O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A baixa literatura de algumas letras de forró

No mundo do forró os fãs costumam tratar seus bandas prediletas como times de futebol e não raro ocorrem eventos semelhantes a brigas de torcidas. Eles defendem suas bandas com unhas e dentes e procuram denegrir as bandas "adversárias". Uma dos casos mais evidentes é o que ocorre entre Aviões do Forró e Garota Safada. Existe até uma baixa dedicada ao assunto.


Um dos temas ultimamente mais abordado nesses embates são as letras de qualidade duvidosa. No entanto um internauta chamado Gustavo fez uma relação que prova que pedras devem ser jogadas com muita moderação, pois a maioria das bandas tem teto de vidro. Veja a relação abaixo:

Limão com Mel
"Esse vaqueiro é ruim que dói. Esse cavalo é ruim que dói. Esses dois são ruim que dói." (Criatividade!? Romantismo!?)

Mastruz Com Leite
"Jogaram uma bomba, no cabaré... Voou pra todo canto pedaço de mulher" (Cadê as letras que falam de poesia, do homem sertanejo!?)

Noda de Caju
"Tinrintintin" "Chama na grande" "Cachorrão" (Momento tragico do vaneirão do noda)

Calcinha Preta
"Que foi que eu fiz pra você Mandar os "homi" aqui vir me prender" (Preciso comentar?)

Garota Safada
"Toda vez que eu bebo eu invoco o He-Man He-Man! He-Man!" (Linda Letra neh?)

Aviões do Forró
"Bara bara bara bara Bere bere bere Bere bere bere Bara bara bara bara (Acreditem, essa perola é do Dorgival Dantas)

Forró do Muído
"Chame Bina,Chame Ela, Será que Bina vem com nós?" (Eu hein!)

Cavaleiros do Forró
"Olha o menino, Olha o menino, Olha o menino de papai" (Saudade da Cavaleiros romantica...)

Saia Rodada
"É o seu vizinho que quer comer meu cuuelhinho" (Não acredito que uma musica assim consagra uma banda)

Furacao do Forró
"O que a cachaça fez comigo? Eu to louca, louca, louca." (Louco devia estar quem escreveu isso!)

Solteirões do Forró
"Vai safadinho, vai vai safadinho Vai Vai Vai" (Amo esse tipo de refrão rico em conteudo)

Forró Real
"Quem vai querer a minha piriquita? A minha piriquita? A minha piriquita?" (Alguém!?)

...

Esta relação foi obtida na comunidade Círculo de Forró

sábado, 20 de agosto de 2011

A semana no Forró

aResumão do que aconteceu no forró no última semana.

- Calcinha Preta está em turnê pela Europa. Os shows ocorrerão na Itália (Milão), Espanha ( Madrid e Barcelona), Portugal (Porto e Lousada) e na Holanda (Amsterdã). A banda inclusive anda causando frisson em sua passagem pelo velho mundo, a música "Será que vai rolar?" ainda em alta rotatividade nas raves de Ibiza e Saint Tropez, em versão technoforró.


- Os últimos meses tem sido bem agitados para o Forró do Muído. O novo cantor Naldinho não foi bem recebido pelos fãs, que fizeram uma verdadeira marcha virtual nas redes sociais implorando pela volta de Binha Cardoso. A cantor Simaria não ficou em cima do muro e deu a entender que apoiou a causa dos fãs. Inclusive insinuou que sairia da banda junto com a irmã Simone para integrar um suposto "Forró das Coleguinhas" e segundo fontes, brigou feio com o chefão da A3 Entretenimentos Isaias Cds. Resultado: apartir do dia 10 de setembro Binha Cardoso volta pro Forró do Muído.

Binha Cardoso e Simaria Mendes - A força de uma amizade fez a diferença

- A banda Mala 100 Alça confirmou que fará parte da trilha sonora do filme Nego D´água. O filme, dirigido pelo autor e diretor Flavio Henrique, será ambientado no bairro do Angaray, uma colônia de pescadores de Juazeiro da Bahia e terá Maria Flor no papel principal. O grosso do elenco no entanto, será de artistas locais.

- É hoje a apresentação dos Aviões do Forró no Criança Esperança. Só que quem está esperando o reconhecimento da banda como o grande nome do gênero da atualidade, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Consta que a banda dividirá o palco com Roberta Sá e Geraldo Azevedo, cantando um pout pourri de forrós antigos. Na cabeça da produção, os dois convidados emprestariam respeitabilidade, coisa que difinitivamente os Aviões do Forró já possuem. Já Roberta Sá e Geraldo Azevedo precisam é de mídia, sumidos que estão e isso conseguirão às custas dos Aviões. Lamentável tudo isso.

Ensaio dos Aviões do Forró no Criança Esperança

- O Movimento Forró das Antigas, capitaneado por Mastruz com Leite, Magníficos e Limão com Mel vão fazer uma expensa excursão pelo estado do Pará, passando por cidades como Belém, Capanema, Bragança, Castanhal, Tucuruí e Marabá. Enquanto a atual geração do forró se enreda cada vez mais em intrigas, difamações e traições, o pessoal dos anos 90 demontra que a união faz a força.

- A cantor Samyra do Forró dos Plays fez ontem a cirurgia de retirada do útero em função de um câncer recentemente detectado. A banda não quiz escalar uma substituta e permanece em recesso enquanto aguarda a recuperação de sua líder.

