O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Timpin Pop Festival

Os pessoal do grupo da Revista Bizz no Facebook me intimou a fazer a escalação dos artistas que tocariam numa hipotética versão do Rock in Rio, só com artistas da verdadeira música popular brasileira. Como sempre sonhei com um festival assim, fiz a lista com enorme prazer e compartilho aqui com vocês. Mas em troca, peço que me ajudem na caixa de comentários a criar um nome adequado. Numa dessas até apresento pro roberto Medina ou algum outro empresário visionário. De uma coisa tenho certeza, a parada seria revolucinária e teria repercussão mundial. Algo perfeito para ser feito no ano da Copa do Mundo. Que tal?


Primeiro dia: Axé for World > Palco Principal: Tomate, Netinho, Chicabana, Cheiro de Amor, Asa de Águia, Chiclete com Banana, Claudia Leite e Ivete Sangalo. > Palco secundário: Timbalada, Daniela Mercury, Carlinhos Brown.

Segundo dia: Amazônia for world > Palco Principal: Ravelly, AR-15, Bruno & Trio, Viviane Batidão, Banda Batidão, Gaby Amarantos, Gang do Eletro e Calypso. > Palco secundário: Felipe Cordeiro, Lia Sophia, Wanderley Andrade.

Terceiro Dia: Forró for World > Palco Principal: Mastruz com Leite, Magníficos, Limão com Mel, Calcinha Preta, Saia Rodada, Forró do Muído, Garota Safada e Aviões do Forró. > Palco Secundário: Geraldo Lins, Dominguinhos, Arreio de Ouro.

Quarto dia: Swingueira for World (esse dia eu não perderia por nada) > Palco Principal: Black Style, A Bronkka, Raghatoni, Saiddy Bamba, Guig Guetto, Parangolé, Edcity e Psirico. > Palco Secundário / Arrocha Celebration: Edu & Marial, Trio da Huana e Bonde do Maluco.

Quinto dia: Sampagode for world > Palco Principal: Rodriguinho, Pixote, Cupim na Mesa, Sorriso Maroto, Revelação, Inimigos da HP, Jeito Moleque e Exaltasamba. > Palco secundário: Diogo Nogueira, Turma do Pagode e Fundo de Quintal.

Sexto dia: Vanera for World > Palco Principal: Enzo & Rodrigo, Banda Vanera, Balanço do Tchê, Talagaço, Tchê Barbaridade, Garotos de Ouro e Tchê Garotos. > Palco secundário: Chiquito & Bordoneio, Ivonir Machado e "show de dança" com a Patrulha do Maxixe.

Sétimo dia: Baile for World > Palco Principal: Banda Passarela, Musical JM, Banda Real do Paraná, Musical São Francisco, Danúbio Azul, Flor da Serra e Terceira Dimensão.

Oitavo Dia: Lambadão Pantaneiro for World > Palco Principal: Lucianinhos dos Teclados, Banda Ellus, Os Three Boys, Os Federais, Grupo Chamegar, Os Ciganos, Erre Som e Banda Styllus.

Nono dia: Sertanejo for World> Palco Principal: João Carreiro & Capataz, Michel Teló, João Bosco & Vinicius, Fernando & Sorocaba, Jorge & Mateus, Luan Santana, Victor & Leo e Bruno & Marrone. > Palco secundário: Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zézé di Camargo & Luciano.

Décimo e último dia: Brazilian Salada Mix for World> Palco único: Reginaldo Rossi, Dj Maluco & Alladin, João do Morro, Capim Cubano, Mr. Catra Tayrone Cigano, Banda Kitara, MCs Cego & Metal (+ MC Sheldon), Stefhany, Pank Brega, Silvano Salles, 3 na Palomba, Bonde do Forró e Latino

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

TAKAFOGO NELE MESMO - O eletromelody que a Gang deve para este cabaret

William Love, cantor da Gang do Eletro

Piada interna que só o pessoal da Gang, Juca Culatra & Piranhas Negras, Calibrown, alguns adeptos da seita Coletivo Fora do Eixo e quem leu ESTE TEXTO, podem entender...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A baixa literatura de algumas letras de forró

No mundo do forró os fãs costumam tratar seus bandas prediletas como times de futebol e não raro ocorrem eventos semelhantes a brigas de torcidas. Eles defendem suas bandas com unhas e dentes e procuram denegrir as bandas "adversárias". Uma dos casos mais evidentes é o que ocorre entre Aviões do Forró e Garota Safada. Existe até uma baixa dedicada ao assunto.


Um dos temas ultimamente mais abordado nesses embates são as letras de qualidade duvidosa. No entanto um internauta chamado Gustavo fez uma relação que prova que pedras devem ser jogadas com muita moderação, pois a maioria das bandas tem teto de vidro. Veja a relação abaixo:

Limão com Mel
"Esse vaqueiro é ruim que dói. Esse cavalo é ruim que dói. Esses dois são ruim que dói." (Criatividade!? Romantismo!?)

Mastruz Com Leite
"Jogaram uma bomba, no cabaré... Voou pra todo canto pedaço de mulher" (Cadê as letras que falam de poesia, do homem sertanejo!?)

Noda de Caju
"Tinrintintin" "Chama na grande" "Cachorrão" (Momento tragico do vaneirão do noda)

Calcinha Preta
"Que foi que eu fiz pra você Mandar os "homi" aqui vir me prender" (Preciso comentar?)

Garota Safada
"Toda vez que eu bebo eu invoco o He-Man He-Man! He-Man!" (Linda Letra neh?)

Aviões do Forró
"Bara bara bara bara Bere bere bere Bere bere bere Bara bara bara bara (Acreditem, essa perola é do Dorgival Dantas)

Forró do Muído
"Chame Bina,Chame Ela, Será que Bina vem com nós?" (Eu hein!)

Cavaleiros do Forró
"Olha o menino, Olha o menino, Olha o menino de papai" (Saudade da Cavaleiros romantica...)

Saia Rodada
"É o seu vizinho que quer comer meu cuuelhinho" (Não acredito que uma musica assim consagra uma banda)

Furacao do Forró
"O que a cachaça fez comigo? Eu to louca, louca, louca." (Louco devia estar quem escreveu isso!)

