O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Gaby Amarantos conquista indies e moderninhos

Hoje será publicada minha segunda coluna no Jornal O Liberal.

Como ainda não acertei com eles os direitos para publicar também aqui no blog e como a leitura completa dos textos on line só é permitida para assinantes, vou republicar aqui uma resenha do show da Gaby Amarantos - que é o tema da minha coluna de hoje - para não deixar os frequentadores deste distinto Cabaré a ver navios.



Por: Danilo Saraiva
Direto de São Paulo - Portal Terra


"Amanhã no Sesc Pompeia tem bagaceira e sapatos com leed, tecnomelody do autêntico do Pará. E de grátis", prometeu Gaby Amarantos, auto-intitulada Beyoncé do Pará, musa do Tecnobrega, um dia antes de se apresentar em São Paulo, pela primeira vez no projeto Prata da Casa, no Sesc Pompeia.

A cantora, febre na internet depois de ter lançado o hit Tô Solteira, uma versão pra lá de festiva de Single Ladies, hit de Beyoncé, subiu ao palco com seus sapatos repletos de luzes piscantes, ainda que só o salto tenha funcionado da forma desejada, como ela mesmo citou - e reclamou - no começo da apresentação.

Mas se no Pará Gaby Amarantos consegue reunir multidões com seus hits absurdamente cafonas, em São Paulo, uma plateia um pouco mais seletiva foi acompanhar seu trabalho. Indies e moderninhos se amontoaram, talvez para a surpresa de Gaby, que pras "bandas" de cá só tornou-se famosa graças a uns tantos vídeos disponíveis no You Tube.

O público paulistano, aliás, embarca pouco na onda da nova popstar, apesar dos esforços da musa em conseguir uma reação um pouco mais acalorada do que as mãos pra cima ou as câmeras digitais em punho. Apesar do enorme carisma, Gaby ainda enfrenta a dificuldade de ver um público acostumado com atrações cerebrais se entregar por completo aos seus hits contagiantes.

Esse é, aliás, o problema da plateia paulistana: num primeiro momento, é preciso ter muito jogo de cintura para fazer todo mundo embarcar. Após muitas reboladas, vai-e-vem e até uma calcinha rasgada de tanto dançar, Gaby consegue dominar todo mundo de tal forma, que não há mais como distinguir o que é cafona do que é conceito. Gaby serve tanto para a Daslu como para a periferia. Em São Paulo, ela é o exemplo perfeito de multiculturalismo, algo que a cidade tanto se gaba de possuir - ainda que tenha uma certa vergonha dessa entrega.

A estrela, no Pará, é quase tão popular quanto seus companheiros do Calypso, a quem ela disse, "pelo amor de Deus", não tem nenhuma competição. Em São Paulo, ela tenta um lugar ao sol.

Lá pro final, um improvável dueto com Daniel Peixoto, vocalista da banda indie Montage, além de Fafá de Belém, também do Belém do Pará, que surgiu como atração surpresa e arrasou na dobradinha de Beba Doida, outro hit da web da estrela. No bis, uma homenagem a Fafá, numa versão "tecnobrega" de Vermelho, cantada em coro pelos moderninhos.

Na saída, reunião com fãs - muitos - e um roupão prateado para cobrir o figurino ousado. Em seu segundo show em São Paulo, Gaby Amarantos, a Beyoncé do Pará, finalmente fez algum alarde.

Na capital, ela se reunirá com Miranda, um dos jurados do Qual é o Seu Talento? e Kassin, o produtor hype da Orquestra Imperial, para começar as gravações de seu próximo disco. Tenho a leve impressão que ainda ouviremos falar muito dela.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Timpin agora é colunista do jornal O Liberal, de Belém do Pará



Quem me segue no Twitter ( @cabaredotimpin )já sabe, desde a semana passada que virei colunista no jornal O Liberal, de Belém do Pará. A primeira coluna foi impressa no jornal da terça-feira. No sábado era pra sair minha segunda coluna, mas por problemas de espaço, acabou não saindo. Para que a coitadinha não fique perdida nos escombros digitais das caixas de e-mail, vou postar aqui para que vocês possam ver.

É necessário levar em conta que foi escrita para o público paraense e no dia 14 de agosto, no caso sábado passado. Assim que obter autorização do pessoal d´O Liberal, posto as outras aqui também.


Magníficos e Garota Safada - um encontro de gerações

No show que ocorrerá amanhã no Cidade Folia, Belém terá a oportunidade de assistir os shows de dois grandes expoentes de duas importantíssimas gerações da história do forró. A geração que modernizou e popularizou definitivamente o gênero é representada pela banda Magníficos. Já a atual geração, que está pela bola oito de estourar nacionalmente, tem na Garota Safada, sua principal aposta.

Os veteranos da Banda Magníficos estão comerando 20 anos de uma carreira que é emblemática acerca do quanto a música pode ser um meio de ascenção social e uma fonte de belíssimas histórias de vida. E também do que pode acontecer quando se dá um instrumento musical para uma criança pobre.

Foi o caso do moleque Jotinha que morava em Monteiro, no interior da Paraíba e ganhou de seu pai uma safona de 60 baixos. Enquanto trabalhava como engraxate e vendedor de picolé, foi tentando tirar clássicos como "Asa Branca" e "Mulher Rendeira" e acabou dominar com maestria o intrumento, a ponto de animar seus irmãos a também aprenderem a tocar algo e montarem uma banda.

Entre esse começo casual e a gravação do primeiro CD independente em 1995 foram cinco anos de trabalho árduo e de uma esperta administração por parte de Jotinha, que investia na banda tudo que ganhava do seu emprego de menor estagiário, que conseguiu no Banco do Brasil aos quinze anos. Tanto que parou de tocar para apenas empresariar a banda, já com o nome Magníficos que ele achou num dicionário.

O primeiro disco fez sucesso apenas nas cidades vizinhas, mas o segundo foi um grande sucesso em todo o nordeste, puxado pelo hit "Meu Tesão é você" e no terceiro já estava na Sony Music. De lá pra cá a banda sempre manteve sua vitalidade e relevância no mercado. Hoje à noite apresenta no Cidade Folia seu show da turnê A Preferida do Brasil, na qual - segundo a vocalista Walkíria Santos - o romantismo impera. No repertório, as três músicas novas que estão sendo muito bem aceitas pelo público: "Diamantes", "Vou Chorar" e "Tá na Cara".

Mas atração da noite que promete arrastar uma multidão para o Forró Fest é o next big thing - termo usado na imprensa extrangeira que numa tradução livre soaria como "próxima grande banda" - do forró, a Garota Safada. Isso se já não é a maior banda da atualidade. No mês do São João foram mais de cinquenta shows. Todos eles concorridíssimos e com lotação esgotada.

Na esteira sucesso arrasa-quarteirão de "Tentativas em Vão" apresentará nesta noite seu novo repertório, capitaneado pela nova música de trabalho "Escravo do Amor", que já recorde de downloads em diversos servidores da Internet.

Aparentemente o som da Garota Safada não tem muita coisa de inovador. Onde está então o diferencial? Sem a menor sombra de dúvidas na figura de seu vocalista Wesley Safadão, que reúne talento, carisma, juventude, beleza e uma forte presença de palco. Mas não é só isso. O megasucesso da banda também se deve ao trabalho de formiguinha empreendido pela nova geração de fãs conectados nas redes sociais. Geração composta majoritariamente por meninhas que passam o dia inteiro escutando Garota Safada e enaltecendo os dotes físicos de seu vocalista de cabeleira fashion twitando, no Orkut ou no MSN.

E as meninhas adoram a bunda de Wesley Safadão. As menininhas veneram a bunda de Wesley Safadão. Estou falando aqui de uma faixa etária para a música realmente importa em suas vidas.

A festa de hoje promente esquentar. O passado sempre presente e o futuro forró reperesentados por essas duas bandas que não costumam fazer feio, a Garota Safada com seu repertório constatntemente renovado e a Magníficos com músicas inteiramente próprias, o que não é comum no meio. Pensar em faltar a uma balada dessas seria como tentar viver sem respirar ou apagar a chama de um vulcão. Pena que não estou em Belém.

sábado, 14 de agosto de 2010

Nenhum Sentido - Algumas questões intrigantes sobre as atrações do Criança Esperança 2010



- Existe história mais mal contada do que a desistência da Xuxa?

- O sertanejo nunca esteve tão em alta no Brasil. Porquê escalaram apenas Luan Santana e Paula Fernandes?

- A ausência de Victor & Leo (fora Jorge & Mateus, João Bosco & Vinicius e Fernando & Sorocaba, que são os que mais fazem sucesso na atualidade) não é um absurdo completo?

- Os Aviões do Forró fecharam um acordo ultra arriscado para sua carreira com a Som Livre justamente para participar de eventos assim. A questão é: porquê Dominguinhos vai se apresentar e não os Aviões.

- A Banda Calypso está completando dez anos de carreira e tem um público consolidado e fiel em todo os páis. Porquê Chimbinha e Joelma não estarão no palco.

- Da Bahia trouxeram Leo Santana com o infame Rebolation. Mas as músicas do carnaval baiano que mais bombaram naturalmente (porque Rebolation foi enfiada guela baixo via mega campanha de marketing)foram "Pense em Mim" na interpretação da cheiro de Amor e "Saia e Bicicletinha" que foi startada pelos mineiros da Kaçamba e ganhou repercussão nacional via zilhões de bandas baianas. Cadê eles?

- Charlie Brown Jr? Hã! Saúde!

- Não basta o Lenine encher nossas sacos com sua chatíssima música de abertura da Passione ainda teremos que aturá-lo ao vivo?

- Quem é Ana costa? A primeira resposta do Google é um hospital.

Um hospital... Hummmmm!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aviões do Forró e Forró do Muído na Revista Billboard Brasil

A Billboard Brasil, edição de junho, foi histórica. Pela primeira vez uma revista séria de música e de circulação nacional, colocou um artista sertanejo em sua capa: Luan Santana. Pena que não escalaram um profissional da área para fazer a matéria, o que fez com que resultasse extremamente superficial, não analisando a fundo o quanto o fenômeno Luan Santana - e de resto, a nova musica sertaneja inteira - representa para a renovação da música pop brasileira.