Samyra Show, cantor do Forró dos Plays de licença médica

- É hoje em Natal a gravações do sexto disco de carreira da Garota Safada. A inovação fica por conta de que pela primeira vez se tratará de uma gravação ao vivo. A expectativa é grande, tanto na escolha do repertório - devido a recentes denuncias de cópias de músicas - quanto pelo resultado técnico final. O disco ainda não tem previsão de lançamento.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Balada em três tempos - Estakazero, Garota Safada e Gusttavo Lima

Bandas de forró antigamente eram rápidas no gatilho na hora de gravarem versões de músicas sertanejas. Hoje em dia a tendência está se invertendo, com a aceleração dos batidões sertanejo, que tando incomoda os puristas. Pode Chorar, Tarde Demais, Zuar e Beber, Primeiro Passo, Tentativas em Vão, Mentes tão Bem e mais uma cacetada de músicas estão aí para demonstrar. Ocorre que antes as regravações ocorriam depois de decorrido um certo tempo e o sucesso estar sedimentado, agora o pessoal está cada vez mais atento aos sucessos logo quando surgem, todos querendo a próxima "Minha Mulher não deixa nÃo". Um exemplo é a música deste post, em menos de oitos meses foi lançada pela banda de forró pé de serra Estakazero, foi regravada pela Garota Safada - e mais uma série de bandas como Forró Balancear, Cangaia de Jegue, dentre outras - e agora chega na versão de Gustavo Lima. O Cabaret apresenta o sucesso em três versões, ficando ao gosto do freguês a escolha da melhor.

Estakazero - forró pé de serra



Garota Safada - forró elétrico



Gusttavo Lima - sertanejo



Se um meteoro não devastar a Terra, daqui alguns minutos sai a versão tecnomelody de alguma banda de Belém do Pará.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O teto de vidro de Tony Guerra, da Forró Sacode

Tem certos artistas que quando vivem um momento de ostracismo, se recolhem para criar material novo, ensaiar um show de qualidade ou rever sua postura no mercado. Outros, optam por jogar merda no ventilador para conseguirem aparecer na mídia, para que o público note que ainda existem. O cantor cearense Tony guerra escolheu a segunda opção. Semana passada apareceu na mídia chorando as pitangas pelo fato de que Wesley Safadão gravou duas de suas músicas, sem sua autorização. Clique aqui para assistir a matéria na íntegra.


Charge de Lucas Negreiros


Ocorre que além de demonstrar total desconhecimento da legislação autoral e ainda pronunciar umas bobagens, como por exemplo, dizer que luta pela "legalização dos direitos autorais - e é ilegal? - o fato é que Tony Guerra não tem envergadura moral para levantar esta bandeira. Além de ser acusado de comprar músicas de compositores desconhecidos em cidades do interior da Bahia e do Piauí e depóis dizer serem suas, a Forró Sacode já gravou inúmeras músicas de outros artistas sem autorização dos mesmo. Cito aqui apenas um exemplo, mas existem muitos outros. A música "Se eu te pego,Ó!", da cantora sertaneja iniciante Tuta Guedes. Até na televisão ele tocou a música! E era a música de trabalho dela. Clique aqui e confira.

Versão original com André e Adriano & Tuta Guedes
André e Adriano & Tuta Guedes - Se Eu Te Pego Oh

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Gravação não autorizada da Forró Sacode
Forró Sacode - Se Eu Te Pego Oh

Powered by mp3skull.com

Outro agravante deste caso é o fato de que a Garota Safada não foi a única banda a gravar as músicas que ele reclama, várias outras gravaram, como por exemplo viões do Forró, Forro da Curtição, Furacão do Forró, Arreiode Ouro... Porque a artilharia foi voltada pra cima da banda que neste São João tem tudo para firmar-se como a maior banda de forró da atualidade, tirando a taça das mãos dos Aviões do forró depois de um par de anos?

A amizade entre Tony Guerra e o pessoal da A3 Entretenimentos já é algo conhecido por todos, através dos inúmeros recados que Xandy Avião manda pro Tony nas gravações dos shows. Seria essa uma jogada ensaiada para arranhar a imagem da Garota Safada? Isso talvez nunca se saiba, mas o que é certo que, por mais que a causa seja justa - afinal as cópias de músicas já estão sendo abusivas (já falei sobre isso aqui)- Tony Guerra não é o paladino correto da luta. O que ficará para história deste caso será uma das maiores demonstrações de hipocrisia já conhecida no cenário do forró.

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Desce Piriguete" vira caso de polícia...

...mas não pelos motivos que a organização Tradição, Família e Propriedade gostaria, mas enfim. Taí o vídeo que causou furor no mercado do forró na semana passada. Os fãs da Garota Safada prometem faz uma manifestação na frente da delegacia, caso Wesley Safadão compareça para depor.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tony Guerra x Wesley Safadão - Cópia de músicas vira caso de polícia

Estou preparando uma análise sobre as profundas transformações que estão acontecendo no mercado do forró neste ano, com relação a violação de direitos autorais. Enquanto isso, deixo esta noticia para os leitores irem se familiarizando com o assunto.

