O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fabio Elias e as voltas que esse mundão véio sem porteira anda dando

Tá vendo esse cara empunhando uma guitarra?



Ele é Fábio Elias, ele era vocalista da banda de rock n´roll mais legal que já existiu em Curitiba, a Relespública. Era um rock inspirado na cena mod londrina do final dos anos 60. A banda inclusive gravou um DVD ao vivo pela MTV. Pois eu falei ERA vococalista da Reles. Pois o cara chutou o balde e virou cantor sertanejo, numa clara demonstração do atual zeitgeist e do quanto esse mundo dá voltas.

Essa semana ele lançou um clipe com a música de trabalho de seu novo disco. Uma vez eu entrevistei ele por MSN sobre sua mudança, sobre o cenário musical brasileiro da atualidade e também algumas futilidades, porque a gente também é gente. Infelizmente, por causa da Macumba de Marcio Victor, tive que formatar meu computador e a entrevista se perdeu.

Apresento pra vocês o clipe em primeira mão. Sai do corpo Muié!!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tributo a Carmem Miranda - o Pós-Tropicalismo Desguiado de Waldo Squash



Na hora em que bati os olhos e li na tela "Tributo a Carmem Miranda" já pensei de cara - Agora é que fudeu tudo! Isso não tem a mínima chance de dar certo, ops! errado. Foram os três minutos de espera para completar o download mais tensos dos últimos vinte e três decênios. Estou falando do link pro 4shared que estava no nick do alquimista parense Waldo Squash, o homem por tras da Gang do Eletro, apresentando o novo silngle da banda.

Ouça AGORA! enquanto prossegue a leitura deste post

Gang do Eletro - Tributo a Carmen Miranda by dafnesampaio2

Ele já tinha marcado um gol de placa com sua versão para o hit "Panamericano", só que dessa vez ele definitivamente se superou. De onde saiu a idéia maluca de criar um eletro melody em cima de músicas de Carmem Miranda provavelmente nunca vai se saber. O que está provado com o resultado que ele alcançou é que esses caras, Waldo o garoto alucinado Maderito estão prontos para os holofotes.

Inclusive recentemente eles foram citados na revista de vanguarda inglesa Wire. E olhe que a música citada foi umas primeiras da Ganga - que é como eles se autoreferem em algumas vinhetas - e considerando-se a evidente evolução constante na qualidade da produção desde então, imaginem se cai nas mãos dos gringos este "Tributo a Carmem Miranda"!

Claro que sem entender o português, um eventual inglês que escute a música vai ficar privado do humor involuntário que a simples escolha do tema possibilitou. Transpareçe na música inteira que Waldo e Maderito devem ter se divertido pacas enquanto recortavam os samples e faziam as colagens e mixagens. Mas a maestria em que o samba arcaico foi costurado com as batidas aceleradas do eletro melody garantem a qualidade internacional do produto final.

Quando apresentei o som a um amigo do MSN ele reclamou - Pow Timpas, foda pra caralho, pena que é tão curta! Eu nem tinha me ligado nisso. São tantas as referencias e nuances que nem tinha reparado que tudo se passa em pouco mais de dois minutos. Me ocorreu a lembrança dos singles do Pink Floyd na época do Syd Barret. Mas aí prensei: Nãã! Aí já é viajar demais...

Ou será que viajar demais não existe no universo da Gang do Eletro? Como dizia Napoleão Bonaparte no Sermão da Montanha:

- Vai saber...

Ps.: O amigo do MSN que falei me furou ozóio e postou um texto sobre a música no blog dele antes de mim com o título Waldo Squash, o fenômeno. Clique e leia

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Swingueira - A psicologia, a política e a economia do pagode baiano

Há de se entender o pagode baiano. Desde os tempos de bunda music do É o Tchan e de muitas descidas na boquinha da garrafa, as coisas mudaram muito. O cantor Xandy não só casou com Carla Peres como, com seu Harmonia do Samba, como acabou por catalizar um salto qualitativo impressionante na modernização do samba de roda do Recôncavo Baiano.


Xanddy à frente do Harmonia do Samba - um divisor de águas no pagode baiano


No começo quase ninguém notou. Parecia apenas um desvio do foco de atenção das bundas das dançarinas para a cintura dos cantores. Só que a transferência da batida da viola para a linhas de contrabaixo fizeram a cabeça de uma geração inteira de músicos e não tardou para que surgissem artistas revolucionários. Dois nomes se destacam nessa categoria, Marcio Victor do Psirico e Edcarlos Conceição, o Ed do Parangolé, depois Eddy do Fantasmão e agora Edcity em carreira solo.

Só que a única coisa que aproxima essas duas pessoas é o fato de dividirem a pecha de gênios revolucionários. Marcio Victor com seu samba fortemente percussivo e Edcity com seu groove arrastado. De resto, um abismo separa os dois. E esse abismo reflete muito as contradições sociais da Bahia em geral e de Salvador em particular.


Marcio Victor, o homem por trás do samba percussivo do Psirico


Na esteira da gravação de seu novo DVD, Psirico apareceu no programa da Xuxa, no Hoje em Dia na Record e em mais uma série de veículos de mídia. Já Edcity, após participar do conceituado festival Percpan - Panorama Percussivo Mundial, que visa mapear o que o planeta Terra anda inovando em termos de batucadas, obteve não apenas repercussão nula, como ainda uma nota negativa no jornal A Tarde.

Desde que Edcity deixou o Parangolé para tocar seu projeto conceitual Fantasmão que passou a ser perseguido, ignorado e muitas vezes sabotado pelo mercado do pagode em Salvador. É incompreensível que nenhum jornalista sério de nenhum veículo de imprensa local nunca tenha levantado a questão: porquê Edcity causa tanto medo no status quo pagodeiro. Em quê ele representa uma ameça?

Qualquer um - até mesmo quem não está habituado a escutar Swingueira (é assim que o pagode baiano é chamado por lá) reconhece que se trata de um som muitíssimo superior ao resto dos artistas do gênero. O Psirico também é muito superior, mas porque tudo para um e nada para o outro.

As coisas começam a fazer mais sentido quando analizamos a personalidade de cada um. Os dois vieram do gueto, só que Edcity ainda carrega o gueto dentro de si, tatuado na alma e expressa o gueto com maestria em suas composições. Já Marcio Victor é um deslumbrado. O sucesso despertou nele uma vaidade que talvez estivesse encubada desde os tempos de gueto. E a manipulação de uma vaidade alimentada por exposição midiática requer que se façam concessões.

Marcio Victor é um cara que faz conceções, já Edcity... bom, esse não capitula nunca.

Mas atribuir à vaidade de Marcio Victor todas as causas das contradições seria, além de uma injustiça - afinal o cara é muito boa gente e é dono de um enorme coração, uma análise muito rasa. Existem mais coisas embaixo deste angú.

Há algo de podre no reino de São Salvador. A capital baiana é mundialmente famosa por ser sede do maior carnaval do mundo. A festa movimenta um bilhão de dólares na economia local entre os meses de outubro e março. Acontece que esse rentável mercado só pode ser construido às custas de uma privatização que foi sendo feita aos poucos apartir da profissionalização dos blocos após a consolidação da axé music nos anos 90.

Como de resto em todo mercado que envolve grandes fortunas, não tardou a se formarem cartéis, redes de corrupção e o encrudescimento de interesses puramente comerciais em detrimento da música, da festa e da alegria, que em tese deveriam ser os fatores a nortearem um carnaval. Aqui já podemos vislumbrar o perigo que Edcity representa para esse sistema, assim como a inofensividade do Psirico.

Um mercado que fatura milhões com porcarias do tipo Rebolation, tem medo que Edcity estoure nacionalmente e revele a todos que não é necessário consumir coisa ruim, que existem produtos de qualidade nas prateleiras do carnaval baiano. Uma mentalidade rasteira, certamente, mas quando as possibilidades em jogo envolvem queda no faturamento, melhor não arriscar.

O pior é que está todo mundo envolvido no esquema. Agências de eventos, artistas, veículos de mídia e formadores de opinião. Qualquer um que se levante contra isso e tente desafinar o coro dos contentes é imediatamente censurado, ignorado e imediatamente excluído do circuito de shows e eventos. Numa terra que ainda lembra do horror da era Antonio Carlos Magalhães todos sentem medo.

Quer dizer, nem todos. Edcity está na luta. Enquanto assistimos o talento de Marcio Victor a serviço das forças do mal, quando lança como música de trabalho para o verão 2010 que com um verso que fala "chupeta na boca e na buchecha", Edcity lança o single "Nossa City" onde implora a Deus que proteja a cidade da tragédia do crack.


Edcity e cantora Aila Menezes, do novo grupo Groove de Saia numa confraternização no backstage


Uma luz de esperança para esse triste quadro revelado nessa matéria também pode ser vista na nova banda Groove de Saia, inédito exemplo de banda de pagode com vocal feminino. A cantora Aila Menezes é jovem, carismática e combativa. Com sua banda ela luta pela autovalorização da mulher, tão denegrida na imensa maioria das letras de pagode, mas sem deixar de ser alegre e dançante.

Edcity e Aila Menezes, o futuro do pagode baiano como força de expressão dentro da música popular brasileira depende muito do impacto que esses dois causarão no carnaval de 2011. Para eles, nenhuma vela acesa terá sido em vão.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quem são as caras do forró?

