O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Forró do Muído & A ponta de durex perdida

Sabe quando você perde a ponta do Durex e fica rodando pra achar de novo? É assim que eu enxergo o Forró do Muído hoje. O negócio já vinha desandando e, depois que tiraram Binha Cardoso pra colocar aquele cantorzinho imaturo (cujo nome me recuso citar), vi o fim do túnel sem nenhuma lamparina acesa pra banda. Ainda bem que essa besteira foi desfeita e a esperança foi reacendida no meu coração muideiro.

look de Simone, o símbolo da mudança do Forró do Muído

Só que não adianta trazer de volta o amigo Binha e continuar na mesma linha recente de banda de forró pop, que vinha sendo construída, que jogou a característica e originalidade da banda pela janela. Pensei que, junto com ele, voltariam as músicas românticas, de pé-de-serra mesmo, aquelas que fizeram do Muído a banda de 2008/2009. Daí me aparecem com uma música sob o título de “Frajola e Piu-Piu”. Poxa, aquela do “Ei, quer casar comigo? Eu sei fazer miojo e ovo mexido!” ainda nem desceu e me enfiam essa música de goela abaixo?


Eu sei que a irreverência, alegria e brincadeira também fazem parte da característica da banda, mas daí a ser música de trabalho, são outros quinhentos.

Pra ilustrar melhor minha opinião, vou apresentar um exemplo simples, chamado Simone Mendes. As mudanças no visual e em sua postura no palco são o verdadeiro retrato de como o Forró do Muído perdeu-se no caminho de sucesso que vinha construindo. Eu ainda peguei o tempo de ela usar calça apertada, dançar até o chão, provocar os fãs com olhares... por aí. Hoje, eu não enxergo mais isso nela. Está comedida, parece uma bonequinha, usando saiazinha, blusinha... muito “inha”. Gostava dela mulherão, que chegava chegando. Não sei se foi depois do casamento, ou se foi Simaria que quis transformá-la numa irmã gêmea, o fato é que algo ocorreu e ela se tornou o retrato da mudança do Muído.

Ainda fico feliz por enxergar que estão buscando uma melhora. Ruim mesmo seria se entregassem os pontos. Na minha humilde opinião, o caminho não é chamando Bina, nem fazendo Miojo; o caminho é por “Você Vacilou”, “Será”, “Tente Entender”. Essas são as músicas cujo DNA é o mesmo daquelas de antigamente, que fizeram muitos se se encantarem e acompanharem a banda, como eu. E espero que ainda exista paixão nos olhos e no coração das irmãs Mendes toda vez que elas subirem ao palco ou entrarem num estúdio. Espero mesmo.

Texto escrito por Janny Laura, a melhor resenhista de forró do Brasil
@JannyLaura

sábado, 20 de agosto de 2011

A semana no Forró

aResumão do que aconteceu no forró no última semana.

- Calcinha Preta está em turnê pela Europa. Os shows ocorrerão na Itália (Milão), Espanha ( Madrid e Barcelona), Portugal (Porto e Lousada) e na Holanda (Amsterdã). A banda inclusive anda causando frisson em sua passagem pelo velho mundo, a música "Será que vai rolar?" ainda em alta rotatividade nas raves de Ibiza e Saint Tropez, em versão technoforró.


- Os últimos meses tem sido bem agitados para o Forró do Muído. O novo cantor Naldinho não foi bem recebido pelos fãs, que fizeram uma verdadeira marcha virtual nas redes sociais implorando pela volta de Binha Cardoso. A cantor Simaria não ficou em cima do muro e deu a entender que apoiou a causa dos fãs. Inclusive insinuou que sairia da banda junto com a irmã Simone para integrar um suposto "Forró das Coleguinhas" e segundo fontes, brigou feio com o chefão da A3 Entretenimentos Isaias Cds. Resultado: apartir do dia 10 de setembro Binha Cardoso volta pro Forró do Muído.

Binha Cardoso e Simaria Mendes - A força de uma amizade fez a diferença

- A banda Mala 100 Alça confirmou que fará parte da trilha sonora do filme Nego D´água. O filme, dirigido pelo autor e diretor Flavio Henrique, será ambientado no bairro do Angaray, uma colônia de pescadores de Juazeiro da Bahia e terá Maria Flor no papel principal. O grosso do elenco no entanto, será de artistas locais.

- É hoje a apresentação dos Aviões do Forró no Criança Esperança. Só que quem está esperando o reconhecimento da banda como o grande nome do gênero da atualidade, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Consta que a banda dividirá o palco com Roberta Sá e Geraldo Azevedo, cantando um pout pourri de forrós antigos. Na cabeça da produção, os dois convidados emprestariam respeitabilidade, coisa que difinitivamente os Aviões do Forró já possuem. Já Roberta Sá e Geraldo Azevedo precisam é de mídia, sumidos que estão e isso conseguirão às custas dos Aviões. Lamentável tudo isso.

Ensaio dos Aviões do Forró no Criança Esperança

- O Movimento Forró das Antigas, capitaneado por Mastruz com Leite, Magníficos e Limão com Mel vão fazer uma expensa excursão pelo estado do Pará, passando por cidades como Belém, Capanema, Bragança, Castanhal, Tucuruí e Marabá. Enquanto a atual geração do forró se enreda cada vez mais em intrigas, difamações e traições, o pessoal dos anos 90 demontra que a união faz a força.

- A cantor Samyra do Forró dos Plays fez ontem a cirurgia de retirada do útero em função de um câncer recentemente detectado. A banda não quiz escalar uma substituta e permanece em recesso enquanto aguarda a recuperação de sua líder.

Samyra Show, cantor do Forró dos Plays de licença médica

- É hoje em Natal a gravações do sexto disco de carreira da Garota Safada. A inovação fica por conta de que pela primeira vez se tratará de uma gravação ao vivo. A expectativa é grande, tanto na escolha do repertório - devido a recentes denuncias de cópias de músicas - quanto pelo resultado técnico final. O disco ainda não tem previsão de lançamento.

domingo, 1 de maio de 2011

O muído de Naldinho no Forró Muído

Texto escrito por Janny Laura. Pra quem não conhece, a Jannynha escrevia sobre forró para o extinto site Bis MTV. Além de ter um estilo único em sua escrita, sabe muito do que fala. A tempos que eu queria escrever um texto sobre a nova formação do Forró do Muído e como ela pensa exatamente o mesmo que eu sobre o assunto, decidi passar o microfone pra ela.


Naldinho, o galã precoce e suas chinelas de couro


Nada pessoal. Quero deixar bem claro que não conheço Arnaldo Melloto, não sei de onde vem, mas tenho minhas opiniões sobre pra onde vai: acho que, se continuar com as mesmas características aparentes, não dura muito no Muído.

