O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Carta Aberta a Solange Almeida

Muito bem Dona Solange Almeida. A senhora resolveu romper o silêncio. Isso é muito bom. Bom para que as pessoas saibam como é o verdadeiro caráter de seus ídolos. Só que em sua declaração a senhora falou muito, mas disse pouco. Por isso este distinto Cabaré vai lhe ajudar fazendo umas perguntinhas de modo a facilitar sua vida e possibilitar que seja declarado o que o povo quer que seja declarado.

Dona Solange Almeida, a senhora realmente deve ter um estoque muito grande de óleo de peroba para digitar a seguinte frase: "Nós não nos apossamos de música de ninguém". Dona Solange, aquele disco promocional dos Aviões que tinha várias músicas do - na época iniciante - Bonde do Maluco? Lembra? Aquele que tinha aquela musiquinha assim: "Abre o som do porta mala e bota a gata pra dançar". Até hoje a grande maioria das pessoas pensa que é dos Aviões. Porquê será? Será que o porque os Aviões nunca disseram que a música era do Bonde?

Divulgar Marfrutas ou a agenda do Forró no Sítio pode. Divulgar bandas novas que surgem com músicas que segundo a senhora sua banda gosta, não pode. É isso Dona Solange Almeida?

Só que Dona Solange, quando se referiu ao nosso estabelecimento como "determinado blog" e se referiu a "matérias que tentam a todo custo denegrir a nossa imagem e a da A3 Entretenimentos", a senhora não falou uma palavra sequer sobre os esquema criminoso dos Olheiros da A3. Porquê? Será porque é verdade? O foco das matérias de nosso determinado blog não é a cópia de músicas por si só, mas a maneira como elas são feitas. Gostaríamos muito que a senhora fosse mais clara com relação a este assunto.

Outra coisa Dona Solange Almeida. No final de sua declaração a senhora certamente resolveu honrar a tradição cearense de nos presentear com bons comediantes. Que bela piada aquele seu discurso de união entre os artistas de forró, não é mesmo Dona Solange Almeida?

Quer dizer que a TV Diário não teve que regravar seu especial de final de ano só porque sua banda não era a banda em destaque? Ah, a senhora não sabia que o pessoal estava sabendo desse absurdo? Clique aqui Dona Solange. Vá campeã, você consegue. Clica, vá!

Pois então Dona solange, o que a senhora tem a nos dizer com relação a isso? Sabia que muitos fãs de uma banda que a senhora conhece bem, a Forró do Muído, ficaram muito tristes ao saber que o programa mais esperado do ano não iria ao ar. É Dona Solange, pregar união nos discursos e desunião na prática machuca muitos corações...

Bom, as perguntas estão e para o bem do povo e a felicidade da naçào forrozeira, seria muito bom a senhora respondê-las.

3 na Palomba emplaca web hit - Minha mulher não manda em mim

Sei que isso é quase um jabá, já que os caras citam meu nome (errado, o que é mais legal) no meio da gravação, mas que os caras conseguiram, isso conseguiram. Em poucos dias o clipe ultrapassou os 100.000 views no Youtube. Além de 200 e lá vai cacetada comentários.

Com vocês, a FULERAGEM PREMIUM dos 3 na Palomba!!!!!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Bóra mulekada, vamos trabalhar!

Peço licença a todos para um momento gay. Tem certas coisas na vida que me emocionam. Mais do número de acessos ou citações no Twitter, o que eu considero mais é saber o quanto nosso trabalho está influenciando - e influenciar nem é a expressão correta, o mais certo seria motivar a dizer o que sente - as pessoas.

No caso me refiro ao post anterior. Não sei quem são, nem onde estão e nem como estão, as Breteiras; Mas falei que elas estavam ainda meio tímidas, retraídas, inseguras. Pois não é que elas devem ter lido a bagaça e atualizaram o blog com uma postagem que, francamente, alguém neste país deveria ter feito?

Estou falando da porra do embuste da negação/não negação do romance de Victor Chaves (da dupla Victor & Leo) e Xuxa. Victor chega no Faustão e posa de gostosão praticamente chamando o povo de burro e isso fica por isso mesmo? Sem as Breteiras ficaria. É como meu debate com Rejane Bastos de Belém, Victor é uma pessoas pública - é uma artista pop! - e tem que arcar com isso.

Sites de fofoca - e revistas, tipo as que no Faustão ele detonou - estão aí, existem e tem sua razão de ser, como oxigênio, pneus furados e parafusos. Esse tipo de interesse de fã pela vida pessoal do artista pop desde a primeira vez que alguém disse POP!

Se eu , Zé Ruela diplomado, não consigo impedir o vizinho de saber que a dias dou descarga no vaso sanitário com um balde velho de tinta Suvinil e questionar porque diabos não conserto logo a porra da descarga, quer você Victor Chaves agora, reclamar que o povo queira saber quem você anda comendo?

Fala sério. As Breteiras estão aí pra escancarar isso.

E você Ivanzinho? Bóra se mechar Ôw vagaba da disgrama?

Breteiras e Ivanziinho - os dois blogs este Cabaré mais esperou pela existência

Alguns leitores comentaram que tenho falado pouco de música sertaneja aqui no Cabaré. É que já tem gente fazendo isso - e gente boa nisso. Tem o Blognejo, o Universo Sertanejo e mais uns outros. Mas eu sempre senti que faltava algo na blogosfera sertaneja. Faltava alguém que fizesse um trabalho semelhante ao que as meninas do Submundo do Forró. Um olhar feminino, uma língua ferina meio imprensa marrom que contasse os babados dos bastidores.

Pois este blog surgiu. E o Cabaré festeja este nascimento. Breteiras, sejam bem-vindas



Quem é a autora - ou as autoras, não se sabe, as postagens são todas assinadas por umas misteriosas Breteiras. Já tem matérias sobre Bruno & Marroni, Marcos & Belutti, Henrique & Diego e mais uma série de artistas.

Por quanto a coisa ainda está tímida, mas minha intuição me diz que essas meninas vão engrenar fofocas que irão tirar o sossego de muita gente no meio da música sertaneja. Tudo indica que as Breteiras são muito bem informadas. E divertidas, o que cá entre nós, é essencial.

Já com o pagode baiano a carência de um blog era mais dramática. Simplesmente não existia um único blog decente sobre o assunto. Claro, existem vários que postam links de CDs e de gravações de shows e pequenos comentários. Mas um blog com notícias, críticas e análise não existia nenhum.

Pois agora existe. Trata-se do Ivanziinho 2.0 (assim mesmo, com dois Is) e é sensacional. Nos poucos posts existentes já tem crítica dura ao CD Raízes do Edcity. Matéria informativa sobre o sucesso da música "Liga da Justiça" e uma análise da tensão entre as bandas A Bronka e No Estillo.



Postando apartir da região da Cidade Baixa de Salvador - o olho do furacão quando se fala em pagodão - Ivanzinho escreve bem, tem visão contextual e muito conhecimento de causa. As postagens por enquanto estão lentas, mas se depender da minha pentelhação, o pirralho vai começar a se mecher e nos premiar com um posto avançado dentro do agitado caldeirão do pagode baiano

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pronto, os caras estão famosos (e o Dj Sandro RICO)

Acabou de me chegar a notícia, a WS Edições Musicais, da banda Garota Safada acabou de comprar os direitos de execução da música "Minha Mulher não Deixa Não". Agora só eles podem tocá-la na TV, rádio, etc e dizerem que é deles. Dj Sandro, a essas horas, deve ter fechado o Bar de Marly só pra ele e suas negas. Ah sim! E pagando rodadas e mais rodadas de Cabeça de Galo pra todo mundo.

