domingo, 29 de novembro de 2009

Quando arrocha é coisa de família

por Marcelo Rangel




Ao contrário do que reza a velha máxima de que “em casa de ferreiro, espeto de pau”, os filhos do produtor e empresário Francisco Macedo Costa, o Macedo Brilho, um dia tiveram a idéia de montar uma banda. Filipe, 18, Thiago, 16, Saulo, 14 e Lucas, 12, buscaram inspiração em personagens infanto-juvenis de sucesso para criar a Ninjas do Arrocha em 2005.

Sim, o objetivo era faturar; afinal estamos falando da família daquele que foi dono da banda Brilho, que já animou bailes e festas populares nos anos 80 em Sergipe. No entanto, depois de gravadas as músicas dos Ninjas do Arrocha foram disponibilizadas em uma página na Internet, sem indicação de copyright, livres para serem copiadas e tocadas indiscriminadamente. Foi assim que o grupo conseguiu até figurar entre as letras publicadas no site Terra, um espaço que poucos artistas sergipanos conquistaram até hoje. Uma pesquisa na busca do Google nos leva a dezenas de menções em blogs e páginas, provando que a banda teve divulgação marcante, mesmo sendo alvo de certas chacotas. Desde verbete da desciclopedia a tema de matérias jornalísticas em emissoras como a TV Sergipe e a TV Diário (CE), afiliadas da Rede Globo. Enfim, foram parar em todo lugar (virtual).

Métodos nada ortodoxos, até cair na boca do povo




A estratégia para alcançar este sucesso foi peculiar. Para popularizar o trabalho da banda, Macedo imprimiu mais de 200 mil capas de CDs e DVDs em papel couché e os distribuiu para pirateiros das cidades onde mantinha contatos, para que os produtos tivessem uma melhor apresentação e, portanto, mais credibilidade. Foram entregues juntamente com cópias master para serem deliberadamente reproduzidas e comercializadas, sem custo algum para os pirateiros. “Eu chego pro pirateiro, dou um CD ou DVD e dou as capas, então ele já se sente gratificado porque não vai fazer xerox, xerox é caro, então ele bota no mercado. Se a pessoa chega e vê um produto com uma impressão dessa ela já compra, já vê qualidade melhor, e pra mim em gráfica isso sai barato. Se eu chegasse só com o CD ou DVD dos Ninjas e desse, ele não teria interesse”, justifica.

O tempero sonoro do grupo foi elaborado por Dan Ventura, compositor baiano e parceiro de Macedo Brilho que compôs a música-tema dos Ninjas a partir de temas sugeridos pelo empresário e seus filhos. As canções não são exatamente compradas. “Não é o compositor que mostra música... a gente encomenda música. Com os Ninjas, como eram meninos, escolhemos essa coisa de desenho animado, de ninjas, demos a idéia e ele melhorou. A gente pega um tema, chama o compositor, mostra, e ele desenvolve, mas alguns dos Ninjas já estão fazendo músicas próprias”. Como autor do principal sucesso do grupo, Dan Ventura não recebeu dinheiro em espécie, mas negociou permutas por shows pelo uso de sua obra. Por outro lado, nota-se que este compositor tem conseguido outros dividendos com estas criações, pois começa a entregá-las para serem gravadas por outros grupos com maiores possibilidades de inserção, como o Trio da Huanna, que já gravou “Ninjas do Arrocha”, uma daquelas novidades da indústria cultural baiana. A mesma canção também foi cantada por Ivete Sangalo em trio elétrico no carnaval antecipado de Sergipe, o Pré-Caju; e muito provavelmente também foi executada em outros eventos deste tipo. "A Ivete ainda teve a sensibilidade de oferecer ao pessoal daqui, dizer que era dos meninos de Aracaju e tal".