Um babado forte agitou os bastidores do forró este ano, envolvendo o casal de vocalistas da banda Calcinha Preta. Em plena colheita dos louros do sucesso de "Você não vale nada, mas eu gosto de você", a banda encontrava-se em turnê pelo sul do país, quando - segundo consta na blogosfera marron - o cantor Marlus Viana flagou sua esposa, a também cantora Paulinha Abelha, em plena fornicação com outro homem.


Marlus Viana e sua digníssima esposa Paulinha Bee, ops! Abelha

A traição resultou na saída do cantor, que transferiu-se para a banda Forró GDO. Ocorre que passado pouco tempo os dois se reconciliaram e Paulinha também passou a integrar a GDO. Muita gente ficou sem entender. Tudo não passou de uma encenação, como notícias falsas plantadas na mídia para gerar marqueting para a nova banda? Configura-se o clássico caso de estarmos diante de um corno manso? Ou trata-se novamente do habitual troca-troca de cantores de bandas de forró?

Como este distinto Cabaré ainda não alimenta pretenções de integrar a blogosfera marron, não vamos ficar aqui comentando as infidelidades de Paulinha Abelha. Nem vamos ficar especulando se foi marketing ou não. O mais provável é que tenha sido mesmo mais uma dança da cadeira nos microfones de mais uma banda de forró. É impressionante a frequência com que isso ocorre. É só dar uma zapeada pelos sites de notícias de forró para constatar que mais da metade das notícias é sobre novos cantores ou cantoras.

O que se comenta no meio é que esse trânsito todo se deve a questões salariais, já que quase a totalidade das bandas de forró são propriedade de empresas e os músicos são tratados como meros funcionários. À parte do que a classe trabalhadora possa estar perdendo em termos de renda pessoal, quem perde mesmo com isso é a cena forrozeira como um todo, pois as bandas deixam de possuir uma identidade própria que garantam uma identificação forte com o público.

Fora alguns dinossauros como Mastruz com Leite, Calcinha Preta, Magníficos e Limão com Mel, são pouquíssimas as bandas novas que possuem uma liderança de palco sedimentada na consciência do público.


Batista Lima, vocalista da Limão com Mel, que além de completar 20 anos de carreira, tem uma sorte da desgrama na pescaria.

Por sorte, alguns sinais indicam que este cenário está mudando. O primeiro deles foi a gravação do primeiro DVD decente dos Aviões do Forró em Salvador no último final de semana. Que Xandy Avião e Solange Almeida não sejam figuras reconhecidas por qualquer brasileiro nas ruas - como Joelma e Chimbinha são - é uma das maiores injustiças desse país. Agora com a Som Livre se comprometendo a divulgar a banda, talvez a dupla finalmente conquiste o reconhecimento merecido.

A única coisa a se lamentar no evento foi a infeliz escalação de Dorgival Dantas como participação especial. Nada contra esse talentosíssimo compositor, autor dos maiores hits do forró da última década. A questão é: porquê não chamaram o Forró do Muído para a festa? Simone e Simaria são ícones na acepção do termo. É dar dois cliques nelas que o forrobodó está aberto. E são virtualmente desconhecidas no sul e sudeste. Desperdiçar a oportunidade de apresentá-las ao Brasil é imperdoável.

Outra banda que está conquistando seu espaço graças a um estilo bem particular aliado a figura marcante de seu vocalista é o Arreio de Ouro. Com seu vozeirão rouco e seu forró de vaquejada, o cantor Buscapé é umas das figuras mais folclóricas surgida nos últimos anos. Não se pode dizer que a banda faça um sucesso estrondoso, mas preenche uma lacuna que permanecia vazia a muito tempo, aquela parcela do público que aprecia um forró de raiz.

Por fim temos a estrela em ascenção Wesley Safadão, da banda Garota Safada. Seu mega hit "Tentativas em Vão" foi regravado pelas duplas Bruno & Marrone e Maria Cecilia & Rodolfo, o que pode catalizar o sucesso nacional da banda. Se a estratégia da Som Livre com os Aviões der certo, a Garota Safada tem tudo pra pegar carona nesse bonde.


Wesley Safadão, proprietário da bunda mais cobiçada entre as menininhas fãs de forró

Faz anos que o forró tenta sair do nicho Norte/Nordeste. Para ocorrer, basta os empresários darem um tratamento mais artístico e menos empresarial. Claro que o sul ainda associa muito o ritmo às correntes migratórias da população pobre nordestina, mas o fato de que um estado como o Rio Grande do Sul possuir várias boates forrozeiras, é um sinal de que esta percepção está mudando.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Especial Dia das Crianças

E nesse 12 de outubro, o Cabaré do Timpin comemora o Dia dos Pentelhos apresentando algumas das músicas prediletas dos filhotes do cafetão do estabelecimento.

Para começar, o primeiro áudio disponibilizado para audição da história deste blog: Gang do Eletro & Banda Eletrohits com o sensacional single "Joãozinho e Mariazinha"!!!





...

Agora uma notícia: estreou ontem o Clubinho da Maria Cecília & Rodolfo. Lá tem karaoke, um joguinho onde a criança pode vestir a dupla e também um teste pra saber se o internautinha sabe as letras das músicas. Confiram clicando no link!

...

Agora um vídeo. A música da menininha é uma das mais tradicionais do Forró do Muído. Simone consegue imitar a voz de uma criançinha tão bem que se um dia a banda acabar, sem dúvidas ela tem emprego garantido como dubladora de desenho animado. Não entendo como a A3 entretenimentos (empresa dona da banda) ainda não fez um clipe decente dessa música.



...

E pra finalizar, um clipe feito por fãs da banda mais subestimada do Brasil, o sempre genial Bonde do Maluco com a obra prima "Barata". Boa diversão!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tom Black - Do que a Bahia tem vergonha?

O Cantor baiano Tom Black perdeu a final do Ídolos. Mas o que quase ninguém sabe é que quem perdeu mesmo, na verdade, foi um ritmo musical extremamente popular no interior da Bahia e nas periferias das principais capitais do litoral do nordeste: o arrocha.



Na seção Biografia do site oficial do cantor, consta que ele construiu sua carreira tocando soul music nos barzinhos de Salvador. Achei muito estranho. Explico. Sou fã do trabalho de Tom black, mas não foi em barzinho que conheci seu trabalho, mas sim através da comunidade do Orkut Acervo Arrocha. Tom Black era cantor de arrocha.

Não bastasse a omissão deste dado em seu site, o cantor simplesmente nunca se referiu ao arrocha no programa da Record. Porquê isso? Por vergonha? Tá certo que seus arrochas tinham uma forte pegada de soul music - tanto que ele usava o jargão "groove" em suas vinhetas - e era justamente essa mistura que fazia com que eu gostasse de seus discos. Mas mesmo assim eram discos de arrocha.

O arrocha ainda é um gênero muito marginalizado e essa oportunidade perdida de chamar os holofotes para si, foi um fato lamentável em sua história. Mas não foi a primeira. O arrocha já teve outros momentos em que tinha tudo para chamar a atenção da mídia, o que infelizmente não ocorreu.

O primeiro foi a estréia do Bonde do Maluco. A originalidade dos arranjos, a qualidade instrumental, o carisma de seus cantores, a presença de palco nas performances ao vivo aliadas à quantidade absurda de hits do disco - isso para me ater apenas a essas poucas características, existem bem mais - tudo isso seria mais do que suficiente para que a obra fosse aclamada como a mais nova obra prima da música baiana.



Só que não foi assim que as coisas aconterceram. Não só Bonde do Maluco não causou o frisson que deveria ter causado na mídia, como teve suas estréia prejudicada apropriação eticamente duvidosa de suas músicas por parte de uma das maiores bandas de forró da atualidade. Foram tantas as músicas copiadas que numa determidada época os CDs promocionais da banda cearense bem que podia levar o título "Aviões do Forró cantam: Bonde do Maluco".

Sem sombra de dúvidas, para qualquer pessoa com um mínimo senso de justiça foi um escândalo. Só que a imprensa baiana ignorou isso e o Bonde até hoje tem que escutar pessoas dizendo que são eles que fazem covers dos Aviões. Porque a imprensa baiana não defendeu o Bonde do Maluco como deveria? Por vergonha? Por achar que o arrocha é uma música pobre, produzida e consumida por uma população pobre que ela gostaria que não existisse.

O axé hoje em dia rende milhões de Reais em lucros nos carnavais. Se os Aviões copiasse a maioria do repertória de uma banda de axé nova e promissora, a mídia silenciaria como fez com o Bonde? É de se duvidar.

Outra oportunidade perdida pelo arrocha também envolve o Bonde do Maluco. Foi no último Festival de Verão de Salvador. O evento contou com a presença do cantor americano Akon. O maior hit do disco de estréia do Bonde era justamente uma versão em português da música "Don´t Matter" do Akon. Ao saber disso, o americano fez questão de cantar a versão no show.



Colocar Dan Ventura do Bonde do Maluco e Akon no mesmo palco, seria um acontecimento único na história brasileira. Seria a prova dos nove quanto a quem rebola mais. E até mesmo, se permitido fosse que o Bonde tocasse a música com a sua batida e seu suíngue, um teste pra saber quem tem mais groove, o R&B do americanos ou a pisadinha dos brasileiros. Qualquer empresário visionário faria isso.