Consegui o fone dele e acabei de tentar ligar (10/12/2010 - 20:46). Tocou 4 vezes e ele desligou. Tentei de novo, mesma coisa. E ele vai atender? Vai nada! Hoje é noite de festa.

Hoje todo mundo saiu numa matéria de um tele-jornal de Recife. Conheça todo mundo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O nome disso é PALOMBA!

O clipe da música "Minha mulher não deixa não" está na eminência de atingir a marca de dois milhões de visualizações. Isso em menos de três semanas. Originalmente uma música brega de um tal de Dj Sandro, residente em Paulista, cidade vizinha a Recife, o sucesso foi regravado pelos Aviões do Forró e Garota Safada, só pra se ater nas maiores bandas - foram mais. Essas regravações acabaram por gerar uma polêmica no mundo do forró via redes sociais, catalizada pelo nosso post sobre Os Olheiros da A3 Entretenimentos (mais aqui, outro tantinho aqui e por fim aqui).

Mas não foi só isso. Em meio ao furor do sucesso e da discussão em torno da A3 e muitas acusações de - o copiador é você! - surgiu no Twitter mais uma variável desta equação. Um repórter recifense que se diz também compositor de músicas infantis, acusou o Dj Sandro de plagiar uma música sua de 2007, que constava no disco Turma do Zé Alegria Vol. 2. E realmente, o refrão é idêntico, houve apenas a substituição de "minha mãe" por "minha mulher". Confiram o vídeo.



E é nesse momento que este distinto cabaré liga os pontos desta intrincada trama. Dj Sandro não plagiou apenas essa música. "Minha mulher não deixa não" não seria o sucesso que é sem aquele peculiar solo dedilhado da guitarra. Um ouvido destatento classificaria o solo como calypso. Mas não é. O nome disso é palomba!


Cristiano e sua guitarra descarada de RS13,00


A palomba é um gênero novo, inventado no interior da Bahia no final do ano passado em meio ao caótico caldeirão criativo do arrocha e que este ano se disseminou feito vírus pelo Nordeste. O nosso Cabaré já contou essa história, trata-se da banda Os 3 na Palomba. Cliquem e confiram essa história sensacional.

Agora ouça a seguinte música e descubra de onde saiu aquele solinho descarado.



Foi a 3 na Palomba que inventou esse ritmo e ainda por cima, em seu segundo e terceiro disco - tudo lançado este ano! - desfilaram uma série de modinhas infantis tocadas no ritmo da palomba. O Dj Sandro ouviu os discos, teve o insight, pegou o solinho, escolheu uma música infantil para chamar de sua e voilá! está feita a cagada. E está desvendada a receita de "Minha mulher não deixa não".

E novamente, nosso Cabaré chega na frente.

Claro que diante de um cenário desses, os 3 na Palomba não tiveram escrúpulo nenhum de regravar a música, posto que são eles os pais bastardos da criança. Só que no caso deles, não seria justo e nem honesto chamar de plágio. A definição correta seria reapropriação. E ainda por cima fecha com chave de ouro um ciclo de cópia da cópia da cópia da cópia...ad infinitum.


O 3 na Palomba é só felicidade. O 3 da Palomba é da Espanha, eles fazem e os outros "panha"


Em uma reunião a porta fechadas na noite de ontem, a alta cafetinafem deste distinto Cabaré chegou ao consenso de que esse precesso de cópias não é de todo ruim - posto que nossa opinião quanto à questão dos direitos autorais é um tanto ambígua. Esse caos de cópias e colagens acaba por impulsionar uma acelerada criatividade.

A própria 3 na Palomba é uma demonstração prática dessa aceleração criativa. Além dos supra citados três discos em um ano, em uma semana regravaram "Minha Mulher não deixa não", fizeram clipe e ainda inverteram a situação de submissão masculina, na divertida "Minha mulher não manda em mim". Tudo disponível aqui no Cabaré, em primeira mão, clipe e música.



Como fui eu quem mostrou a música do Dj Sandro pro pessoal do 3 na Palomba, eles me homenageram na introdução, consedendo-me a honra de ter meu nome trocado por Tim Tim, o que não é nem de longe um problema, pois já teve corno me chamando de Pintim.

E não esqueçam, o nome disso é PALOMBA!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Carta de Robinho da Bahia aos Talifãs dos Aviões do Forró

Eu ia escrever im post para responder os comentarios aqui no blog e mensagem em diversas comunidades do Orkut dos fãs dos Aviões do Forró em reaão indignada ao meu post dos Olheiros da A3 Entretenimentos. Mas o Robinho da Bahia, sempre impecável em seus comentários, fez o trabalho por mim. Pra onde mando a fatura Robinho. Só vou ter o trabalho de copiar e colar aqui.

Carta de Robinho da Bahia aos Talifãs dos Aviões do Forró

Realmente. Ainda tem muito analfabeto funcional nesse país... O que o nosso ilustre cafetão está querendo dizer é: copiar não é problema (quase todo mundo nesse meio copia), desde que aproveite e faça música de qualidade (isso o Avioes faz!) com estilo próprio (ah, se tem...), bem tocada (com certeza) e bem cantada (idem), e assim divulgue e valorize o ritmo (já contribuiu bastante para isso). Artisticamente, isso é positivo, conforme o próprio Timpin colocou no post "A nova Cultura de Massas brasileira e o sucateamento da Escola.. de Frankfurt". Em cuja tecla já vem batendo há tempos...

O problema é a estratégia comercial predatória, canibalística eu diria, da A3 Entretenimentos. Qual o problema em gravar músicas de outros artistas e distribuir nos shows e/ou disponibilizar pra download? É apenas divulgação de sua performance artística, e a partir dop reconhecimento de sua qualidade ganhar dinheiro com shows... Desde que deixe claro, em momento oportuno,que a tal música que a banda está tocando e que está "estourada" é da banda X lá da cidade Y, ou do cantor Z... tipo falando das músicas de trabalho em uma entrevista no rádio ou na TV. Pronto. Só pra dar o devido reconhecimento e força aos artistas do gênero como um todo. Só isso bastaria... Vejam como no sertanejo os artistas se apoiam, valorizam e dão força aos novos valores que surgem. Vejam como o gênero cresceu a ponto de Timpin sugerir que pode vir a ser a nova onda da música pop mundial (Pensa grande, hein cara?)

Mas além de não fazer nada disso, ainda vêm com esse esquema miserável de prejudicar bandas com potencial de sucesso, ainda no berço, em suas regiões de origem, tirando do mercado paralelo(!) os CD´s destes artistas e substituindo pelos seus, não apenas pegando carona, mas derrubando do cavalo, tomando as rédeas para si e fugindo na estrada do sucesso. Mas se um dia a casa cai, também um dia gente assim cai do cavalo...

Por isso, fãs do Aviões, continuem curtindo o som, que é massa, sem dúvida, mas parem e pensem um pouco mais criticamente sobre os meios que a A3 está usando para manter suas bandas em evidência, e analisem se isso, a médio e longo prazo, é bom para o meio forrozeiro em geral, incluindo a NÓS, que gostamos tanto da música.


