O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tecnomelody: Arte ou Crime Ambiental? - Debate entre Timpin e Rejane Bastos

Segue aqui o debate em torno do Tecnomelody do Pará. Legítima manifestação cultural e artística ou pretexto para a baderna e ultrapassagem dos limites do bom senso. Desta vez a palavra é da advogada Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio.



Para quem quiser acompanhar a discussão desde o começo, aqui está a parte um, a parte dois e a parte três. Esta é a quarta.

Com a palavra, Rejane Bastos.

Olá Timpas,

Acabo de inventar o instituto jurídico "quatréplica" para dar seguimento ao debate.

Agora sim, sem alfinetadas desnecessárias, vamos para o salutar campo dos argumentos.

Comecemos pela discussão sobre classes. Estas existem desde que o mundo é mundo, é fato inconteste, e até hoje não se pode afirmar com precisão o porque desse fenômeno. Até no mais puro comunismo existiam classes: A Dominante ( com subdivisões hierárquicas dentro dela) e o proletariado. Portanto, assumir que se pertença a uma classe com poder aquisitivo maior não é nenhuma novidade reveladora, isto é evidente. Agora, daí a decretar que a classe quer mandar e desmandar no que é bom ou não em termos culturais, assim como, rotular as "elites" dentro de uma visão discriminatória colocando a todos no mesmo balaio de esteriótipos vai uma distância muito grande, Ate porque, como eu já disse, existe uma infinidade de pessoas ricas que gostam de brega, assim como, uma infinidade de pobres que detestam.

Deixei claro também, que a opinião não era da Presidente dos Amigos do Silêncio, para não misturar as estaçõs, a instituição não atribui classe , ritmo, cor, raça ou credo ao barulho.A opinião sobre o ritmo é da pessoa física Rejane que nunca teve receio de irritar confrarias, adeptos ou simples induzidos pela mídia do que quer que seja com sua opinião. Quase me bateram certa vez quando eu disse que não gostava de João Gilberto, considerado gênio, afinal, não consigo nem ouvir o que ele canta! Que genialidade é esta? Não gosto e pronto. Critiquei certas melodias ridículas da Bossa Nova e fui considerada herege. Mas insisto: "O pato, vinha cantando alegremente..qué...qué...", só com muito álcool para achar isso o máximo.

Tive a ousadia de dizer que "Cats", o musical sensação da época não era lá essas coisas, me olhavam com espanto e desprezo. E assim sigo, não me rendendo aos que querem impor algo como sendo bom, e neste diapasão, o tcnomelody na minha opinião não passa de um ritmo voltado exclusivamente para venda, enjoativo ,com letras vulgares e sem a menor arte. Aliás, tem pré requisitos suficientes realmente para estourar no Brasil e no mundo, quem disse que europeus e americanos não gostam de coisa ruim? Quanto ao resto do Brasil isto ainda é mais fácil, no país do Axé, do Tchan, do Funk, do´"só no sapatinho" ," baba baby", entre tantos outras lástimas da mídia, qualquer coisa tem chance, é questão, repito, de uma Marlene Matos na administração.

Na Europa lhe digo que as chances são grandes, nos EUA as coisas complicam, são mais seletivos e preconceituosos, entretanto, a coisa é assim, ele gostam de curtir a bagunça no quintal dos outros. Vem aqui, fazem farra de todo tipo e voltam para seus países quietinhos e santos mantendo as leis e a normalidade. Quem se atrever a alucinar e colocar som alto em casa ou bares abertos, recebe em cinco minutos a visita da polícia. Certa vez em Daytona Beach, conhecida figura paraense pensou que estava em Salinas e ligou o som do carro, em minutos os robocops que patrulham a praia avisaram, ou desliga ou vai preso e fica sem o carro, simples assim.

A diferença é esta, Europa e EUA chegaram à excelência do cumprimento às normas e respeito ao próximo. Existem atividades para todos os tipos e gostos, entretanto, a regra basilar é não incomodar. Tem boates na Espanha que começam às 6:00 da manhã, porém, na rua não se ouve um ruído sequer e nada de gente na porta ou carro com som alto - ou entra ou sai - e lá dentro é só piração com direito a palco móvel. O sujeito alucina sem incomodar ninguém.