Briga de forrozeiros está na Polícia

Uma polêmica envolvendo artistas e produtores de bandas de forró locais transformou-se num caso de Polícia e agora virou inquérito já instaurado na Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF). O caso chegou ao conhecimento daquela Especializada através de uma notícia-crime formulada pelo cantor e produtor Gleison Castro Alves de Leitão Sousa, o ´Tony Guerra´.

Na queixa apresentada na DDF, ´Tony Guerra´, que se identificou como proprietário da empresa ´Guerra Eventos e Produção Artística Limitada´, afirma que duas composições musicais de sua autoria, intituladas de ´Periqueti´ e ´Elas ficam loucas´, foram ilicitamente copiadas, gravadas em milhares de CDs e vêm sendo executadas em shows não autorizados por sua empresa. Aponta como responsáveis pelo crime a banda ´Forró Garota Safada´ e o seu vocalista, ´Wesley Safadão´.

leia o resto da notícia no site do Diário do Nordeste

O blog Forró do Brasil acompanhou a treta via Twitter ontem a noite, confiram

domingo, 15 de maio de 2011

A Pompa da Garota - Promocional novo da Garota Safada decepciona

Admitir que artistas que você ama e que foram responsáveis pela trilha sonora de momentos lindos em nossa vida é sempre muito triste. Foi assim quando tive que resenhar o fraquíssimo Volume 7 dos Aviões. E é assim agora, ao admitir que o novo CD promocional da Garota Safada está fraco. Depois de uma série de promocionais sensacional que estava se mantendo constante desde o segundo semestre do ano passado, Wesley Safadão e sua trupe cometeram um disco frustrante.



Gravado em Fortaleza no Clube do Vaqueiro, a idéia era aproveitar o bom momento da banda na mídia, com aparições em diversos programas de transmissão nacional e gravar um show pomposo. Mecher em time que está ganhando é sempre uma coisa complicada, embora um passo evolutivo sempre seja necessário para que não se caia na armadilha da mesmisse. Mas vamos aos motivos para estar dizendo essas coisas.

Após uma breve introdução como uma execução meio tímida de "Eu fui clonado" para depois ameaçar incendiar a casa com a matadora "Balada". Só que na sequência Wesley puxa o frio de mão com o carro a 150Km e emenda "As lembranças vão na mala" do Luan Santana, jogando todo mundo que estava sem cinto pelas janelas abertas do carro pancadão. Depois três versões de bandas grandes. Músicas que já estavam gravadas na mente dos ouvintes em suas versões originais. A saber, Cavaleiros do Forró e Forró do Muído.


E dá-lhe freio de mão a 150km/hora no Carro Pancadão da Garota Safada


Depois de um começo assim, fica difícil virar o jogo. Claro, nem tudo foi bola fora. Quando Marcia Fellipe começa a cantar "Pra você" fica difícil conter os arrepios, mesmo nas almas mais casca grossas. No miolo da apresentação, várias músicas do repertório do recente, que nos deixa com aquela sensação de que se essa fosse a opção desde o começo do disco, as coisas teriam sido bem diferentes.

Na última metade da festa temos o momento mais ousado e inovador da obra, uma série de participações especiais, como o visível intuito de agregar valor artístico ao produto final. Mastruz com Leite, Geraldinho Lins, Mara Pavanelly, Forró Real, Dove Aventura, Forró di Taipa, Amigos Sertanejos, Safadões do Forró e Forró da Xeta, ufa! Um time de primeira. A iniciativa foi louvável, o dueto com Geraldinho Lins ficou lindo, o resgate da "Pneu Furado" com Mastruz, celebrando o atual Movimento Forró das Antigas (sic!) soa pertinente, mas a grande variada acabou gerando um anti climax de montanha russa.

É provavel que esse sentimento de frustração que esse promocional provoca se deva unicamente ao clima de espectativa que tomava conta de todos ao aguardar cada novo lançamento da banda e que nunca era frustrado. Quando uma banda atinge um patamar de qualidade como o que a Garota Safada atingiu, a responsbilidade de matar um leão por dia sempre se impõe.

Mas a banda, ao contrário dos Aviões do Forró, que agora trabalham sob o jugo de uma Som Livre, a Garota Safada ainda está na inpendencia com total liberdade artística e pode rapidamente corrigir seu rumo e como no atual e ágil cenário do forró tudo é muito rápido, talvez daqui a dois meses ninguém lembre deste deslize.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Timpin agora é colunista do jornal O Liberal, de Belém do Pará



Quem me segue no Twitter ( @cabaredotimpin )já sabe, desde a semana passada que virei colunista no jornal O Liberal, de Belém do Pará. A primeira coluna foi impressa no jornal da terça-feira. No sábado era pra sair minha segunda coluna, mas por problemas de espaço, acabou não saindo. Para que a coitadinha não fique perdida nos escombros digitais das caixas de e-mail, vou postar aqui para que vocês possam ver.

É necessário levar em conta que foi escrita para o público paraense e no dia 14 de agosto, no caso sábado passado. Assim que obter autorização do pessoal d´O Liberal, posto as outras aqui também.


Magníficos e Garota Safada - um encontro de gerações

No show que ocorrerá amanhã no Cidade Folia, Belém terá a oportunidade de assistir os shows de dois grandes expoentes de duas importantíssimas gerações da história do forró. A geração que modernizou e popularizou definitivamente o gênero é representada pela banda Magníficos. Já a atual geração, que está pela bola oito de estourar nacionalmente, tem na Garota Safada, sua principal aposta.

