ser tão simples assim.

– Se voltarem a fazer música gaúcha tradicional, tendo a postura adequada, serão contratados. Mas poderão ter dificuldade, pois haverá desconfiança – acredita o tradicionalista.

Quando à orientação repassada aos patrões dos CTGs...

– Quem for contratá-los terá que tomar cuidados. Eles terão que comprovar que voltaram ao tradicionalismo – sustenta Manoelito. – Se quiserem disputar o mercado dos CTGs que venham por inteiro. Existem 900 galpões de CTGs realizando bailes, fandangos, pelo Rio Grande do Sul!

Crítico do radicalismo com que tradicionalistas tratam a questão, o folclorista e pesquisador Paixão Côrtes ressalta:

– Sou contra qualquer medida proibitiva, mas sou a favor de conceituação, da diferenciação dos estilos.

E pondera:

– Todo modismo tem tempo limitado, é circunstancial, consumista.


Luis Claudio e a Tribo da Vanera

O grupo Quero-Quero, um dos mais tradicionais, teve apenas um DVD em estilo tchê music e não quis continuar. Foi em 2005, quando lançou Ave Fandangueira ao Vivo.

– Tentamos passar para um mercado que estava se abrindo. Mas o público mais fiel chiou e com razão. Nossa veia é a música mais tradicional – afirma o vocalista, André Lucena.

Ele ressalta que o grupo nunca deixou de usar toda a vestimenta gaúcha.

– A gente ouvia: “O Quero-Quero tá na tchê music, então não toca mais no nosso CTG”. Mas já estamos recebendo os convites novamente – relata.

Quanto ao motivo da volta, o cantor não poupa palavras:

– Nós somos muito críticos em relação à musicalidade. O que observamos, sem querer depreciar ninguém, é que a as letras da tchê music eram muito pobres!

O retorno do grupo ao tradicionalismo será marcada pelo lançamento de um novo álbum, Quero-Quero 20 anos de História, que deve e star nas lojas em dezembro.

Grupo Quero Quero


“Voltei para ficar”

Em 2006, Luiz Cláudio declarava: “Abandonamos a pilcha para ficar mais perto do público”. Hoje, o líder do grupo Luiz Cláudio e a Tribo da Vanera voltou a usar bombacha e, definitivamente, como gosta de ressaltar.

– O nosso público começou a cobrar músicas tradicionais. Nunca cuspi no prato que comi, apenas segui um caminho que achei conveniente na época. Voltei pra ficar – assegura.

Durante seu tempo de tchê music, os CTGs não o aceitavam. Agora, tem esperança que a situação mude:

– Já pilchado, fiz o encerramento da Semana Farroupilha em Canoas.

Um dos primeiros a saber da mais recente mudança de Luiz Cláudio foi Manoelito, que, em 2006, presidia o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), hoje comandado por Oscar Gress (a reportagem tentou contato, mas Oscar está na China). Recentemente, Luiz Cláudio enviou e-mail ao Manoelito, com a capa do novo CD e a música Se o Rio Grande me Precisa – na “nova” linha tradicionalista.

– Fiz isso para me retratar com ele e comunicar a mudança. Ele respondeu muito bem – conta o músico. Manoelito confirma que gostou da música.

Sem rótulo nem bombacha

“Vamos achar um caminho do meio”

Em busca de “um ponto de equilíbrio entre as vertentes”, como gosta de argumentar, o Tchê Barbaridade lança Cante e Dance com faixas bem mais campeiras como Trancaço, escrita por Mauro Moraes, premiado em festivais nativistas.

– A gente vai tentar achar um caminho do meio para unificar as duas ideias, o tradicional com o novo. Já temos músicas com esta perspectiva – afirma o vocalista e líder do grupo, Marcelo Noms.

Mas, sem bombacha há anos, o Tchê Barbaridade não pretende vesti-la de novo.

– Temos uma cantora (Carmen). Colocá-la vestida de prenda é pedir para andar pra trás – diz Noms.


Tchê Barbaridade

“É uma forma de desespero”

Direto de Itajaí, Santa Catarina, onde Tchê Garotos fez show, o gaiteiro e vocalista Markynhos Ulyian nega o rótulo de tchê music. Mas não dá pra negar que foi justamente quando abandonaram a fase tradicionalista que estes gaúchos começaram a bombar nacionalmente.

– Tchê music não existe no resto do país. Em São Paulo, somos sertanejos. Em novembro, lançamos CD Tchê Garotos – Luau Sertanejo – conta.

Quanto aos grupos que estão voltando para o tradicionalismo, Markynhos é definitivo:

– Acredito que é mais uma forma de desespero, atrás do ganha-pão.


O Galã pozudo Markinhos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Agentes Funerários, Coveiros e Urubuzada em Geral: Acertem Outro, Pois Eu Sobrevivi

Não foi desta vez. A Jaburaca não conseguiu me abater com sua Vassourada Ulta Super Mega Blaster. Após cinco dias de repouso e sem dançar Kuduro ou Arrocha, eis que minha sétima costela, contando de cima pra baixo, começou a parar de doer.