PS.: do Timpin

Outro ponto recorrente nos comentários dos fãs do Aviões é que tudo isso é inveja. Essa em especial me causa muita indignação. Até porque a história relatada no post anterior prova e comprova e reafirma que se existe inveja, essa inveja vem do pessoal do Aviões. Está na cara que foi a Solanje Almeida que pediu para a A3 Entretenimentos embargar os especial de fim de ano da TV Diário. É precipitado dizer, mas até parece que a cirurgia de redução de estômago pode ter feito um bem pro corpo da Solanje, mas para a cabeça não. O ego foi inflado.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Casa da A3 Entretenimentos Caiu! - Capítulo 3

Este texto é uma mensagem postada na comunidade da banda Limão com Mel. Eu dei uma editada para acertar a fraseologia, os erros de digitação e a pontuação. A mensagem original pode ser conferida no link da fonte.



UM DIA A CASA CAI...

eu ia ficar calado, mas se é pra falar...

Duas semanas atrás foi gravado o especial de Natal do programa Forrobodó da TV Diario. Ficamos até 02:30 da manha gravando. A banda era Garota Safada e as demais atrações eram as "frentes" das outras bandas. Estavam lá : Muído, Aviões, Forró do Bom etc...

Na gravação correu tudo bem, bem descontraída, a Jack Lima sempre enfatizando a união do forró, que isso era muito bom e tudo muito legal. Somente a Solange ficou com BICO, não se misturou e ficou nítido o descontentamento dela.

Pois bem. No outro dia, a direção da TV recebe um FAX da A3 assinado pelos três sócios, comunicando que, se o programa fosse ao ar, eles processariam a TV Diário e não apareceriam em nenhum programa do Sistema Verdes Mares (FM 93, AM 810, Tamoio, cCanal 10, FM Recife, etc). Eles não concordaram com o programa, pois acharam que foram meros participantes e a banda que estava tocando era Garota.

Eu fiquei indignado com isso. Não só eu ,mas muita gente da própria TV. Sabe o que aconteceu? A TV aceitou. Ficou bem caladinha...

Tivemos que gravar outro programa agora, nesta quarta que passou com Garota Safada. Os convidados foram Forró da Curtição.

No outro dia , na quinta de manhã, gravamos o especial de final de ano (que iria ser com A3), mas foi com Forró Real convidando Banda Líbanos, Swing do Forró, Kabra da Peste e Amor Cearense. Foi massa!

Foi dado um "gelo" na A3. Isso é pra vcs saberem do que rola no submundo do forró. Acho que o imperio em breve se dissolverá e ninguém sentira falta. E se vocês souberem o quanto eles estão incomodados com o MOVIMENTO FORRO DAS ANTIGAS que está lotando todas as cidades que passam e enquanto isso as outras bandas deles estacionaram. Digo isso porque Muído por várias vezes em setembro e outubro não tocaram nas sextas feiras, data cheia pra festa.

Agora tirem suas conclusões.

...

O Cabaré do Timpin não se cala e nem tem medo da A3 Entretenimentos. Aguardem os próximos capítulos desta série de posts denúncias. Esse trabalho deve ser feito, pelo bem do forró em particular e da música em geral.

PS.: O assunto também está sendo amplamente debatido na comunidade da Calcinha Preta.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Casa da A3 Entretenimentos Caiu! - Capítulo 2

Foi legal a repercussão do meu post sobre Os Olheiros da A3 Entretenimentos. Aliás, foi não, está sendo legal, porque escreve o que estou dizendo, a coisa está apenas começando. O Timpas aqui está invocado e se o Isaías se acha o truculento, espere para ver como me comporto quando resolvo esquecer que sou um lord de ascendência merovíngia. Já morei no bairro do Bonji no Recife, sou doutorado em barracologia.

Nem precisei fazer nada, a repercussão se fez sozinha, tamanha a quantidade de desafetos que a A3 Engambelamentos acumulou em seus poucos anos de atuação no mercado da trambicagem, do jabá e da exploração de empregados. Saiu tópico na comunidade dos Cavaleiros do Forró - até da banda Calypso - e mais algumas outras. Mas o babado mesmo, está na da Calcinha Preta, concorrente declarada dos Aviôes.

Digo mais! Saiu até no blog de forró que eu mais curto, fazendo que eu me cagasse de orgulho justo no dia em que faltou papel higiênico aqui em casa (que por Deus, tomara que o Isaias não saiba onde fica). E olha que orgulho fede. Aff!

Claro que a A3 Entrementimentos ainda não se pronunciou e mui provavelmente nem se pronunciará. Não atira pedras quem tem teto de vidro. De toda a repercussão que o post teve, em nenhuminíssima de nenhuma de nem nunca mensagem alguém apontou uma mentira no post. O povo que defende os Aviões sempre foca no fato de que eles são bons. Mas e eu falei que eles eram ruins? Basta uma leitura centrada do texto para ver que na verdade falei bem dos Aviões do Forró. Artisticamente eles são impecáveis, os outros quinhentos ficam na parte comercial. Ora Xongas.

O tema do artigo - entendam isso Talifãs Aviãozeiros - são os Olheiros da A3 Entretenimentos - e não o fato de copiarem músicas de quem quer que seja.

Pra desopilar esse clima estressado, vou mostrar uma música de uma das inúmeras bandas novas prejudicadas pela prática criminosa da A3 entretenimentos. Trata-se do Bonde do Maluco. Na época do lançamentos do disco de estréia do Bonde, os Aviões copiaram tantas músicas que o CD Promocional deveria se chamar "Aviões do Forró Canta Bonde do Maluco Volume Um".

E o que a banda liderada por Dan Ventura fez? Entrou na justiça? Encheu a cara num porre coletivo digno de corno debutante? Nada! Fez uma gravação. Mas não de uma música dos Aviões, porque copiar músicas é um treco feio que papai do céu castiga. Mas COMPÔS uma música no mesmo estilo dos Aviões, tirando uma onda porra. Lançaram no volume dois deles. O pessoal da A3 Entreconstrangimentos ficou tão avechada que não copiou nenhuma música daquele disco.

A música passou desapercebida pela maioria e hoje em dia é pouco lembrada. Mas como o cafetão mais gente boa e dono do chapéu mais estaile desse Cabaré tem um coração do tamanho da Mãe Joana, taqui a música pra vocês, cambada de desgramados:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Minha mulher não deixa não - Agora é que fudeu mesmo

Primeiro, anteontem, foi Aviões do Forró. Ontem, foi o Garota Safada. Hoje, o 3 na Palomba.

E amanhã? Será quem? Roberto Carlos? João Gilberto? Sério, esse viral mereçe um profundo estudo sobre o inconsciente coletivo masculino de nossa nação. Tanto que a música até foi adaptada para a unanimidade nacional, o culto à preguiça.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Minha Mulher Não Deixa Não - Mas mesmo assim eu vou falar sobre os Olheiros da A3 Entretenimentos

Hoje me surpreendi com minha surpresa diante do fato dos Aviões do Forró terem regravado e lançado a música "Minha mulher não deixa não" antes até que eu escrevesse sobre ela. A rapidez com que eles se apropriam de músicas alheias para lançarem como se fossem suas é de conhecimento público a anos. O que talvez não seja do conhecimento público - muito embora no meio dos produtores e agentes de eventos seja muito comentado a bocas pequenas - é a maneira como o esquema funciona.