Mas não foi o que fizeram. O que os empresários do Festival fizeram foi chamar Claudia Leite. Por MSN Dan Ventura fez piada comigo dizendo que a banda não pode ir pro Fesstival de Verão porque tinha que fazer um show no interior do Piauí. A verdade é que nem telefonaram pra saber se banda podia participar.

Hoje em dia o axé gera uma lucratividade de milhões, um forte argumento para que se engula a vergonha. O pagode baiano ainda é um pouco marginalizado, mas o sucesso da "Rebolation" aponta para uma mudança no rumo do vento, mas o arrocha, esse continua sendo a vergonha velada da Bahia.

Tom Black renegou seu passado no arrocha, isso é claro. O que talvez não seja claro pra ele é que quem perdeu uma oportunidade de se destacar fazendo algo diferente foi ele. Ao contrario do que pensa o senso comum intelectual baiano, o arrocha não é um ritmo carente de qualidade. O Bonde do Maluco está aí pra confirmar isso. Apenas é um ritmo em que pouca gente arrisca na qualificação.

E Tom Black estava com a faca e o queijo na mão para conseguir isso. Seus discos eram calcados no romantismo do novo pagode paulista, com um vocal fortemente influenciado pela soul music, algo diferente e empolgante. Bastava a busca por uma batida perfeita, que acentuasse seu groove e casasse melhor com seus metais e estaríamos diante de algo muito bom.

Mas não. Tom Black se envergonha de seu passado de animador de serestas. Prefere inventar um passado fake de cantor de barzinhos.

Isso sim é uma vergonha.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sertanejo Pop

Pessoal, meu post de hoje foi uma contribuição para o site Blognejo, um dos melhores sites de música sertaneja da Internet brasileira. Confiram clicando aqui.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Jorge & Mateus consagram o Sertanejo Pop



Fazia um tempão que não escutava um disco tão perfeito. O lançamento promete ser um divisor de águas no segmento sertanejo. Morre o Universitário e nasce o Sertanejo Pop, uma cena que já começa a crescer e inclui nomes como João Bosco & Vinicius, Luan Santana. Michél Teló, todas as produções do Sorocaba - incluindo a dupla Fernando & Sorocaba - e agora Jorge & Mateus.

Eu iria escrever sobre o disco aí já era, mas o Marcus do Blognejo publicou hoje uma resenha completíssima, que apresentarei pra vocês aqui.

Leiam> Jorge & Mateus no Blognejo

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fugidinha - A música do ano

A música brasileira, por sua rica diversidade e pelo instinto antropofágico do povo que a produz, costuma nos brindar com agradáveis surpresas. A bola da vez é o hit Fugidinha, cantada por Michel Teló, ex-vocalista da banda sul-matogrossense Tradição. Muito mais do que um sucesso nacional, a música é praticamente um dos maiores acontecimentos culturais da história recente.



A idéia a principio apontava para um resultado indigesto: um cantor sertanejo gravar uma balada composta para ser gravada por um grupo de pagode. No entanto, o talento do produtor Dudu Borges - o homem por trás do sucesso de nomes como João Bosco & Vinicius ou Jorge & Mateus e o artesão mór do sertanejo pop - fez toda a diferença. Nada de pagode vanerado ou vanera apagodada, Dudu concebeu o arranjo mantendo a extrutura padrão de ambos os gêneros, com um resultado inédito.

Mas não são os aspectos técnicos que tornam a música Fugidinha tão especial e sim o fato de que ela faz a ponte entre os dois gêneros musicais mais ouvidos pelo povo na atualidade. Basta conferir as listas de execução em rádios de todo o país, de Belém a Porto Alegre. Só que existe uma diferença fundamental entre os dois gêneros: a maneira como são percebidos pela mídia e pela crítica cultural.


O produtor Dudu Borges

A música sertaneja, graças a imensa popularidade obtida pela modernização empreendida pela chamada geração universitária, livrou-se do rótulo pejorativo de breganejo e hoje até já flerta com a MPB, como se pode conferir pelo trabalho recente da dupla Victor & Leo. Inclusive para o disco que está por ser lançado, Victor compôs uma música em parceria com Sergio Reis e Renato Texeira. Mas o ponto principal é que o sertanejo passou a ser consumido por uma juventude que não sente mais vergonha assumir isso.

Com o pagode o mesmo não ocorre. Praticamente não se vê músicas desse gênero em trilha sonora de novela. O pagode ainda é vítima de um preconceito fortíssimo. Tanto é que no verbete sobre samba na Wikipédia encontra-se uma decrição nada imparcial para seu surgimento, no inicio dos anos 90. "A indústria fonográfica, já amplamente orientada para a globalização pop, usurpou o termo pagode, batizando com ele uma forma diferente de fazer samba que guardava poucos elementos com o samba inovador da década anterior, massificando-o de forma enganosa"

Por "pagode inovador da década anterior" entenda-se a geração de Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, que estão aí até hoje, fazendo o mesmo som sem um pingo de renovação. Aqui nos deparamos com aquela tecla que já está gasta, de tanto que eu bato. A mentalidade tacanha de uma elite cultural proviciana que despreza a arte popular e que aguarda ansiosamente que esse mesmo deixe de praticá-la, torne-se uma peça de museu para assim apreciá-la em suas estantes de luxo.


O pagodeiro Rodriguinho

Negar a qualidade de produção recente das bandas de pagode é produzir material para um ensaio sobre a cegueira. O disco Ao Vivo na Ilha da Magia é um dos clássicos do cânone do samba e foi o disco mais escutado nos últimos dois anos no Brasil. O recente lançamento do Jeito Moleque, intitulado Cinco Elementos é de uma vanguarda absurda, com arranjos sofisticadíssimos. Já Rodriguinho, em seu novo trabalho, resgata a black music dos anos 70 não ficando nem um pouco atrás dos hoje cultuados discos de Cassiano e Hyldon. Os exemplos são inúmeros e por limitação de espaço vou citar apenas estes.

Nesse ponto volto a ressaltar a importância da "Fugidinha" de Michel Teló, composta por Thiaguinho e Rodriguinho e que será regravada no novo DVD do Exaltasamba. Que ela sirva como holofote que permita lançar um feixe de luz sobre o pagode e que permita um novo olhar, despido de preconceito e muito mais atento. A Musica Popular Brasileira encontra-se a anos em um estado de catatonia criativa em que nada de relevante e empolgante nos chega ao ouvido. Procura-se saídas importando referencias externas como o hip hop e a música eletrônica.

A saída, no entanto pode estar aqui meses, debaixo de nossos narizes. O Victor já está interagindo com Renato Texeira, que tal o Rodriguinho dividir uma roda de samba com Paulinho da Viola?

domingo, 3 de outubro de 2010

Movimento Fora Dagmar (fãs de Luan Santana querem a demissão de sua assessora de imprensa)



Mais de três mil fãs de Luan Santana aderiram a Campanha Fora Dagmar. Praticamente 10% da comunidade do cantor no Orkut. No Twitter o assunto bombou, através da Tag #ForaDagmar. Enquanto o assunto era discutido no tópico [notícias] da comunidade, um membro questionou se uma Tag poderia derrubar uma assessora de imprensa. É uma questão interessante.

Caso os fãs consigam derrubar a assessora de imprensa de Luan Santana, um novo precedente na história da música pop será aberto. Demonstraria não só o poder das redes sociais, como o surgimento de uma nova maneira de um astro se relacionar com sua rede de fãs. No caso específico de Luan Santana, caso a produção do cantor atendesse a esse anseio de seus fãs, seria uma atitude extremamente inteligente, pois foram os fãs que fizeram com que ele atingisse todo o sussesso que tem hoje.

Por mais que na época em que Sorocaba gerenciava a carreira de Luan CDs eram distribuídos gratuitamente nos shows, foi o boca-a-boca na Internet que fez que quando Luan se apresentasse no Faustão, a platéia inteira soubesse cantar suas músicas de cór.

Hoje em dia com as redes sociais os fãs clubes adquiriram um poder muito grande. Antigamente, quando a produção de algum artista destratava algum fã, dificilmente o fato chegava ao conhecimento do resto dos fãs. Agora não, no outro dia todo mundo estava sabendo.

Ano passado a produção da dupla Victor & Leo estava fazendo algumas coisas erradas, os fãs se mobilizaram e este texto que pode ser lido clicando aqui, fez com que suas atitudes fossem modificadas.

A quantidade de manifestações a favor do Movimento fora Dagmar é um claro sinal de que a assessora de imprensa de Luan Santana está sim prejudicando a imagem do cantor. Os depoimentos de fãs do KLB e do Jeito Moleque, bandas que ela também assessorou e também prejudicou, só vêm comprovar a incompetência de Dagmar Alba.

Por isso repito, a demissão da assessora por parte dos produtores e empresário de Luan Santana não só é necessária. Seria a maior prova de respeito aos fãs na história da musica brasileira.

Acorda Luan Santana!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Acorda Luan Santana! Manifesto pela emergência do movimento FORA DAGMAR!



Dagmar Alba. Anotem esse nome. Esta criatura certamente entrará para a história da musica brasileira. E por diversos méritos. Mas antes de listá-los, vamos fazer um breve resumo biográfico da figura.

O KLB era uma banda com um investimento milionário, alta exposição na mídia, uma banda-família extremamente carismática e com um vocalista bonito e talentoso, com milhares de fãs adolescentes. Dagmar Alba conseguiu destruir a carreira da banda.