Na mesma edição foi publicada uma matéria preparada por alguém mais afim com o tema, o caso de Vladimir Cunha, com uma sensacional análise do atual mercado do forró, dando ênfase aos Aviões do Forró, recentemente contratados pela Som Livre, mas descrevendo também a bagunça que se tornou a questão dos direitos autorais.

Vou postar aqui a transcrição da matéria na íntegra. Vou fazer em duas partes, hoje posto o corpo da matéria e amanhã os apêndiçes, com comentários meus sobre os temas abordados. Polêmicos, vou logo avisando.

Se alguém quiser que eu transcreva a reportagem sobre o Luan Santana, é só dar o toque na caixa de comentários.

Boa leitura!

Upgrade no Bate-coxa

Faz um calor dos infernos em São Paulo na noite desta sexta-feira, em abril, mas no boteco do Pinguinzinho ninguém parece estar muito preocupado com isso. Como tantos outros bares da avenida Cruzeiro do Sul, bairro de Santana, o local é ponto de encontro de office-boys, comerciários, empregadas domésticas, motoboys, peões de obra. O som é alto: muito brega, calypso e forró eletr6onico de Calcinha Preta, Saia Rodada, Limão com Mel, Collo de Menina e Gatinha Manhosa. Pela avenina, o vai e vem de ônibus é intenso e destinos como Vila Nova Galvão, Jardim Fontális, Cachoeirinha, Jova Rural e Vista Alegre denunciam o estrato social dos passageiros. Não chega a ser uma vizinhança miserável, mas ela guarda poucas semelhanças com a São Paulo que aspira um dia a ser a Manhatan dos trópicos. As calçadas são mal cuidadas, o lixo se acumula aqui e ali e quase não se veem patrulhas policiais. Na esquina fica a praça construída onde antes era a penitenciária Carandiru. Do outro lado lado da rua - cercado por barracas de churrasquinho de gato e ambulantes vendendo cerveja, vinho barato e vodka com energético -, o Santana Hall, onde a banda Aviões do Forró faz sua primeira apresentação em São Paulo depois de dois anos longe da cidade.

Apesar do nome pomposo, o Santana Hall é a típica casa de shows da periferia. As paredes são encardidas e o chão de lajota está permanentemente úmido por causa do calor e dos copos com resto de bebidas que o público joga no chão. Nos mezaninos, "camarotes VIP" para quem pode pagar um pouco mais e não quer se espremer com o resto do povo na pista de dança. O backstage é acanhado; os camarins, modestos. Quando alguém liga a máquina de gelo seco, uma nuvem de fumaça torna quase impossível enxergar alguma coisa no corredor que dá acesso ao palco.

Sentado em uma cadeira de plástico, Xand Avião, vocalista da banda, aguarda sem parecer se incomodar. Do Santana Hall, segue hoje para uma apresentação em Guarulhos - a rotina de dois shows por noite que o grupo sempre cumpre quando toca em grandes centros. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, os Aviões do Forró são tão populares quanto Ivete Sangalo ou a Banda Calypso. Tocam para platéias que variam entre 10 e 35 mil pessoas e causam comoção por onde passam com seu aparato de palco, ônibus e carretas plotados com o logo e a foto dos cantores do grupo - uma tradição inventada pelas bandas de forró, que competem entre si para ver quem tem a maior infra-extrutura. Sem ônibus (ou carreta) e sem as enormes plotagens com as fotos dos cantores, dificilmente uma banda consegue convencer o público a assistir o seu show. No mundo do forró, o aparato tecnológico é quase tão importante quanto a música. A suposta arte fica em segundo plano. O negócio é show business no sentido mais literal da palavra.

"A questão é quem São Paulo, apesar de tudo, existe preconceito contra o nordestino", respode Xand Avião quando lhe pergunto porque os Aviões não causam tanto barulho no Sudeste. As pessoas podem até ouvir e gostar de forró, mas não assumem isso porque na cabeça deles esse tipo de música está ligado às pessoas mais humildes, ao trabalhador, à doméstica, ao porteiro do prédio. Então elas preferem ignorar o tipo de música que a gente faz. Por isso ele fica restrito à periferia. Mas eu tenho o maior prazer de tocar aqui para essas pessoas. São nordestinos que vieram de longe, que sentem saudades de casa e que matam essa saudade indo a nossos shows. A classe média, a classe alta, eles não vem, tem preconceito."

Faz sentido. Numa cidade onde "baiano" é expressão pejorativa, a desconfiança de que o forró ainda não virou mainstream por questões de preconceito tem sua razão de ser. Se até o brega pop de Belém do Pará conseguiu projeção nacional via Banda Calypso, seguido pelo tecnobrega surrupiado dos paraenses pela Banda Djavu, o que falta para que o forró siga o mesmo caminho?

A resposta pode estar no novo disco dos Aviões do Forró. Depois de oito anos em esquema independente, a banda assinou com uma gravadora. Seu sétimo disco, "Aviões do Forró Volume 7", saiu em maio pela Som Livre. O investimento é alto e prevê apresentações em programas da globo e publicidade maciça. Quem sabe até mesmo música em novela. O objetivo é tirar o grupo do gueto das festas agropecuárias e casas de shows de periferia.

LOGÍSTICA PRÓPRIA

A questão é saber se a gravadora vai conseguir lidar com essa nova configuração de mercado criada pelos grupos populares do chamado Brasil Profundo. Assim como o tecnobrega de Belém, o forró criou seu próprio sistema de produção, distribuição e vendas. No forró, CDs e DVDs não são vendidos, são distribuidos ou dados de brinde na compra de merchandising ou ingressos. Ao planejar uma turnê, a banda mapeia as cidades por onde vai passar. Meses antes das apresentações, um representante do grupo passa por todas elas distribuindo CDs e DVDs. O investimento. O investimento é relativamente baixo. Mil discos custam em média R$500,00 para serem confecionados e rapidamente se multiplicam nas mãos dos camelôs, fàs e pirateiros, até atingir a casa dos milhares. Na semana do show o CD já está tocando na feira, no boteco, na cidade toda... Se der tudo certo, daí para um público de 20 mil pessoas pagando R$15 e R$30 por ingresso é um pulo. Os Aviões do Forró prensam mensalmente 50 mil discos.

Foi dessa forma que Antonio Isaias - um dos sócios dos Aviões do Forró, mais conhecido como Isaias CDs - transformou o grupo numa máquina de fazer dinheiro, estabelecendo uma escala industrial de produção que gerou uma série de outras bandas. Além dos Aviões, somente a A3 entretenimento - empresa que Isaías montou com os empresários Carlos Aristides e André Camurça em 2006 - controla as bandas Forró dos Plays, Forró do Muído, Solterões do Forró e mantém seis casas de shows e duas emissoras de rádio.

Xand Avião admite que sim, houve um choque inicial de interesses da Som Livre e o modelo de negócios adotado pelo grupo. Mas um acordo foi firmado e a banda só poderá manter seu esquema de distribuição gratuita nos seis lançamentos anteriores. O "Volume 7", explica ele, está sendo comercializado de acordo com a estratégia "ortodoxa" das gravadoras.

Difícil entender porque voltar ao convencional se o sistema criado por Isaias rendeu tanto dinheiro e visibilidade para o grupo. "Vale a pena porque a Som Livre é o aval que a gente precisa para crescer ainda mais", responde Xand. "O suporte que a gravadora vai nos dar deve fazer com que a gente saia deste mercado segmentado e alcançe o nível que a Calypso alcançou. Imagino a banda na TV, nos programas de auditório, na trilha das novelas. Quem sabe agora, que os Aviões vão começar a aparecer na Globo, a classe média não passa a gostar da gente?"

Enquanto a classe média não vem, o forró continua do mesmo jeito, nessa de ninguém musical que se formou nos recantos mais distantes do Brasil, onde direitos autorais e patrimoniais são mera abstração. Como não existe um mecanismo regulador, a pirataria pode ao mesmo tempo ser aliada e inimiga. É o que ocorre com a banda Forró do Muído, cuja música "São Amores" - uma versão não autorizada de "Son Amores" da dupla espanhola Andy & Lucas - estourou no norte quando a banda paraense Quero Mais a transformou em tecnobrega. Como sempre acontece nesses casos, passa a ser considerado autor da música o artista que primeiro estoura com ela em determinada região do país. Dependendo da parte do país em que você estiver, "São Amores" pode ser creditada ao Forró do Muído, aos Aviões do Forró, à Banda Djavú ou à Quero Mais.

É um conflito que está longe de se resolver. Até porque boa parte dos discos de forró que circulam longe dos grandes centros é de gravações ao vivo. Como é prática comum o show de uma banda não se limitar apenas às suas composições, quando um disco ao vivo chega aos camelôs, não fica muito claro ao público que músicas são daquele grupo, quais são as versões de sucessos internacionais ou quais são covers de artistas de outros gêneros e regiões do país. Produtores, músicos e empresários alegam desconhecer a procedência desse material, mas o fato é que, além dos CDs distribuídos por empresas como a A3, são as gravações ao vivo que ajudam a banda a massificar seu trabalho nas cidades mais distantes dos grandes centros e a impor como sua, a composição de outro artista.

MAL NECESSÁRIO

Vi o Forró do Muído ao vivo pela primeira vez em um show para 15 mil pessoas, no Parque de Exposições de Imperatriz (MA) em maio de 2009. Naquele momento "São Amores" era, ao mesmo tempo, um dos grandes hits das aparelhagens de tecnobrega de Belém do Pará, nas mãos da Quero Mais, e um sucesso que o Muído carregava em suas apresentações pelo Nordeste. Um período em que, muito antes da Banda Djavú, os paraenses acusavam de transformar em forró os sucessos de tecnobrega e vice-versa. A culpa, como não poderia deixar de ser, era dos misteriosos discos ao vivo, que atribuiam a autoria das músicas a quem estivesse executando no momento da gravação do show.