Isaias CDs, um dos mentores do esquema da A3


É assim. Os Aviões do Forró, o Forró do Muído e a ascendente Solteirões do Forró pertencem a uma empresa chamada A3 Entretenimentos, comandada pela trinca de sócios Isaias Duarte, Carlos Aristides e André Camurça. Para monitorar em tempo real os sucessos regionais, mas com potencial de extrapolar suas regiões, a A3 possui uma rede de Olheiros, plantados em cidades estratégicas do sertão nordestino. Assim que uma musica de uma banda qualquer - melhor ainda se iniciante, com menos poder de fogo para reclamar -começa a fazer sucesso, o Olheiro compra o CD, transforma em mp3 e envia pela Internet para a sede da empresa.

Imediatamente ela é enviada para o ônibus dos Aviões, que das bandas da casa é a especializada em cópias e a música é gravada no estúdio móvel que eles tem reenvia para a sede, de novo pela Internet. Daí a A3 grava um CD Promocional com a música e mais algumas outras e envia - desta vez pelo correio para o Olheiro da região onde a música começou a fazer sucesso. O Olheiro então compra todos os CDs da banda original dos camelódromos e dá de graça pro ambulante o CDs dos Aviões. Qual negociante recusaria uma proposta desas?

Paralelamente a A3 divulga a música na Internet e dependendo da repercussão inicial - eles não esperam muito tempo - enviam pacotes de CDs para todas as outras regiões nas quais mantém olheiros. Qual banda iniciante suportaria um golpe desse?

Praticamente todo mundo no meio sabe desse esquemão. Outras empresas também agem assim, mas nenhuma com capital de giro da magnitude da A3. E também nenhuma como uma banda da qualidade artística dos Aviões, que tem o mérito de conseguir regravar qualquer música, de Rihaana ao cantor brega de Recife da "Minha mulher não deixa não" de um jeito que ela fica a cara e som dos Aviões. Mas quase ninguém se manifesta publicamente quanto ao assunto. Todo mundo tem medo da A3, principalmente da figura conhecida folcloricamente como Isaías CDs.

Isaías, sempre cercado de capangas fortemente armados e nunca perdendo a oportunidade de humilhar publicamente qualquer subalterno que inadvertidamente tenha lhe desagradado, construiu tal fama que qualificá-lo de mafioso não seria nenhum exagero.

Provavelmente você não tenha lido um artigo sobre esse assunto em canto algum da Internet. Mas aqui não, a alta cafetinagem deste distinto cabaré não tem medo de corno nenhum. Em conversa com um amigo por telefone - que prefere não se identificar, naturalmente - fui alertado de que se publicasse as linhas que o estimado leitor acabou de ler, seria implacavelmente procurado pelos homens de Isaías, no intuito de obter alguns mililitros - talvez mais - de meu sangue, para ser degustado pelo mesmo numa taça de cristal, ao som de "Chupa que é de Uva".

Bobagem. Sou mais liso que bagre ensaboado.

Minha Mulher Não Deixa Não

Acabei de descobrir que os Aviões do Forró tem velocidade supersônica em identificar um hit e imediatamente gravar e publicar na net, fazendo as vezes como se fosse seu. A duas semanas atrás começou a pipocar na Internet o link para um clipe caseiro gravado na praia de Paulista, cidade vizinha de Recife. Em poucos dias virou um fenômeno. Mais de meio milhão de acessos. Várias reproduções, também caseiras, postadas no Youtube. Veja o clipe, que tem tudo para ser o web hit do ano. Alô galera do VMB!!!



Ah sim! Já tava esquecendo te mostrar aos distintos cavalheiros frequentadores deste Cabaré a versão da Aviões do Forró. Taqui:



Outra coisa. Ontem mostrei pro Geo do 3 na Palomba e ele me disse que iria regravar imediatamente. Até este momento ele não me mandou o link. Então, até segunda ordem, os Aviões foram mesmo os pioneiros. E isso meu povo, significa que a música tem tudo pra ser o hit do verão, porque uma regravação dos Aviões é carimbo de sucesso garantido.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Movimento Tecnomelody - AÊ porra! finalmente saiu o famigerado DVD

Esse texto foi minha coluna de ontem (30/11/2010) do Jornal Liberal de Belém do Pará

Foi um longo ano de espera. Teve gente que falava que era lenda urbana. Já perdi a conta do número de vezes que tive que responder as incessantes perguntas - calma, o treco vai sair, é só esperar mais um pouco. Estou falando do aguardadíssimo DVD Movimento Tecnomelody que Urra! vai ser lançado dia primeiro de dezembro na Região Norte e no dia 26 no Nordeste.



Milhares de fãs estão expectativa e não é por menos, trata-se de um evento que reuniiu dez bandas, mas as principais festas de aparelhagem da capital. É muita gente envolvida. A isso, acrescenta-se o fato de que plágio cometido pelos baianos da Djavú mecheu com os brios do povo paraense, contribuindo com a ânsia de se apresentar ao Brasil o verdadeiro tecnomelody e os seus verdadeiros criadores.

A banda Ravelly foi a que mais se sentiu prejudicada pelo plágio e no show gravado no Cidade Folia no final do ano passado, reunindo uma multidão de milhares de pessoas, teve seu merecido espaço para sanar esse prejuízo, tocando as quatro músicas indevidamente apropriadas pela Djavú.

Viviane Batidão, que atualmente é uma das mais prolíficas artistas da cena, participou com três músicas. Xeiro Verde, Bruno e Trio (que agora assina apenas como Bruno Mafra) e Quero Mais com duas músicas. As demais - Gaby Amarantos & Tecnoshow, Fruto Sensual, Jurandy e Eletro Batidão, constribuiram com apenas uma música. Não por falta de repertório, todo mundo tem inúmeros sucessos, a questão é que se desse espaço pra todo mundo mostrar tudo o que sabe fazer, o resultado seria um DVD quíntuplo! Isso sem computar o meio mundo de gente que ficou de fora.

Sem contar que ainda temos as aparelhagens. O tecnomelody em si já algo endêmico do Para, mas são as festas de aparelhagens a grande invenção coletiva empreendia espontaneamente pelo povo do Pará e urge em ser apresentado ao resto do país, quiçá do mundo. E a realização da gravação das aparelhagens se revelou muito mais complicada para os produtores do que se pensava inicialmente

Dado o ineditismo do projeto, a edição final não foi tarefa fácil. O fato de que as aparelhagens tocam músicas de todos os ritmos, tornou o processo de aquisição de autorização por parte dos autores originais das músicas lento e trabalhoso. Os doze minutos em que aparece a Super Pop deu mais trabalho de edição do que todas as outras bandas juntas.

Mas pelo que se vê na tela, o trabalho valeu a pena, o resultado ficou impecável. Ponto para a produção da BiS Entretenimentos, duzentos e vinte e tres mil pontos para a agitadora cultural Meg Martins - que arrancou uma quantidade equivalente de fios de cabelos para coordenar o projeto inteiro - e para os cenários concebidos por Christian Valente, Severo (S&M) Light e Kléber Martins, da Led Show.

Agora é seguir trabalhando, levando os artistas para o sul e sudeste - a exemplo do Gaby Amarantos está fazendo com crescente sucesso. E claro, dar um jeito de aumentar substancialmente a produção de Açai, pois se a frutinha cair no gosto do Brasil do jeito que o tecnomelody está caindo, o que atualmente se produz não vai dar nem pra tapar o buraco dos dentes da galera.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

As apostas para o carnaval baiano de 2011

O Parangolé lançou ontem o clipe da música que deverá subsituir a Rebolation. Me perguntaram se eu não iria postar o clipe no meu blog. Respondi que não. Pra quê? O trabalho de marketing massivo que a mega empresa por trás da banda fará, vai fazer que até aquele juíz de direito do tribunal do Chuí vai conhecer a música involuntariamente. Quiçá vai cantarolá-la, envergonhado, baixinho no chuveiro. Não se trata de marra de minha parte. Até que gosto de Parangolé. Mas é que quando interesses comerciais movem algo, esse algo deixa um pouco de ser divertido.

