O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

Mostrando postagens com marcador Timpin. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luana Alves - Quem gosta de brega é ela!

Lembro como se fosse hoje. Estava em viagem a trabalho no Guarujá e enquanto esperava pela conclusão de um tarefa da equipe de campo, fui ao Google pesquisar sobre Júlio Nascimento. Foi assim que conheci o blog Quem gosta de brega sou eu. Adorei! Até o final do dia já tinha lido quase toda as postagens e adicionado a autora, uma tal de Luana Alves. Como o MSN era bloqueado na empresa onde estava prestando serviço, foi com enorme expectativa que na saída fui a uma lan house verificar se tinha sido adicionado por ela. Foi assim que tive meu primeiro contato com umas melhores blogueiras musicais do Brasil.

@Moondalua & @cabaretdotimpin, nos menores frascos, as melhores blogueira (e bregueiras)

De lá pra cá nossa amizado se firmou cada vez mais, através de uma intensa troca de idéias, músicas e piadinhas. Quando fui ao Recife em Fevereiro desse ano, a primeira coisa que fiz foi ligar pra ele e marcar um encontro ao vivo. Nos encontramos no Shopping Boa Vista e ela simplesmente ignorou minha frase dizendo que eu já havia morado no Recife por um período de dois anos e meio e saiu comigo, numa peregrinação turística pelos lugares que eu já estava careca de conhecer.

Ainda bem que a Arpoadeira de Lambaris (ela é baixinho e um dos meus hobbys é inventar novos adjetivos para descrevê-la é simpática, lindinha e boa de papo. Além de ter um conhecimento enciclopédido de brega e me atualizou das novas tendências e novos artistas que estavam despontando na cena. Fiquei completamente desnorteado ao saber que os moleques da periferia haviam inventado uma fusão de brega com funk e o pior! estavam tocando nas festas dos bacanas! Mc Sheldon, Mcs Cego & Metal, Boco da Mustardinha e assemelhados passaram a figurar desde então em meu Ipod com assídua frequência. É o Gangsta Brega, algo que só Recife é capaz de conceber.

Apesar de seu declínio de meus insistentes convites para sair comigo na noite (é, a Marceneira de Palito de Dentes é mais lisa do que bagre ensaboado e detectou minhas intensões chavequísticas) adorei o encontro. Luana é única no que faz. Ela tem um estilo todo pessoal em sua escrita. Ela transparece autenticidade em cada linha de cada post de seu blog. Quando as garras implacáveis do tédio se armam contra mim, é no Quem gosta de brega sou eu que encontro uma defesa inexpurgável.

No final de semana passado ele encontrou e fez uma mini-entrevista com Gaby Amarantos. Confio no instinto da Malaca do Jurunas e creio que ali nasceu uma amizade entre as duas que mesmo que Gaby estoure nacionalmente e vire uma diva de sucesso (o caminho quase inveitável é esse) pra sempre persistirá.

Abaixo o video da tal entrevista e nossa Alta Cafetinagem recomenda sem medo de errar, que os frequentadores de nosso Cabaret favorite o blog da Bandeirista de pista de Hot Wheels.

sábado, 29 de outubro de 2011

Cabaré do Timpin foi hackeado

Ontem nosso Cabaret foi hackeado. Não foi nada de grave, o estrago foi pequeno - se é que dá pra chamar o que ocorreu de estrago. Na verdade foi com se fosse uma espécie de aviso do tipo: estamos aqui, de olho no que você está fazendo. No caso um post em específico ficou impossível de ser viazualizado. Um segundo após a página carregar, imediatamente era redirecionado para a página de pesquisa do site 4Shared.


O post hackaedo foi "Eu te amo e Open Bar" de Michel Teló em versão Eletromelody da Gang do Eletro. Ele continha a notícia de que pela primeira vez na história da música brasileira, uma versão tecnobrega de uma música sertaneja havia sido lançada antes da original. Explico.

Michel Teló está preparando um DVD com músicas "de balada" e uma delas é chama-se "Eu te amo e open bar" e tem batidas eletrônicas. De sertanejo apenas a sanfona, de resto é dance music. Alguém da platéia filmou de seu celular e postou no Youtube. Dali para alguém no Pará pescar o peixe foi um pulinho. Daí nasceu a versão "Super Pop pra sempre vou te amar". Como o Google rapidamente indexou esse post, basta digitar "Eu te amo e open bar" e nosso post é um dos primeiros resultados.

O fato é: alguém viu e isso, não gostou e hackeou o nosso blog. Não sabemos se foi alguém da produção de Michel Teló ou algum fanático maluco pelo Polaco Miguézão. Se Michel Teló é inocente neste caso, seria interessante que ele se manifestasse. Em tempos de Twitter, isso até seria fácil se ele não tivesse a insensates de nos bloquear. Mas enfim, restabelecemos o post e agora tudo voltou a normalidade, como vocês podem conferir no link abaixo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Chimbinha, o Urologista

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Timpin Pop Festival

Os pessoal do grupo da Revista Bizz no Facebook me intimou a fazer a escalação dos artistas que tocariam numa hipotética versão do Rock in Rio, só com artistas da verdadeira música popular brasileira. Como sempre sonhei com um festival assim, fiz a lista com enorme prazer e compartilho aqui com vocês. Mas em troca, peço que me ajudem na caixa de comentários a criar um nome adequado. Numa dessas até apresento pro roberto Medina ou algum outro empresário visionário. De uma coisa tenho certeza, a parada seria revolucinária e teria repercussão mundial. Algo perfeito para ser feito no ano da Copa do Mundo. Que tal?


Primeiro dia: Axé for World > Palco Principal: Tomate, Netinho, Chicabana, Cheiro de Amor, Asa de Águia, Chiclete com Banana, Claudia Leite e Ivete Sangalo. > Palco secundário: Timbalada, Daniela Mercury, Carlinhos Brown.

Segundo dia: Amazônia for world > Palco Principal: Ravelly, AR-15, Bruno & Trio, Viviane Batidão, Banda Batidão, Gaby Amarantos, Gang do Eletro e Calypso. > Palco secundário: Felipe Cordeiro, Lia Sophia, Wanderley Andrade.

Terceiro Dia: Forró for World > Palco Principal: Mastruz com Leite, Magníficos, Limão com Mel, Calcinha Preta, Saia Rodada, Forró do Muído, Garota Safada e Aviões do Forró. > Palco Secundário: Geraldo Lins, Dominguinhos, Arreio de Ouro.

Quarto dia: Swingueira for World (esse dia eu não perderia por nada) > Palco Principal: Black Style, A Bronkka, Raghatoni, Saiddy Bamba, Guig Guetto, Parangolé, Edcity e Psirico. > Palco Secundário / Arrocha Celebration: Edu & Marial, Trio da Huana e Bonde do Maluco.

Quinto dia: Sampagode for world > Palco Principal: Rodriguinho, Pixote, Cupim na Mesa, Sorriso Maroto, Revelação, Inimigos da HP, Jeito Moleque e Exaltasamba. > Palco secundário: Diogo Nogueira, Turma do Pagode e Fundo de Quintal.

Sexto dia: Vanera for World > Palco Principal: Enzo & Rodrigo, Banda Vanera, Balanço do Tchê, Talagaço, Tchê Barbaridade, Garotos de Ouro e Tchê Garotos. > Palco secundário: Chiquito & Bordoneio, Ivonir Machado e "show de dança" com a Patrulha do Maxixe.

Sétimo dia: Baile for World > Palco Principal: Banda Passarela, Musical JM, Banda Real do Paraná, Musical São Francisco, Danúbio Azul, Flor da Serra e Terceira Dimensão.

Oitavo Dia: Lambadão Pantaneiro for World > Palco Principal: Lucianinhos dos Teclados, Banda Ellus, Os Three Boys, Os Federais, Grupo Chamegar, Os Ciganos, Erre Som e Banda Styllus.

Nono dia: Sertanejo for World> Palco Principal: João Carreiro & Capataz, Michel Teló, João Bosco & Vinicius, Fernando & Sorocaba, Jorge & Mateus, Luan Santana, Victor & Leo e Bruno & Marrone. > Palco secundário: Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zézé di Camargo & Luciano.

Décimo e último dia: Brazilian Salada Mix for World> Palco único: Reginaldo Rossi, Dj Maluco & Alladin, João do Morro, Capim Cubano, Mr. Catra Tayrone Cigano, Banda Kitara, MCs Cego & Metal (+ MC Sheldon), Stefhany, Pank Brega, Silvano Salles, 3 na Palomba, Bonde do Forró e Latino

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

TAKAFOGO NELE MESMO - O eletromelody que a Gang deve para este cabaret

William Love, cantor da Gang do Eletro

Piada interna que só o pessoal da Gang, Juca Culatra & Piranhas Negras, Calibrown, alguns adeptos da seita Coletivo Fora do Eixo e quem leu ESTE TEXTO, podem entender...

sábado, 27 de agosto de 2011

Cabaret Top Single Um


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reginaldo Rossi - Leviana

Sem mais...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Na Estrada com a Gang do Eletro

A Gang do Eletro ao vivo é sempre uma experiência. Chega até soar paradoxal que uma banda que faz um som eletrônico, sem instrumentos convencionais, destaque-se em suas apresentações ao vivo. Tudo por conta da batida orgânica de Waldo Squash e do forte carsima pessoal de cada um dos três vocalistas: Marcos Maderito, Keila Gentil e Willian Love. Já assisti quatro apresentações desses malucos, em quatro ambientes completamente diferentes e eles roubaram a cena todas as vezes.


