O Rock Nacional Morreu e teve show Sertanejo no Enterro

O sertanejo substituiu o rock como a música consumida pela juventude brasileira. Se esta frase fosse escrita no começo dos anos 90, seria considerada ficção escatológica, mas na atualidade é a mais Pura Realidade.

Exaltasamba Anuncia Pausa na Carreira

Depois de 25 Anos de uma Carreira Brilhante e de Muito Sucesso, o Grupo Exaltasamba anuncia que vai dar uma 'Pausa' na Carreira.

Discoteca Básica - Aviões do Forró Volume 3

O Tempo nunca fez eu te esquecer. A primeira frase da primeira música do Volume 3 do Aviões doForró sintetiza a obra com perfeição: um disco Inesquecível.

Por um Help à Música Sertaneja

Depois de dois anos, João Bosco e Vinicius, de novo conduzidos por Dudu Borges, surgem com mais um trabalho. Só que ao invés de empolgar, como foi o caso de Terremoto, o disco soa indiferente.

Mais uma História Absurda Envolvendo a A3 Entretenimentos

Tudo começou na sexta-feira, quando Flaviane Torres começou uma campanha no Twitter para uma Espécie de flash mob virtual em que os Fãs do Muído deveriam replicar a Tag #ClipSeEuFosseUmGaroto...

sábado, 6 de agosto de 2011

Bis Entretenimento boicota participação da Gang do Eletro em show do Jota Quest em Belém do Pará

Era pra ser uma grande noite. Pela primeira vez na história, uma banda de projeção nacional dividiria espaço com uma banda que surgiu do caldeirão criativo do tecnomelody: a Gang do Eletro iria encerrar o show dos mineiros do Jota Quest em seu show em Belém. O evento foi organizado pela empresa paraense Bis Entretenimentos, que se autointitula a "Maior produtora de ventos no norte do país". Mas não só, foi a Bis Entretenimentos que capitaneou a gravação do DVD Movimento Tecnomelody para a Som Livre e se diz a maior divulgadora e insentivadora dos artistas do Pará.
Pois bem. Não foi uma grande noite, muito pelo contrário, foi uma noite vergonhosa para todos que se consideram admiradores da cultura paraense. A Bis Entretenimento boicotou a Gang do Eletro, impossibilitando a apresentação. A empresa ainda não se manifestou publicamente a respeito, o que não significa nada, pois uma atitude dessa pode até ser explicada, mas nunca justificada. O cantor Rogério Flausino divulgou amplamente em seu Twitter que a Gang do Eletro participaria do show como convidada pessoal, até anunciou a banda quando acabou sua apresentação... No entando as luzes foram apagadas, o som desligado e Waldo Squash, Madeiro e a turma toda ficou no palco com cara de tacho. Segundo Waldo "foi a pior humilhação da minha vida".

O que leva uma empresa a tomar uma atitude indefensável dessas? A história é longa e se no final soar como novela mexicana, a culpa não será minha, coloquem na fatura dos protagonistas.
Tudo começou em abril de 2009, quando os baianos da banda Djavú plagiaram metade do CD da banda Ravely. Essa história eu contei nos mínimos detalhes no Watergate do Tecnobrega, taí o link. O fato serviu de alerta para que a Bis enchergasse aí uma ótima oportunidade de capitalização e imediatamente tratou de organizar a gravação de um DVD com os artistas de tecnomelody. A Som Livre comprou o peixe e o projeto prosseguiu.

Ocorre que a Bis tem um talento enorme para organização de eventos, seu departamento comercial é super competente, mas eles não possuem um departamento artístico, o que levou a cometerem uma série de patuscadas. Economizaram onde não deveriam e gastaram horrores onde não poderiam. O resultado foi um cenário medíocre, figurinos sofríveis e um retumbante fracasso. O DVD Movimento Tecnomelody hoje em dia não serve nem como peça de museu, pois nem o espírito da época conseguiu capturar.

Mas a Bis não conseguiu enxergar isso, e passou a gastar mais e mais dinheiro na divulgação do DVD, cobrando das bandas participantes empenho irrestrito. Mas empenho para divulgar o DVD, não as bandas. O contrato não previa uma mão dupla, era tudo pro DVD e pra Bis e nada para as bandas. Daí que aos poucos os próprios artistas foram se afastando do projeto. A Bis não soube ser diplomática e foi cortando relações com um por um deles.

Em agosto do ano passado passei a assinar uma coluna semanal no jornal O Liberal. No começo foi tudo muito, tudo muito bem, mas com o passar do tempo começei a sofrer pressão. A primeira vez foi quando questionei a relevancia da lei que tombava o tecnomelody como patrimonio cultural. O deputado Bordalo era amigo da Bis, ele leu, não gostou e pediu minha cabeça. Me safei por pouco.

Logo depois publiquei uma coluna sobre a Gang do Eletro e sugeri para a Bis que investisse tudo que tivesse nos meninos, porque eles tinham tudo para estourar. Ouvi a seguinte resposta: "convidamos eles para tocarem em um evento beneficiente e eles não foram, logo, não vamos ajudar quem não se ajuda". Na época liguei pro Waldo e ele me garantiu que o convite tinha sido feito em cima da hora e como não seriam remunerados, era impossível se organizarem a tempo.

