O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Swingueira - A psicologia, a política e a economia do pagode baiano

Há de se entender o pagode baiano. Desde os tempos de bunda music do É o Tchan e de muitas descidas na boquinha da garrafa, as coisas mudaram muito. O cantor Xandy não só casou com Carla Peres como, com seu Harmonia do Samba, como acabou por catalizar um salto qualitativo impressionante na modernização do samba de roda do Recôncavo Baiano.


Xanddy à frente do Harmonia do Samba - um divisor de águas no pagode baiano


No começo quase ninguém notou. Parecia apenas um desvio do foco de atenção das bundas das dançarinas para a cintura dos cantores. Só que a transferência da batida da viola para a linhas de contrabaixo fizeram a cabeça de uma geração inteira de músicos e não tardou para que surgissem artistas revolucionários. Dois nomes se destacam nessa categoria, Marcio Victor do Psirico e Edcarlos Conceição, o Ed do Parangolé, depois Eddy do Fantasmão e agora Edcity em carreira solo.

Só que a única coisa que aproxima essas duas pessoas é o fato de dividirem a pecha de gênios revolucionários. Marcio Victor com seu samba fortemente percussivo e Edcity com seu groove arrastado. De resto, um abismo separa os dois. E esse abismo reflete muito as contradições sociais da Bahia em geral e de Salvador em particular.


Marcio Victor, o homem por trás do samba percussivo do Psirico


Na esteira da gravação de seu novo DVD, Psirico apareceu no programa da Xuxa, no Hoje em Dia na Record e em mais uma série de veículos de mídia. Já Edcity, após participar do conceituado festival Percpan - Panorama Percussivo Mundial, que visa mapear o que o planeta Terra anda inovando em termos de batucadas, obteve não apenas repercussão nula, como ainda uma nota negativa no jornal A Tarde.

Desde que Edcity deixou o Parangolé para tocar seu projeto conceitual Fantasmão que passou a ser perseguido, ignorado e muitas vezes sabotado pelo mercado do pagode em Salvador. É incompreensível que nenhum jornalista sério de nenhum veículo de imprensa local nunca tenha levantado a questão: porquê Edcity causa tanto medo no status quo pagodeiro. Em quê ele representa uma ameça?

Qualquer um - até mesmo quem não está habituado a escutar Swingueira (é assim que o pagode baiano é chamado por lá) reconhece que se trata de um som muitíssimo superior ao resto dos artistas do gênero. O Psirico também é muito superior, mas porque tudo para um e nada para o outro.

As coisas começam a fazer mais sentido quando analizamos a personalidade de cada um. Os dois vieram do gueto, só que Edcity ainda carrega o gueto dentro de si, tatuado na alma e expressa o gueto com maestria em suas composições. Já Marcio Victor é um deslumbrado. O sucesso despertou nele uma vaidade que talvez estivesse encubada desde os tempos de gueto. E a manipulação de uma vaidade alimentada por exposição midiática requer que se façam concessões.

Marcio Victor é um cara que faz conceções, já Edcity... bom, esse não capitula nunca.

Mas atribuir à vaidade de Marcio Victor todas as causas das contradições seria, além de uma injustiça - afinal o cara é muito boa gente e é dono de um enorme coração, uma análise muito rasa. Existem mais coisas embaixo deste angú.

Há algo de podre no reino de São Salvador. A capital baiana é mundialmente famosa por ser sede do maior carnaval do mundo. A festa movimenta um bilhão de dólares na economia local entre os meses de outubro e março. Acontece que esse rentável mercado só pode ser construido às custas de uma privatização que foi sendo feita aos poucos apartir da profissionalização dos blocos após a consolidação da axé music nos anos 90.

Como de resto em todo mercado que envolve grandes fortunas, não tardou a se formarem cartéis, redes de corrupção e o encrudescimento de interesses puramente comerciais em detrimento da música, da festa e da alegria, que em tese deveriam ser os fatores a nortearem um carnaval. Aqui já podemos vislumbrar o perigo que Edcity representa para esse sistema, assim como a inofensividade do Psirico.

Um mercado que fatura milhões com porcarias do tipo Rebolation, tem medo que Edcity estoure nacionalmente e revele a todos que não é necessário consumir coisa ruim, que existem produtos de qualidade nas prateleiras do carnaval baiano. Uma mentalidade rasteira, certamente, mas quando as possibilidades em jogo envolvem queda no faturamento, melhor não arriscar.

O pior é que está todo mundo envolvido no esquema. Agências de eventos, artistas, veículos de mídia e formadores de opinião. Qualquer um que se levante contra isso e tente desafinar o coro dos contentes é imediatamente censurado, ignorado e imediatamente excluído do circuito de shows e eventos. Numa terra que ainda lembra do horror da era Antonio Carlos Magalhães todos sentem medo.

Quer dizer, nem todos. Edcity está na luta. Enquanto assistimos o talento de Marcio Victor a serviço das forças do mal, quando lança como música de trabalho para o verão 2010 que com um verso que fala "chupeta na boca e na buchecha", Edcity lança o single "Nossa City" onde implora a Deus que proteja a cidade da tragédia do crack.


Edcity e cantora Aila Menezes, do novo grupo Groove de Saia numa confraternização no backstage


Uma luz de esperança para esse triste quadro revelado nessa matéria também pode ser vista na nova banda Groove de Saia, inédito exemplo de banda de pagode com vocal feminino. A cantora Aila Menezes é jovem, carismática e combativa. Com sua banda ela luta pela autovalorização da mulher, tão denegrida na imensa maioria das letras de pagode, mas sem deixar de ser alegre e dançante.

Edcity e Aila Menezes, o futuro do pagode baiano como força de expressão dentro da música popular brasileira depende muito do impacto que esses dois causarão no carnaval de 2011. Para eles, nenhuma vela acesa terá sido em vão.

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