Maderito Super Star


A primeira foi do bairro do Jurunas, na perriferia de Belém. A banda faria a abertura do show de Gaby Amarantos que seria filmado pelo diretor francês Vincent Moon, para posterior lançamento de um DVD na Europa. Na época eu só tinha um contato mais íntimo com Maderito e Waldo, ainda considerava Keila e William cantores da Eletrohits, banda gêmea da Gang e também produzida pelo Waldo. Quando vi o casal de baixinhos chegando na casa de Gaby, não botei muita fé, mas um detalhe me aguçou a curiosidade, um grupo de meninas entre sete e dez anos cercou Keila e todas fizeram questão de beijá-la e abraçá-la. Achei um treco bonito de ambas as partes.

Minha desconfiança logo se dissipou e em poucos minutos já estávamos todos tomando cerveja, conversando e cantando. Sim, cantando. Tanto Keila quanto William revelaram-se verdadeiros fãs de tecnomelody, sabiam as letras dos principais sucessos. Maderito estava sofrendo as dores de um misterioso reumatismo e permanecia sentado a maior parte do tempo, o que não o impediu de cantar a capela de um pout pourry de eletros para um grupo de - de novo elas - crianças na varanda da casa da Malaca do Jurunas.

Waldo eu já tinha conhecido na véspera, quando fui na sede da Green Vision me encontrar com a cineasta Priscila Brasil. A cena foi de cinema. Toquei a campainha da porta que tinha o número que o porteiro do prédio tinha me dado. No entanto a porta que se abriu foi lá no fundo do corredor. O cara que abriu olhou pra mim e perguntou: "Você é o Timpin?". Minha resposta foi: "E você é o Waldo Squash?" O Nascimento de uma Amizade, é o título dessa cena de cinema.

O palco montado no Jurunas era pequeno e baixo, perfeito para as dezenas de crianças que o cercaram para assistir a Gang do Eletro tocar. A empolgação da molecada foi tão grande que em determinado momento eles invadiram o palco e banda teve que parar tudo para garantir a segurança. Foi o primeiro sinal que percebi de que aquela banda estava fadada ao sucesso, as crianças não costumam se enganar em seus julgamentos musicais. Saí do Jurunas com a certeza de que o que eu tinha visto, ainda seria evocado pelos livros de história.


Crianças invadem o palco durante show da Gang do Eletro no Jurunas, em Belém


Passaram-se quatro meses até eu assisti-los de novo. O ambiente era o extremo oposto da palco improvisado no bairro pobre do Jurunas. Desta vez eles haviam sido escalados para participarem de um projeto ambicioso criado pela TV Cultura do Pará. Quinze artistas parenses, cobrindo todas as vertentes musicais do estado, apresentando-se no mesmo palco - no caso o Auditório do Ibirapuera, em São Paulo - , com direção artística de Carlos Eduardo Miranda e Cyz Zamorano. Considerados novatos, a eles foi concedido espaço para tocarem uma música. Escolheram um pout porry de eletro melodys, com ênfase na música "Galera da Lage".

Foi um pandemônio. Nem eu que já conhecia a banda estava preparado para o que vi. Se antes Maderito era o líder com um casal de coadjuvantes, agora os três tomavam o palco em condições de igualdade. O imenso palco do Ibirapuera ficou pequeno para os três. O público não sabia pra que lado olhava. William está cada vez mais se soltando, vencendo uma timidez que limitava suas performances e Keila... Bem, Keila cresce como estrela a olhos vistos, chamou pra si a liderança e com sua dança da robô e seu treme-treme sedimentou a Gang do Eletro como a grande surpresa da noite.

Isso sem contar com o reconhecimento ao trabalho de Waldo Squash, que subiu ao palco antes de sua banda, para emprestar suas batidas ao som das guitarradas e não saiu mais de lá. Waldo é um ícone da música do novo milênio. Com formação de mecânica industrial, é na atualidade a personalidade de maior referência da música paraense. Todos querem suas batidas, que no show do Ibirapuera cairam como uma luva tanto na guitarrada de Felipe Cordeiro, como no flash brega de Edilson Moreno ou o tecnomelody vanguardista de Gaby Amarantos. Waldo Squash é o cara!


Waldo Squash e Timpin instante após o primeiro encontro cinematográfico


Foram duas noites seguidas no Ibirapuera. A segunda foi ainda mais agitada, um grupo de pessoas levantou-se das cadeiras e foram dançar e pular na frente do palco. Até pessoas de idade avançada erguiam os braços para fazer a coreografia da "Galera da Lage". Assistindo aquilo eu relembrava as crianças invadindo o palco no Jurunas e enchergava mais um sinal. Me senti no Cavern Club assistindo os Beatles tocarem.

Após o festival, enquanto os outros artistas voltavam pra Belém, a Gang seguiu para a sede do coletivo Fora do Eixo, onde fariam uma apresentação no domingo e onde se hopedariam até tocarem no meio da semana no Studio SP, uma casa de show localizada no bairro da Liberdade. Eu já estava agregado a banda, quase como um quinto elemento. Na saída dos dois shows do Ibirapuera tinha dormido no sofá do quarto de hotel de Keila e William, após encher o rabo de cerveja no bart de um Paraíba que ficava na quadra ao lado. No Ibirapuera não tinha cerveja, já no Fora do Eixo tinha. E de graça. Óbvio que aquilo lá não teria a mínima chance de dar certo.

Quer dizer, até daria, porque a cerveja era servida em copos de plásticos pequenos e era trabalhoso ficar abastecendo toda hora, só que um litro de Ypioca cruzou o meu caminho. Alguem tinha conseguido a pinga para experimentar a mistura com uma iguaria exótica que o povo tinha trazido do Pará e deixou a garrafa justamente na mesinha em frente ao sofá onde eu estava sentado. Eu fiquei olhando pra garrafa, a garrafa olhando pra mim e por fim rolou um sentimento. Foi tudo muito rápido.

Eu estava vestindo uma camisa de botão e gola que o Willian tinha me emprestado e uma gravata que o pessoal tinha comprado de uns hippies que montaram feira por lá. Quando o show da Gang começou eu já estava visivelmente manguaçado, pulando feito uma perereca epilética. Na platéia não tinha mais do que vinte cabeças, mas diversas pseudo-celebridades do underground estavam lá. Músicos como Juca Culatra, MG Calibre, a própria Gaby Amarantos - que fez uma palhinha - e uns caras de uma banda de hard core de Campo Grande. Gregos, troianos, persas, chineses e pelotenses, a Gang mais uma vez provou que agrada a todos. E mais um vez exagerei na cachaça e fiquei miseravelmente bêbado. O parágrafo seguinte pra mim é literatura e os fatos foram reconstituídos baseados em relatos orais de populares que estavam por lá.


Na platéia, Timpin, a perereca epilética, ainda com a gravata que momentos depois tentaria assassiná-lo carbonizado


Consta que após o show eu subi de quatro as escadas que levavam ao segundo andar onde ficavam as acomodações e me joguei na primeira cama que vi. Mais tarde a dona da cama foi me acordar e armei o maior barraco, berrando que ali só tinha corno e baranga. Colocaram um colchão no chão e me depositaram lá, até a bebedeira passar. Instantes depois acordei agoniado com a gravata e posto que não conseguia desfazer o nó, tive a brilhante idéia de queimá-la com um isqueiro. Consegui tirar a gravata, mas acordei com queimaduras de terceiro grau em três dedos da mão direita e mais perdido que filho de puta em dia dos pais.

Claro que fui motivo de chacota nos dois dias seguintes que antecederam o derradeiro show no Studio SP, mas como diz a sabedoria popular: todo castigo pra corno é pouco. Para o show, Waldo tinha comprado uma filmadora e faríamos o primeiro registro de um show completo da Gang. O clima era de expectativa, afinal o Studio SP é frequentado magoritariamente por roqueiros indies, a banda poderia ser hostilizada. Mas não, os indies rebolaram, desceram até o chão toda a vez que os cantores solicitaram e se divertiram muito.

O que de comum observei nas quatro apresentações da Gang do Eletro é o ar de unanimidade e simpatia. Eles conquistam a simpatia de todos com sua humildade e sinceridade. Apesar de soarem como a grande novidade da musica pop brasileira e da pouca idade, eles tem larga experiência, começaram muito jovens e já ralam a mais de quatro anos, o que os torna mais blindado quando ao deslumbre do excesso de elogios e do eminente sucesso. Sem terem sequer um disco pronto, a Gang do Eletro, onde quer que se apresente, deixa em quem os assistiu aquela sensação de privilégio por ter visto um fenômeno ainda em seus primórdios. Esses moleques ainda vão fazer muio barulho...