Foi nessa época também que Gaby Amarantos passou a se aproximar da Gang do Eletro e se afastar da Bis. Eu continuava no Liberal e continuava a escrever o que acgava que deveria ser escrito, mandei outra coluna sobre a Gang, desta vez anunciando o reforço de Keila e William. O pessoal da Bis não gostou muito, embora não tenham externado isso. Mas foi só eu escrever um texto sobre o disco novo da Gaby (falando bem, eu escutei a prévia e gostei muito) para que eles surtassem. Recebi uma ligação de uma interlocutota aos berrosm me dizendo impropérios, desligando na minha cara e me defenestrando do Liberal.

Seis meses depois, fui escalado pelo concorrente deles (nada mais natural, na sequencia dos fatos, que eu aceitasse a proposta) para cobrir o Terruá. Assim foi feito e minha matéria saiu em duas páginas no Diário do Pará. Uma delas inclusive era deidicada a banda e anunciava "A Revolução da Gang do Eletro". Foi chegar o jornal nas bancas que recebi um e-mail altamente ofensivo por parte de um(a) funcionário(a) da Bis. Dali pra frente, devido a algo que os psicólogos chamam de projeção, a Gang do Eletro passou a ser a personificação de todas as frustrações da Bis Entretenimentos.

Quando o Jota Quest anunciou o convite da Gang do Eletro para abrirem seu show em Belém, imediatamente tentaram embargar, mas como o convite tinha sido emitido pelo próprio cantor Rogério Flausino, não puderam negar a priori. Mas não desistiram. Durante o dia do show, tentantam difucultar ao máximo as coisas, negando transporte, camarim. Pra vocês terem um idéia, ao chegarem no local do show, nem o nome dos membros da Gang constava na portaria, foi necessário que o produtor do cantor Otto fizesse várias ligações para eles poderem entrar.

O plano de boicote da Bis foi sórdido. Ao invés de fazer o show de abertura, escalaram a Gang para encerrar o show do Jota Quest, algo no mínimo inusitado, uma banda pequena encerrar o show de uma banda grande. Na sequencia não deixaram a Gang fazer a passagem de som e ao acabar a apresentação do Jota Quest e mesmo com Rogério Flausino anunciando a próxima atração, as luzes foram apagadas, o som desligado e a festa encerrada.

Algumas pessoas que tinham ido lá só pra assistir a Gang do Eletro ainda perrguntavam pelo show, mas nada pode ser feito. Se a Bis Entretenimentos virá a público dar a sua versão dos fatos, não sei, mas o que sei é que o que contei aqui nesse texto é apenas a ponta de um iceberg de incompetência, egos inflados, mentalidades provincianas e prepotência por parte de funcionário da Bis, que afundou o Movimento Tecnomelody e por pura pirraça, quer fazer o mesmo com a banda mais empolgante que surgiu em Belém nos ultimos anos, a Gang do Eletro.

Eu me envergonho de ter um dia mantido parceria com essa empresa e agradeço todos os dias o pé que um dia chutou minha bunda.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Documentário sobre os Aviões do Forró

Desde que este Cabaret se lembra por gente, que queríamos contar a história dos Aviões do Forró. Sabíamos que tratava-se de um roteiro pronto para um filme. Foi com muita emoção que assistimos esse documentário e é com muito orgulho que apresentamos com primazia e exclusividade este video para nossos nobilíssimos frequentadores. Depois ele vai ser replicado em meio mundo de blogs e site, mas aqui você viu antes!

Bonde do Maluco - Volume 7

No post anterior falei que Edcity é o segredo mais bem guardado de Salvador. Só que bem perto da capital soteropolitana, numa cidade pequena chamada Madre de Deus mora um cidadão chamado Anderson Luis Ventura Oliveira, natural de Candeia e que desde 2007 comanda a banda mais criativa, original, divertida e competente do arrocha: o Bonde do Maluco. Dan Ventura, como é conhecido o cantor, compositor, arranjador e milorde da fuleragem, é um segredo baiano tão bem guardado quando Edcity. Os dois são a vanguarda da música baiana, mestres no que fazem.


É certo que assim como Edcity andou cometendo uns vacilos no último semestre, o Bonde do Maluco vinha de um disco meio boca, o Volume 6, lançado no final do ano com a intenção de dar uma realçada nas musicas do Volume 5 para o carnava, o repertório era quase o mesmo nos dois discos. Agora em julho Dan Ventura se redime do passo em falso e surge com seu Volume 7, o melhor lançamento desde o clássico primeiro disco.

O processo de criação se repete desde os primórdios, Dan Ventura se enfurma no estúdio que fica no quintal da casa de sua mãe Dona Lucinha e enquanto Pit, uma fêmea de Pitbull mais mansa que pinto recém nascido faz a guarda com sua presença imponente, ele cria as melodias, as letras e os arranos. O processo todo costuma durar uma semana. O suficiente para que o rapaz saia de lá com uma coleção de canções que celebram a alegria, a fuleragem, a putaria e a bebedeira. É literalmente o caso deste Volume 7.