Graças as qualidades profissionais de suas costas quentes, conseguiu ser indicada para assessorar uma emergente banda de pagode, o Jeito Moleque.

Na época os caras tiveram uma idéia genial: compensar com o plantio de árvores o gás carbono emitido em seus shows, assim como reciclar todo o lixo produzido em suas apresentações. Projetos semelhantes a esses só se encontram no primeiro mundo, em bandas como Radiohead e Pearl Jam. Pois os caras gravaram um DVD em Manaus pra consagrar seu projeto ambiental e advinhem. Ninguém ficou sabendo. A repercussão na mídia foi NULA.

A produção do Jeito Moleque, naturalmente, recindiu o contrato da assessora. O contrato era de trabalho temporário. Insultada - e talvez até mesmo surpresa - pelo fato de que o talento profissional de suas costas quentes tivesse sido tão aviltosamente posto em cheque, colocou os pagodeiros no que ela julgou ser o seu devido lugar, na Justiça Trabalhista.

Mas a estrela de Dagmar Alba não é de pouca magnitude. O talento profissional de suas costas quentes não se deu por rogado e lhe conseguiu uma indicação para assessorar outro talento emergente. O futuro ídolo teen sertanejo que até a cadela da minha vizinha sabia que tinha 110% de chances de estourar, Luan Santana.

Quando Luan caiu nos braços de Dagmar, estava em plena ascensão, oriundo de uma ótima produção e gerenciamento de carreira do escritório do cantor Sorocaba, que faz dupla com Fernando e com um ótimo DVD gravado em Campo Grande, que seria divulgado pela Som Livre. Um trabalho que não tinha como dar errado. Certo? Errado!

No começo tudo parecia estar indo bem. Luan Santana na Hebe Camargo, no Raul Gil, no Faustão, no Fantástico, na Malhação e por fim no coração de mais de 300.000 seguidores no Twitter. Aí os problemas começaram a aparecer. Fãs sendo impedidas de entrar no camarim e ainda sendo tratadas com violência pelos seguranças. Jornalistas sendo distratados - um inclusive um teve seu microfone jogado no chão pela própria Dagmar. Micos em programas de rádio. Veículos de mídia sendo desprezados. Blogueiros de destaque sendo desprezados. Mas o pior, a cereja do bolo embatumado de Dagmar Alba. O fracasso em encerrar o debate em torno da sexualidade de Luan Santana.

Já se passou um ano e a expeculação não acaba. Mancadas extratégicas pantagruélicas foram cometidas no processo. O plantio na mídia de fotos com uma falsa namorada. Presença no multishow com uma monera acompanhante fake. Pose de cachorro que muito late e pouco morde no domingão do Faustão. Minha vovó já dizia: muito mel, pode ser fique doce demais. E é justamente o que está ocorrendo.

Todo esse falatório de Luan Santana na mídia, se reafirmando constantemente um machão galinha e traçador de fãs, está arruinando sua imagem e sua reputação. Se considerarmos aquele jovem cantor, competente e carismático, que gravou seu DVD para uma platéia de mais de 70.000 pessoas, nunca se imaginaria que em um ano enfrentaria problemas de imagem. Pois é meus queridos leitores, Dagmar Alba consegue. Dagmar Alba tem o poder.

Estou falando tudo isso porque Luan Santana não mereçe tamanho infortúnio. Nem Luan, nem sua legião de fãs e muito menos a música brasileira em si. Luan Santana é de extrema importância para a música brasileira. Luan Santana é o futuro, ele representa a salvação da música pop nesse país. Por mais que seu som tenha sido concebido por Sorocaba, é Luan Santana o ícone que representa um novo tempo. Um tempo em que a música sertaneja evoluiu para se tornar o novo ritmo consumido pela juventude. Um ritmo que, ao contrário do rock, é genuínamente nacional e com potencial de exportação.

Que uma única pessoa - e ainda por cima com um nome esquisito desses: Dagmar Alba - atrapalhe isso, é algo inadmissível. Uma campanha, movido pelos inumeráveis fãs clubes que o cantor tem pelo Brasil afora, é de extrema urgência. Fora Dagmar! Esse é o grito de guerra que toda a família Luan Santana deve fazer. No Orkut, no Twitter, no Facebook, em todas as redes sociais possíveis e imagináveis.

Arruinar a carreira de Luan Santana. Esse mérito Dagmar não pode acrescentar ao seu imenso currículo de patuscadas.

Por fim, e também para que isso tudo não soe trágico demais, na semana passada algo cômico se passou nos corredores de um hotel de Belém do Pará. Um cantor de um anacronismo crasso, totalmente soterrado nas areias do esquecimento, o lambadeiro Beto Barbosa, deu um chute em Dagmar Alba. Não foi de uma eficiência desejável, acertou apenas o braço dela, mas materializou o desejo de muita gente desse país.

Agora só falta Luan Santana chutar ela. Mas não no braço e sim na bunda. Atenção Família Luan Santana. Uní-vos! Twitter Now!! Fora Dagmar!!!

...

Para acompanhar o decorrer da campanha FORA DAGMAR! sigam este blog no Twitter

Parece que o Luan já está meio que perdendo a paciência com a Dagmar, vejam este divertido vídeo:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Luan Santana virou álbum de figurinhas (enquanto Dagmar Alba quer deixar de ser figurante)



Pode ir conferir nas bancas. figurinhas, adesivinhos e o cacete de asas. Nunca, na história da música sertaneja, um artista atingiu tamanha proporção de sucesso. E nunca, na história da música brasileira, um artista foi tão mal assessorado. Dagmar Alba, a assessora de imprensa do gurizinho, de tantas cacas que faz e de tantas aparições na mídia que está conseguindo atualmente, está precisando de uma assessora de imprensa.

O Blognejo - principal site de musica sertaneja do Brasil - Está com esse tema no post de hoje. Não deixem de conferir, o título (e o link) é 5 erros de Luan Santana.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Conflito de gerações na musica sertaneja & O desabafo de Victor Chaves

Pessoal, apresento pra vcs mais uma coluna minha que foi publicada no jornal Liberal. Essa saiu na semana retrasada. Após o texto, vou fazer um PS.: com algumas considerações que faz horas que eu queria fazer acerca de Victor & Leo.

Conflito de gerações na musica sertaneja

O prêmio Multishow deste ano incluiu a categoria música sertaneja. Os vencedores foram os dois maiores nomes do segmento na atualidade: Luan Santana e Victor & Leo, como revelação e artistas do ano, respectivamente. A premiação foi o reconhecimento da nova geração da música sertaneja, os chamados universitários – rótulo que muitos rejeitam.

O resultado não causou muita surpresa entre o público, afinal de contas o disco Borboletas de Victor & Leo desde que foi lançado figura entre os mais vendidos e Luan Santana tornou-se um astro que arrasta multidões de adolescentes histéricas que lotam seus shows e é figurinha fácil em diversos programas de televisão.

Entre os alguns artistas sertanejos no entanto, o resultado não foi muito bem recebido. Luciano, que faz dupla com Zezé di Camargo, fez uma crítica dura em seu Twitter, reclamando que apesar da premiação se dizer baseada em votação popular, no final quem escolhe os premiados é a produção do evento. Já o cantor Eduardo Costa praticamente surtou no seu microblog. Soltou uma série de mensagens – algumas francamente ofensivas – contra os novatos sertanejos.

Numa delas afirmou textualmente que sertanejo de verdade “...tem que ter raiz, tem ter tocado uma vaca, tirado um leite, tem que saber a lua certa pra se plantar”. Em outra, destila seu veneno caipira afirmando que “...vou dizer, música sertaneja e muito mais que um premiozinho ou noticiazinhas idiotas por ai, aprende primeiro…”

Não é de hoje que existe um certo conflito de gerações na área. Diante de uma pergunta provocativa durante uma entrevista, Luciano já tinha dito que se esse povo se diz universitário, eles – no caso sua dupla com Zezé – poderiam se considerar doutores.

O que o ocorre é que com os novos tempos houve uma significativa mudança na dinâmica da coisa toda. Com a queda brusca na venda de discos, os artistas passaram a sobreviver basicamente de shows. Até as gravadoras se adpataram e passaram para o terreno de gerenciamento de carreiras. O artista arca com os custos das gravações e elas trabalham a divulgação e embolsam um valor percentual da arrecedação das bilheterias.

Num cenário assim, quem dita as tendências acaba sendo o público dos shows, composto essencialmente por jovens. Daí o gosto por músicas mais agitadas, dançantes e com letras que retratam menos desilusões amorosas e mais situações do cotiano da juventude. Esse poder decisão sobre que músicas entrarão no repertório e quais artistas se destacarão é amplificado pelo fato de que as rádios perderam status de ditadoras de tendências.

Por sorte, o choque de gerações não é regra. A dupla mais antiga ainda em atividade, Chitãozinho & Chororó, na gravação do DVD em comemoração de seus 40 anos de carreira, convidou vários artistas da nova geração, de Luan Santana a João Bosco & Vinicius. Já o cantor Leonardo fundou recentemente uma editora para ajudar novos artistas a buscarem seu lugar ao sol.

Os cães ladram, mas a caravana premiada pelo Multushow não pára. Tanto Luan Santana quanto Victor & Leo merecem colocar em sua estante os troféus que ganharam. Até porquê eles são significativos representantes de um último aspecto dos novos tempos que eu gostaria de abordar aqui.

