O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

DVD Tô de Férias -A bela e emocionante Fênix do Grupo Tradição


A fênix é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas. Não sei se o guitarrista Wagner Pekois - único remanescente da formação original - sofreu alguma espécie de queimadura grave, mas ele segurou as pontas depois que todos os outros membro do Grupo Tradição picaram a mula, repetindo a atitude de Michel Teló. A banda foi reduzida a cinzas mas ele persistiu, escalou uma trupe de jovens músicos e eis que a banda ressurge das cinzas, mais bela e mais forte do que antes, calando a boca de muita gente que tinha decretado seu fim.


Tal decreto não era de todo sem fundamento. O Tradição tinha mais de uma década de carreira, praticamente com a mesma formação desde que era uma banda do circuito dos bailes, tocando por horas a fio. O carismático cantor Michel Teló era a própria imagem da banda. Tanto que logo após ele sair, eles fizeram uma mini turnê pelos Estados Unidos e foram hostilizados por desavisados que pensavam se tratar de uma fraude.

Só que a persistência dos dois Wagners - o guitarrista e o empresário Wagner Braga Hildebrand, criador da banda - aos poucos foram gerando frutos. Primeiro descobriram na banda gaúcha Os 4 Gaudérios dois irmãos extremamente talentosos, o cantor Guilherme e o baterista Leonardo. Do grupo sul matogrossense foram recrutados o sanfoneiro Jefferson e o baixista leandro. Com o percussionista Marcio, fecharam a formação e sairam em turnê pelo sul do país, aperfeiçoando o repertório e a sinergia do grupo.

Foram dois anos de tentativa e erro, os dois discos que lançaram de lá pra cá eram indecisos e irregulares, mas mostrava uma banda em busca da redescoberta de sua própria identidade. A gravação do DVD no primeiro semestre era a prova e provavelmente a última chance de voltarem a serem uma banda relevante no competitivo e saturado mercado atual da música sertaneja. Era tudo ou nada. E eis que essa semana lançam o DVD, intitulado Tô de Férias, gravado no Balneário de Camburiú e surpreenderam até os mais céticos. Enquanto a maioria dos artistas sertanejos adotaram um comportamento de manada, reproduzindo fórmulas em prol do sucesso fácil, o Tradição buscou em si o que os diferenciava do resto todo.


Já na faixa de abertura, evocam no ouvinte aquela saudade dos antigos discos que ele nem lembrava mais que sentia. Um ritmo contagiante, dançante que invoca a alegria e a festa. Logo em seguida emendam dois hits certeiros, o recente "Ingrata" que teve boa execução nas rádios locais e "Barquinho", sucesso do tempo de Michel Teló e que foi trilha da novela global América. A sequência de inéditas que se segue é irretocável, com o Tradição fazendo o que sabe de melhor, apartir da sanfona criada à base de chimarrão gaudério do vanerão, a inserção de elementos de axé, do forró e até de arrocha.

Eles conseguem soar tradicionais e modernos ao mesmo tempo, sem em momento algum soar forçado. A prova mais cabal são os dois pot-pourri que sucederam o lindíssimo dueto com a cantora Amannda na música "Eu tenho você". Primeiro dois modões de raiz que explicita o domínio técnico dos músicos, que a exceção de Pekois, todos com menos de 20 anos. Depois uma micareta com introdução de uma vinheta eletrônica, a cargo do DJ paulista, atualmente residindo em Uberlândia, Minas Gerais, Dan Rocha.

O segredo para que a peteca não caia nunca durante o show está na definição da sequência do repertório. Por exemplo, depois dessa ousada micareta eletrônica, um classico do antigo repertório "Eu tô bebendo todas" e depois mais inéditas, sempre intercalando dançantes com românticas. Do segundo caso "Beijo na chuva" com participação do novato Jairinho Delgado já nasce clássica. Sobre as participações cabe uma observação, eles não chamaram nenhum figurão para impulsionar as vendas, pelo contrário, Amannda, Jairinho e Felipe moro ainda não são conhecidos do grande público.


Os Pot-Pourris parecem que são mesmo uma das especialidades do Tradição. Mais uma vez eles se superam, primeiro resgatando dois clássicos da dupla Leandro & Leonardo: "Temporal de amor" e "Você vai ver" para depois atacar de "Moda de Bailão" e "Barulho da sanfona", musicas de bailão capazes de mover estátuas.