Só que meu fôlego ainda não está 100%. Nada de poder cantar com uma potência Cesarmenotti&fabiana. Por isso, vou postar umas notícias rápidas. Semana que vem aprofundo as análises.

Stefhany

Confirmado. Os rumores na Web, pelo menos, confirmam, Sefhany está escalada para a nova edição do programa A Fazenda da rede Record. Com aquela espontaneidade e auto estima, é batata que leva o milhão. Esperta essa Record, ganhou mais um telespectador de peso, não perco de episódio nenhum para poder ver o que a Self Made Girl de Inhume irá aprontar para cima das semi celebridades.

Fantasmão

A empresa que administra a banda desmentiu a saída de Eddy. Como divulguei anteriormente, Eddy vai sair sim. Na nota oficial, com tom velado de ameaça, consta que o contrato vocalista com o Fantasmão ainda tem dois anos e oito meses para espirar. Isso significa que teremos pela frente uma guerra longa e suja.

DJ Maluco

Amnhã viaja para Rondônia, onde irá oficializar sua candidatura a deputado federal. O partido? O venerável mestre ainda não sabe, todos o querem em suas fileiras, o que oferecer mais espaço nas propagandas, leva a bolada. Já imaginaram uma CPI presidida pelo deputado Dj Maluco?

Jeito Moleque

Recebi ontem o singelo convite da banda para assistir o show de gravação de seu novo DVD. A platéia será formada apenas por convidados, entre parentes, amigos e celebridades. Como não sou amigo de corno nenhum da banda e não sou parente nem do engraxate deles, onde me encaixo? Detalhe: o local do show é chique de úrtima, não tenho roupas adequadas. Mas como também não tenho vergonha, quinta-feira dessa semana estarei lá bebendo às custas deles.

Logo...

Se você que está lendo este post é de São Paulo, é mulher, jovem, bonita e gostosa e quiser fazer um test drive gratuito com o Canalhão Acanaiado aqui, o fone é 41 9673 6438. Fornecemos preservativos e pagamos o motel, bebida fica por conta das interessadas. Desde já agradecemos a ligação e parabenizamos pelo bom gosto e pela sofisticação.



Esta foto é 0800 de modo que a leitora pode salvar num pen drive qualquer e mandar imprimir em alta resolução numa dessas casas que fazem impressão em lona colorida, dando a seu quarto uma decoração toda especial

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Nota de esclarecimento

Prezado frequentadores deste Cabaré, irei me afastar da Internet por cinco dias devido a uma licença médica. Aquela maldita vassourada me sequelou mais do que devia. O quadro estava evoluindo bem, no entanto neste último domingo fui almoçar no restaurante do sogro do meu amigo Tartaruga e levei meu Ipod e meu subwoofer. Resultado: fizemos um pequeno bailão onde começei a ensinar o povo a maxixar. O Maxixe é uma nova maneira de dançar a vanera gaúcho, com movimentos sensuais e que terá sua história contada em uma matéria que estou preparando para o Bis MTV.

Acontece que durante a execução da nova música do Tchê Barbaridade, intitulada "Batida de Mamão", executei um movimento ousado demais para a minha caixa toráxica danificada e senti fortes dores. Ontem fui ao médico bater uma chapa e ela revelou que estou com a costela de número sete, contando de cima para baixo, tricada e fui terminantemente proibido de dançar não só maxixe, como arrocha, forró, axé e outros ritmos que exigem movimentos que se assemelhem a cobras mal matadas. Também recebi um atestado médico que exige que eu fique cinco dias de repouso.

Como não tenho Internet em casa, este Cabaré ficará temporariamente com suas portas fechadas até minha completa recuperação. Eu poderia perfeitamente seguir trabalhando, desde que minhas funções não exigissem esforço físico. Acontece que com essa pandemia de gripe suína que está ocorrendo, se eu pegar a maldita doença com o pulmão machucado, certamente irei pro caxão. Logo, por garantia, vou ficar em quarentena.

Se alguma coisa importante acontecer, por favor me liguem e dêem a notícia (41 9673 6438). Por coisa importante quero dizer, por exemplo, a Simaria Mendes do Forró do Muído se separar do espanhol e estar necessitada de consolo. Ou então o Victor & Leo demitirem o chileno e precisar do Timpin para serem acessorados. Ou então ainda o Gerson do Tradição me convidar para ser vocalista de sua nova banda. Ou quem sabe até o Jeito Moleque solicitar a participação do Anormalzinho do Brega na gravação de seu novo DVD. Vai saber. Se alguma coisa importante pode acontecer neste período, não se avexem, me liguem!