Luan Santana preenche um vácuo criado pela ausência de lançamentos relevantes na área do pop rock, daí sua aceitação imediatada junto ao público adolescente, enquanto Victor & Leo preenche o vácuo criativo da MPB. O que explica a presença da música “Anunciação” de Alceu Valência em seu disco mais recente, assim como o dueto com Alcione em “Deus e eu no sertão”.

No mês de Setembro a cidade de Belém terá a oportunidade de conferir o show dos dois vencedores do Multishow 2010, no dia 16 Luan se apresentará no Cidade Folia e logo depois, no dia 24, teremos Victor & Léo no Hangar. Pelo visto, o orçamento mensal de muita gente estará comprometido.

...

Post Scriptum de um Timpin deveras insistente em bater em uma mesma tecla

Victor & Leo ganharam o prêmio Multishow na categoria de música sertaneja. Ponto. Muita gene alegou que não foi justo, que o ano em que eles bombaram foi o passado e não esse, que o disco Ao Vivo e Em Cores foi um fracasso comercial e mais um monte de coisa. Não vou discutir isso aqui. O que quero discutir foi o discurso de Victor ao receber o troféu.

Ele falou que quem estava ganhando na verdade era a música brasileira como um todo, que está aos poucos aceitando o sertanejo moderno como manifestação cultural digna de ser considerada parte da chamada Musica Popular Brasileira. Ele não usou essas exatas palavras, mas ao citar o antigo e pejorativo rótulo de breganejo, o argumento que falei ficou implícito.

A verdade é que isso de fato ainda está longe de acontecer. Apesar de Victor ultimamente andar compondo músicas em parceria com Renato Teixeira e Sergio Reias (esses sim, que tocam modas antigas, são considerados "MPB"), a dupla Victor & Leo são exceção e não regra.

Que a música sertaneja irá conseguir se impôr como "cultura" entre a classe "bem pensante" desse país é só uma questão de tempo. O delay será de no máximo uma geração, provavelmente menos, como se pode observar pelo a inclusão a fórceps de Luan Santana na grande midia.

De minha parte, aguardo esse grande evento com uma impaciência que já atinge as raias da impaciência. E não falo só do sertanejo. Falo do Axé, do forró, da vanera, do funk, do tcnomelody, do arrocha, do pagode paulista, do pagode baiano e mais uma cacetada de manifestações culturais desprezadas.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Gang do Eletro, a banda mais internacional do Pará

Matéria publicada hoje (28/09/2010) no jornal O Liberal, do estado do Pará

Alguns encontros costumam mudar o rumo da história. Na Londres do começo dos anos 60 Keith Richards estava em um trem quando os discos que carregava debaixo do braço chamaram a atenção de um outro rapaz que viajava junto. O rapaz se chamava Mick Jagger, que puxou assunto e a conversa virou amizade e a amizade virou os Rolling Stones.

No final de 2008, num restaurante perto do terminal de ônibus do São Bráz, na periferia de Belém, dois rapazes com gosto musical semelhante partilhavam uma carne assada e o almoço virou amizade e a amizade virou a banda Gang do Eletro, umas das mais originais e promissoras bandas surgidas do cenário do Tecnomelody paraense.



O nome dos ingleses dos Stones são de conhecimento público no mundo inteiro, já os paraenses ainda são pouco conhecidos fora do circuito do tecnomelody, mas tem tudo para conquistarem seu lugar ao sol. Estamos falando do DJ Waldo Squash e do cantor Marcos Maderito.

Maderito já cantava melodys desde 2002, depois de ralar pesado como roadie da banda Açaí Machine, do seu tio Tony Brasil e debutar como backing vocal da Banda Bundas. Através de parcerias com DJs como Betinho Isabelense e Rafael Teletubies, dentre outros, Maderito foi afinando seu talento como compositor usando o mote de Garoto Alucinado, até em em 2007 teve o insight que o distinguiria dentre as centenas de artistas de tecnomelody. Acelerar as batidas, inserir elementos da eletro-dance européia e samples de techno, inaugurando assim uma nova vertente da música eletrônica paraense, o Eletro Melody.

A aceitação por parte do público que frequenta as aparelhagens foi imediata. A música "Galera da Laje" foi um dos maiores sucessos do verão de 2008. Mas foi após o encontro com Waldo Squash e a criação da Gang do Eletro que as coisas realmente começaram a dar certo.

Waldo é um daqueles típicos casos de self-made man, um autodidata que começou a discotecar muito cedo, com os equipamentos de som de seu pai, aprendendo aos poucos as técnicas de compasso musical, harmonia e tempos de mixagem. Mesmo sem curso de computação, foi se familiarizando com softwares como Sound Forge e Vegas até chegar ao ponto de poder colocar em prática suas idéias de melodias.

Seu talento acabou por levá-lo a trabalhar como locutor e produtor de algumas rádios FM do interior do Pará. E foi quando trabalhava na rádio Sorriso FM de São Miguel do Guamá que teve a idéia de adaptar o flashback "Don Pichote" para a aparelhagem Super Pop. O resultado foi a música "Super Pop é curtição" que estourou no estado inteiro e chegou aos ouvidos de Marcelo Maderito, que gostou tanto que primeiro propôs a carne assada no São Braz e depois a criação da Gang do Eletro.

A parceria dos dois comprova a tese de que o todo é maior que a soma das partes. O talento de Maderito para inventar rimas em ritmo industrial e o fantástico senso intuitivo de Waldo Squah ao caçar referências sonoras na Internet faz da Gang do Eletro uma banda internacional. Suas músicas podem perfeitamente serem tocadas numa boate de Nova York ou nas raves da praia de Ibiza, na Espanha.

No ano passado a Gang emplacou o sucesso "Eletro da Indiana", mas foi em 2010 que a banda deu salto qualitativo impressionante ao inserir samples de Cúmbia Villera argentina em seu som. O golpe de mestre que elevou a banda ao patamar da genialidade reside no fato da Cúmbia Villera ser justamente a música produzida nas periferias pobres de Buenos Aires. Qualquer semelhança com o tecnomelody não é uma mera coinscidência.

Esse link cultural pode ser ouvido em singles como "Arrazadora Sanfona Mix", "Tecnocúmbia Colombiana", "Galera da Barca" e até mesmo em seu mais recente sucesso "Panamericano", uma divertida versão do sucesso que toca sem parar nas baladas eletrônicas do mundo iteiro.

A Gang do Eletro, por mais impressionante que isso seja, ainda não tem empresário. Para contratar os caras para alucinar uma festa, tem que falar diretamente com os rapazes. O Maderito através do 8144 7575 e o Waldo do 8853 9364. Os dois também são costumazes ratos de Internet e são facilmente encontrados on line nos MSNs maderitolucinado@hotmail.com e djwaldosquash@hotmail.com. Mas já vou avisando, o Maderito tecla pra cacete e vai torrar seu precioso tempo on line se você adicionar o figura.

...

Abaixo um scan parcial da publicação. Estou orgulhozão de ter conseguido colocar os caras no Liberal, afinal de contas é o maior jornal do estado do Pará.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Expulsaram Marcus Blognejo do backstage de Luan Santana

Marcus, o homem por trás do Blognejo, foi expulso do camarim de Luan Santana, após um show do astro na cidade de Uberlândia. Antes de qualquer coisa, ao se analizar a atitude dos assessores de imprensa tanto do evento, quanto do cantor, deve-se levar em conta quem é Marcus e o que o Blognejo representa não só para o segmento da música sertaneja, mas para a música popular brasileira como um todo.

Marcus é um pioneiro. Ele foi o primeiro a ter a compreensão de que os ritmos populares - no caso dele, a música sertaneja - estavam carentes de uma cobertura decente e de uma crítica séria. Ao se pesquisar na Internet à procura de notícias e reportagens, só se encontrava releases e muito amadorismo. Quando não o mais puro jabá.

Motivado por essa percepção começou seu blog, na época ainda no portal NoEmbalo. A recepção foi tão positiva, que logo os acessos se multiplicaram e mais pessoas resolveram seguir o exemplo, como o caso de André Piunti - que acabou se formando em jornalismo e sendo contratado pelo UOL - e Fábio Dorneles, que tocava o finado Território Sertanejo e atualmente vive um momento sabático em sua vida.

Hoje Marcus tem seu próprio site, o Blognejo, que recebe milhares de visitas diárias e é lido com atenção não só por ouvintes de música sertaneja, como por cantores, músicos e produtores. E falo de gente grande.

Uma vez apresentado o trabalho do rapaz, passamos a expôr o quanto a expulsão do camarim de Luan Santana é particularmente algo lamantável.

Quem acompanha a história do rapaz de Campo Grande sabe que o sucesso que ele conseguiu na atualidade não foi uma coisa que ocorreu da noite pro dia. Luan Santana não foi um produto fabricado pela mídia. Luan Santana é um produto da Internet. Foi no boca a boca virtual que aquele disquinho produzido pelo Sorocaba foi sendo escutado, fazendo que os shows fossem mais frequentes e mais lotados. E nesse boca a boca o Blognejo teve um papel crucial.

Muita gente, mas muita gente mesmo, ouviu falar pela primeira vez de Luan Santana no Blognejo. Que a assessoria do cantor deveria dar prioridade de atendimento ao Marcus é uma questão de justiça. De ética, até mesmo.