Por ironia, um dos pontos altos da apresentação do Muído foi durante a música "Ai que vida", cuja autoria muita gente credita ao grupo, mas que na verdade é do compositor Cícero Filho e foi gravada por Lili Araújo e Banda Bali em 2008. "Ai que vida" faz parte da trilha sonora da comédia de mesmo nome, dirigida pelo maranhense Cícero Filho e cultuada no Nordeste depois que caiu nas mãos da pirataria. Impulsionada pelas vendas no camelôs, em uma semana a produção fez, nos cinemas de Teresina, mais dinheiro do que Harry Potter e o Enigma do Principe. Na esteira do sucesso do filme, a música tornou-se febre no Piauí, Tocantins e Maranhão.

Mais tarde, no ônibus da banda, a vocalista Simaria - que desde 2007 divide a sociedade da banda com a irmã Simone, o cantor binha e a A3 Entretenimento - me explicaria que aprender a conviver com a informalidade é a única forma de sobreviver quando se está longe das gravadoras. Ela admite, porém, que o preço a se pagar por essa "ajuda" pode ser amargo demais: a falta de controle de direitos autorais e patrimoniais e a constante confusão na cabeça do público sobre a verdadeira procedência das músicas que consome.

De penetra em um camarim VIP do Santana Hall, observo a turma se espremer na beira do palco enquanto os Aviões do Forró tocam "O mundo gira", seu maior hit, um forró com tema de vingança amorosa cuja letra diz "Pintei o meu cabelo me valorizei / Entrei na academia / Eu malhei, malhei / Dei a volta por cima / E hoje te mostrei meu novo namorado". As mulheres se identificam com a letra e berram o refrão, que funciona como deixa para a vocalista Solange almeida emendar com "Me Adora", de Pitty, aquela do "que você me adora / que me acha foda".

A música termina e Xand Avião reaparece no palco. Pergunta quem é nordestino e quase todo o Santana Hall levanta os braços. Xand então cita nominalmente várias cidades: Fortaleza, Natal, João Pessoa, Sobral, Caruaru... A cada nome, mais gritos da platéia. Nessa noite, no Santana Hall, os Aviões do Forró são a sínteses dos anseios de autoafirmação e identidade do seu público. Agora, com um contrato com a Som Livre, exposição na TV e o sonhado acesso à classe média, é possível que tudo mude. E que encontros como esse, em lugares como o Santana Hall, jamais aconteçam novamente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Considerações Extemporâneas acerca de Luan Santana enquanto Fenômeno de Mídia de Massa

Para compensar o post colegial sobre Luan Santana na semana passada, eis aqui um post acadêmico sobre o rapaz.



Considerações Extemporâneas acerca de Luan Santana enquanto Fenômeno de Mídia de Massa


1

Luan Santana participou esta semana de um quadro no programa Caceta & Planeta da Rede Globo. O fato evidencia uma clara estratégia das Organizações Globo, que durante muito tempo deteve o monopólio na formação da opinião pública deste país, em tranformá-lo no grande fenômeno de massas por definição. Principalmente entre o público jovem, posto que também participou de Malhação, mas não só.

2

A tendencia mercantil, vigente entre os cantores sertanejos de fazerem cruzeiros transtlânticos, foi deguida também pelos produtores de Luan Santana. Em dezembro será efetuado o cruzeiro do jovem cantor. Correm a mensagens pequenas via twitter que no Cruzeiro, posto que a faixa etária dos viajantes será essencialmente composta por adolescentes, o que implica a proibição de bebidas de teor etílico, algodões doces e tubaínas serão gratuitos, assim como as camas elásticas, que no entanto terão seu tempo de uso limitado a três minutos, para evitar confusões.

3

As recorrentes reclamações quanto ao fato de que Luan Santana não cita o nome de Sorocaba como seu tutor responsável por sua meteórica ascenção nas mídias de massa, por certo momento chegaram a arranhar sua imagem de garoto humilde. Some-se a isso a preocupação de amplos setores do meio sertanejo de que sem os hits de Sorocaba, um eventual disco subsequente de Luan resultasse num retumbante fracasso. O silencio quanto a responsabilidades éticas na relação compositor/cantor, se deu aparentemente por razões contratuais entre diferentes gravadoras. Com a recente contratação da dupla Fernando & Sorocaba, este empecilho será superado e mais um capítulo da História será inuagurado.

4

O evidente extrabismo de Luan Santana acabou por resultar num acalorado debate sobre como pequenos comentários acerca da anatomia de certas celebridades resultam em comoções públicas que ampliam o conceito de relevância da informação, assim como forneceu um riquíssimo mateiral para estudos psicológicos quanto aos instintos primitivos despertados ao arquétipo do ídolo for abordado de formas que não de idolatria destituída de ambiguidades.

5

A dupla de apresentadores Fausto Silva e Xuxa Meneghel, em seus respectivos programas semanais, demostraram um aparente constrangimento e, sob certos aspectos, até uma velada supresa, ao verem suas platéias cantarem as canções de Luan Santana em uníssono, ao passo que eles mesmo, desconheciam os versos. O fato implica a existencia de dois contextos culturais neste país, sendo que um não sabe da existência do outro e o outro não gostaria que o primeiro existisse.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Bandas Djavus causam confusão na cabeça de jornalistas afobados

Alguém aí lembra do Watergate do tecnobrega, que escrevi no final do ano passado? Pois essa semana um dos personagens daquele rolo causaou uma enorme confusão na internet. A principio o jornal da Bahia Folha On Line divulgou a seguinte notícia:


Acidente na BR-116 na Bahia mata o vocalista da banda Dejavú


Seis pessoas morreram e uma ficou gravemente ferida na manhã deste sábado, em um acidente que aconteceu por volta das 6h30, envolvendo dois carros na BR-116, em Planalto, na Bahia.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, as vítimas de ambos os carros eram componentes de bandas e uma delas estava voltando de um show.

De acordo com a polícia, um dos carros invadiu a contramão e bateu de frente com o outro veículo. O vocalista da banda de tecnobrega, Marcos Costa da Silva, de 29 anos, morreu no acidente, assim como o outro componente da banda, Herbert Almeida Cruz, de 33 anos.

No outro veículo quatro pessoas morreram, entre elas duas dançarinas de outra banda. A única sobrevivente foi Jéssica Mayara Barbosa Nunes, de 18 anos. Ela sofreu traumatismo craniano e está internada no Hospital Geral de Vitória da Conquista.

Folha On Line


Quem leu o Watergate do Tecnobrega está ligado da quantidade de cópias que surgiram da banda Djavu. Logo, um monte de sites trocaram as bolas e anunciaram a morte do cantor errado. O site que mais se confundiu foi o Portal Forrozão, que anunciou como se fosse a morte de Geanderson, cantor da Djavu oficial, ilustrou com a foto do Dejavu do Brasil, que é por assim dizer a "extra-oficial", sendo que na verdade quem morreu foi o cantor da DJ Javu, a cópia da cópia da cópia da cópia.

Para vocês terem uma idéia do naipe da cara de pau dos copiões, vejam a foto da Djavu oficial.



Agora vejam a cópia da cópia da cópia da cópia...




Néfoda?

Mais uma frente de batalha

Fiquem ligados, apartir do próximo domingo serei colunista do jornal O Liberal, lá de Belém do Pará. Além de escrever sobre os ritmos de lá - a saber: calypso, tecnomeloy entre outros - vou abordar também os outros ritmos polulares que abordo aqui no blog, afinal de contas o povo do Pará escuta de tudo.

Conto com vocês para divulgarem esta minha nova empreitada.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Eu sou fã da Janny Laura




Conheci a figura na época em que escrevi meu primeiro texto sobre o Forró do Muído. Ela é fera em criar redes de contatos quentes que rendem informação de alta qualidade. De lá pra cá desenvolvemos uma amizade cativante. Quando o André Forastieri me permitiu que convidasse novas cabeçcas para colunarem no BiS MTV o primeiro nome que veio na cabeça foi a Jannynha.

Adoro o estilo de retórica dela. Dá pra "ouvir" o sotaque nordestino gostoso em suas frases. A terminologia dela é originalíssima. Vivo implorando que ela blogue com mais frenquencia, mas dentre outras virtudes, a danada é humilde.

Desta vez ela emplacou um texto sensacional onde compara a cantora Joelma, da banda Calypso com Lady Gaga. Genial. Vejam o primeiro parágrafo e se curtiram, confiram o resto no Bis MTV.

Essa uma pergunta difícil. Quer dizer, pior que difícil. No mínimo, essa é uma questão muito polêmica, principalmente porque tanto os fãs de Joelma quanto os fãs de Lady Gaga são um pouco “xiitas” (pelo amor de Nossa Senhora do Bom Humor, não me levem a mal!). Mas eu vou opinar mesmo assim, que eu não ganho dinheiro pra ficar calada (nem pra falar também, mas o atrevimento do mundo todinho rodou e parou em mim, fazer o quê, né?)

leiam o resto clicando aqui > Joelma x Lady Gaga

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Revista Pôster de Luan Santana

No mês passado fiz a redação do texto que foi publicado em anexo à revista poster de Luan Santana. Vou mostrar pra vocês, mas já de cara vou alertando que se trata de uma publicação voltada a um público pré-adolescente. Logo, não esperem altos níveis de retórica. A linguagem é bem simples.

A parte dos números de Luan Santana já está bem desatualizada. A quantidade de membros na comunidade do Orkut, por exemplo, já ultrapassou os 300.000 e não pára de crescer. Pelo andar da carruagem, o rapaz vai fechar o ano com a maior comunidade de um artista nacional em toda a rede social.