Quando o show se encaminha para o final, a grande supresa da noite. E não é que o baterista Leonardo também compões e canta bem? O reggaezinho "Te espero", composto com Jeffinho, o "Sanfoneiro Cachorrão", tem potencial pra emplacar em qualquer FM de música pop. Até neste aspecto a nova formação conseguiu resgatar - com o perdão do trocadilho involuntário a tradição do grupo, que era ter vários bons cantores na formação. Além de Guilherme, Pekois e Leandro, o baterista manda bem no microfone.

Como toda obra-prima que se preze, o final é daqueles de arrancar lágrimas de emoções até dos mais turrões, e confesso aqui que foi o meu caso. A emoção de todos os presentes no palco salta aos olhos e a história que envolve essa música e o próprio show fez com que o momento fosse ainda mais intenso.

Eles sempre tiveram o hábito de encerrar seus discos ao vivo com alguma canção gospel. O dia do show estava se aproximando e eles ainda não tinha a canção para o encerramento. Foi um técnicos de som chamado Janderson, que também arranha como cantor, apresentou um rascunho. Apartir dali a criação foi coletiva, com cada um dos meninos acrescentando uma frase aqui, outra acolá e a música ficou pronta praticamente no dia do show.

Ocorre que depois de uma semana inteira de tempo bom e de um dia inteiro de sol, horas antes da gravação um temporal se abate sobre Camboriú. Era como se o mundo desabasse sobre a alma de todos os envolvidos na produção. Foi quando o empresário Hildebrand lembrou-se de eventos semelhantes na época da gravação do primeiro DVD Micareta Sertaneja, penitenciou-se por sua pouca fé e fez suas preces. E a chuva passou, dando a todos os membros da banda o sentimento de garra e determinação que transparece nas imagens de todo o show e culmina na última música.

É emocionante ver Guilherme não conter as lágrimas ao cantar "Mais que vencedores", todos com os olhos úmidos e o nó na garganta é praticamente visível a olho nú. Quando a música acaba e os créditos sobem, uma enxurrada desaba dos céus, sem que o público demontre o mínimo de sinal de arredar o pé pra fugir da chuva. O final perfeito para um show perfeito. A imagem do cantor Guilherme se jogando no chão do palco, enxarcado pela chuva entrará para a história, assim como esse disco. Numa escala de zero a dez, a única nota que me vem na cabeça é onze.

sábado, 3 de setembro de 2011

Grupo Tradição e o novo caldeirão - a revolução vem de Campo Grande

De todas as influências que podemos destacar da moderna música sertaneja, o grupo sul-matogrossense Tradição é a mais forte. Os produtores Dudu Borges e Ivan Myazato fizeram escola na banda. Michel Teló era vocalista. O produtor, manager e marido de Jannayna, Carlos Dias, era baixista da banda. E por fim, Anderson Nogueira, que além de ter lançado um exelente disco solo como cantor, toca bateria na maioria absoluta de hits sertanejos da atualidade. O mesmo pode ser dito do percussionista Wlajones. Só que, como se pode notar pelas frases acima, nenhuma deles ainda está na banda. Mas então, o Tradição acabou? Nada!

Leandro, Marcio, Guilherme, Jeffinho, Leko e Pekois

Sob a liderança do guitarrista Wagner Pekois, o Tradição montou uma nova e jovem formação e durante os ultimos vinte meses lançou-se à estrada em turnês constantes pela região sul, meio à margem da mídia, arredondando seu repertório e introsando os novos membros. No primeiro semestre deste ano gravaram seu primeiro DVD no balneário de Camburiu, que está prestes a ser lançado. Hoje saiu o primeiro clipe do DVD, com a música "To Solteiro", que pode ser conferido aqui no Cabaret, com exclusividade.


Além do remanescente Pekois, o novo combo do Tradição é formado pelos irmãos Guilherme Bertoldo nos vocais e Leonardo, o Leko nas baquetas. Os dois são gaúchos e tocavam na banda 4 Gaudérios. Para substituir Gerson Oliveira, um dos melhores sanfoneiros do Brasil - e o único remanescente dos veteranos que sumiu do mercado - Gerson Nogueira, a responsabilidade caiu nas mãos do jovem descendente de indíos Jeffinho Vilalva. Escolado na arte do Chamamé. Jeffinho é oriundo do Grupo Zíngaro, assim como o baixista Leandro Azevedo. Tampando o caldeirão, o percussionista Marcio Pereira, recrutado dos campo-grandenses Mensageiros do Oeste.

