sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Maxixe - A Nova e Subversiva dança gaúcha

Quando o Movimento Tradicionalista Gaúcho fechou o cerco sobre a Tchê Music no começo do século, nem imaginava que dentro de seu próprio cafofo surgiria uma das mais belas histórias que a cultura popular nos premiou nos últimos tempos. Trata-se do maxixe, a mais nova dança surgida das periferias de Porto Alegre e que prova que a cultura não obedece leis e desconhece proibições.

Para contar essa história temos que voltar no tempo até a década de 90, quando o grupo Tchê Barbaridade começou a inserir uma batida mais acelerada, inspirada no axé baiano, em sua sonoridade. Aos poucos, as letras que até então falavam em sua maioria da terra, da revolução e do orgulho de ser gaúcho, passaram a adotar uma temática mais jovem e urbana. O sucesso inspirou outros grupos, como Tchê Guri e Tchê Garotos a seguirem esse viés.


grupo de dança Patrulha Maxixeira


A consolidação do movimento se deu na virada do século quando o principal jornal impresso do sul do país, a Zero Hora, lançou na sua edição dominical uma coletânea intitulada Tchê Music que fez um sucesso estrontoso, atingindo a marca de 120.000 cópias vendidas já nas três primeiras semanas. O êxito irritou os tradicionalistas e deu inicio a uma longa guerra que culminou com a proibição das bandas de usarem bombachas e demais indumentárias gaúchas e com o fim das apresentações em Centros de Tradiçào Gaúchas (CTGs), controlados a mão de ferro pelo MTG.

O embate entre os artistas da Tchê Music e os Tradicionalistas que comandam os CTGs já foi abordado superficialmente em minha segunda coluna no Bis MTV e merece um artigo mais aprofundado, que com certeza ainda será escrito. Para a contextualização do Maxixe no entanto, este breve introdução já é suficiente.

A gênese do maxixe é mais um caso pra lá de curioso e que comprova que a Africa vingou a escravidão através da música. Enquanto o vanerão seguia subjugado pelo arreio dos Tradicionalistas, a dança permanecia quadrada e não atraía a parcela negra da população porto-alegrense. Com a inclusão de elementos do axé e do pagode no som da Tchê Music, os negros passaram a descer o morro e frequentar os CTGs. E foram apenas dois negrinhos vileiros, apelidados de Faísca & Fumaça, que deram inicio ao calvário dos patrões cetegistas.

Como não sabiam dançar o dois pra lá dois pra cá do retangular vanerão ortodoxo, começaram a rebolar e adaptar o seu samba no pé ao som da sanfona. As pessoas mais próximas achavam aquilo muito engraçado e aos poucos começaram a imitar. Como chacoalhar o esqueleto era muito mais divertido do que tentar inutilmente ensinar Faísca & Fumaça a dançarem durões, a moda começou a se espalhar e os dançarinos da nova dança, que a principio era apenas alguns, passaram a ser dezenas, depois centenas e os problemas começaram a aparecer.

Naturalmente que os arautos da tradição campeira e dos valores da familia gaúcha não permiritiam tamanho deprave dentro de seu respeitoso estabelecimento cultural. Os seguranças começaram a receber ordens para expulsar sumariamente a bagaceiragem que insistisse naquela dança obcena. Foram criados Comitês de Observação, que inicialmente faziam uma advertência verbal e no caso de reincidência, olho da rua.

Aqui nos adentramos num surrealismo nonsense capaz de envergonhar Bob Esponja e seu amigo Patrick. Proibir a Banda Vaneira de tocar em um ambiente cuja função é preservar uma tradição específica e antiquada é algo questionável, mas compreensível. Proibir por decreto que artistas usem determinadas vestimentas em suas apresentações é algo ridículo. Agora proibir que se dance de certa maneira é uma absurdidade de proporções caralhosféricas.

Chega a ser cômico só de se imitar os apuros que passaram os pobres coitados dos empregados que calharam de pegarem esse rabo de foguete que deve ter sido tranbalhar nos tais Comitês de Observação. O rosto estático, os olhos movimentando-se de um lado a outro em busca dos transgressores subversivos.

- Olha lá! Olha lá! Pega aqueles dois! Não, não, não! Lá tem mais, vai nos dois que eu pegos outros. E aquelas quatro gurias lá? Ah meu deus, isso não vao dar dar certo... Alô? Patrão? Manda o cheque pelo correio que eu prefiro eu prefiro ser cafetão de puta de BR.