No Carnaval baiano é assim. São três tipos de bandas que tentam ser o sucesso do verão. Primeiro é o caso supracitado, uma música que todo mundo sabe que vai fazer sucesso porque já viu esse roteiro antes. No segundo tipo uma série de bandas testam suas apostas apartir de agosto, nos ensaios públicos e vão azeitando os arranjso - em alguns casos até trocam de música - e no final de novembro lançam como música de trabalho.

Apostas para esse ano já foram feitas. Edcity vem com sua "Fofinha" piscadinha. Psirico com de deuplo sentido "Chupeta". A Bronkka com seu "Hit do Posto" e por aí vai.

Por último, vem aquelas bandas menores, correndo por fora e com uma música inusitada, na qual ninguém apostaria um centavo sequer em agosto, acaba sendo consagrada pelo gosto popular. Foi assim com a "Lobo Mau" do O'Black e esse ano, se nada de estraordinário acontecer daqui para o final do ano, a bola da vez é "Liga da justiça" do Levanóiz.

Como não sou otário e tenho uma reputação a zelar: porra nenhuma de Tchubirabion! A onda aqui no Cabaré é "foge, foge Mulher Maravilha, foge, foge com Supermen!"

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Wagner Pekois, o novo grupo Tradição e o Troféu Timpin de Topeira do Ano

Já fazia meses que estava tentando conversar longamente com Wagner Pekois, guitarrista do Tradição, sobre os desafios que a banda enfrenta depois que Michel Teló saiu fora, deflagrando uma série de baixas que levou a deixá-lo como único membro da formação original. No último dia 26 eles estariam em Curitiba para se apresentarem no Vitória Villa. Era a oportunidade de ouro. Liguei pro cara, combinamos a entrevista, dei meu telefone e pedi pra que ele me ligasse no dia, dizer onde estava e acertarmos os detalhes.

Quando dei a notícia pros meus filhos eles ficaram mais feliz que filhote de ganso em taipa de açude. Nos últimos dias o Arhur - oito anos e skatista iniciante - já fazia contagem regressiva, falta três dias, falta dois, é amanhã pai! Alice - quatro anos e mala sem alça sênior - consumiu as últimas reservas de paciência da familha cantando a música "Te dou o céu" pra repassar a letra e não fazer feio no dueto que pretendia fazer com o novo vocalista Guilherme Bertoldo.

Até a Mylena, que tem 12 anos e como chegou a pouco tempo do nordeste ainda não teve tempo de ser contaminada pela febre de fanatismo que a galera tem lá em casa pelo Tradição, se empolgou para ir junto.

Chega o bem-dito dia e tô eu lá no Orkut, na hora de meio-dia, o Pekois me encontra on line e em vez de me ligar, o viado resolve combinar tudo por ali mesmo. Sabe como é, o cara quando quer dar uma de bem bom e posar de bem relacionado pros colegas de trabalho, acaba comprando corda para o próprio enforcamento. Falei pra todo mundo:

- Ó vou me encontrar com os caras do Tradição nesse tal de Hotel Bristol hoje de noite!
- Porra, esse hotel aí chique pra cacete, deve ser até seis estrelas, fica ali no lado da Rua 24 Horas.
- Então fechou a polenta, vou filar uma meia dúzia de chopes e um jantar filé num restaurante do meu nível às custas do Tradição.

Daí só fiquei falando merda com o Pekois até que o dono do PC chegasse e me chutasse da cadeira. Liguei pra casa, dei a notícia pro povo e combinamos de nos encontrar as 18:45 no terminal tubo da Estação Central, no alto do Calçadão da XV.Quando o biarticulado encostou e galera desceu, vi que até a Dafne, filha da vizinha, integrou o combo.

- Caralho! Os caras vão pensar que eu trampo numa creche comunitária.

Aí pensei - ah, não dá nada, os caras são gente boa - e começemos a descer o calçadão em direção à 24 Horas. Não tinha anotado o número, mas lembrava que o hotel ficava na rua XV de novembro número mil e lá vai cacetada, então era só ir em frente até encontrar a placa Hotel Bristol. Atravessamos todo o calçadão, atravessamos a Praça Osório, passamos pela rua que ia dar na 24 Horas, andamos mais quatro quadras e nada do lazarento do Hotel. O pessoal já estava começando a ficar impaciente, principalmente minha esposa, sempre respectiva aos mínimos motivos para me encher o saco.

- Pede informação ué, pergunta praquele taxista ali.

O taxista não sabia me informar com precisão onde ficava o hotel. Perguntou se eu não sabia a rua e o número. Disse que só sabia a rua. XV de novembro.

- Ah meu filho, então você está procurando no lugar errado, a rua XV de novembro fica lá pra trás.
- Mas essa aqui não é a XV de novembro?
- Não, essa daqui é a Comendador Araújo.
- Quer dizer que a rua muda de nome depois que passa pela praça
- Sim!
- Mas, mas...tenho certeza que a rua era XV de novembro, numero e alguma coisa...
- Então esse hotel fica no Alto da XV, bem longe - e ficou me olhando como quem diz, opa! ganhei uma corrida, sem imaginar que eu estava liso.

Minha mulher ouviu a conversa toda e ficou me olhando como se eu fosse um inseto. Liguei pro Pekois, fora de área. Liguei pro novo baixista Lelê, desligado. Mas péraí, o cara da firma que tinha me dado a dica da localização era o Saul o mestre da logística que é capaz de achar o Hotel Pindaíba em Bodocó só pelo cheiro, liguei pra ele. Me falou que na verdade o hotel ficava na Visconde de Nacar. Nervoso, peguei todo mundo pelo braço e voltamos as quatro quadras e no local indicado, não achei nenhum Bristol, somente um De Ville. Liguei de novo pro Saul e ele me respondeu que então tinha se confundido com os nomes. E desligou. E eu descobri na prática a diferença entre as palavras logística e etimologia. Era bom com orientação e ruim como nomes, sacou mané?

Estagiários de psicologia sabem que quando o desepero se instaura em uma criatura, o primeiro traste inútil que ela se livra pra não afundar é a racionalidade. Fui perguntando pra cada um que encontrava na rua onde ficava o hotel, recolhendo informações confusas e contraditórias e andando, andando muito. Quando passamos pela terceira vez pela mesma esquina o otimista Arthur falou, entre divertido e apreensivo.

- Papai, parece que estamos perdidos numa floresta, andando em círculos.

E minha ficha e minha casa caíram. A noite estava fadada a passada no sofá. O que restou para tentar me redimir com os moleques foi levá-los para praticar contravenção autorizada, brincarem de patinação no sitio arqueológico da Praça Tiradentes. Lá tem umas ruinas em exposição protegidas por uma chapa de vidro. As acrianças adoram brincar em cima daquilo e de dia sempre tem um guardinha que proibe. De noite não.

Claro, ainda fiquei tentando ligar no celular do Pekois e toda hora conferindo se ELE por ventura não me ligaria notando meu atraso. O puto não ligou. Eu só não me injuriei e dei um Control Del em toda a discografia do Tradição quando cheguei em casa, porque assistimos a apresentação natalina das crianças cantantes e dançantes do Palácio Avenida. Foi emocionante e ora xongas, vamos admitir, a noite até que terminou legal.

