O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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sábado, 13 de agosto de 2011

Na música brasileira: os Moralistas apresentam suas máscaras

Alguma coisa deve estar acontecendo na sociedade brasileira, cujos efeitos estão se refletindo no música. Não na música em si, mas na maneira como ela é percebida e aceita. Uma onda de moralismo está se esparramando pelo país, atingindo locais os mais inusitados, como por exemplo... este cabaret! Inconscientemente embarcamos nessa, só fui perceber o padrão agora.

Já fazem dez dias que postamos um coleção de singles sertanejos sob o título de "Assim você me mata", apontando os lançamentos recentes mais constrangedores. Era uma brincadeira, pelo eu não levei tão a sério - tanto montei um disco com elas e escuto bastante, mas o post teve uma certa repercussão que revela uma tendência. Um sentimento nostálgico que nem é tanto querer reviver o som do passado, mas sim rever o som passado e com isso qualificar o que se produz na atualidade e com isso criar o som do futuro.

Não é só no sertanejo que está acontecendo isso, no forró também e inclusive já está mais adiantado, um movimento já está organizado. O Movimento Forró das Antigas está em plena ascenção, com apresentações cada vez mais solicitadas encabeçado por três dinossauros do setor: Mastruz com Leite, Limão com Mel e Magníficos. Como no caso do sertanejo, o clima é retrô. Pra se ter uma idéia da dimensão dessa guinada no forró, o movimento conta agora com os reforços Painel de Controle, Cavalo de Pau, Lagosta Bronzeada e Calcinha Preta. Se eles excursionarem todos juntos, que é o que costumam fazer, pode colocar o nome da turnê de Jurassic Park Forró Tour 2011.

Sertanejo e forró movimentam um mercado gigantesco, o moralismo aqui está sendo leve, disfarçado no que poderíamos de chamar de juízo de valor estético. Em mercados mais periféricos, esse juízo de valor é praticado com mais despudor. Nas três maiores capitais da música fora do eixo Rio-São Paulo os moralistas estão mostrando suas garras. Recife, Salvador e Belém.

Na semana passada em Belém do Pará, a banda Gang do Eletro foi impedida de se apresentar em um show do Jota Quest porque a organização achou que o público que estava lá não gostava de eletromelody, por ser música de periferia. Em Salvador a máscara usada pelo moralismo é o feminismo. Uma deputada estadual quer impedir que o governo patrocine eventos em que bandas de Swingueira tocam músicas com letras que denigram ou rebaixem as mulheres.

Já em Recife o bagulho foi mais tenso, a parada foi parar numa de delegacia de polícia. Os MCs Cego & Metal, denunciados pelo Ministério Público, tiveram que prestar esclarecimentos na Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente, quanto ao teor de suas letras. Ocorre que formou-se uma cena local, onde a molecada tá misturando brega com funk e culto às "novinhas" é lugar comum nas letras. Cego & Metal nem são os expoentes máximos do novo gênero, que já consagrou verdadeiros astros locais, como Mc Tróia ou Bobo da Mustardinha.

O número um é o Mc Sheldon e é dele o maior flagrande do BO: "Se eu mato, eu vou preso / se eu roubo, eu vou preso / se é pra pegar novinha / eu vou preso satisfeito / a de quatorze eu tô fora / de quinze é muito nova / dezesseis já tá na hora / dezessete eu vou agora". Cego & Metal foram liberados após declararem que pelo menos em suas composições, as "novinhas" pertencem a uma faixa etária entre 18 e 25 anos.