Solteirões do Forró
"Vai safadinho, vai vai safadinho Vai Vai Vai" (Amo esse tipo de refrão rico em conteudo)

Forró Real
"Quem vai querer a minha piriquita? A minha piriquita? A minha piriquita?" (Alguém!?)

...

Esta relação foi obtida na comunidade Círculo de Forró

sábado, 17 de setembro de 2011

Top Five Gang do Eletro 2011

Neste exato momento a Gang do Eletro se encontra no estúdio gravando seu CD de estréia. Aproveitamos a deixa e disponibilizamos um arquivo com cinco dos melhores eletromelodys que eles fizeram em 2011. Divirtam-se!

Clique e baixe já! > Top Five Gang do Eletro 2011

Keila Gentil, a cantora da Gang demonstra na faixa "Dançando no Salão" que além de saber fazer caipirinha, ainda sabe cantar calypso. Joelma que se cuide!

Bruno & Marrone acertam a mão em disco novo, mas a assessoria erra feio

Em pleno segundo semestre de 2011, a assessoria da dupla Bruno & Marrone solicitou que o site Blognejo retirasse de sua página as músicas do CD novo, disponibilizadas para audição. Isso mesmo, elas estavam disponíveis apenas para audição e não para o famigerado e temido download.


Uma postura dessas pode até ajudar nas vendas do disco, para o sucesso do mesmo e consequentemente para a carreira dos artistas é altamente prejudicial. Até a cadela da vizinha sabe que hoje em dia os downloads gratuitos são a maior ferramenta de divulgação de qualquer artista.

O mais triste é que esse disco é um dos melhores lançamentos sertanejos neste 2011 conturbado para o segmento, quanto muita coisa de qualidade duvidosa anda sendo lançado sem critério algum, tendo em vista apenas o sucesso fácil e fortuito. O nosso Cabaret vai corrigir esse deserviço que a assessoria de Bruno & Marrone prestou à dupla, disponibilzado o CD na íntegra para nossos mui estimados frequentadores. Clique e faça o download.

sábado, 10 de setembro de 2011

Robô da Gang - Trecho do show da Gang do Eletro no Terruá Pará 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Eu não aguento mais escutar Paula Fernandes

Eu não aguento mais escutar Paula Fernandes. Não que eu escutasse Paula Fernandes antes, gostava da "Pássaro de Fogo" e só. Só que agora ela é onipresente, você escuta mesmo sem querer, os outros fazem o serviço no seu lugar. O pior é que mesmo que você curta, sei lá, uluzudum da Africá Central, já deve ter uma versão em uluzudum de "Eu quero ser pra você".


Acho Paulo Fernades muito chato porque tudo ali é muito calculado para estar certinho. Até o babadinho com o Roberto Carlos tem um quê de cálculo. Paula Fernades é como uma Marisa Monte. É tanta engenharia envolvida que assistir um show dela é tão emocionante quanto assistir a construção de uma ponte.

Fora que andam dizendo por aí que ela é um porre de pessoa. Em tempos de Twitter e Facebook essas histórias correm e se multiplicam. Dizem também, os defensores, que ela é bipolar e toma uns antidepressivos. Eu não quero nem saber, mas acho essa questão muito chata. Até aí nenhuma novidade, não é mesmo?

A única coisa legal que tem na Paula Fernandes ela não explora, que é aquela história de que ela era namorada de Victor, da dupla com o Leo. Segundo consta no Santuário da Fofoca Universal a música "Meu eu em você", um jovem Victor, enamorado de uma mais jovem ainda Paula, fez para sua amada como prova de amor.

Mas enfim, não estou dizendo que o DVD de Paula Fernandes seja ruim. Apenas estou exercendo o direito constitucional da livre expressão. E isso inclui a liberdade de dar palpites. E eu tenho um palpite para dar sobre Paula Fernandes - e Marisa Monte também, chama ela - o que falta para elas sabe o que é? Uma calça jeans encardida e um tanque de lavar roupas.

Tenho certeza que o tanque vai olhar dentro dos olhos das duas e vai dizer: "Vai se entregar pra mim / pela primeira vez..."

domingo, 4 de setembro de 2011

Jeane do Brega e a melhor introdução de clipe do ano

A era dos clipes caseiros virais ainda não completou meia década, mas já se pode observar alguns padrões. Letra com algum elemento diferencial, uma dança engraçada e alguma absurda, totalmente sem noção em algum ponto da gravação. O clipe de Jeane do Brega atende a esses requisitos. Claro, eu posso estar errado, o exercício de previsão nessa área é sempre uma atividade de risco. Mas só de ontem pra hoje foram mais de 60.000 visualizações. Se cair nas graças de ser regravada por pseudo-celebridades do calibre de uma Preta Gil - como foi o caso da Stefhany em 2009 -, aí fechou a polenta. De qualquer forma eu aposto na menina e ela já é considerada uma das musas de nosso Cabaret. Com vocês A JÉANE!

sábado, 3 de setembro de 2011

Grupo Tradição e o novo caldeirão - a revolução vem de Campo Grande

De todas as influências que podemos destacar da moderna música sertaneja, o grupo sul-matogrossense Tradição é a mais forte. Os produtores Dudu Borges e Ivan Myazato fizeram escola na banda. Michel Teló era vocalista. O produtor, manager e marido de Jannayna, Carlos Dias, era baixista da banda. E por fim, Anderson Nogueira, que além de ter lançado um exelente disco solo como cantor, toca bateria na maioria absoluta de hits sertanejos da atualidade. O mesmo pode ser dito do percussionista Wlajones. Só que, como se pode notar pelas frases acima, nenhuma deles ainda está na banda. Mas então, o Tradição acabou? Nada!

Leandro, Marcio, Guilherme, Jeffinho, Leko e Pekois

Sob a liderança do guitarrista Wagner Pekois, o Tradição montou uma nova e jovem formação e durante os ultimos vinte meses lançou-se à estrada em turnês constantes pela região sul, meio à margem da mídia, arredondando seu repertório e introsando os novos membros. No primeiro semestre deste ano gravaram seu primeiro DVD no balneário de Camburiu, que está prestes a ser lançado. Hoje saiu o primeiro clipe do DVD, com a música "To Solteiro", que pode ser conferido aqui no Cabaret, com exclusividade.