Desde já, agradeço a compreensão de todos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Wagner Pekois, Tchê Garotos e o Humor como Possibilidade de Salvação da Humanidade

Wagner Pekois, guitarrista do Tradição, noticia em seu blog que o show em Tupã foi adiado por causa dessa parada que tá rolando aí e que não vou falar o nome para manter a higiene deste distinto Cabaré. Ele também relata um divertido passeio que fez com Cidinha, Danny, Lucas e sua sobrinha Carol, num shopping em que eles estavam de máscara e o povo cagalhão morria de medo de ser contaminado. Quer dizer, Pekois não, ele ficou a uns dez metros atrás observando a cena.

Pois bem, também tenho minhas histórias e acho que está na hora do pessoal desencanar de paranóia e se divertir um pouco, afinal de contas, estudos confirmam que uma postura bem humorada diante da vida aumenta em mais de 50% a imunidade do corpo. Esfreguei este estudo na cara do meu chefe e agora o corno não tem mais porra de argumento nenhum pra me encher o saco por eu passar o dia inteiro falando e fazendo palhaçada pro povo. Estamos nos prevenindo, coleguinha. Nós não cochilamos não, coleguinha!

Meu colega de trabalho, o Serjão das Tapiocas, conseguiu comprar umas máscaras numa farmácia lá nas cercanias do Sitio Cercado. Essas máscaras são mais difíceis de serem encontradas em Curitiba do que político honesto no senado. Não peguei a máscara para me proteger, afinal não preciso porque tenho o corpo fechado. Peguei a máscara para poder andar de ônibus sem me incomodar. Explico.

Em Curitiba o sistema de transporte urbano é bom, confesso, no entanto nos horários de pico não tem jeito que dê jeito, a coisa emperra. Existem uns ônibus cinza que fazem a ligação entre certos terminais, não param nos pontos e por isso receberam a alcunha de Ligeirinhos. Os locais em que eles param são chamados de Terminais Tubo e é neles que o bicho pega nos horários de pico. No meu caso específico meu calvário é o tubo em que pego o ligeirinho Cabral/Guaraituba, no Terminal do Cabral. Acontece que no mesmo tubo para outro buzum, o Cabral/Maracanã e os usuários de um ficam atravancando os usuários de outro e frequentemente rola alguns barracos, alguns idosos sendo derrubados e muita gente ofendendo a mãe de muita gente.



Eu me fodo pra caralho pra conseguir entrar nos ônibus, afinal sou magrelo a ponto do colega do último cara que conseguiu me acertar um soco na cara afirmar abismado: "Que mira cara!". Sério, o último médico que me examinou teve que me colocar contra a luz para poder enxergar.



Mas enfim, Timpinho saiu anteontem do trabalho com sua máscara, mais faceiro que ganso novo em taipa de açude (detalhe: desenhei com caneta de retroprogetor um focinha de porco e um sinal positivo nela). Foi show, a plebe abriu pra mim passar tal qual um Mar Vermelho para Moisés. Funcionou que é um espetáculo. Gostei da experiência e de agora em diante vou fazer o que é sempre bom e aconselhável que é unir o útil ao agradável.

A outra coisa que me aconteceu foi mais dramática. Sábado passado, quinze pras nove da noite, fui comer pão com com mortadela e cadê a lazarenta da margarina? Tinha acabado. Fui no mercadinho do Seu Camilo (seu Camilo também tem uma igrejinha evangélica onde o povo costuma matar Jesus de vergonha três vezes por semana, ainda bem que ele desenvolveu o know how da ressucitação a mais de dois mil anos atrás). Pois então, estava indo no mercadinho do seu Camilo quando passei no bar da Dona Quitéria. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o Bar Quitéria, que vivia jogado às traças, com suas três mesas de sinuca acumulando um saara de poeira, estava bombadaço.

Mais de vinte e três carros estacionados, uma Parati verde limão com o porta malas aberto com a sonzeira arregaçada mandando ver um Tchê Garotos "mete chifre nele / mete chifre nele". De relançe contei uma dúzia de casais dançando. Aí eu pensei "- Caralho" e depois falei "- Opa!" Adentrei-me no estabelecimento, pedi uma Cristal fora do gelo, enchi meu copinho americano e começei campanar o ambiente em busca de uma china véia que me ajudasse a desenferrujar o esqueleto.



Duas horas depois chego em casa bêbado, fedendo a Alma de Flores e sem margarina, pois seu Camilo costuma dormir com as galinhas e a porra do mercadinho estava fechado. Não sei qual foi o filho da puta que me entregou, mas nem deu tempo de esboçar uma explicação e a Dona Encrenca desferiu um violento golpe de cabo de vassora em minha pessoa em geral e no lado direito de minhas costelas em particular. Ou era rodo? Não sei, as estrelinhas me embaçaram a visão.

De noite, no sofá, enrolado num cobertor cheirando a mofo, que encontrei na caixa de roupas velhas, fiquei matutando se a letra da música dos Tchê Garotos que estava tocando quando tive a idéia cretina de entrar no bar era um auspício ou um agouro positivo ou não. No final, passaram-se cinco dias e minhas costelas ainda estão doendo e já gastei quase cinquentão em Biofenac 11mg/g da Aché. Néfoda?

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