Como se pode ver, de cabo a rabo de nossa nação varonil, os moralistas apresentam suas armas. Já disse, isso deve ser o reflexo de algo que deve estar acontecendo na sociedade brasileira, mas não vai ser eu e nem vai ser neste post que explicarão que porra está acontecendo. Não foi pra isso que evitei o vestibular de sociologia. Só que sempre gostei de brincar de ligar os pontos e por enquanto é isso que estou fazendo. Quando as linhas formarem um padrão inteligível, podes ter certeza que será aqui no cabaret que vou postar a solução.

sábado, 30 de julho de 2011

As canções da esperança sertaneja de um futuro melhor

A idéia surgiu de uma conversa informal entre amigos e de uma reclamação em comum, artistas sertanejos que fazem regravações de músicas de qualidade duvidosa, com o único intuito de fazerem um sucesso efêmero. Um artista novo, que grave uma canção de letra apelativa, com intuito de de chamar os holofotes para si, pode-se até dar um desconto, agora artistas consagrados fazerem o mesmo é inadmissível.
A dois meses atrás publiquei um texto intitulado "Por um help para a música sertaneja" onde apontava o risco que o gênero sofria caso não apostasse em uma salto evolutivo qualitativo após a consagração popular de sua vertente mais moderna. No texto, fiz uma comparação meio que estapafúrdia, mas formalmente funcional, com a trajetória dos Beatles. Pois de lá pra cá a coisa só piorou. No momento em que nomes como Michel Teló e Jorge & Matheus abdiquem da qualidade em prol do sucesso pretensamente fácil, o risco de que influenciem os novos artistas a cada vez mais e mais fazerem o mesmo e grande e quem perde é a música sertaneja como um todo.

Mas como sentar na porteira da invernada e reclamar da magreza da boiada não resolve nada, resolvemos tomar a iniciativa de preparar uma coletânea de músicas de novos artistas que na contramão da tendência, estão investindo em qualidade e que representam uma esperança para o gênero. Artistas que com essa atitude podem até serem prejudicados num curto prazo, mas que com isso qualificam suas carreiras e semeiam um futuro digno para si mesmo. O debate foi quente e a escolha do repertório foi árdua, devido aos diferentes pontos de vista dos participantes, mas por fim o resultado ficou bacana. O CD foi postado em um provedor e já pode ser baixado por quem se interesse a saber o que de bom - em nossa opinião, claro - anda sendo feito na música sertaneja, à margem da mídia.

O título da coletânea é igênuo, ambicioso e utópico: Movimento Libertário Sertanejo. Mas libertar-se de quem? Bem, fica a escolha do freguês. Não somos donos da verdade e estamos longe de querer ter a pretensão de ditar o que as pessoas devem ouvir ou não. Somente achamos que as pessoas devem conhecer o que anda sendo produzido no underground e que devido ao fato de não estar inserido na "máfia do jabá" não é executado exaustivamente nas rádios ou não aparece na TV.

Pessoal, cliquem aqui > Movimento Libertário Sertanejo < E ouçam as canções da esperança sertaneja de um futuro melhor. E espero que algum artista leia o "quase-manifesto" Por um Help para a música sertaneja e seja o nosso Bob Dylan ou quiça, o nosso Neil Young ou Creedence Clearwater Revival. Já falei em outras praias e outros carnavais, sou um filho da mãe otimista e esperançoso.

PS.: Em breve uma resenha crítica do CD.
PS2.: Acessem o blog do Yago, foi lá que tudo começou. Foi ele o REGENTE DA COLETÂNEA. Lá tem o set list caso você queria se certificar se vale a pena sacrificar seu tempo e sua banda em fazer o download

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Assim o Sertanejo se mata 2 - A crise continua

O último post "Assim o sertanejo se mata" gerou algumas reações que confesso que me surpreenderam, pois acho que peguei bem mais leve do que de costume. A reação mais supreendente foi do produtor Dudu Borges, que nem foi citado diretamente no texto. Recebi uma sequência de mensagens revoltadas no Twitter, alegando que em meu texto faltei com respeito ao trabalho dele. Bobagem, inclusive ano passado postei que considerava "Fugidinha" a música de 2010 e falei super bem dele, podem conferir clicando aqui.