Além do remanescente Pekois, o novo combo do Tradição é formado pelos irmãos Guilherme Bertoldo nos vocais e Leonardo, o Leko nas baquetas. Os dois são gaúchos e tocavam na banda 4 Gaudérios. Para substituir Gerson Oliveira, um dos melhores sanfoneiros do Brasil - e o único remanescente dos veteranos que sumiu do mercado - Gerson Nogueira, a responsabilidade caiu nas mãos do jovem descendente de indíos Jeffinho Vilalva. Escolado na arte do Chamamé. Jeffinho é oriundo do Grupo Zíngaro, assim como o baixista Leandro Azevedo. Tampando o caldeirão, o percussionista Marcio Pereira, recrutado dos campo-grandenses Mensageiros do Oeste.

Encontrei os meninos quando passaram por Curitiba no mês passado. Pela quantidade de palhaçada que uns faziam com outros e pelas histórias engraçadas contadas, dá pra ver que a sinergia do grupo está boa. Mas o que realmente me supreendeu foi o senso de responsabilidade e liderança do cantor Guilherme Bertoldo. Toda a vez que eu fazia uma pergunta mais cabeluda e direcionava para o Pekois, depois de poucas frases do guitarrista Guilherme já chamava o assunto para si. Guilherme sabe o que quer e demonstrou determinação em fazer acontecer.

Isso é particularmente interessante sob o ponto de vista do que foi discutido na conversa: os novos rumos da música sertaneja. Enquanto o resto da manada volta suas atenções para a região nordeste numa relação cada vez mais promíscua - no bom e no mal sentido - com o forró, o axé e o arrocha, Guilherme quer investir cada vez no diferencial do Tradição, que é o vanerão gaúcho e todas as suas variante. A música gaúcha sempre encontrou enormes dificuldades em se modernizar e o Tradição sempre foi sua válvula de escape, apesar da banda ser de Campo Grande.


Com a consolidação da música sertaneja como a nova música jovem no Brasil e depois do estouro de Luan Santana, soa meio óbvio a todos que só o que falta é uma boa banda, que dê continuidade a esta revolução. Dentre as existentes podemos listar Kanoa, Rhaas, Seu Maxixe, Amigos Sertanejos, mas todas elas possuem aquela característica em comum que foi citada, estão com os ouvidos voltados pro norte. Só o Tradição está buscando sul a base de sua criação.

Mesmo soando tradicionais - afinal surgiram fazendo isso nos anos 90 - e fazendo juz ao nome, ao ficarem sua base criativa no sul, o Tradição acaba se saindo inovador. A musica sertaneja atual foi influenciada pela antiga formação da banda. Será que esses moleques afeiçoados a uma boa macaquiçe conseguirão fazer o mesmo com a geração futura?

Como diria Napoleão Bonaparte, no sermão da montanha: - Vai saber... Mas que o caldeirão vai tremer, isso vai!

Banda Uó, uma lição de vida e os caminhos do novo pop brasileiro

O texto seguinte foi escrito por Vladimir Cunha, provavelmente a algumas horas atrás e provavelmente sob o efeito de muita cerveja. Mas é um texto lindo. Esta jóia foi postada no Facebook, nem pedi autorização para a reprodução, mas não creio que ele vá invocar. Vladimir é jornalista freelancer e cineastar. É dele a direção do filme Brega S/A que pode ser assistidona íntegra no final da postagem. Boa leitura!

Banda Uó, uma lição de vida e os caminhos do novo pop brasileiro

Eu e DJ Maluquinho, um dos inventores do tecnobrega, começamos a encher a cara desde cedo. Daí o nosso estado precário quando a Banda Uó subiu ao palco para encerrar o primeiro Eletronika Belem.

O sujeito estava começando a ficar meio perigoso, quase sem conseguir andar direito, tropeçando nas próprias pernas, mas esperto o suficiente para roubar umas latas de cerveja da área vip do festival quando se ligou que o bar ia fechar e perigava da birita já não rolar tão fácil.


Mas nada que o impedisse de entrar de bicão na discotecagem de Rodrigo Gorky, o gordinho nerd que descobriu que podia ser alguém quando inventou o Bonde do Rolê e embalou o funk carioca para o resto do mundo.


Bonde do Rolê, Banda Uó...diversas encarnações da obsessão de Gorky em dialogar com a música da periferia brasileira. Primeiro o funk. Depois o tecnobrega de camisas xadrez, bonés de grife e bigodes propositalmente cafonas, como se tudo o que a música de massa brasileira já produziu terminasse em ironia.


O show acaba, mas ninguém sai do palco. A discotecagem de Gorky começa. Depois de um tempo sumido, Maluquinho dá as caras novamente. Olho para o sujeito e penso “caralho, esse filho da puta tá tão doido que se mijou todo”.


“Que porra foi essa, rapá?”, pergunto.

“O que?”.

“Isso aí na tua calça”.

“Ah, porra, é que deu merda”.


Pra minha surpresa, ele mete a mão no bolso e tira uma lata de cerveja toda amassada, que havia acabado de estourar dentro das suas calças. Ele ri, bebe um resto que havia ficado no fundo e joga a lata no chão.


Maluquinho pode até ser meio doido, mas não é burro. Fica parado um tempo observando Gorky discotecar e me pergunta de onde ele é. Digo que não sei. Maluquinho fica quieto. Mila, hit dos meus tempos de axé no bloco do Shopping Picanha, causa uma comoção inesperada e transforma a pista do Eletronika em uma micareta hipster.


“Porra, Vladimir, tu sabe qual é o problema desses DJs da burguesia?”, me pergunta Maluquinho já emendando a resposta, “O problema deles é que eles não falam no meio da música. Eles não mexem com a galera, não mandam abraço, não pedem palmas, não sabem interagir”.

“Então vai lá em cima e pega o microfone, porra”, respondo.