Os veteranos da Banda Magníficos estão comerando 20 anos de uma carreira que é emblemática acerca do quanto a música pode ser um meio de ascenção social e uma fonte de belíssimas histórias de vida. E também do que pode acontecer quando se dá um instrumento musical para uma criança pobre.

Foi o caso do moleque Jotinha que morava em Monteiro, no interior da Paraíba e ganhou de seu pai uma safona de 60 baixos. Enquanto trabalhava como engraxate e vendedor de picolé, foi tentando tirar clássicos como "Asa Branca" e "Mulher Rendeira" e acabou dominar com maestria o intrumento, a ponto de animar seus irmãos a também aprenderem a tocar algo e montarem uma banda.

Entre esse começo casual e a gravação do primeiro CD independente em 1995 foram cinco anos de trabalho árduo e de uma esperta administração por parte de Jotinha, que investia na banda tudo que ganhava do seu emprego de menor estagiário, que conseguiu no Banco do Brasil aos quinze anos. Tanto que parou de tocar para apenas empresariar a banda, já com o nome Magníficos que ele achou num dicionário.

O primeiro disco fez sucesso apenas nas cidades vizinhas, mas o segundo foi um grande sucesso em todo o nordeste, puxado pelo hit "Meu Tesão é você" e no terceiro já estava na Sony Music. De lá pra cá a banda sempre manteve sua vitalidade e relevância no mercado. Hoje à noite apresenta no Cidade Folia seu show da turnê A Preferida do Brasil, na qual - segundo a vocalista Walkíria Santos - o romantismo impera. No repertório, as três músicas novas que estão sendo muito bem aceitas pelo público: "Diamantes", "Vou Chorar" e "Tá na Cara".

Mas atração da noite que promete arrastar uma multidão para o Forró Fest é o next big thing - termo usado na imprensa extrangeira que numa tradução livre soaria como "próxima grande banda" - do forró, a Garota Safada. Isso se já não é a maior banda da atualidade. No mês do São João foram mais de cinquenta shows. Todos eles concorridíssimos e com lotação esgotada.

Na esteira sucesso arrasa-quarteirão de "Tentativas em Vão" apresentará nesta noite seu novo repertório, capitaneado pela nova música de trabalho "Escravo do Amor", que já recorde de downloads em diversos servidores da Internet.

Aparentemente o som da Garota Safada não tem muita coisa de inovador. Onde está então o diferencial? Sem a menor sombra de dúvidas na figura de seu vocalista Wesley Safadão, que reúne talento, carisma, juventude, beleza e uma forte presença de palco. Mas não é só isso. O megasucesso da banda também se deve ao trabalho de formiguinha empreendido pela nova geração de fãs conectados nas redes sociais. Geração composta majoritariamente por meninhas que passam o dia inteiro escutando Garota Safada e enaltecendo os dotes físicos de seu vocalista de cabeleira fashion twitando, no Orkut ou no MSN.

E as meninhas adoram a bunda de Wesley Safadão. As menininhas veneram a bunda de Wesley Safadão. Estou falando aqui de uma faixa etária para a música realmente importa em suas vidas.

A festa de hoje promente esquentar. O passado sempre presente e o futuro forró reperesentados por essas duas bandas que não costumam fazer feio, a Garota Safada com seu repertório constatntemente renovado e a Magníficos com músicas inteiramente próprias, o que não é comum no meio. Pensar em faltar a uma balada dessas seria como tentar viver sem respirar ou apagar a chama de um vulcão. Pena que não estou em Belém.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aviões do Forró e Forró do Muído na Revista Billboard Brasil

A Billboard Brasil, edição de junho, foi histórica. Pela primeira vez uma revista séria de música e de circulação nacional, colocou um artista sertanejo em sua capa: Luan Santana. Pena que não escalaram um profissional da área para fazer a matéria, o que fez com que resultasse extremamente superficial, não analisando a fundo o quanto o fenômeno Luan Santana - e de resto, a nova musica sertaneja inteira - representa para a renovação da música pop brasileira.



Na mesma edição foi publicada uma matéria preparada por alguém mais afim com o tema, o caso de Vladimir Cunha, com uma sensacional análise do atual mercado do forró, dando ênfase aos Aviões do Forró, recentemente contratados pela Som Livre, mas descrevendo também a bagunça que se tornou a questão dos direitos autorais.

Vou postar aqui a transcrição da matéria na íntegra. Vou fazer em duas partes, hoje posto o corpo da matéria e amanhã os apêndiçes, com comentários meus sobre os temas abordados. Polêmicos, vou logo avisando.

Se alguém quiser que eu transcreva a reportagem sobre o Luan Santana, é só dar o toque na caixa de comentários.

Boa leitura!