Bonde do Maluco no Raul Gil

Vivo dizendo. E repetindo. O Bonde do Maluco é uma das melhores bandas deste país. Todo mundo acha que não precisa de qualidade técnica pra tocar arrocha. Que basta um tecladinho, um cantor que cumpra o feijão com arroz pra que a coisa aconteça. Pois com o Bonde não é assim que a coisa funciona. Os caras tocam bem pra cacete, qualidade instrumental de primeira. E são divertidos, ora xongas!

A pena é que o sul virtualmente desconhece eles. Semana passada tocaram no Raul Gil. Talvez comece a chegar a hora deles. Num país órfão dos Mamonas Assassinas, Bonde do Maluco é a banda ideal pra preencher esta lacuna. Com vocês, a Dança da Galinha:



Aproveitem e baixem o Volume 5 deles, uma dos melhores discos nacionais do ano. E também participem da comunidade Acervo Arrocha, tem tudo lá.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Gang do Eletro - se pudesse, se quisesse e se o dinheiro desse, era um CD triplo por ano

Ser fã da Gang do Eletro é um privilégio. Não dá tempo de enjoar das músicas. Os caras lançam uma música nova por semana. Caso quisesse, Waldo Squash poderia lançar um CD triplo por ano. E não são musicas banais ou Control C Control V. É tudo single singular, artigo de luxo da melhor qualidade.


Waldo Squash e Maderito fazendo pose


Essa semana eles lançaram mais uma, a divertida, dançante e sutilmente sacana Freaktona. Essa grafia do título eu inventei por conta própria, a revelia de Waldo.



Gostou? Então baixe o CD demo de pré estréia da Gang do Eletro que eles lançaram na Internet semana passada. Download free no ling.

Gang do Eletro - Volume Beta - Cd de pré-estréia.

Lá vem o Eletro!!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nádila e Dj Juninho Portugal deixam a Djavú e a banda está prestes a se duplicar, num interessante caso de divisão celular


O Sonho acabou - a Djavú se Fú


Entre os Hinduistas exitem duas expressões corriqueiras, carma bom e carma ruim. Grosso modo a coisa funciona da seguinte maneira. Quando você pratica uma boa ação um ciclo cármico é acionado e causa feedback em que boas coisas acontecem na vida de quem praticou, é o chamado carmam bom. Com o carma ruim ocorre o posto, você pratica maus atos e invariavelmente algo ruim vai lhe acontecer. A banda baiana Djavú está provando o gosto amargo do carma ruim.

Durante o ano passado, os paraenses da Ravelly gastaram todas as suas energias tentando provar para Deus e para o mundo que eram os verdadeiros autores dos sucessos que fizeram a fama da Djavú. A saber, as músicas Rubi (Nave do som), Meteoro e Maciota Light. O processo jurídico desta questão de plágio até hoje não chegou a termo, mas o carma ruim parece que fez o serviço. No programa Domingo Legal deste último final de semana a Djavú, sob o comando do cantor Geaderson Rios apresentou-se com uma nova formação.

E Geanderson não estava nem um pouco feliz com isso.

O motivo foi que a cantora Natália Nadila e o DJ Juninho Portugal abandonaram o barco em plena turnê, fazendo escondidos o check-out do hotel onde estavam hospedados e junto com o ex-empresário Paulo Palco cortaram o contato com Geanderson. O plano? Montarem uma banda clone da Djavú. Mais uma. São públicas e notórias as diversas bandas clones da Djavú, com sutis mudanças na grafia do nome, como DJ Javú, Dejavú ou então a mais famosa, a De Javú do Brasil, criada pelo famoso imitador DJ Maluco, que fez fortuna com a banda cover Bonde do Forró.


Se Geanderson observasse fotos como essa, teria reparado que a Nádila já andava com cara de quem comeu e não gostou


No programa do SBT Geanderson não poupou palavras ao se referir aos seus ex-colegas. Segundo ele, Nádila desde o começo do projeto - um eufemismo para plágio da Ravelly - sempre se achou a maioral, a estrela máxima da banda e que por motivos puramente financeiros, acabou por aliciar seu amigo de longa data Juninho Portugal. É certo que existe o dedo de Paulo Palcos por trás desta história.

Natural de Capim Grosso, Bahia, Paulo Palcos coleciona diversas desavenças com empresários e artistas do interior da Bahia. Truculento e fanfarrão, ele também já divertiu muitos jornalistas com suas bravatas, como numa entrevista ao site Bahia Notícias em que afirmava que a Djavú tocaria na abertura da Copa do Mundo da África do Sul (!). A esta altura do campeonato o controverso empresário deve estar procurando letras no alfabeto que ainda não tenham sido usadas pelas outras bandas clones para montar uma que possa chamar de sua.

Já Geanderson não perdeu tempo, escalou uma nova cantora, a belenense Priscila Russo, que já trabalhou na Cia. do Calypso e vestiu um obsucuro Dj com a fantasia de marinheiro que provavelmente Juninho Portugal deve ter esquecido no hotel, na pressa da fuga.

A nova banda Djavú - a de Geaderson - vai dar certo? É complicado, pois era Nádila que cantava os principais sucessos, restando ao cantor a infame Soca Soca. Era Nádila a cultuada pela imensa maioria dos fãs. Eles estavam com um DVD pronto pra ser lançado, gravado em Caraguatatuba com público de 40 mil pessoas. E mais, o nome Dj Juninho Portugal está cimentado na mente dos fãs como complemento ao nome da banda. Vai ser fácil Paulo Palcos vender seu gato como lebre. Some-se a isso o fato de que depois do imenso sucesso conquistado pelas músicas plagiadas da Ravelly, a Djavú nunca mais emplacou um hit de peso. O futuro da banda não é muito promissor.

No que depender do dinheiro que eles ganharam no ano passado, a tentiva de se manter no mercado está garantida. Mas no que depender da Roda Cármica, é bom Geanderson reavaliar a possiblidade de voltar a morar em Capim Grosso na espera de uma nova banda para plagiar.

Ps.: Essa história carrega uma tonelada de ironia do destino. Para entender a fundo o motivo disso, basta ler uma série de reportagens que fiz ano passado para o site BiS MTV. Eis a série:

Watergate do Tecnobrega - parte 1

Watergate do Tecnobrega - parte 2

Watergate do Tecnobrega - parte 3

Também dei uma entrevista ao Bahia Noticias com mais detalhes.

Aliás, Paulo Palcos na época se manifestou sobre o que declarei na entrevista

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A nova Cultura de Massas brasileira e o sucateamento da Escola...de Frankfurt

Em meio a todo o barulho causado pelas críticas à educação púplica no Brasil e o consequente sucateamento de suas escolas, quase ninguém se atentou ao fato de que o povo brasileiro "deseducado", "ignorante" e "malandro", sem nunca ter sido consultado sobre o que pensava sobre a crise da indústria fonográfica ou a questão dos direitos autorais diante das novas tecnologias, não se fez de rogado, fez um admirável uso dessas mesmas tecnologias e mesmo sem saber o que estava fazendo - e talvez, graças a isso - implodiu a Escola de Frankfurt e toda a ideologia que ela exportou para a teoria da comunicação do século XX.

Não. Você não precisa ser formado em comunicação pela USP para seguir lendo esse post. A maioria das teorias, se despidas de sua linguagem empolada, podem ser facilmente explicadas em meia dúzia de linhas. E é isso que este Cabaré vai fazer.