Introdução

No Brasil já existiram vários ídolos que conquistaram milhões de fãs ensandecidos, mas uma ascenção meteórica como a de Luan Santana é absolutamente inédita. A três anos atrás ele começava sua carreira com um disco que se chamava O Gurizinho, porque ele tinha apenas 16 anos

Hoje já tem admiradores de todas as faixas de idade, pois os pais que acompnham seus filhos nos shows, acabam contagiados pela energia de suas apresentações e pela qualidade de suas canções. Conheça agora mais curiosidades e informações da carreira deste fenômeno.

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Frases soltas:

"Eu já nasci cantando, quando saí da barriga de minha mãe, ao invés de chorar, eu cantei"

"Começei a carreira muito cedo, tinha apenas 14 anos e já convivia com tudo que de errado rola na noite e nas baladas, por isso sempre tento passar um exemplo positivo pra juventude, para que nunca caiam nas tentações fáceis que a noite ofereçe."

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O começo

A carreira de Luan Santana começou quandoi ele tinha apenas 14 anos e foi num churrasco. Num churrasco?! Isso mesmo. Foi numa festa na casa de amigos na cidade de Jaguaribe, onde ele gravou a música "Falando Sério" apenas na voz e violão. Depois disso seu amigo Salsicha postou a gravação no Youtube e em um mês foi escutada 100.000 vezes.

Numa certa manhã, seu pai amarildo recebeu uma ligação de um contratante querendo fazer um show. Supreso com o sucesso que até então nem sabia que seu filho fazia, cobrou apenas a gazolina para a viagem, imaginando que seria show de abertura de alguma dupla sertaneja.

Chegando lá descobriu que seria o show principal e mais, a quantidade de jovens adolescentes histéricas gritando "É o Luan! É o Luan mesmo!" era imensa. De lá pra cá a quantidade destas fãs só aumentou, culminando com o prêmio Revelação do Ano que o jovem cantor recebeu no Domingão do Faustão.

Assista ao primeiro vídeo de Luan Santana postado no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=esBM981d5k0

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As dificuldades

Você sabia que Luan Santana quase desistiu de sua carreira? Com 16 anos ele lançou seu primeiro disco e foram três músicas para serem tocadas nas rádios, a já conhecida "Falando sério", mais "Sufoco" e "Faz de conta". Acontece que uma dupla sertaneja, já bastante conhecida, gravou as mesmas músicas e por isso as músicas de Luan não emplacaram.

Ele ficou muito triste e pensou seriamente em abandonar tudo. Sua sorte (ou seria o destino?) foi que o cantor Sorocaba, da dupla Fernando & Sorocaba decidiu apoiá-lo, produzindo-o e lhe cedendo canções inéditas. Foi assim que Luan Santana começou a cantar nos shows as músicas que hoje em dia todo mundo canta, "Meteoro", "Tô de Cara", "Você não sabe o que é amor", dentre outras, todas do Sorocaba.

Com um disco ao vivo gravado e fazendo muitos shows por vários estados do Brasil, sempre com sua humildade e sua dedicação, Luan conseguiu gravar seu primeiro DVD em Campo Grande, que foi lançado pela Som Livre e que já conquistou o Disco de Ouro.

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Agora vamos ver se você é fã mesmo.

Responda as seguintes perguntas e veremos o quanto você sabe sobre seu ídolo:

1) Que o apelido do amigo do Luan que postou o primeiro vídeo na Internet todo mundo sabe que é Salsicha, afinal tá bem bem grandão lá na legenda, mas como é o nome verdadeiro dele?

a) Marcelo Almeida
b) André Giacobo
c) Marco Antonio Lazzaroto
d) Alexandre Pato

2) Qual o nome completo de nosso ídolo?

a) Luan Santana Farias
b) Luan Rafael Domingos Santana
c) Luan Dias Santana
d) Luan Dedé Santana

3) Luan Santana tem irmãos?

a) não
b) uma irmã
c) uma irmão
d) tem mais 15 irmãos, todos cantores

4) Qual foi a dupla sertaneja conhecida no meio, que gravou as músicas "Falando sério", "Sufoco" e "Faz de conta", que constavam no disco de estréia de Luan Santana?

a) Victor & Leo
b) João Bosco & Vinicius
c) Maria Cacilia & Rodolfo
d) Caju & Castanha

5) Qual o nome dos pais de Luan?

a) Claudete e Amarildo
b) Marizete e Amarildo
c) Maria Ivonete e Amarildo
d) Amarula e Amarildo

6) Em qual dia da semana foi gravado o show em Campo Grande que deu origem ao DVD?

a) Domingo
b) Terça-feira
c) Sábado
d) Sexta-feira 13

7) O dia da gravação do show da pergunta original foi diferente do previsto. Qual foi o motivo da mudança de data?

a) Uma dupla sertaneja importante tinha marcado show pro mesmo dia
b) Choveu muito na data originalmente marcada
c) O caos aéreo impossibilitou a chegada a tempo do equipamento e do cenário
d) Luan tinha conseguido se classificar pra final do campeonato de Play 2 com seus amigos e era justamente nesse dia.

8) Com qual cantor Luan Santana dividiu o palco em sua primeira aparição no programa da Hebe Camargo?

a) Sorocaba
b) Zezé di Camargo
c) Fiuki
d) Roberto Carlos

9) Onde a familia de Luan reside atualmente?

a) Campo Grande
b) Londrina
c) São Paulo
d) Carnaubera da Penha

10) Qual foi a cidade em que Luan Santana fez seu primeiro show?

a) Campo Grande
b) Bela Vista, fronteira com o Paraguai
c) Londrina
d) Arapiraka, interior de Alagoas

Respostas: Se você respondeu letra a) a maior parte das perguntas, você está bem fora. Se a letra b) foi a escolha na maioria, é especista no assunto e mereçe uma visita ao camarim. Se foi c) você está trocando nomes e se confundindo muito. Agora, cá entre nós, se você escolheu a última opção mais de uma vez, me desculpe, mas além de não saber nada, é bem retardadinha.

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Bate bola

Deus: Tudo
Familia: Base de tudo
Fama: A gente tá em busca
Fernando & Sorocaba: Parceiros demais
Sonho: fazer show fora do Brasil
Rodeio: sertanejo
Defeito: ser sincero demais
Qualidade: Muito amigo
Hobby: Pescar
Namorada? Estou solteiro.

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Luan Santana em números

DVD em Campo Grande, mais de 85.000 pessoas numa terça-feira

225.000 membros da comunidade do Orkut

250.000 cópias do DVD vendidas em uma semana

210.000 seguidores no Twitter

Detalhe: Luan Santana sempre lembra aos fãs não tem Orkut, qualquer um que se apresente como ele, não acredite.

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Luan Santana na Internet

Comunidade oficial no Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#CommTopics?cmm=36737097

Twitter pessoal de Luan Santana:
http://twitter.com/luansantanaevc

Canal Oficial no Youtube:
http://www.youtube.com/user/luansantanaoficial?blend=1&ob=4

Fã Clube Oficial:
http://www.luansantana.com.br/faclube.aspx

sexta-feira, 30 de julho de 2010

3 na Palomba - Desculpe a nossa falha

O leitor Ronie nos alertou para a gafe. O cafetão-em-chefe do Cabaré, o renomado e atrapalhado Timpin, esqueceu de colocar os links para download dos Cds dos 3 na Palomba no post anterior.

Eis os famigerados:

Download 3 na Palomba Volume 1

Download 3 na Palomba Volume 2

Para compensart a falha, apresentamos para os leitores um dos vídeos caseiros mais legais, com trilha sonora dos 3 na Palomba.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

3 na Palomba - A arrochadeira desgramada que está contagiando o Brasil

Um novo vírus está devastando o interior da Bahia e o risco de que se espalhe pelo resto do país é grande. Não estamos falando de gripe aviária, gripo do porco, do viado ou do corno. Estamos falando da Palomba, o mais recente ritmo musical criado no caldeirão cultural baiano, surgido em Vitória da Conquista com o lançamento do primeiro disco da banda 3 na Palomba.



Apesar de muito criticado devido a simplicidade das notas e dos acordes, o número de bandas tocando Palomba - muitas delas copiando descaradamente o repertório da 3 na Palomba - já passou da dezena e o viral não pára de se alastrar.

Realmente, o som é de uma simplicidade extrema. Extruturado em cima de duas notas simples, com uma guitarra dedilhada, teclado emulando metais e letras beirando o absurdo e o nonsense, acabou caindo no gosto popular, confirmando o que dizia o antropólogo paraense Marlon Branco no documentário Brega S/A: o povo gosta de uma fuleragem.

Os responsáveis por esta nova afronta ao "bom gosto musical" da "elite cultural" brasileira - faz tempo que quatro aspas não são tão bem justificadas em um texto meu - são quatro personagens, que compõe um história que mais uma vez vem comprovar que a realidade muitas vezes costuma superar a ficção.



Tudo começou em 2008 em Itapé, cidadezinha com menos de 20.000 habitantes no interior da Bahia, quando dois jovens irmãos, de nomes Val e Téo tiveram a brilhante idéia de roubar a porta de ferro que sua própria mãe tinha instalado em casa e vender pela vultuosa soma de R$ 18,00. Em 99,99999% dos casos de roubos como esse, o dinheiro é torrado em pedras de Crack. Só que no caso de Val e Téo, as razões eram artísticas: realizar o sonho antigo de gravar um CD, fazer sucesso e aparecerem no Faustão.

Ao chegarem no estúdio, qual não foi sua surpresa ao serem comunicados que o valor não era suficiente para gravar sequer uma música. Mas como a alma humana por vezes é capaz de caridades que surpreenderiam uma Madre de Calcutá, eis que o dono do estúdio deu tapinha nas costas dos meninos e diz:

- Rapazes, façam o seguinte. Vão ali padaria, comprem uma vodka e dois litrões de Coca-Cola que a gente desenrola a parada.

E assim começaram os trabalhos.

O repertório da dupla era um emaranhado de versões de músicas de forró e arrocha com letras diferentes, que na maioria das vezes não faziam o menor sentido como "dei um tapa na bunda dela e chamei pruma pisada / o que eu não vi foi nada". Ou então: "Você tá ficando esperta / você tá ficando boa / não vou botar aliança em dedo de coroa".

