O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ermínio Félix & o Bonde do Serrote

Desde sábado estou em São Paulo acompanhando a temporada de show do grupo baiano de arrocha Bonde dos Playboys. A matéria ainda está para ser escrita, mas já posso adaintar que tive a grata supresa de descobrir que foi de autoria de um dos membros da banda, o baixista Ermínio Félix, o vídeo Dança do Serrote, que pelo andar da carruagem ainda esta semana baterá em um milhão de views no Youtube.

Ermínio Félix e seu assessor de assuntos aleatórios Adão Mario, aquele que faz aquilo atrás do armário, checando os comentários de seus videos na filial temporária do Cabaré do Timpin, montada na recepção do Ferrari Palace Hotel

Após o sucesso instatâneo do video, o moleque passou a produzir novas produções em ritmo industrial, enquanto fazia diversas aparições na mídia nacional, como o Hoje em Dia da Record, Programa da Eliana e uma apresentação histórica no Se Ela Dança Eu Danço do SBT. Sua fama correu o mundo e já recebeu convites para levar seu Bonde do Serrote - que é como ele chama seu "projeto solo paralelo" a Valência, na Espanha e Londres, na Inglaterra. A viagem só não saiu por Ermínio ainda não começou a capitalizar de verdade seu talento. Tudo o que ele faz é através de sua câmera digital surrada e de seu computador altamente meia boca, operando apartir do bairro Nova Brasília, na periferia de Salvador. O nowhow para a edição foi adquirido através de tutoriais no próprio Youtube.

Como este Cabaret tem a fama de apresentar a seus estimados frequentadores os sucessos em primeira mão, antes que eles estourem, é com essa função de apresentamos uma seleção de algumas produções do futuro astro da TV Ermínio Félix. Não resta a sombra de dúvidas de que ser baixista do Bonde dos Playboys é para ele apenas um bico temporário. As luzes da ribalta o aguardam, é só uma questão de tempo. E no caso dele, o tempo é senhor da falta de noção.

Dança do Serrote Oficial

Dança da Furadeira (O novo Hit)

Serrote em Nova Brasilia - Superprodução com a canção sendo interpretada por todos os bebuns do logradouro de Nova Brasília

Dança do Cemitério

Sai Satanás

Brincadeira de Mal Gosto - E de saideira, o vídeo que o colocou sob ameaça de morte. Inadvertidamente Ermínio teve a idéia cretina de jogar um balde de água no negão crente que faz chapinha no cabelo. O cara se molhou e não gostou, por assim dizer.

domingo, 27 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Forró dos Plays - Puta que o Pariu

O maluco chamado Doidim di Mossoró já foi pauta de nosso Cabaret, para conhecer a história desta figura clique aqui. Na época ele era o frontman dos Casadões do Forró. Ocorre que agora ele foi contratado pela A3 Entretenimentos (sério, agora ele é subalterno de Isaias Cds, rezo por ele, o Doidim, não o Isaias, todas as noites) e tornou-se Maikon, o mais novo vocalista do Forró dos Plays.

Doidim di Mossoró e sua nova namorada

Como Doidim é o forrozeiro mestre das Redes Sociais, se ligou de cara no meu post sobre a "Puta que o pariu" do Trio da Huanna, nossa grande aposta como hit do verão de 2012 e já gravou a versão em forró. É o passo dois na cartilha do sucesso, o primeiro já ocorreu, que é estourar em versão arrocha. O passo três é a Garota Safada regravar e depois o resto da manada. Depois sai em sertanejo e está feita a cagada.

Agora voltando ao Doidim, gostaria de acrescentar que ele é um forrozeiro completo, canta, compõe, twitta e é carismático. E sortudo! Olhe na foto abaixo o presentão que ganhou de sua nova namorada depois de uma noite de mil e uma loucuras no motelzinho Sei Não, de Patos da Paraíba. Ah sim! Já estava esquecendo, o link para este aqui > LINK < Clica logo, seu corno!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Trio da Huanna - Puta que o pariu, o Cabaret deu antes!

Ok, isso aqui é um Cabaré, mas vez por outra faz as vezes de Cassino. É divertido fazer apostas sobre quem ou que música vai fazer sucesso. Luan Santana foi uma pedra que cantamos lá no comecinho de 2009 e deu no que deu. Volta e meia erramos também e aí está a Stefhany meio que jogada às traças. No final do ano passado anunciamos que "Liga da Justiça" seria o hit do carnaval baiano e acertamos. Bom, chegou a hora de brincarmos mais um pouco e apresentar a nossos leitores o sucesso do Verão 2012: "Puta que o pariu (Passinho)" dos arrocheiros baianos do Trio da Huanna. Se essa música estourar, não sejam ingratos e gritem a todos: "Ei, essa o Cabaret deu antes!" Mas nossos cafetões advertem, ouça por sua própria conta e risco, porque essa porra gruda no cérebro que nem bosta de cachorro em sandálias Havaianas.

A Balada de Marcus Blognejo

Eu e Marcão, desde que nos conhecemos - e isso já faz mais de dois bem vividos anos - sempre fomos grandes amigos. Amigos de discordarem um do outro acerca de suas opiniões, discutirem pesadamente e depois voltarem pra casa bêbados e abraçados e rindo de tudo o que aprontaram. Acho que esse é um desses momentos. Certas coisas precisam ser ditas aqui no Cabaret, em resposta a certas coisas que ele disse em seu cafofo Blognejo.


Quando eu e Yago Boufleuer, a quatro meses atrás, denunciamos o Julho Negro da música sertaneja, ele através de evasivas (clique aqui), insinuou que estávamos sendo ortodoxos, chegando ao ponto de afirmar que éramos contra regravações de músicas de bandas de forró, coisa que nunca fizemos, posto que aplaudimos as versões de "Tentativas em Vão" e "Parede de Vidro", que Bruno & Marrone fizeram, respectivamente, de Garota Safada e Saia Rodada. Nossa bronca era com "Assim você me mata" de Michel Teló, que Marcão insistia em aplaudir.

E foi com "Assim você me mata" que Marcão chegou ao ápice na falta de um norte em sua argumentação, quando usou a metáfora mais infeliz da história da crítica da música sertaneja na blogosfera nacional, a fábula do Patinho Feio. No referido texto, argumentou que no principio todos pensavam que a música era feia e que seria um fracasso, mas que no entanto transformou-se num cisne de êxito que fez o Brasil se ajoelhar perante sua beleza.

Só que o ponto não é esse. O ponto nunca foi esse. A minha bronca nunca foi com a música, tanto é que ela está presente na minha coletânea das melhores músicas de forró estouradas no São João do nordeste, em sua versão original com a Cangaia de Jegue. A minha bronca foi com relação às decisões artísticas que Michel Teló tomou para conduzir sua carreira. A escolha dele foi pelo sucesso fácil, pela estética descartável que se insuflou em seu ego após ver o Brasil ecoar seu "Ôôôô!" da abertura de sua "Fugidinha".

O ponto é - e volto a martelar nele, pra ver ser alguém me ouve - Michel Teló está jogando no ralo a grande chance de se tornar um crooner da música romântica brasileira, ou pelo menos de uma música sertaneja que mereça entrar nos anais da história. Ele está perdendo a oportunidade de prosseguir de onde Daniel parou, por pura falta de fôlego ou excesso de dinheiro. E está deixando vazia esta vaga. E esta vaga a qualquer momento pode ser preenchida por um Luan Santana, um Gusttavo Lima ou outro moleque mais esperto e mais talentoso ainda, que é o que não falta nesse momento: gente talentosa querendo mostrar seu potencial.

A música "Ai se eu te pego", retirada de seu contexto malediscente do forró e jogada no sertanejo com uma mega campanha de marketing em cima, em nada a faz superior a uma versão de "Sou Foda", que em seu favor tem pelo menos o mérito de não ter sido retirada de seu contexto, mas sim recontextualizada. Uma música que já era sucesso em forró em versões de diversas bandas ser regravada é uma coisa, um funk totalmente tosco, restrito a um gueto, que foi transformado em sucesso nacional em sertanejo e forró é bem outra coisa, é ruptura!

Tanto é ruptura, que incomou a ala reacionária dos leitores do Blognejo, que não se furtaram em aplaudir o post "Um ano foda para a música sertaneja", um mero genérico tardio e parcial de nosso Julho Negro. Com o agravante de algumas generalizações perigosas, do tipo insinuar que música nordestina seja algo de uma baixa qualidade intrísceca. Isso é sinal de ignorância. Até porque o termo "música nordestina" é muito amplo. Não bastassem a existência de forró, arrocha, brega, pagode e outras variantes na música nordestina, o próprio forró tem várias subdivisões internas.

Além do estilo "risca-faca", que o blogueiro demonstra ser único a conhecer, ainda existe o forró romântico de ícones do naipe de Limão com Mel, Magníficos, Mastruz com Leite, que em termos de qualidade de letra e melodia, na maioria das vezes supera o melhor da produção sertaneja, ainda tem mais. Tem o pessoal da pegada pé de serra, que vai de Amor Real, Boca a Boca, Deixe de Brincadeira, Forró di Taipa e que tem no Forró do Muído seu representante mais pop. E também tem o chamam de "Forró de Vaquejada" cujo maior baluarte é o Arreio de Ouro, com seu carismático cantor Buscapé.

Mas o deslize de Marcão com o forró é o de menos, diante da bronca com o funk. Apesar de ele se reafirmar como "nada contra a putaria", essa reafirmação é contradita com o teor do texto inteiro, que culmina na confissão de um rancor de que o funk seja considerado "manifestação cultural" pela intelectualidade e o sertanejo não. Isso pode até ser verdade, mas não é com um chororô ressentido na pior hora possível que vai se resolver isso. O pessoal do forró poderia choramingar a mesma mágoa com relação ao tecnobrega, os motivos seriam os mesmos. Essa questão é válida? É, mas tudo tem sua hora certa, seu momento certo e seu contexto certo.

Muita porcaria sertaneja foi lançada neste ano, pelo menos isso parece ser um consenso, mas não é um reclamando do forró e outro reclamando do funk, que vai se resolver isso. É louvável que todas essas culturas estejam interagindo entre si, mas precisamos criticar apenas os passos em falso, os deslizes e os desvios de conduta, não a interação, que em si é saudável. Olhem de novo nosso troféu "Assim Você me Mata", tem de tudo lá! Desde regravações, duetos infelizes e até músicas originais, como o caso Fernando & Sorocaba, que ficaram com a medalha de prata, por conta da "Pega eu".

Mas o mais importante do que falarmos merda em nossos blogs - eu mesmo falei ao colocar Henrique & Diego com a "Canudinho" (ficou massa, ora xongas!) na lista negra - é que esse debate esteja sendo realizado e essas coisas sendo ditas. Está mais do que na hora da música sertaneja se repensar não apenas em termos comerciais, mas agora em termos artísticos, para aí sim, ela fazer a elite cultural se ajoelhar diante de uma manifestação cultural autêntica.

Falo isso na condição de amigo da musica verdadeiramente popular brasileira. E amigo, como falei no começo do texto, fala as verdades na cara, briga, dá pití e dá xilique e depois sai de boa. Um forte abraço para o Marcão e que ele continue fazendo seu belíssimo e pioneiro trabalho no Blognejo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Gang do Eletro no Se Rasgum (primeiro comentário)

Vladimir Cunha estava no Se Rasgum, festival de rock que acontece anualmente em Belém. Eis seus primeiros comentários sobre a apresentação da Gang do Eletro no evento:

Ontem no Se Rasgum a Gang do Eletro provou que pode se tornar um dos nomes mais quentes do novo pop brasileiro. Superou qualquer coisa que tocou antes e que viria a tocar depois, ate mesmo o Lobao. Nao e mais tecnobrega, e musica eletronica underground internacional. Podia estar acontecendo em qualquer canto do mundo. Tem potencial. E diferente da Gaby por nao se impor sob a logica GLS. Na verdade a Gang esta criando a sua propria logica a partir de um estilo musical que comecou tosco e cheio de pontas soltas. Incrivel poder ter visto a reacao das pessoas ao som da banda.