Upgrade no Bate-coxa

Faz um calor dos infernos em São Paulo na noite desta sexta-feira, em abril, mas no boteco do Pinguinzinho ninguém parece estar muito preocupado com isso. Como tantos outros bares da avenida Cruzeiro do Sul, bairro de Santana, o local é ponto de encontro de office-boys, comerciários, empregadas domésticas, motoboys, peões de obra. O som é alto: muito brega, calypso e forró eletr6onico de Calcinha Preta, Saia Rodada, Limão com Mel, Collo de Menina e Gatinha Manhosa. Pela avenina, o vai e vem de ônibus é intenso e destinos como Vila Nova Galvão, Jardim Fontális, Cachoeirinha, Jova Rural e Vista Alegre denunciam o estrato social dos passageiros. Não chega a ser uma vizinhança miserável, mas ela guarda poucas semelhanças com a São Paulo que aspira um dia a ser a Manhatan dos trópicos. As calçadas são mal cuidadas, o lixo se acumula aqui e ali e quase não se veem patrulhas policiais. Na esquina fica a praça construída onde antes era a penitenciária Carandiru. Do outro lado lado da rua - cercado por barracas de churrasquinho de gato e ambulantes vendendo cerveja, vinho barato e vodka com energético -, o Santana Hall, onde a banda Aviões do Forró faz sua primeira apresentação em São Paulo depois de dois anos longe da cidade.

Apesar do nome pomposo, o Santana Hall é a típica casa de shows da periferia. As paredes são encardidas e o chão de lajota está permanentemente úmido por causa do calor e dos copos com resto de bebidas que o público joga no chão. Nos mezaninos, "camarotes VIP" para quem pode pagar um pouco mais e não quer se espremer com o resto do povo na pista de dança. O backstage é acanhado; os camarins, modestos. Quando alguém liga a máquina de gelo seco, uma nuvem de fumaça torna quase impossível enxergar alguma coisa no corredor que dá acesso ao palco.

Sentado em uma cadeira de plástico, Xand Avião, vocalista da banda, aguarda sem parecer se incomodar. Do Santana Hall, segue hoje para uma apresentação em Guarulhos - a rotina de dois shows por noite que o grupo sempre cumpre quando toca em grandes centros. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, os Aviões do Forró são tão populares quanto Ivete Sangalo ou a Banda Calypso. Tocam para platéias que variam entre 10 e 35 mil pessoas e causam comoção por onde passam com seu aparato de palco, ônibus e carretas plotados com o logo e a foto dos cantores do grupo - uma tradição inventada pelas bandas de forró, que competem entre si para ver quem tem a maior infra-extrutura. Sem ônibus (ou carreta) e sem as enormes plotagens com as fotos dos cantores, dificilmente uma banda consegue convencer o público a assistir o seu show. No mundo do forró, o aparato tecnológico é quase tão importante quanto a música. A suposta arte fica em segundo plano. O negócio é show business no sentido mais literal da palavra.

"A questão é quem São Paulo, apesar de tudo, existe preconceito contra o nordestino", respode Xand Avião quando lhe pergunto porque os Aviões não causam tanto barulho no Sudeste. As pessoas podem até ouvir e gostar de forró, mas não assumem isso porque na cabeça deles esse tipo de música está ligado às pessoas mais humildes, ao trabalhador, à doméstica, ao porteiro do prédio. Então elas preferem ignorar o tipo de música que a gente faz. Por isso ele fica restrito à periferia. Mas eu tenho o maior prazer de tocar aqui para essas pessoas. São nordestinos que vieram de longe, que sentem saudades de casa e que matam essa saudade indo a nossos shows. A classe média, a classe alta, eles não vem, tem preconceito."

Faz sentido. Numa cidade onde "baiano" é expressão pejorativa, a desconfiança de que o forró ainda não virou mainstream por questões de preconceito tem sua razão de ser. Se até o brega pop de Belém do Pará conseguiu projeção nacional via Banda Calypso, seguido pelo tecnobrega surrupiado dos paraenses pela Banda Djavu, o que falta para que o forró siga o mesmo caminho?

A resposta pode estar no novo disco dos Aviões do Forró. Depois de oito anos em esquema independente, a banda assinou com uma gravadora. Seu sétimo disco, "Aviões do Forró Volume 7", saiu em maio pela Som Livre. O investimento é alto e prevê apresentações em programas da globo e publicidade maciça. Quem sabe até mesmo música em novela. O objetivo é tirar o grupo do gueto das festas agropecuárias e casas de shows de periferia.

LOGÍSTICA PRÓPRIA

A questão é saber se a gravadora vai conseguir lidar com essa nova configuração de mercado criada pelos grupos populares do chamado Brasil Profundo. Assim como o tecnobrega de Belém, o forró criou seu próprio sistema de produção, distribuição e vendas. No forró, CDs e DVDs não são vendidos, são distribuidos ou dados de brinde na compra de merchandising ou ingressos. Ao planejar uma turnê, a banda mapeia as cidades por onde vai passar. Meses antes das apresentações, um representante do grupo passa por todas elas distribuindo CDs e DVDs. O investimento. O investimento é relativamente baixo. Mil discos custam em média R$500,00 para serem confecionados e rapidamente se multiplicam nas mãos dos camelôs, fàs e pirateiros, até atingir a casa dos milhares. Na semana do show o CD já está tocando na feira, no boteco, na cidade toda... Se der tudo certo, daí para um público de 20 mil pessoas pagando R$15 e R$30 por ingresso é um pulo. Os Aviões do Forró prensam mensalmente 50 mil discos.

Foi dessa forma que Antonio Isaias - um dos sócios dos Aviões do Forró, mais conhecido como Isaias CDs - transformou o grupo numa máquina de fazer dinheiro, estabelecendo uma escala industrial de produção que gerou uma série de outras bandas. Além dos Aviões, somente a A3 entretenimento - empresa que Isaías montou com os empresários Carlos Aristides e André Camurça em 2006 - controla as bandas Forró dos Plays, Forró do Muído, Solterões do Forró e mantém seis casas de shows e duas emissoras de rádio.