Encontrei os meninos quando passaram por Curitiba no mês passado. Pela quantidade de palhaçada que uns faziam com outros e pelas histórias engraçadas contadas, dá pra ver que a sinergia do grupo está boa. Mas o que realmente me supreendeu foi o senso de responsabilidade e liderança do cantor Guilherme Bertoldo. Toda a vez que eu fazia uma pergunta mais cabeluda e direcionava para o Pekois, depois de poucas frases do guitarrista Guilherme já chamava o assunto para si. Guilherme sabe o que quer e demonstrou determinação em fazer acontecer.

Isso é particularmente interessante sob o ponto de vista do que foi discutido na conversa: os novos rumos da música sertaneja. Enquanto o resto da manada volta suas atenções para a região nordeste numa relação cada vez mais promíscua - no bom e no mal sentido - com o forró, o axé e o arrocha, Guilherme quer investir cada vez no diferencial do Tradição, que é o vanerão gaúcho e todas as suas variante. A música gaúcha sempre encontrou enormes dificuldades em se modernizar e o Tradição sempre foi sua válvula de escape, apesar da banda ser de Campo Grande.


Com a consolidação da música sertaneja como a nova música jovem no Brasil e depois do estouro de Luan Santana, soa meio óbvio a todos que só o que falta é uma boa banda, que dê continuidade a esta revolução. Dentre as existentes podemos listar Kanoa, Rhaas, Seu Maxixe, Amigos Sertanejos, mas todas elas possuem aquela característica em comum que foi citada, estão com os ouvidos voltados pro norte. Só o Tradição está buscando sul a base de sua criação.

Mesmo soando tradicionais - afinal surgiram fazendo isso nos anos 90 - e fazendo juz ao nome, ao ficarem sua base criativa no sul, o Tradição acaba se saindo inovador. A musica sertaneja atual foi influenciada pela antiga formação da banda. Será que esses moleques afeiçoados a uma boa macaquiçe conseguirão fazer o mesmo com a geração futura?

Como diria Napoleão Bonaparte, no sermão da montanha: - Vai saber... Mas que o caldeirão vai tremer, isso vai!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Michel Teló e um pouco de luz sobre a história do grupo Tradição

A TV Morena, afiliada da Rede Globo em Campo Grande-MS, está produzindo uma série de reportagens sobre os talentos locais que despontaram para o resto do país. A qualidade das reportagens é tão grande que eu não duvido se em breve não sejam reproduzidas no Fantástico.

Vou mostrar a vocês uma delas, sobre Michel Teló, que com sua "Fugidinha" conseguiu selar seu nome como sucesso nacional. O bacana desse vídeo é que de quebra acaba contanto também a história do grupo Tradição, uma das melhores bandas brasileiras de todos os gêneros.

Divirtam-se!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Wagner Pekois, o novo grupo Tradição e o Troféu Timpin de Topeira do Ano

Já fazia meses que estava tentando conversar longamente com Wagner Pekois, guitarrista do Tradição, sobre os desafios que a banda enfrenta depois que Michel Teló saiu fora, deflagrando uma série de baixas que levou a deixá-lo como único membro da formação original. No último dia 26 eles estariam em Curitiba para se apresentarem no Vitória Villa. Era a oportunidade de ouro. Liguei pro cara, combinamos a entrevista, dei meu telefone e pedi pra que ele me ligasse no dia, dizer onde estava e acertarmos os detalhes.

Quando dei a notícia pros meus filhos eles ficaram mais feliz que filhote de ganso em taipa de açude. Nos últimos dias o Arhur - oito anos e skatista iniciante - já fazia contagem regressiva, falta três dias, falta dois, é amanhã pai! Alice - quatro anos e mala sem alça sênior - consumiu as últimas reservas de paciência da familha cantando a música "Te dou o céu" pra repassar a letra e não fazer feio no dueto que pretendia fazer com o novo vocalista Guilherme Bertoldo.

Até a Mylena, que tem 12 anos e como chegou a pouco tempo do nordeste ainda não teve tempo de ser contaminada pela febre de fanatismo que a galera tem lá em casa pelo Tradição, se empolgou para ir junto.