Mas ocorre que Luan Santana foi "devorado pelo monstro" ao fechar acordo com a Som Livre. O controle sobre sua carreira saiu de suas mãos e passou para as mãos nem sempre eficientes de produtores e assessorias. No caso expecífico de Luan Santana a escolha da assessoria foi particularmente infeliz.

A assessora de imprensa Dagmar Alba - e nos bastidores todos sabem disso - não foi indicada por sua competências, mas sim por apadrinhamento, numa operação típica dos corredores de Brasília.

Em seu emprego anterior assessorava a banda de pagode Jeito Moleque. Em 2005 a banda criou um projeto ecológico fantástico, nos moldes do que o Radiohead e Pearl Jam faz, a compensação das emissões de carbono produzidas nos shows através do plantio de árvores. O DVD gravado em Manaus foi feito assim e graças a total incompetência da assessora, a repercussão na mídia foi nula.

O fracasso lhe custou o emprego. E a demissão custou ao Jeito Moleque um processo na justiça trabalhista.

Recentemente a assessoria - muito provavelmente por parte de Dagmar - afirmou que a recusa de Luan em aceitar gravar a música que faria parte da abertura da próxima novela das seis da Rede Globo se deve ao fato de que o público daquela novela não ser o seu.

Quando fui escalado para editar uma revista pôster do Luan pela editora Tambor Digital, ela me disse que não poderia me ajudar, pois tinha fechado acordo de exclusividade com outra revista. Um cantor limitando sua aparição na mídia? Exclusividade com apenas um véiculos? Não fazia - e não faz! - nenhum sentido. Um mês depois estava lá nas bancas: Luan Santana na capa da Billboard. O que isso impediu que ela me ajudasse na revista pôster é algo que nem Freud explica.

Mas provavelmente a maior prova da incopetência de Dagmar Alba seja o fato de que mesmo após um ano de trabalho intenso, ainda não conseguiu calar as especulação sobre a sexualidade de Luan Santana. Luan Santana é gay? Essa pergunta não quer calar. Ao invés de simplesmente ignorar a questão e ganhar pelo cansaço, Dagmar teve a infeliz idéia de insistir na imagem de pegador.

Em uma gravação para o programa do Faustão que ainda não foi ao ar, Luan Santana afirmou que transa com fãs antes, depois e inclusive durante os shows. Pelo que eu saiba, nem o Mick Jagger faz isso. Na Internet a repercussão foi negativíssima.

O que a Dagmar tem talento mesmo é gerenciamento de backstage. Definir quem entra e quem não entra no camarim. Qual fã clube tem moral e qual não tem. Essas coisas. Em outras palavras: tráfico de influência.

Talvez ela esteja metendo os pés pelas mãos justamente para ganhar a conta e depois colocar a Globo na justiça.

Talvez.

O que é certo é que o potencial artístico de Luan Santana não pode ser posto em cheque por incompetência de assessorias de imprensa. E também é certo que pessoas como o Marcão, que com o mérito de seu trabalho competente, não podem ser tratadas com desrespeito e esnobismo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tecnomelody: Arte ou Crime Ambiental? - Debate entre Timpin e Rejane Bastos

Segue aqui o debate em torno do Tecnomelody do Pará. Legítima manifestação cultural e artística ou pretexto para a baderna e ultrapassagem dos limites do bom senso. Desta vez a palavra é da advogada Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio.



Para quem quiser acompanhar a discussão desde o começo, aqui está a parte um, a parte dois e a parte três. Esta é a quarta.

Com a palavra, Rejane Bastos.

Olá Timpas,

Acabo de inventar o instituto jurídico "quatréplica" para dar seguimento ao debate.

Agora sim, sem alfinetadas desnecessárias, vamos para o salutar campo dos argumentos.

Comecemos pela discussão sobre classes. Estas existem desde que o mundo é mundo, é fato inconteste, e até hoje não se pode afirmar com precisão o porque desse fenômeno. Até no mais puro comunismo existiam classes: A Dominante ( com subdivisões hierárquicas dentro dela) e o proletariado. Portanto, assumir que se pertença a uma classe com poder aquisitivo maior não é nenhuma novidade reveladora, isto é evidente. Agora, daí a decretar que a classe quer mandar e desmandar no que é bom ou não em termos culturais, assim como, rotular as "elites" dentro de uma visão discriminatória colocando a todos no mesmo balaio de esteriótipos vai uma distância muito grande, Ate porque, como eu já disse, existe uma infinidade de pessoas ricas que gostam de brega, assim como, uma infinidade de pobres que detestam.

Deixei claro também, que a opinião não era da Presidente dos Amigos do Silêncio, para não misturar as estaçõs, a instituição não atribui classe , ritmo, cor, raça ou credo ao barulho.A opinião sobre o ritmo é da pessoa física Rejane que nunca teve receio de irritar confrarias, adeptos ou simples induzidos pela mídia do que quer que seja com sua opinião. Quase me bateram certa vez quando eu disse que não gostava de João Gilberto, considerado gênio, afinal, não consigo nem ouvir o que ele canta! Que genialidade é esta? Não gosto e pronto. Critiquei certas melodias ridículas da Bossa Nova e fui considerada herege. Mas insisto: "O pato, vinha cantando alegremente..qué...qué...", só com muito álcool para achar isso o máximo.

Tive a ousadia de dizer que "Cats", o musical sensação da época não era lá essas coisas, me olhavam com espanto e desprezo. E assim sigo, não me rendendo aos que querem impor algo como sendo bom, e neste diapasão, o tcnomelody na minha opinião não passa de um ritmo voltado exclusivamente para venda, enjoativo ,com letras vulgares e sem a menor arte. Aliás, tem pré requisitos suficientes realmente para estourar no Brasil e no mundo, quem disse que europeus e americanos não gostam de coisa ruim? Quanto ao resto do Brasil isto ainda é mais fácil, no país do Axé, do Tchan, do Funk, do´"só no sapatinho" ," baba baby", entre tantos outras lástimas da mídia, qualquer coisa tem chance, é questão, repito, de uma Marlene Matos na administração.

Na Europa lhe digo que as chances são grandes, nos EUA as coisas complicam, são mais seletivos e preconceituosos, entretanto, a coisa é assim, ele gostam de curtir a bagunça no quintal dos outros. Vem aqui, fazem farra de todo tipo e voltam para seus países quietinhos e santos mantendo as leis e a normalidade. Quem se atrever a alucinar e colocar som alto em casa ou bares abertos, recebe em cinco minutos a visita da polícia. Certa vez em Daytona Beach, conhecida figura paraense pensou que estava em Salinas e ligou o som do carro, em minutos os robocops que patrulham a praia avisaram, ou desliga ou vai preso e fica sem o carro, simples assim.

A diferença é esta, Europa e EUA chegaram à excelência do cumprimento às normas e respeito ao próximo. Existem atividades para todos os tipos e gostos, entretanto, a regra basilar é não incomodar. Tem boates na Espanha que começam às 6:00 da manhã, porém, na rua não se ouve um ruído sequer e nada de gente na porta ou carro com som alto - ou entra ou sai - e lá dentro é só piração com direito a palco móvel. O sujeito alucina sem incomodar ninguém.

Voltando ao barulho em Belém, é inegável que sempre foi uma capital festeira, porém, não era barulhenta. Esse fenômeno foi recente e começou, justamente, com a onda das aparelhagens. O som era moderado e não incomodava tanto. Eu mesma sou testemunha da evolução do barulho. Morava no último andar de um edifício e na rua ao lado havia um barzinho que nem teto tinha. Ali o dono ligava um "três em um" e a turma se divertia muito. Com o som controlado ninguém precisava gritar para falar e o bar não incomodava ninguém, para se ouvir qualquer coisa tinha que ficar na janela, entrou em casa acabou. O sujeito começou a faturar um pouco , comprou um equipamento mais caro e colocou um teto de sapê, ainda assim, mantinha os decibéis e a frequência aumentava. O tempo passa, eu grávida da minha segunda filha vejo chegar umas caixas de som, mas, não imaginei o que vinha pela frente. Fui ter a criança e na primeira noite do bebê em casa aquele som de estremecer todas as janelas anuncia a desgraça: " Mestreeeeee soooommmmm". Daí para frente foi um inferno. Um dj ensandecido não parava de berrar madrugada à dentro e o ritmo - brega. O volume das vozes aumentou na mesma proporção e o local se tornou a filial do inferno para a vizinhança com direito até a tiros e muita brigalhada.

De fato, existem dois focos de discussão: A qualidade do brega como ritmo e a poluição sonora. Fato é que - inexoravelmente - estas estradas se encontram. O que toca nas festas de aparelhagem? O que toca nestes carros/boates que circulam criminosamente acordando todo mundo de madrugada? O que toca naquele vizinho que insiste em obrigar a toda vizinhança a ouvir o som dele? O que toca nas orlas? Garanto que não é rock, bossa nova, tecno, carimbó etc... é o brega, e às vezes ,um goiano perdido com o sertanejo. Por esta razão o brega chama a atenção para si e causa toda essa celeuma. Se não estivesse ligado umbilicalmente com milhares de reclamações que enchem o CIOP, a DPA e a DEMA de denúncias, talvez nem estivéssemos aqui falando dele. Ocorre que é um ritmo tocado nas alturas que incomoda horrores e que corre o risco de ser tombado como patrimônio, isto sim assusta e provoca a polêmica, pois, daí para termos um carro de som em cada esquina é um passo.