Voltando ao barulho em Belém, é inegável que sempre foi uma capital festeira, porém, não era barulhenta. Esse fenômeno foi recente e começou, justamente, com a onda das aparelhagens. O som era moderado e não incomodava tanto. Eu mesma sou testemunha da evolução do barulho. Morava no último andar de um edifício e na rua ao lado havia um barzinho que nem teto tinha. Ali o dono ligava um "três em um" e a turma se divertia muito. Com o som controlado ninguém precisava gritar para falar e o bar não incomodava ninguém, para se ouvir qualquer coisa tinha que ficar na janela, entrou em casa acabou. O sujeito começou a faturar um pouco , comprou um equipamento mais caro e colocou um teto de sapê, ainda assim, mantinha os decibéis e a frequência aumentava. O tempo passa, eu grávida da minha segunda filha vejo chegar umas caixas de som, mas, não imaginei o que vinha pela frente. Fui ter a criança e na primeira noite do bebê em casa aquele som de estremecer todas as janelas anuncia a desgraça: " Mestreeeeee soooommmmm". Daí para frente foi um inferno. Um dj ensandecido não parava de berrar madrugada à dentro e o ritmo - brega. O volume das vozes aumentou na mesma proporção e o local se tornou a filial do inferno para a vizinhança com direito até a tiros e muita brigalhada.

De fato, existem dois focos de discussão: A qualidade do brega como ritmo e a poluição sonora. Fato é que - inexoravelmente - estas estradas se encontram. O que toca nas festas de aparelhagem? O que toca nestes carros/boates que circulam criminosamente acordando todo mundo de madrugada? O que toca naquele vizinho que insiste em obrigar a toda vizinhança a ouvir o som dele? O que toca nas orlas? Garanto que não é rock, bossa nova, tecno, carimbó etc... é o brega, e às vezes ,um goiano perdido com o sertanejo. Por esta razão o brega chama a atenção para si e causa toda essa celeuma. Se não estivesse ligado umbilicalmente com milhares de reclamações que enchem o CIOP, a DPA e a DEMA de denúncias, talvez nem estivéssemos aqui falando dele. Ocorre que é um ritmo tocado nas alturas que incomoda horrores e que corre o risco de ser tombado como patrimônio, isto sim assusta e provoca a polêmica, pois, daí para termos um carro de som em cada esquina é um passo.

Se hoje o cidadão para conseguir a tutela do Estado quando está sendo vítima de poluição sonora já é uma dificuldade, imagina com o tombamento. A polícia quando chamada - se aparecer - vai dizer: " Mas o senhor está reclamando contra um patrimônio histórico tombado, que absurdo!". Vamos correr o risco de responder ação penal sob a capitulação da Lei 9605/98 se quebrarmos o cd da periquita. Imagina o som ambiente de uma cerimônia oficial de Estado: " vou te comer...vou te comer...vou te comer...

Olha Timpas, vamos falar sério, quem quiser faturar horrores com o ritmo que fature, nada contra, Nós já sobrevivemos à "boquinha da garrafa" , " só as cachorras", "créu" e tantas outras bizarrices. Só nos façam um favor, mantenham dentro dos limites das normas federais determinadas pelo CONAMA aquela vozinha prá lá de chata das interpretes do gênero feminino do brega, é só isso que pedimos, de resto, não existe uma guerra em prol da estigmatização de um ritmo, só uma chamada à realidade e ao bom senso, afinal, só aqui inventaram essa graça de se atribuir status de tombamento a um ritmo musical - me perdoe a franqueza - de gosto para lá de duvidoso como tantos outros que já surgiram.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Debate entre Timpin e Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio

Segue aqui minha tréplica, no debate com a Advogada Rejane Bastos. Para quem está pegando o bonde andando, tudo começou com um texto publicado na minha coluna jornal O Liberal, do estado do Pará, que pode ser lida clicando aqui. O blog publicou a réplica da advogada, que pode ser lida aqui. Eis então minha tréplica:

............

Fiquei feliz quando recebi a resposta da advogada Rejane Bastos, referente às minhas criticas que fiz com relação a uma carta aberta que ela havia divulgado na imprensa. É urgente que se abra uma linha de debate em torno do reconhecimento do Tecnomelody como autêntica manifestação cultural do estado do Pará.