Video nos Bastidores - Gang do Eletro, Juca Culatra e Timpin

sábado, 9 de julho de 2011

Cabaret Mega Sound - A Aparelhagem Desguiada do DJ Timpin

Cabaret Mega Sound - A Aparelhagem Desguiada do DJ Timpin << Clique pra baixar enquanto lê o post


Curiosidade da capa: depois de 6324325 baldes de gelada no Super Pop, Timpin faz um Z ao invés de um S. Comendo água, o intrépido blogueiro só consegue pronunciar: -Estoe no Zuper Pop, tá ligado muleke?


Foi embaçado, depois que decidi a preparar um CD com os melhores tecnomelodys lançados nos meses de junho e julho, teve momentos em que me arrependi, tamanha a quantidade de músicas a serem baixadas e escutadas. A produção dos caras é em ritmo industrial e a qualidade é impressionante. Mais de 150 músicas, mas como sou fã, foi uma trabalheira extremamente prazeirosa. O resultado foi uma mega seleção de 40 tecnomelodys que nosso cabaret oferece gratuitamente a seus frequentadores. Depois da maratona de downloads e audições, fizemos algumas observações.

A primeira delas é que os artistas que participaram do DVD Movimento Tecnomelody, que foi lançado pela Som Livre não estão vivendo um momento bom em suas carreiras. Os únicos presentes na seleção são Bruno & Trio - a notável exceção, o rapaz já emplacou 3 mega hits neste ano: "Anjo do Amor", "Super Herói" (com clipe no final desse post) e "A lua e as estrelas (presente nesta coletânea - e Xeiro Verde, que marcou presença, mas mesmo assim com uma versão de um forró. Banda Ravelly e Fruto Sensual são os grandes ausentes. Viviane Batidão está soando repetitiva e ainda por cima lançou uma música sofrível num dueto constrangedor com o DJ Betinho Isabelense. Claro, faltou a Gaby Amarantos, mas esta está com CD novo no prelo e a meses não lança singles.

A segunda observação é a influência que o DJ Waldo Squash exerce na cena atual. Desde que começou a inserir samples de sanfona nos singles de sua Gang do Eletro, todo mundo passou a correr atrás. As sanfonas imperam numa quantidade impressionante de músicas. Quando questionado sobre o assundo, Waldo brincou: "mas vai isso vai mudar, vou passar a inserir cavaquinhos". A Gang do Eletro e seu eletromelody vieram pra ficar, são duas as bandas do gênero em nossa seleção, Redlay e o novo projeto do prodígio Joe Benassi, a eletrizante Techno Machine.

Uns ares de flashbrega também podem ser obervados nas músicas da banda Capricho e na faixa de Ruan Morais. Algumas bandas se destacam por sua produtividade em alta, a saber: Açaí Pimenta, Tempero na Batida e Na Pegada. Os Brothers, ARK e M´Synk demonstram uma regularidade impressionante, faz tempo que se mantém com sucessos populares nas aparelhagens. Finalizamos nos lançamento com uma exceção à regra, a música "Esperança" que foi lançada no ano passado pela Eletrohit´s. Composição de Keila Gentil, que agora canta na Gang do Eletro e levou essa belíssima canção para o repertório de sua nova banda. O título é emblemático para encerrar a seleção, porque depois da sensação causada pela mini tounê da Gang em São Paulo no final de junho, Keilinha é a grande esperança da música paraense de presentear o Brasil com uma nova estrela.

Clipe Melody Super Herói - Bruno & Trio OFICIAL HD




Play list do CD Cabaret Mega Sound - A Aparelhagem Desguiada do DJ Timpin

1) Techno Machine - Pout Pourri de Quadrilhas
2) Tribo do Batidão - Absoluta
3) Açaí Pimenta - Sou maluca
4) Xeiro Verde - Loucas no Pop
5) Conexão.com - Super Pop 3 D
6) Dj Marquinho - (remix) A volta da lage
7) Anjos do Melody & Batidão do Melody - Feitos um pro outro
8) Banda 007 - Por você
9) Banda ARK - Desista
10) Banda AR-15 - Por esse amor
11) Açaí Pimenta - Império
12) Banda Batidão - Guerra de Amor
13) Batidão do Melody - Você não sabe amar
14) Capricho - Enganadora
15) DR7 - Amar além
16) Extremesse - Inventor dos amores
17) Gang do Batidão - Volta pra mim
18) M´Synk - Como um anjo
19) Mega Teen - Você vacilou
20) Na Pegada - Eu vou parar de beber
21) Na Pegada - Um beijo
22) Dj Malukinho - Eu te puxo e tu me lambe
23) Redlay - Musissom O Poderoso Cobra
24) New Project - Império, o som do planeta
25) Tempero na Batida - Odeio amar você
26) Tempero na Batida - Seu olhar
27) Tentação do Melody & Anjos do Melody - Eu preciso de você
28) Triba & ARK - Que bom que você chegou
29) Xarada - Que bom que você chegou
30) Bruno e-trio - A lua e as estrelas
31) Manos do Melody - Nada faz sentido sem você
32) New Project - Mega Príncipe
33) Os Brothers - Carol
34) Ruan Morais - Fim do nosso amor
35) Safadinhos do Melody - Eterno Namorado
36) Techno Machine - Astronomia Mega Príncipe
37) Viviane Batidão - Mega Príncipe
38) Paixão do Melody - Eletro Quadrilha do Guerreirão
39) Tropa do Melody - Branca de Neve
40) Eletrohit´s - Esperança

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Forrozão do Timpin - Sucessos do São João 2011 (Timpin CDs - O Moral das tapiocas)

É com muito orgulho que estreamos mais uma seção neste blog, os downloads. Para a inauguração selecionamos os maiores do sucessos de forró do São João de 2011. São 14 faixas que dão uma boa panorâmica nas bandas mais em evidência no momento. Na medida do possível procuramos selecionar as gravações originais, porque hoje em dia várias bandas tocas as mesmas músicas. Com vocês: Forrozão do Timpin - Sucessos do São João 2011 <<< Clique, baixe e quem estiver solteiro dança com a vassoura.



Play list do Forrozão do Timpin - Sucessos do São João 2011

1 - Eu te puxo e tu me lambe - Forró do Muído
2 - Balada - Estakazero
3 - Você, você quer? - Garota Safada
4 - Vai a pé - Forró Sacode
5 - Ai se eu te pego (assim você me mata) - Cangaia de Jegue
6 - Tente entender - Boca a Boca
7 - Menino Traquino - Amor Real
8 - Tatuagem no pensamento - Forró do Bom
9 - Parede de Vidro - Saia Rodada
10 - Se prepare pra sofrer - Cavaleiros do Forró
11 - Crau - Doce Veneno
12 - Sequência do pente - Solteirões do Forró
13 - Sexo - Forró Real
14 - Boate do avião - Aviões do Forró

terça-feira, 28 de junho de 2011

Caricatura da Galera da Lage

Caricatura da Galera da Lage


Da esquerda para a direita: Juca Culatra, Keila Gentil, Willian Love, Waldo Squash, Marcos Maderito, Timpin, Marcel Barreto e MG Calibre


Arte por Marcel Barreto

Barulho na terra alheia - Terruá para 2011

Matéria publicada originalmente no Diário do Pará no dia 28/06.2011

Do erudito ao popular, do clássico ao moderno, o Terruá Pará 2011 foi um sucesso sob todos os pontos de vista. Resgatou a velha guarda e consagrou a nova geração. Se o termo francês “terroir” tenta dar conta da produção endêmica de uma região, sua corruptela “terruá” para o nome do evento não poderia ser mais feliz. O que se escutou no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, nas noites de sexta-feira (24) e sábado (25), foi uma música que só se tornou possível dadas as peculiaridades do Pará, que une floresta e pós-modernidade.

Logo na abertura, após a introdução de raiz do grupo de carimbó Uirapuru, a sofisticação de Sebastião Tapajós, um dos melhores violonistas da atualidade, acompanhado pelo conjunto de percussão Trio Manari. O arranjo ficou pungente e da plateia não se ouvia nem a respiração, tamanha a atenção prestada a cada nota. Ao final de “Prelúdio ao Entardecer”, Sebastião chamou as meninas do Charme de Choro. Com seus vestidos coloridos e esbanjando beleza, as seis beldades - chamadas de rosas pelo galanteador Sebastião -, fizeram uma apresentação que foi um encanto só.

Na sequência, Dona Onete foi conduzida por um roadie ao palco. Mas quem esperou fragilidade sob o peso da idade deu com os burros n’água. A rainha do carimbó chamegoso esbanjou energia com sua voz poderosíssima e seus floreios jazzistas. Carismática, arrancou risos da galera em diversos momentos e encerrou sua apresentação com uma interpretação arrasa-quarteirão de “Jamburana”. Foi aplaudida de pé e deixou um gostinho que quero mais.


