O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O dia em que Nietzsche foi no Super Pop

Sem a menor sombra de dúvida, se de posse de uma máquina do tempo pudéssemos trazer para a atualidade o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o levássemos para uma noitada na Super Pop, ele piraria o cabeção e chacoalharia o bigodão ao som de Elisson e Juninho. Antes que o leitor questione o prazo de validade da maionese do X-Salada que comi pela manhã ou antecipe o destino de embrulho de peixe deste jorna, peço apenas alguns parágrafos de sua atenção.



Em seu primeiro livro, O Nascimento da Tragédia, Nietzsche faz uma exaltação à cultura pré-socrática. Segundo ele, depois de sócrates a humanidade entrou em um ciclo de decadência cultural que perdura até os dias de hoje. A argumentação do bigodudo era mais ou menos assim.

Durante as celebrações rituais das tragédias, os gregos cultuavam dois deuses opostos e complementares. Apolo, o deus das formas ideiais, da ordem e do mundo perfeitos dos sonhos e Dioniso, o deus da fertilidade, da orgia e da sensualidade. Em um resumo grosseiro, Apolo seria o deus das expressões mentais enquanto Dioniso se encarregaria das expressões corporais. A tragédia grega unia estas duas figuras opostas, fazendo daquela cultura a mais perfeita da história da civilização. Dionisíaca e apolínia, a civilização mais bem resolvida consigo mesma, por assim dizer.

Com a filosofia de Sócrates esse par perfeito de desfez e o apolínio passou a sobrepujar o dionisíaco. E o cristianismo ainda calhou de cimentar ainda mais essa visão de mundo ao decretar que e pecado estava na carne. Durante a idade média esse pensamento gerou muitas atrocidades. Com o renascimento a humanidade teve sua chance de ouro para resgatar a glória dos velhos tempos, no entanto a nascente burguesia, na hora de resgatar o período classico grego, focou-se na filosofia socrética e Dioniso continuou escanteado.

Com a ascenção da burguesia e o surgimento do conceito de alta cultura, Apolo passou definitivamente a dar as cartas no mundo da arte. Mas o povão, esta imensa massa de seres rudes e incultos, manteve em suas festas e carnavais a chama dionisíaca acesa. E aqui é chegado o momento de apertarmos o botão Go Future de nossa hipotética máquina do tempo e trazermos nosso polêmico filosofo alemão, das frias salas de aula da Basiléia para as quentes periferias de Belem.

- Olá Fritz?
- Opa!
- Cara, esse teu bigode hoje em dia está meio demodê, mas vou te levar numa balada que talvez você ache interessante.
- Balada? Você está maluco? Fui eu cunhei a famosa expressão "Deus está morto", você está me convidando para ouvir o sino de uma igreja badalar?
- Não cara, trata-se de uma festa popular.
- Festa popular? Só de for agora.

Embarcamos nosso livre pensador em um confortável pô pô pô e o conduzimos até uma apresentação da aparelhagem Super Pop na Ilha do Mosqueiro. Ao nos aproximarmos ele já começa a demonstrar sinais de excitação ao notar as luzes coloridas e aquelas retumbantes batidas. Ao chegarmos no local seus olhos brilham, seus braços se agitam e tomado por um frenesi incontrolável começa a exclamar aos berros, mal acostumado coitado com tamanha potência sonora.

- Pelas basrbas de Netuno! O que é isso meu jovem? O que é esta música?! O que é esta dança?!
- É tecnomelody véinho!
- Rapaz como o povo evuiu! Nada daqueles carnavais italianos com gente suja e fedendo a mijo e esterco, sinto-me inebriado com o perfume dessas belas moçoilas! Se me permitido fosse trazer Lou Salomé a uma festa como essa, eu não teria levado aquele inexorável pé na bunda. Onde está a estátua de Dionísio?
- Bom, observe aquela cabine lá no centro, onde estão aqueles dois caras.
- Hummm, quem são?
- Elisson e Juninho.
- Entendi, Aguia de Fogo é o simbolismo de Dionisio e pode me levar de volta pra Basiléia, voltarei embriagado do mais puro sentimento de esperança, agora sei que um futuro promissor espera pelos pobres seres do século XIX.


Lou Salomé, antes de dar um pé na bunda de Fritz, ainda colocou Bigode e seu Urso em seus devidos lugares na hierarquia dos amores


Esta alegoria pode soar como piada para muitos incautos. Talvez seja, mas o preconceito que nossas elites culturais paraenses alimentam contra o tecnomelody, será que não um pouquinho a ver com o desprezo pelo corpo e pela sensualidade que o excesso apolínio impôs a sua cultura? Será que as manifestações culturais populares, que mais do que em qualquer outro país do mundo, estão arrombando as portas da cultura de massas, não farão do Brasil o palco de uma nova renascença? Será? Hein? Que tal?

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