Digo isso porque o ritmo está na eminência de estourar nacionalmente - quiçá globalmente - e continuar marginalizado no seu local de origem acabaria por revelar a todos as contradições de uma sociedade paraense com dificuldades em lidar com sua identidade. Por isso, comento aqui os argumentos da Dra. Rejane, na esperança de que no final deste debate, ambas as partes saiam ganhando.

A resposta começa com a alegação de que criou-se no Brasil um preconceito contra as supostas "elites" (aspas dela). No mesmo parágrafo, afirma que o que eu falei sobre "uma elite que nega seus traços de índio, pinta o cabelo de loiro e sonha em morar em condomínios, passar frio e usar casaco" (aspas minhas) é preconceito de minha parte. Só que no final de seu texto ela afirma que sente orgulho de pertencer à alta sociedade e ter condições de viajar pelo país para sentir frio. Onde está meu preconceito então? Afinal de contas ela assumiu que existe sim uma elite como a que textualmente foi citada por mim.

Mas o cerne da questão é tocado no seguinte trecho de uma frase da Dra.Rejane: "...trabalhadores que chegam exaustos em casa e sequer podem ver uma televisão, porque os Timpins da vida querem impor sua cultura em decibéis criminosos". Essa argumentação toca em dois pontos chaves nessa discussão.

O primeiro é a associação de que o problema de Belém ser uma cidade barulhenta deve-se exclusivamente a um ritmo específico, o Tecnomelody. O que eu quero dizer é que a luta contra a poluição sonora de Belém é uma causa de relevância incontestável e não está em questão. O que está em questão é essa associação direta, assumida reiterada vezes. E não só isso, o tempo todo o juízo de valor está lá, reafirmando que se trata de "letras ruins, melodia enjoativa". É novamente uma elite que se acha na consdição - ou no conhecimento de causa - de definir o que é bom, o que é ruim e o que é correto o povo ouvir.

O segundo ponto é tentar entender o que fez com que Belém se tornasse uma cidade tão barulhenta e o que é humanamente possível para remediar isso. Não se pode dizer simplesmente que o povo é ignorante e que uma boa educação resolveria. Ignorancia e falta de educação existem em todas as capitais, entretanto só Belém ergue a taça do Campeonato Brasileiro da Zoeira.

O hábito de se ouvir música na rua - e alto - surgiu lá nas décadas de 60 e 70 nos bairros pobres. Em parte para mostrar aos vizinhos que ele conseguiu ter um aparelho de som (naquela época um status absurdo), em parte porque em Belém faz muito calor e na periferia da cidade ir para a rua ouvir música nos finais de semana é uma forma de escapar do ambiente sufocante das casas de madeira e alvenaria sem ventilação dos bairros mais pobres.

Some-se a isso o fato de que o morador da periferia é de origem negra e indígena - povos de uma extrema musicalidade - e de que devido à localização geográfica, acabou por ter acesso a diversos ritmos. Desde os anos 50 se contrabandeavam discos de rock dos Estados Unidos e discos de cumbia, soca e merengue do Caribe e das Guianas. Foi o que possibilitou, por exemplo, a criação da guitarrada e da lambada, ritmos nascidos do contato da periferia da cidade com ritmos criados em outros países. Isso acabou por gerar um ambiente em que a música tem um papel muito forte.

Resumindo: existem fortes razões culturais, sociais e geográficas para Belém ser o que é. Diante de tantas contingências, sair por aí decretando leis que impeçam as aparelhagens de tocarem, apreendendo equipamentos de som ou fechando bares apartir de um certo horário, não resolve a questão. Muito pelo contrário. Corre-se o risco de se criar um estado policialesco que, diante do quadro agravante do aumento da criminalidade, pode ser muito perigoso.

São essas reflexões que os senhores deputados devem se fazer na hora de aprovar leis que se refiram ao mercado de consumo do Tecnomelody. Não esse debate acadêmico e vazio que quer tornar o Tecnomelody patrimônio cultural. Isso não faz o menor sentido. Um patrimônio cultural é algo construído com o tempo e o Tecnomelody é muito novo. Seria como se os baianos decretassem que Rebolation é patrimônio cultural do estado da Bahia.