Se hoje o cidadão para conseguir a tutela do Estado quando está sendo vítima de poluição sonora já é uma dificuldade, imagina com o tombamento. A polícia quando chamada - se aparecer - vai dizer: " Mas o senhor está reclamando contra um patrimônio histórico tombado, que absurdo!". Vamos correr o risco de responder ação penal sob a capitulação da Lei 9605/98 se quebrarmos o cd da periquita. Imagina o som ambiente de uma cerimônia oficial de Estado: " vou te comer...vou te comer...vou te comer...

Olha Timpas, vamos falar sério, quem quiser faturar horrores com o ritmo que fature, nada contra, Nós já sobrevivemos à "boquinha da garrafa" , " só as cachorras", "créu" e tantas outras bizarrices. Só nos façam um favor, mantenham dentro dos limites das normas federais determinadas pelo CONAMA aquela vozinha prá lá de chata das interpretes do gênero feminino do brega, é só isso que pedimos, de resto, não existe uma guerra em prol da estigmatização de um ritmo, só uma chamada à realidade e ao bom senso, afinal, só aqui inventaram essa graça de se atribuir status de tombamento a um ritmo musical - me perdoe a franqueza - de gosto para lá de duvidoso como tantos outros que já surgiram.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Debate entre Timpin e Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio

Segue aqui minha tréplica, no debate com a Advogada Rejane Bastos. Para quem está pegando o bonde andando, tudo começou com um texto publicado na minha coluna jornal O Liberal, do estado do Pará, que pode ser lida clicando aqui. O blog publicou a réplica da advogada, que pode ser lida aqui. Eis então minha tréplica:

............

Fiquei feliz quando recebi a resposta da advogada Rejane Bastos, referente às minhas criticas que fiz com relação a uma carta aberta que ela havia divulgado na imprensa. É urgente que se abra uma linha de debate em torno do reconhecimento do Tecnomelody como autêntica manifestação cultural do estado do Pará.

Digo isso porque o ritmo está na eminência de estourar nacionalmente - quiçá globalmente - e continuar marginalizado no seu local de origem acabaria por revelar a todos as contradições de uma sociedade paraense com dificuldades em lidar com sua identidade. Por isso, comento aqui os argumentos da Dra. Rejane, na esperança de que no final deste debate, ambas as partes saiam ganhando.

A resposta começa com a alegação de que criou-se no Brasil um preconceito contra as supostas "elites" (aspas dela). No mesmo parágrafo, afirma que o que eu falei sobre "uma elite que nega seus traços de índio, pinta o cabelo de loiro e sonha em morar em condomínios, passar frio e usar casaco" (aspas minhas) é preconceito de minha parte. Só que no final de seu texto ela afirma que sente orgulho de pertencer à alta sociedade e ter condições de viajar pelo país para sentir frio. Onde está meu preconceito então? Afinal de contas ela assumiu que existe sim uma elite como a que textualmente foi citada por mim.

Mas o cerne da questão é tocado no seguinte trecho de uma frase da Dra.Rejane: "...trabalhadores que chegam exaustos em casa e sequer podem ver uma televisão, porque os Timpins da vida querem impor sua cultura em decibéis criminosos". Essa argumentação toca em dois pontos chaves nessa discussão.

O primeiro é a associação de que o problema de Belém ser uma cidade barulhenta deve-se exclusivamente a um ritmo específico, o Tecnomelody. O que eu quero dizer é que a luta contra a poluição sonora de Belém é uma causa de relevância incontestável e não está em questão. O que está em questão é essa associação direta, assumida reiterada vezes. E não só isso, o tempo todo o juízo de valor está lá, reafirmando que se trata de "letras ruins, melodia enjoativa". É novamente uma elite que se acha na consdição - ou no conhecimento de causa - de definir o que é bom, o que é ruim e o que é correto o povo ouvir.

O segundo ponto é tentar entender o que fez com que Belém se tornasse uma cidade tão barulhenta e o que é humanamente possível para remediar isso. Não se pode dizer simplesmente que o povo é ignorante e que uma boa educação resolveria. Ignorancia e falta de educação existem em todas as capitais, entretanto só Belém ergue a taça do Campeonato Brasileiro da Zoeira.

O hábito de se ouvir música na rua - e alto - surgiu lá nas décadas de 60 e 70 nos bairros pobres. Em parte para mostrar aos vizinhos que ele conseguiu ter um aparelho de som (naquela época um status absurdo), em parte porque em Belém faz muito calor e na periferia da cidade ir para a rua ouvir música nos finais de semana é uma forma de escapar do ambiente sufocante das casas de madeira e alvenaria sem ventilação dos bairros mais pobres.

Some-se a isso o fato de que o morador da periferia é de origem negra e indígena - povos de uma extrema musicalidade - e de que devido à localização geográfica, acabou por ter acesso a diversos ritmos. Desde os anos 50 se contrabandeavam discos de rock dos Estados Unidos e discos de cumbia, soca e merengue do Caribe e das Guianas. Foi o que possibilitou, por exemplo, a criação da guitarrada e da lambada, ritmos nascidos do contato da periferia da cidade com ritmos criados em outros países. Isso acabou por gerar um ambiente em que a música tem um papel muito forte.

Resumindo: existem fortes razões culturais, sociais e geográficas para Belém ser o que é. Diante de tantas contingências, sair por aí decretando leis que impeçam as aparelhagens de tocarem, apreendendo equipamentos de som ou fechando bares apartir de um certo horário, não resolve a questão. Muito pelo contrário. Corre-se o risco de se criar um estado policialesco que, diante do quadro agravante do aumento da criminalidade, pode ser muito perigoso.

São essas reflexões que os senhores deputados devem se fazer na hora de aprovar leis que se refiram ao mercado de consumo do Tecnomelody. Não esse debate acadêmico e vazio que quer tornar o Tecnomelody patrimônio cultural. Isso não faz o menor sentido. Um patrimônio cultural é algo construído com o tempo e o Tecnomelody é muito novo. Seria como se os baianos decretassem que Rebolation é patrimônio cultural do estado da Bahia.

O argumento decisivo contra o tombamento do Tecnomelody - e o termo tombamento aqui adquire até um duplo sentido - é que uma prática dessas visa a proteção de uma cultura contra infiltrações externas que denigram sua pureza. Ora pois, o Tecnomelody é um ritmo em constante inovação e sem nenhum pudor em importar samples de sanfona sertaneja, refrões de Cúbia Villera argentina ou fazer versões de hits americanos.

Para finalizar, volto a agradescer à advogada Rejane Bastos por ter aceitado esse debate. Em tempos de falência da dialética, onde a facilidade de emissão de opiniões muitas vezes vem mais para prejudicar de que para ajudar a resolver questões de suma importância para a sociedade, debater em um ambiente saudável e civilizado, é extremamente construtivo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Da série: Comentários que valem por posts



O leitor Robinho da Bahia comentou no post Sobre o preconceito que o Tecnomelody sofre por parte das elites do Pará :

Porra Timpin! Tu bateu seguro véio! "o lamento pela perda do poder do monopólio da emissão de bens culturais." Perfeito!
E ainda desce mais essa: "Os historiadores costumam dizer que quando um produto da cultura popular perde o vigor, passa a ser apreciado pelos especialistas". É por isso que Geraldo Teixeira é cultura, mas não Bruno e Marrone, João Bosco e Vinicius, Vitor e Léo, etc (ops, esses são, afinal tão na Globo). Alcione é cultura, mas Os travessos e Sorriso Maroto não são... Dominguinhos é cultura, mas Aviões, Cavaleiros, Forró do Muído não são... ô raça!


Faltou uma foto do cara para colocar aqui. Este é o cerne da questão. O que se aplica com o tecnomelody em Belém pode ser aplicado em qualquer ritmo verdadeiramente popular por esse Brasilzão.

Lembro que me senti constrangido quando passou na televisão uma cerimônia sobre a Copa de 2014 em que um bando de gringos batiam palminhas para uma apresentação percussiva vocal de uma dezena de branquelos. Fora um cover patético de "Minha Menina" que Os Mutantes lançaram nos anos 60!

Será essa a trilha sonora de 2014?

Francamente...

Alô Robinho! Eu só acrescentaria que Victor & Leo e João Bosco & Vinicius não só ainda não são considerados cultura como nem estão tão assim na Globo. Cadê eles no Criança Esperança desse ano? Até comentei no post que linkei no nome aí.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Direito de Resposta - Rejane Bastos expõe seus argumentos

Segue a réplica de Rejane Bastos, presidente da Associação Amigos do Silêncio, de Belém do Pará à coluna que publiquei no jornal O Liberal nesta última terça-feira. Na coluna em questão, questiono o preconceito que a elite cultural paraense alimenta contra o Tecnomelody. A coluna pode ser lida no post anterior ou clicando aqui.

Ela permitiu a publicação e aceitou abrirmos uma série de debates. Portanto, aguardem minha tréplica.


Prezados,

Li com atenção a matéria e, realmente, não tinha tomado conhecimento da mesma. Ali sim, está retratado o verdadeiro preconceito contra supostas "elites". Minha carta ao Elias que nem de longe é um Diogo Mainardi, pelo contrário, é um jornalista bem talentoso, expressa a opinião, não de um segmento social, mas, de uma coletividade que já está de "saco cheio" de ter suas vidas invadidas pelo som histérico do tecnobrega.