Negócios de família em rede de relacionamentos



Mesmo baseado em Aracaju, os Ninjas costumam se apresentar com mais freqüência no interior do estado de Sergipe. A gravação de uma apresentação em Capela, apresentada pelo próprio prefeito, foi parar no You-Tube. Isso sem falar do interior de outros estados. Em 2006 realizaram aproximadamente 40 apresentações e também gravaram um CD e um DVD. O grupo não é o responsável pela maior parcela de lucros entre as atividades do empresário, apesar de ter se tornado a mais conhecida entre as bandas por ele produzidas. O objetivo (justo) sempre é conquistar grandes lucros, mas não há previsão de quanto tempo isso vá levar para acontecer, apenas planos: “Com os Ninjas eu estou pensando no futuro”.

A remuneração dos sócios (sua esposa e, claro, filhos), músicos e prestadores de serviço vem basicamente do conjunto de atividades dos negócios da família: apresentações das outras bandas e aluguel de equipamentos (palco, som, luz, trio elétrico, carro de som, etc). Noventa por cento das apresentações são realizadas em parceria com produtores parceiros, baseadas na venda de ingressos. Apenas dez por cento das apresentações são contratadas, quer seja por parte de prefeituras ou produtores locais. Para Macedo, o grupo é mais popular nas cidades do interior pois o público da capital “tem vergonha de dizer que gosta dos Ninjas”. Mesmo assim, é comum se ouvir (em alto volume) suas músicas em bares de Aracaju, através dos alto-falantes de carros particulares e com a aparente aprovação de um público heterogêneo, tanto de classe média quanto de camadas mais populares.

Por conta de seu trânsito no mundo da indústria do entretenimento, Macedo também conseguiu que uma música dos Ninjas entrasse num playlist do site Sucesso, enviado para rádios, produtores e usuários cadastrados. Segundo Macedo e Filipe “San”, a música teve uma quantidade surpreendente de downloads em 2006, “mais que Zezé di Camargo, da trilha sonora de Os Filhos de Francisco”, garantem. Esta disseminação provocou não apenas a execução da canção “Ninjas do Arrocha” em rádios, mas também a escolha da banda como “artista do dia” da Rádio Jovem Pan. “O pessoal me passou vários emails e eu não respondi”, conta Macedo, “eu dizia ‘é mais um trote’... aí acabaram me ligando, falando ‘rapaz, queremos fazer uma entrevista com os Ninjas, e vamos botar eles como artista do dia, vamos abrir um chat, pelo site da Jovem Pan’. Quando eu digo que nós fomos artistas do dia as pessoas não acreditam, dizem que é impossível, porque na época nem havia Jovem Pan em Sergipe”.

Apesar de não terem liberado suas músicas em Creative Commons, não houve uma preocupação formal com a questão dos direitos autorais. Suas criações circularam através dos pirateiros, e foram disponibilizadas na Internet, sem editora ou selo fonográfico. As relações com diferentes agentes são definidas como parcerias, que possibilitam a geração de negócios formais, como shows, e viabilizam a concretização de outros projetos. As composições de Dan Ventura para os Ninjas, por exemplo, foram “pagas” com shows da banda. Estes agentes locais viabilizam apresentações, tanto em produção própria como em sociedade com a Brilho Produções Artísticas Ltda., que tem existência jurídica formal desde 1995. Para Simone, esposa de Macedo, mãe dos Ninjas e também produtora, conhecida como Simone Brilho, os empreendimentos da família utilizam serviços contratados de uma média de 30 pessoas, entre técnicos e músicos, que recebem cachês avulsos, sem relações trabalhistas.