O argumento decisivo contra o tombamento do Tecnomelody - e o termo tombamento aqui adquire até um duplo sentido - é que uma prática dessas visa a proteção de uma cultura contra infiltrações externas que denigram sua pureza. Ora pois, o Tecnomelody é um ritmo em constante inovação e sem nenhum pudor em importar samples de sanfona sertaneja, refrões de Cúbia Villera argentina ou fazer versões de hits americanos.

Para finalizar, volto a agradescer à advogada Rejane Bastos por ter aceitado esse debate. Em tempos de falência da dialética, onde a facilidade de emissão de opiniões muitas vezes vem mais para prejudicar de que para ajudar a resolver questões de suma importância para a sociedade, debater em um ambiente saudável e civilizado, é extremamente construtivo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Da série: Comentários que valem por posts



O leitor Robinho da Bahia comentou no post Sobre o preconceito que o Tecnomelody sofre por parte das elites do Pará :

Porra Timpin! Tu bateu seguro véio! "o lamento pela perda do poder do monopólio da emissão de bens culturais." Perfeito!
E ainda desce mais essa: "Os historiadores costumam dizer que quando um produto da cultura popular perde o vigor, passa a ser apreciado pelos especialistas". É por isso que Geraldo Teixeira é cultura, mas não Bruno e Marrone, João Bosco e Vinicius, Vitor e Léo, etc (ops, esses são, afinal tão na Globo). Alcione é cultura, mas Os travessos e Sorriso Maroto não são... Dominguinhos é cultura, mas Aviões, Cavaleiros, Forró do Muído não são... ô raça!


Faltou uma foto do cara para colocar aqui. Este é o cerne da questão. O que se aplica com o tecnomelody em Belém pode ser aplicado em qualquer ritmo verdadeiramente popular por esse Brasilzão.

Lembro que me senti constrangido quando passou na televisão uma cerimônia sobre a Copa de 2014 em que um bando de gringos batiam palminhas para uma apresentação percussiva vocal de uma dezena de branquelos. Fora um cover patético de "Minha Menina" que Os Mutantes lançaram nos anos 60!

Será essa a trilha sonora de 2014?

Francamente...

Alô Robinho! Eu só acrescentaria que Victor & Leo e João Bosco & Vinicius não só ainda não são considerados cultura como nem estão tão assim na Globo. Cadê eles no Criança Esperança desse ano? Até comentei no post que linkei no nome aí.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Direito de Resposta - Rejane Bastos expõe seus argumentos

Segue a réplica de Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio, de Belém do Pará à coluna que publiquei no jornal O Liberal nesta última terça-feira. Na coluna em questão, questiono o preconceito que a elite cultural paraense alimenta contra o Tecnomelody. A coluna pode ser lida no post anterior ou clicando aqui.

Ela permitiu a publicação e aceitou abrirmos uma série de debates. Portanto, aguardem minha tréplica.


Prezados,

Li com atenção a matéria e, realmente, não tinha tomado conhecimento da mesma. Ali sim, está retratado o verdadeiro preconceito contra supostas "elites". Minha carta ao Elias que nem de longe é um Diogo Mainardi, pelo contrário, é um jornalista bem talentoso, expressa a opinião, não de um segmento social, mas, de uma coletividade que já está de "saco cheio" de ter suas vidas invadidas pelo som histérico do tecnobrega.

Criou-se no Brasil um preconceito contra as supostas "elites", em especial contra os brancos, esse preconceito sim é que é destilado por pessoas que querem por força de decreto impor sua cultura, e democracia não é isto. As besteiras que o Timóteo falou sobre cor de cabelo, viagens, casacos e etc..., demonstram que na falta de argumento só resta o preconceito, o dele.

Com certeza ele desconhece que a maior parte dos cidadãos que procuraram a Associação Amigos do Silêncio pedindo socorro, é composta pessoas de baixa renda, negras, brancas, ruivas, louras, enfim, todos trabalhadores que exaustos ao chegar em seus lares, não podem sequer ver uma televisão porque os Timpins da vida querem impor sua cultura em decibéis criminosos.