Mal termino a frase e Maluquinho já está no palco. Dago Donato faz a ponte e logo parece que Maluquinho e Gorky são parceiros de longa data. O que era apenas uma discotecagem vira um acontecimento que dificilmente será esquecido por quem foi à primeira noite do Eletronika Belém.


Porra, Maluquinho é puta velha e sabe de trás para frente todos os truques que fazem a massa se remexer. Gorky entra na onda e logo manda umas bases espertas na medida para Maluquinho improvisar uns tecnobregas, mandar abraços pras meninas, pros casados, pros solteiros, para as bichas e para as vadias. A rapaziada aprova a presepada e invade o palco. A temperatura sobe e a inibição diminui. Meninas rebolam, um rapaz tira a roupa e fica só de cuecas. House vagabundo, Alceu Valença, Chiclete com Banana, funk carioca e tecnobrega. Gorky e Maluquinho no comando da sacanagem. É hora de gritar “vai, vai, vai”. É hora de rolar o treme-treme. É hora do sexo e da safadeza. “Pega fogo cabaré”, grita Maluquinho relembrando uma expressão antiga dos puteiros da zona boêmia de Belém. Dá certo. O cabaré pega fogo e a festa vira uma zona. Eu roubo uma cerveja de Gorky e encontro André Paste emocionado por finalmente ver um astro tecnobrega em ação. Dago ensaia uns passos de dança. Um casal se joga no chão e simula uma cena de sexo. Bonde do Rolê e Banda Uó dançam. Todas as conexões possíveis que um festival como o Eletronika poderia supor sendo estabelecidas ali, naquele momento. Do palco, localizado de frente para a Baía do Guajará, vejo a zona portuária da cidade, o berço de todas as interseções culturais de Belém desde o final dos anos 50, quando os primeiros discos de merengue e os primeiros rádios solid state chegaram à cidade através da rota de contrabando estabelecida a partir do Caribe e das guianas.


Ninguém agüenta mais. Mentira, as pessoas agüentariam sim. Só que a festa precisa acabar. Maluquinho quer beber mais, puxa um bolo de notas de cem do bolso e sai perguntando onde dá pra comprar whisky. Roubo a chave da sua moto e mando ele pegar um táxi, já meio preocupado que aquela noite termine em tragédia, afinal ninguém quer assistir ainda ao nascimento do James Dean tecnobrega. O salão se esvazia aos poucos. Ir embora pra que? Mas já deu, daqui o pouco é outro dia.


São seis da manhã no mercado do Ver-O-Peso. Na Barraca da Carioca, espero ela fritar um filé de dourada enquanto bebo a última cerveja da noite e a primeira da manhã. Os raios de sol começam a aparecer por detrás dos casarões antigos do centro comercial de Belém quando uma discussão atrai a minha atenção. Dois feirantes brigam. O negócio fica feio, o clima pesa. Um feirante puxa uma faca peixeira e parte pra cima. Eu, que já me preparava para sangue, tragédia e um corpo no local, respiro aliviado quando tudo o que rola é bate-boca, ânimos apaziguados e a turma do deixa disso.


O clima volta ao normal e enquanto como o filé de dourada com uma providencial coca-cola fico pensando na noite de hoje e em uma frase que Marcos Maderito, principal MC da Gang do Eletro, havia falado horas antes enquanto debatíamos o futuro do tecnobrega. “A galera tem que se tocar que o futuro já está acontecendo”, disse ele quando perguntado sobre a importância do estilo hoje. Caralho, eu jamais achei que fosse viver para ver Marcos Maderito e William Gibson alinhados em uma mesma corrente de pensamento. Afinal foi o escritor canadense de ficção científica quem disse, em 1993, que “o futuro já está acontecendo”.


Na volta pra casa, largado no banco de trás do táxi, fico ruminando a frase de Maderito. Penso nas implicações do futuro ser agora, da possibilidade de apropriação de uma revolução tecnológica e apolínea na construção de uma nova configuração de realidade mais dionisíaca e interessante. Volto ao Ver-Peso, à imagem de dois feirantes que comiam ao meu lado enquanto trocavam os últimos lançamentos do tecnobrega via Bluetooth. É um novo momento, malandro, sagaz e otimista, como Maluquinho e Maderito, e não pessimista e angustiado, como Bruce Sterling e William Gibson. O táxi percorre as ruas do centro comercial de Belém. Vou levar pelo menos uns 40 minutos para chegar em casa. Mesmo bêbado e cansado, ainda consigo me sentir feliz, com a certeza de que o futuro não é mais como era antigamente.


Brega S/A - O filme

BREGA S/A from Gustavo Godinho on Vimeo.

domingo, 28 de agosto de 2011

Dançarinas dos Aviões do Forró na Playboy

sábado, 27 de agosto de 2011

Cabaret Top Single Um


domingo, 21 de agosto de 2011

O encontro de Xandy Avião e Gusttavo Lima


Depois de ter figurado na coletênea "Assim você me mata", com as regravações mais constrangedoras da música sertaneja em 2011, Gusttavo Lima resolveu estender o "conceito" para o visual. O mais provavel que tenha acontecido é que durante os ensaios no PROJAC para o Criança Esperança, Gusttavo tenha conseguido acesso ao guarda-roupas de Agostinho Carraro e "dado um ganho" num modelito. Na fuga do local tropeçou em um fio desencapado e levou uma descarga elétrica de 220V. Foi socorrido por Xandy, cantor dos Aviões do Forró. Com a coluna doendo por causa de um mal jeito na queda, Gusttavo escora-se em Xandy e bate esta foto.

sábado, 20 de agosto de 2011

A semana no Forró

aResumão do que aconteceu no forró no última semana.

- Calcinha Preta está em turnê pela Europa. Os shows ocorrerão na Itália (Milão), Espanha ( Madrid e Barcelona), Portugal (Porto e Lousada) e na Holanda (Amsterdã). A banda inclusive anda causando frisson em sua passagem pelo velho mundo, a música "Será que vai rolar?" ainda em alta rotatividade nas raves de Ibiza e Saint Tropez, em versão technoforró.