Já na abertura, um bispo anuncia: "Irmão, você quer se salvar? Então venha para o Bonde do Maluco" pra em seguida cantar a crônica de uma patricinha que se converteu a fé no Senhor e que não desce mais até o chão na frente dos paredões. Na segunda fala ele esnoba "Agora que virei o cabaré / agora você quer" para uma rapariga que o escurraçava quando estava na merda. "Não pare" é uma salada dançante que mistura arrocha, com música árabe, latina e dance music que só o Bonde tem o dom de servir sem causar intoxicação auricular em quem escuta. "Olha a cara dela" é sobre uma espécie imune aos riscos de extinção, as piriguetes.

Na quinta faixa uma prática que quase não se comenta, mas que o Bonde do Maluco costuma utilizar a anos, versões de musicas estrangeiras nada óbvias. Nos discos anteriores foram músicas do grupo português Irmãos Verdade, a saber a sensacional "Isabela" e "Keila". Desta vez foi a versão direta para o português do sucesso latino "Shorty, Shorty" do grupo Extreme, que virou "Choro, Choro". Já "Pare de chorar por ele" foi composta exclusivamente para ser cantada junto com Rafinha, da banda Asas Livres, uma instituição do arrocha que um dia ainda terá seu valor devidamente reconhecido pela crítica cultural que faz de conta que o arrocha não existe.

"Chicotada e tchau" é outro dueto, desta vez com o funkeito carioca MC Jota. Na saída de um show Dan escutou um carro tocando um CD da Furacão 2000, escutou essa música, bolou uma versão arrocha dela e, ao contrário da grande maioria dos artistas nordestinos, ao invés de tocar o foda-se e gravar a música no outro dia, ligou pro cantor original. O cara gostou tanto da idéia que foi pra Salvador e ficou dois dias por lá, participando do CD.

"Meu nome é Dan Ventura e meu sobrenome é fuleragem!" anuncia o moço de familia na conceitual "Sou o cara do paredão". O conceito é putaria. "De costa mainha" tem tudo explícito em seu título, dispensa maiores explicações. Com temáticas tão comuns e batidas, pode-se dizer que são o ponto fraco do disco. No entanto essa sensação é dissipada com as duas músicas seguintes, dois resgates de pérolas esquecidas.

"Como é doce o beijo" é um clássico dos anos 80, um funk melody da banda Copacabana Beach e "Disco do Raul" chegou a ser gravada pelo cantor de axé Tomatte, mas que na época não rolou. A fatura aqui deve ser enviada pra quem canta em lual, a música é perfeita para aquele momento em que Legião Urbana começa a ofender o saco escrotal. Depois de uma dobredinha dessas, é só partir pro abraço. No caso, partir pra pista de dança curtir uma pisadinha para a parte final da festa.

É o que fazem as músicas "Passo da sacanagem", "Bum bum" e "Desce com a mão no tchan", nesta música várias cidades que já viram os shows do Bonde são evocadas e listadas. O disco se encerra com um arrocha de raiz, por assim dizer, musica romantica para dançar coladinho, bem arrochadinho, bem swingadinho, daquele jeito que escandaliza o bom gosto da casa grande, mas que faz a alegria da senzala, "Morro de amor por ela".

Após quatro anos na estrada e sete discos no currículo, o Bonde do Maluco ainda pode ser considerado um grupo underground, já que pouquíssimas foram as aparições na grande mídia. Mas a banda vive na estrada e por onde quer que passe, conquista uma legião de fãs com seus show alegres e descontraídos. Os caras tem o dom de serem fuleiros sem serem vulgares. O sucesso que fazem entre as crianças é uma prova disso. Se lembrarmos que até Jesus já dizia pra prestarmos atenção nas crianças, então isso deve significar alguma coisa. É como disse o pastor do começo do disco: "Irmão, você quer se salvar? Então venha para o Bonde do Maluco!!".


Edcity Ao Vivo no Salvador Fest 2011

"Eu sou o Jason do pagode!" brada Edcity antes de puxar a massa pra pilar ao som do refrão "... tome pau / tome paulada / tome pau / tome paulada / eu nunca vou morrer". A metáfora não podia ser mais adequada. O cantor Eddy já foi dado por morto diversas vezes. Seja quando saiu do Parangolé para criar o Fantasmão. Seja quando perdeu seu Fantasmão para empresários inescrupulosos e teve que recomeçar do zero com seu Edcity. Até mesmo quando lançou o pesadíssimo disco "Rap Groovado", considerado anti-comercial ou então quando apareceu com "Transfiguração", com musicas de outros artistas e considerado - pasmem! - comercial demais. Este ano, seu disco "Viva, levante-se e vibre" foi considerado por muitos inseguro, indeciso e sem foco e ainda por cima a música que se destacou não era autoral e o pior, versão de uma funk: "Bonde da Oklay". Pois no Salvador Fest deste ano Edcity deu um puta show e mostrou que sim, ele é o Jason do pagode que mesmo depois de morto, ressurge apavorando a concorrência.