Dona Onete, arrasando


A batata quente de se apresentar depois de Dona Onete caiu nas mãos do guitarrista Pio Lobato. Ousado, começou com um solo subaquático cheio de efeitos que evolui para a emulação de uma banda de carimbó, tirando efeitos de sua guitarra que simulavam um grupo percussivo. Era sua genial “Psicocúmbia”. Um entreato perfeito para entrada de Paulo André Barata, que reverenciou seu pai Ruy Barata. Seguro de si e totalmente à vontade, Paulo André puxou o primeiro coro da plateia na noite, com o sucesso “Foi Assim”.

Uma das maiores promessas da atual música paraense, Lia Sophia compõe, arranja, toca, canta, dança e se veste bem. Não tinha como não dar certo. Estava linda e exuberante no palco. Cantou “Ai Menina” e “Amor de promoção”, composições suas que têm uma cara de classicões e grudam no ouvido logo na primeira metade, sendo cantaroladas por todos na segunda. Impecável.

Foi ela quem chamou ao palco a lenda viva da guitarrada, o mestre Solano, que assim como Dona Onete, contrariou a idade avançada com seu dedilhado poderoso. Foram três músicas que culminaram com o clássico “Americana”, em que a plateia se encarregou dos backings vocais.

Outra grande promessa da música paraense, Felipe Cordeiro começou seu set unindo três gerações da guitarrada, tocando com seu pai Manoel Cordeiro e com Solano. Na sequência, duas músicas suas que estarão na sua aguardada estreia em disco. “Legal e ilegal”, uma espécie de música de protesto, é sensacional. Com Felipe Cordeiro começaram os ares de novidade, com Luê Soares e com a grata surpresa dos meninos da Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, que encantaram a plateia com sua postura rock’n’roll. Foram muito aplaudidos.

Mas a novidade mesmo foi a participação de Waldo Squash com Felipe Cordeiro. Assim que soou a primeira batida eletrônica, ouviu-se um sonoro woooou! na plateia. Assim começou o clima de pista de dança que foi a introdução perfeita para eles, os visionários, os revolucionários, os malucos da Gang do Eletro. Foi uma hecatombe, o público saltou das cadeiras e uma rave foi formada na frente do palco. A Gang vive um momento mágico em sua carreira. Sem a menor sombra de dúvidas, foram a grande sensação da noite. Foram aplaudidos de pé com pedidos de bis.


Edilson Moreno, o mestre do brega pop


Cantar depois deles seria um tarefa ingrata, não fosse a segurança com que Edilson Moreno, o mestre do brega pop, que chegou chegando puxando o coro com seu sucesso “Stop”, dando continuidade ao baile promovido pela Gang e preparando o terreno para a diva Gaby Amarantos, que apresentou a todos três músicas daquele que é o disco mais esperado do ano, com direção musical de Carlos Eduardo Miranda, Berna e Ceppas.

No final, todos no palco cantando clássicos do carimbó “Sinhá Pureza”, “Macaco” e “Dona Maria”. O Ibirapuera inteiro cantando, dançando e fazendo uso das poltronas como instrumento percussivo. A chave de ouro foi a canja do grupo Uirapuru na frente do auditório. O saldo final foi extremamente positivo. O futuro lançamento do DVD com a gravação do show poderá finalmente fazer o Brasil conhecer a música do Estado de maior diversidade do país. A música paraense, enquanto movimento, precisava de um evento assim.

Link para o original

domingo, 5 de junho de 2011

Esclarecimento

Na madrugada de sexta para sábado, três homens armados invadiram minha casa e roubaran meu computador. Se as postagens no Cabaret passarem a ser menos frequentes, este é o motivo. Obrigado.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Homem do Forró - entrevista com Isaias Cds

Esta entrevista foi publicada no jornal O Povo no último dia 23 deste mês. Pela primeira vez ele é questionado sobre as denuncias feitas por este Cabaret. Admito que admiro a história dele, suas idéias revolucionárias e etc. Pode parecer contraditório, mas pago pau pro Isaias CDs sim, apesar das cagadas que ele faz. Confiram



O homem do forró

De Santa Quitéria ao mundo, Isaías CDs montou seu império. Dono do grupo Aviões do Forró e outras cinco bandas do gênero, ele transforma alegria em muito dinheiro


A história de Antônio Isaías Paiva Duarte, 36, o Isaías CDs, dá um filme que ele gosta de narrar em detalhes. Começa na fazenda em Santa Quitéria, onde vivia com os pais e dez irmãos na condição de moradores. “A gente cuidava dos animais e vivia do que produzia. Mas algo dizia dentro de mim que não tinha nascido pra trabalhar na roça”, conta. Depois de uma briga com o pai, que na lembrança de Isaías tinha a ver com isso, ele correu para a estrada, pegou carona num caminhão e começou sua aventura aos 11 anos de idade.



Chegou na Praça Coração de Jesus, no Centro de Fortaleza. “Vendia pastel. Conheci uma senhora que me deu esse emprego. Na época existia a (boate) Paraíso. Trabalhava à noite e de dia dormia dentro do carro, uma Veraneio que ela tinha. Não saí da Coração de Jesus pra nada durante esses dois anos”. Aos 14, Isaías foi morar na Aerolândia com um irmão, passou um tempo vivendo de bicos, até que se deu por vencido e voltou pro Interior. Foi ser vaqueiro numa fazenda perto de Canindé.


Não durou muito, se inquietou de novo e voltou para Fortaleza. “Aí, olha o destino: conheci a sobrinha de Rita de Cássia (compositora de forró, autora de Meu vaqueiro, meu peão, primeiro sucesso da banda Mastruz com Leite)”, refaz Isaías, para quem “nem uma folha cai da árvore sem a previsão de Deus”. Foi ela que lhe apresentou Emanuel Gurgel, dono da SomZoom, a produtora que deu início ao mercado do forró eletrônico. O jovem Isaías, fã de festa, vaquejada, Mastruz com Leite, Beto Barbosa e Kátia Di Tróia, aproveitou a chance.


Seguidor

“A SomZoom já era estourada! Tinha 11 bandas”, lembra Isaías. Primeiro, ele cuidou da granja de Emanuel Gurgel. Depois, insistiu até entrar como zelador na SomZoom. Um dia, a mulher do cafezinho faltou e ele passou um ano e meio fazendo café para Emanuel. “Sempre que ele tava ouvindo um CD, me pedia uma opinião e sempre que eu dava uma opinião, a coisa acontecia. Fiz muitos eventos com ele, comecei a vender discos lá e fui pegando gosto pela coisa”.


Hoje Isaías CDs é que é o homem forte do forró. Tem seis bandas, começando pela maior do Brasil hoje, o Aviões do Forró, e mais meia dúzia de casas de show em Fortaleza. De lá até aqui, tem muita trama e causo no enredo do filme. Isaías mudou o mercado, distribuindo CDs de graça quando ninguém fazia isso. Quebrou quando a sua primeira sociedade numa banda de forró, a Gaviões do Forró, se desfez depois de ele sentir o gostinho do sucesso. “Não tinha nada assinado, fiquei mal mesmo”.


Foi tentar de novo. Se juntou a Carlos Aristides para montar a Aviões do Forró e deu o pulo do gato. “Via que as bandas eram meio bregas, as dançarinas nuas nos palcos. Não era legal. Tinha que fazer uma banda diferente que se vestisse bonito, então terminei de investir tudo o que tinha”. Figura polêmica no mercado, com fama de destemperado, Isaías se defende: “O que Deus me deu de coisa boa, me deu de inveja”.


O POVO - Seu objetivo era ser dono de uma banda de forró de sucesso. Você imaginava que o Aviões do Forró fosse tão longe?

Isaias CDs - Imaginava ficar no meio das dez melhores bandas. Graças a Deus, hoje é a número um. Tenho seis bandas. Sou um cara que sei ler, não sei escrever muito bem e me considero bom de matemática. Só tem uma coisa que tenho vontade ainda, passar numa sala de aula. Nunca entrei num colégio. Aprendi no mundo. Passava o dia soletrando as coisas e fui aprendendo. Aprendi tudo de gerência dentro da SomZoom (a primeira empresa produtora de bandas de forró que lançou, entre outras, Mastruz com Leite). Quando o Aviões começou a crescer, a concorrência aumentou muito. As pessoas que me ajudavam, passaram a querer me travar. Em Fortaleza, existia uma barreira, quem tinha que ganhar dinheiro era dono de casa (de show), não banda. Fui tocar no Siqueira por R$ 350 e gastei R$ 2.300. Quando inventei de bancar um show no Cantinho do Céu, ganhei R$ 48 mil.

OP - E aí resolveu montar suas próprias casas de show?

Isaias - Não, fui tocar pra essas mesmas pessoas, botei o pé na parede e disse que não tocaria mais por cachê. Queria bilheteria também. Foi uma briga, rompi com o Assis Monteiro (outro todo poderoso do mercado do forró). Ele não aceitou, mas outros aceitaram. Ficou 50% da bilheteria pra mim, 50% pra quem faz a festa. Hoje o mercado funciona assim.

OP - Mas hoje você só toca nas suas próprias casas, não é?

Isaias - Toco pra todo mundo, contanto que não venha concorrer comigo. Tenho uma sociedade no Forró do Sítio, sou dono do Cantinho do Céu, onde tudo começou, e tenho uma parceria no Kangalha, Forró do Boi e Engarrafamento. Investi na roupagem da casa, na grade. Boto as bandas lá e tenho participação na bilheteria. Todas as casas querem meus produtos.