- Os últimos meses tem sido bem agitados para o Forró do Muído. O novo cantor Naldinho não foi bem recebido pelos fãs, que fizeram uma verdadeira marcha virtual nas redes sociais implorando pela volta de Binha Cardoso. A cantor Simaria não ficou em cima do muro e deu a entender que apoiou a causa dos fãs. Inclusive insinuou que sairia da banda junto com a irmã Simone para integrar um suposto "Forró das Coleguinhas" e segundo fontes, brigou feio com o chefão da A3 Entretenimentos Isaias Cds. Resultado: apartir do dia 10 de setembro Binha Cardoso volta pro Forró do Muído.

Binha Cardoso e Simaria Mendes - A força de uma amizade fez a diferença

- A banda Mala 100 Alça confirmou que fará parte da trilha sonora do filme Nego D´água. O filme, dirigido pelo autor e diretor Flavio Henrique, será ambientado no bairro do Angaray, uma colônia de pescadores de Juazeiro da Bahia e terá Maria Flor no papel principal. O grosso do elenco no entanto, será de artistas locais.

- É hoje a apresentação dos Aviões do Forró no Criança Esperança. Só que quem está esperando o reconhecimento da banda como o grande nome do gênero da atualidade, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Consta que a banda dividirá o palco com Roberta Sá e Geraldo Azevedo, cantando um pout pourri de forrós antigos. Na cabeça da produção, os dois convidados emprestariam respeitabilidade, coisa que difinitivamente os Aviões do Forró já possuem. Já Roberta Sá e Geraldo Azevedo precisam é de mídia, sumidos que estão e isso conseguirão às custas dos Aviões. Lamentável tudo isso.

Ensaio dos Aviões do Forró no Criança Esperança

- O Movimento Forró das Antigas, capitaneado por Mastruz com Leite, Magníficos e Limão com Mel vão fazer uma expensa excursão pelo estado do Pará, passando por cidades como Belém, Capanema, Bragança, Castanhal, Tucuruí e Marabá. Enquanto a atual geração do forró se enreda cada vez mais em intrigas, difamações e traições, o pessoal dos anos 90 demontra que a união faz a força.

- A cantor Samyra do Forró dos Plays fez ontem a cirurgia de retirada do útero em função de um câncer recentemente detectado. A banda não quiz escalar uma substituta e permanece em recesso enquanto aguarda a recuperação de sua líder.

Samyra Show, cantor do Forró dos Plays de licença médica

- É hoje em Natal a gravações do sexto disco de carreira da Garota Safada. A inovação fica por conta de que pela primeira vez se tratará de uma gravação ao vivo. A expectativa é grande, tanto na escolha do repertório - devido a recentes denuncias de cópias de músicas - quanto pelo resultado técnico final. O disco ainda não tem previsão de lançamento.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reginaldo Rossi - Leviana

Sem mais...

sábado, 13 de agosto de 2011

Na música brasileira: os Moralistas apresentam suas máscaras

Alguma coisa deve estar acontecendo na sociedade brasileira, cujos efeitos estão se refletindo no música. Não na música em si, mas na maneira como ela é percebida e aceita. Uma onda de moralismo está se esparramando pelo país, atingindo locais os mais inusitados, como por exemplo... este cabaret! Inconscientemente embarcamos nessa, só fui perceber o padrão agora.

Já fazem dez dias que postamos um coleção de singles sertanejos sob o título de "Assim você me mata", apontando os lançamentos recentes mais constrangedores. Era uma brincadeira, pelo eu não levei tão a sério - tanto montei um disco com elas e escuto bastante, mas o post teve uma certa repercussão que revela uma tendência. Um sentimento nostálgico que nem é tanto querer reviver o som do passado, mas sim rever o som passado e com isso qualificar o que se produz na atualidade e com isso criar o som do futuro.

Não é só no sertanejo que está acontecendo isso, no forró também e inclusive já está mais adiantado, um movimento já está organizado. O Movimento Forró das Antigas está em plena ascenção, com apresentações cada vez mais solicitadas encabeçado por três dinossauros do setor: Mastruz com Leite, Limão com Mel e Magníficos. Como no caso do sertanejo, o clima é retrô. Pra se ter uma idéia da dimensão dessa guinada no forró, o movimento conta agora com os reforços Painel de Controle, Cavalo de Pau, Lagosta Bronzeada e Calcinha Preta. Se eles excursionarem todos juntos, que é o que costumam fazer, pode colocar o nome da turnê de Jurassic Park Forró Tour 2011.

Sertanejo e forró movimentam um mercado gigantesco, o moralismo aqui está sendo leve, disfarçado no que poderíamos de chamar de juízo de valor estético. Em mercados mais periféricos, esse juízo de valor é praticado com mais despudor. Nas três maiores capitais da música fora do eixo Rio-São Paulo os moralistas estão mostrando suas garras. Recife, Salvador e Belém.

Na semana passada em Belém do Pará, a banda Gang do Eletro foi impedida de se apresentar em um show do Jota Quest porque a organização achou que o público que estava lá não gostava de eletromelody, por ser música de periferia. Em Salvador a máscara usada pelo moralismo é o feminismo. Uma deputada estadual quer impedir que o governo patrocine eventos em que bandas de Swingueira tocam músicas com letras que denigram ou rebaixem as mulheres.

Já em Recife o bagulho foi mais tenso, a parada foi parar numa de delegacia de polícia. Os MCs Cego & Metal, denunciados pelo Ministério Público, tiveram que prestar esclarecimentos na Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente, quanto ao teor de suas letras. Ocorre que formou-se uma cena local, onde a molecada tá misturando brega com funk e culto às "novinhas" é lugar comum nas letras. Cego & Metal nem são os expoentes máximos do novo gênero, que já consagrou verdadeiros astros locais, como Mc Tróia ou Bobo da Mustardinha.

O número um é o Mc Sheldon e é dele o maior flagrande do BO: "Se eu mato, eu vou preso / se eu roubo, eu vou preso / se é pra pegar novinha / eu vou preso satisfeito / a de quatorze eu tô fora / de quinze é muito nova / dezesseis já tá na hora / dezessete eu vou agora". Cego & Metal foram liberados após declararem que pelo menos em suas composições, as "novinhas" pertencem a uma faixa etária entre 18 e 25 anos.

