
A cena do tecnobrega em Belém do Pará foi sacudida nesse fim de semana por uma mensagem ofensiva postada no perfil no Facebook do cantor Bruno Mafra (Bruno e Trio). Que o ritmo é vítima de preconceito por uma certa parcela da elite local, já é conhecimento geral. Ocorre que a mensagem foi postada pela principal articuladora do DVD Movimento Tecnomelody Brasil, lançado pela Som Livre, com a presença de vários artistas do segmento. Como podemos observar, foram palavras duras:
(...) Seria ótimo que vc viesse justar suas contas com Bis. Me envergonho com Rosalina e Ronaldo por tê-lo trazido pra cá. Me envergonho pelo golpe generalizado que vcs artistas de melody deram em nós e na Som Livre. Me envergonho da classe artística que vcs fazem parte. Me envergonho de tanto mau caratismo e. Me arrependo de um dia ter acreditado que vocês poderiam ser alguma coisa. Tenho asco da forma como se comportaram. Quero esquecer que um dia passaram na minha vida deixando uma mancha imunda e fedorenta. Até nunca mais! (...)
A reação de indignação de quem trabalha no meio ou aprecia o tecnobrega foi imediata e em poucos instantes centenas de pessoas se manifestaram na rede social. A autora da frase alega que seu perfil foi hackeado e que está sendo vítimas de pessoas mal intencionadas. De uma forma ou de outra, o estrago já foi feito e serviu para que as bandas envolvidas no projeto do DVD se unissem para, num primeiro instante, cobrarem uma retratação por parte da Bis Entretenimentos e depois se possível, a revisão do contrato draconiano que assinaram com a empresa.
Essa história tinha tudo para dar errado porque já nasceu errada em sua premissa inicial, que era a exploração comercial do tecnobrega diante do iminente estouro nacional, enquanto o óbvio ululante seria um trabalho de aperfeiçoamente artístico, posto que o ritmo se desenvolveu nas ruas em meio ao caos da produção caseira e da pirataria. Um bom exemplo do que deveria ter sido feito é o festival Terruá Pará, que coincidentemente foi citado ontem em
reportagem no jornal da Globo, pelo crítico e agitador cultural Nelson Motta.
Está mais do que na hora que a "elite cultural paraense" passe a enxergar com outros olhos a cultura produzida pelo seu povo. Esse filme já foi visto antes, com o carimbó e a guitarrada. A música paraense - e o tecnobrega é parte intríseca dela, queiram ou não - está com a faca e o queijo para ser a tábua de salvação da catatônica Musica Popular Brasileira e não é justo não só para com o povo paraense, mas para o Brasil como um todo, que esse trem da história seja perdido.