Sabe quando você perde a ponta do Durex e fica rodando pra achar de novo? É assim que eu enxergo o Forró do Muído hoje. O negócio já vinha desandando e, depois que tiraram Binha Cardoso pra colocar aquele cantorzinho imaturo (cujo nome me recuso citar), vi o fim do túnel sem nenhuma lamparina acesa pra banda. Ainda bem que essa besteira foi desfeita e a esperança foi reacendida no meu coração muideiro.
look de Simone, o símbolo da mudança do Forró do Muído
Só que não adianta trazer de volta o amigo Binha e continuar na mesma linha recente de banda de forró pop, que vinha sendo construída, que jogou a característica e originalidade da banda pela janela. Pensei que, junto com ele, voltariam as músicas românticas, de pé-de-serra mesmo, aquelas que fizeram do Muído a banda de 2008/2009. Daí me aparecem com uma música sob o título de “Frajola e Piu-Piu”. Poxa, aquela do “Ei, quer casar comigo? Eu sei fazer miojo e ovo mexido!” ainda nem desceu e me enfiam essa música de goela abaixo?
Eu sei que a irreverência, alegria e brincadeira também fazem parte da característica da banda, mas daí a ser música de trabalho, são outros quinhentos.
Pra ilustrar melhor minha opinião, vou apresentar um exemplo simples, chamado Simone Mendes. As mudanças no visual e em sua postura no palco são o verdadeiro retrato de como o Forró do Muído perdeu-se no caminho de sucesso que vinha construindo. Eu ainda peguei o tempo de ela usar calça apertada, dançar até o chão, provocar os fãs com olhares... por aí. Hoje, eu não enxergo mais isso nela. Está comedida, parece uma bonequinha, usando saiazinha, blusinha... muito “inha”. Gostava dela mulherão, que chegava chegando. Não sei se foi depois do casamento, ou se foi Simaria que quis transformá-la numa irmã gêmea, o fato é que algo ocorreu e ela se tornou o retrato da mudança do Muído.
Ainda fico feliz por enxergar que estão buscando uma melhora. Ruim mesmo seria se entregassem os pontos. Na minha humilde opinião, o caminho não é chamando Bina, nem fazendo Miojo; o caminho é por “Você Vacilou”, “Será”, “Tente Entender”. Essas são as músicas cujo DNA é o mesmo daquelas de antigamente, que fizeram muitos se se encantarem e acompanharem a banda, como eu. E espero que ainda exista paixão nos olhos e no coração das irmãs Mendes toda vez que elas subirem ao palco ou entrarem num estúdio. Espero mesmo.
Texto escrito por Janny Laura, a melhor resenhista de forró do Brasil @JannyLaura