Walter Benjamin, um dos mais encardidos tiozinhos da Escola de Frankfurt em seu ambiente de trabalho


A Escola de Frankfurt era basicamente um grupo de pensadores alemães que viviam nesta cidade e que não viam com bons olhos as novas mídias que emergiam na época - o rádio, a televisão e principalmente as reproduções em disco. Segundo eles, a reprodução em escala industrial das obras de arte destruiria a aura mágica do "original" e do "único" e, num último grau, mataria a diversidade e acabaria por criar uma cultura global homogênia e facilmente controlável pelas forças opressoras das classes dominantes.

Era a emergente Cultura de Massas, baseada no que se chamava de Broadcasting, onde poucos veículos emissores difundiriam a informação que seria consumida por uma ampla massa de receptadores passivos.

Papo de comunista mal amado, eis a verdade. O triste é que esse pensamento contaminou o meio intelectual por mais de meio século - e ainda continua contaminando! - apesar dos surtos de pós-modernismo dos anos 60. Aliás, pós-modernismo é um termo que até hoje ninguém soube explicar satisfatoriamente. Talvez a melhor explicação seja: a tentativa de sintetizar uma cultura que por sua própria natrureza, não pode ser sintetizada. Ou seja, uma desonesta manobra por parte de filósofos e pensadoreas para manterem seus empregos.

Por sorte, nosso populacho, livre de patrulhamentos ideológicos e culturais - posto que o que ele produz não é considerado cultura - conseguiu subverter o termo Cultura de Massas. Tudo porque ele soube, mais do que qualquer outro povo de qualquer outro país do mundo, fazer bom uso das novas mídias digitais.

Enquanto as classes dominantes ficaram enxugando gelo e chorando as pitangas diante da impossibilidade de se criar um mercado viável para a música diante da queda do controle sobre os direitos autorais, o povo não sabia dessa impossibilidade e por isso, conseguiu criar seu mercado.

O inicio da revolução proletária se deu nos camelódromos, no começo dos anos 90. Era a época das fitas cassete, mas somente os durangos consumiam aquelas infames fitinhas, pois a qualidade do som não chegava aos pés dos originais. Com o advento dos CDs o cenário começou a mudar, já não eram só os durangos que frequentavam os camelódromos, mas também os primeiros consumidores pragmáticos que levavam em conta a relação custo/benefício na hora de comprar discos.

Não se sabe se o mercado por si só teria dado conta do recado, o que se sabe é que duas mentes visionárias foram fundamentais para que a revolução tomasse o rumo que tomou - Chimbinha da banda Calypso e Antonio Isaias, empresário dos Aviões do Forró.

Chimbinha não tinha empresário nem gravadora, mas tinha a cara e a coragem. A cara para dar aos tapas batendo de porta em porta das rádios para implorar que tocassem suas músicas e a coragem para reinvestir tudo o que ganhava, em CDs do disco de estréia da sua banda que eram vendidos a preços praticamente de custo para os logistas das cidades em que se apresentava. Foi o primeiro a fazer uso inteligente do barateamento das gravações. Depois de dois anos praticamente passando fome em cidades nem sempre maravilhosas, a estratégia deu certo e hoje ele tem mansão em Alphaville e jatinho particular. Além de fazer de sua banda um paradigma de ruptura dentro da musica brasileira, mas isso já é outra história.

Antonio Isaias foi mais radical. E mais esperto. Ao invés de vender seus discos a preços de custo e esperar pela sorte de alguém comprar em uma loja, resolveu dar os discos de graça para quem fosse aos shows dos Aviões. Eram os Promocionais Invendáveis. A vitória do ovo de um colombo histórico diante do ovo dourado de uma galinha folclórica. E a esperteza residia no fato de que, uma vez que os CDs não eram comercializados, estavam livres para gravar qualquer música, sem o empecilho de ter que pagar direitos autorais. Em menos de dois anos os Aviões passaram a ser a maior banda de forró do mundo e a empresa de Isaias, a mais poderosa do mercado. E a mais polêmica e criticada, mas isso também já é outra história.


Isaias Duarte - ou Isaias CD - o homem forte da A3 Entretenimentos


Paralelamente a estas empreitadas invodoras, popularizava-se no Brasil a banda larga e as redes sociais, que o povo recebeu entusiasticamente, principalmente o Orkut e o MSN. Popularizaram-se os downloads. Os camelôs logo se reiventaram e passaram a trabalhar mais em cima dos DVDs, o que ajudou ainda mais na divulgação dos artistas, pois junto ao som foi adionada a imagem, para beneficio de todo mundo. Nunca tinha se consumido tanta música nesse país.

As classes dominantes continuavam enxugando gelo e a música "séria e de qualidade" produzida e consumida por essas classes permanecia numa espécie de stand by, no aguardo da resolução dos problemas de direitos autorais. O povo, ignorando esses problemas e diante de uma enorme oferta, acabou por obrigar a demanda a se qualificar, ou seja, os artistas se viram forçados a se diferenciarem da grande concorrência, fazendo de nossa música popular a torna-se a mais rica e diversificada do planeta.

O paradigma da Cultura de Massas, aquele onde poucos veículos emitiam uma informação que seria consumida por uma população passiva estava mudando. A informação passou a ser distribuída em rede. O termo hit passou a dar lugar ao viral. Era o começo do fim do Broadcasting.

Só que outra bronca dos malas de Frankfurt continuava de pé: a reprodutibilidade técnica e o fim da aura mágica" do "único" e "original". E não é que o povo brasileiro, com seu famoso jeitinho, conseguiu dar cabo disso?

A coisa toda começou lá no Ceará, no mesmo começo dos anos 90 em que as fitas cassete começaram a proliferar. Foi um cara chamado Chiquinho, da Discofran de Viçosa no Ceará, que começou a gravar os shows a partir da mesa de som onde trabalhava nos eventos. A principio era para ele mesmo escutar em casa e no carro, mas com o tempo, mais pessoas passaram a se interessar pelas gravações e ele passou a vender as fitas - inclusive alguns shows ele lençava em vinil! Inaugurou-se um mercado que foi crescendo aos poucos.

Na verdade era uma bomba relógio esperando o estopim digital para explodir.E a explosão aconteceu.

Foi tudo tão rápido e tão recente que talvez esse seja um dos primeiros artigos da imprensa a abordarem o tema. É dificil rastrear quem foram os pioneiros, isso demandaria uma pesquisa longa que estrapola os limites deste post, mas a coisa começou lá pela metade dos anos 00, quando as máquinas de múltiplos gravadores dos pirateiros passaram a serem usadas para reproduzir em CD as gravações dos shows assim que eles ocorriam. Esses discos eram disponibilizados para venda na saída, como souvenir.

Uma idéia genial, afinal de contas, quem não gosta de escutar no conforto de seu lar aquele show bacana que tanto o divertiu ou emocionou? Surgiam assim os chamados Fulanos CDs, gravadores que passaram a ser tratados como estrelas, disputando entre si quem tinha a fama de melhor qualidade na gravação. China CDs, Gustavo CDs, Clebemilton CDs, surgiram centenas deles. Daí para as gravações cairem nas redes sociais foi um pulo, mais inevitável que uma derrota em Copa do Mundo tendo um Dunga no comando e um Grafitte entre a lista de convocados.