OP - Essa estrutura onde a A3 está é onde funcionava a SomZoom?

Isaias - A gente ficava numa casa ali do lado. Quando o Emanuel fechou isso aqui, sempre que passava em frente tinha vontade de comprar. Meu sócio dizia que era um elefante branco. Tinha trabalhado sete anos aqui, era uma energia muito forte comigo. Era zelador, limpava todo esse chão. Um dia encontrei com a mulher do Mução, isso era dele. Ela me disse que tinha se separado e ganho esse miolo, onde ficam os estúdios. Entramos aqui e quando ligamos, pegou tudo. Comprei. Meu sócio não quis nem conversa.


OP - Como você se sente quando entra aqui e lembra disso?

Isaias - A ficha não caiu, nem quero que caia. Tenho um bocado de besteira, graças a Deus, mas não tomo isso como se fosse dono, é como se cuidasse pra alguém, como um gerente. Montei isso na cabeça. Não me apego a nada material. Gosto de ajudar. Ajudo 17 creches. Naquela tragédia que teve no Rio de Janeiro, eu e meu sócio conseguimos mais de 12 toneladas de alimento.



OP - Como é sua rotina?

Isaias - A minha vida é meio desmantelada. Meus filhos viraram rapaz, um tem 17, outro 12. Moram comigo. Deixei bem claro pra eles que naquele momento não podia fazer o papel de pai, sair pra passear, passar o fim de semana junto. Temos um pouco de tempo em casa, mas se você me perguntar quando é que fui no cinema com meus filhos, pra uma praia, não sei. A semana toda saio daqui à noite, se chegar 4 da manhã em casa, às 9 ‘tô’ no escritório.


OP - Até hoje gosta das festas? Com tanto poder no mercado, o assédio é muito grande?

Isaias - Gosto de fazer o que faço. O mundo é assim, as pessoas dizem que o dinheiro é 100%. É 100% pras coisas ruins. Pra atrair o amigo falso, a inveja, alguém te perseguir a vida toda. Muitas pessoas não se sentem bem em ver você crescer. É difícil chegar um e dizer “fulano de tal está tão bem”. Mas que fulano está lascado, toda hora a gente escuta. É um mercado muito bom, mas a concorrência é muito cerrada. A galera é sempre querendo atropelar. Mas acho que as pessoas novas no meio, aos poucos vão se distanciando disso. Acho que o forró não chegou ainda a 50% do que vai chegar.

OP - Vai até onde?

Isaias - Vai dominar tudo. Em Salvador, toda banda de axé toca uma música de forró. Em Miami, as boates tocam forró. Na hora que a televisão passar a dar o gás que dá em pagode no forró, ninguém segura.

OP - E você acha que tem participação nisso?

Isaias - O Aviões hoje é a banda responsável. O Mastruz com Leite foi um grande sucesso, Calcinha Preta, Magníficos, Limão com Mel, mas nenhuma conseguiu o que o Aviões conseguiu: dar valor ao forró. Vou tocar com o Chiclete, meu cachê é igual ao deles. Só perco pro Roberto Carlos. Hoje temos uma música na novela das sete. Por coincidência, é o tema do prefeito Isaías (risos).

OP - A distribuição gratuita de CDs é muito comum no mercado da música popular. Você foi pioneiro nessa estratégia?

Isaias - Quando vi a pirataria crescendo, vi que não se vendia mais disco. Pensei: ‘Vou é dar!’. É uma moeda que vai e volta. Dou o CD e volta na bilheteria. Todos os donos de loja – Tok Discos tinha 12 lojas, Aki Discos tinha 13 – me procuraram perguntando se eu tava maluco. Diziam que ia acabar com as lojas. Mas quem ia acabar, e acabou, era a pirataria. Quando criei dar porcentagem pro cantor pra ele passar a ser dono de banda também, todo mundo me odiou de novo. O Alexandre e a Solange, por exemplo, tem 10% do Aviões. Nas minhas bandas, todo mundo é sócio. Se isso viesse acontecendo desde o início, o Mastruz estava com a frente dele até hoje. O problema é que os donos da banda não davam o valor que o cantor merece.

OP - Ainda hoje vocês distribuem?

Isaias - Estou pensando em outra situação, porque todo mundo está fazendo a mesma coisa. Tem muito CD com qualidade ruim. Por isso, acho que o forró não avançou mais. Se todo mundo se preocupasse com a qualidade que me preocupo... O DVD do Aviões saiu pela Som Livre. Começamos como terceiro DVD mais vendido e chegamos no primeiro. Vamos lançar CD e DVD também do Muído pela Som Livre.

OP - Vocês procuraram isso?

Isaias - Não, fomos procurados. Estamos na novela das sete e vamos estar na das oito também, tudo ao comando de Deus. Nunca insisti em botar o Aviões na televisão e nem gosto muito porque a televisão é boa você indo uma, duas vezes no ano. Desgasta muito. O Calypso fez tanta televisão que o povo não vai mais pro show.


OP - Vocês gravam em média cinco CDs promocionais pra cada banda por ano. De onde sai tanta música? E a questão dos direitos autorais?

Isaias - A maioria são músicas boas que estão no momento. A galera hoje não respeita. A gente pega uma música boa, todo mundo toca. A maioria chega até ao desrespeito de tocar em televisão, rádio, não só no repertório de show. É uma bagunça muito grande. Onde vai parar, não sei.

OP - Você já se envolveu em algumas polêmicas por isso. Minha Mulher Não Deixa Não e Água que passarinho não bebe foram gravadas por vocês e pela Garota Safada e deu problema.

Isaias - Acontece muito por causa do compositor. Ele vende pra mim, depois pra Garota Safada. Termina em polêmica. Minha Mulher Não Deixa Não, o compositor veio aqui e pediu até pra gravar um clipe pra ‘ajudar ele’. Só que não sabia que ele tinha feito com a Garota Safada também.


OP - Você já ouviu a acusação de que a A3 tem olheiros por aí “roubando” músicas que fazem sucesso no Interior. O que tem de verdade nessa história?

Isaias - A gente está ligado em tudo porque a gente está na rua. Antes os donos de banda não saíam do escritório. Existia um grupinho de compositores: Rita de Cássia, Luiz Fidélis e mais dois, três. Depois que a gente veio, abriu a porta pra todos os compositores. Não é olheiro. Todo compositor quer botar música na Aviões ou na Garota, que também está bem no mercado.

OP - Mas então você conhece essas histórias, as acusações feitas pelo blog Cabaré do Timpin, por exemplo? (em carta aberta no blog, Isaías é acusado, entre outras coisas, de “humilhar” o segurança de uma casa de shows em Patos-PB, e de ter espancado um segurança que impediu sua acompanhante de entrar de graça num evento).

Isaias - Esse acaba comigo na Internet e fica p... porque não respondo nada. Quando vim do Interior pra cá, caí no meio de uma sociedade e terminei tomando espaço. Queira ou não queira, trabalhei com o Franzé (D’Aurora), Assis Monteiro, Possidônio, com Emanuel Gurgel. Chegar num momento em que a A3 está como está, eu à frente de um produto nacional, as pessoas não aceitam muito. Não sou um cara de beber muito, mas bebo. Sou solteiro, geralmente nas minhas mesas tem muitas amigas mulheres e tem muita briga que não tem nada a ver comigo.

OP - Você ficou muito rico?

Isaias - Vivo bem. Como tenho muitos amigos, já viajei no helicóptero do Marrone, aí dizem logo que é meu. A vodka Slova patrocina minha banda e eles fazem questão que eu passe o mês junino no jatinho deles. Às vezes estou aqui, o Aviões vai tocar em Mossoró, chegam seis amigos querendo ir, é longe, eles alugam um jatinho e vou junto. Aí a galera acha que o jato é meu. E a Receita Federal atrás de mim direto (risos).


OP - Quem passou por dificuldades, deve investir de forma a não passar por aperto de novo?
Isaias - Me preocupo com o futuro, lógico! Sou a estrutura da minha família. Antes de comprar uma casa pra mim, comprei uma pra cada irmão, pra minha mãe, pra minha ex-mulher, pra todos eles. Eu me viraria sozinho, mas meus irmãos não. Eles não aprenderam a ler, nem escrever. Gosto de investir em coisas futuras, em terreno, aluguel porque é uma coisa pra aposentadoria. Banda não é pra vida toda. Sou muito feliz com o que tenho, não peço mais nada a Deus.


OP - Uma última pergunta. Você soube da polêmica com Chico César, secretário de cultura da Paraíba, que disse que não ia contratar banda de ‘forró de plástico’ no São João de seu Estado?

Isaias - Ele foi infeliz, mas acho que vai voltar atrás. A assessoria dele já me procurou, mas não tenho data. Vamos tocar em Caruaru. O prefeito de lá também mordeu a língua ano passado. Disse que não botaria banda como Aviões, mas me ligou no final do São João pedindo Muído e Aviões. Eu disse: senhor, ressuscite Luiz Gonzaga e bote pra tocar. Nesse ano mudou tudo porque o do ano passado não deu ninguém, foi o maior desastre.