Esse é o grande problema dos fãs do ritmo, querem empurrar pela goela da sociedade um ritmo que não é unanimidade, pelo contrário. Não se trata de ricos ou pobres, trata-se de essência, além de interesses puramente econômicos. As letras são ruins, a melodia super enjoativa e sempre tocada em altíssimos decibéis. Conheço uma infinidade de pobres que detestam o ritmo e uma infinidade de ricos que adoram. A diferença não é classe social, é espiritual e cultural.

Não se vê pelas ruas carros com som potente tocando rock clássico, mpb, samba, música clássica, bossa nova etc... O crime ambiental é, invariavelmente, cometido por fãs do brega em todas as suas modalidades. O tal de Timóteo Timpim, que eu nem sei de quem se trata, deve ser um dos maiores interessados no consumo do gênero, razão pela qual se incomodou tanto com as minhas palavras.

Quanto à crítica por tentarem fazer do ritmo um patrimônio cultural, continua de pé. Uma atividade que está sofrendo uma Ação Civil Pública e que registra os maiores índices de violência e que requer esforço dobrado da polícia retrata o esfacelamento social através de letras que só falam de bobagem, quando não incitam ao crime, tal qual o abominável Funk que invadiu o Rio sem dó nem piedade.

Tenho a impressão que na falta de argumento, este Timpim, contrariado pelas críticas que colaboram para uma reflexão por parte dos senhores deputados antes de votar um projeto a três tapas, resolveu dar uma resposta tardia e sem contexto a uma opinião que não é só a minha, é de uma coletividade, composta pelas classes: A, B e C. Além do mais, interesses imensos e obscuros devem estar por trás de tanto empenho em se aprovar o tombamento do ritmo como patrimônio cultural, tanto é assim que as críticas não são aceitas e rebatidas com preconceito e agressividade, como as do Timpim.

E as heresias continuam, comparar o "carimbó" com a "periquita", que viagem....

Lamento que interesses estejam sendo contrariados e continuo dizendo que estão se preocupando demais com que eu acho e digo, alguma coisa tem por trás disso. Uma coisa é certa, minha palavra tem peso, porque é emitida com bom senso, argumento, dados, e em especial, sem nenhum interesse a não ser o social. A Associação nunca tocou em nenhum tostão e sempre teve um trabalho voluntário em prol da sociedade e com reconhecimento nacional. Sou respeitada pelo que digo, porque tenho argumentos, tanto é assim que já me reuni, inclusive, com donos de aparelhagens e conversamos civilizadamente diversas vezes.

O autor da matéria que citou meu nome, sequer sabe interpretar texto, pois, incluiu o nome da Associação em uma questão onde ficou bem claro que não há preconceitos contra ritmo, e sim, contra crime ambiental e contravenção penal através de decibéis altíssimos em uma cidade campeã nacional em poluição sonora. A opinião sobre o ritmo é da Rejane Bastos, pessoa física, que, aliás, continua inalterada. Não gosto das músicas, nem das letras.

Tenho muito orgulho de ser branca, loura natural - aliás, o que mais tem são bregueiras super oxigenadas, elas sim tentam parecer o que não são, portanto, a contradição na crítica quanto aos cabelos é sem nexo - e pertencer a uma classe que, de fato, viaja, usa casaco e vai pegar um friozinho, como é bom ter a oportunidade de conhecer novas culturas e poder trazer isso para cá, e não sei porque isso tanto incomoda ao Timpim , afinal, a beleza do Brasil está nisso: diversidade de etnias que convivem em harmonia, sem preconceitos e sem disputas raciais ou religiosas, aliás, com certeza, ele nunca fez nem um terço do que eu já fiz pela sociedade, atendendo de graça vítimas de poluição sonora e indo a lugares bem pobres para verificar o tormento em que vivem. Ele também não sabe o que é viver em uma casa de madeira que treme toda quando a festa do brega começa.

Enfim, lamento que o Timpim esteja tendo os interesses contrariados e fique tão aborrecido, só isso explica o trabalho que teve de escrever e de me atacar. Já vi o site de vcs, que são super bonitos, charmosos e talentosos, torço pelo seu sucesso, em especial, se também são contra os decibéis criminosos. Desejo-lhes sorte na trajetória, porém, continua não sendo a minha predileção musical. Como vcs são do Amapá com certeza não estão inteirados do problema de poluição sonora que acomete Belém, não é uma briga de conceitos musicais e de classes sociais, é uma luta contra um crime ambiental que, infelizmente, vem em grande parte via ritmo brega.