Na ocasião o guitarrista presente no estúdio chamava-se Cristiano, nosso terceiro personagem, um roadie da banda de arrocha Fuska Virado. Coube a ele a bronca de improvisar um arranjo de guitarra que desse conta da total ausencia de noção e sensatez do que os meninos estavam cantando. Começou a dedilhar sua Fender Stratocaster, o músico do teclado acompanhou e no final, todo muito bêbado, o disco ficou pronto e os meninos sairam com o disquinho de baixo do braço, meio que no cagaço do esporro que certamente levariam da mãe.

Infelizmente ninguém levou o trabalho a sério e o sucesso não veio. Intitulado Rei da Palomba, o disco ficou esquecido na prateleira da casa deles e num arquivo morto do 4shared. Um ano depois, Jessé Correia, um produtor musical de Vitória da Conquista, navegando de bobeira na Internet, baixou o arquivo e gostou do que ouviu. Gostou muito.

Imediatamente ligou para seu amigo Diego, também produtor musical que morava em Itabuna, próxima de Itapé para propor que criassem uma banda e resgatassem a Palomba do esquecimento. Depois de várias ligações o acordo acabou não ocorrendo. Diego montou outra banda com Val e Leo - que acabou por não dar certo - enquanto Jessé ficou com Cristiano, o guitarista que criou o ritmo e começou a recrutar os membros da nova banda 3 na Palomba.



O modelo seria semelhante à banda Bonde do Maluco, com três vocalistas. Os microfones foram distribuiídos entre o próprio Jessé, agora com o nome artístico de Geo, mais Neto, que era o dono do estúdio em que o disco de estréia seria gravado e um amigo chamado Billy, que tinha uma banda que não estava emplacando, obrigando-o a sobreviver como vendedor. A formação foi fechada, com Cristiano, o guitarrista Didú e o tecladista Luciano.

Na manhã de 14 de dezembro de 2009 o time completo reuniu-se em estúdio. A gravação foi praticamente ao vivo. Escutavam uma música do disco de Val e Léo, e regravavam em seguida, num clima de descontração e improvisação, com os vocalista soltando frases e conversando entre si na hora dos solos.

Logo de cara, já na primeira música, Neto solta a frase "3 na Palomba, diretamente da Espanha". Surpreso, Geo pergunta "porque Espanha?". A resposta foi "os outros faz e nóis panha!". A tiradinha acabou sendo o mote da banda, sendo repetida em várias faixas. O repertório foi quase igual ao do disco original, com o acréscimo de umas poucas músicas, como os sucessos "Lobo Mau" e "Bicicletinha".

Nove horas da noite Jessé saiu do estúdio com o CD pronto, passou numa empresa de diagramação e fez a capa, sem foto nem imagem, apenas com o nome da banda e na manhã seguinte largou nas mãos dos camelôs. Foi tiro e queda. Três dias depois as músicas já estavam sendo tocadas nos carros e três semanas depois a empresa Rasta Shows já estava entrando em contato com a banda para agenciá-los.

A parceria deu certo e a banda está empreendendo uma bem sucedida turnê, já tendo feito shoes até em São Paulo. Os shows são divertidíssimos, com os três vocalistas caracterizados e máscarados como o Gato de Botas, o Burro do Shrek e o Lobo Mau, tornando-os sucesso entre o público infantil. Tanto que no segundo disco incluiram uma sequência de músicas infantis.

A julgar pela quantidade de bandas entrando na onda da Palomba - até a maior banda de arrocha do Brasil, o Bonde do Maluco, incluiu duas Palombas em seu recente Volume 5 - o ritmo veio pra ficar. Por se tratar de uma novidade ainda muito recente, talvez ainda necessite de um carnaval para realmente deslanchar.

O que é certo é que os videos com passos de dança inusitados ao som das músicas dos 3 na Palomba estão pipocando na Internet. Como a parada é parada de divertida, estou afim de filmar o meu? aconselho o leitor a baixar os dois CDs nos links abaixo e poderar a possibilidade de também gravar o seu vídeo com o seu passo.

3 na Palomba - Volume 1

3 na Palomba - Volume 2

3 na Palomba - Volume 3

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Gaby Amarantos - Chamá-la de Beyoncé do Pará é pouco diante de seu talento

Saiu no site da Revista Época uma matéria bacana sobre Gaby Amarantos, vocalista da banda de tecnomelody Tecno Show. Só acho que estereotipá-la como Beyonce do Pará é meio que uma injustiça, pois como ela mesma afirma, não é uma cantora cover, dessas que se popularizam por versões de músicas estrangeiras. O single "Hoje eu tô solteira" inclusive, é da Banda Os Brothers, que venderam os direitos a ela.

Mesmo assim, colo aqui a matéria na íntegra.

Ela é brega. Ela é diva. Ela é a Beyoncé...do Pará



Todo movimento recente da música popular brasileira gerou algum ídolo. O pagode, nos anos 80, lançou Zeca Pagodinho. A axé-music, dos anos 90, projetou Ivete Sangalo. Da música sertaneja vieram, na virada do século, Bruno & Marrone. Agora parece ser a vez do tecnobrega – um movimento musical nascido há dez anos na periferia de Belém. A estrela que desponta é Gabi Amarantos, ou melhor, Gaby, com y, também conhecida como Beyoncé do Pará.

O apelido não é casual. O próprio ritmo foi rebatizado: passou de tecnobrega, com a pecha de cafona, para tecnomelody. Os novos nomes (em marketing isso seria chamado de reposicionamento no mercado) ajudaram a música pop paraense a ganhar renome nacional – e mundial. As mudanças na carreira de Gaby Amarantos, de 31 anos, começaram em janeiro, quando ela aceitou o conselho de um numerólogo desconhecido e trocou o “i” de seu primeiro nome pelo “y”. “Nunca acreditei muito nessas coisas, mas lembrei que, toda vez que meu nome ganhava repercussão maior na imprensa, saía errado, grafado com ‘y’”, diz. Acaso ou não, a mudança deu certo. “Minha vida virou outra.”

Um mês depois, ela e sua banda, a Tecno Show, participavam de um dos mais importantes festivais de música do país, o recifense Rec Beat. De maiô preto e meia arrastão, ela subiu ao palco entoando uma versão em português do sucesso “Single ladies”, de Beyoncé. “Tô solteira” era apenas mais uma das dezenas de canções produzidas mensalmente pelos artistas de Belém. Ao reconhecer um dos maiores sucessos americanos dos últimos tempos misturado com a batida eletrônica do tecnobrega, o público de 30 mil pessoas – o esperado era de 3 mil – começou a gritar: “Gostosa! Poderosa! Beyoncé!” Ela diz: “Foi meu batismo. Virei a Beyoncé do Pará!”.

Gaby diz não ter se deslumbrado com a consagração temporária. “É um grande elogio, mas sei que pode ser uma armadilha”, afirma. “Tenho 15 anos de carreira e já escrevi mais de 300 músicas. Não sou cover de ninguém.” O carisma de Gaby levou a várias comparações. Além de Beyoncé do Pará, ela foi chamada de Madonna Ribeirinha e Lady Gaga da Amazônia. Os títulos a ajudaram a chamar a atenção de um público maior.

O apelido Beyoncé do Pará levou a produção do Domingão do Faustão a convidá-la para uma apresentação na TV, em maio. Foi um sucesso. A partir de então, ela foi chamada para tomar parte de quadros da MTV, apresentou-se no Rio de Janeiro e está num DVD de tecnomelody a ser lançado pela Som Livre. Seu cachê, antes de R$ 15 mil por show, dobrou. Agora, vai gravar um videoclipe. A música escolhida se chama “Galera da laje” e o vídeo terá como cenário seu bairro natal, Jurunas, em Belém. O bairro é conhecido pela alta criminalidade, mas, para a cantora, não poderia haver lugar melhor para sua formação. “O Jurunas é minha referência musical”, diz. Ali ela cresceu ouvindo Ella Fitzgerald, Billie Holyday, Reginaldo Rossi, Kaoma e Clara Nunes, entre outros. “No Jurunas, você acorda com os barzinhos tocando dor de cotovelo, aí passa um carro com batidão enquanto o vizinho coloca rock bem alto.”

Gaby começou a cantar na Igreja Católica na adolescência e chegou a pensar em se tornar freira. Sua voz e interpretação faziam tanto sucesso que as missas em que ela se apresentava se tornaram concorridas. Diz ela que os colegas, com inveja, a convidaram a deixar o grupo. Arrasada, foi se consolar no mesmo dia com uma amiga num bar. Um músico que estava no local convidou-a na mesma hora para formar uma banda. Ela aceitou. “Se eu não tivesse sido expulsa, estaria até hoje na igreja, cantando para Jesus”, diz.

Fora da igreja, Gaby foi exposta a um gênero que começava a se formar: o brega pop, com a introdução de riffs acelerados de guitarra no brega tradicional, feita por artistas como o guitarrista Chimbinha – que em 1999 se uniria à cantora Joelma para criar a banda Calypso. O êxito da dupla e de outras bandas do mesmo estilo coincidiu com a facilidade técnica de reproduzir CDs. Isso abriu espaço a um mercado independente das grandes gravadoras.

Os deputados paraenses propõem que o tecnobrega seja considerado patrimônio cultural

Perto do ano 2000, o brega passou a ser feito por músicos da periferia de Belém, quase sem instrumentos, só pelo computador. Nascia o tecnobrega, um desdobramento eletrônico do brega. Com batidas pegajosas e letras sobre amor, desilusões e festas típicas, o gênero logo virou febre na região, com a ajuda de um esquema de divulgação inovador. Depois de gravar uma música em computador caseiro, muitas vezes acompanhado de teclado e microfone de karaokê, o artista entrega a faixa de graça aos camelôs. Estes incluem a canção em coletâneas e as vendem no mercado informal. Além da divulgação em emissoras de rádio e televisão locais, a internet ajuda a espalhar a música. “Quando acabo de gravar, já coloco na internet para as pessoas baixarem e aviso em meu messenger”, afirma Gaby, que diz ter até 1.000 downloads de uma faixa nova em um único dia.