Fonte: O Povo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Wagner Pekois, o novo grupo Tradição e o Troféu Timpin de Topeira do Ano

Já fazia meses que estava tentando conversar longamente com Wagner Pekois, guitarrista do Tradição, sobre os desafios que a banda enfrenta depois que Michel Teló saiu fora, deflagrando uma série de baixas que levou a deixá-lo como único membro da formação original. No último dia 26 eles estariam em Curitiba para se apresentarem no Vitória Villa. Era a oportunidade de ouro. Liguei pro cara, combinamos a entrevista, dei meu telefone e pedi pra que ele me ligasse no dia, dizer onde estava e acertarmos os detalhes.

Quando dei a notícia pros meus filhos eles ficaram mais feliz que filhote de ganso em taipa de açude. Nos últimos dias o Arhur - oito anos e skatista iniciante - já fazia contagem regressiva, falta três dias, falta dois, é amanhã pai! Alice - quatro anos e mala sem alça sênior - consumiu as últimas reservas de paciência da familha cantando a música "Te dou o céu" pra repassar a letra e não fazer feio no dueto que pretendia fazer com o novo vocalista Guilherme Bertoldo.

Até a Mylena, que tem 12 anos e como chegou a pouco tempo do nordeste ainda não teve tempo de ser contaminada pela febre de fanatismo que a galera tem lá em casa pelo Tradição, se empolgou para ir junto.

Chega o bem-dito dia e tô eu lá no Orkut, na hora de meio-dia, o Pekois me encontra on line e em vez de me ligar, o viado resolve combinar tudo por ali mesmo. Sabe como é, o cara quando quer dar uma de bem bom e posar de bem relacionado pros colegas de trabalho, acaba comprando corda para o próprio enforcamento. Falei pra todo mundo:

- Ó vou me encontrar com os caras do Tradição nesse tal de Hotel Bristol hoje de noite!
- Porra, esse hotel aí chique pra cacete, deve ser até seis estrelas, fica ali no lado da Rua 24 Horas.
- Então fechou a polenta, vou filar uma meia dúzia de chopes e um jantar filé num restaurante do meu nível às custas do Tradição.

Daí só fiquei falando merda com o Pekois até que o dono do PC chegasse e me chutasse da cadeira. Liguei pra casa, dei a notícia pro povo e combinamos de nos encontrar as 18:45 no terminal tubo da Estação Central, no alto do Calçadão da XV.Quando o biarticulado encostou e galera desceu, vi que até a Dafne, filha da vizinha, integrou o combo.

- Caralho! Os caras vão pensar que eu trampo numa creche comunitária.

Aí pensei - ah, não dá nada, os caras são gente boa - e começemos a descer o calçadão em direção à 24 Horas. Não tinha anotado o número, mas lembrava que o hotel ficava na rua XV de novembro número mil e lá vai cacetada, então era só ir em frente até encontrar a placa Hotel Bristol. Atravessamos todo o calçadão, atravessamos a Praça Osório, passamos pela rua que ia dar na 24 Horas, andamos mais quatro quadras e nada do lazarento do Hotel. O pessoal já estava começando a ficar impaciente, principalmente minha esposa, sempre respectiva aos mínimos motivos para me encher o saco.

- Pede informação ué, pergunta praquele taxista ali.

O taxista não sabia me informar com precisão onde ficava o hotel. Perguntou se eu não sabia a rua e o número. Disse que só sabia a rua. XV de novembro.

- Ah meu filho, então você está procurando no lugar errado, a rua XV de novembro fica lá pra trás.
- Mas essa aqui não é a XV de novembro?
- Não, essa daqui é a Comendador Araújo.
- Quer dizer que a rua muda de nome depois que passa pela praça
- Sim!
- Mas, mas...tenho certeza que a rua era XV de novembro, numero e alguma coisa...
- Então esse hotel fica no Alto da XV, bem longe - e ficou me olhando como quem diz, opa! ganhei uma corrida, sem imaginar que eu estava liso.

Minha mulher ouviu a conversa toda e ficou me olhando como se eu fosse um inseto. Liguei pro Pekois, fora de área. Liguei pro novo baixista Lelê, desligado. Mas péraí, o cara da firma que tinha me dado a dica da localização era o Saul o mestre da logística que é capaz de achar o Hotel Pindaíba em Bodocó só pelo cheiro, liguei pra ele. Me falou que na verdade o hotel ficava na Visconde de Nacar. Nervoso, peguei todo mundo pelo braço e voltamos as quatro quadras e no local indicado, não achei nenhum Bristol, somente um De Ville. Liguei de novo pro Saul e ele me respondeu que então tinha se confundido com os nomes. E desligou. E eu descobri na prática a diferença entre as palavras logística e etimologia. Era bom com orientação e ruim como nomes, sacou mané?

Estagiários de psicologia sabem que quando o desepero se instaura em uma criatura, o primeiro traste inútil que ela se livra pra não afundar é a racionalidade. Fui perguntando pra cada um que encontrava na rua onde ficava o hotel, recolhendo informações confusas e contraditórias e andando, andando muito. Quando passamos pela terceira vez pela mesma esquina o otimista Arthur falou, entre divertido e apreensivo.

- Papai, parece que estamos perdidos numa floresta, andando em círculos.

E minha ficha e minha casa caíram. A noite estava fadada a passada no sofá. O que restou para tentar me redimir com os moleques foi levá-los para praticar contravenção autorizada, brincarem de patinação no sitio arqueológico da Praça Tiradentes. Lá tem umas ruinas em exposição protegidas por uma chapa de vidro. As acrianças adoram brincar em cima daquilo e de dia sempre tem um guardinha que proibe. De noite não.

Claro, ainda fiquei tentando ligar no celular do Pekois e toda hora conferindo se ELE por ventura não me ligaria notando meu atraso. O puto não ligou. Eu só não me injuriei e dei um Control Del em toda a discografia do Tradição quando cheguei em casa, porque assistimos a apresentação natalina das crianças cantantes e dançantes do Palácio Avenida. Foi emocionante e ora xongas, vamos admitir, a noite até que terminou legal.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sertanejo Pop

Pessoal, meu post de hoje foi uma contribuição para o site Blognejo, um dos melhores sites de música sertaneja da Internet brasileira. Confiram clicando aqui.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tecnomelody: Arte ou Crime Ambiental? - Debate entre Timpin e Rejane Bastos

Segue aqui o debate em torno do Tecnomelody do Pará. Legítima manifestação cultural e artística ou pretexto para a baderna e ultrapassagem dos limites do bom senso. Desta vez a palavra é da advogada Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio.



Para quem quiser acompanhar a discussão desde o começo, aqui está a parte um, a parte dois e a parte três. Esta é a quarta.

Com a palavra, Rejane Bastos.

Olá Timpas,

Acabo de inventar o instituto jurídico "quatréplica" para dar seguimento ao debate.

Agora sim, sem alfinetadas desnecessárias, vamos para o salutar campo dos argumentos.

Comecemos pela discussão sobre classes. Estas existem desde que o mundo é mundo, é fato inconteste, e até hoje não se pode afirmar com precisão o porque desse fenômeno. Até no mais puro comunismo existiam classes: A Dominante ( com subdivisões hierárquicas dentro dela) e o proletariado. Portanto, assumir que se pertença a uma classe com poder aquisitivo maior não é nenhuma novidade reveladora, isto é evidente. Agora, daí a decretar que a classe quer mandar e desmandar no que é bom ou não em termos culturais, assim como, rotular as "elites" dentro de uma visão discriminatória colocando a todos no mesmo balaio de esteriótipos vai uma distância muito grande, Ate porque, como eu já disse, existe uma infinidade de pessoas ricas que gostam de brega, assim como, uma infinidade de pobres que detestam.

Deixei claro também, que a opinião não era da Presidente dos Amigos do Silêncio, para não misturar as estaçõs, a instituição não atribui classe , ritmo, cor, raça ou credo ao barulho.A opinião sobre o ritmo é da pessoa física Rejane que nunca teve receio de irritar confrarias, adeptos ou simples induzidos pela mídia do que quer que seja com sua opinião. Quase me bateram certa vez quando eu disse que não gostava de João Gilberto, considerado gênio, afinal, não consigo nem ouvir o que ele canta! Que genialidade é esta? Não gosto e pronto. Critiquei certas melodias ridículas da Bossa Nova e fui considerada herege. Mas insisto: "O pato, vinha cantando alegremente..qué...qué...", só com muito álcool para achar isso o máximo.

Tive a ousadia de dizer que "Cats", o musical sensação da época não era lá essas coisas, me olhavam com espanto e desprezo. E assim sigo, não me rendendo aos que querem impor algo como sendo bom, e neste diapasão, o tcnomelody na minha opinião não passa de um ritmo voltado exclusivamente para venda, enjoativo ,com letras vulgares e sem a menor arte. Aliás, tem pré requisitos suficientes realmente para estourar no Brasil e no mundo, quem disse que europeus e americanos não gostam de coisa ruim? Quanto ao resto do Brasil isto ainda é mais fácil, no país do Axé, do Tchan, do Funk, do´"só no sapatinho" ," baba baby", entre tantos outras lástimas da mídia, qualquer coisa tem chance, é questão, repito, de uma Marlene Matos na administração.