Xand Avião admite que sim, houve um choque inicial de interesses da Som Livre e o modelo de negócios adotado pelo grupo. Mas um acordo foi firmado e a banda só poderá manter seu esquema de distribuição gratuita nos seis lançamentos anteriores. O "Volume 7", explica ele, está sendo comercializado de acordo com a estratégia "ortodoxa" das gravadoras.

Difícil entender porque voltar ao convencional se o sistema criado por Isaias rendeu tanto dinheiro e visibilidade para o grupo. "Vale a pena porque a Som Livre é o aval que a gente precisa para crescer ainda mais", responde Xand. "O suporte que a gravadora vai nos dar deve fazer com que a gente saia deste mercado segmentado e alcançe o nível que a Calypso alcançou. Imagino a banda na TV, nos programas de auditório, na trilha das novelas. Quem sabe agora, que os Aviões vão começar a aparecer na Globo, a classe média não passa a gostar da gente?"

Enquanto a classe média não vem, o forró continua do mesmo jeito, nessa de ninguém musical que se formou nos recantos mais distantes do Brasil, onde direitos autorais e patrimoniais são mera abstração. Como não existe um mecanismo regulador, a pirataria pode ao mesmo tempo ser aliada e inimiga. É o que ocorre com a banda Forró do Muído, cuja música "São Amores" - uma versão não autorizada de "Son Amores" da dupla espanhola Andy & Lucas - estourou no norte quando a banda paraense Quero Mais a transformou em tecnobrega. Como sempre acontece nesses casos, passa a ser considerado autor da música o artista que primeiro estoura com ela em determinada região do país. Dependendo da parte do país em que você estiver, "São Amores" pode ser creditada ao Forró do Muído, aos Aviões do Forró, à Banda Djavú ou à Quero Mais.

É um conflito que está longe de se resolver. Até porque boa parte dos discos de forró que circulam longe dos grandes centros é de gravações ao vivo. Como é prática comum o show de uma banda não se limitar apenas às suas composições, quando um disco ao vivo chega aos camelôs, não fica muito claro ao público que músicas são daquele grupo, quais são as versões de sucessos internacionais ou quais são covers de artistas de outros gêneros e regiões do país. Produtores, músicos e empresários alegam desconhecer a procedência desse material, mas o fato é que, além dos CDs distribuídos por empresas como a A3, são as gravações ao vivo que ajudam a banda a massificar seu trabalho nas cidades mais distantes dos grandes centros e a impor como sua, a composição de outro artista.

MAL NECESSÁRIO

Vi o Forró do Muído ao vivo pela primeira vez em um show para 15 mil pessoas, no Parque de Exposições de Imperatriz (MA) em maio de 2009. Naquele momento "São Amores" era, ao mesmo tempo, um dos grandes hits das aparelhagens de tecnobrega de Belém do Pará, nas mãos da Quero Mais, e um sucesso que o Muído carregava em suas apresentações pelo Nordeste. Um período em que, muito antes da Banda Djavú, os paraenses acusavam de transformar em forró os sucessos de tecnobrega e vice-versa. A culpa, como não poderia deixar de ser, era dos misteriosos discos ao vivo, que atribuiam a autoria das músicas a quem estivesse executando no momento da gravação do show.

Por ironia, um dos pontos altos da apresentação do Muído foi durante a música "Ai que vida", cuja autoria muita gente credita ao grupo, mas que na verdade é do compositor Cícero Filho e foi gravada por Lili Araújo e Banda Bali em 2008. "Ai que vida" faz parte da trilha sonora da comédia de mesmo nome, dirigida pelo maranhense Cícero Filho e cultuada no Nordeste depois que caiu nas mãos da pirataria. Impulsionada pelas vendas no camelôs, em uma semana a produção fez, nos cinemas de Teresina, mais dinheiro do que Harry Potter e o Enigma do Principe. Na esteira do sucesso do filme, a música tornou-se febre no Piauí, Tocantins e Maranhão.

Mais tarde, no ônibus da banda, a vocalista Simaria - que desde 2007 divide a sociedade da banda com a irmã Simone, o cantor binha e a A3 Entretenimento - me explicaria que aprender a conviver com a informalidade é a única forma de sobreviver quando se está longe das gravadoras. Ela admite, porém, que o preço a se pagar por essa "ajuda" pode ser amargo demais: a falta de controle de direitos autorais e patrimoniais e a constante confusão na cabeça do público sobre a verdadeira procedência das músicas que consome.

De penetra em um camarim VIP do Santana Hall, observo a turma se espremer na beira do palco enquanto os Aviões do Forró tocam "O mundo gira", seu maior hit, um forró com tema de vingança amorosa cuja letra diz "Pintei o meu cabelo me valorizei / Entrei na academia / Eu malhei, malhei / Dei a volta por cima / E hoje te mostrei meu novo namorado". As mulheres se identificam com a letra e berram o refrão, que funciona como deixa para a vocalista Solange almeida emendar com "Me Adora", de Pitty, aquela do "que você me adora / que me acha foda".