Grande abraço,

Rejane Bastos

Sobre o preconceito que o Tecnomelody sofre por parte das elites do Pará

Esse texto foi publicado originalmente na edição de dessa terça-feira (24/08/2010) do jornal paraense O Liberal.



O debate que se formou em torno da aprovação do projeto de lei que transforma o tecnomelody em patrimônio cultural do estado do Pará é a prova de que em termos culturais vivemos em dois países dentro de um só. O primeiro Brasil é aquele que sabe o que é arte e cultura e o segundo não se importa se o que faz e consome é arte e cultura.

O segundo Brasil não sabe que o primeiro existe, ao passo que o primeiro gostaria que o segundo não existisse.

Que ninguém se engane, debaixo da argumentação contra a poluição sonora causada pelas aparelhagens, vendedores ambulantes e apreciadores de tecnomelody existe um subtexto bem claro: o preconceito contra manifestações culturais produzidas de baixo pra cima na pirâmide social.

Uma dos principais esforços para imperdir que o tecnomelody seja reconhecido como cultura popular é empreendido pela Associação Amigos do Silêncio, na pessoa da advogada Rejane Bastos. Em maio, quando o projeto de lei esteve em votação na Assembléia Legislativa, ela publicou na imprensa uma carta indignada que transborda preconceito de classe a cada frase infeliz.

Logo no segundo parágrafo ela pede licença para emitir sua opinião pessoal e declara que acha "...um desrespeito ao povo paraense, em geral, ter sua imagem associada ao tecnobrega, ritmo tão ruim quanto o funk e o axé". Trata-se do velho maniqueismo de nossas elites, que acha-se no direito de definir o que é bom, o que é o ruim e o que o povo deve consumir. E também, naturalmente, o lamento pela perda do poder do monopólio da emissão de bens culturais. Agora é o povo que decide o que quer consumir.

Mais pra frente afirma que o próprio nome do ritmo é um "desrespeito ao brega clássico dos excelentes Wando, Reginaldo Rossi e Odair José". Quer dizer que a distância do tempo necessariamente qualifica uma obra? Os historiadores costumam dizer que quando um produto da cultura popular perde o vigor, passa a ser apreciado pelos especialistas. Tudo o que é morto é inofensivo. E o tecnomelody está bem vivo, daí o incômodo.

Outro argumento que os detratores do movimento costumam usar é o ritmo estimula a baderna e o distúrbio da ordem social.

Engraçado. O Carimbó é atualmente considerado a manifestação cultural paraense por exelência. Ocorre que no final do século XIX ele era proibido de ser tocado, sob a argumentação de que os batuques e os versos gritados estimulavam - veja só - a baderna e o distúrbio.

Mas o ponto alto e mais emblemático da carta da Dra. Rejane Bastos é quando ela afirma que a verdadeira Belém é a "que ainda se vê nos casarões conservados, que dão uma pálida idéia do altíssimo nível das raizes do nosso povo". Nessa frase a advogada revela quem ela representa. Ela representa uma elite que - como diz o jornalista paraense Vladimir cunha - não gosta de ser ligada ao índio, ao negro, ao povo ribeirinho, ao morador da periferia. Uma elite que nega seus traços índios, pinta o cabelo de loiro, sonha em morar em condomínios fechados, passar frio, usar casaco.

Para essa gente, o tecnomelody lhe faz lembrar que ao redor das ilhas de conforto que ela ergueu, e nas quais perpetua a sua ilusão de embranquecimento e de pertencimento a uma realidade que não pode ser replicada numa cidade pobre e caótica como Belém, existe uma gente "feia", de pele escura, "mal-educada", "mal-vestida" e que ouve essa música dura, sexual, rude e que fere os ouvidos.

Uma coisa no entanto deve aqui ficar clara. Não se trata de defender a institucionalização do tecnomelody como cultura. O tecnomelody não precisa disso, ele aprendeu a se virar sozinho. Quando o colunista do jornal que cedeu seu espaço à publicação da carta da Dra. Rejane - um Diogo Mainardi sem o dom - pelo tom de sua retórica esperava uma resposta. Ela demorou um pouco, mas aí está.

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