Sabe quando você bate o olho e sente que não vai dar muito certo? Pronto, foi o que ocorreu quando o vi no twitter e principalmente na twitcam que fez no começo. Eu sou assim, pareço uma índia. Quando o santo não bate, não adianta. E eu falei isso pra amigos muideiros e para o próprio, no twitter e pessoalmente, quando o encontrei na Vaquejada do Parque Ivandro, em março (antes que falem que eu sou falsa!).

O problema maior não foi nem a saída do grande Binha Cardoso. Acho que desandou quando colocaram um cabra jovem, que pegou o bonde andando, chegou já no sucesso, sabe? Cá pra nós, já é difícil homem amadurecer, imagine com seus vinte e poucos anos, com jeito de gostosão (me lembra Robert Patison, em Crepúsculo!), subindo num palco onde as mulheres enlouquecem e ainda ganhando dinheiro pra fazer/ser o que todo boyzinho queria? Fica difícil, mexe com a cabeça de qualquer um e foi o que aconteceu com ele. Saiu do anonimato para uma banda com fãs xiitas (como eu). Complicou geral.

Canta bem? Canta sim, apesar de ter uma voz meio fanha. Nada que um fonoaudiólogo não possa ajudar. A questão é: pra quem era acostumada com o amigo Binha, que sentava nos sofás dos hotéis da vida pra conversar besteira, que tinha voz grossa e cresceu junto com as Coleguinhas, dar de cara com um boy do Paraná e que nem aprendeu a música da Menininha ainda... tora dentro!

Espero realmente queimar a língua (ou não, né?), mas se alguém não chegar nesse guri, pegar pelos ombros e balançar pra ele acordar pra Jesus, o babado vai ser forte.

E outra: antes fosse só eu falando, mas o que tem de fã que passa a faixa do CD quando ele canta, ta no gibi não, viu?

...

Ouça o CD Promocional de Maio 2011 do Forró do Muído e tire suas próprias conclusões. Ainda não é o Volume 8 oficial, é apenas uma prévia.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aviões do Forró e Forró do Muído na Revista Billboard Brasil

A Billboard Brasil, edição de junho, foi histórica. Pela primeira vez uma revista séria de música e de circulação nacional, colocou um artista sertanejo em sua capa: Luan Santana. Pena que não escalaram um profissional da área para fazer a matéria, o que fez com que resultasse extremamente superficial, não analisando a fundo o quanto o fenômeno Luan Santana - e de resto, a nova musica sertaneja inteira - representa para a renovação da música pop brasileira.



Na mesma edição foi publicada uma matéria preparada por alguém mais afim com o tema, o caso de Vladimir Cunha, com uma sensacional análise do atual mercado do forró, dando ênfase aos Aviões do Forró, recentemente contratados pela Som Livre, mas descrevendo também a bagunça que se tornou a questão dos direitos autorais.

Vou postar aqui a transcrição da matéria na íntegra. Vou fazer em duas partes, hoje posto o corpo da matéria e amanhã os apêndiçes, com comentários meus sobre os temas abordados. Polêmicos, vou logo avisando.

Se alguém quiser que eu transcreva a reportagem sobre o Luan Santana, é só dar o toque na caixa de comentários.

Boa leitura!

Upgrade no Bate-coxa

Faz um calor dos infernos em São Paulo na noite desta sexta-feira, em abril, mas no boteco do Pinguinzinho ninguém parece estar muito preocupado com isso. Como tantos outros bares da avenida Cruzeiro do Sul, bairro de Santana, o local é ponto de encontro de office-boys, comerciários, empregadas domésticas, motoboys, peões de obra. O som é alto: muito brega, calypso e forró eletr6onico de Calcinha Preta, Saia Rodada, Limão com Mel, Collo de Menina e Gatinha Manhosa. Pela avenina, o vai e vem de ônibus é intenso e destinos como Vila Nova Galvão, Jardim Fontális, Cachoeirinha, Jova Rural e Vista Alegre denunciam o estrato social dos passageiros. Não chega a ser uma vizinhança miserável, mas ela guarda poucas semelhanças com a São Paulo que aspira um dia a ser a Manhatan dos trópicos. As calçadas são mal cuidadas, o lixo se acumula aqui e ali e quase não se veem patrulhas policiais. Na esquina fica a praça construída onde antes era a penitenciária Carandiru. Do outro lado lado da rua - cercado por barracas de churrasquinho de gato e ambulantes vendendo cerveja, vinho barato e vodka com energético -, o Santana Hall, onde a banda Aviões do Forró faz sua primeira apresentação em São Paulo depois de dois anos longe da cidade.

Apesar do nome pomposo, o Santana Hall é a típica casa de shows da periferia. As paredes são encardidas e o chão de lajota está permanentemente úmido por causa do calor e dos copos com resto de bebidas que o público joga no chão. Nos mezaninos, "camarotes VIP" para quem pode pagar um pouco mais e não quer se espremer com o resto do povo na pista de dança. O backstage é acanhado; os camarins, modestos. Quando alguém liga a máquina de gelo seco, uma nuvem de fumaça torna quase impossível enxergar alguma coisa no corredor que dá acesso ao palco.

Sentado em uma cadeira de plástico, Xand Avião, vocalista da banda, aguarda sem parecer se incomodar. Do Santana Hall, segue hoje para uma apresentação em Guarulhos - a rotina de dois shows por noite que o grupo sempre cumpre quando toca em grandes centros. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, os Aviões do Forró são tão populares quanto Ivete Sangalo ou a Banda Calypso. Tocam para platéias que variam entre 10 e 35 mil pessoas e causam comoção por onde passam com seu aparato de palco, ônibus e carretas plotados com o logo e a foto dos cantores do grupo - uma tradição inventada pelas bandas de forró, que competem entre si para ver quem tem a maior infra-extrutura. Sem ônibus (ou carreta) e sem as enormes plotagens com as fotos dos cantores, dificilmente uma banda consegue convencer o público a assistir o seu show. No mundo do forró, o aparato tecnológico é quase tão importante quanto a música. A suposta arte fica em segundo plano. O negócio é show business no sentido mais literal da palavra.

"A questão é quem São Paulo, apesar de tudo, existe preconceito contra o nordestino", respode Xand Avião quando lhe pergunto porque os Aviões não causam tanto barulho no Sudeste. As pessoas podem até ouvir e gostar de forró, mas não assumem isso porque na cabeça deles esse tipo de música está ligado às pessoas mais humildes, ao trabalhador, à doméstica, ao porteiro do prédio. Então elas preferem ignorar o tipo de música que a gente faz. Por isso ele fica restrito à periferia. Mas eu tenho o maior prazer de tocar aqui para essas pessoas. São nordestinos que vieram de longe, que sentem saudades de casa e que matam essa saudade indo a nossos shows. A classe média, a classe alta, eles não vem, tem preconceito."

Faz sentido. Numa cidade onde "baiano" é expressão pejorativa, a desconfiança de que o forró ainda não virou mainstream por questões de preconceito tem sua razão de ser. Se até o brega pop de Belém do Pará conseguiu projeção nacional via Banda Calypso, seguido pelo tecnobrega surrupiado dos paraenses pela Banda Djavu, o que falta para que o forró siga o mesmo caminho?