*Atualização

Unanimidade: melhor show do Se Rasgum 2011, até agora. Eles conseguem ser experimentais ( de certa forma) e dançantes. Foi destruidor.
Por Bruno Rabelo

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Edcity - PamPam RamRam PamPam (clipe oficial)

Ano passado acertamos em nossa previsão do hit do carnaval baiano, que foi o caso da "Liga da Justiça" da banda Leva Nóiz. Este ano nossa aposta é a onomatopeica "PamPam RamRam PamPam" de Edcity. Quem conhece a trajetória deste batalhador, defensor dos guetos e o cara que criou o groove arrastado e conceitualizou o pagode baiano, sabe o quanto ele merece. Com vocês, o clipe oficial!




Gang do Eletro - Singlegrafia Completa de 2011

A cena musical de Belém é tão endêmica que toda vez que toco no assunto uma breve explicação se faz necessária. Essa coletânea que estamos postando, em praticamente sua totalidade é composta por músicas de equipes. Nas festas de aparelhagens a galera costuma frequentar em bando e esses bandos são as tais equipes, cada uma com um nome e muitas vezes uma identidade visual diferenciada.
Mas não só. As equipes costumam encomendar músicas exclusivas para elas. E de todos os artistas que fazem músicas deste tipo, a Gang do Eletro é a mais solicitada. Os moleques criam em ritmo industrial.

Depois de horas baixando single por single, nosso Cabaret mui orgulhosamente apresenta para nossos estimados frequentadores um arquivão como toda a produção da Gang em 2011, até este momento. São 50 músicas, mais uma. E olha que só tem filé. Não é porque eles produzem adoiado (ou porque cobrem barato, por módicos R$250,00 você pode encomendar um eletromeldy para homenagear sua sogra, seu chefe ou sua rapariga) que eles baixam a guarda no quesito qualidade. Só tem pequenas obras-primas. Podem fazer o download no link abaixo sem medo de se arrepender.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acharam a Ponta do Durex do Muído

Com vocês, mais um texto de nossa cafetina Janny Laura

Depois de me atirarem flores e pedras (nesse caso, tijolos!) com a última matéria sobre a perda de identidade da banda Forró do Muído, venho mais uma vez opinar sem ser convidada sobre o CD Promocional de Novembro 2011. Sabe quando você tem aquele prazer em dizer “eu avisei”? Pronto, é assim que me sinto agora. Encontraram a bússola, a ponta do Durex que estava perdida. O CD resgatou o pé-de-serra de antigamente, a originalidade da banda e, na minha opinião, só perde pra os Vol. 04 e 05.

Tá repleto, abarrotado de músicas falando de amor, de paixão. Simone tomou a frente da maioria dessas músicas e, junto com o amigo Binha, me fez relembrar aquele 2009 tão querido. Só tem a do “Piu-Piu” pra fazer uma graça, que é desnecessária e nem ela tirou minha alegria ao escrever esse post. Tem também aquelas de diversão, de beber, mas com o toque do Muído, fazendo o diferencial entre as outras bandas. Tem um ou dois pagodinhos de bom gosto e escolha, que Simaria não deixa faltar. Olhe, eu posso dizer com todo orgulho do mundo: o nosso verdadeiro Muído voltou! Com ele, voltou também a vontade de ir a show, de encontrar os amigos e se divertir até quando a gente cansar de ser ruim.

E aos fãs que desejaram comer meu fígado, eu digo: SENTA E CHORA. Sei que a mudança não foi por minha causa, que o CD estava pronto antes, mas entenda que eu e muitos outros fãs estávamos certos. Esse é o Muído que muitos sentiam saudade. Respeito aqueles que discordaram educadamente, apresentaram argumentos, mesmo eu não concordando, mas foram a minoria. A essa esmagadora maioria que desceu o cacete em mim, que é fã de Muído-Aviões-LuanSantana-Restart-ColírioCapricho ao mesmo tempo, que falou horrores sem nem entender o que escrevi é que eu me dirijo: chupa essa manga! Ah, reza a lenda por aí que Simone tá comprando calças (hahahahaha).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Gang do Eletro ao vivo no Studio SP - Show completo em HD

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Joelma Ensina, Você Anota

Mais um texto de nossa colaboradora sazonal Janny Laura


Demorei, mas voltei. Depois de tanto tempo após a última matéria sobre Calypso (Joelma x Lady Gaga), escrevo novamente tirando o chapéu pra essa banda e, especificamente nessa matéria, pra Joelma, A Mulher do Dinheiro. Algo que é nato dela e de Chimbinha e que sustenta esse sucesso até hoje é o poder de renovação, querer trazer algo diferente pro público. Isso pode ser observado bem facilzinho no ballet da banda.

Como é um ritmo dançante, um show bem enérgico, é necessário ter um corpo de baile no palco junto com a loira, pra encorpar visualmente e casar com a música. É um diferencial, inclusive abordei essa questão na matéria anterior. Até pouco tempo atrás, Joelma formava seu ballet (ela é quem manda e desmanda nesse assunto dentro da banda!) com dois casais de dançarinos, no máximo três. Era bonito e “clássico”. Só que vi um vídeo no twitter do meu amigo Jack Vieira que me deixou admirada: o ballet tá muito, muito massa! Mudou daquele formato mais antigo e agora tem quatro gatos da galáxia e duas mulheres, alterando as coreografias, renovando o show junto com os novos arranjos nas músicas antigas.

Fazer sucesso é difícil, só que mais difícil ainda é fazer sucesso de sua reinvenção. Algo que notoriamente Joelma vem conseguindo nos shows, como assisti esse ano no São João de Campina Grande. Ela parece mais empolgada, dançando mais e com mais criatividade pra novas coreografias. Um orgulho só.

Toda essa sede de renovação é fruto de muito amor ao trabalho. Serve de lição pra muitos por aí que chegaram ao auge e pensam já em parar de cantar, de tocar, sair da banda. Joelma tem uns 15 anos de carreira, é rica, tem empresa e não toca nem no assunto de se aposentar. Pelo contrário, cada show ela se entrega como se fosse o primeiro. É, meu filho, talento, muitos tem; luz, força de vontade, poder de renovação e valor às conquistas... são poucos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Somos todos bregas

O texto a seguir foi escrito pelo jornalista Luis Antonio Giron e foi publicado no site da Revista Época. Quem acompanha nosso Cabaret a mais tempo irá reconhecer nele tudo o que defendemos desde os primórdios, que é o reconhecimento da música realmente popular brasileiro como elemento fundamental de nossa cultura e da identidade musical brasileira. A crítica cultural sempre tratou com desdém e como algo menor gêneros como brega, forró, sertanejo, pagode e etc. Agora a balança está pendendo pro nosso lado. Confesso que nos dois parágrafos finais do texto do Giron cheguei a me arrepiar. Apesar de alguns equívocos devido ao desconhecimento do que rola na musica popular, o que ele escreveu é a sínteses de nossa visão de mundo. Boa leitura!

Somos todos Bregas

Discos sempre foram para mim fontes de descoberta. Talvez o hábito de ouvi-los tenha ficadp fora de moda por causa da internet e da pirataria, mas nada se compara em nitidez sonora a um CD feito com plástico, alumínio e bits sonoros. Pois ontem escutei dois discos de duas cantoras representantes de faixas de público aparentemente diversas que me ajudaram a refletir sobre a atual situação da música popular brasileira: O que você quer saber de verdade (EMI), da cult MPB carioca Marisa Monte, e Ao Vivo(Universal), da mineira e sertaneja Paula Fernandes.

Há dez anos, para não ir muito longe, minha experiência sonora seria considerada abstrusa, pois obviamente duas artistas de registros tão diferentes iriam apenas mostrar a multiplicidade da música brasileira – e reafirmariam minhas convicções em relação àquilo que é refinamento e singeleza. Marisa, representante da alta cultura; Paula, das camadas populares. Mas minha experiência não se deu assim. Antes pelo contrário: o que eu ouvi nos dois discos são cantoras quase idênticas, entoando baladas românticas muito simples, acompanhadas por instrumentos acústicos, repletas de uma versalhada tida antes por piegas, tresmolhados de bons sentimentos e mensagens de amor nada discretas. Ambas seriam chamadas de bregas no Brasil Velho. Nos anos 60 e 70, a música romântica influenciada pelo bolero, a modinha e a toada caipira era considerada um produto barato, para uso do povão. Nos 80, bandas da vanguarda paulistana e cantores como Eduardo Dussek exploraram a verve paródica, meio que esnobando o brega, mas lucrando com o gênero. Depois da apreensão ingênua e da paródica, as pessoas assumiram o gênero com pungente fé. Hoje o brega é a convicção de um povo. Ele se consagrou. Marisa e Paula, duas grandes artistas vocais brasileiras, assumem com serenidade o novo bom gosto. Uma prova de que o brega se converteu em cult –e vice-versa.

O cult está brega. Isso quer dizer que o cidadão brasileiro cool e descolado se vale de todo tipo de referências para compor a sua roupa, seu modo de agir e seu imaginário. Esse novo comportamento reflete a mudança demográfica do país, com a ascensão das classes C e D. Essas camadas se tornaram importantes e terminam por impor seu gosto, seus hábitos e costumes ao restante da sociedade de consumo. A gente vê isso na novela Fina Estampa, da TV Globo, de Aguinaldo Silva. Ela relata a ascensão social da pobretona Griselda (Lília Cabral), que de quebra-galho se torna empresária. A novela não maquia a luta de classes, e mostra o conflito entre a emergente Griselda e a socialite Maria Teresa (Cristiane Torloni). Baseado em pesquisas, o autor faz um retrato realista de como a mulher brasileira se tornou chefe de família, está galgando posições – e, no universo da cultura, obriga a turma do narizinho empinado a prestar atenção no que ela gosta, no que ela sente, pensa e consome. Esse “ovo Brasil” é uma realidade insofismável. É preciso considerá-la e respeitá-la. Os novos-ricos e os novos-classe-média vieram para ficar e se mostrar, para horror das marias-teresas da vida.

Além da novela, o cinema brasileiro tem explorado, de uns cinco aos para cá, o universo da nova classe média: são favelas que enriquecem com o tráfico e o tráfico que domina os “bem-nascidos”(Tropa de Elite 1 e 2, Meu nome não é Johhny), mulheres que lutam para sobreviver sem preconceito (O céu de Suely,Bruna Surfistinha, De pernas para o ar), formas de arte em extinção que insistem em se manter vivas (O palhaço, Suprema Felicidade), personagens que questionam a identidade e os tabus sexuais (Se eu fosse você 1 e 2). É um novo mundo que se descortina, e talvez não se coadune com aquela ilha da fantasia sonhada pelos estetas, que hoje só sabem admirar o cinema classe-média-bonitinha da Argentina. Infelizmente (eu diria felizmente), o Brasil não é a Argentina. O Brasil se mostra muito mais rico e variado em termos demográficos e, por isso, culturais. Se é cultura “inferior” nos padrões europeus, paciência.

Os gostos, os hábitos, os amores e os ventos mudam, já dizia o poeta seiscentista Luís de Camões. Até a novidade sofre tantas e tamanhas metamorfoses em sua estrutura que chega o dia em que as coisas mais antigas, descartáveis e antes desprezíveis viram artigo de luxo. Experimentamos hoje o choque do velho, em contraposição ao que preconizavam as vanguardas artísticas até os anos 1920. No terreno da música cultura de massa, o processo se acelera ainda mais. Não apenas velhos paradigmas voltam à tona – trata-se de uma forma de reciclagem rápida dos produtos culturais – como também os usos e costumes de classes sociais antes antagônicas começam a interagir e a se fundir de forma irreversível, alterando o que se pensa sobre o mundo e como se consome arte, entre outras coisas.