Agora uma coisa ele precisa entender. Ninguém está imune a erros. Se na maioria das vezes ele tem acertado, em algumas poucas vezes ele costuma errar. Foi o caso de "Chuva" e "Abelha" de João Bosco & Vinicius e mais recentemente "Ai se eu te pego" com Michel Teló. Não que a música não seja boa, como alguns entenderam de meu texto - e não sem uma certa dose de razão, fui mesmo ambíguo. A música é excelente, mas simplesmente não combina com a proposta de repertório de Michel Teló. Vou tentar explicar.

Não adianta fazer biquinho Michelzinho, fez caca e acabou-se. Pode até fazer sucesso, mas nem sempre ele é duradouro.

Quando abandonou o grupo Tradição Michel num primeiro momento se viu diante da concorrência com Luan Santana como cantor solo. Luan rompeu todos os paradigmas e patamares e hoje em dia Michel nem perto concorre com ele. Apartir do ano passado Gusttavo Lima passou a azedar a polenta de Michel, com a vantagem de ser compositor e com isso garantir a unidade de seu repertório. Como o ex-franjinha não é compositor, precisa firmar-se como intérprete e não é abdicando da qualidade pela busca cega pelo próximo hit, pela próxima "Fugidinha" que ele vai consagrar-se como intérprete.

Não estou aqui isentando Gusttavo Lima de suas próprias cagadas, afinal foi ele quem começou a invasão de "Minha mulher não deixa não" no sul e sudeste e recentemente ele também gravou uma versão de forró, a música "Balada". Mas é que Gusttavo tem o salvaguardo de ser compositor e sempre poder se redimir com um próximo e perfeito disco.

Gusttavo Lima e Reginho, maculando uma discografia até então impecável

E por falar em perfeito disco, nem tudo são espinhos na crise criativa atual da música sertaneja. Fred & Gustavo já estão com o terceiro disco disponível na Internet. Também autorais, os meninos arriscaram uma estratégia inédita para sua estréia em DVD. Ao invés de um apanhado geral da carreira, recolheram-se em uma sitio no Mato Grosso do sul e montaram seu repertório inteiramente do zero. Com exceção da música "Armadilha" o repertório é inteiramente inédito. E muito bom, convém muito frisar.

Tem de tudo no disco, desde a pegada pop moderna a modas de viola. Algumas faixas merecem destaque. "Lendas & Mistérios", a primeira música de trabalho, gravada com Maria Cecilia & Rodolfo tem uma letra maior que o padrão e o refrão é mais complexo que o usual. "Então valeu" tem uma cadência de arrocha e é permeada por uma sanfona muito bonita. "Inesquecível" é pau pra toda obra, caberia inclusive no repertório do Restart ou até mesmo Jota Quest. Frente a isso, qual não é a surpresa ao nos depararmos com "Sem você aqui", que está a altura dos grandes clássicos da música sertaneja.

Fred & Gustavo e a grande bola dentro de 2011

Ainda voltarei a escrever sobre esse disco, quando sair o DVD com a apresentação de Fred & Gustavo em Uberlândia. Citei o disco pra não me chamarem de chato, rabujento e resmungão que reclama de tudo. Existem coisas boas sendo lançadas. O disco ao vivo em Goiânia de Humberto & Ronaldo é muito bom. Tuta Guedes acabou de lançar seu segundo disco, que arrisca ser o mais pop do ano. João Carreiro & Capataz, mesmo amargando uma geladeira na Som Livre, estão se mantendo vivos no mercado, fazendo participações especiais em diversas gravações de amigos. Continuo um filho da puta de um otimista e não me incluo entre os que apregoam o fim do sertanejo jovem, moderno e urbano. Pessimismo só é saudável quando se aguarda a visita da sogra em um feriadão prolongado.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Assim o Sertanejo se mata

Julho está sendo um ano cabuloso para o sertanejo. Na hora de escolher musicas nordestinas para regravar, as escolhas tem se demonstrado de uma infelicidade atroz! Se é uma crise pontual, com tudo voltando ao seu rumo correto nos meses seguintes, é algo impossível de prever, apesar do fato de que os detratores da modernização já estarem soltando seus fogos. A impressão que se tem é que o tsunami "Minha mulher não deixa não" entorpeceu a percepção dos produtores musicais. Visivelmente não há critério nas escolha de qual musica nordestina deve ser regravada. Esclarecer os motivos para essa confusão pode ser arriscado, mas correr riscos não é algo que assuste um blogueiro que escreve com a faca nos dentes, então vamos lá.