A resposta pode estar no novo disco dos Aviões do Forró. Depois de oito anos em esquema independente, a banda assinou com uma gravadora. Seu sétimo disco, "Aviões do Forró Volume 7", saiu em maio pela Som Livre. O investimento é alto e prevê apresentações em programas da globo e publicidade maciça. Quem sabe até mesmo música em novela. O objetivo é tirar o grupo do gueto das festas agropecuárias e casas de shows de periferia.

LOGÍSTICA PRÓPRIA

A questão é saber se a gravadora vai conseguir lidar com essa nova configuração de mercado criada pelos grupos populares do chamado Brasil Profundo. Assim como o tecnobrega de Belém, o forró criou seu próprio sistema de produção, distribuição e vendas. No forró, CDs e DVDs não são vendidos, são distribuidos ou dados de brinde na compra de merchandising ou ingressos. Ao planejar uma turnê, a banda mapeia as cidades por onde vai passar. Meses antes das apresentações, um representante do grupo passa por todas elas distribuindo CDs e DVDs. O investimento. O investimento é relativamente baixo. Mil discos custam em média R$500,00 para serem confecionados e rapidamente se multiplicam nas mãos dos camelôs, fàs e pirateiros, até atingir a casa dos milhares. Na semana do show o CD já está tocando na feira, no boteco, na cidade toda... Se der tudo certo, daí para um público de 20 mil pessoas pagando R$15 e R$30 por ingresso é um pulo. Os Aviões do Forró prensam mensalmente 50 mil discos.

Foi dessa forma que Antonio Isaias - um dos sócios dos Aviões do Forró, mais conhecido como Isaias CDs - transformou o grupo numa máquina de fazer dinheiro, estabelecendo uma escala industrial de produção que gerou uma série de outras bandas. Além dos Aviões, somente a A3 entretenimento - empresa que Isaías montou com os empresários Carlos Aristides e André Camurça em 2006 - controla as bandas Forró dos Plays, Forró do Muído, Solterões do Forró e mantém seis casas de shows e duas emissoras de rádio.

Xand Avião admite que sim, houve um choque inicial de interesses da Som Livre e o modelo de negócios adotado pelo grupo. Mas um acordo foi firmado e a banda só poderá manter seu esquema de distribuição gratuita nos seis lançamentos anteriores. O "Volume 7", explica ele, está sendo comercializado de acordo com a estratégia "ortodoxa" das gravadoras.

Difícil entender porque voltar ao convencional se o sistema criado por Isaias rendeu tanto dinheiro e visibilidade para o grupo. "Vale a pena porque a Som Livre é o aval que a gente precisa para crescer ainda mais", responde Xand. "O suporte que a gravadora vai nos dar deve fazer com que a gente saia deste mercado segmentado e alcançe o nível que a Calypso alcançou. Imagino a banda na TV, nos programas de auditório, na trilha das novelas. Quem sabe agora, que os Aviões vão começar a aparecer na Globo, a classe média não passa a gostar da gente?"

Enquanto a classe média não vem, o forró continua do mesmo jeito, nessa de ninguém musical que se formou nos recantos mais distantes do Brasil, onde direitos autorais e patrimoniais são mera abstração. Como não existe um mecanismo regulador, a pirataria pode ao mesmo tempo ser aliada e inimiga. É o que ocorre com a banda Forró do Muído, cuja música "São Amores" - uma versão não autorizada de "Son Amores" da dupla espanhola Andy & Lucas - estourou no norte quando a banda paraense Quero Mais a transformou em tecnobrega. Como sempre acontece nesses casos, passa a ser considerado autor da música o artista que primeiro estoura com ela em determinada região do país. Dependendo da parte do país em que você estiver, "São Amores" pode ser creditada ao Forró do Muído, aos Aviões do Forró, à Banda Djavú ou à Quero Mais.

É um conflito que está longe de se resolver. Até porque boa parte dos discos de forró que circulam longe dos grandes centros é de gravações ao vivo. Como é prática comum o show de uma banda não se limitar apenas às suas composições, quando um disco ao vivo chega aos camelôs, não fica muito claro ao público que músicas são daquele grupo, quais são as versões de sucessos internacionais ou quais são covers de artistas de outros gêneros e regiões do país. Produtores, músicos e empresários alegam desconhecer a procedência desse material, mas o fato é que, além dos CDs distribuídos por empresas como a A3, são as gravações ao vivo que ajudam a banda a massificar seu trabalho nas cidades mais distantes dos grandes centros e a impor como sua, a composição de outro artista.

MAL NECESSÁRIO

Vi o Forró do Muído ao vivo pela primeira vez em um show para 15 mil pessoas, no Parque de Exposições de Imperatriz (MA) em maio de 2009. Naquele momento "São Amores" era, ao mesmo tempo, um dos grandes hits das aparelhagens de tecnobrega de Belém do Pará, nas mãos da Quero Mais, e um sucesso que o Muído carregava em suas apresentações pelo Nordeste. Um período em que, muito antes da Banda Djavú, os paraenses acusavam de transformar em forró os sucessos de tecnobrega e vice-versa. A culpa, como não poderia deixar de ser, era dos misteriosos discos ao vivo, que atribuiam a autoria das músicas a quem estivesse executando no momento da gravação do show.

Por ironia, um dos pontos altos da apresentação do Muído foi durante a música "Ai que vida", cuja autoria muita gente credita ao grupo, mas que na verdade é do compositor Cícero Filho e foi gravada por Lili Araújo e Banda Bali em 2008. "Ai que vida" faz parte da trilha sonora da comédia de mesmo nome, dirigida pelo maranhense Cícero Filho e cultuada no Nordeste depois que caiu nas mãos da pirataria. Impulsionada pelas vendas no camelôs, em uma semana a produção fez, nos cinemas de Teresina, mais dinheiro do que Harry Potter e o Enigma do Principe. Na esteira do sucesso do filme, a música tornou-se febre no Piauí, Tocantins e Maranhão.

Mais tarde, no ônibus da banda, a vocalista Simaria - que desde 2007 divide a sociedade da banda com a irmã Simone, o cantor binha e a A3 Entretenimento - me explicaria que aprender a conviver com a informalidade é a única forma de sobreviver quando se está longe das gravadoras. Ela admite, porém, que o preço a se pagar por essa "ajuda" pode ser amargo demais: a falta de controle de direitos autorais e patrimoniais e a constante confusão na cabeça do público sobre a verdadeira procedência das músicas que consome.

De penetra em um camarim VIP do Santana Hall, observo a turma se espremer na beira do palco enquanto os Aviões do Forró tocam "O mundo gira", seu maior hit, um forró com tema de vingança amorosa cuja letra diz "Pintei o meu cabelo me valorizei / Entrei na academia / Eu malhei, malhei / Dei a volta por cima / E hoje te mostrei meu novo namorado". As mulheres se identificam com a letra e berram o refrão, que funciona como deixa para a vocalista Solange almeida emendar com "Me Adora", de Pitty, aquela do "que você me adora / que me acha foda".