Mas voltemos à música, que sempre foi a antena das tendências por aqui, e, apesar de viver momentos não muito brilhantes, continua a ser uma arena de mudanças. O que tem acontecido na música brasileira é uma quebra de paradigma. Caiu a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. A música axé da Bahia tomou conta do país inteiro, e gerou estrelas como Ivete Sangalo, Claudia Leitte e Carlinhos Brown. O interior invadiu as capitais, e surgiu o forró universitário e, mais recentemente, o sertanejo universitário. O funk se fundiu com o samba e a MPB. E vieram para baixo os sons amazônicos. ÉPOCA publicou recentemente uma reportagem intitulada “E o brega virou cult”, de Mariana Shirai, sobre o gênero tecnobrega paraense e sua influência no movimento Avalanche Tropical, que congrega bandas e DJs bregas do país inteiro. Dessa enxurrada fazem parte a cantora Gaby Amarantos, Garotas Suecas e a Banda Uó.

O que as vertentes do pós-bom gosto ensinam? Em primeiro lugar, que é inútil ter preconceitos musicais, porque ela é invasiva mesmo, capaz que é de se apossar de sua alma. Em segundo, que aquilo que é considerado de mau-gosto na verdade ajuda a enriquecer a imaginação. Em terceiro, que nada é fixo no mundo, e nada mais dinâmico e pervasivo que o som. Quarto, torna-se urgente reavaliar nossas próprias crenças artísticas.

Por isso, finalmente o “populacho” e os “caipiras” invadiram os salões. Na nova geopolítica sonora do Brasil, podemos ouvir os ecos do brega na voz de Marisa Monte, e traços de erudição na de Paula Fernandes. Junte as duas e o resultado será parecido com Vanessa da Mata, uma acoplagem do sertanejo e do alto pop dançante. Junte a duas e você ouve a volta ainda não anunciada de Zezé di Camargo & Luciano. Você vai entender nas entrelinhas o tecnobrega, a axé. Junte-as em uma audição e você comporá o seu rosto. O Brasil joga na nossa cara quem e como somos de fato. Querendo ou não, se fazendo de culto ou nem tanto, você é brega, meu velho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Chimbinha, o nosso Guitar Hero Brazuca

Texto escrito pelo meu amigo Vladimir Cunha e gentilmente cedido a este nobilíssimo Cabaret

Encostado na parede, já meio baqueado por várias latas de cerveja e algumas caipirinhas, observo tudo de longe, buscando um certo distanciamento enquanto, no estúdio, roadies e técnicos acertam a luz e o som para a gravação do Estúdio Coca-Zero MTV – Calypso e Paralamas do Sucesso. A credencial de imprensa me dá acesso livre. Não que, nesse momento, isso signifique muita coisa, pois fico zanzando de um lado para o outro, meio sem ter o que fazer enquanto espero o show começar. Entrevista só se for na coletiva.

Se tivesse dado tudo certo, você teria lido essa matéria em outubro de 2008. Era para ser um perfil de uma página de Joelma e Chimbinha para a Rolling Stone. O que explica a minha credencial de imprensa pendurada no pescoço e o direito de fazer duas perguntas na coletiva. Mas estranhos são os caminhos do showbusiness brasileiro e a banda, sabe-se lá porque, não conseguiu fazer a foto encomendada pela revista, o que foi adiando a matéria indefinidamente.

Situação bem diferente de quando encontrei Chimbinha pela primeira vez em 1999 nos estúdios do Xodó, uma casa noturna na saída de do Pará. Tinha me demitido do jornal onde trabalhava e andava num miserê desgraçado. Fui salvo pelo Pedro Só, que me pediu uma matéria de oito páginas sobre a cena brega pop paraense para a Showbizz, quando oito páginas em uma revista de circulação nacional era grana pra cacete. Naquela época, apesar de ainda andar de ônibus, Chimbinha era o session man mais requisitado da então emergente cena brega local. À noite ralava nas casas noturnas da periferia de . De dia, gravava até três discos de uma vez só. No currículo, a fama de ser o melhor guitarrista da cidade e de, com menos de 30 anos, ter mais de mil álbuns com a sua assinatura.

Não é exagero. Eu vi. O homem era uma máquina de gravar. No tempo em que passei com ele, matou dois discos em uma manhã. Funcionava assim: Chimbinha se plantava o dia inteiro no estúdio com seus músicos, já conhecidos como Banda Calypso. O sujeito chegava com as letras e as cifras das músicas debaixo do braço. Chimbinha dava uma olhada, passava as notas para os camaradas e começava a gravar.

Primeiro fazia uma levada simples, que geralmente valia logo no primeiro take. Depois incorporava mais três levadas de guitarra: uma meio aparentada do ska, uma com a mão direita abafando as cordas e um dedilhado limpo que lembrava a surf music, segundo o próprio guitarrista resultado das influências de Mark Knopfler e Mestre Vieira, inventor do estilo amazônico-caribenho conhecido como guitarrada.

Bingo. Estava pronto mais um sucesso do brega pop paraense.

Assim Chimbinha e Joelma foram levando a vida. Gravando discos de dia e se apresentando nas casas noturnas à noite. Ainda nos encontramos uma última vez no ultra-calorento camarim da Pororoka, um galpão reformado na periferia de Belém que, na época, junto com o Xodó, era uma espécie de Factory do brega-pop.

Se você tinha uma banda, queria fazer parte de uma cena e se dar bem como astro brega, lá era o lugar para estar. Se caísse no gosto da rapaziada, tava feito. Como é comum em Belém do Pará, naquela noite a casa tinha escalado cinco bandas. Uma atrás da outra, com a Calypso ensanduichada no meio. No camarim de oito metros quadrados, músicos e dançarinas trocando de roupa meio atrapalhados, esbarrando uns nos outros, as paredes de azulejo encardido molhadas de tanto suor e umidade.

Mal consegui trocar duas palavras com a banda e sai fora antes da Calypso tocar a terceira música. Quase dez anos depois, reencontro Chimbinha em outro camarim. Dessa vez mais luxuoso, com ar-condicionado, espelho de corpo inteiro, banheiro privativo, mesa de frios e outras mordomias.

São quase dez anos. Nesse tempo o Xodó foi demolido e em seu lugar construíram um Habib’s. E a cena brega-pop foi passada para trás no processo de seleção natural da música pelo desbunde digital gangsta do tecnobrega. Bem fez Chimbinha, que, junto com Joelma, se mandou para o nordeste logo que o negócio em Belém começou a fazer água para dar início aos seus planos de dominação mundial.

“Pô, tu não é aquele cara da revista Showbizz que me entrevistou lá em Belém?”, pergunta Chimbinha no início da “coletiva”, que na verdade acabou se resumindo a mim e a mais dois repórteres.

“O próprio”

“Me lembro de ti. Mas porra, tu não tinha essas tatuagens todas não”, continua ele rindo.

Aproveito a disposição do rapaz em quebrar o gelo e pergunto logo se a parceria com duas mega-corporações – e logo depois de um acústico para a Som Livre – não complica a vida da Calypso como a maior banda independente do Brasil.

Chimbinha nem se abala. Dá um sorriso de Gato de Alice e desenrola aquela fala mansa de caboclo ribeirinho.

“Olha, cara, Coca Zero, disco pra Som Livre…É legal de fazer? É. Principalmente esse aqui com os Paralamas, uma banda da qual sou fã. Mas são parcerias nossas com essas empresas. Os donos das músicas, da banda Calypso, ainda somos eu e Joelma. Depois que a gente fizer isso aqui, vamos voltar para o nosso esquema de gravação e distribuição, que é totalmente independente”.

“Então nada de gravadora?”

“GRAVADORA? Pra que? Olha só: porque eu iria pagar para uma empresa distribuir e vender as minhas músicas se, hoje em dia, eu mesmo posso fazer isso? Gravadora não serve pra nada. Só para tirar dinheiro da

gente. Não me faz falta de jeito nenhum”.

“E a pirataria?”

“Aí já é diferente. A pirataria é péssima”, responde Chimbinha meio irritado.

“Mas ajuda as bandas da cena tecnobrega de Belém…”

“Ajuda e não ajuda, né?”

“Porque?”

“Porque o compositor acaba sendo prejudicado, porque a banda não ganha com as vendas de CDs e DVDs, porque a pirataria não paga direito autoral…”

“Por outro lado as bandas ganham com shows”

“Nem todas, né? E mesmo as que ganham…como fica o compositor? Eu pago todos os meus compositores. É tudo registrado, legalizado, recolhemos direito autoral…”, continua o guitarrista até ser interrompido por um produtor informando que a gravação já vai começar.

Eu ainda queria perguntar se a Calypso NUNCA havia se beneficiado com a pirataria e se teria chegando tão longe não fosse a milenar arte chinesa da reprodução não-autorizada. Lembro de um amigo ligado à área da música, carioca, que se informa sobre o que está rolando na música popular brasileira através do fornecedor de DVDs e CDs piratas do porteiro do seu prédio. E do meu pai que, morando em Porto Alegre, descobriu em um camelô que existia uma banda paraense de sucesso nacional.

OK, ele mesmo grava e prensa seus discos, licenciando a sua venda para distribuidores locais e regionais. Ou mesmo vendendo-os em seus shows a preços populares. Mas é difícil acreditar que a súbita popularidade da Calypso e a disseminação da sua música pelo Brasil aconteceriam sem o auxílio da economia informal. Chimbinha pode até detestar a pirataria, mas ela lhe adora.

E na proporção inversa à raiva que o guitarrista sente ao ver as verdinhas batendo asas cada vez que alguém compra um disco pirata seu, mais e mais CDs e DVDs da Banda Calypso entopem as bancas dos camelôs. Seja em São Paulo, Luzilândia ou Belém do Pará.

A gravação termina. No palco a química entre a Calypso e os Paralamas funcionou que foi uma beleza. O que a música da banda tinha de simplório foi melhorado por Herbert, Bi e Barone, que se apropriaram das canções da dupla para recriá-las a partir de elementos de reggae, ska e hard rock, deixando Chimbinha solto para tocar guitarra e, em troca, meter o bedelho nas composições do trio.

Ele se aproveita e usa a sua matriz criativa brega-pop para fechar as conexões afro-caribenhas abertas pelos Paralamas ainda nos anos 80, como se Al Anderson se juntasse a Mestre Vieira para queimar um fumo com Fela Kuti em uma jam session na casa de Pinduca.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Gaby Amarantos - Rubi

Para o esquenta do fim de semana que se avizinha, um vídeo raro da apresentação de Gaby Amarantos na primeira edição do Terruá Pará, quando ela ainda comandava sua banda Tecnoshow.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luana Alves - Quem gosta de brega é ela!

Lembro como se fosse hoje. Estava em viagem a trabalho no Guarujá e enquanto esperava pela conclusão de um tarefa da equipe de campo, fui ao Google pesquisar sobre Júlio Nascimento. Foi assim que conheci o blog Quem gosta de brega sou eu. Adorei! Até o final do dia já tinha lido quase toda as postagens e adicionado a autora, uma tal de Luana Alves. Como o MSN era bloqueado na empresa onde estava prestando serviço, foi com enorme expectativa que na saída fui a uma lan house verificar se tinha sido adicionado por ela. Foi assim que tive meu primeiro contato com umas melhores blogueiras musicais do Brasil.