Na Europa lhe digo que as chances são grandes, nos EUA as coisas complicam, são mais seletivos e preconceituosos, entretanto, a coisa é assim, ele gostam de curtir a bagunça no quintal dos outros. Vem aqui, fazem farra de todo tipo e voltam para seus países quietinhos e santos mantendo as leis e a normalidade. Quem se atrever a alucinar e colocar som alto em casa ou bares abertos, recebe em cinco minutos a visita da polícia. Certa vez em Daytona Beach, conhecida figura paraense pensou que estava em Salinas e ligou o som do carro, em minutos os robocops que patrulham a praia avisaram, ou desliga ou vai preso e fica sem o carro, simples assim.

A diferença é esta, Europa e EUA chegaram à excelência do cumprimento às normas e respeito ao próximo. Existem atividades para todos os tipos e gostos, entretanto, a regra basilar é não incomodar. Tem boates na Espanha que começam às 6:00 da manhã, porém, na rua não se ouve um ruído sequer e nada de gente na porta ou carro com som alto - ou entra ou sai - e lá dentro é só piração com direito a palco móvel. O sujeito alucina sem incomodar ninguém.

Voltando ao barulho em Belém, é inegável que sempre foi uma capital festeira, porém, não era barulhenta. Esse fenômeno foi recente e começou, justamente, com a onda das aparelhagens. O som era moderado e não incomodava tanto. Eu mesma sou testemunha da evolução do barulho. Morava no último andar de um edifício e na rua ao lado havia um barzinho que nem teto tinha. Ali o dono ligava um "três em um" e a turma se divertia muito. Com o som controlado ninguém precisava gritar para falar e o bar não incomodava ninguém, para se ouvir qualquer coisa tinha que ficar na janela, entrou em casa acabou. O sujeito começou a faturar um pouco , comprou um equipamento mais caro e colocou um teto de sapê, ainda assim, mantinha os decibéis e a frequência aumentava. O tempo passa, eu grávida da minha segunda filha vejo chegar umas caixas de som, mas, não imaginei o que vinha pela frente. Fui ter a criança e na primeira noite do bebê em casa aquele som de estremecer todas as janelas anuncia a desgraça: " Mestreeeeee soooommmmm". Daí para frente foi um inferno. Um dj ensandecido não parava de berrar madrugada à dentro e o ritmo - brega. O volume das vozes aumentou na mesma proporção e o local se tornou a filial do inferno para a vizinhança com direito até a tiros e muita brigalhada.

De fato, existem dois focos de discussão: A qualidade do brega como ritmo e a poluição sonora. Fato é que - inexoravelmente - estas estradas se encontram. O que toca nas festas de aparelhagem? O que toca nestes carros/boates que circulam criminosamente acordando todo mundo de madrugada? O que toca naquele vizinho que insiste em obrigar a toda vizinhança a ouvir o som dele? O que toca nas orlas? Garanto que não é rock, bossa nova, tecno, carimbó etc... é o brega, e às vezes ,um goiano perdido com o sertanejo. Por esta razão o brega chama a atenção para si e causa toda essa celeuma. Se não estivesse ligado umbilicalmente com milhares de reclamações que enchem o CIOP, a DPA e a DEMA de denúncias, talvez nem estivéssemos aqui falando dele. Ocorre que é um ritmo tocado nas alturas que incomoda horrores e que corre o risco de ser tombado como patrimônio, isto sim assusta e provoca a polêmica, pois, daí para termos um carro de som em cada esquina é um passo.

Se hoje o cidadão para conseguir a tutela do Estado quando está sendo vítima de poluição sonora já é uma dificuldade, imagina com o tombamento. A polícia quando chamada - se aparecer - vai dizer: " Mas o senhor está reclamando contra um patrimônio histórico tombado, que absurdo!". Vamos correr o risco de responder ação penal sob a capitulação da Lei 9605/98 se quebrarmos o cd da periquita. Imagina o som ambiente de uma cerimônia oficial de Estado: " vou te comer...vou te comer...vou te comer...

Olha Timpas, vamos falar sério, quem quiser faturar horrores com o ritmo que fature, nada contra, Nós já sobrevivemos à "boquinha da garrafa" , " só as cachorras", "créu" e tantas outras bizarrices. Só nos façam um favor, mantenham dentro dos limites das normas federais determinadas pelo CONAMA aquela vozinha prá lá de chata das interpretes do gênero feminino do brega, é só isso que pedimos, de resto, não existe uma guerra em prol da estigmatização de um ritmo, só uma chamada à realidade e ao bom senso, afinal, só aqui inventaram essa graça de se atribuir status de tombamento a um ritmo musical - me perdoe a franqueza - de gosto para lá de duvidoso como tantos outros que já surgiram.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Debate entre Timpin e Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio

Segue aqui minha tréplica, no debate com a Advogada Rejane Bastos. Para quem está pegando o bonde andando, tudo começou com um texto publicado na minha coluna jornal O Liberal, do estado do Pará, que pode ser lida clicando aqui. O blog publicou a réplica da advogada, que pode ser lida aqui. Eis então minha tréplica:

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Fiquei feliz quando recebi a resposta da advogada Rejane Bastos, referente às minhas criticas que fiz com relação a uma carta aberta que ela havia divulgado na imprensa. É urgente que se abra uma linha de debate em torno do reconhecimento do Tecnomelody como autêntica manifestação cultural do estado do Pará.

Digo isso porque o ritmo está na eminência de estourar nacionalmente - quiçá globalmente - e continuar marginalizado no seu local de origem acabaria por revelar a todos as contradições de uma sociedade paraense com dificuldades em lidar com sua identidade. Por isso, comento aqui os argumentos da Dra. Rejane, na esperança de que no final deste debate, ambas as partes saiam ganhando.

A resposta começa com a alegação de que criou-se no Brasil um preconceito contra as supostas "elites" (aspas dela). No mesmo parágrafo, afirma que o que eu falei sobre "uma elite que nega seus traços de índio, pinta o cabelo de loiro e sonha em morar em condomínios, passar frio e usar casaco" (aspas minhas) é preconceito de minha parte. Só que no final de seu texto ela afirma que sente orgulho de pertencer à alta sociedade e ter condições de viajar pelo país para sentir frio. Onde está meu preconceito então? Afinal de contas ela assumiu que existe sim uma elite como a que textualmente foi citada por mim.

Mas o cerne da questão é tocado no seguinte trecho de uma frase da Dra.Rejane: "...trabalhadores que chegam exaustos em casa e sequer podem ver uma televisão, porque os Timpins da vida querem impor sua cultura em decibéis criminosos". Essa argumentação toca em dois pontos chaves nessa discussão.

O primeiro é a associação de que o problema de Belém ser uma cidade barulhenta deve-se exclusivamente a um ritmo específico, o Tecnomelody. O que eu quero dizer é que a luta contra a poluição sonora de Belém é uma causa de relevância incontestável e não está em questão. O que está em questão é essa associação direta, assumida reiterada vezes. E não só isso, o tempo todo o juízo de valor está lá, reafirmando que se trata de "letras ruins, melodia enjoativa". É novamente uma elite que se acha na consdição - ou no conhecimento de causa - de definir o que é bom, o que é ruim e o que é correto o povo ouvir.

O segundo ponto é tentar entender o que fez com que Belém se tornasse uma cidade tão barulhenta e o que é humanamente possível para remediar isso. Não se pode dizer simplesmente que o povo é ignorante e que uma boa educação resolveria. Ignorancia e falta de educação existem em todas as capitais, entretanto só Belém ergue a taça do Campeonato Brasileiro da Zoeira.

O hábito de se ouvir música na rua - e alto - surgiu lá nas décadas de 60 e 70 nos bairros pobres. Em parte para mostrar aos vizinhos que ele conseguiu ter um aparelho de som (naquela época um status absurdo), em parte porque em Belém faz muito calor e na periferia da cidade ir para a rua ouvir música nos finais de semana é uma forma de escapar do ambiente sufocante das casas de madeira e alvenaria sem ventilação dos bairros mais pobres.

Some-se a isso o fato de que o morador da periferia é de origem negra e indígena - povos de uma extrema musicalidade - e de que devido à localização geográfica, acabou por ter acesso a diversos ritmos. Desde os anos 50 se contrabandeavam discos de rock dos Estados Unidos e discos de cumbia, soca e merengue do Caribe e das Guianas. Foi o que possibilitou, por exemplo, a criação da guitarrada e da lambada, ritmos nascidos do contato da periferia da cidade com ritmos criados em outros países. Isso acabou por gerar um ambiente em que a música tem um papel muito forte.

Resumindo: existem fortes razões culturais, sociais e geográficas para Belém ser o que é. Diante de tantas contingências, sair por aí decretando leis que impeçam as aparelhagens de tocarem, apreendendo equipamentos de som ou fechando bares apartir de um certo horário, não resolve a questão. Muito pelo contrário. Corre-se o risco de se criar um estado policialesco que, diante do quadro agravante do aumento da criminalidade, pode ser muito perigoso.