A música termina e Xand Avião reaparece no palco. Pergunta quem é nordestino e quase todo o Santana Hall levanta os braços. Xand então cita nominalmente várias cidades: Fortaleza, Natal, João Pessoa, Sobral, Caruaru... A cada nome, mais gritos da platéia. Nessa noite, no Santana Hall, os Aviões do Forró são a sínteses dos anseios de autoafirmação e identidade do seu público. Agora, com um contrato com a Som Livre, exposição na TV e o sonhado acesso à classe média, é possível que tudo mude. E que encontros como esse, em lugares como o Santana Hall, jamais aconteçam novamente.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Novo e arriscado vôo dos Aviões do Forró & Dez alertas do controlador de vôo Timpin

É o fim de um conto de fadas.

Os Aviões do Forró assinaram um contrato de distribuição de seu Volume 7 com a Som Livre. Com a negociata, acabou tanto a distribuição gratuita de CDs nos shows, quanto o insentivo a downloads na Internet e farta oferta em camelódromos. E foram justamente essas duas práticas que cimentaram o sucesso da banda e garantiram-lhe o status de maior banda de forró da atualidade.




A justificativa para tal atitude é a presença em programas de auditório de peso, músicas inseridas em trilhas sonoras de novelas e divulgação em horário nobre. Com o selo da Globo na asa os Aviões poderão vencer o forte preconceito que a classe média do sul/sudeste alimenta contra as bandas de forró e finalmente alcançar o tão adiado sucesso nacional.

Se isso ocorresse, seria a correção de uma das maiores injustiças da história da música brasileira. Como Ivete Sangalo já falou, o vocalista Xandy Avião é a reencarnação de Jackcon do Pandeiro e Solanje Almeida é uma das melhores cantoras desse país.


Solanje Almeida, a popular SOOOOOOOOOOOlanja!!!


Só que esse lançe é arriscado. Timpin explica.

Tendo em mente o público sulista, na escolha do repertório evitaram letras mais picantes ou políticamente incorretas - o supra sumo da poesia dos Aviões - e deram uma limpada no som, numa nada sutil mudança na forma com que os arranjos foram concebidos.

O resultado foi que o disco, além de ter sido até agora pouco escutado no nordeste, por conta falta de distribuição gratuita e ausência nos camelódromos, não foi bem recebido pelo público local. Só que não é só isso.

Ao longo das 17 faixas do lançamento, não se encontra um único grande hit. O único candidato, a primeira música "Pegadinha do inglês" não chega aos pés dos grandes clássicos da fuleragem do naipe de "Risca Faca", "Beber, cair e levantar" ou "Chupa que é de uva". Nas românticas ocorre o mesmo, temos as bacaninhas "Feito Capim" e "Se livra dela", mas nada do nível de "Tô sozinho" ou "Pode chorar".

Se o pior acontecer, que seria o fracasso comercial no sul, os Aviões do Forró correm também o risco de perderem em casa o atual embate com a banda Garota Safada, essa sim, dono do grande hit de 2010, a simples e perfeitinha "Tentativas em vão". O conto de fadas não teria seu tradicional final feliz.


Aí está o vocalista Wesley Safadão da Garota Safada, que além de emplacar "Tentativas em vão", cultivar uma cabeleira style, sabe ordenhar vacas


Mas não quero construir fama de agourento. Gosto também de falar de coisas positivas. Existe uma banda que tem potencial para cumprir a missão de sucesso no sul que os Aviões se incubiu. Ela também é de Fortaleza e pertence a mesma A3 Entretenimentos que comanda os Aviões.

E seu nome é...Forró do Muído.


Eis A BANDA de forró que pode estourar nacionalmente


As razões que me levam a afirmar isso são inúmeras. A principal e a que mais me leva a ficar impressionado com a inédita falta de visão de mercado dos figurões da A3 é que o Muído é Pop. Extremamente Pop. Pop na ascepção do termo, ou seja, divertir, entreter e fazer das pessoas, criaturas mais felizes, ora bolas.

Os figurões da A3 que me referi chamam-se: Antonio Isaias, André Camurça e Carlos Aristides. Na esperança de que uma dessas três almas, por um desses milagres da conectividade virtual e do poder evangelizador do Twitter, calhar de ler esse texto, Timpas vai gastar um pouco de sua farta beleza e vai listar dez argumentos para demonstrar que o Muído sim, tem carta na manga para estourar nacionalmente e ser ouvido até em Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai.

- Possui um frontman competente e experiente, na figura de Binha Cardoso.
- As vocalistas Simone e Simaria são irmãs, lindas, jovens, carismáticas, competententes e tem uma história de vida que daria um filme versão feminina para Os Filhos de Francisco.
- O Forró Pé de Serra, cuja sonoridade o inconsciente coletivo do público do sul já assimilou via Luis Gonzaga, foi genialmente mantido no som da banda. A Zabumba tá lá, o triângulo, está tudo lá.
- O onipresente saxofone de Fabiano, que caracteriza tanto o estilo do Muído, também o transforma em algo moderno, vigoroso, contagiante e eu diria até internacional.
- As letras são jovens e divertidas.
- Músicas como as da meninha tem cacife para emplacar em novelas e gerar até produtos de mercandising.
- As versões de músicas estrangeiras, como a sensacional "Colado em suas mãos", que com um mínimo de boa vontade da A3 em acertar os direitos de reprodução para serem utilizadas, são hits prontos.
- A faixa etária dos fãs do Muído é a mais ampla entre todos os artistas nacionais, vai de crianças a aposentados do INSS.
- A presença de palco faz com que os shows sejam festas inesquecíveis.
- Por último, mas nem por isso mais importante, o Muído ainda não foi testado, até agora só foram lançados CDs promocionais, sem um único disco de carreira no mercado.

Pronto. Vou parar por aqui senão vou acabar escrevendo as 95 teses de Luthero e algum fã maluco do Muído - que é o que mais tem por aí - pode acabar imprimindo e pregando na porta da sede da A3 e o Isaías CDs, que é meio invocado, pode não entender a piada e mandar seus jagunços atrás de meu lindo e magrelo escalpelo loiro.

E eu não nasci pra ser herói, eu nasci pra ser cowboy, como o leitor pode conferir na ilustração abaixo.


No futuro todos os seres humanos serão assim, no salto evolutivo do homo sapiens sapiens pro homo sapiens timpinus

sexta-feira, 12 de março de 2010

Forró do Muído TENSO



Agora foi, as menininhas desencalharam. Simone e Simaria casaram no mesmo dia, na mesma igreja, economizando assim uma boa grana ao compartilharem festa e convidados. É praticamente um final feliz do conto de fadas que é o romance de Simaria com o espanhol lá. Marmanjos, percam as esperanças!

Mas agora vamos a pergunta que não quer calar. Por favou, me AUXILIEM nessa. Que CACETE é aquela cabeça colada na mão de Simaria?????