@Moondalua & @cabaretdotimpin, nos menores frascos, as melhores blogueira (e bregueiras)

De lá pra cá nossa amizado se firmou cada vez mais, através de uma intensa troca de idéias, músicas e piadinhas. Quando fui ao Recife em Fevereiro desse ano, a primeira coisa que fiz foi ligar pra ele e marcar um encontro ao vivo. Nos encontramos no Shopping Boa Vista e ela simplesmente ignorou minha frase dizendo que eu já havia morado no Recife por um período de dois anos e meio e saiu comigo, numa peregrinação turística pelos lugares que eu já estava careca de conhecer.

Ainda bem que a Arpoadeira de Lambaris (ela é baixinho e um dos meus hobbys é inventar novos adjetivos para descrevê-la é simpática, lindinha e boa de papo. Além de ter um conhecimento enciclopédido de brega e me atualizou das novas tendências e novos artistas que estavam despontando na cena. Fiquei completamente desnorteado ao saber que os moleques da periferia haviam inventado uma fusão de brega com funk e o pior! estavam tocando nas festas dos bacanas! Mc Sheldon, Mcs Cego & Metal, Boco da Mustardinha e assemelhados passaram a figurar desde então em meu Ipod com assídua frequência. É o Gangsta Brega, algo que só Recife é capaz de conceber.

Apesar de seu declínio de meus insistentes convites para sair comigo na noite (é, a Marceneira de Palito de Dentes é mais lisa do que bagre ensaboado e detectou minhas intensões chavequísticas) adorei o encontro. Luana é única no que faz. Ela tem um estilo todo pessoal em sua escrita. Ela transparece autenticidade em cada linha de cada post de seu blog. Quando as garras implacáveis do tédio se armam contra mim, é no Quem gosta de brega sou eu que encontro uma defesa inexpurgável.

No final de semana passado ele encontrou e fez uma mini-entrevista com Gaby Amarantos. Confio no instinto da Malaca do Jurunas e creio que ali nasceu uma amizade entre as duas que mesmo que Gaby estoure nacionalmente e vire uma diva de sucesso (o caminho quase inveitável é esse) pra sempre persistirá.

Abaixo o video da tal entrevista e nossa Alta Cafetinagem recomenda sem medo de errar, que os frequentadores de nosso Cabaret favorite o blog da Bandeirista de pista de Hot Wheels.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Por um jornalismo mais crítico


O texto a seguir é de André Forastieri, mas tomo a liberdade para fazer minhas, suas palavras. Ele descreve com exatidão o que tentamos fazer aqui nesse blog. Acho que a música popular DE FATO brasileira (forró, sertanejo, tecnobrega, etc) precisam de mais pessoas exercendo uma crítica séria. Eis o texto:


Por um jornalismo mais crítico

O jornalismo cultural que eu tento exercer desde 1988 é o jornalismo crítico. Ele tem uma única premissa: compromisso total com o leitor e nenhum com a criação ou seu criador. Fã é fã, jornalista é jornalista. Fã perdoa tudo. Jornalista não perdoa nada, ou não deveria.

As perguntas que o jornalista cultural têm de responder são só duas: primeiro, o objetivo da obra tem algum mérito? Segundo, o objetivo foi alcançado? Só. O resto é perfumaria. Vale para o impresso, vale mais ainda para a Web.

Até porque na rede, não é preciso descrever a música; qualquer um baixa. Não é preciso listar a filmografia do diretor, ou sua história, etc. Basta lincar para as melhores fontes de informação. E contribuir com o que interessa: uma visão pessoal, única, e implacável. Jornalismo crítico do século XXI: sem fronteiras, sem piedade.

É uma atitude radical. Exemplo: implica arrasar com a mais recente (e ruim) obra de um artista velhinho, respeitado e amado. Não interessa seu currículo. Interessa a obra.

O jornalismo crítico pode ser exercido na grande imprensa ou num blog lido por cinco pessoas. Não requer muito mais que saber escrever, curiosidade, uma cultura geral razoável. Não precisa saber tocar piano para escrever sobre música. É uma maneira de ver as coisas e se posicionar.

Copiar o que a assessoria de imprensa mandou não é jornalismo. Ecoar o consenso que compensa não é jornalismo. Se esconder no que pega bem não é jornalismo. Copy-paste não é jornalismo.

Álvaro Pereira Jr., comentando o livro Pós-Tudo (uma espécie de almanaque sobre a história da "Ilustrada", da Folha de S. Paulo, o mais influente caderno cultural da história da imprensa nacional, que cresci lendo e onde trabalhei entre 88 e 90), cutuca a preponderância do “jornalismo amigo e construtivo, participante de cena que cobre.”

Este mestiço jornalista-fã frequentemente tem papel catalisador em novos movimentos culturais. O problema é que esta postura se tornou a característica dominante do nosso jornalismo cultural. Em outros países não é assim.

O que me fez querer ser jornalista é o jornalismo crítico. Ele estava presente na "Ilustrada" nas entrelinhas do “jornalismo amigo e construtivo” da fase Matinas Suzuki Jr./ Marcos Augusto Gonçalves (que queriam construir a obra junto com o artista, construir a política cultural junto com o governo etc.; “você era crítico e participante ao mesmo tempo”, Matinas, pág. 118 de Pós-Tudo) e sua continuação, que veio dos anos 90 pra frente.

A não-"Ilustrada" era, em uma palavra, crítica. Uma meia dúzia de gatos pingados por década. Às vezes fazia barulho suficiente para estourar os tímpanos de quem estivesse de ouvidos abertos. Na minha adolescência, Paulo Francis e Pepe Escobar.

Mas a imprensa cultural dominante é e sempre foi a dos jornalistas artistas, ou jornalistas que são amigos de artistas ou sonham ser. Alguns poucos são brilhantes e catalisadores.

No mesmo texto, Álvaro cita Erika Palomino, cronista da noite e da moda, uma militante engajada na construção da cena, dos personagens e do negócio. Lúcio Ribeiro é o outro grande exemplo desta abordagem, em música, e muito forte na internet, com seu Popload.

Nossas cenas de moda e música seriam menos interessantes sem estes dois, que considero amigos. São certamente os jornalistas mais influentes da geração 90 da "Ilustrada". É uma pena que em vez de se espelhar no talento admirável de Lúcio e Erika, muita gente ignore a parte “jornalismo” de “jornalismo amigo e construtivo”. Muitos blogs estão cheios de posts pagos, o crítico ganha uma grana extra como curador, a editora faz frila para a assessoria, todo mundo pega o seu com o governo, todo mundo se virando etc.

O Brasil precisa de mais jornalismo crítico, e não só na área cultural. Tem gente boa pintando, principalmente na internet, e tenho esperança que apareça mais.

Torço por uma explosão de seguidores de Kenneth Tynan, que Paulo Francis me apresentou na "Ilustrada". Tynan uma vez esculhambou um filme de Michelangelo Antonioni assim: “Nove décimos do trabalho do crítico é demolir o ruim para abrir caminho para o bom. Antonioni está bloqueando a rua”.

sábado, 29 de outubro de 2011

Cabaré do Timpin foi hackeado

Ontem nosso Cabaret foi hackeado. Não foi nada de grave, o estrago foi pequeno - se é que dá pra chamar o que ocorreu de estrago. Na verdade foi com se fosse uma espécie de aviso do tipo: estamos aqui, de olho no que você está fazendo. No caso um post em específico ficou impossível de ser viazualizado. Um segundo após a página carregar, imediatamente era redirecionado para a página de pesquisa do site 4Shared.


O post hackaedo foi "Eu te amo e Open Bar" de Michel Teló em versão Eletromelody da Gang do Eletro. Ele continha a notícia de que pela primeira vez na história da música brasileira, uma versão tecnobrega de uma música sertaneja havia sido lançada antes da original. Explico.

Michel Teló está preparando um DVD com músicas "de balada" e uma delas é chama-se "Eu te amo e open bar" e tem batidas eletrônicas. De sertanejo apenas a sanfona, de resto é dance music. Alguém da platéia filmou de seu celular e postou no Youtube. Dali para alguém no Pará pescar o peixe foi um pulinho. Daí nasceu a versão "Super Pop pra sempre vou te amar". Como o Google rapidamente indexou esse post, basta digitar "Eu te amo e open bar" e nosso post é um dos primeiros resultados.

O fato é: alguém viu e isso, não gostou e hackeou o nosso blog. Não sabemos se foi alguém da produção de Michel Teló ou algum fanático maluco pelo Polaco Miguézão. Se Michel Teló é inocente neste caso, seria interessante que ele se manifestasse. Em tempos de Twitter, isso até seria fácil se ele não tivesse a insensates de nos bloquear. Mas enfim, restabelecemos o post e agora tudo voltou a normalidade, como vocês podem conferir no link abaixo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Chimbinha, o Urologista

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Banda Calypso em Curitiba - Minha primeira vez

A coincidência é o fio secreto que amarra o mundo, escreveu certa vez o roteirista de quadrinhos Alan Moore. O psicólogo Carl Gustav Jung chamava de Sincronicidade. Eu chamo de Linguagem de Deus. Nos últimos dias as coincidências estavam se multiplicando comigo. Um sinal de que Deus estava querendo me alertar para algo, mas eu não estava conseguindo decifrar. Na sexta-feira, desci do ônibus na chegada ao trabalho e pensei comigo mesmo: "a providência divina está trabalhando a meu favor de novo, alguma coisa legal vai me acontecer. Chegando no trampo, a primeira coisa que meu colega Gilson The Fellow me falou foi: "vais ver a Joelma hoje?" E eu: "O quê?!" E ele: "vai ter show da Calypso hoje em Curitiba". Então era isso! Bingo!

Vocês conhecem aquele galeguinho lindo e de chapéu na esquerda da foto?

Pra completar a magia da coisa, constatei no Twitter que Raphael Acioly, o assessor de imprensa da banda e meu camarada estava vindo também. Perfeição maior que essa somente a música das esferas de Pitágoras. Assim que o mala desembarcou no aeroporto Afonso Pena liguei e anotei o nome do hotel onde a turma se hospedaria. Ele disse que estava de virada e que me ligaria assim que acordasse. No cagaço de dar alguma merda, assim que saí do trampo já me dirigi para o hotel. Até porque, era longe pra cacete e teria que encarar quatro ônibus pra chegar lá. Melhor não arriscar.

Como sou um notório sortudo, acabei por chegar cedo demais e ao mesmo tempo que uma garoa munida de uma frente fria. Com vergonha de ficar esperando na recepção do hotel, esperei o tempo passar num posto de gasolina, passando mais frio que coxa e sobrecoxa de frango em frigorífico da Sadia. Quando a hipotermia nocauteou a vergonha resolvi encarar a recepção do hotel. Obviamente que estavam todos dormindo, segundo a informação da recepcionista. Fui salvo por um Guiness Book of the Records que tinha numa mesinha de centro.

Não demorou muito tempo pra constatar que eu não estava sozinho ali. Uma galerinha sentada numas poltronas eram claramente fãs. Quando uma mina saiu pra fumar um cigarro colei nela e puxei assunto. Eram de um fã-clube de São Paulo e assim como eu, foram supreendidos pela frente fria e estavam tiritando de frio. Perguntei qual o motivo de estarem ali, já que a banda vive tocando em Sampa. A mina me respondeu, como se fosse a coisa mais normal do mundo, que eles iam em todos os shows possíveis, independente da cidade ou do estado. Juro que pensava que era lenda urbana a existência desses malucos. Lêdo engano, eles são bem reais.

Já era quase 10 da noite quando Raphinha Acioly apareceu e se surpreendeu com minha sagacidade de já estar ali. Fomos jantar e atualizar nossas fofocas acerca do mundo do forró e do show business. O cara é simplesmente o assessor de imprensa mais foda do Brasil. Além de extremamente competente, é uma grande figura e profundo conhecedor do assunto. Você nunca sai de mãos abanando depois de uma conversa com o cara.