E isso aconteceu sem nenhuma reivenção da roda, Edcity simplesmente foi ele mesmo, preparou um repertório de cunho pessoal, não necessariamente autoral e executado com a paudurescência que lhe deu a fama de voz do gueto. Simples assim, conseguiu fazer o melhor show do festival, que foi gravado, divulgado na Interner e aclamado por unanimidade por seus fãs.

Se levarmos em conta a diferença de extrutura e investimento ente esse show e "Confraria dos Fantasmas", o áudio do DVD do Fantasmão, esse pode ser considerado o melhor show fa carreira de Eddy, pelo que representa depois de tudo que aconteceu. Mandando as convenções e as espectativas medíocres do senso comum às favas, abriu com "Bonde da Oakley" e logo em seguida emendou "Sou Favela" recebida com entrega total por uma platéia que pulava alucinada e gritava o refrão aos berros. Uma vinheta de "O coro vai comer" de Charlie Brown Jr. e mais porrada com "Você no muro e nós no bagulho". O jogo estava ganho.

Na sequência, duas atitudes que fazem de Eddy a personalidade mais peculiar do pagode. Primeiro ele pára de cantar "Tão de rajada" para exigir civilidade de um segurança que expulsava um penetra. Foi aplaudido pela platéia. Depois, durante a execução de "Covardia", desce do palco, atravessa a multidão em direção a mesa de som para de lá afirmar sem rodeios que sua banda é FODA!


De volta ao palco, samba de roda de raíz com "Vai no sambão da nega".
A inédita "Papagaio de pirata" foi recebida de braços abertos e com certeza terá cadeira cativa em seu repertório. Após a supracitada "Jason" o hino "Liberdade", dedicado aos presidiários, com sua letra que chora a tristesa de quem, mesmo do lado de fora das prisões, vive aprisionado pelo medo e pelas grades nas janelas e portas de suas casas.

Uma dobradinha dançante "Edcity te pega e te panha / Na geral" e mais musica de conscientização, no caso "Bicudo" da banda New Hit com participação do cantor Dudu: "Me ofereceram pedra/ eu neguei / me ofereceram pó / disse não". "Chupa aqui pra ver se sai leite" é dedicada a Nenel do Sheik Style e que, ainda nos tempos de Parangolé, tece sua parcela de autoria na concepção do groove arrastado, a nova e moderna forma de se tocar pagode baiano que escontrou sua expressão máxima no Fantasmão.

"Acende, puxa, prende, passa, índio quer caximbo índio quer cachimbo índio quer fazer fumaça" serve de introdução da trinca final de "Vizinho conspirão", "Traíra" e "Papu Colombiano". Essa última fez e faz muito mais pelo combate ao crack nas periferias de Salvador que qualquer campanha de qualquer governo ou qualquer ONG: "Atire a primeira pedra quem nunca errou / mas não se jogue na pedra quem nunca se jogou".

No encerramento, tudo acaba onde começou, com um medley de "Bonde da Oakley" e "Sou favela". Enquanto na mídia se discute um projeto de uma deputada oportunista que luta contra as bandas que tocam músicas com letras repletas de baixaria, Edcity começa e termina o show com a versão de um funk, sem apelar nunca, sem deixar a peteca cair e provando que ainda existe espaço e público para seu pagode com conceito. Numa cena da qual o Brasil só conheçe "Rebolation" e "Liga da Justiça", Edcarlos Conceição, o Edcity continua sendo o segredo mais bem guardado de Salvador. Uma relíquia apreciada por algumas dezenas de milhares de sortudos. Como eu e como você, pois abaixo disponibilizamos a discografia solo do rapaz para download.

Baixe o show resenhado neste post > Edcity Ao Vivo no Salvador Fest 2011


Discografia:

Raízes 2010/2011


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Troféu ASSIM VOCÊ ME MATA com as músicas sertanejas mais constrangedoras lançadas em 2011

Preparar essa coletânea/premiação e escrever este release é como espremer um furúnculo. Desagradável, necessário e por fim aliviante. Trata-se das dez piores musicas sertanejas lançadas em 2011. Mas não piores por serem óviamente ruins, toscas ou mal cantadas ou produzidas. Ruins também por serem mancadas que caem mal no repertório de determinado artista por destoar do usual (ou do conveniente) ou então pela má influência que exercem no mercado e o triste legado que podem deixar para as próximas gerações.
Esperamos não ser mal interpretados. Não estamos aqui pra avacalhar com tudo e com todos e nem pra desrespeitas ou efender ninguém. Isso aqui tudo é uma brincadeira e a bem da verdade somos fãs de quase todo mundo nessa lista. E até porquê também, isso daqui é um release e devo adiantar que o CD é divertido. Então aumenta aí que isso daí também é sertanejão!

Bloco 1 - Abertura

10) Gustavo Lima & Reginho - Minha mulher não deixa não

Nem tanto pela ruindade, mas por merecimento e representatividade, para o último lugar e simultaneamente abertura das festividades, esta que foi a gravação primordial de um sucesso viral na música sertaneja em 2011. O Marco zero. Uma mancha na carreira de Gusttavo Lima, que é famoso por ser quase 100% autoral, mas cometeu essa gravação com Reginho, que se encontrava praticamente foragido no sul, porque tinha negociado essa musica com duas bandas de forró simultaneamente. Pegou dinheiro das duas e nenhuma das duas levou. No caso dessa gravação com Gusttavo, não se sabe quem pagou quem.