Motim de mercado

Aparentemente não há relação direta entre o empresário e os pirateiros que ele incentiva a venderem os conteúdos gerados pela banda. Macedo também garante que não paga pela execução em rádios, apenas eventualmente aceita alguns "pedidos", como para apresentações promovidas por emissoras, para garantir a veiculação das músicas. “Com bandas menores, eles fazem parceria, promoção, mas quando a banda tem gravadora, elas é que pagam”. Sem rodeios, Macedo fala sobre o famigerado jabá: “Tem rádios que cobram X, em Recife mesmo, o Deuses estourou lá e eu pagava R$ 2.500, por 3 execuções por dia, e deu um bom resultado... eles [as rádios] não botam 0800... de graça, de graça, é difícil... no mínimo eles fazem shows e as bandas participam de graça”. Apesar disso, ele garante que conseguiu que os Ninjas tocassem sem essa estratégia: “Na FM Sergipe, no ano passado a música do Rebeldes estava em primeiro lugar, e quem desbancou foram os Ninjas, sem que eu tenha dado nada; música tava tocando com o Um Toque Novo, eu fui lá falei que era dos Ninjas, dei o CD e eles detonaram, ficaram em primeiro lugar. De vez em quando eles me pedem umas bicicletas, skate, eu dou, mas antes disso chegamos em primeiro lugar no 0800”.

O empresário garante que nunca recebeu um tostão de direito autoral. “As rádios não tocam CDs, tocam mp3... tinham que tocar o original, mas nem CDs tocam... tocam mp3... o país tem leis, mas não cumpre as leis.. Pra gravar hoje, tem o ISRC, quando você bota aquilo na rádio, automaticamente a rádio tem que estar equipada pra ler o registro... obrigam a gente a ter isso, mas as rádios não têm equipamento pra isso... esse negócio de direito autoral é só pra quem tem gravadora“.

Números surpreendentes

Não é possível revelar dados exatos, mas consegue-se avaliar a inserção da banda no mercado através de alguns números. Segundo Rodrigo Leite de Almeida, diretor geral do Portal Mix, que hospeda o site dos Ninjas, já são mais de 150 mil acessos desde seu lançamento, em março de 2006. Nos últimos meses, contabiliza-se uma média de 300 acessos diários, mas em 2006 os Ninjas chegaram a causar um congestionamento no portal, com cerca de 22 mil acessos durante um único mês. Segundo o diretor, foram cerca de 12.000 downloads. Outro dado que impressiona é a quantidade de capas de CDs e DVDs distribuídas pelo empresário entre vendedores de CDs piratas de todo o Brasil: cerca de 200 mil, segundo Macedo Brilho. Mesmo considerando a imprecisão e o fato de que nem todas as capas podem ter sido utilizadas, é bem provável que uma boa parte delas tenha sido aproveitada. Na conta “oficial”, o empresário declara ter prensado apenas 5 mil cópias.

Na vida real, os filhos de Macedo continuam seus estudos regulares – o mais velho já é aluno do curso superior em Psicologia, mas continuam a ter aulas de música. O empresário também já decidiu que o nome da banda será apenas “Ninjas”, pois assim não enfrentarão um certo preconceito existente em relação ao arrocha, o mesmo que ele diz ter enfrentado nos anos 90 quando produzia a Raio da Silibrina. “As pessoas gostam, mas tem vergonha de dizer que gostam... gostam mas não assumem, tipo ‘vamos ouvir uma sacanagem agora'...”. Desta maneira, esperam se inserir no mercado. “Agora o forró elétrico está em alta, o movimento é forte, eu estou notando discriminação agora com o arrocha, o que eu sofri com o forró, então agora estou gravando os meninos como ‘Os Ninjas, o forró mais suingado do Brasil’. Vou fazer as músicas do arrocha como forró elétrico, com naipe de metais... quero botar os ninjas no São João... se eu ficar no arrocha, vou ficar de fora do São João, vou fazer arrocha com sanfona e abortar esse nome, arrocha”.