Como o assédio dos fãs costuma ser tenso, nem me escalei pra ser apresentado a Joelma e Chimbinha no hotel, fiquei na minha e me enfiei no micro-ônibus dos músicos e roadies, deixando pra conhecer o casal lá no Adelson, casa de shows localizada no Sitio Cercado, onde seria a apresentação. Eu já mais ou menos imaginava o nível de adoração que os fãs alimentam pela banda, mas o que vi no backstage superou todas as minhas mais loucas e absurdas expectativas.

Logo de cara flagrei uma maluca de vestidinho e mini-blusa roxo, grávida de sei lá quantos meses, que tinha viajado mais de oito horas para conhecer o casal. Sentada num sofá, aos prantos, pensei cá com meu chapéu, das duas uma, ou ela morre do coração ou perde a criança. Minutos depois ela sobrevive ao camarim e mostra a todos seu troféu, um macacãozinho de bebê cor de rosa com um autógrafo de Joelma. Um doce pra quem acertar o nome da bebezinha em gestação. Esse mesmo!

Depois foi a vez de um menino, parecido que só a porra com Michael Jackson que tremia tanto que de novo pensei, esse morre. O lazarentinho sobreviveu e também saiu do camarim com seu autógrafo amado, idolatrado, salve, salve. E assim foi sucessivamente, com diversas criaturas surtando, entrando no camarim e saindo mais felizes que filhotes de ganso em taipa de açude. Fiquei com medo de contaminação, quando foi minha vez entrei no camarim com o status tenso mode on.

Pra quebrar o gelo (ou seria melhor dizer, apagar a chama?) já cheguei chegando, estando um beijo em Joelma e desabando no sofá ao lado de Chimbinha. Ao invés de uma entrevista formal, ficamos só de bate-papo. Chimbinha cagando na minha cabeça por eu gostar de tecnobrega, alegando que escutar aquilo lá pior que ressaca de vinho doce. Relembramos a época em que a banda teve seu repertório de um disco inteiro roubado. Perguntei por Edilson Moreno, o homem que me deu o chapéu que enfeita minha cabeça a meses e me despedi batendo uma foto com cada um deles. Era a hora do show.

Logo após a introdução com um solo de guitarra de Chimbinha surge ela. A catarse que Joelma causa na platéia ainda precisa de uma palavra nova que possa descrevê-la. Uns pulavam como se estivesse sendo submetidos a impiedosos eletro-choques, outros choravam araguaias de lágrimas e uns terceiros simplesmente entravam em estato de catatonia. Espremido a poucos metros do palco, pensei que ia ficar surdo, não pelo volume do som que saia das caixas, mas sim pelos berros dos fãs urrando todas as letras de cór e salteado em meus ouvido.

Com o seguro de vida vencido a mais de dois meses, achei melhor assistir o resto do show em cima do palco. É impressionante como Joelma canta, pula, dança, saracoteia, assobia, chupa manga, tudo ao mesmo tempo o tempo todo e sem dar trégua. A mulher só para pra trocar de figurino no camarim, enquanto um cantor faz as vezes enquanto ela não volta, sempre linda e deslumbrante. A performance de Chimbinha dispensa comentários. O melhor guirarrista em atividade no país e que só não saiu ainda na capa da revista Guitar Player porque a crítica cultural brasileira é metida a besta e não dá valor a sua cultura popular.

Quando o show acabou a platéia estava tão exausta que não tinha forças nem pra pedir o bis. Ou não, porque quando soou o último acorde uma turba se engalfinhou em direção à porta que dava acesso ao camarim, na esperança tirar uma última casquinha, com mais fotos e mais autógrafos. Impressionante! O tumulto foi tão grande que, por conta de um segurança filho da puta que não me deixou subir no palco, tive que voltar pro camarim dando a volta por fora do salão.

O resto da noite foi só festa. Mais bate papo com Chimbinha na van da banda, enquanto Joelma atendia outros zilhões de fãs no camarim. Zuação com a cara de duas doidas varridas do fã-clube de São Paulo que tinham me pedido para guardar as bolsas delas enquanto curtiam o show e que não queriam me pacar os cinco Reais que eu estava cobrando pelo exercício da função de guarda-volumes. No fim ficamos todos amigos, peguei carona com eles na van e quase faço Joelma se mijar de tanto rir de minhas notórias palhaçadas e tiradinhas sem noção. Na despedida Chimbinha me mandou um abraço me dizendo que entraria no meu blog. Respondi à altura: "Tudo bem, mas entra devagar pra não arrombar muito". Ainda deu tempo de escutar outra gargalhada de Joelma.

Uma das doidas varridas que me devem R$5,00

Enquanto contemplava a van se afastando em direção ao aeroporto fiquei ponderando a possibilidade de ter acabado de assistir ao show da melhor banda de todos os tempos e de todo o Universo. Rapaz, te juro!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Entenda como funciona o Jabá nas rádios

Pessoal, a matéria que vou postar aqui foi publicada na Revista Playboy em 2006. É bem extensa, mas creio que todo fã deveria ler para pensar duas vezes antes de matar ou morrer por seu artista. E creio que muitos desses volta e meia aparecem aqui para me xingar na caixa de comentários.

TUTINHA
Por Adriana Negreiros

O dono do Pânico é um homem de difícil trato. E uma máquina de fazer dinheiro. Proprietário da rádio Jovem Pan, de um portal de internet, de uma empresa de telefonia e de vários outros negócios (incluindo uma pequena gravadora, a Bacana Records, e a Rádio Daslu, que toca na loja de madames), Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, ou simplesmente Tutinha Amaral, é um sujeito durão, insone e hipocondríaco. Do tipo que vai à farmácia e pergunta quais as novidades do mercado. Ou que, ao deparar com uma funcionária que aparente estar tranqüila, solicita a ela que elabore, em meia hora, um relatório com todas as suas atividades e resultados obtidos. Não é à toa que ele inspirou um ex-funcionário, o comediante Felipe Xavier, a criar o Dr. Pimpolho, personagem que encarna o estereótipo do chefe irritado, mal-educado e explorador - apresentado diariamente na Rádio Mix, concorrente de Tutinha.

Os desafetos não são novidade na vida deste paulistano que não tem papas na língua. O curioso é que quase ninguém fala mal dele publicamente. "Sou o homem mais temido da indústria fonográfica nacional", afirma. Faz sentido. Aos 20 anos, em 1976, quando foi para a Jovem Pan, Tutinha adotou o conceito de FM falada e acabou com o marasmo da programação de sala de espera de dentista. Sua rádio foi responsável pelo lançamento de boa parte das bandas de rock dos anos 80. Hoje ela tem 50 afiliadas no Brasil inteiro e influencia inúmeras rádios pequenas no interior. Junto com as rádios Mix, Transamérica e 89, domina o segmento que mais forma opinião - os jovens das classes A e B. Ou seja, influi decisivamente no que "pega" no mundo da música. Por isso é tão escandalosa a crítica mais recorrente a Tutinha: de que ele cobra jabá (presentes, dinheiro ou vantagens) para que artistas toquem em sua rádio. Ele não nega, embora não goste do termo - prefere falar que é um "acordo comercial". Sem constrangimento, Tutinha diz ter ganhado 1 milhão de dólares por ter lançado a cantora colombiana Shakira no Brasil. Também afirma ter conhecido vários países graças aos pacotes pagos pelas gravadoras de artistas internacionais. Nesta entrevista, ele revela candidamente seu método de escolha dos músicos que tocam na Jovem Pan: "Recebo 30 artistas novos por dia na rádio. Seleciono dez, vou à gravadora e, para aquela que me dá alguma vantagem, eu dou preferência". Além de músicos, Tutinha lançou apresentadores. Luciano Huck começou na Jovem Pan. Adriane Galisteu fez sucesso por lá antes de ir para a televisão. Emílio Surita iniciou sua carreira ao lado de Tutinha, e com ele criou o programa Pânico, inspirado nos talk shows do radialista americano Howard Stern. A lógica: metralhadora giratória que não poupa ninguém, desde o ouvinte até a celebridade mais badalada. A fórmula deu certo. O programa foi campeão de audiência e Tutinha resolveu levá-lo para a televisão. Bateu na porta da Gazeta, do SBT, da Bandeirantes, até que conseguiu um patrocínio da operadora de telefonia Vivo e emplacou na Rede TV!. O programa fez sucesso e foi cobiçado por Silvio Santos. As negociações com o SBT não prosperaram, mas o contrato com a Rede TV! termina em 2007. Tutinha pensa em montar sua própria rede. "Aos poucos, estou colocando o pezinho na televisão", revela. Seria uma espécie de volta à infância. Ele praticamente nasceu dentro de uma emissora. Seu avô, Paulo Machado de Carvalho, foi dono da TV Record. O pai, Tuta, era diretor da rede no auge dos festivais da canção. Ainda criança, assistiu de camarote aos primeiros acordes da turma da Jovem Guarda. Suas lembranças são as de um típico filhinho de papai. Levava os amigos da escola para assistir a Perdidos no Espaço no cineminha da Record. Fazia travessuras com as estrelas da casa e, quando confrontado, lembrava a elas que era o neto do patrão. Ele afirma que aos 14 anos já bebia, fumava, jogava sinuca e, mais importante, transava com as bailarinas da emissora. Aos 15, dirigia um programa infantil e ensaiava suas primeiras incursões pelo besteirol. Tutinha recebeu a repórter Adriana Negreiros para duas sessões de entrevista no escritório da Jovem Pan, na avenida Paulista, em São Paulo. Perto de completar 50 anos, em março, em seu quarto casamento (com três filhos), ele é um vaidoso assumido: na sessão de fotos para PLAYBOY, sua maior preocupação era esconder a barriga. Também é um workaholic assumido. No dia da entrevista, contou que chegara ao escritório às 5 da manhã. Na falta do que fazer, jogou paciência. Agitado, bebeu café, brincou com o celular e despachou, sem muita conversa, uma funcionária que insistia em interromper a entrevista. Ao fim da segunda sessão, recebeu um afago da mulher, Flávia Eluf, retribuído com um forte abraço e um tapinha de leve no bumbum. "Não sou nada do que dizem", defendeu-se. "Sou um puta louco, adoro falar merda." E comprova: "Você sabia que eu já comi dez capas da PLAYBOY? O duro foi engolir os grampos".


PLAYBOY> Você é um dos homens mais temidos da indústria fonográfica do Brasil. Por quê?
TUTINHA> Sou o mais temido, lógico. Sou assim mesmo. Se não tocar na minha rádio, a Jovem Pan, o artista não estoura. E não sou bonzinho. Se a música é ruim, digo para o artista: "Não vou tocar, seu disco é uma porcaria. Tchau e não me amola".

PLAYBOY> Muita gente dizque você é jabazeiro [que cobra jabá].
TUTINHA> Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais.

PLAYBOY> Que tipo de acordo?
TUTINHA> Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.

PLAYBOY> Que vantagem?
TUTINHA> Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos.

PLAYBOY> Isso não é jabá?
TUTINHA> Não. Na Jovem Pan nunca teve jabá. Antigamente as rádios tinham. Quando eu comecei a trabalhar, até me assustava. A Rádio Record ficava junto com a Jovem Pan. Na época, chegava o cara da gravadora e dava dinheiro, walkman, relógio para o radialista. Quando eu entrei, eu pegava essas coisas para a Jovem Pan. Nas outras rádios, os donos não estavam. Eu não tinha interesse em roubar a Jovem Pan. Queria fazer negócio. Antes o rádio era muito amador. Então a gravadora dava uma coisa pro cara, dava mulher.

PLAYBOY> Mulher?
TUTINHA> É, mandava o cara pro puteiro. As gravadoras faziam qualquer coisa pra tocar a música.