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O que o Forró do Muído e Victor & Léo tem em comum (e o que não tem)



É com imensa satisfação que noticio aqui que a coluna Forró do Muído - Pé de Serra para o Século XXI superou as QUATRO MIL LEITURAS!! É de longe o texto mais lido de todo o blog Bis MTV. Para se ter uma idéia da dimensão deste fenômeno, a coluna que está em segundo lugar em leituras é O Céu & o Inferno de Vicor e Léo, que a duas penas não consegue nem se aproximar dos dois mil acessos. Qual a explicação para isso?

Claro, tem o som extremamente original do Forró do Muído, tem aquela batida da zabumba perfeitamente audível, tem o sax do Fabiano cuja sonoridade é a marca registrada da banda, tem o talento e a longa experiência do vocalista Binha Cardoso, mas é inegável que o elemento catalizador dessa soma de igredientes é o apelo pop poderosíssimo da dupla de vocalistas, as irmãs Simone e Simaria Mendes.

Já é público os problemas que enfrentei com a assessoria de imprensa da A3 Entretenimentos quando escrevi a coluna das quatro mil leituras. Era para ter sido um artigo bem mais completo, com mais informações biográficas das cantoras e mais algumas colocações pontuais, que foram tesouradas pela assessoria. Claro, eu podia ter mandado a assessorias às favas e publicado do meu jeito, mas confesso que era iniciante e era meu primeiro contato com essa espécie de profissional. Acabei capitulando. Hoje não faço mais isso, mas está feito e agora paciência.

A colocação pontual mais revelante que foi cortada do texto final era a em que eu apontava na possibilidade latente do Forró do Muído estrapolar o nicho forrozeiro. Essa possibilidade já foi levada a cabo por outro nome da Musica Original Brasileira, a dupla Victor & Leo. Muita gente que nunca escutou um disco de musica sertaneja tem o Borboletas em seu aparelho de MP3 (o Borboletas e mais alguns, mas esse pelo menos é o que quase ninguém tem vergonha de dizer que tem). O mesmo pode acontecer com o Forró do Muído. Sei disso porque já testei aqui no meu ambiente de trabalho. Moro em Curitiba e por aqui são poucas as pessoas que ouvem forró e com o Muído a coisa acontece, as pessoas gostam.

Mas então, o que falta para o Forró do Muído acontecer nacionalmente? Um bom trabalho por parte da assessoria, trabalhando em perfeita sinergia com quem da mídia queira ajudar, seja ela oficial, seja ela independente. Com minha coluna do mês de maio eu tentei. Não consegui. Mas esse número, quatro mil leituras, não me permite a desistência e eu não desisti. Posso adiantar aos muideiros de todo esse país que estou com uma idéia na cabeça e não vou sossegar esse meu facho enquanto não a realizar.

Por enquanto deixo vocês com dois presentinhos. O primeiro é um texto sensacional de Janny Laura, uma futura blogueira que mora em Campina Grande da Paraíba e que, alem de bonita, simpática e inteligente, tem uma agenda de contatos de fazer inveja a muito jornalista cultural de arake. O segundo presente é uma lista de links para vocês baixarem todos os cinco discos promocionais que o Muído já lançou.

Não cochile não coleguinha!!!!!!!!

Valei-me, Nossa Senhora do Muído!



É assim, pedindo ajuda à santa protetora dos muideiros, que inicio minha aventura nesse mundo de blog, que para mim é um paradoxo: tão próximo, pois sou uma amante da internet (o que pessoas sem senso chamariam de “viciada”), e tão estranho, já que não me meto a encarar, quer dizer, até esse presente momento. Para me dar sorte, decidi escrever sobre algo que aprendi a gostar e que hoje faz parte constante em muitos aspectos da minha vida: o Forró do Muído.

A primeira vez que ouvi as vocalistas da banda, as irmãs Simaria e Simone Mendes, foi na época que elas substituíram a vocalista de Aviões do Forró, Solange Almeida, quando a mesma foi se submeter a uma cirurgia. Aqui no Nordeste, como já foi mostrado pelo Tim Pin, os shows são gravados e vendidos a torto e a direito e no comecinho de 2008 comprei o CD do show de Aviões em Soledade - PB, no qual as Coleguinhas, que até então eram desconhecidas, estavam cantando. Esse primeiro contato foi inesquecível, porque simplesmente eu odiei. Não, você não leu errado. Vou repetir: eu simplesmente o-di-ei! Quando ouvi o CD, umas vozes no mínimo diferentes me comendo o juízo, um palavreado que Deus me livre e guarde... Eu imaginei: “Se mainha sonhar que eu tô ouvindo uma coisa dessa, ela me deserda!”. Minha vontade era de quebrar o CD na cabeça daquele ambulante infeliz das costas ocas, mas graças a Deus e a Nossa Senhora do Muído que eu não fiz isso.

Só não sabia o porquê me pegava de vez em quando escutando aquele maldito CD. Escutava uma vez, depois outra, mais outra e depois outra de novo. Com pouco tempo, já sabia todas as músicas de frente pra trás, de trás pra frente, de cor e salteado, tinha decorado até os alôs que elas davam pro povo. “Se eu aguentar!”, pensava essa blogueira que vos fala. Logo me deparei baixando outros shows, e mais outros, e ouvindo, e gostando, e baixando, e ouvindo, e assim sucessivamente. Aí Solange se recuperou e voltou pra banda. Foi quando as Coleguinhas começaram a fazer nome com o Forró do Muído. Nesse momento, já olhei pra banda com outros olhos e não demorou muito pro Muidão, como é carinhosamente conhecida, torna-se rotina na minha vida.

Assim como aconteceu comigo, acabou acontecendo com o resto do Nordeste. Percebi que tava virando febre, porque não era só eu que tava viciada naquele som massa, mas muita gente só falava nela. Isso não é muito normal, porque o pau que mais tem por aqui é banda de forró, então é difícil surgir quase que uma unanimidade entre os forrozeiros. Foi então que eu comecei a olhar o Muído não somente como uma diversão, mas também como um objeto de estudo. Procurei desvendar que moléstia fazia nos prender à banda. Então eu vi que era mais fácil do que imaginava, pois como eles mesmos dizem: “Forró do Muído é diferente!”. E é mesmo. É diferente de todas as bandas que já vi e ouvi, das mais famosas às que só são conhecidas aqui em Campina Grande. E olhe que eu sou uma forrozeira assumida!