No momento, a iniciativa negocia um contrato com a Bandeirantes Fonográfica, desta vez utilizando uma estratégia lançada recentemente pela gravadora, o CD pôster, vendido em bancas de revistas a preço bem abaixo do CD comum. A idéia é evitar os erros do passado. “Com a Bandeirantes, nós vamos ganhar percentagem em cima dos CDs vendidos e eles ganham percentagem em cima dos shows, será como uma parceria, um contrato de no mínimo quatro anos, e o CD não poderá ser passado por mais do que R$ 6, isso garantido em contrato. Quando eu era da Warner, eles vendiam CD nosso por R$ 9, aí revendiam por muito mais, as pessoas não compravam, porque a gente não estava estourado”

Macedo Brilho afirma que quem não utiliza a Internet para divulgar seu trabalho está cometendo um erro, uma “burrice”. Aos artistas, ele recomenda: “A gente tem que divulgar, não pensar nem em faturar, aí a gente começa a incentivar inclusive até a pirataria. Se a gente for esperar a gravadora projetar a gente é difícil, porque a gravadora só tem interesse em projetar quando você já está com um nome no mercado. Quando você entra inicialmente, você passa a ser ‘terceiro plano’ para a gravadora”.

Com trauma da indústria, mas sem medo de cair na rede

Macedo Brilho criou e empresariou outras bandas de forró e conseguiu com isso equipar sua empresa com trio elétrico, estruturas de palco, som e iluminação. O mais bem-sucedido de seus empreendimentos foi a Raio da Silibrina, uma banda de forró que chegou a ser contratada de uma grande gravadora, a Warner. Embora tenha se apresentado em programas de veiculação nacional, como o de Gugu Liberato, Hebe, entre outros, a Raio da Silibrina não teve obteve grande popularidade no mercado nacional. Segundo Macedo, a experiência não gerou bons frutos. “Eu não tive uma experiência boa com gravadora, porque era uma banda iniciante, não tava no nível dos mega artistas; então aconteceu o seguinte, eu me empolguei com a gravadora e fiz coisas limitadas, o CD era caro demais, ninguém comprava”.

A experiência e os ganhos acumulados nas atividades com estas duas bandas, e mais a “Deuses do Arrocha” e a “Corisco do Trovão”, esta última de forró, fez com que o empresário conquistasse parceiros em diversas cidades no interior do Brasil, em estados como a Bahia, São Paulo, Pernambuco e Amazonas. Esta rede de produtores, empresários, compositores, rádios e lideranças políticas foi responsável pela venda e divulgação dos Ninjas do Arrocha. Mas apenas este fato. Na avaliação do próprio entrevistado, a Internet teve papel fundamental na trajetória dos Ninjas. “Nossa maior divulgação foi pela Internet, sem ela não teríamos alcançado nada disso”, finaliza Macedo, categoricamente.

Timpin INTERROGA: ficou curioso? sinta com seus próprios olhos meninos ao vivo:

3 comentários:

na boa, qnta gente esquisita junta vc arrumou dessa vez, hein? pqp! aquela dancarina estilo carla peres no inicio de carreira tá completamente fora do contexto, embora seja a unica coisa boa(apenas no sentido de ser mulher, e olhe lá) q tá no meio dessa mini-gangue de de algum filme dos trapalhoes. Falando em jornalismo investigativo, Nao posso terminar sem falar daquela imagem dos boxeadores. Puta MERDA hahahaah

nao sou homem bomba, mas tenha uma semana explosiva
ate mais,

aqui assina Zé Migué, um especialista em porra nenhuma

Caro Careré do Timpin, primo magro do (tim) maia, permita-me uma admoestação:

o cara se chama macedo brilho? Deve ser engraxate da igreja universal

O Dan ventura, seria parente do ace ventura?

e o carinha da foto NINJAS DOIS... o q o jogador do nautico carlinhos bala ta fazendo ai????

meu nome é migué do zé, sou filho do Zé Migué, mas nao copiei ele nao viu?

Em termos de visão empresarial esse tal Macedo Brilho dá show,o cara conseguiu a façanha de misturar Jaspion com Ninjas, colocar ritimo de arrocha e fazer a coisa acontecer...Tem cada coisa que acontece nesse Nordeste de meu Deus que impressionante..kkkkk

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