PLAYBOY> Alguma artista já tentou fazer sexo com você em troca de tocar a música na rádio?
TUTINHA> Já, mas não vou falar quem foi. Eu estava na minha sala, entrou uma mulher com um vestido, tirou o vestido e disse: "Se você tocar minha música..."

PLAYBOY> E a mulher estourou?
TUTINHA> Não, porque não tocou na Jovem Pan. E eu não a comi.

PLAYBOY> Era bonita?
TUTINHA> Meia-boca. Eu até falei: "Você tem um belo corpo, mas sua música é muito ruim".

PLAYBOY> As gravadoras já te ofereceram absurdos?
TUTINHA > Ah, tudo o que você pode imaginar.

PLAYBOY> Um harém?
TUTINHA> Não, isso não. O que eles faziam era me levar para conhecer os artistas. Mas eu não me vendia por isso. Eles lançavam o novo disco da Gloria Estefan e me convidavam assim: primeira classe, carro com motorista, backstage do show em Amsterdã, junto com o presidente da Sony. Depois um jantar fechado com a Gloria Estefan. E o cara achava que eu tinha que tocar porque tinha tido essa moleza, né?

PLAYBOY> E tocava?
TUTINHA> Às vezes sim, às vezes não. Mas eu fiz muitas viagens assim. Conheci quase tudo. Fiz coisas incríveis. Por exemplo, fui ver o Michael Jackson, sentei na mesa com ele.

PLAYBOY> Você bateu papo com o Michael Jackson?
TUTINHA> Ah, aquela coisa de hello, né? Tinha 8 mil negos lá. Era "my name's Michael, my name's Tuta". E ele me deu aquela mão gigante, branca! Eu tinha muita mordomia. Era assim: "Quer ver o U2? Vamos. E depois a gente vai jantar com o U2". Sempre eles fazem isso. Depois do show, fecham um andar do hotel, convidam rádios de vários lugares do mundo e fazem um lobby. O artista vai lá, fala oi pra todo mundo, a gravadora distribui brindes. As gravadoras tinham dinheiro e eu acho isso bacana, profissional.

PLAYBOY> Como eram essas festas com os artistas?
TUTINHA> Teve uma festa do Julio Iglesias na casa dele, na República Dominicana, cheia de mulheres.

PLAYBOY> Rolava sacanagem?
TUTINHA> Nessa não rolou. Mas às vezes contratavam putas para os radialistas. Já tive propostas desse tipo, mas não aceitei. Não gostava disso. Gostava de primeira classe, hotel campeão, o bem-bom. Já vi tantos shows que hoje não agüento mais ver um. E depois eu tive uma empresa de shows, aproveitando que eu tinha a rádio.

PLAYBOY> Quais artistas a Jovem Pan estourou?
TUTINHA> Tudo. Qualquer coisa que você pensar foi a Jovem Pan que lançou. Madonna, Lulu Santos, Titãs. A Jovem Pan fez a história da FM. Se não tocar na Jovem Pan, tá frito. A Jovem Pan tem o poder de formadora de opinião no Brasil inteiro. É uma referência para as rádios do interior.

PLAYBOY> Lançou as bandas de sucesso da década de 80, como Kid Abelha, Capital Inicial, Ira!?
TUTINHA> O Ira! não. Um ou outro não lançamos. Eu dei uma pisada grande na bola com a Blitz. Quando ouvi a música, falei: "Não vou tocar essa porcaria nem morto". E logo depois era a música mais tocada no Brasil inteiro. Mas em compensação eu acertei os Mamonas Assassinas, que ninguém tocava. Não dá pra acertar sempre. Eu também me ferrei com o Renato Russo.

PLAYBOY> Por quê?
TUTINHA> Numa época a gente fazia o artista cantar "Jovem Pan" no meio da melodia. Então vinha o Caetano Veloso, tinha uma música nova, e cantava "Jovem Pan" no ritmo da música. E uma vez veio o Renato Russo e disse: "Minha música é uma obra-prima e eu não vou falar 'Jovem Pan'". Eu falei: "É mesmo? Então vai pro inferno, vai tocar essa música lá na Transamérica". Eu quase bati nele.

PLAYBOY> E não tocou mesmo?
TUTINHA> Tive que tocar, a música foi um sucesso. E depois eu fiz um show do Legião Urbana no estádio do Palmeiras, em São Paulo. Ganhei tanto dinheiro que saí com a caixa igual à da Igreja Universal, cheia de dinheiro. Outro com quem eu fui malcriado foi com o Zé Ramalho. Ele disse que não ia cantar "Jovem Pan" e eu mandei ele pro inferno. Ele perguntou: "Quem é esse moleque?". Disseram que eu era o dono. Ele veio com um "não, peraí". E eu disse: "Peraí não, some daqui".

PLAYBOY> Com quem mais você brigou?
TUTINHA> Com o Roger, do Ultraje a Rigor. A Jovem Pan foi a primeira a tocar aquela música deles, "quem quer dinheiro, índio quer dinheiro", uma coisa assim. E eu combinei com o empresário de me dar três shows. Muito bem, você quer tocar o Roger? Eu quero três shows de graça e vou fazer promoção para a Jovem Pan. Pois ele estourou e não me deu os shows.

PLAYBOY> O que você fez?
TUTINHA> Parei de tocar. Aí o Roger foi pro Rock in Rio e cantava: "Tutinha, filho-da-puta, Tutinha, jabazeiro". No Maracanãzinho, no meio do show! Aí eu o processei, fomos para o tribunal e ele me pediu desculpas, falou que não teve a intenção. Mas eu nunca mais toquei. Só agora, 20 anos depois, depois que o Ultraje a Rigor praticamente acabou, fiquei com pena e deixei ele tocar.

PLAYBOY> Você tinha um contrato com o empresário do Ultraje?
TUTINHA> Como eu sabia que o artista precisava tocar na Jovem Pan, não fazia contrato. Era uma coisa de boca. Eu vou tocar o seu artista, você me dá o show e tchau. É assim com o Haroldo, empresário do Capital Inicial. Eu toco, quando eu preciso ele me ajuda, quando ele precisa eu dou comercial de graça, se eu preciso de um show, ele me dá. Mas também não fico abusando, não vou pedir dez shows. Hoje a gente tem um relacionamento ótimo com os empresários. Olha, você vai me dar um show da Pitty para um evento da carteirinha de estudante Jovem Pan e eu ajudo na música nova. É assim. Beleza, nada em contrato, tudo na boca.

PLAYBOY> Além da Blitz, que outro erro de avaliação você cometeu?
TUTINHA> A Shakira. Existe uma dificuldade para se tocar música em espanhol no Brasil. Não temos essa tradição. Aí a gravadora falou assim: "Te dou 1 dólar por disco se você tocar a Shakira". Eu falei: "Não vou tocar essa porra". Peguei o disco e joguei em casa. Depois de uma semana eu voltei e ouvi minha filha assim, cantando: "Estoy aquí, queriéndote". Voltei na gravadora e falei: "Aceito o acordo".

PLAYBOY> Deu certo?
TUTINHA> A Shakira vendeu 1 milhão de discos e fizemos 70 shows lotados. Mas ela não era nada. Eu dei um jantar na minha casa para a Shakira e ninguém queria ir. Convidei o Rogério Fasano, o Luciano Huck, ninguém queria ir.

PLAYBOY> E com a Pitty, qual foi a história?A Jovem Pan não quis tocar...
TUTINHA> Porque a gravadora não quis fazer negócio. E com uma música nova a gente tenta fazer algum tipo de promoção, pegar prêmio, pegar coisa para o ouvinte. Eles disseram não e a gente não tocava. Mas ela estourou tanto que tivemos que tocar. Tem horas que a gente tem que dar o braço a torcer. Também não sou birrento. Não vou atrapalhar a Jovem Pan por vaidade.

PLAYBOY> Qual é o segredo do sucesso do Pânico na TV?
TUTINHA> É falar merda. É fazer coisas das quais os outros tenham vergonha. Todo mundo é comprometido, politicamente correto. As TVs são todas amarradas.

PLAYBOY> Você tem alguma participação no que a turma do Pânico na TV ganha em publicidade?
TUTINHA> Eu sou o dono do Pânico. Então eu ganho. O registro é meu. Fui eu que inventei, botei na rádio, fui lutar pra levar pra televisão, fiquei batendo de porta em porta, arrumei o primeiro comercial, dei a idéia. Depois que o programa explodiu, falei: "Não é justo que eu fique ganhando sozinho". Então a gente é meio que uma sociedade em que todo mundo ganha. Todo mundo tem uma participação na renda do programa.

PLAYBOY> Quanto eles ganham?
TUTINHA> Ah, não vou dizer. A Jovem Pan paga o salário deles de rádio e a Rede TV!, de televisão. Mas estão ricos. Ganham 50 vezes mais do que ganhavam um ano atrás. E foi a Jovem Pan que deu essa oportunidade para eles, entendeu?

PLAYBOY> Quanto é 50 vezes mais para o Ceará e o Vesgo, por exemplo?
TUTINHA> Acho que eles ganham uns 200 mil reais por mês, cada um, entre salário, shows e eventos. No paralelo, quem ganha mais é o Emílio, porque é sócio do Pânico. Ele também ganha 20% de cada merchandising.

PLAYBOY> Como vocês escolhem quem vai fazer merchandising no programa?
TUTINHA> O critério é: pagou, levou. Mas a gente aumentou o preço e isso foi selecionando.

PLAYBOY> Como o pessoal do Pânico está lidando com a fama?
TUTINHA> Eles estão deslumbrados. São celebridades, não têm como evitar. Agora nós alugamos um navio e em uma semana vendemos os 250 lugares.

PLAYBOY> O sucesso subiu à cabeça deles?
TUTINHA> Subiu, mas é lógico que sobe. Veja o Mendigo. Era um órfão da Liga das Senhoras Católicas. A minha mãe deu emprego de office-boy pra ele. Todo ano ela dava emprego pra dois órfãos na rádio. Pois o Mendigo agora tem uma BMW e comia a Sabrina. Eu tenho que admirar um cara desses. O cara veio do zero e agora ganha 80 paus por mês. Como é que não vai ficar deslumbrado? Eu acho até que dentro do deslumbre todo eles são pé-no-chão. Mas ficam deslumbrados, óbvio.

PLAYBOY> Todos ficaram assim?
TUTINHA> Menos o Emílio. O Emílio é low profile, mão-de-vaca. Não vai a restaurante, não compra nada. Esse vai ficar milionário.

PLAYBOY> Você é que tem fama de mão-de-vaca.
TUTINHA> Eu sou administrador. Não gosto de jogar dinheiro no lixo. Eu sou da escola de meu pai: não seguro celebridade. O Osmar Santos era o melhor locutor da rádio. Vamos dizer, ganhava 50 mil reais. Vinha aqui a Globo, pagava 100, ele deixava ir embora. Eu sou assim.

PLAYBOY> Você está no quarto casamento. Por que casou tanto?
TUTINHA> Não é o quarto, agora eu estou só namorando. Se bem que a gente mora na mesma casa. Então é casamento, né? Eu casei várias vezes e tive várias namoradas. Eu sempre tenho alguém. Mas não fico num casamento destruído. Pago o que tenho que pagar, arrumo outra e vou ficar com ela.

PLAYBOY> Você completa 50 anos em 2006.
TUTINHA> É, que merda, né? Uma bosta isso. Se bem que agora eu estou Glauco [personagem de Edson Celullari em América]. A Flávia tem 36 anos e está me transformando no Glauco. Agora conheço a marca Doc Dog, estou usando mais jeans e tênis. Estou até me sentindo mais moço.

PLAYBOY> E essa mancha que você tem na testa, o que é?
TUTINHA> É um sinal de nascença. Mas eu odeio essa mancha, porque aonde vou as pessoas me perguntam se eu bati a cabeça na parede. Principalmente criança. Eu sempre digo que uma pomba passou e cagou na minha cabeça.