Em primeiro lugar, saibam que os nordestinos não estão gostando nem um pouco dessa tendência de os sertanejos gravarem o que forró tem produzido de pior. Eles querem se ver bem representados, eles não vêem a hora do forró ser reconhecido nacionalmente e não acham que essa série de regravações equivocadas traga algum benefício. Em segundo lugar, o que os produtores musicais não percebem é que o sucesso de "Minha mulher não deixa não" tenha se dado pelo fato de que a música é ruim e que o povo gosta de música ruim. Pode parecer uma lógica maniqueísta, mas acredite, a maioria deles pensa assim. E como de praxe, estão errados.

Uma série de detalhes fez de "Minha Mulher não deixa não" o sucesso que foi, desde os mais óbvios até os mais ocultos. O primeiro, é claro, foi o clipe, sem ele nada disso estaria acontecendo. A letra é engraçada, mas o próprio clipe não estouraria sem um detalhe básico, o óbvio ululante, a dança dos meninos. Foi a dança que estourou o clipe e foi o clipe que estourou a música. Essa é a parte visível da coisa toda. Só que existe um subtexto na música que poucos analistas se atentaram. O matriarcado da sociedade nordestina.

Apesar de ser uma região que produza muitas letras que rebaixam as mulheres, por lá as mulheres mandam mesmo. Não é a toa que no sertão, muitas vezes dos homens tem seus nomes completados com os de suas mulheres ou mães: é o Tonho de Marileide, o Petrúcio de Vera ou o Nemédio de Erotildes. Isso não é explícito, mas tá lá no subconsciente coletivo nordestino e foi lá que a letra de "Minha mulher não deixa não" ecoou. Um hit pode ser imprevisível, mas uma vez ocorrido pode ser justificado, se analisado com atenção. O que os produtores musicais sertanejos estão tentando fazer é tentar capturar um relâmpago em uma garrafa para reproduzí-lo quando abrirem a tampa.

Atualmente a música brasileira vive um momento mágico de criatividade, com um intercâmbio de informações e referência que sempre me animou muito. Um caos, uma bagunça saudável, o caos que o filósofo Nietzsche dizia ser necessário ter dentro de si para dar luz a uma estrela dançarina. Só que justamente no caos é que se deve prestar muita atenção ao que é informação e o que é só ruído. Não é regravando ruído nordestino que os sertanejos serão os parteiros da estrela dançarina da musica brasileira do século XXI. Tem muito forró de qualidade, basta pesquisar mais.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Michel Teló e um pouco de luz sobre a história do grupo Tradição

A TV Morena, afiliada da Rede Globo em Campo Grande-MS, está produzindo uma série de reportagens sobre os talentos locais que despontaram para o resto do país. A qualidade das reportagens é tão grande que eu não duvido se em breve não sejam reproduzidas no Fantástico.

Vou mostrar a vocês uma delas, sobre Michel Teló, que com sua "Fugidinha" conseguiu selar seu nome como sucesso nacional. O bacana desse vídeo é que de quebra acaba contanto também a história do grupo Tradição, uma das melhores bandas brasileiras de todos os gêneros.

Divirtam-se!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fugidinha - A música do ano

A música brasileira, por sua rica diversidade e pelo instinto antropofágico do povo que a produz, costuma nos brindar com agradáveis surpresas. A bola da vez é o hit Fugidinha, cantada por Michel Teló, ex-vocalista da banda sul-matogrossense Tradição. Muito mais do que um sucesso nacional, a música é praticamente um dos maiores acontecimentos culturais da história recente.