Brincadeiras à parte, não raro os barracos acabavam na delegacia de polícia, com um lado alegando desrespeitos às normas de uma intituição sério e o outro alegando racismo.

Como tudo o que é proibido é mais gostoso, a noticia de que uma dança proibida estava sendo praticada nos CTGs começou a chamar a atenção da juventude e a nova mania começou a se espalhar como fogo em mato seco, chamando a atenção do jornalista Marcelo Machado da RBS que passou a acompanhar o desenrolar dos fatos mais de perto e publicar textos sobre o tema em sua coluna na Zero Hora. Como o jornalismo precisa de rótulos da mesma forma que um brigadiano precisa de suborno, a dança recebeu o nome de maxixe e seus patricante passaram a ser chamados maxixeiros.


Patrulha Maxixeira em Dom Pedrito


Como a juventude urbana costuma andar em bandos não tardou para que pipocassem as tribos maxixeiras pelas periferias da capital gaúcha. Tendo em vista a organização da cena emergente, Paulinho Bombassaro criou o Clube do Maxixe, localizado no Clube Farrapos, onde todos os domingos à tarde são ministrados cursos de dança e à noite a bailanta come solta.

Atualmente a exitem diversos grupos organizados, como nomes diversos como Bonde dos Maxixeiros, DN -Danadas Maxixeiras, Tradição Maxixeira, SWAT - Elite Maxixeira e os pioneiros da Patrulha Maxixeira, o primeiro a se organizar e hoje um dos maiores e mais ativos. Segundo Soraia Ramos, uma das coordenadoras do grupo, hoje a Patrulha que começou quase como uma brincadeira entre e amigos e agora já age num esquema quase profissional, participando em gravações de DVDs, aberturas de shows como Calcinha Preta e Banda Calypso.

Enquanto isso os tradicionalistas dogmáticos ladram, mas a caravana não para. Como a cultura é uma entidade viva e em plena evolução, aquele rebolado de Faísca & Fumaça acabou dando origem a uma revolução que aos poucos vai mudando os rumos da música gaúcha. Afinal de contas, com o aumento da quantidade de maxixeiros, acaba surgindo uma demanda que acaba forçando os artistas e bandas a criarem músicas que possam ser dançadas por eles, num círculo virtuoso que prova mais uma vez que a capacidade criativa musical do povo brasileiro é como uma égua chucra que não tem relho que dome.

Mas aigalhetchêporquera, seu!

...

Texto publicado originalmente no Bis MTV

7 comentários:

Timpim, belezura ?


Bom, sabe o que descobri deste maxixe ??


1)Deixe o som original em MUTE.

2)Troque a música e coloque qualquer uma da época da LAMBADA 80's... (Kaoma, Beto Barbosa, etc)


Pronto. Eis a nova dança "proibida" do maxixe.


No munda nada se cria, tudo se transforma.
Ondas e modas são sempre cíclicas.


Abraço

Gaspar

BANDO DE GENTE SAFADA, E A CULTURA ONDE FICA? EU SÓ TO VENDO SAFADEZA AI. NEM QUE A VACA TUSSA ISSO VAI VIRAR A ''NOVA DANÇA GAÚCHA'' ISSO TÁ MAIS PRA DANÇA DE BOATE, TOMEM VERGONHA NA CARA!

eu queria muito aprenmder dançar maxixe como eu fasso para comunicar com voces meu munero 99468654

olá. gostaria de auxiliar a todoas arrespeito do maxixe, e de sua historia.
ENTÂO VAMOS PRESTAR ATENÇÂO!!!!!!!!!!!!

Estão equivocadas algumas informações passadas:

1º Maxixe surgio de 1 musica especifica da decade de 90, Forronerão do mosso gaucho da fronteira.
que foi gravado tambem por berenice azanbuja.
amusica era a mistura do forro e do vanerão, e não do axê baiano!
Apos um tempo foi integrado a percusão do axê.
2º Sobre tio faisca & fumaça ok! isto e fato realmente os caras são os caras!! Sim eles que são os fundadores do maxixe...
3º Patrulha Maxixeira não foi o 1º grupo organizado de MAXIXE!!
por volta de 92, 93, um grupo de amigos freguentadores do antigo bailão do velho cardoso, criarão um grupo de maxixeiros que freguentavão todos os bailos de maxixe da epoca: cardoso, fenix, 5 estrelas e varios da epoca....
O nome do grupo era LOS BORRACHOS MAXIXEIROS....
Patrocinados na epoca por uma empreza de informatica.
E 1º grupo organizado no Clube farrapos foi Esquadrão Maxixero do clube farrapos, com apoio do proprio clube que buscava dançarinos acima da media para promover a casa!!
Atravez dessa nota espero ter auxiliado no conhecimento de todos.
Danço desde os meus 10 anos de idade estou com 28 anos, e vivi todo o processo do maxixe, tanto nos ctgs (fazia parte do movimento tradicionalista), e faço um desabafo.... o maxixe e uma dança bonita nos dias de hoje, claro que no começo era meio desengonçada mas se analisarmos, nós mesmos quando nascemos não caminhamos e avoluimos,
a dança tambem, fico triste por pessoas que dizem saber de tradição... se formos avaliar nossas danças todas são mesclas de ritimos e estilos de outros paises.... e querem falar de tradição?
Mas Paciencia, pessoa para que todos de em valor para grupos de musicas do sul e sim ao maxixe por que hoje existe uma distorção de maxixe e sertanejo universitario, uma coisa uma coisa outra coisa outra coisa ok! há e antes que esqueça o maxixe e bonito por ser uma dança que cada pessoa cria seu estilo de dançar seguindo um passo base! então para o pessoal de plantão diga não para os robos que banção por ai! fica muito feio todos dançando iguais...
Abraço a todos e nos vemos pelos bailões ok!
qualquer coisa meu mail e john_mecromantes@hotmail.com

tbm concordo john falou certo,tem muita gente por ai falando coisas que não são veridicas e querendo pisar em cima dos outros,acho que cada um cuida de seus atos e de seu modo de dançar cada um faz seu estilo.Abraço Laurinha Eterno(Esquadão Maxixeiro)

tem muita gente falando coisas sobre o maxixe,o john e laurinha tem razao.o maxixe é uma dança linda,onde cada um tem seu estilo próprio,onde é seguido um passo base... Assim é q é bonito, não aqueles robozinhos q vemos em alguns bailes...

Bora Maxixa gurizada...
Abraços,Daiane

"A cultura é viva"....enquanto tem raízes fortes ! Tanto que a palavra "cultura" advém do latim cultivar e representa, entre tantas acepções sociológicas, o que se constrói social e historicamente. Sendo assim, se torna claro que um dos elementos inerentes à cultura é a tradição. Ou seja, conservar e repassar de geração em geração valores, ideias e outras manifestações que caracterizam uma sociedade ou época. Que demonstram os valores sociais, os costumes, a história, a arte, o modo de vida de um povo e faz parte de sua herança cultural.
Assim, se torna lógico que os CTG,s - Centros de TRADIÇÃO Gaúcha, se tornem resistentes a determinadas formas de mudança que não correspondem com os valores e com o contexto histórico daquilo que preservar e que representa valor para determinado estrato social. E graças a Deus que existem os Ctgs !
Não sou contra o dinamismo da cultura, as novas novas manifestações artísticas culturais, etc. Mas sou contra a sobreposição delas.
Os CTG,s e MTG,s devem sim se preocupar em trazer novos membros, em divulgar a história e a cultura tradicionalista e assim, demonstrar a beleza, a importância e o valor das tradições do sul do Brasil (que não se restringem ao RS). Porém, modificar as tradições, incorporar elementos estranhos, fora do contexto histórico e sem nenhum vínculo cultural com a suposta intenção de atrair novos seguidores do tradicionalismo é tão ridículo quanto tirar todos os artefatos históricos de um museu e substituir por tablets, computadores, pistas de skate para se adaptar aos novos tempos e atrair a juventude. Ora, o CTG tem que atrair o povo que valoriza e apreciará aquilo que ele representa. Mudar para atrair mais pessoas é ilógico, é absurdo !
Portanto, sou da opinião que modismos, como o maxixe (e tantos outros existentes e que existirão, inclusive no que se refere à indumentária) devem ser respeitados, como devem ser respeitados e incentivados outros gêneros musicais e forma de arte e dança, mas fora dos CTGs.
É engraçado que ligamos a TV nas principais redes nacionais, vemos diariamente cantores de samba, pagode, funk, axé, arrocha, etc. apresentado sua arte. Arte, via de regra, comercial, sem história, sem tradição. E onde está o espaço do "gauchismo" ? Ninguém se preocupa em valorizar a cultura do sul, integrá-la a programação. Ao contrário, fazem do funk e do samba carioca a cultura nacional !
Então só posso parabenizar aos CTGs que ainda tentam resgatar, manter e divulgar não apenas um estilo de música ou dança, mas parte da história e da cultura brasileira e de seu povo...
Quanto aos bailões e agitos por aí, cada um dança como quiser !

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