PLAYBOY> Tem alguma complicação?
TUTINHA> Ela tem um tipo de raiz e eu tive dor de cabeça. Fiz uma tomografia e foi verificado um tumor, mas não maligno. Aí eu fui pra Boston, operei, o cara falou que eu devo ter nascido com isso e ficou por isso mesmo. Não tirou. Só fez radioterapia pra não crescer.

PLAYBOY> Uma das histórias a seu respeito é a de que você é durão e estressado. Você já demitiu muita gente?
TUTINHA> Já, muita gente. Teve uma pessoa que ficava aqui na rádio e eu sempre perguntava a que horas ele chegava. E ele nunca chegava na hora. Então resolvi mandar ele embora. Eu disse: "Você está despedido!" E ele: "Mas eu sou ouvinte". O cara não chegava um dia na hora, eu achava que era da promoção. Era um moleque folgado pra cacete, sentava na mesa.

PLAYBOY> Você é o Dr. Pimpolho, o personagem criado pelo Felipe Xavier?
TUTINHA> O Felipe Xavier é uma pessoa muito difícil, complicada. Tudo era advogado, um saco. Aí fiz a besteira de dar um programa pra ele às 6 horas [Selig, um programa de notícias]. O programa era horrível, uma porcaria. Eu tirei e ele ficou com raiva. Aí ele saiu e brigou porque eu tinha um contrato que era assim: quando ele saísse da Jovem Pan, o Homem Cueca não podia ser feito em outro lugar durante um ano. O que é normal, já que o programa estourou aqui. Ele ficou com raiva e fez o Dr. Pimpolho. Às vezes eu escuto e até acho parecido, às vezes, não.

PLAYBOY> Você foi tomar satisfações com ele?
TUTINHA> Não, tô pouco me lixando. Até gosto. Hoje em dia o Felipe é um zero à esquerda. É um burro, porque fechou a porta da maior rádio do Brasil. Onde ele vai trabalhar, me fala?

PLAYBOY> Você tem medo de perder sua equipe para outra emissora?
TUTINHA> Não tenho medo. Porque o bom é o Emílio e esse não sai. Ele tem história com a Jovem Pan, trabalha aqui há 20 anos. Ele é o preocupado. Não adianta a Globo pegar o Ceará, não adianta. O bom é o Emílio. Os outros estão levando a vida na flauta, fazendo show, e ele tá aí. Eu tenho certeza de que sem o Emílio eles não fazem sucesso. Se levarem o Vesgo e o Ceará, dura pouco, como duraram pouco os caras da MTV que foram para a Globo. O Emílio, não. Ele está aqui todo dia, até as 4 da manhã, pra editar o programa. É um cara de caráter, o que é difícil hoje em dia, principalmente nesse meio.

PLAYBOY> A Mariana Kupfer trabalhou no Pânico na rádio e agora é alvo das brincadeiras do programa.Qual é a história de vocês com ela?
TUTINHA> A Mariana Kupfer é um zero à esquerda. Se achava a gostosona e por isso uma vez veio aqui pedir trabalho. A gente tinha uma história de colocar sempre uma patricinha que servia de escada para os caras zoarem. Ela quis fazer esse papel e por causa dele foi convidada para a Casa dos Artistas. Por causa desse papel, lançamos um CD dela que vendeu 40 mil discos. Quando ela voltou pro Pânico, depois da Casa, estava se achando e começou a se sentir ofendida. Aí teve alguns pegas no programa e aceitou um convite do Otávio Mesquita para ir pra TV. E foi sem me dizer tchau. Eu tinha ajudado a Mariana, que não era nada. Vinha aqui me puxar o saco, me dizer que eu era um gênio. Depois que o Pânico na TV estourou, ela voltou a me rondar. Entrou na minha sala e disse: "Nossa, querido, que saudade". Eu odeio falsidade. Saudade o cacete. Disse: "Tchau, vá embora, some daqui". Se a pessoa me sacaneou, até logo.

PLAYBOY> O Pânico não exagera?
TUTINHA> Várias vezes. O cara estar no telefone e você ir lá abaixar a calça dele não dá, né? Também odeio coisas escatológicas. A gente faz reunião, porque eles são um bando de porras-loucas sem limites.

PLAYBOY> Como na vez em que a Sabrina Sato masturbou um porco?
TUTINHA> Essa foi horrível, passei uma semana sem dormir. Dei um puta esporro quando acabou o programa. Essa é uma das piores.

PLAYBOY> Você interfere no conteúdo do programa?
TUTINHA> Eu estou sempre ponderando que o excesso não é necessário. No começo eu era super contra fazer brincadeira com anão. Eu falei: "O que vocês querem agora? Imitar o Ratinho?" Aí eu vi que o anão estava ganhando grana, sendo reconhecido, e mudei de opinião.

PLAYBOY> Desde quando você gosta de besteirol?
TUTINHA> Meu avô era dono da TV Record. Desde pequeno eu vivi em televisão, comecei a trabalhar com 15 anos. Fazia a direção de um programa infantil chamado Setinho e todo mundo ficava me instigando a fazer sacanagem. O apresentador, que era o Durval de Souza, gostava de falar perto da lente. Eu botava a câmera lá no fim do estúdio, o mais longe que desse, e punha o zoom grande. Ele vinha falando perto e a cara dele ficava inteira distorcida. Ele queria me matar, mas eu era neto do dono e sempre tinha mais uma chance.

PLAYBOY> Você tinha outras vantagens?
TUTINHA> Ah, eu fazia umas coisas como levar todos os meus amigos para ver Perdidos no Espaço no cineminha da Record. Lotava o cinema de amigos da escola, pedia pizza e Coca-Cola pra todo mundo. Eu fumava, bebia. Adorava aquele ambiente de televisão. Ia no balé, era louco pelas bailarinas. E pegava um monte delas! Era neto do dono, né?

PLAYBOY> A TV Record já foi da sua família e hoje pertence a outros donos.O que você acha da programação atual?
TUTINHA> Uma bomba, com aqueles bispos falando. A Record era mais divertida. Tinha umas coisas assim: uma propaganda ao vivo em que uma garota aparecia tomando uma bebida. Os caras faziam xixi na garrafa e ela tinha que beber, sem perder o rebolado. Eu vivi muito coisas assim porque minha família praticamente começou com o Assis Chateaubriand a televisão no Brasil.

PLAYBOY> E as celebridades da época, você convivia com elas?
TUTINHA> Meu pai fazia parte da equipe A da TV Record na época dos festivais da Jovem Guarda. E eu ia com ele para a televisão. Então tenho fotos sentado no colo da Elis Regina e da Hebe. Eu sempre tive essa mordomia de ficar no meio dos artistas.

PLAYBOY> Quando você começou a levar a televisão a sério?
TUTINHA> Quando eu tinha uns 18 anos, meu pai comprou a Jovem Pan dos ir mãos. Eu não fui logo para a rádio. Fiquei no lugar do meu pai na Equipe A. Então dirigi o finalzinho da Família Trapo, fiz um programa com a Hebe Camargo e a Elizete Cardoso e outro com os Secos e Molhados. A Hebe é minha amiga até hoje. Nessa época eu comecei a levar as coisas a sério. Fiz até novela.

PLAYBOY> Que novelas?
TUTINHA> Eu ajudei o Antunes Filho a fazer umas novelas que não tiveram sucesso nenhum. Eu também fiz uma com o Cassiano Gabus Mendes.

PLAYBOY> Quando você entrou na Jovem Pan?
TUTINHA> Meu pai me chamou pra montar a FM no rádio. Já existia um conceito de FM, mas era FM de dentista, aquela rádio só musical. A gente fez uma rádio misturada. Tocava Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, tudo. Explodiu. A gente acertou logo de cara.

PLAYBOY> Quem eram os artistas brasileiros que tocavam na rádio?
TUTINHA> Na época, o forte era bossa nova. Tinha também a Elis Regina, o Jair Rodrigues, o Trio Mocotó. A rádio ia acompanhando as tendências. Eu levei os artistas da televisão para o rádio - a Hebe Camargo, a Cidinha Campos, o Roberto Carlos.

PLAYBOY> E os estudos?
TUTINHA> Eu já tinha largado a Faculdade de Comunicação Social. Eu trabalhava muito, fazia a Hebe, tinha que ir ao ensaio, depois à noite tinha que fazer o programa. Não tinha tempo para estudar e não gostava.

PLAYBOY> Quando saíram os artistas e entraram os locutores?
TUTINHA> A rádio Cidade, do Rio de Janeiro, foi a primeira a pôr os locutores. Tinha locutores famosos no Rio e, quando ela entrou, derrubou a Jovem Pan em São Paulo. Aí foi a primeira vez que eu tive que mudar. A rádio ficou mais jovem para combater a rádio Cidade. Tirei os caras de lá e a gente voltou à liderança. Foi aí que eu criei um personagem, o Mike Nelson. Foi um sucesso. Só falava besteirol.

PLAYBOY> Por que inventar um nome?
TUTINHA> Eu não ia falar meu nome porque tinha vergonha. Depois eu criei o Djalma Jorge. Eu falava "I love you, mina", soprava no microfone. Teve um programa que eu adorei: a gente punha efeito de abelha e passava o tempo inteiro fingindo tentar matar a abelha e não acontecia nada. A gente quebrava o estúdio inteiro fingindo que tinha uma abelha. Éramos uns loucos.

PLAYBOY> Essas idéias foram aproveitadas no Pânico?
TUTINHA> Tem muitas coisas. O Emílio Surita fazia a narração do Homem Oferta. Ele falava: "E agora vamos visitar aquele monstro, aquele assassino, na cadeia, que está preso, ele que matou a própria mãe e comeu a perna da filha, o Homem Oferta!" Aí fingia entrar na jaula com aquele barulho de corrente, aquela coisa horrorosa. E perguntava: "Homem Oferta, é verdade que você comeu a sua própria mãe?" E ele respondia: "Ventilador Arno, em duas prestações de 4,80". Puta besteira de idiota, mas a gente cagava de rir. O jeito do Emílio falar hoje é o mesmo do Djalma.

PLAYBOY> O contrato do Pânico com a Rede TV! termina em 2007. Vocês vão mudar de emissora?
TUTINHA> Pretendemos procurar uma situação melhor para o Pânico. O grande problema da Rede TV! é que não dão condições para o programa melhorar. Botam comerciais em excesso, muito merchandising e não dão condições. Para mandar os caras para a Copa, a gente tem que pagar.

PLAYBOY> O Vesgo e o Sílvio vão para a Copa com o dinheiro do Pânico?
TUTINHA> É, você acha que tem cabimento? Esse é o ponto fraco da Rede TV!. O Amilcare [dono da Rede TV!] e o Marcelo Carvalho [presidente da emissora] estão cometendo um erro. Deveriam dar mais dinheiro para o programa. Não dá pra ficar só indo a festas. Tem que ir pro Oscar, pra Fórmula 1. Na Globo a gente estaria fazendo isso, né?

PLAYBOY> A TV Globo é o sonho de consumo?
TUTINHA> Não, o sonho é o filme do Pânico. A Disney e a Fox já demonstraram interesse. A gente quer licenciar produtos, fazer teatro.

PLAYBOY> A audiência do Pânicojá chegou a 15 pontos no Ibope, e hoje anda pelos 6. O programa está perdendo o fôlego?
TUTINHA> Urubu negro é só o que tem. Se o Pânico continuar igual, vai ser um programa igual a qualquer outro. Você vê o Casseta e Planeta. Ninguém mais fala dele, fala? E está lá, não está? Se o Pânico mantém uma média de 6, 7 pontos de audiência com qualificação AB, nunca mais se acaba. É que nem a Hebe. Mas, é óbvio, se não fizer nada de novo, dança. O Pânico vai ter que se coçar. É que hoje, depois que estourou, a imprensa já fica um pouco contra. No começo, quando era uma coisa fracassada, era bárbaro.