Essa diferença é perceptível já na parte visual. O Forró do Muído não tem dançarinos, que quando não é 8 é 80. O corpo de ballet numa banda é assim: quando acerta, fecha de cadeado e faz parecer que a banda é tampa-furico; mas também quando erra, torna a banda um circo, o público fica olhando pro palco pra mangar dos dançarinos. O Muidão não tem isso, e o melhor é que ninguém sente falta, porque Simaria e Simone tomam conta do palco, são irreverentes, engraçadas e improvisam como aqueles humoristas cearenses. Pouquíssimas cantoras tem uma presença daquela, e sem precisar usar figurinos, digamos assim, inusitados. Mas o que de fato atrai o público é a diferença do som. Quem já pensou juntar o pé de serra com o eletrônico? Pois é, Isaías imaginou isso e imaginou bem. Santa cabeça pensante essa do Isaías. O som do Muído é muito show, aquele forrozinho que meu avô gosta com a pegada que eu não dispenso. Assim, criou-se o pé de serra eletrônico. Genial!

Genial também foi minha idéia de criar a Equipe Muendo com Muído pra acompanhar a banda, pois em tão pouco tempo, ela já proporcionou muita coisa em minha vida, muitos contatos, amizades, parcerias e conquistas. E cada vez mais me identifico com o pessoal da banda, todos muito prestativos e atenciosos, do cara que carrega os instrumentos às Coleguinhas. Tá aí outro fator que segura esse sucesso estrondoso deles.

O Forró do Muído veio pra fazer um marco na história do forró. Em breve, será a banda de maior sucesso no cenário nacional. Se depender dos fãs dela, isso acontecerá logo, pois pense num fãs organizados são esses. Por fim, fiquem com essa célebre frase de Flaviane Torres, administradora do Blog do Muído: “Não basta ser forró, tem que ser Muído!”.



Janny Laura e sua amiga Simaria Mendes

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Links para download dos CDs Promocionais oficiais do Forró do Muído

Volume 1

Volume 2

Volume 3

Volume 4

Volume 5

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pagando Pau 2

Continuando a série de pagação de pau, vou colar aqui o post excelente do novo blog do Igor Mago. Ainda estou na batalha de encontrar bons blogueiros de forró. Esse do Igor, com toda a certeza, é um deles. Nesse post ela correu atrás de todos os compositores e cantores que gravaram originalmente as músicas do Volume 5 do Forró do Muído. E olha que essa não é uma tarefa fácil. Ficamos no aguardo de mais Posts Igor!

Forró do Muído Volume 5 - A Origem das Músicas




Olá meu povo, estamos de volta.

O pessoal já tava dizendo que eu estava muito “culto” e não estava falando de nenhuma das minhas bandas preferidas. Então trago Forró do Muído neste post e vou logo dizendo que Muído é mais do que cultura (rsrs), é sinônimo de alegria e diversão!!

“É ou num é ou num é?”

É! Então venho aqui falar um pouco da origem de algumas das músicas do mais novo cd da banda. Lançado no fim de Maio e estourado durante o São João, o “Volume 5” é na minha opinião, o melhor da banda até agora.

O CD ficou bem diversificado. Do samba trouxeram 3 músicas: Da Banda Samprazer sairam duas, “Paixão Veradeira” do Billy SP, e “Chora”, parceria do próprio Billy junto com André Lemos. A terceira é o hit “Para de pirraça” que vem da banda Imaginasamba, música dos integrantes Suel e Leandrinho junto com Paulinho do Swing e Simpatia.




Do Sertanejo, trouxeram da dupla Hugo Pena & Gabriel a ótima música “Fora do Eixo” escrita pelo próprio Hugo Pena em parceria com Ronais Borges e a canção “Coisas Esotéricas” do compositor Baroni. Além dessas, estão presentes a já estourada “Chora, Me liga” de João Bosco & Vinicius, escrita por Euler Coelho e também uma versão da música “Ajoelha e Chora” do grupo sul mato-grossense Tradição (aquela que estourou com a música do “Barquinho”). Esta canção é assinada por Luiz Cláudio, Markinhos Ulyan e Sandro Coelho, integrantes da própria banda.

Duas das mais belas músicas do CDs são versões de músicas internacionais. A música “Anjo” (Que no Brasil é também cantada por André Leonno) é uma versão da música “Angel” do cantor e compositor cubano Jon Secada (que fará show no Brasil em Outubro). Já a principal canção deste novo CD “Cuidado” é uma versão da música “Colgando en tus manos” do cantor e compositor venezuelano Carlos Baute que canta esta música junto com a espanhola Marta Sánchez.



Essa canção tem algumas coisas interessantes, na tradução. A versão de Simaria (nossa vocalista) que em português ficou: “Te envio mensagem as 4:40” em espanhol era “Te envio canciones de 4:40”. Na verdade, “4:40” é um grupo dominicano, que Baute queria fazer uma homenagem a um dos seus integrantes, o músico Juan Luis Guerra. A adaptação continuou fazendo “Marbella” virar “Venezza” e “Venezuela” virar “Fortaleza” e assim a versão forrozeira ficou show de bola e caiu no gosto da galera. Aliás, Simaria Mendes também assina junto com Emanoel a música “Rola um Flashback” que pra mim é uma das melhores do álbum.

O volume 5 segue com uma versão em forró da belíssima “Sem Você”, da banda de Rock Católica Rosa de Saron, escrita por Guilherme de Sá (o vocalista).

No gênero do forró, duas músicas são regravações: a irreverente “Não vem que não tem” do baiano radialista cantador Edigar Mão Branca e a “Ele é louco por forró” da ótima compositora Zelia Santti (Ainda farei um post sobre ela). Esta última canção foi lançada pela primeira vez pela banda sergipana Mulheres Perdidas.



Completando o CD, a já conhecida “Dança do Ice” versão nacional de Noberto Curvelo, da banda baiana Cangaia de Jegue para a música "Rise Up", do Dj suíço Yves Larock.

O restante tem a cara do muído: “Doidão, Loucão, tesão”, “A galera da curtição”, “Lei Seca”, “Volta atrás”, “Vai coleguinha”, “Me fez sofrer” e “Ai que vida”, fazem uso da irreverência, dos bordões, do romantismo e da animação que Simone Mendes, Simaria Mendes e Binha Cardoso trouxeram pra o forró!




Quem quiser baixar o volume 5 é só entrar no site do Forró do Muído em http://www.forrodomuido.com.br/.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Making Off da Coluna do Muído

Depois de dois meses de colagens de notícias, já está mais do que na hora de começar a blogar de verdade. Para estréia vou contar o making off da coluna do Forró do Muído, que é quase tão interessante quanto a coluna em si. Foi um mês de bateção de cabeça até chegar ao resultado final.

A idéia inicial era escrever um perfil bem bacana dos Aviões do Forró, que eu considero a melhor banda do estilo em atividade no momento. Pra inicio de conversa não sou jornalista formado, não tenho as manhas, não tenho as técnicas, logo, acessei o site da banda, fui na seção de contato e mandei um e-mail propondo uma pauta. Como sou um reles desconhecido, naturalmente que não me responderam.

Resolvi mudar de estratégia e atacar na comunidade oficial da banda, que tem milhares de membros. Dando uma lida nos tópicos identifiquei um cara que aparentemente sabia tudo sobre a banda. Mandei um scrap pro cidadão e ele inicialmente demonstrou interesse em ajudar. Somente inicialmente, pois novamente não recebi mais nenhum retorno. Só que fuçando nas comunidades do cara notei um padrão, todos estavam falando bem de um tal Forró do Muído.