O faturamento dos artistas fica por conta de shows que mobilizam multidões de pessoas nas grandes cidades da Amazônia e hoje também no Nordeste. Organizadas por empresas chamadas aparelhagens (como Rubi e Super Pop), as apresentações contam com efeitos especiais, cenários extravagantes, pirotecnia e parafernália tecnológica. Essa estratégia de mercado, à margem das gravadoras, antecipou o que a indústria fonográfica de ponta foi obrigada a fazer: já que a pirataria corroeu os lucros das vendas de CD, o jeito foi direcionar os shows (e o merchandising) como principal fonte de receita.

Os artistas de Belém vivem da novidade (novos hits, grupos, batidas, cenários, rótulos). Hoje existem pelo menos 500 bandas profissionais em atividade. É o caso da banda AR-15, que em seus shows usa efeitos de luz e improvisação visual. Os sucessos que essas bandas produzem se sucedem em velocidade surpreendente. “Uma música dura no máximo dois meses”, diz José Roberto da Costa Ferreira, responsável pelo maior portal de música do Pará, o bregapop.com.

Gaby se adaptou perfeitamente a esse sistema. “Sou minha própria produtora, estilista, empresária, compositora e coreógrafa”, diz. Suas revoluções vão do palco ao salto. Ela acaba de montar uma miniaparelhagem para usar em suas apresentações. “Sou a única artista a ter minha própria aparelhagem”, diz. O salto da sandália do designer Jaime Bessa que ela costuma exibir é iluminado por lâmpadas LED. “Aqui, todo mundo ama um LED.” O calçado chamou a atenção de criadores de uma das mais badaladas marcas de sapatos do país, a mineira Arezzo.

Seu trabalho não ficou confinado às fronteiras do Pará. Em 2005, o antropólogo Hermano Vianna, percebendo o fenômeno, colocou Gaby Amarantos e a Tecno Show no programa Brasil total, apresentado por Regina Casé. No mesmo ano, o jornalista Peter Culshaw veio ao Brasil para escrever sobre o tecnobrega para o jornal inglês The Observer. Ficou impressionado. Comparou o som feito pelo Tecno Show ao do Depeche Mode, a banda eletrônica mais bem-sucedida do mundo.

Embora a elite paraense considere o tecnobrega um ritmo sem qualidade e acuse as festas de aparelhagem de focos de criminalidade, estudiosos da música afirmam que o Pará produziu a única linguagem eletrônica genuinamente brasileira. Há um mês, os deputados da Assembleia Legislativa do Pará aprovaram um projeto para transformar as aparelhagens e o tecnobrega em patrimônios culturais do Estado.

Segundo o produtor carioca Kassin, um dos mais atuantes no Sudeste do país, o valor do tecnobrega é similar ao do funk carioca e ao da cúmbia villera argentina. “Admiro esse tipo de movimento, que, apesar de levar muitas pessoas a festas todos os fins de semana, não depende de álbuns ou de gravadoras”, diz. “É como se fosse a nova música tradicional.” Ao lado de seu parceiro Berna Ceppas e de Miranda, Kassin deverá em breve participar da produção de um CD de Gaby.

Mas a valorização do tecnobrega, para Gaby, é coisa do passado. Ela está em outra. “Agora, o que está pegando é o tecnomelody”, diz. Musicalmente, a diferença entre os dois é nula. Mas o novo nome chama a atenção. Segundo Gaby, o tecnobrega se tornou tão acelerado que ficava difícil dançar em dupla. De volta a um compasso mais lento, o ritmo mudou de nome também com o intuito de se sofisticar, tornando-se mais aceitável para quem tem preconceito com o brega – assim como o novo apelido de Gaby, Beyoncé do Pará.

Entenda a evolução da música paraense que acabou por gerar o tecnomelody



Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI154020-15220,00-ELA+E+BREGA+ELA+E+DIVA+ELA+E+A+BEYONCEDO+PARA.html

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Leonardo, Bruno & Marroni o Sertanejo Universitário & as três ondas da pirataria

Recentemente, no Programa do Faustão, o cantor sertanejo Leonardo comentou que a guerra contra a pirataria estava perdida e que estava abrindo uma editora para ajudar novos artistas a sobreviverem nesses novos tempos. Ponto para ele. Zézé di Camargo, ao contrário, esperneia e não admite a derrota. Os links para download de seu disco mais recente são os mais patrulhados e frequentemente são quebrados a pedido de sua assessoria.



Independentemente da diferença de postura entre os dois artistas, o que eles tem que admitir é que também eles, no inicio de sua carreira, foram beneficiados pela pirataria. Uma pirataria ainda embrionária, menos perigosa para os gráficos de lucros das gravadoras, mas mesmo assim pirataria.

Quem não lembra daquelas fitas cassetes vendidas nos camelôs? Foi o baixo custo para aquisição dos lançamentos através das fitas piratas que possibilitaram o estouro da música sertaneja no inicio dos anos 90.

Foi a primeira onda da pirataria.

A segunda onda foi na virada do século, quando o barateamento da gravação CDs - com a vantagem de manter a qualidade do original, o que não era possível com as fitas cassetes - possibitou o estouro de outra dupla sertaneja: Bruno & Marroni. Aqui cabe um detalhe curioso. O caso deles pode ser considerado o primeiro viral popular da história da música brasileira.

A dupla gravou um show acústico, voz e violão, ao vivo em uma rádio de Uberlândia. Alguém gravou e o CD passou a circular de mãos em mãos, até chegar nos camelôs. O sucesso foi tão grande que atraiu a atenção da Sony Music, que rapidamente tratou de regravar o repertório em estúdio, com poucas alterações e lançar nacionalmente.

E foi então que "Dormi na Praça" passou a ser ouvida e cantada aos berros de cabo a rabo no país, entrando definitivamente no cânone da música sertaneja. Menos de uma ano depois era gravado o primeiro DVD da dupla, com público gigante e que vendeu milhões de cópias.

O interessante é que aquele disquinho pirata de Uberlândia acabou por influenciar uma geração inteira de artistas que se beneficiariam com a terceira onda da pirataria. A geração? O sertanejos universitários e a terceira onda, o mp3 e os downloads. Que não reste dúvida, se hoje em dia é possível encher um parágrafo inteiro com nomes de duplas e cantores de sucesso, é por causa da gratuidade em adquir músicas através da Internet. Vejam:

Victor & Leo, César Menotti & Fabiano, João Bosco & Vinicius, Fernando & Sorocaba, Luan Santana, João Carreiro & Capataz, Maria Cecilia & Rodolfo, Jorge & Mateus, João Neto & Frederico, Guilherme & Santiago, Michel Teló, Zé Henrique & Gabriel, Eduardo Costa, Hugo Pena & Gabriel...

E que também não reste dúvida, ninguém dessa lista está faturando nada com venda de discos, mas seus nomes são conhecidos pela população, suas músicas são escutadas e suas agendas de shows estão lotadas.

A sobrevida das gravadoras por enquanto está garantida, com contratos de parcerias com os artistas. Elas trabalham em cima da divulgação, enquanto obtem parte do lucro dos shows. O que acontecerá com elas quando uma quarta onda da pirataria surgir não se sabe, mas o que parece definitivo é que tantos os cantores quanto o público tem futuro garantido no que diz respeito a consumir música.

Parece uma utopia cultural? Vai ver é e estamos felizes e nem sabemos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Edcity - As músicas, as razões e os méritos de Transfiguração

Menos de um ano depois do lançamento do revolucionário Rap Groovado, Edcity lança seu segundo disco. O pagode baiano está atingindo seu ponto de maturação, numa cena que inclui nomes como o precursor da modernização Harmonia do Samba, o percussivo Psirico, Groove de Saia - que conta com uma mulher no front - e a nacionalmente onipresente Rebolation, do Parangolé.



Em meio a toda essa diversidade, o disco Transfiguração aparece pra somar. "Olha o Gelo", a pesada faixa de abertura insinua que as guitarras roqueiras continuariam dando o tom. Mas não é o caso. Transfiguração é bem mais ameno em comparação ao antecessor Rap Groovado.

Para que se entenda essa transiguração - o título do disco não podia ser mais apropriado - no som de Edcity é necessário que se faça uma análise do quanto 2009 foi um ano conturbado para o cantor.

Enquanto finalizava o Rap Groovado, Eddye estava tomando pela raiva e por um tiquinho de frustração por ter perdido o direito de propriedade de seu Fantasmão. Como todo gênio artístico, deu vazão aos seus sentimentos através de sua arte. Rap Groovado é uma obra de arte irretocável e retrata com perfeição o que o cantor e compositor sentia na época. É um disco repleto de Som & Fúria, um disco urgente e um grito de autoafirmação. Autoafirmação esta, agora na forma de sua nova persona: Edcity. Aqui estamos falando de arte em estado bruto.

Só que arte não enche panela. E panela vazia não enche barriga.

Recentemente pai de mais uma filha, chegou o momento do pragmatismo e de três centímetros cúbicos de responsabilidade para com os seus. E quando de fala em seus, não se pode esquecer a responsabilidade também perante ao pessoal da antiga banda, que também abandonaram o Fantasmão para seguir os ideiais do amigo.

Nesse contexto, purista nenhum pode reclamar de quaisquer concessões feitas em prol de um disco mais comercial. Comercial não é termo correto, Transfiguração é pop, com escolha inteligente de repertório e arranjos.

As guitarras pesadas ainda estão lá, mas com volume menor, que valoriza a singular percussão groovada. Nas letras, ainda com a tradicional crítica social em algumas músicas, foram limadas todas e quaisquer ambigüidades que sugerissem a tão reclamada e injustificada apologia a violência. Muito pelo contrário, enquanto as periferias de Salvador são assoladas pela tragédia da violência gerada pelo consumo de crack, em "Pa Pu Colombiano" a letra avisa que em cada pedra de crack, lágrimas de mães em sua composição.