Criou-se no Brasil um preconceito contra as supostas "elites", em especial contra os brancos, esse preconceito sim é que é destilado por pessoas que querem por força de decreto impor sua cultura, e democracia não é isto. As besteiras que o Timóteo falou sobre cor de cabelo, viagens, casacos e etc..., demonstram que na falta de argumento só resta o preconceito, o dele.

Com certeza ele desconhece que a maior parte dos cidadãos que procuraram a Associação Amigos do Silêncio pedindo socorro, é composta pessoas de baixa renda, negras, brancas, ruivas, louras, enfim, todos trabalhadores que exaustos ao chegar em seus lares, não podem sequer ver uma televisão porque os Timpins da vida querem impor sua cultura em decibéis criminosos.

Esse é o grande problema dos fãs do ritmo, querem empurrar pela goela da sociedade um ritmo que não é unanimidade, pelo contrário. Não se trata de ricos ou pobres, trata-se de essência, além de interesses puramente econômicos. As letras são ruins, a melodia super enjoativa e sempre tocada em altíssimos decibéis. Conheço uma infinidade de pobres que detestam o ritmo e uma infinidade de ricos que adoram. A diferença não é classe social, é espiritual e cultural.

Não se vê pelas ruas carros com som potente tocando rock clássico, mpb, samba, música clássica, bossa nova etc... O crime ambiental é, invariavelmente, cometido por fãs do brega em todas as suas modalidades. O tal de Timóteo Timpim, que eu nem sei de quem se trata, deve ser um dos maiores interessados no consumo do gênero, razão pela qual se incomodou tanto com as minhas palavras.

Quanto à crítica por tentarem fazer do ritmo um patrimônio cultural, continua de pé. Uma atividade que está sofrendo uma Ação Civil Pública e que registra os maiores índices de violência e que requer esforço dobrado da polícia retrata o esfacelamento social através de letras que só falam de bobagem, quando não incitam ao crime, tal qual o abominável Funk que invadiu o Rio sem dó nem piedade.

Tenho a impressão que na falta de argumento, este Timpim, contrariado pelas críticas que colaboram para uma reflexão por parte dos senhores deputados antes de votar um projeto a três tapas, resolveu dar uma resposta tardia e sem contexto a uma opinião que não é só a minha, é de uma coletividade, composta pelas classes: A, B e C. Além do mais, interesses imensos e obscuros devem estar por trás de tanto empenho em se aprovar o tombamento do ritmo como patrimônio cultural, tanto é assim que as críticas não são aceitas e rebatidas com preconceito e agressividade, como as do Timpim.

E as heresias continuam, comparar o "carimbó" com a "periquita", que viagem....

Lamento que interesses estejam sendo contrariados e continuo dizendo que estão se preocupando demais com que eu acho e digo, alguma coisa tem por trás disso. Uma coisa é certa, minha palavra tem peso, porque é emitida com bom senso, argumento, dados, e em especial, sem nenhum interesse a não ser o social. A Associação nunca tocou em nenhum tostão e sempre teve um trabalho voluntário em prol da sociedade e com reconhecimento nacional. Sou respeitada pelo que digo, porque tenho argumentos, tanto é assim que já me reuni, inclusive, com donos de aparelhagens e conversamos civilizadamente diversas vezes.

O autor da matéria que citou meu nome, sequer sabe interpretar texto, pois, incluiu o nome da Associação em uma questão onde ficou bem claro que não há preconceitos contra ritmo, e sim, contra crime ambiental e contravenção penal através de decibéis altíssimos em uma cidade campeã nacional em poluição sonora. A opinião sobre o ritmo é da Rejane Bastos, pessoa física, que, aliás, continua inalterada. Não gosto das músicas, nem das letras.

Tenho muito orgulho de ser branca, loura natural - aliás, o que mais tem são bregueiras super oxigenadas, elas sim tentam parecer o que não são, portanto, a contradição na crítica quanto aos cabelos é sem nexo - e pertencer a uma classe que, de fato, viaja, usa casaco e vai pegar um friozinho, como é bom ter a oportunidade de conhecer novas culturas e poder trazer isso para cá, e não sei porque isso tanto incomoda ao Timpim , afinal, a beleza do Brasil está nisso: diversidade de etnias que convivem em harmonia, sem preconceitos e sem disputas raciais ou religiosas, aliás, com certeza, ele nunca fez nem um terço do que eu já fiz pela sociedade, atendendo de graça vítimas de poluição sonora e indo a lugares bem pobres para verificar o tormento em que vivem. Ele também não sabe o que é viver em uma casa de madeira que treme toda quando a festa do brega começa.

Enfim, lamento que o Timpim esteja tendo os interesses contrariados e fique tão aborrecido, só isso explica o trabalho que teve de escrever e de me atacar. Já vi o site de vcs, que são super bonitos, charmosos e talentosos, torço pelo seu sucesso, em especial, se também são contra os decibéis criminosos. Desejo-lhes sorte na trajetória, porém, continua não sendo a minha predileção musical. Como vcs são do Amapá com certeza não estão inteirados do problema de poluição sonora que acomete Belém, não é uma briga de conceitos musicais e de classes sociais, é uma luta contra um crime ambiental que, infelizmente, vem em grande parte via ritmo brega.

Grande abraço,

Rejane Bastos

Sobre o preconceito que o Tecnomelody sofre por parte das elites do Pará

Esse texto foi publicado originalmente na edição de dessa terça-feira (24/08/2010) do jornal paraense O Liberal.



O debate que se formou em torno da aprovação do projeto de lei que transforma o tecnomelody em patrimônio cultural do estado do Pará é a prova de que em termos culturais vivemos em dois países dentro de um só. O primeiro Brasil é aquele que sabe o que é arte e cultura e o segundo não se importa se o que faz e consome é arte e cultura.

O segundo Brasil não sabe que o primeiro existe, ao passo que o primeiro gostaria que o segundo não existisse.

Que ninguém se engane, debaixo da argumentação contra a poluição sonora causada pelas aparelhagens, vendedores ambulantes e apreciadores de tecnomelody existe um subtexto bem claro: o preconceito contra manifestações culturais produzidas de baixo pra cima na pirâmide social.

Uma dos principais esforços para imperdir que o tecnomelody seja reconhecido como cultura popular é empreendido pela Associação Amigos do Silêncio, na pessoa da advogada Rejane Bastos. Em maio, quando o projeto de lei esteve em votação na Assembléia Legislativa, ela publicou na imprensa uma carta indignada que transborda preconceito de classe a cada frase infeliz.

Logo no segundo parágrafo ela pede licença para emitir sua opinião pessoal e declara que acha "...um desrespeito ao povo paraense, em geral, ter sua imagem associada ao tecnobrega, ritmo tão ruim quanto o funk e o axé". Trata-se do velho maniqueismo de nossas elites, que acha-se no direito de definir o que é bom, o que é o ruim e o que o povo deve consumir. E também, naturalmente, o lamento pela perda do poder do monopólio da emissão de bens culturais. Agora é o povo que decide o que quer consumir.

Mais pra frente afirma que o próprio nome do ritmo é um "desrespeito ao brega clássico dos excelentes Wando, Reginaldo Rossi e Odair José". Quer dizer que a distância do tempo necessariamente qualifica uma obra? Os historiadores costumam dizer que quando um produto da cultura popular perde o vigor, passa a ser apreciado pelos especialistas. Tudo o que é morto é inofensivo. E o tecnomelody está bem vivo, daí o incômodo.

Outro argumento que os detratores do movimento costumam usar é o ritmo estimula a baderna e o distúrbio da ordem social.

Engraçado. O Carimbó é atualmente considerado a manifestação cultural paraense por exelência. Ocorre que no final do século XIX ele era proibido de ser tocado, sob a argumentação de que os batuques e os versos gritados estimulavam - veja só - a baderna e o distúrbio.

Mas o ponto alto e mais emblemático da carta da Dra. Rejane Bastos é quando ela afirma que a verdadeira Belém é a "que ainda se vê nos casarões conservados, que dão uma pálida idéia do altíssimo nível das raizes do nosso povo". Nessa frase a advogada revela quem ela representa. Ela representa uma elite que - como diz o jornalista paraense Vladimir cunha - não gosta de ser ligada ao índio, ao negro, ao povo ribeirinho, ao morador da periferia. Uma elite que nega seus traços índios, pinta o cabelo de loiro, sonha em morar em condomínios fechados, passar frio, usar casaco.

Para essa gente, o tecnomelody lhe faz lembrar que ao redor das ilhas de conforto que ela ergueu, e nas quais perpetua a sua ilusão de embranquecimento e de pertencimento a uma realidade que não pode ser replicada numa cidade pobre e caótica como Belém, existe uma gente "feia", de pele escura, "mal-educada", "mal-vestida" e que ouve essa música dura, sexual, rude e que fere os ouvidos.

Uma coisa no entanto deve aqui ficar clara. Não se trata de defender a institucionalização do tecnomelody como cultura. O tecnomelody não precisa disso, ele aprendeu a se virar sozinho. Quando o colunista do jornal que cedeu seu espaço à publicação da carta da Dra. Rejane - um Diogo Mainardi sem o dom - pelo tom de sua retórica esperava uma resposta. Ela demorou um pouco, mas aí está.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More