Chega o bem-dito dia e tô eu lá no Orkut, na hora de meio-dia, o Pekois me encontra on line e em vez de me ligar, o viado resolve combinar tudo por ali mesmo. Sabe como é, o cara quando quer dar uma de bem bom e posar de bem relacionado pros colegas de trabalho, acaba comprando corda para o próprio enforcamento. Falei pra todo mundo:

- Ó vou me encontrar com os caras do Tradição nesse tal de Hotel Bristol hoje de noite!
- Porra, esse hotel aí chique pra cacete, deve ser até seis estrelas, fica ali no lado da Rua 24 Horas.
- Então fechou a polenta, vou filar uma meia dúzia de chopes e um jantar filé num restaurante do meu nível às custas do Tradição.

Daí só fiquei falando merda com o Pekois até que o dono do PC chegasse e me chutasse da cadeira. Liguei pra casa, dei a notícia pro povo e combinamos de nos encontrar as 18:45 no terminal tubo da Estação Central, no alto do Calçadão da XV.Quando o biarticulado encostou e galera desceu, vi que até a Dafne, filha da vizinha, integrou o combo.

- Caralho! Os caras vão pensar que eu trampo numa creche comunitária.

Aí pensei - ah, não dá nada, os caras são gente boa - e começemos a descer o calçadão em direção à 24 Horas. Não tinha anotado o número, mas lembrava que o hotel ficava na rua XV de novembro número mil e lá vai cacetada, então era só ir em frente até encontrar a placa Hotel Bristol. Atravessamos todo o calçadão, atravessamos a Praça Osório, passamos pela rua que ia dar na 24 Horas, andamos mais quatro quadras e nada do lazarento do Hotel. O pessoal já estava começando a ficar impaciente, principalmente minha esposa, sempre respectiva aos mínimos motivos para me encher o saco.

- Pede informação ué, pergunta praquele taxista ali.

O taxista não sabia me informar com precisão onde ficava o hotel. Perguntou se eu não sabia a rua e o número. Disse que só sabia a rua. XV de novembro.

- Ah meu filho, então você está procurando no lugar errado, a rua XV de novembro fica lá pra trás.
- Mas essa aqui não é a XV de novembro?
- Não, essa daqui é a Comendador Araújo.
- Quer dizer que a rua muda de nome depois que passa pela praça
- Sim!
- Mas, mas...tenho certeza que a rua era XV de novembro, numero e alguma coisa...
- Então esse hotel fica no Alto da XV, bem longe - e ficou me olhando como quem diz, opa! ganhei uma corrida, sem imaginar que eu estava liso.

Minha mulher ouviu a conversa toda e ficou me olhando como se eu fosse um inseto. Liguei pro Pekois, fora de área. Liguei pro novo baixista Lelê, desligado. Mas péraí, o cara da firma que tinha me dado a dica da localização era o Saul o mestre da logística que é capaz de achar o Hotel Pindaíba em Bodocó só pelo cheiro, liguei pra ele. Me falou que na verdade o hotel ficava na Visconde de Nacar. Nervoso, peguei todo mundo pelo braço e voltamos as quatro quadras e no local indicado, não achei nenhum Bristol, somente um De Ville. Liguei de novo pro Saul e ele me respondeu que então tinha se confundido com os nomes. E desligou. E eu descobri na prática a diferença entre as palavras logística e etimologia. Era bom com orientação e ruim como nomes, sacou mané?

Estagiários de psicologia sabem que quando o desepero se instaura em uma criatura, o primeiro traste inútil que ela se livra pra não afundar é a racionalidade. Fui perguntando pra cada um que encontrava na rua onde ficava o hotel, recolhendo informações confusas e contraditórias e andando, andando muito. Quando passamos pela terceira vez pela mesma esquina o otimista Arthur falou, entre divertido e apreensivo.

- Papai, parece que estamos perdidos numa floresta, andando em círculos.

E minha ficha e minha casa caíram. A noite estava fadada a passada no sofá. O que restou para tentar me redimir com os moleques foi levá-los para praticar contravenção autorizada, brincarem de patinação no sitio arqueológico da Praça Tiradentes. Lá tem umas ruinas em exposição protegidas por uma chapa de vidro. As acrianças adoram brincar em cima daquilo e de dia sempre tem um guardinha que proibe. De noite não.