Forró do Muído? Eita nomezinho estranho da gota, nunca jamais tinha ouvido falar. Imediatamente fui nas comunidades de download e tratei de baixar algo deles pra escutar. Foi só descompactar o arquivo e jogar no mp3 pra que a cagada fosse feita. De cara notei que além de tocarem forró de uma maneira muito original, o som tinha uma levada muito, mas muito maneira.

Fui escutando no mp3 no ônibus no caminho de casa, mal conseguindo esperar pra ouvir aquilo num som potente, se possível tomando uma gelada. Foi o que fiz e quando botei pra tocar o Muído Elétrico, versão acelerada das músicas pro carnaval, já estava subindo as paredes.

- Puta que o pariu cara, esse som é do caraaaaaaaaalho! - Estava definida a coluna da próxima semana.

No outro dia, de volta ao trampo, comecei minhas pesquisas na web. Se eu já estava apaixonado pelo som deles, imaginem a minha surpresa ao digitar o nome das vocalistas no google e ter essa foto como resposta. Amor a primeira vista.



O problema é que em termos de informações biográficas da banda, encontrei pouquíssima coisa. Um release breve da banda e apenas uma entrevista, nada mais. Muito pouco pra escrever a coluna que a banda merceia. Apenas a informação de que a banda era sucesso absoluto no norte e nordeste, com uma média superior a trinta shows por mês. No entanto, notei que tinha um blog muito bem organizado tocado pelos fãs. Calejado pelo fato de ter sido ignorado nas tentativas de contato via e-mail (o que já tinha ocorrido com o Fantasmão e com a Stefhany), resolvi mudar de tática e contatar os fãs.

Deu certo, no outro dia estava lá o e-mail de Flaviane Torres, uma das minas que tocavam o Blog do Muído, dizendo que achava a interessante a proposta. Melhor, ela tinha contado direto com Simaria, uma das vocalistas da banda. Animado com a perspecitiva de que Simaria responderia minhas perguntas, adiei a coluna do Muído por uma semana e acabei escrevendo o texto Pirataria Legal, sobre os caras que gravam os shows ao vivo. Escrevi dez perguntas e mandei pra Flaviane repassar pra Simaria.

Só que durante a semana a banda estava em turnê por cidades do interior, o que dificultava imensamente o contato, somente no fim de semana que Flaviane conseguiu repassar as perguntas para Simaria. Chaga a segunda-feira e nada de Simaria responder, terça-feira e nada novamente. Ocorre que eu tinha o hábito de enviar minhas colunas na segunda, no máximo terça-feira. Então, pelo MSN, desabafei pra Flaviane que tava foda, todos os meus esforços tentando contato, tentando divulgar a banda para um público diferente e eles nem tchuns.

Pedi pra ela que me contasse tudo o que sabia sobre a história da banda. Ela começou a escrever e não parou mais. Ficou meia hora digitando no improviso e forçando sua tendinite. No final, a coluna estava pronta. Foi só salvar a conversa, abrir meu editor de texto e escrever a matéria. Como Flaviane estava meio insegura quanto às informações, pediu o texto pra mostrar pra Simaria. Mais uma vez não obteve retorno. Já impaciente com a demora toda e crente de que não tinha escrito nada que comprometesse a banda, mandei a coluna pro pessoal do MTV Bis e fui embora.

Eis que então, lá pelas 20:00, a própria Simaria liga no meu celular. Meu coração quase parou, aquela gostosona e talentosa estava falando com euzinho, um fã recém conquistado. Só que a alegria se dissipou assim que ela acabou de se apresentar. Tinha muita coisa errada no texto, não era daquela forma que as coisas tinham acontecido. Quando desliguei o celular pensei:

- Caralho! Agora que dei uma dentro, acabo dando uma fora?

Estava sem computador e a lan house do bairro tinha sido fechada no fim de semana anterior. O que fazer? E se a matéria já estivesse on line, o que faríamos pra corrigir a besteirada? Liguei pra um amigo, passei meus dados e senha de e-mail e pedi pra ele enviar uma mensagem de pelamordedeus, não postem o texto! pro pessoal do Bis. Com o cú não, na manhã seguinte acesso o site e Ufa! Não tinha sido publicado. Simaria, na ligação, prometeu ligar de novo para corrigirmos tudo. O dia de quinta-feira passou e nada da ligação.

Na sexta-feira, as dez horas da manhã resolvi chutar o balde e gastar algum dinheiro com interurbanos. Liguei na A3 Entretenimentos, empresa que gerencia a banda e abri meu coração pro primeiro infeliz que me deu atenção. Disse que estava com a matéria pra lá de atrasada e que meu emprego estava em risco. O cara se comoveu e me passou o telefone da assessora de imprensa da banda. Liguei na casa da mulher, maior choradeira de criança e tal e expus meu problema.

Ela me deu o endereço de seu e-mail, pediu pra me passar o texto para corrigir e até o final do dia a coluna estaria fechada. Acontece que a banda estava em Fortaleza e faria um show pela noite, logo, a assessora estava assoberbada até o talo com as funções de ceder credenciais de imprensa e outros detalhes. Meu desconfiômetro piscou, meus nervos estava à flor da pele. Fui na farmácia mais próxima do trampo, comprei uma Maracujina, tomei meio vidro no gargalo mesmo, sentei na frente do PC, respirei fundo e pensei, tenho que escrever uma coluna tapa buraco pra semana não passar em branco.

Foi assim que surgiu a coluna "A salvação da produção musical vem da selva".

Desde que comecei a colunar no Bis que decretei o sábado como o dia de fazer minhas audições. Como minha área é vastíssima e não tem como eu conhecer todos os discos de todo mundo sobre os quais escrevo, costumo baixar tudo o que posso durante a semana e, no sábado, compro uma caixa de latinhas de cerveja, ponho o som no máximo e faço o que chamo de Imersão Total no Trabalho do Artista. Começo cedo, lá por uma da tarde e quando chega a noite já estou completamente bêbado e manjando tudo do som da banda ou do cantor.

E foi assim, no final da sessão etílica que estou eu lá, ouvindo Forró do Muído ao vivo em Massaranduba, quando toca o celular e ela própria, a mesma que estava cantando "São Amores" no volume máximo. Manguaçado que estava, foi mal ela começar a falar que já cortei.

- Você é uma traíra do caralho!
- O que?
- Ficou de me ligar e não ligou! Ficou de mandar e-mail e não mandou!
- Mas eu respondi as perguntas...
- Que porra de responder perguntas, sua fuleira! Eu não quero mais caralho nenhum de respostas, a porra do texto tá pronto, é só corrigir o que estava errado.
- Mas tu não recebeu minhas respostas?
- Recebi caralho nenhum!

E assim por diante.