Como se pode ver, de cabo a rabo de nossa nação varonil, os moralistas apresentam suas armas. Já disse, isso deve ser o reflexo de algo que deve estar acontecendo na sociedade brasileira, mas não vai ser eu e nem vai ser neste post que explicarão que porra está acontecendo. Não foi pra isso que evitei o vestibular de sociologia. Só que sempre gostei de brincar de ligar os pontos e por enquanto é isso que estou fazendo. Quando as linhas formarem um padrão inteligível, podes ter certeza que será aqui no cabaret que vou postar a solução.

sábado, 6 de agosto de 2011

Bis Entretenimento boicota participação da Gang do Eletro em show do Jota Quest em Belém do Pará

Era pra ser uma grande noite. Pela primeira vez na história, uma banda de projeção nacional dividiria espaço com uma banda que surgiu do caldeirão criativo do tecnomelody: a Gang do Eletro iria encerrar o show dos mineiros do Jota Quest em seu show em Belém. O evento foi organizado pela empresa paraense Bis Entretenimentos, que se autointitula a "Maior produtora de ventos no norte do país". Mas não só, foi a Bis Entretenimentos que capitaneou a gravação do DVD Movimento Tecnomelody para a Som Livre e se diz a maior divulgadora e insentivadora dos artistas do Pará.
Pois bem. Não foi uma grande noite, muito pelo contrário, foi uma noite vergonhosa para todos que se consideram admiradores da cultura paraense. A Bis Entretenimento boicotou a Gang do Eletro, impossibilitando a apresentação. A empresa ainda não se manifestou publicamente a respeito, o que não significa nada, pois uma atitude dessa pode até ser explicada, mas nunca justificada. O cantor Rogério Flausino divulgou amplamente em seu Twitter que a Gang do Eletro participaria do show como convidada pessoal, até anunciou a banda quando acabou sua apresentação... No entando as luzes foram apagadas, o som desligado e Waldo Squash, Madeiro e a turma toda ficou no palco com cara de tacho. Segundo Waldo "foi a pior humilhação da minha vida".

O que leva uma empresa a tomar uma atitude indefensável dessas? A história é longa e se no final soar como novela mexicana, a culpa não será minha, coloquem na fatura dos protagonistas.
Tudo começou em abril de 2009, quando os baianos da banda Djavú plagiaram metade do CD da banda Ravely. Essa história eu contei nos mínimos detalhes no Watergate do Tecnobrega, taí o link. O fato serviu de alerta para que a Bis enchergasse aí uma ótima oportunidade de capitalização e imediatamente tratou de organizar a gravação de um DVD com os artistas de tecnomelody. A Som Livre comprou o peixe e o projeto prosseguiu.

Ocorre que a Bis tem um talento enorme para organização de eventos, seu departamento comercial é super competente, mas eles não possuem um departamento artístico, o que levou a cometerem uma série de patuscadas. Economizaram onde não deveriam e gastaram horrores onde não poderiam. O resultado foi um cenário medíocre, figurinos sofríveis e um retumbante fracasso. O DVD Movimento Tecnomelody hoje em dia não serve nem como peça de museu, pois nem o espírito da época conseguiu capturar.

Mas a Bis não conseguiu enxergar isso, e passou a gastar mais e mais dinheiro na divulgação do DVD, cobrando das bandas participantes empenho irrestrito. Mas empenho para divulgar o DVD, não as bandas. O contrato não previa uma mão dupla, era tudo pro DVD e pra Bis e nada para as bandas. Daí que aos poucos os próprios artistas foram se afastando do projeto. A Bis não soube ser diplomática e foi cortando relações com um por um deles.

Em agosto do ano passado passei a assinar uma coluna semanal no jornal O Liberal. No começo foi tudo muito, tudo muito bem, mas com o passar do tempo começei a sofrer pressão. A primeira vez foi quando questionei a relevancia da lei que tombava o tecnomelody como patrimonio cultural. O deputado Bordalo era amigo da Bis, ele leu, não gostou e pediu minha cabeça. Me safei por pouco.

Logo depois publiquei uma coluna sobre a Gang do Eletro e sugeri para a Bis que investisse tudo que tivesse nos meninos, porque eles tinham tudo para estourar. Ouvi a seguinte resposta: "convidamos eles para tocarem em um evento beneficiente e eles não foram, logo, não vamos ajudar quem não se ajuda". Na época liguei pro Waldo e ele me garantiu que o convite tinha sido feito em cima da hora e como não seriam remunerados, era impossível se organizarem a tempo.

Foi nessa época também que Gaby Amarantos passou a se aproximar da Gang do Eletro e se afastar da Bis. Eu continuava no Liberal e continuava a escrever o que acgava que deveria ser escrito, mandei outra coluna sobre a Gang, desta vez anunciando o reforço de Keila e William. O pessoal da Bis não gostou muito, embora não tenham externado isso. Mas foi só eu escrever um texto sobre o disco novo da Gaby (falando bem, eu escutei a prévia e gostei muito) para que eles surtassem. Recebi uma ligação de uma interlocutota aos berrosm me dizendo impropérios, desligando na minha cara e me defenestrando do Liberal.

Seis meses depois, fui escalado pelo concorrente deles (nada mais natural, na sequencia dos fatos, que eu aceitasse a proposta) para cobrir o Terruá. Assim foi feito e minha matéria saiu em duas páginas no Diário do Pará. Uma delas inclusive era deidicada a banda e anunciava "A Revolução da Gang do Eletro". Foi chegar o jornal nas bancas que recebi um e-mail altamente ofensivo por parte de um(a) funcionário(a) da Bis. Dali pra frente, devido a algo que os psicólogos chamam de projeção, a Gang do Eletro passou a ser a personificação de todas as frustrações da Bis Entretenimentos.