A música de trabalho a principio será "Piscadinha", que apesar de romântica, conclama o romance e tem fortes chances de emplacar entre o público feminino. Mais do que isso. Agora Edcity pode se preparar para emplacar definitivamente no carnaval de 2011, porque ano passado, o lançamento tardio do Rap Groovado, somado à concorrencia praticamente desleal com o mega investimento de marketing que foi a Rabolation, fez com que o cantor não obtivesse o sucesso que merecia.

Que a intenção é se afastar um pouco de estigma de ser underground, fica claro na regravação de três dos maiores hits de Rap Grovado, a saber: "No Break", "Traíra" e "Fumaça Subiu", ambas com as guitarras contidas e percussão revigorada.

No final, um set com dois reggaes, revelando a paixão do cantor pelo ritmo da Jamaica e também os fortes laços de amizade com o pessoal da banda Adão Negro e demais nomes da cena regueira de Salvador.

Se Transfiguração será o cavalo de força que abrirá as portas para o tão esperado e adiado reconhecimento nacional é algo impossível de prever. A música baiana tem razões que a razão desconhece. Um ditado popular local costuma de dizer que se alguém imaginar algo inusitado e inesperado, na Bahia há precedentes.

É esperar para ver. Mas não esperar sentando. É esperar pulando, quebrando e swuingando.

BAIXE TRANSFIGURAÇÃO CLICANDO AQUI

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Modão MS - O melhor site de downloads de CDs de música sertaneja



Lá de Dourados, no interior do Mato Grosso do Sul, O Gabriel Orriz comanda o melhor blog de downloads da área da música sertaneja. O site já chamou tanto a atenção, que a assessoria da dupla Zezé di Camargo & Luciano entrou em contato um provedor para que o link do disco novo fosse quebrado. Mas Gabriel é osso duro e o link foi recolocado.

O blog foi o primeiro a disponibilixar esse disco para o povo e não só esse, o novo da dupla João Bosco & Vinicius e o quentíssimo Inventor dos Amores, do jovem cantor Gustavo Lima. Sem dúvida um trabalho muito bem feito em prol da democratização do acesso à musica.

O Cabaré do Timpin paga pau. Nota dez

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Arrocha Romântico e minha Thais Araújo de seresta

Ontem, na cagada, pesquisando informações sobre o 3 Na Palomba, me deparei com um blog sensacional, com links para downloads de Arrocha. Só que não aqueles Arrochas, por assim dizer, litorâneos e misturados com pagode baiano, mas sim Arrochas do sertão nordestino.

Arrocha de seresta. Dezenas e mais dezenas - não sei nem se não são centenas - deles.

Adoro!

No começo da década passada passei anos trabalhando e morando em hotéis no interior de Pernambuco. Em 2001 por exemplo, no 11 de setembro eu estava dentro de uma subestação de energia em Cabrobó, sem rádio, sem televisão e com o celular tocando sem parar com notícias do mundo exterior.

Eu era um autêntico rato de seresta. Não perdia uma. Chegava a viajar de uma cidade a outra quando valia a pena. Preferia as de cidades pequenas ou vilarejos. Carnaubera da Penha, Terra Nova, Moreilândia (a melhor!), Serrita, Mirandiba...

O pessoal do sul mui provavelmente nem saiba o que é uma seresta. Para uma seresta acontecer basta um cantor brega (agora chamam de arrocha romântico), um teclado, mesinhas e cadeiras metálicas, um espaço pra dançar e pronto. O lugar pode ser qualquer um, nem precisa ser num bar.

Assisti um show antológico de Amado Junior, cujo palco era a carroçeria de uma pinkup Rural. Em Ouricuri se minha memória não falha.

Uma das melhores épocas de minha vida. Uma das piores épocas para meu fígado. Umas das melhores épocas para a Ambev.

Certa feita estava pela bola 8 de arrastas para o motelzinho Sei Não uma mina que era a cara da Thais Araujo, quando me deu vontade de mijar. Chegando no banheiro tinha um fila de quatro barbados à espera, mas minha agonia de voltar pra mesa pra não perder o timing do chaveco era tanta que resolvi pular o muro e tirar a água do joelho ali mesmo.

Aconteçe que no outro lado do muro tinha um desnível do terreno, que eu não tinha enchergado devido a escuridão da noite somada a bebedeira. Despenquei em queda-livre por três segundos sem sequer atinar para o que diabos estava acontecendo. Para minha sorte em um primeiro momento, caí sobre um enorme arbusto. Para meu azar em segundo momento, 110% dos arbustos do semi-árido brasileiro são espinhentos.

Mas o foda mesmo nem foi isso, o foda foi, bêbado, achar o maldito caminho de volta pra seresta, no escuro, cheio de cachorros latindo nervosamente e no cagaço de que algum me confundisse com um ladrão de galinhas ou de cabras. Só consegui voltar pra mesa quarenta minutos e só o que encontrei foi uma mesa vazia com um garçon ao lado com uma conta na mão. Nunca mais encontrei a Thais Araujo e ainda tive que inventar uma histórinha bem nonsense no hotel para justificar as roupas rasgadas. Porque se contasse a história real as camareiras não acreditariam. Seria nonsense demais.

O show nessa noite foi do Dorge. O Dorge era um cara bacana pacas, vivia passeando pela cidade, no caso Salgueira, terra da Limão com mel, escutando o próprio CD. No encarte do CD tinha uma foto enorme da mãe dele. Na cidade rolava uma cena bacana, com diversos cantores fazendo shows quase toda a semana.

Lembro do Jayroka, Sabonete, Claudiméria Gordin, mas Dorge era o grande astro. Sua "Mulher Bandida" era hit absoluto. Quando tocava essa música nos shows eu tinha que segurar a garrafa de cerveja e os copos com a mão, pois o povo batia com as mãos nas meses e não ficava nada de de pé. Era um fenômeno de histeria coletiva.

Em diversas regiões do sertão nordestino acontecem cenas semelhantes e com o barateamento dos custos de gravação, vários profissionais chegam ao seu Volume 1. O blog que achei ontem é sobre essa gente. O www.mundodoarrocha.blogspot.com

Me diverti muito vendo as fotos dos figuraças nas capas dos discos, os nomes e codinomes e os frequentes erros de grafia. Não se trata aqui de rir no sentido de escárnio uma cultura menor. Nada disso. Essa cultura que se desenvolveu à margem dos grandes holofotes é riquíssima e resistente. É que lá tudo é divertido e descontraído. Os caras conseguem destilar alegria, do que no sul só se consegue destilar tragédia, que são os casos de infidelidade.

Mas aí já entrar no terreno da antropologia e deixemos isso para os intelectuais franceses efeminados.

O correto é descer o dedo no clique de download now do 4shared e recolher material para afogar na cachaça a mágoa de que prpvavelmente nunca mais terei a oportunidade de chavecar com chances de êxito uma mina que é a cara da Thais Araújo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

20 dos melhores nomes da Música Original Brasileira na fila de espera do sucesso nacional - parte 1

Praticamente todos os nomes da lista são sucesso em suas respectivas regiões, mas as dimensões continentais do Brasil faz com sejam desconhecidos em outras regiões. Os nomes, porque as músicas - devido as facilidades proporcionadas pelos downloads e redes sociais - são muitas vezes regravadas por outros artistas e o público desconhece quem são os verdadeiros autores.

Além de ser um guia para quem se interessar em conhecer o que está sendo produzido às margens da grande mídia, a lista é uma clara demonstração da incrível diversidade musical brasileira, que não encontra paralelo em nenhum outro país do mundo. Enquanto a MPB a anos não produz nada de relevante, o povo brasileiro, sem esperar pelo reconhecimento da cultura estabelecida, está produzindo sua música, sua arte e sua cultura.

Provavelmente nenhum artista desta lista será um dia considerado MPB, o que siginifica que de "popular" a sigla não tem nada, se é que um dia teve. Então, para que essa geração inteira de artistas, que compõe toda essa enorme diversidade supracitada, encontre um sentido maior para o desenrolar de suas carreiras, usamos o rótulo Musica Original Brasileira, ou Pop Mob, posto que esses sim, são os autênticos populares.

1. Forró do Muído



Era minha grande aposta para que o forró rompesse definitivamente as fronteiras do norte e nordeste e fosse consumido no resto do país. A pegada pé de serra, as letras jovens, o carisma e a beleza da dupla de cantoras e irmãs Simone e Simaria, mais o irresistível sax de Fabiano, seriam sucesso garantido. Acontece que a banda é propriedade da A3 Entretenimento e esta empresa é comanda por pessoas que tem um ótimo senso comercial, mas nulas pretenções artíticas.

Não fosse isso, os Aviões do Forró já teriam o satus de reencarnação de Jackson do Pandeiro e o hit "Colado em suas Mãos" do Muído já estaria na boca do povo. Mas não, só para me ater a esse exemplo, a A3 não quer pagar os direitos autorais da música, que é de uma artista venezuelana, para não perder a boquinha sobre todo o resto de apropriações indevidas que comete e que garante a arrecadação de uma fortuna para seus cofres.

Enquanto os Rolling Stones se vangloriam de ter juntado um milhão e cacetada de gente no seu show em Copacabana, o Forró do Muído fez o mesmo público varar a madrugada no reveillon deste ano na praia de Iracema, em Fortaleza. O show está no novo DVD da banda, para quem quiser conferir. O Muído é uma dessas bandas que os fãs cultuam com fervor religioso.

2. Edcity, ex-Fantasmão



Esse é O Cara. Já afirmei isso aqui diversas vezes. Ele levou às últimas consequências a revolução no pagode baiano que Xandy, do Harmonia do Samba, empreendeu no começo da década ao deslocar o foco de atenção das bundas das dançarinas para a pelvis do vocalista, assim como transferir o toque da viola do samba de roda do Recôncavo para os graves do contrabaixo.