São essas reflexões que os senhores deputados devem se fazer na hora de aprovar leis que se refiram ao mercado de consumo do Tecnomelody. Não esse debate acadêmico e vazio que quer tornar o Tecnomelody patrimônio cultural. Isso não faz o menor sentido. Um patrimônio cultural é algo construído com o tempo e o Tecnomelody é muito novo. Seria como se os baianos decretassem que Rebolation é patrimônio cultural do estado da Bahia.

O argumento decisivo contra o tombamento do Tecnomelody - e o termo tombamento aqui adquire até um duplo sentido - é que uma prática dessas visa a proteção de uma cultura contra infiltrações externas que denigram sua pureza. Ora pois, o Tecnomelody é um ritmo em constante inovação e sem nenhum pudor em importar samples de sanfona sertaneja, refrões de Cúbia Villera argentina ou fazer versões de hits americanos.

Para finalizar, volto a agradescer à advogada Rejane Bastos por ter aceitado esse debate. Em tempos de falência da dialética, onde a facilidade de emissão de opiniões muitas vezes vem mais para prejudicar de que para ajudar a resolver questões de suma importância para a sociedade, debater em um ambiente saudável e civilizado, é extremamente construtivo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Da série: Comentários que valem por posts



O leitor Robinho da Bahia comentou no post Sobre o preconceito que o Tecnomelody sofre por parte das elites do Pará :

Porra Timpin! Tu bateu seguro véio! "o lamento pela perda do poder do monopólio da emissão de bens culturais." Perfeito!
E ainda desce mais essa: "Os historiadores costumam dizer que quando um produto da cultura popular perde o vigor, passa a ser apreciado pelos especialistas". É por isso que Geraldo Teixeira é cultura, mas não Bruno e Marrone, João Bosco e Vinicius, Vitor e Léo, etc (ops, esses são, afinal tão na Globo). Alcione é cultura, mas Os travessos e Sorriso Maroto não são... Dominguinhos é cultura, mas Aviões, Cavaleiros, Forró do Muído não são... ô raça!


Faltou uma foto do cara para colocar aqui. Este é o cerne da questão. O que se aplica com o tecnomelody em Belém pode ser aplicado em qualquer ritmo verdadeiramente popular por esse Brasilzão.

Lembro que me senti constrangido quando passou na televisão uma cerimônia sobre a Copa de 2014 em que um bando de gringos batiam palminhas para uma apresentação percussiva vocal de uma dezena de branquelos. Fora um cover patético de "Minha Menina" que Os Mutantes lançaram nos anos 60!

Será essa a trilha sonora de 2014?

Francamente...

Alô Robinho! Eu só acrescentaria que Victor & Leo e João Bosco & Vinicius não só ainda não são considerados cultura como nem estão tão assim na Globo. Cadê eles no Criança Esperança desse ano? Até comentei no post que linkei no nome aí.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Direito de Resposta - Rejane Bastos expõe seus argumentos

Segue a réplica de Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio, de Belém do Pará à coluna que publiquei no jornal O Liberal nesta última terça-feira. Na coluna em questão, questiono o preconceito que a elite cultural paraense alimenta contra o Tecnomelody. A coluna pode ser lida no post anterior ou clicando aqui.

Ela permitiu a publicação e aceitou abrirmos uma série de debates. Portanto, aguardem minha tréplica.


Prezados,

Li com atenção a matéria e, realmente, não tinha tomado conhecimento da mesma. Ali sim, está retratado o verdadeiro preconceito contra supostas "elites". Minha carta ao Elias que nem de longe é um Diogo Mainardi, pelo contrário, é um jornalista bem talentoso, expressa a opinião, não de um segmento social, mas, de uma coletividade que já está de "saco cheio" de ter suas vidas invadidas pelo som histérico do tecnobrega.

Criou-se no Brasil um preconceito contra as supostas "elites", em especial contra os brancos, esse preconceito sim é que é destilado por pessoas que querem por força de decreto impor sua cultura, e democracia não é isto. As besteiras que o Timóteo falou sobre cor de cabelo, viagens, casacos e etc..., demonstram que na falta de argumento só resta o preconceito, o dele.

Com certeza ele desconhece que a maior parte dos cidadãos que procuraram a Associação Amigos do Silêncio pedindo socorro, é composta pessoas de baixa renda, negras, brancas, ruivas, louras, enfim, todos trabalhadores que exaustos ao chegar em seus lares, não podem sequer ver uma televisão porque os Timpins da vida querem impor sua cultura em decibéis criminosos.

Esse é o grande problema dos fãs do ritmo, querem empurrar pela goela da sociedade um ritmo que não é unanimidade, pelo contrário. Não se trata de ricos ou pobres, trata-se de essência, além de interesses puramente econômicos. As letras são ruins, a melodia super enjoativa e sempre tocada em altíssimos decibéis. Conheço uma infinidade de pobres que detestam o ritmo e uma infinidade de ricos que adoram. A diferença não é classe social, é espiritual e cultural.

Não se vê pelas ruas carros com som potente tocando rock clássico, mpb, samba, música clássica, bossa nova etc... O crime ambiental é, invariavelmente, cometido por fãs do brega em todas as suas modalidades. O tal de Timóteo Timpim, que eu nem sei de quem se trata, deve ser um dos maiores interessados no consumo do gênero, razão pela qual se incomodou tanto com as minhas palavras.

Quanto à crítica por tentarem fazer do ritmo um patrimônio cultural, continua de pé. Uma atividade que está sofrendo uma Ação Civil Pública e que registra os maiores índices de violência e que requer esforço dobrado da polícia retrata o esfacelamento social através de letras que só falam de bobagem, quando não incitam ao crime, tal qual o abominável Funk que invadiu o Rio sem dó nem piedade.

Tenho a impressão que na falta de argumento, este Timpim, contrariado pelas críticas que colaboram para uma reflexão por parte dos senhores deputados antes de votar um projeto a três tapas, resolveu dar uma resposta tardia e sem contexto a uma opinião que não é só a minha, é de uma coletividade, composta pelas classes: A, B e C. Além do mais, interesses imensos e obscuros devem estar por trás de tanto empenho em se aprovar o tombamento do ritmo como patrimônio cultural, tanto é assim que as críticas não são aceitas e rebatidas com preconceito e agressividade, como as do Timpim.

E as heresias continuam, comparar o "carimbó" com a "periquita", que viagem....

Lamento que interesses estejam sendo contrariados e continuo dizendo que estão se preocupando demais com que eu acho e digo, alguma coisa tem por trás disso. Uma coisa é certa, minha palavra tem peso, porque é emitida com bom senso, argumento, dados, e em especial, sem nenhum interesse a não ser o social. A Associação nunca tocou em nenhum tostão e sempre teve um trabalho voluntário em prol da sociedade e com reconhecimento nacional. Sou respeitada pelo que digo, porque tenho argumentos, tanto é assim que já me reuni, inclusive, com donos de aparelhagens e conversamos civilizadamente diversas vezes.

O autor da matéria que citou meu nome, sequer sabe interpretar texto, pois, incluiu o nome da Associação em uma questão onde ficou bem claro que não há preconceitos contra ritmo, e sim, contra crime ambiental e contravenção penal através de decibéis altíssimos em uma cidade campeã nacional em poluição sonora. A opinião sobre o ritmo é da Rejane Bastos, pessoa física, que, aliás, continua inalterada. Não gosto das músicas, nem das letras.

Tenho muito orgulho de ser branca, loura natural - aliás, o que mais tem são bregueiras super oxigenadas, elas sim tentam parecer o que não são, portanto, a contradição na crítica quanto aos cabelos é sem nexo - e pertencer a uma classe que, de fato, viaja, usa casaco e vai pegar um friozinho, como é bom ter a oportunidade de conhecer novas culturas e poder trazer isso para cá, e não sei porque isso tanto incomoda ao Timpim , afinal, a beleza do Brasil está nisso: diversidade de etnias que convivem em harmonia, sem preconceitos e sem disputas raciais ou religiosas, aliás, com certeza, ele nunca fez nem um terço do que eu já fiz pela sociedade, atendendo de graça vítimas de poluição sonora e indo a lugares bem pobres para verificar o tormento em que vivem. Ele também não sabe o que é viver em uma casa de madeira que treme toda quando a festa do brega começa.

Enfim, lamento que o Timpim esteja tendo os interesses contrariados e fique tão aborrecido, só isso explica o trabalho que teve de escrever e de me atacar. Já vi o site de vcs, que são super bonitos, charmosos e talentosos, torço pelo seu sucesso, em especial, se também são contra os decibéis criminosos. Desejo-lhes sorte na trajetória, porém, continua não sendo a minha predileção musical. Como vcs são do Amapá com certeza não estão inteirados do problema de poluição sonora que acomete Belém, não é uma briga de conceitos musicais e de classes sociais, é uma luta contra um crime ambiental que, infelizmente, vem em grande parte via ritmo brega.

Grande abraço,

Rejane Bastos

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