Bloco 2 - Novatos que já começam fazendo merda

09) Pedro Paulo & Alex - Adultério

08) Tom & Arnaldo - Dança com tudo

07 ) Janderson & Anderson - Madrugada (part. Stefhany)

06) Luis Fernando & Zé Miguel - Você quer

OK, a gente já ouviu o Latino fazendo isso de misturar funk com sertanejo, só que o Latino tem o dom pra fuleiragem, vamos nós caipiras lá arriscar um trem desses? Dá nisso. Então esses meninos: Pedro Paulo, Alex, Tom e Arnaldo, os nossos melhores cafetões tem um valiosíssimo conselho a dar, reconsiderem batalhar um vestibular enquanto o sucesso não vem?

Pra Luis Fernando & Zé Miguel a gente até dá um desconto, devem ter sido pego no calor dos acontecimentos e queriam ser o primeiros a replicar aquela pérola do cancioneiro de Youtube, não foram tão "conceituais" quanto aos agorotos do funk. Agora francamente, venhamos e convenhamos, a gravação de Janderson & Anderson é de constranger samambaias. Minha memória afetiva de Stefhany está intacta porque não aguentei esperar ela entrar. A caixa de comentários está aí para isso, se conseguirem ouvir até o final, me contem como ela se saiu.

Bloco 3 - Encontro de gerações no Meio de Campo

05) Henrique & Diego - Canudinho

04) Guilherme & Santiago - Triste e Alegre

Dentre a geração de artistas apadrinhados por Sorocaba, Henrique & Diego são os mais promissores. Com uma penca de músicas próprias e regravações bem sacadas, o segundo disco deles, lançado ano passado é impecável. Nada justifica terem gravado uma música que contém a infame frase "Por você eu bebo o mar de canudinho / e atravesso o pólo norte de xortinho". O compositor deve ter achado essa frase em um bilhete perdido no chão da Avenida Paulista após a parada gay. Só pode.

Já o caso de Guilherme & Santiago é ainda mais grave. Os dois são os grandes penetras da nova geração sertaneja. Estão na estrada a anos, mas conseguem se encaixar em quase todos os eventos e coletâneas dos novatos. Até aqui conseguiram! Não bastasse a letra ser primária, os caras ainda acham por bem fazer uma declamação no meio da música.

Bloco 4 Final - Vergonha Alheia: o pódium dos grandes pés na jaca

Tirem as crianças da sala, o mesmo pessoas de idade avançada, os três grandes vencedores não precisavam fazer o que fizeram, todos os três estavam muito bem obrigado no mercado e as razões que os levaram a cometer essas músicas provavelmente nunca virão à tona ou por serem inconfessáveis ou por não existirem.

03) Fernando & Sorocaba - Pega eu

O contraste é ofuscante. A um ano atrás a dupla Fernando & Sorocaba trabalhava as músicas de um sofisticadíssimo disco acústico, celebrava um contrato com a Som Livre e seu DVD era divulgado na Globo em horário nobre. Mais ou menos na época a supracitada cantora Stefhany era motivo de chacota por usar o mote "Leva eu" em seus clipes toscos. E o que temos aqui? Uma composição do aclamado criador Sorocaba cuja refão contém as pérolas "Pega eu, leva eu, chama eu". Com direito a passagem de hip hop.

02) Jorge & Mateus - Eu quero só você

Que chamem o antigo produtor deles, o maestro Pinochio, coloquem em suas mãos uma chibata e dêem ordens expressas de uma senhora surra nesses caras. Jorge & Mateus não precisavam ter cometido essa regravação. Depois de "Aí já era", o grande disco de 2011, a última coisa que eles poderiam ter feito é uma regravação de um Axé que por sua vez era uma versão para uma música do norte americano Akon. Cópia da cópia. O pior é que nada funciona, um arranjo terrível onde não se distingue direito os intrumentos, um Jorge mais perdido que filho de prostituta em dia dos pais, que não sabe se vai ou se não vai.

01) Michel Teló - Assim você me mata

O grande campeão acabou mesmo sendo o cidadão que com sua "obra" acabou nomeando nossa premiação. Michel Teló anda dando claras demonstrações de que está com medo de entrar para a posteridade como um "homem de uma sucesso só" por conta de sua "Fuginha". Ele já tentou reproduzir o relâmpago com "Se intrometeu" que não emplacou e agora nos aparece com essa nova tentativa de sucesso nas baladas. Não estamos aqui dizendo que ele não vai conseguir ou que essa música seja intríscecamente ruim. A versão do forró com a Estakazero é cativante, sucesso em todo o nordeste. O que ocorre é que ela não combina com a "proposta de carreira" - a essas alturas convém acrescentar: se é que ela existe - de Michel Teló. Se comentarmos a importação da coreografia pornográfica no refrão e levantarmos a lebre que de que a música veio de um funk, cuja regravações já foram publicamente criticadas pelo produtor Dudu Borges, a coisa fica ainda mais complicadas. Como vovó já dizia: a língua é o chicote da bunda.