São centenas de comunidades para downloads de shows no Orkut. Além da qualidade de gravação, a velocidade na postagem dos links para download passou a ser fator de concorrência entre os Fulanos CDs, criando entre o público uma nova forma de consumir música. Agora o pessoal não se contenta mais em escutar o último promocional de sua banda preferida, agora a galera quer escutar o show mais recente. E consegue.

Se a banda Garota Safada tocar hoje de madrugada em Patos da Paraíba, o fã que mora Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, pode escutar a gravação - com boa qualidade - antes que o dia amanheça.

Por essa, certamente os sizudos pensadores de Frankfurt não esperavam. Se eles queriam a unicidade de cada apresentação ou apreciação de uma obra de arte, aí está! Com a vantagem de que estas apresentações únicas estão aí para todos, de graça. É a classe operária indo ao paraíso.

É certo que essa cultura libertária ainda não foi disseminada homogeniamente por todo o país. O Sul/Sudeste - olhe que curioso dizer isso! - ainda está muito atrasado com relação ao Norte/Nordeste. Pra se ter uma idéia, o pessoal do Norte, mais especificamente a cena tecnomelody de Belém, a muito abandonou o conceito ultrapassado de disco e trabalha majoritariamente em cima de singles, coisa que as bandas mais descoladas do primeiro mundo estão apenas engatinhando na prática. Enquanto isso, os artistas de sertanejo ou pagode do Sul/Sudeste ainda estão na fase de distribuir CDs de graça nos shows.

Mas é uma questão de tempo. A crônica da morte anunciada da indústria fonográfica é implacável. Os pagodeiros e sertanejeiros - e toda a produção musical do Rio Grande do Sul, infelizmente - ainda estão muito amarrados ao esquema das gravadoras. Falta um Chimbinha ou um Antonio Isaias no setor. O Sorocaba, que faz dupla com Fernando, era um vislumbre de esperaça quando arquitetou na base da independência o fenômeno Luan Santana. Mas foram ambos cooptados pela Som Livre, a gravadora que atualmenta representa o maior perigo para a moderna música sertaneja, mas isso, mais uma vez, é outra história.

O legal de tudo isso é que essa inversão completa do paradigma da cultura de massas não foi empreendida por meia dúzia de intelectuais ou artistas metidos a vanguarda, mas sim por uma massa anônima e caótica, que se auto-organiza espontaneamente, supera as contingências e se diverte pra cacete.

Claro que os repeitáveis acadêmicos estudiosos de Frankfurt torçem o nariz quando alguém passa na frente de sua casa escutando alto no som do carro coisas como "Você diz que não me ama / você diz que não me quer / mas fica pagando pau..." e com certeza se recusarão a admitir que terão que aprender tudo de novo. Claro também que os respeitáveis músicos da MPB também torçem o nariz quando ouvem coisas como "Na sua boca eu viro fruta / chupa que é de uva..." e com certeza se recusarão a admitir que a "linha evolutiva da musica popular brasileira" é apenas uma linha, arbitrária e equivocadamente criada, que não representa em nada a realidade musical desse país.

Azar o deles. Na hora em que eles vierem com a cebola e o tomate, já estaremos com o molho pronto, o churrasco no fogo, a cerveja gelada, o som no talo e fazendo a maior festa sobre os escombros de Frankfurt.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Avesso da Tropicália

Nando Reis é um cara bacana, boa praça mesmo. Seu novo DVD, lançado no final de semana passado está aí para confirmar isso. E mais. Trata-se de uma demonstração de coragem e atitude diante da pasmaceira e mediocridade generalizada que impera entre os artistas da MPB. Para o que ele definiu ampliação de suas próprias fronteiras, chamou para participar do show alguns dos nomes mais desprezados palo status quo: a Banda Calypso e a dupla Zezé di Camargo & Luciano.

O repertório também não foi nada convencional. Tem Roupa Nova – a banda mais subestimada deste país – Calcinha Preta, Wando e também o anátema da crítica especializada: Guilherme Arantes. Não faltou gente dizendo que trata-se de uma suicídio comercial. Balela. É visonarismo dos bons, isso sim. E está faltando gente com visão nesse país.

É chocante constatar que o sexagenário Caetano Veloso seja uma das únicas vozes a afirmar em palestras, congressos e entrevistas que a Banda Calypso é revolucionária, que a nova cena do pagode baiano é riquíssima. Com isso em mente resolvi esse mês reler seu livro Verdade Tropical e acabei por contatar paralelos interessantes entre o cenário musical atual e o do final da década de 60.

Quando Caetano e seus baianos se mobilizaram para criar um movimento que acabou por receber o nome de Tropicália tinham em mente implodir o sectarismo que existia entre a dita MPB séria e engajada, a jovem guarda e a cultura de massas internacional. Se observarmos com atenção, hoje em dia este sectarismo voltou a ocorrer. Esse DVD novo do Nando Reis – por sua pecularidade – e as declações de Caetano – por sua singularidade – são exceções que confirmam a existência de uma regra. Sem medo de errar, afirmo aqui nesta coluna que uma nova Tropicália se faz necessária. Só que com um pequeno desvio de rota.

Ao invés de integrarmos a nossa MPB séria à cultura de massas internacional, devemos integrá-la à cultura de massas interna. Sim, existe uma cultura de massas genuinamente brasileira em plena vitalidade, embora a crítica se recuse a considerá-la como cultura. Igualzinho ao que ocorria nos 60 com relação ao pop americano, era considerado lixo cultural.

Gente! Sertanejo é cultura de massas. Pagode é cultura de massas. Forró é cultura de massas. O nosso Tecnomelody idem. Existe um antagonismo gritante entre esses gêneros e a MPB e tudo o que é considerado de “bom gosto” nesse país.

Não seria bacana se o próprio Caetano se atentasse a isso e fizesse um reload de seu movimento dos anos 60? Para que uma ruptura paradigmática ocorra no senso comum, precisamos de nomes de peso do nosso lado. Estamos entrando nos anos 10, a década da imagem de um Brasil Pop perante o mundo. Amazônia, Pré-Sal, Copa do Mundo, Olimpíadas, as evidências são várias. Todas as atenções estarão voltadas para cá na década que se inicia. E que música pop apresentaremos ao mundo? Essa MPB rançosa que chafurda na herança maldita da bossa nova? Espero que não.

Eu costumo brincar que a Tropicália usava o mote antropogagia para conceitualizar seu movimento e que agora temos que mudar para autopofagia. Expliquei minha teoria para o porteiro do prédio onde eu trabalho. Ele coçou a barba e como é daquelas pessoas que quando se comovem com alguém que tenho um problema sem solução, sempre tentam ajudar, me veio com essa:

- Que tal fazer um Reality Show com essa gente toda? Essa coisa de manifesto, movimento, isso não cola mais hoje em dia com essa moçada que só quer saber de Internet.
- Como é que é?
- Ponha esse povo todo, esses cantores, trancados todos juntos dentro de um estúdio por 90 dias e vê o que eles conseguem fazer.

E não é o que o seu Amaral, mesmo provavelmente não tendo entendido patavinas da minha cantilena sobre Autopofagia e nunca tenha ouvido falar da Semana de Arte Moderna, conseguiu intuir uma parada bacana. Imaginem se um canal de TV abraçe essa ideia e convoquem para um confinamento criativo a Gaby Amarantos, o Maderito, o Waldo, o Chimbinha, o Sorocaba, o Victor Chaves, o Edu Luppo, o Belo...? Seria, no mínimo, interessante, e no máximo, a salvação da MPB

E tudo teria saído da cabeça de um porteiro. Isso não é lindo?

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