A música termina e Xand Avião reaparece no palco. Pergunta quem é nordestino e quase todo o Santana Hall levanta os braços. Xand então cita nominalmente várias cidades: Fortaleza, Natal, João Pessoa, Sobral, Caruaru... A cada nome, mais gritos da platéia. Nessa noite, no Santana Hall, os Aviões do Forró são a sínteses dos anseios de autoafirmação e identidade do seu público. Agora, com um contrato com a Som Livre, exposição na TV e o sonhado acesso à classe média, é possível que tudo mude. E que encontros como esse, em lugares como o Santana Hall, jamais aconteçam novamente.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Novo e arriscado vôo dos Aviões do Forró & Dez alertas do controlador de vôo Timpin

É o fim de um conto de fadas.

Os Aviões do Forró assinaram um contrato de distribuição de seu Volume 7 com a Som Livre. Com a negociata, acabou tanto a distribuição gratuita de CDs nos shows, quanto o insentivo a downloads na Internet e farta oferta em camelódromos. E foram justamente essas duas práticas que cimentaram o sucesso da banda e garantiram-lhe o status de maior banda de forró da atualidade.




A justificativa para tal atitude é a presença em programas de auditório de peso, músicas inseridas em trilhas sonoras de novelas e divulgação em horário nobre. Com o selo da Globo na asa os Aviões poderão vencer o forte preconceito que a classe média do sul/sudeste alimenta contra as bandas de forró e finalmente alcançar o tão adiado sucesso nacional.

Se isso ocorresse, seria a correção de uma das maiores injustiças da história da música brasileira. Como Ivete Sangalo já falou, o vocalista Xandy Avião é a reencarnação de Jackcon do Pandeiro e Solanje Almeida é uma das melhores cantoras desse país.


Solanje Almeida, a popular SOOOOOOOOOOOlanja!!!


Só que esse lançe é arriscado. Timpin explica.

Tendo em mente o público sulista, na escolha do repertório evitaram letras mais picantes ou políticamente incorretas - o supra sumo da poesia dos Aviões - e deram uma limpada no som, numa nada sutil mudança na forma com que os arranjos foram concebidos.

O resultado foi que o disco, além de ter sido até agora pouco escutado no nordeste, por conta falta de distribuição gratuita e ausência nos camelódromos, não foi bem recebido pelo público local. Só que não é só isso.

Ao longo das 17 faixas do lançamento, não se encontra um único grande hit. O único candidato, a primeira música "Pegadinha do inglês" não chega aos pés dos grandes clássicos da fuleragem do naipe de "Risca Faca", "Beber, cair e levantar" ou "Chupa que é de uva". Nas românticas ocorre o mesmo, temos as bacaninhas "Feito Capim" e "Se livra dela", mas nada do nível de "Tô sozinho" ou "Pode chorar".

Se o pior acontecer, que seria o fracasso comercial no sul, os Aviões do Forró correm também o risco de perderem em casa o atual embate com a banda Garota Safada, essa sim, dono do grande hit de 2010, a simples e perfeitinha "Tentativas em vão". O conto de fadas não teria seu tradicional final feliz.


Aí está o vocalista Wesley Safadão da Garota Safada, que além de emplacar "Tentativas em vão", cultivar uma cabeleira style, sabe ordenhar vacas


Mas não quero construir fama de agourento. Gosto também de falar de coisas positivas. Existe uma banda que tem potencial para cumprir a missão de sucesso no sul que os Aviões se incubiu. Ela também é de Fortaleza e pertence a mesma A3 Entretenimentos que comanda os Aviões.

E seu nome é...Forró do Muído.


Eis A BANDA de forró que pode estourar nacionalmente


As razões que me levam a afirmar isso são inúmeras. A principal e a que mais me leva a ficar impressionado com a inédita falta de visão de mercado dos figurões da A3 é que o Muído é Pop. Extremamente Pop. Pop na ascepção do termo, ou seja, divertir, entreter e fazer das pessoas, criaturas mais felizes, ora bolas.

Os figurões da A3 que me referi chamam-se: Antonio Isaias, André Camurça e Carlos Aristides. Na esperança de que uma dessas três almas, por um desses milagres da conectividade virtual e do poder evangelizador do Twitter, calhar de ler esse texto, Timpas vai gastar um pouco de sua farta beleza e vai listar dez argumentos para demonstrar que o Muído sim, tem carta na manga para estourar nacionalmente e ser ouvido até em Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai.

- Possui um frontman competente e experiente, na figura de Binha Cardoso.
- As vocalistas Simone e Simaria são irmãs, lindas, jovens, carismáticas, competententes e tem uma história de vida que daria um filme versão feminina para Os Filhos de Francisco.
- O Forró Pé de Serra, cuja sonoridade o inconsciente coletivo do público do sul já assimilou via Luis Gonzaga, foi genialmente mantido no som da banda. A Zabumba tá lá, o triângulo, está tudo lá.
- O onipresente saxofone de Fabiano, que caracteriza tanto o estilo do Muído, também o transforma em algo moderno, vigoroso, contagiante e eu diria até internacional.
- As letras são jovens e divertidas.
- Músicas como as da meninha tem cacife para emplacar em novelas e gerar até produtos de mercandising.
- As versões de músicas estrangeiras, como a sensacional "Colado em suas mãos", que com um mínimo de boa vontade da A3 em acertar os direitos de reprodução para serem utilizadas, são hits prontos.
- A faixa etária dos fãs do Muído é a mais ampla entre todos os artistas nacionais, vai de crianças a aposentados do INSS.
- A presença de palco faz com que os shows sejam festas inesquecíveis.
- Por último, mas nem por isso mais importante, o Muído ainda não foi testado, até agora só foram lançados CDs promocionais, sem um único disco de carreira no mercado.