sábado, 30 de julho de 2011

As canções da esperança sertaneja de um futuro melhor

A idéia surgiu de uma conversa informal entre amigos e de uma reclamação em comum, artistas sertanejos que fazem regravações de músicas de qualidade duvidosa, com o único intuito de fazerem um sucesso efêmero. Um artista novo, que grave uma canção de letra apelativa, com intuito de de chamar os holofotes para si, pode-se até dar um desconto, agora artistas consagrados fazerem o mesmo é inadmissível.
A dois meses atrás publiquei um texto intitulado "Por um help para a música sertaneja" onde apontava o risco que o gênero sofria caso não apostasse em uma salto evolutivo qualitativo após a consagração popular de sua vertente mais moderna. No texto, fiz uma comparação meio que estapafúrdia, mas formalmente funcional, com a trajetória dos Beatles. Pois de lá pra cá a coisa só piorou. No momento em que nomes como Michel Teló e Jorge & Matheus abdiquem da qualidade em prol do sucesso pretensamente fácil, o risco de que influenciem os novos artistas a cada vez mais e mais fazerem o mesmo e grande e quem perde é a música sertaneja como um todo.

Mas como sentar na porteira da invernada e reclamar da magreza da boiada não resolve nada, resolvemos tomar a iniciativa de preparar uma coletânea de músicas de novos artistas que na contramão da tendência, estão investindo em qualidade e que representam uma esperança para o gênero. Artistas que com essa atitude podem até serem prejudicados num curto prazo, mas que com isso qualificam suas carreiras e semeiam um futuro digno para si mesmo. O debate foi quente e a escolha do repertório foi árdua, devido aos diferentes pontos de vista dos participantes, mas por fim o resultado ficou bacana. O CD foi postado em um provedor e já pode ser baixado por quem se interesse a saber o que de bom - em nossa opinião, claro - anda sendo feito na música sertaneja, à margem da mídia.

O título da coletânea é igênuo, ambicioso e utópico: Movimento Libertário Sertanejo. Mas libertar-se de quem? Bem, fica a escolha do freguês. Não somos donos da verdade e estamos longe de querer ter a pretensão de ditar o que as pessoas devem ouvir ou não. Somente achamos que as pessoas devem conhecer o que anda sendo produzido no underground e que devido ao fato de não estar inserido na "máfia do jabá" não é executado exaustivamente nas rádios ou não aparece na TV.

Pessoal, cliquem aqui > Movimento Libertário Sertanejo < E ouçam as canções da esperança sertaneja de um futuro melhor. E espero que algum artista leia o "quase-manifesto" Por um Help para a música sertaneja e seja o nosso Bob Dylan ou quiça, o nosso Neil Young ou Creedence Clearwater Revival. Já falei em outras praias e outros carnavais, sou um filho da mãe otimista e esperançoso.

PS.: Em breve uma resenha crítica do CD.
PS2.: Acessem o blog do Yago, foi lá que tudo começou. Foi ele o REGENTE DA COLETÂNEA. Lá tem o set list caso você queria se certificar se vale a pena sacrificar seu tempo e sua banda em fazer o download

Observações sobre o Mercado Artístico Sertanejo

Prosseguindo com a sequência de postagens sobre a situação atual do mercado, da produção e do consumo de música sertaneja, postamos aqui um artigo de Dan Rocha, diretor artístico da Rádio Paranaíba FM, de Uberlândia, Minas Gerais, uma das maiores e mais influentes do país. Como se trata de um profissional da área, creio que suas palavras serão úteis tanto para artistas, quanto para empresários, produtores e o público em geral.
Mercado Artístico Sertanejo

Cada dia me impressiona a quantidade de cd´s de novas duplas sertanejas que aparecem na minha mesa, alguns inexplicavelmente inclusive. Como trabalho diretamente com esse mercado, a impressão que tenho é que a qualquer momento até meu dentista vai me deixar com a boca aberta na cadeira, formar uma dupla e sair cantando.

Claro que gente talentosa tem muito por aí e hoje a grande maioria dos materiais que chegam até minha mão são de qualidade, até pelo receio que o artista tem de enviar um material que ainda não está tão bom pra uma emissora grande. Mas o fato é que o mercado não tem na realidade “espaço” para conseguir emplacar tantos artistas novos. A internet e a facilitação para se gravar um cd , colaboraram muito para que sonhadores da fama pudessem literalmente “colocar a mão na massa” e ir em busca do tão famigerado sucesso.

É bonito, afinal todos tem direito de ter um pedaço do sol certo? Mas também é preocupante! Pois foi se o tempo que ter uma gravadora por trás do artista servia de alguma coisa, foi se o tempo que tocar no Faustão num domingo era garantia de explosão na segunda feira. Foi se o tempo que pra tocar em uma radio usava-se a clássica estratégia “dois filhos de Francisco” com amigos e família ligando na radio pra pedir a musica e isso gerar algum resultado.