Edcity veio à tona quando era vocalista do Parangolé, anos luz antes da degeneração chamada Rebolation, saiu da banda e montou o sensacional Fantasmão, que teve que abandonar por causa de desentendimentos societários e agora segue carreira solo. Seu disco Rap Groovado trás um visionário sincretismo entre samba de roda, hip hop e rock pesado, sem nunca soar forçado.

Ocorre que Edcity está sozinho, sem nenhum grande empresário ou produtor lhe dando suporte. Nas mãos de um Rick Bonadio talvez o angu azedasse, porque ele é meio intransigente quanto a mexerem em seu som, mas com um cara mais boa praça, malandro e diplomata como Carlos Eduardo Miranda, seria a solução para o beco sem saída emocore e indie em que se enfiou o rock nacional nos últimos tempos. Rap Groovado é o melhor disco de rock da década.

3. Bonde do Maluco




Não tivessem sido sacaneados pela supracitada A3 entretenimentos, que escalou os Aviões do Forró para tocarem as melhores músicas do disco de estréia, talvez o Bonde do Maluco atingisse hoje um público infinamente maior do que atualmente atinge, basicamente o sertão nordestino e periferias de capitais.

Apartir da matriz do Arrocha, inseriram elementos de reggae, hip hop, pagode, música africana e até jazz, além de ter em sua formação músicos de extrema competência. O som é de um suíngue contagiante e as letras vão de canções de amor a temáticas cômicas. Os shows são, sem a menor sombra de dúvidas, os mais divertidos do Brasil inteiro. Dezenas de pessoas já postaram clipes caseiros das músicas da banda, com milhares de visualizações.

O Bonde do Maluco é sucesso entre as crianças e o gosto infantil costuma ter um apelo universal, devido ao fato de suas cabecinhas ainda não estarem contaminadas por dogmas culturais ou de mídia de massa. Um sinal evidente que aponta para a possibilidade de sucesso nacional.

4. Grupo Tradição



Eu vivo dizendo que o vácuo de relevância junto à juventude cometido pela atual geração do rock nacional acabou atraindo essa juventude para o sertanejo universitário. O fenômeno Luan Santana está ai para confirmar essa tese. A forma pop que a maneira de se comp6or e tocar a música sertaneja atualmente aponta para a possibilidade de que daí saia a futura música jovem, que poderia substituir o rock.

É nesse sentido que digo que Luan Santana é como uma espécie de Elvis Presley e nesse mesmo sentido, digo que o incosciente coletivo adolescente estaria pronto para o advento de uma espécie de Beatles. O Grupo Tradição está com a faca e o queijo para cumprir essa função.

Com sua formação completamente renovada, formada por jovens bonitões na faixa dos 18 anos e agora com produção da dupla Ivan Myazato e Maestro Pinochio, os homens por de trás de êxitos como César Menotti & Fabiano, Jorge & Mateus e Maria Cecilia & Rodolfo, é bem que capaz que eu não esteja falando besteira.

5. Movimento Tecnomelody do Pará



Aqui já não é uma banda ou um cantor, mas sim um movimento inteiro que engloba dezenas de artistas e muita gente aposta alto que ele terá repercussão internacional por se tratar de música eletrônica para pistas de dança.

Tecnomelody é o modo como é chamado agora o antigo tecnobrega. Durante o ano passado inteiro os artistas paraenses reclamaram do plágio que os baianos da Banda Djavu cometeram. Sem entrar aqui nos detalhes da briga, no final o que a Djavu acabou fazendo foi acostumar os ouvidos do país inteiro a essa nova batida eletrônica amazonense. A maior prova disso é que "Me Libera" foi a música mais tocada nas radios porto-alegrenses no mês passado.

A Som Livre está prestes a lançar um DVD gravado num show em Belém no ano passado onde dez bandas se apresentaram. Como a gravadora está preparando uma estratégia de divulgação bastante agressiva, com shows de lançamento em diversas capitais brasileiras, é provável que nomes como Tecnoshow, Banda Ravelly, Viviane Batidão e Xeiro Verde passem a ser reconhecidos no país inteiro.

6. Henrique & Diego



Como Victor & Leo conseguiram se impor a um público maior que o do nicho sertanejo, Victor Chaves costuma a ser considerado o mais importante compositor da música sertaneja. Inclusive pelo fato de ter sido o que mais ganhou com direitos autorais no ano passado. Mas talvez isso não represente bem a realidade. Como Victor & Leo possuem um público mais adulto, estão mais imunes a pirataria. O autor de mais hits na verdade é Sorocaba, da dupla Fernando & Sorocaba.

Sorocaba é um cantor 140% autoral, porque além da totalidade do repertório de sua dupla ser seu, é ainda autor dos principais dos sucessos de Luan Santana. Como Luan agora é da Som Livre e quer se desvenciliar do nome de Sorocaba para voar com suas próprias asas, o compositor e produtor adotou agora uma nova dupla, Henrique & Diego.

O novatos fazem o mesmo pop sertanejo de Luan, só que com músicas mais dançantes, que sobre certos aspectos lembram o som de Jorge & Mateus. O segundo disco, já com produção de Sorocaba e possivelmente com algumas composições inéditas, está prestes a ser lançado. O single "Vacilei" já está subindo nas paradas e é cantado pelas duas duplas.

7. João Carreiro & Capataz



O Zeitgeitz, que do meu posnto de vista, dá espaço para essa dupla fazer sucesso, é o mesmo responsável pela vitória de Dourado no BBB 2010. O povo brasileiro não aguenta mais a saturação midiática da causa gay. João Carreiro & Capataz não estão nem aí pra correção política. Eles são brutos, rústicos e sistemáticos, como no título da faixa de seu primeiro disco pela Som Livre. Na letra, reclamam que hoje em dia achar ruim é preconceito.

João Carreiro & Capataz fazem um som extremamente original e paradoxal. Eles são notórios por tocarem modões caipiras de raiz e ao mesmo tempo tem uma postura e uma pegada absurdamente rock n'roll, beirando o punk. Nos shows, na música "Descartável" é possivel que se forme roda de pogo, que é um forma que os punks encontraram se chutar e se socar e ainda por cima chamar de dança.

As letras são geniais, pura poesia caipira com sotaque do inteior. Xique Bacanizado é o nome da atual turnê e também da música que tem o seguinte verso: "Dinheiro nóis não sêmo / bonito nóis não têmo / se quiser nóis / é assim mêmo". Décio Pignatari deveria ouvir essa.

8. Stefhany



As presença da self made girl do Piauí nessa lista não bem uma aposta, mas sim uma espécie de desabafo. As músicas de Stefhany acabaram por cair nas graças do público GLSBT. Nada contra, muito pelo contrário, é mérito desse público não ter o prenceito contra o brega que nossas elites culturais possuem. A questão é que é muito pouco.

O poder da voz desta menina de 19 anos é impressionante. Ela tem mais atitude que a soma de todas as divas do Brasil e sua auto-estima, apesar de todos os motivos que a vida lhe deu para não tê-la, praticamente já virou adjetivo. Seu terceiro disco, em tese o primeiro que, repito, em tese não teria uma produção tosca, tem tido seu lançamento sucessivamente adiado. Mas o que se pode constatar dos sigles já lançados, assim como dos novos clipes, é que a nova produção optou por tosquismo estilizado.

Uma pena. Está sendo desperdiçada uma chance única de tratar a música brega como algo que pode sim, ser tratado como um produto de qualidade e bem feito. Ela é jovem e bonita, poderia se tornar uma estrela. No inteiror do nordeste ela tem status de Xuxa perante as crianças. Mas pelo andar da carruagem, e isso por pura burriçe de empresários e produtores, isso está fadado a ficar por lá, como algo pitoresco de uma região simplória.

9. Maria Cecilia & Rodolfo



Muito se fala das inteligentes estratégias de marketing do produtor Eduardo Maluf, que chegou a botar banner com o nome da dupla em jogos da seleção brasileira, mas no frigir dos ovos, a ascenção impressionante de Maria Cecilia & Rodolfo aconteçeu praticamente por si só, conduzida pelo boca e boca na Internet.

Os motivos desse fenômeno não podem ser obtidos na superfície. Eles não são muito bonitos, suas vozes não são lá essas coisas e seu repertório não tem nada de muito diferente. No entanto eles estão aí, comendo pelas beiradas, uma musiquinha na novela das seis aqui, uma apariçãozinha rápida no Faustão ali e conquistando seu lugar ao sol.

Maria Cecilia & Rodolfo já eram para ter acontecido, as crianças adoram e já falei, as crianças manjam. Eles aparentemente só não aconteceram ainda por que a Som Livre os contratou e meio que os deixou no banco de reserva, para poder trabalhar Luan Santana com mais intensidade. Até o Latino, que é o mestre do gosto popular por exelência, já gravou dueto com eles.


10. Edu & Maraial



A soma do talento de Edu Luppo como compositor com a sinergia de sua parceria com Maraial, mais a qualidade da banda que montaram e a presença de palco da dupla resultou num fenômeno de sucesso no norte e nordeste. A grande sacada da dupla foi qualificar o arrocha romântico com intrumentos de verdade ao invés do tradicional teclado. O resultado foi um som vigoroso e gostoso de dançar.

E claro, ideal para afogar as mágoas de uma traição num copo de chachaça.

No sul quase ninguém conheçe o nome da da dupla, mas as músicas com certeza sim, pois diversas delas já foram gravadas por nomes cosagrados. "Vou fazer pirraça" foi sucesso com Jorge & Mateus, "Doce mel" com a Banda Calypso, "Você não merece" com Maria Cecilia & Rodolfo e "Fora de área" com uma penca de artistas sertanejos, que tornou Edu, um dos autores do nordeste que mais fez fortuna com direitos autorais.

Recentemente fizeram uma série de shows em São Paulo, o que sinaliza que talvez o reconhecimento nacional não tarde em chegar.

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