Na segunda-feira, ressaca pantagruélica, eu era só arrependimento. Liguei pra assessora de imprensa e me desmanchei em desculpas. Ela riu um pouco e ficou de me ligar na terça pra acertarmos o texto por telefone mesmo. Liguei também pra Simaria (esse mês eu tô fudido com os descontos de ligações) e ela riu bastante com a comédia da situação e ficou de mandar o e-mail pro endereço correto, tinha mandado pro meu Hotmail bichado. Desta vez as duas cumpriram a promessa.

Ocorre que nem tudo seria tão fácil e indolor assim. Além de me passar as informações corretas, numa longa ligação de mais de quarenta minutos (bom!), começou a dar pitacos em frases que eu tinha escrito que, embora corretas, ela achava que não pegava bem pra imagem de Simaria (mau!). Já falei, não sou jornalista formado, não tenho experiência, foi meu primeiro contato com assessorias de imprensas.

Com esta frase, em específico, ela empiçou:

"As duas cantam desde criança, quando moravam no interior da Bahia. Cheias de talento, mas destituídas de uma banda, toda vez que tinha algum artista tocando em sua cidade elas iam lá e imploravam para cantar junto. Tanta persistência acabou levando as duas a toparem com Frank Aguiar, virando backing vocal e dançarinas da banda do hoje deputado federal."

Encasquetou com o "implorar". Nesta outra frase, implicou com o "chorar as pitangas":

"Insatisfeitas com o trabalho secundário que estavam fazendo, abandonaram o barco para se lançarem como dupla. Infelizmente, devido a falta de um empresário eficaz, os dois discos que lançaram não aconteceram. Foi quando resolveram chorar as pitangas para Fernando Gusmão, vocalista do Rasta Chinela."

Como vocês bem podem observar, essas frases não saíram no texto final, isso porque eu reescrevi quase tudo, mantendo apenas o parágrafo inicial e a piada com o espanhol no final, que tanto a assessora quanto a Simaria pediram pra tirar, mas que o casca grossa aqui, que pode até ser um folgado aprendendo jornalismo na base da quebração de cabeça, mas não é otário, manteve. Pô, Simaria querida, se por um acaso estiver lendo isso, entenda, trata-se de um final de texto que preserva aquela jovialidade característica do som da banda, além de dar aquele toque de humor imprescindível. Ficou legal, admita.

No final tudo deu certo, a coluna saiu, o pessoal do Blog do Muído divulgou e eu ainda por cima estou com a Simaria no meu MSN e na minha agenda do celular. Se eu fosse o espanhol namorado da Simaria, tratava de se mudar nem que fosse pra Quixeramobin e ficar mais perto de sua namorada. Não é por nada, mas sabe como é que é, nénão?

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Quer ler a reprodução da tal coluna? O Site Bis MTV não existe mais, então reproduzimos aqui no blog, clique já!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Forró do Muído: pé de serra para o século XXI

A Banda Calypso tem uma legião quase religiosa de fãs. No entanto, no show do dia 20 de março no Centro de Tradições Nordestinas em São Paulo quem roubou a cena foi uma banda nova do Ceará. Atuando no circuito de shows do norte há dois anos, o Forró do Muído parece repetir a mesma história de sucesso e fanatismo da banda de Chimbinha.

O Forró do Muído surgiu em 2007 quando Isaias, um dos empresários da A3 Entretenimentos, dona dos Aviões do Forró, resolveu montar uma banda de forró pé de serra. Só que o pessoal da A3 não costuma seguir fórmulas batidas, logo, trataram de modernizar sua banda somando à tradicional formação sanfona/zabumba/triângulo um baixo elétrico, bateria adicional e a grande sacada, o saxofone de Fabiano. No front, o vocal Binha Cardoso, forrozeiro das antigas com passagem em bandas como Canários do Reino e Brasas do Forró.

Mas ainda faltava uma vocalista que deixasse Isaías satisfeito. Várias já haviam sido testadas, mas nenhuma se encaixava com o perfil da banda. Foi quando recebeu uma ligação de Fernando Gusmão, empresário da banda Rasta Chinela, e soube que Simaria, antiga vocalista da banda do deputado federal Frank Aguiar, estava insatisfeita com os resultados da dupla que mantinha com sua irmã Simone. Já conhecendo o trabalho das duas, Isaias chamou imediatamente as meninas para uma conversa em Fortaleza. Elas eram tudo o que eles queriam para complementar o recém formado Forró do Muído.



No princípio a banda foi tocando em pequenos eventos particulares para que fosse testado o efeito daquele estilo diferente na platéia. O repertório jovem, o som envolvente e o carisma das vocalistas foi cativando o público até o ponto em que o pessoal da A3 decidiu gravar o primeiro CD promocional da banda. Com o lançamento do disco, de imediato a música "Deletando o Amor" foi subindo nas paradas das rádios até atingir o primeiro lugar.

O sucesso da música motivou o lançamento do segundo disco, e desta vez foram quatro hits. Daí para se tornarem o maior fenômeno no norte e nordeste da atualidade foi uma questão de meses. Com uma agenda lotada e fazendo uma média de trinta e seis shows por mês, o Forró do Muído está pronto, lapidado para estourar em todo o país. Enquanto bandas como os Aviões do Forró sentem dificuldade em serem digeridas fora do nicho forrozeiro, o som diferenciado do Muído tem potencial para vencer essa limitação.

Falar das apresentações do Muído para quem não os assistiu ao vivo é uma tarefa ingrata. Simone e Simaria são mestres na arte do improviso a ponto de seguramente podermos chamar o que elas fazem de forró free style. Simara, por exemplo, no meio de um show inventou do nada a sua versão pra Dança do Créu, que imediatamente caiu nas graças do povo. Outra característica fundamental das duas são os bordões, como "vocês são óóóóóóótimos" ou "vai coleguinha, vai vai coleguinha", que acabam virando gíria corrente entre os fãs.



Os detalhes que fazem a diferença são tantos que eu poderia ficar horas descrevendo. Um dos mais interessantes são as chamadas Raves do Muído, que é quando eles são escalados para serem a última banda a tocar nos eventos e o arrasta pé se estende até o raiar do dia.

Só que se você ficou curioso e afim de comprar um CD deles, nem pense em ir a uma loja. Todos os quatro discos promocionais deles são distribuídos de graça nos shows (invenção do Isaías, que eu poderia gastaria uma coluna inteira pra falar sobre ele) ou então adquiridos no, digamos assim, mercado informal. A banda está trabalhando seu primeiro disco de estúdio com previsão de lançamento em junho nas festividades de São João.

Essa história não termina aqui, essa história está apenas começando. E para os marmanjos folgados tais quais este escriba, deixo um brochante recado: Simaria está namorando um espanhol que ela conheceu pelo Orkut.

Pela sanfona de Luis Gonzaga! Poderia ter sido eu!

PS do Timpin.: Deixo aqui um imenso muito obrigado pro pessoal do blog do Muído.


originalmente publicado no site Bis

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