Hoje além do talento, tem de ter um investidor “de peso” pois como eu disse, gravadoras já não fazem a diferença, os canais de divulgação evoluíram para internet e prensagem de cd´s para distribuição gratuita e acordos caros com emissoras de radio e tv. E pra isso é necessário rios de dinheiro, não só por que entrar no mercado é caro mas sim pelo tamanho desse mercado. O Brasil é muito grande com diversidades culturais muito variadas, enquanto em uma região o forró predomina, na outra é o pagode quem fala alto. E nessas, pro artista entrar expressivamente em um território abrangente, requer uma estratégia muito bem feita de mapeamento e investimento. Cada centavo gasto é um grande risco de ser pedido se não for investido com cautela e coerência.

Nessa vejo pais de família vendendo a casa, o carro e as vezes até o que não tem para apostar no sucesso do filho, da filha, do amigo, “Ah mais ele canta igual ao Jorge e Mateus então vai dar certo” ou o famoso “Essa dupla tem o estilo do Victor e Leo”, frases típicas do divulgador do produto que tem a falsa esperança de que está seguindo em um caminho que deu certo porem que já foi trilhado e muitas vezes o mato cresce de novo, aí meu amigo, você tem que fazer uma nova trilha e requer trabalho, investimento e sacrifício.

Observando o mercado a alguns anos, gostaria de deixar umas dicas pra quem está começando agora a trilhar esse tão pedregoso caminho das estrelas...

01 – Voce canta bem? Seus amigos te elogiam muito no Karaokê?

-Desculpe mas isso não é o suficiente para dizer que você tem o preparo para ser artista. Além de todas as dificuldades de mercado que citei acima, ser artista requer disciplina, objetividade, paciência, personalidade, carisma, brilho e diferencial.

02-Tenho 100 mil reais pra investir numa dupla que achei ótima, consigo fazer a carreira deles decolar com isso?

-No Maximo de um aeroporto pro outro... Quando falo em investimento pesado, é pesado mesmo! A media mínima que se gasta para que você consiga fazer caminhar um produto em duas ou três regiões é de meio milhão de reais por musica. Fique preparado para gastar um milhão se só você achar a dupla boa.

03-Mas eles cantam igualzinho o Victor e Leo, será que isso não ajuda?

-Nem um pouco, como eu disse ter diferencial é essencial. Victor e Leo, Jorge e Mateus, Zezé di Camargo e Luciano, e mais recentemente Luan Santana, cada um no seu estilo foram abraçados pelo Brasil. Copiar o estilo de alguém é seguir numa tendência que jamais irá pra lugar nenhum. Identidade própria é fundamental pra se desenvolver um trabalho firme.

04-Essa musica ta bem nessa linha universitária que todo mundo faz...

-Cuidado! Tudo que todo mundo faz, como eu disse , tem vida curta e poucos se destacam. Tenho observado uma enorme dificuldade de artistas conseguirem emplacar musicas com o tal “violãozinho acelerado”. É legal, é bacana, fazem sucesso com esse estilo...Mas achar o próprio estilo e inovar são regras básicas pra se atingir o sucesso.

05-Vou prensar 50 mil cd´s e distribuir....

-Até essa estratégia que já deu tão certo com alguns artistas está se defasando. Esparramar cd´s “na praça” não é garantia que as pessoas irão ouvir seu material. Distribua com estratégia e coerência. Chame a atenção das pessoas, faça com que elas procurem seu cd mesmo que seja pra ganha lo e não compra lo.
Distribuí los através de rádios e nos próprios shows do artista são sempre mais favoráveis que deixar na banca do pastel.

06-E se ainda sim eu não fizer sucesso?

-Como eu disse nada disso é garantia de que você vai atingir o sucesso... Então se nada disso der certo, volte pra cadeira de dentista e termine de atender o paciente.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Assim o Sertanejo se mata 2 - A crise continua

O último post "Assim o sertanejo se mata" gerou algumas reações que confesso que me surpreenderam, pois acho que peguei bem mais leve do que de costume. A reação mais supreendente foi do produtor Dudu Borges, que nem foi citado diretamente no texto. Recebi uma sequência de mensagens revoltadas no Twitter, alegando que em meu texto faltei com respeito ao trabalho dele. Bobagem, inclusive ano passado postei que considerava "Fugidinha" a música de 2010 e falei super bem dele, podem conferir clicando aqui.

Agora uma coisa ele precisa entender. Ninguém está imune a erros. Se na maioria das vezes ele tem acertado, em algumas poucas vezes ele costuma errar. Foi o caso de "Chuva" e "Abelha" de João Bosco & Vinicius e mais recentemente "Ai se eu te pego" com Michel Teló. Não que a música não seja boa, como alguns entenderam de meu texto - e não sem uma certa dose de razão, fui mesmo ambíguo. A música é excelente, mas simplesmente não combina com a proposta de repertório de Michel Teló. Vou tentar explicar.

Não adianta fazer biquinho Michelzinho, fez caca e acabou-se. Pode até fazer sucesso, mas nem sempre ele é duradouro.