Quando o Jota Quest anunciou o convite da Gang do Eletro para abrirem seu show em Belém, imediatamente tentaram embargar, mas como o convite tinha sido emitido pelo próprio cantor Rogério Flausino, não puderam negar a priori. Mas não desistiram. Durante o dia do show, tentantam difucultar ao máximo as coisas, negando transporte, camarim. Pra vocês terem um idéia, ao chegarem no local do show, nem o nome dos membros da Gang constava na portaria, foi necessário que o produtor do cantor Otto fizesse várias ligações para eles poderem entrar.

O plano de boicote da Bis foi sórdido. Ao invés de fazer o show de abertura, escalaram a Gang para encerrar o show do Jota Quest, algo no mínimo inusitado, uma banda pequena encerrar o show de uma banda grande. Na sequencia não deixaram a Gang fazer a passagem de som e ao acabar a apresentação do Jota Quest e mesmo com Rogério Flausino anunciando a próxima atração, as luzes foram apagadas, o som desligado e a festa encerrada.

Algumas pessoas que tinham ido lá só pra assistir a Gang do Eletro ainda perrguntavam pelo show, mas nada pode ser feito. Se a Bis Entretenimentos virá a público dar a sua versão dos fatos, não sei, mas o que sei é que o que contei aqui nesse texto é apenas a ponta de um iceberg de incompetência, egos inflados, mentalidades provincianas e prepotência por parte de funcionário da Bis, que afundou o Movimento Tecnomelody e por pura pirraça, quer fazer o mesmo com a banda mais empolgante que surgiu em Belém nos ultimos anos, a Gang do Eletro.

Eu me envergonho de ter um dia mantido parceria com essa empresa e agradeço todos os dias o pé que um dia chutou minha bunda.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Documentário sobre os Aviões do Forró

Desde que este Cabaret se lembra por gente, que queríamos contar a história dos Aviões do Forró. Sabíamos que tratava-se de um roteiro pronto para um filme. Foi com muita emoção que assistimos esse documentário e é com muito orgulho que apresentamos com primazia e exclusividade este video para nossos nobilíssimos frequentadores. Depois ele vai ser replicado em meio mundo de blogs e site, mas aqui você viu antes!

Bonde do Maluco - Volume 7

No post anterior falei que Edcity é o segredo mais bem guardado de Salvador. Só que bem perto da capital soteropolitana, numa cidade pequena chamada Madre de Deus mora um cidadão chamado Anderson Luis Ventura Oliveira, natural de Candeia e que desde 2007 comanda a banda mais criativa, original, divertida e competente do arrocha: o Bonde do Maluco. Dan Ventura, como é conhecido o cantor, compositor, arranjador e milorde da fuleragem, é um segredo baiano tão bem guardado quando Edcity. Os dois são a vanguarda da música baiana, mestres no que fazem.


É certo que assim como Edcity andou cometendo uns vacilos no último semestre, o Bonde do Maluco vinha de um disco meio boca, o Volume 6, lançado no final do ano com a intenção de dar uma realçada nas musicas do Volume 5 para o carnava, o repertório era quase o mesmo nos dois discos. Agora em julho Dan Ventura se redime do passo em falso e surge com seu Volume 7, o melhor lançamento desde o clássico primeiro disco.

O processo de criação se repete desde os primórdios, Dan Ventura se enfurma no estúdio que fica no quintal da casa de sua mãe Dona Lucinha e enquanto Pit, uma fêmea de Pitbull mais mansa que pinto recém nascido faz a guarda com sua presença imponente, ele cria as melodias, as letras e os arranos. O processo todo costuma durar uma semana. O suficiente para que o rapaz saia de lá com uma coleção de canções que celebram a alegria, a fuleragem, a putaria e a bebedeira. É literalmente o caso deste Volume 7.

Já na abertura, um bispo anuncia: "Irmão, você quer se salvar? Então venha para o Bonde do Maluco" pra em seguida cantar a crônica de uma patricinha que se converteu a fé no Senhor e que não desce mais até o chão na frente dos paredões. Na segunda fala ele esnoba "Agora que virei o cabaré / agora você quer" para uma rapariga que o escurraçava quando estava na merda. "Não pare" é uma salada dançante que mistura arrocha, com música árabe, latina e dance music que só o Bonde tem o dom de servir sem causar intoxicação auricular em quem escuta. "Olha a cara dela" é sobre uma espécie imune aos riscos de extinção, as piriguetes.

Na quinta faixa uma prática que quase não se comenta, mas que o Bonde do Maluco costuma utilizar a anos, versões de musicas estrangeiras nada óbvias. Nos discos anteriores foram músicas do grupo português Irmãos Verdade, a saber a sensacional "Isabela" e "Keila". Desta vez foi a versão direta para o português do sucesso latino "Shorty, Shorty" do grupo Extreme, que virou "Choro, Choro". Já "Pare de chorar por ele" foi composta exclusivamente para ser cantada junto com Rafinha, da banda Asas Livres, uma instituição do arrocha que um dia ainda terá seu valor devidamente reconhecido pela crítica cultural que faz de conta que o arrocha não existe.

"Chicotada e tchau" é outro dueto, desta vez com o funkeito carioca MC Jota. Na saída de um show Dan escutou um carro tocando um CD da Furacão 2000, escutou essa música, bolou uma versão arrocha dela e, ao contrário da grande maioria dos artistas nordestinos, ao invés de tocar o foda-se e gravar a música no outro dia, ligou pro cantor original. O cara gostou tanto da idéia que foi pra Salvador e ficou dois dias por lá, participando do CD.

"Meu nome é Dan Ventura e meu sobrenome é fuleragem!" anuncia o moço de familia na conceitual "Sou o cara do paredão". O conceito é putaria. "De costa mainha" tem tudo explícito em seu título, dispensa maiores explicações. Com temáticas tão comuns e batidas, pode-se dizer que são o ponto fraco do disco. No entanto essa sensação é dissipada com as duas músicas seguintes, dois resgates de pérolas esquecidas.

"Como é doce o beijo" é um clássico dos anos 80, um funk melody da banda Copacabana Beach e "Disco do Raul" chegou a ser gravada pelo cantor de axé Tomatte, mas que na época não rolou. A fatura aqui deve ser enviada pra quem canta em lual, a música é perfeita para aquele momento em que Legião Urbana começa a ofender o saco escrotal. Depois de uma dobredinha dessas, é só partir pro abraço. No caso, partir pra pista de dança curtir uma pisadinha para a parte final da festa.