Claro, ainda fiquei tentando ligar no celular do Pekois e toda hora conferindo se ELE por ventura não me ligaria notando meu atraso. O puto não ligou. Eu só não me injuriei e dei um Control Del em toda a discografia do Tradição quando cheguei em casa, porque assistimos a apresentação natalina das crianças cantantes e dançantes do Palácio Avenida. Foi emocionante e ora xongas, vamos admitir, a noite até que terminou legal.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tudo Junto & Misturado



Latino, como sempre, é o dono das melhores sacadas. Em seu novo disco, chamou vários amigos para fazer duetos. O resultado foi uma salada de ritmos capaz de fazer os puristas vomitarem as próprias tripas por quatro dias consecutivos. Latino sacou o espírito da época e graças às parcerias, misturou diversos estilos, com diversos graus de êxito.

Mas não é do disco dele que quero falar aqui. Não agora. Agora é a hora de falar de uma revolução nem um pouco silenciosa que está ocorrendo na música brasileira. Não é a MPB, esta se encontra em estado catatônico e nada de empolgante pode se esperar dela. São os ritmos populares, aqueles que são tratados como lixo pela Zelite Cultural.

A globalização fez bem para os ritmos populares. Ao invés de comprarem briga com os pirateiros, usaram a contravenção para divulgar o seu som. Se ligaram que dinheiro se ganha é fazendo show, é trabalhando e não desfrutando a vista do mar em apartamento em Ipanema, enquanto o ECAD deposita a verba dos direitos autorais direto na conta corrente. Vai trabalhar vagabundo!

Só que o aspecto mais interessante dessa coisa toda é que os estilos começaram e se influenciar mutuamente. O sertanejo incorporou a batida do vanerão e aposentou a choradeira do primeiro boom causado por Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano. Os pioneiros foram Bruno & Marrone. Reparem, Chitãozinho & Chororó nunca foram muito inovadores, apenas seguiam a maré.

O vanerão, que ficou anos e anos engessado, mantido em cativeiro dentro dos CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) chupinhou a batida do axé e do forró e modernizou-se, de modo a conquistar o público jovem, que já não suportava mais Gaúcho da Fronteira e Oswaldir & Carlos Magão. Tchê Garotos e o Grupo Tradição lotam estádios em suas turnês.


O forró, desde a inovação estética e formal que foi o Mastruz com Leite nos primórdios dos anos 90, sempre foi afeito a antropofagias diversas, por vezes as mais sem noção. Os caras são capazes de adaptar qualquer música ao ritmo do forró. Na época do frissom do filme "Tropa de Elite", até o A-ra-pa-pá eles conseguiram. E foram os Aviões do Forró que mais uma vez inovaram o estilo, com o minimalismo e a, por que não dizer? libertinagem do Pancadão carioca.


E a Banda Calypso, que eu considero a grande banda brasileira da década, influenciou todo mundo, principalmente com seu modus operandi: produção totalmente independente e vistas grossas à pirataria. Muito mais do que o anarco-capitalista Eike Batista, se tem um brasileiro que merece estar rico, este cidadão chama-se Chimbinha e neste momento está escolhendo as músicas de sua banda que estarão no playlist da próxima versão do Guitar Hero.

Desnecessário dizer que com toda essa mistura houve um salto de qualidade no som de todo mundo. A festa é geral, tá todo mundo feliz pacas. Justamente por não pertencerem a Zelite Cultural, não ocorreram brigas de ego e nem ataques de ciumeira de parte alguma. Eu arrisco de dizer que estamos na eminência de uma grande revolução na música brasileira. Um amálgama sonoro com potencial planetário. Muito mais que aquela porcaria fabricada em laboratório chamada Lambada.

O mais irônico nisso tudo é que a enviada especial da Zelite, aquela imbecil da Regina Cazé, só fez foi atrasar essa revolução em alguns anos em seus programas em que não fazia outra coisa além de estereotipar pessoas como este que vos escreve, pobre da periferia.

E a MPB como a conhecíamos? Ah essa daí, no dia em que a MTV propôr um Estúdio Coca-Cola reunindo Latino e Caetano Veloso, aí sim deposito 5mg de esperança em sua ressurreição.


originalmente publicado no site Bis

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