Pronto. Vou parar por aqui senão vou acabar escrevendo as 95 teses de Luthero e algum fã maluco do Muído - que é o que mais tem por aí - pode acabar imprimindo e pregando na porta da sede da A3 e o Isaías CDs, que é meio invocado, pode não entender a piada e mandar seus jagunços atrás de meu lindo e magrelo escalpelo loiro.

E eu não nasci pra ser herói, eu nasci pra ser cowboy, como o leitor pode conferir na ilustração abaixo.


No futuro todos os seres humanos serão assim, no salto evolutivo do homo sapiens sapiens pro homo sapiens timpinus

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Aviões do Forró x Garota Safada




Uma nova estrela começa a brilhar cada vez mais no cenário do forró: Wesley Safadão. Sua banda Garota Safada está conseguindo o que até então parecia impossível, ameaçar a unanimidade chamada Aviões do Forró. Pra quem está de fora isso pode parecer banal, mas não é. Mesmo com o sucesso nacional da Calcinha Preta, graças ao impulso que o talento de Dira Paes deu a "Você não vale nada", a liderança do Aviões não sofreu um arranhão sequer.

Mas com Garota Safada a coisa muda de figura. O embate entre os Aviões e Calcinha Preta se deu no sul e sudeste. Um jogo fora de casa, por assim dizer. Como se um jogo importante de beisebol fosse disputado no Maracanã. Para um público indiferente, tanto faz quanto tanto fez quem sai vencedor. Só que a disputa com Garota Safada está se dando no centro do território forrozeiro: o sertão nordestino.




Não que Wesley Safadão tenha puxado essa briga, ele apenas está fazendo seu som, investindo em sua carreira e animando muitas festas. A questão é que o pessoal da A3 Entretenimentos, empresa que é proprietária do Aviões, Forró do Muído, dentre outras bandas, não aprecia uma das regras mais básicas do capitalismo, a livre concorrência. O próprio Xandy Avião costuma fazer piadinhas nos shows com outros cantores que começam a fazer sucesso.

E já faz um certo tempo que Xandy tá tirando onda com a cara de Wesley Safadão.



Não é de hoje que a A3 pratica concorrência desleal. Todo mundo que trabalha no meio sabe disso. Eles tocam músicas de bandas iniciantes como se fossem suas, entopem os camelódromos com CDs promocionais seus e com isso abalam muitas carreiras de muita gente.

O Bonde do Maluco, banda de arrocha da Bahia, sentiu isso na pele e até hoje, mesmo já estando com quatro discos lançados, ainda não se recuperou por completo do baque que foi ter tido as principais músicas de seu sensacional e revolucionário disco de estréia, tocadas pelo Aviões num fatídico disco promocional. Aquele que tinha "Chupa que é de uva", pra se ter uma idéia.

Faça o teste. Cante os seguintes versos e pergunte de quem é a música: "abre o som do porta mala / bote a gata pra dançar / abre mais uma cerveja / que o bicho vai pegar / abre, abre / abre, abre abre". Todos responderão que é do Aviões. Essa e mais meia dúzia de músicas, todas do Bonde do Maluco.

No caso com a Garota Safada, a bronca foi por causa do megasucesso que a música "Tentativas em vão" está fazendo. A música periga superar o arrasa-quarteirão que foi "Chora Me Liga" no ano passado. Sem nenhum grande hit para incluir no Volume 7 do Aviões, a A3 foi procurar o compositor de "Tentativas em Vão" e propôs o pagamento de R$30.000,00 pelos direitos exclusivos da música. Proposta recusada. Ponto para o compositor e para a esperança de que esse país ainda tome jeito.

Em outras épocas, talvez o poder de fogo do capital financeiro da A3 Entretenimentos, garantisse a vitória nessa pendenga, mas os tempos são outros. Hoje em dia uma banda de forró faz um show na sexta-feira em Juazeiro do Norte, na Bahia e já no sábado, o pessoal de Campina Grande, na Paraíba, já está escutando a gravação do show em seu mp3. Assim como notícias, como essa tentativa de corrupção por causa de uma música, correm soltas.



Some-se a isso tudo um fato fundamental que sinaliza Garota Safada como substituda dos Aviões do Forró como maior banda da atualidade: apresença de palco marcante de Wesley Safadão. Sua voz não perde em nada para de Xandy Avião, nem seu carisma, nem sua simpatia. No entanto Welsey tem uma vantagem inestimável para os tempos modernos: é jovem, bonito e atraente.

As meninhas adoram a bunda de Wesley Safadão. As menininhas veneram a bunda de Wesley Safadão. Estou falando aqui de uma faixa etária para a música realmente importa em suas vidas. É essa faixa etária que vota em enquetes, passa o dia twitando, no Orkut e no MSN. É a galera que cria os virais, a mais eficiente forma de divulgação.




Aviões do Forró - e tudo por culpa de sua produção - tem tudo para entrar pra História como a mais importante banda de forró da primeira década do século XXI. E só da primeira década.

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Ouça o sucesso Tentativas em vão AQUI

Baixe aqui o CD inteiro. Timpas recomenda

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