É o que fazem as músicas "Passo da sacanagem", "Bum bum" e "Desce com a mão no tchan", nesta música várias cidades que já viram os shows do Bonde são evocadas e listadas. O disco se encerra com um arrocha de raiz, por assim dizer, musica romantica para dançar coladinho, bem arrochadinho, bem swingadinho, daquele jeito que escandaliza o bom gosto da casa grande, mas que faz a alegria da senzala, "Morro de amor por ela".

Após quatro anos na estrada e sete discos no currículo, o Bonde do Maluco ainda pode ser considerado um grupo underground, já que pouquíssimas foram as aparições na grande mídia. Mas a banda vive na estrada e por onde quer que passe, conquista uma legião de fãs com seus show alegres e descontraídos. Os caras tem o dom de serem fuleiros sem serem vulgares. O sucesso que fazem entre as crianças é uma prova disso. Se lembrarmos que até Jesus já dizia pra prestarmos atenção nas crianças, então isso deve significar alguma coisa. É como disse o pastor do começo do disco: "Irmão, você quer se salvar? Então venha para o Bonde do Maluco!!".


Edcity Ao Vivo no Salvador Fest 2011

"Eu sou o Jason do pagode!" brada Edcity antes de puxar a massa pra pilar ao som do refrão "... tome pau / tome paulada / tome pau / tome paulada / eu nunca vou morrer". A metáfora não podia ser mais adequada. O cantor Eddy já foi dado por morto diversas vezes. Seja quando saiu do Parangolé para criar o Fantasmão. Seja quando perdeu seu Fantasmão para empresários inescrupulosos e teve que recomeçar do zero com seu Edcity. Até mesmo quando lançou o pesadíssimo disco "Rap Groovado", considerado anti-comercial ou então quando apareceu com "Transfiguração", com musicas de outros artistas e considerado - pasmem! - comercial demais. Este ano, seu disco "Viva, levante-se e vibre" foi considerado por muitos inseguro, indeciso e sem foco e ainda por cima a música que se destacou não era autoral e o pior, versão de uma funk: "Bonde da Oklay". Pois no Salvador Fest deste ano Edcity deu um puta show e mostrou que sim, ele é o Jason do pagode que mesmo depois de morto, ressurge apavorando a concorrência.


E isso aconteceu sem nenhuma reivenção da roda, Edcity simplesmente foi ele mesmo, preparou um repertório de cunho pessoal, não necessariamente autoral e executado com a paudurescência que lhe deu a fama de voz do gueto. Simples assim, conseguiu fazer o melhor show do festival, que foi gravado, divulgado na Interner e aclamado por unanimidade por seus fãs.

Se levarmos em conta a diferença de extrutura e investimento ente esse show e "Confraria dos Fantasmas", o áudio do DVD do Fantasmão, esse pode ser considerado o melhor show fa carreira de Eddy, pelo que representa depois de tudo que aconteceu. Mandando as convenções e as espectativas medíocres do senso comum às favas, abriu com "Bonde da Oakley" e logo em seguida emendou "Sou Favela" recebida com entrega total por uma platéia que pulava alucinada e gritava o refrão aos berros. Uma vinheta de "O coro vai comer" de Charlie Brown Jr. e mais porrada com "Você no muro e nós no bagulho". O jogo estava ganho.

Na sequência, duas atitudes que fazem de Eddy a personalidade mais peculiar do pagode. Primeiro ele pára de cantar "Tão de rajada" para exigir civilidade de um segurança que expulsava um penetra. Foi aplaudido pela platéia. Depois, durante a execução de "Covardia", desce do palco, atravessa a multidão em direção a mesa de som para de lá afirmar sem rodeios que sua banda é FODA!


De volta ao palco, samba de roda de raíz com "Vai no sambão da nega".
A inédita "Papagaio de pirata" foi recebida de braços abertos e com certeza terá cadeira cativa em seu repertório. Após a supracitada "Jason" o hino "Liberdade", dedicado aos presidiários, com sua letra que chora a tristesa de quem, mesmo do lado de fora das prisões, vive aprisionado pelo medo e pelas grades nas janelas e portas de suas casas.

Uma dobradinha dançante "Edcity te pega e te panha / Na geral" e mais musica de conscientização, no caso "Bicudo" da banda New Hit com participação do cantor Dudu: "Me ofereceram pedra/ eu neguei / me ofereceram pó / disse não". "Chupa aqui pra ver se sai leite" é dedicada a Nenel do Sheik Style e que, ainda nos tempos de Parangolé, tece sua parcela de autoria na concepção do groove arrastado, a nova e moderna forma de se tocar pagode baiano que escontrou sua expressão máxima no Fantasmão.

"Acende, puxa, prende, passa, índio quer caximbo índio quer cachimbo índio quer fazer fumaça" serve de introdução da trinca final de "Vizinho conspirão", "Traíra" e "Papu Colombiano". Essa última fez e faz muito mais pelo combate ao crack nas periferias de Salvador que qualquer campanha de qualquer governo ou qualquer ONG: "Atire a primeira pedra quem nunca errou / mas não se jogue na pedra quem nunca se jogou".

No encerramento, tudo acaba onde começou, com um medley de "Bonde da Oakley" e "Sou favela". Enquanto na mídia se discute um projeto de uma deputada oportunista que luta contra as bandas que tocam músicas com letras repletas de baixaria, Edcity começa e termina o show com a versão de um funk, sem apelar nunca, sem deixar a peteca cair e provando que ainda existe espaço e público para seu pagode com conceito. Numa cena da qual o Brasil só conheçe "Rebolation" e "Liga da Justiça", Edcarlos Conceição, o Edcity continua sendo o segredo mais bem guardado de Salvador. Uma relíquia apreciada por algumas dezenas de milhares de sortudos. Como eu e como você, pois abaixo disponibilizamos a discografia solo do rapaz para download.

Baixe o show resenhado neste post > Edcity Ao Vivo no Salvador Fest 2011


Discografia:

Raízes 2010/2011


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