A idéia a principio apontava para um resultado indigesto: um cantor sertanejo gravar uma balada composta para ser gravada por um grupo de pagode. No entanto, o talento do produtor Dudu Borges - o homem por trás do sucesso de nomes como João Bosco & Vinicius ou Jorge & Mateus e o artesão mór do sertanejo pop - fez toda a diferença. Nada de pagode vanerado ou vanera apagodada, Dudu concebeu o arranjo mantendo a extrutura padrão de ambos os gêneros, com um resultado inédito.

Mas não são os aspectos técnicos que tornam a música Fugidinha tão especial e sim o fato de que ela faz a ponte entre os dois gêneros musicais mais ouvidos pelo povo na atualidade. Basta conferir as listas de execução em rádios de todo o país, de Belém a Porto Alegre. Só que existe uma diferença fundamental entre os dois gêneros: a maneira como são percebidos pela mídia e pela crítica cultural.


O produtor Dudu Borges

A música sertaneja, graças a imensa popularidade obtida pela modernização empreendida pela chamada geração universitária, livrou-se do rótulo pejorativo de breganejo e hoje até já flerta com a MPB, como se pode conferir pelo trabalho recente da dupla Victor & Leo. Inclusive para o disco que está por ser lançado, Victor compôs uma música em parceria com Sergio Reis e Renato Texeira. Mas o ponto principal é que o sertanejo passou a ser consumido por uma juventude que não sente mais vergonha assumir isso.

Com o pagode o mesmo não ocorre. Praticamente não se vê músicas desse gênero em trilha sonora de novela. O pagode ainda é vítima de um preconceito fortíssimo. Tanto é que no verbete sobre samba na Wikipédia encontra-se uma decrição nada imparcial para seu surgimento, no inicio dos anos 90. "A indústria fonográfica, já amplamente orientada para a globalização pop, usurpou o termo pagode, batizando com ele uma forma diferente de fazer samba que guardava poucos elementos com o samba inovador da década anterior, massificando-o de forma enganosa"

Por "pagode inovador da década anterior" entenda-se a geração de Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, que estão aí até hoje, fazendo o mesmo som sem um pingo de renovação. Aqui nos deparamos com aquela tecla que já está gasta, de tanto que eu bato. A mentalidade tacanha de uma elite cultural proviciana que despreza a arte popular e que aguarda ansiosamente que esse mesmo deixe de praticá-la, torne-se uma peça de museu para assim apreciá-la em suas estantes de luxo.


O pagodeiro Rodriguinho

Negar a qualidade de produção recente das bandas de pagode é produzir material para um ensaio sobre a cegueira. O disco Ao Vivo na Ilha da Magia é um dos clássicos do cânone do samba e foi o disco mais escutado nos últimos dois anos no Brasil. O recente lançamento do Jeito Moleque, intitulado Cinco Elementos é de uma vanguarda absurda, com arranjos sofisticadíssimos. Já Rodriguinho, em seu novo trabalho, resgata a black music dos anos 70 não ficando nem um pouco atrás dos hoje cultuados discos de Cassiano e Hyldon. Os exemplos são inúmeros e por limitação de espaço vou citar apenas estes.

Nesse ponto volto a ressaltar a importância da "Fugidinha" de Michel Teló, composta por Thiaguinho e Rodriguinho e que será regravada no novo DVD do Exaltasamba. Que ela sirva como holofote que permita lançar um feixe de luz sobre o pagode e que permita um novo olhar, despido de preconceito e muito mais atento. A Musica Popular Brasileira encontra-se a anos em um estado de catatonia criativa em que nada de relevante e empolgante nos chega ao ouvido. Procura-se saídas importando referencias externas como o hip hop e a música eletrônica.

A saída, no entanto pode estar aqui meses, debaixo de nossos narizes. O Victor já está interagindo com Renato Texeira, que tal o Rodriguinho dividir uma roda de samba com Paulinho da Viola?

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