PLAYBOY> É difícil manter o vigor dos primeiros programas?
TUTINHA> É duro porque a Rede TV! não dá recursos. É o maior programa da emissora, o maior faturamento, levantou o prestígio. Tinham que dar tapete vermelho pro Pânico.

PLAYBOY> Você estendia tapete vermelho para os artistas, quando tinha a produtora? Atendia muitas exigências?
TUTINHA> Sim. Principalmente dos brasileiros. Americano é muito profissa. Ele fala: quero 20 garrafas de água Perrier, 30 toalhas brancas, mulher. Alguns querem drogas e só. Mas brasileiro é over, quer suíte presidencial que não pode ter o tapete marrom. O Caetano Veloso gostava de terminar o show e ter um jantar pra ele. A gente armava, ele convidava os amigos.

PLAYBOY> Quem pedia drogas?
TUTINHA> O Ramones. A gente alugou o hotel Maksoud, em São Paulo, e um cara do Ramones não trouxe mala. Viajou com a roupa do corpo e passou cinco dias com a mesma roupa. Ele entrava no quarto e pedia marijuana. A mim dava medo. Mas essa não era minha parte, eu tinha outros sócios. Eu era responsável pela iniciação do negócio, arrumar o artista. E eu tinha mais facilidade de conseguir o artista porque tinha rádio. Entrava e falava com o presidente da gravadora, falava que ia tocar o disco.

PLAYBOY> Dizem que você ganhou uma moto Kawasaki pra divulgar o disco Faith, do George Michael.
TUTINHA> Mentira. Essa moto eu ganhei de presente do meu pai. Ah, todo mundo fala mal de todo mundo.

PLAYBOY> A internet diminuiu o poder das rádios?
TUTINHA> Nada é mais forte do que a rádio para música. Nem a Globo. Só rádio faz a música estourar. Você não vê o Fama? O cara vai lá, uma puta audiência, e cadê aqueles caras?

PLAYBOY> Cadê?
TUTINHA> Não emplacam porque para isso eles têm que fazer acordo pra tocar na Jovem Pan. Não fazem, não estouram. Nunca me procuraram, nunca estouraram. Por exemplo, o Rouge. Fez acordo para a Jovem Pan aparecer no programa deles do SBT. Era um acordo comercial que não envolvia grana, mas aparições na televisão, mostrar a rádio, coisas assim. E o Rouge explodiu. Depois não foi feito acordo com o Broz e o Broz não deu em nada. Além da rádio, só a novela influencia. MTV é zero.

PLAYBOY> Quem são os músicos que você admira?
TUTINHA> Eu gosto de música brasileira. Bossa nova, João Gilberto. Do Tom Jobim eu gosto pra cacete.

PLAYBOY> E da moçada nova?
TUTINHA> A música brasileira de hoje é um lixo. É uma música que não vai fazer história. Que história vai fazer o CPM 22, me fala? O Charlie Brown?

PLAYBOY> Por que não?
TUTINHA> Porque é uma música temporal, que combina com a idade do moleque. A letra não é forte, não tem sentimento. "Ah, vou fumar maconha, vou rasgar a calça, vou comer a mina, vou cuspir na cara, vou dar o cu na esquina". É isso aí, com raras exceções, como o Rappa e o Marcelo D2. Mas a maioria das músicas é feita por produtoras com o objetivo de vender discos. Eu acho lamentável, mas tenho culpa nisso porque não dou oportunidade para novos gêneros.

PLAYBOY> Esses músicos que você citou - CPM 22 e Charlie Brown Jr. - tocam na sua rádio?
TUTINHA> Todos. Eu sou uma pessoa que não tem opinião. Pra mim, que tenho o objetivo de ser o primeiro lugar, não adianta saber se eu gosto. Eu tenho que saber se faz sucesso. Se eu vou ver o show de Sandy & Junior e vejo lá o público da rádio, até penso em tocar na Jovem Pan. Eu sou treinado para isso. Quem tem muita opinião não consegue fazer a coisa comercial. Mas eu gosto do Charlie Brown. Só acho que é uma música que não fica.

PLAYBOY> E quem vai fazer história?
TUTINHA> Deixa eu pensar. Gostei do primeiro disco da Maria Rita, mas o segundo é um lixo. Pra ser sincero, eu acho esse segundo disco da Maria Rita uma bomba. Também ela é meio boba. O que tem de melhor é a mãe e devia regravar algumas coisas da Elis. O artista demora pra sacar que se ele não tem uma música boa ele não estoura. Começa a achar que é bom e grava qualquer coisa. A Maria Rita fez um disco de merda e não vai vender.

PLAYBOY> Na época do boom do axé, como era a relação da Jovem Pan com as bandas baianas?
TUTINHA> A Jovem Pan tocou axé e a Bahia inteira desceu aqui pra tocar.

PLAYBOY> Tocou É o Tchan?
TUTINHA> Não, mas tocamos Netinho, Ivete, Banda Eva e Banda Mel. Depois a gente achou que a rádio caiu e podia ser o axé. É que essa rádio é conceito, sabe? Por exemplo, a molecada gosta de samba. Mas a gente acha que conceitualmente tocar Inimigos da HP, por exemplo, atrapalha a rádio. Então a gente prefere tocar rock, house e música brasileira e não arriscar a audiência.

PLAYBOY> Mesmo que os acordos comerciais sejam ótimos?
TUTINHA> Não tem acordo pra coisa que a gente não gosta. Pode vir aqui, mandar 200 mil dólares pra tocar e a gente não toca, não adianta.

PLAYBOY> Como vai a Bacana Records, sua nova produtora de discos?
TUTINHA> Estamos fazendo alguns acordos com a Trama. A Trama é uma gravadora de artistas novos, mas falta o lado comercial lá dentro. Não adianta o cara ficar fazendo o disco do Max de Castro se não botar música comercial. Lança 20 discos e ninguém ouve. O cara tem que ser esperto. Pode até perverter um pouco, entendeu? O Seu Jorge, esperto, gravou Chico Buarque e entrou.

PLAYBOY> Parece que você é muito amigo do Milton Neves...
TUTINHA> Não sou. Nunca fui. Vamos falar a verdade? Acho o Milton Neves de quinta categoria. Bota aí que eu meti o pau nele. Ele é um canalha.

PLAYBOY> Mas as declarações dele sobre você são muito elogiosas.
TUTINHA> As pessoas falsas são assim. Estão te sacaneando por trás e falam bem de você. Profissionalmente eu o respeito e admiro, mas ele é é um injusto. Entrou com uma ação contra a Jovem Pan depois de ter trabalhado anos aqui.

PLAYBOY> Por quê?
TUTINHA> Por causa de nada [irritado]. Meu pai ajudou o Milton Neves do zero. Ele deve todo o sucesso ao meu pai. E ele foi muito sacana, entrou com uma ação trabalhista ridícula. Meu pai deu força, deu os melhores horários pra ele trabalhar. E ele virou as costas e sacaneou meu pai. Como vou gostar de um cara desses? Ele ganhou muito dinheiro, está muito rico, não precisa de ação. E ele já era, vai se ferrar, porque aqui se faz, aqui se paga.

PLAYBOY> Você tem muitos inimigos?
TUTINHA> Não que eu saiba. Deve ter muita gente com inveja de mim.

PLAYBOY> Você já se deu mal por esse seu jeitão curto e grosso?
TUTINHA> Já. O Rubens Barrichello não ganhava nenhuma corrida, só chegava em segundo, e eu fiz uma música assim: "Sempre atrás do alemão. É o Rubinho!" Essa música foi um sucesso estrondoso, todo mundo cantava. Aí eu estava em São Paulo, no Parque do Ibirapuera, e de repente vi o Rubinho correndo na minha frente. Quando eu vi, pensei: ele vai me encher de porrada.

PLAYBOY> E encheu mesmo?
TUTINHA> Eu virei e saí fora do Rubinho. Aí um mês depois ele processou a gente em 100 mil dólares. Eu fiz uma besteira, que foi pegar essa música e botar no CD da revista. O juiz se chamava Ferrari [risos]. Aí a gente se acertou, pagou o valor em obras de caridade no nome do Rubinho. Uma outra vez eu o encontrei, falei com o Rubinho e ele me deu as costas. Puta, fiquei com uma vergonha do cacete naquele dia.

PLAYBOY> O Luciano Huck declarou que você é ótimo, até a hora em que pisam no seu calo. O que é pisar no seu calo?
TUTINHA> É tipo assim, o Jota Quest. O empresário deles se chamava Chantilly e me prometeu um show em Maresias. Eu montei um estande de verão em Maresias, no litoral de São Paulo, vendi o patrocínio. E ele fez um show com a rádio Mix em frente ao meu estande. Por isso eu não toco o Jota Quest.

PLAYBOY> Você teve prejuízo financeiro?
TUTINHA> E moral. Eles que se danem! Ou eles me pagam o prejuízo que eu tive, me dão o show, ou eu não toco. Eu não sou de brigar, mas se o cara faz show com uma rádio concorrente, então que vá pedir para aquela rádio tocar, vá para o inferno. Agora eles estão sofrendo, porque não tocar na Jovem Pan é muito grave, acaba com o artista. Eu tenho pena? Tenho. Mas eles têm que me ressarcir. A Ivete Sangalo também fez parecido.

PLAYBOY> O que a Ivete fez?
TUTINHA> O Jesus, o irmão dela, se comprometeu a fazer show comigo. Botei anúncio na rádio, no jornal, um dia ele me ligou e disse: "Não vou fazer". Como a Ivete é muito poderosa, ela acha que pode fazer isso. Mas um dia é da caça e outro é do caçador. Ela é um amor, apesar do irmão, que eu odeio. A Ivete namorava o Luciano Huck, a gente ia jantar, eu gosto dela. Mas o irmão é de quinta categoria e um dia vai prejudicar a carreira dela. Ela que abra o olho.

PLAYBOY> Muitas pessoas já tentaram prejudicar sua carreira?
TUTINHA> Houve uma época em que as gravadoras quiseram acabar com essa história de dar prêmio ou dinheiro para as rádios tocarem as músicas. Porque o negócio estava generalizado, todo mundo queria um carro, uma viagem, uma camiseta. Então as gravadoras resolveram acabar com a Jovem Pan, porque a Jovem Pan é a mais forte. Então eu parei de tocar as músicas de todas as gravadoras.

PLAYBOY> E tocou o quê?
TUTINHA> Eu fiquei sócio de um amigo na gravadora Paradoxx e só tocava essa gravadora. A rádio foi para o primeiro lugar e a Paradoxx foi a que mais vendeu discos naquele ano. A gente tocava dance. Aí as outras gravadoras desistiram da briga e voltaram.

PLAYBOY> Você é rico?
TUTINHA> Eu sou. Eu ganho dinheiro, sou um cara de idéias, montei sete negócios. Tenho a Revista Jovem Pan, uma empresa de telefonia, o portal Vírgula, a Carteira de Estudante. No ano passado vendi quase 150 mil carteirinhas. Faço shows, faço eventos.

PLAYBOY> Quais são seus luxos?
TUTINHA> Veleiro e viagens. Trabalho 40 dias e viajo dez.

PLAYBOY> Gosta de carros?
TUTINHA> Gosto de todos os luxos. Que homem não gosta de carros?

PLAYBOY> Qual é o seu?
TUTINHA> Um Corolla [risos]. Mas eu tenho um BMW e um Porsche.

PLAYBOY> Você tem algum plano para o futuro?
TUTINHA> Entrar na TV. Eu fico animado porque o Roberto Marinho montou a Rede Globo com 60 anos. Eu sou uma pessoa ambiciosa.

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