Quando abandonou o grupo Tradição Michel num primeiro momento se viu diante da concorrência com Luan Santana como cantor solo. Luan rompeu todos os paradigmas e patamares e hoje em dia Michel nem perto concorre com ele. Apartir do ano passado Gusttavo Lima passou a azedar a polenta de Michel, com a vantagem de ser compositor e com isso garantir a unidade de seu repertório. Como o ex-franjinha não é compositor, precisa firmar-se como intérprete e não é abdicando da qualidade pela busca cega pelo próximo hit, pela próxima "Fugidinha" que ele vai consagrar-se como intérprete.

Não estou aqui isentando Gusttavo Lima de suas próprias cagadas, afinal foi ele quem começou a invasão de "Minha mulher não deixa não" no sul e sudeste e recentemente ele também gravou uma versão de forró, a música "Balada". Mas é que Gusttavo tem o salvaguardo de ser compositor e sempre poder se redimir com um próximo e perfeito disco.

Gusttavo Lima e Reginho, maculando uma discografia até então impecável

E por falar em perfeito disco, nem tudo são espinhos na crise criativa atual da música sertaneja. Fred & Gustavo já estão com o terceiro disco disponível na Internet. Também autorais, os meninos arriscaram uma estratégia inédita para sua estréia em DVD. Ao invés de um apanhado geral da carreira, recolheram-se em uma sitio no Mato Grosso do sul e montaram seu repertório inteiramente do zero. Com exceção da música "Armadilha" o repertório é inteiramente inédito. E muito bom, convém muito frisar.

Tem de tudo no disco, desde a pegada pop moderna a modas de viola. Algumas faixas merecem destaque. "Lendas & Mistérios", a primeira música de trabalho, gravada com Maria Cecilia & Rodolfo tem uma letra maior que o padrão e o refrão é mais complexo que o usual. "Então valeu" tem uma cadência de arrocha e é permeada por uma sanfona muito bonita. "Inesquecível" é pau pra toda obra, caberia inclusive no repertório do Restart ou até mesmo Jota Quest. Frente a isso, qual não é a surpresa ao nos depararmos com "Sem você aqui", que está a altura dos grandes clássicos da música sertaneja.

Fred & Gustavo e a grande bola dentro de 2011

Ainda voltarei a escrever sobre esse disco, quando sair o DVD com a apresentação de Fred & Gustavo em Uberlândia. Citei o disco pra não me chamarem de chato, rabujento e resmungão que reclama de tudo. Existem coisas boas sendo lançadas. O disco ao vivo em Goiânia de Humberto & Ronaldo é muito bom. Tuta Guedes acabou de lançar seu segundo disco, que arrisca ser o mais pop do ano. João Carreiro & Capataz, mesmo amargando uma geladeira na Som Livre, estão se mantendo vivos no mercado, fazendo participações especiais em diversas gravações de amigos. Continuo um filho da puta de um otimista e não me incluo entre os que apregoam o fim do sertanejo jovem, moderno e urbano. Pessimismo só é saudável quando se aguarda a visita da sogra em um feriadão prolongado.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Assim o Sertanejo se mata

Julho está sendo um ano cabuloso para o sertanejo. Na hora de escolher musicas nordestinas para regravar, as escolhas tem se demonstrado de uma infelicidade atroz! Se é uma crise pontual, com tudo voltando ao seu rumo correto nos meses seguintes, é algo impossível de prever, apesar do fato de que os detratores da modernização já estarem soltando seus fogos. A impressão que se tem é que o tsunami "Minha mulher não deixa não" entorpeceu a percepção dos produtores musicais. Visivelmente não há critério nas escolha de qual musica nordestina deve ser regravada. Esclarecer os motivos para essa confusão pode ser arriscado, mas correr riscos não é algo que assuste um blogueiro que escreve com a faca nos dentes, então vamos lá.


Em primeiro lugar, saibam que os nordestinos não estão gostando nem um pouco dessa tendência de os sertanejos gravarem o que forró tem produzido de pior. Eles querem se ver bem representados, eles não vêem a hora do forró ser reconhecido nacionalmente e não acham que essa série de regravações equivocadas traga algum benefício. Em segundo lugar, o que os produtores musicais não percebem é que o sucesso de "Minha mulher não deixa não" tenha se dado pelo fato de que a música é ruim e que o povo gosta de música ruim. Pode parecer uma lógica maniqueísta, mas acredite, a maioria deles pensa assim. E como de praxe, estão errados.

Uma série de detalhes fez de "Minha Mulher não deixa não" o sucesso que foi, desde os mais óbvios até os mais ocultos. O primeiro, é claro, foi o clipe, sem ele nada disso estaria acontecendo. A letra é engraçada, mas o próprio clipe não estouraria sem um detalhe básico, o óbvio ululante, a dança dos meninos. Foi a dança que estourou o clipe e foi o clipe que estourou a música. Essa é a parte visível da coisa toda. Só que existe um subtexto na música que poucos analistas se atentaram. O matriarcado da sociedade nordestina.

Apesar de ser uma região que produza muitas letras que rebaixam as mulheres, por lá as mulheres mandam mesmo. Não é a toa que no sertão, muitas vezes dos homens tem seus nomes completados com os de suas mulheres ou mães: é o Tonho de Marileide, o Petrúcio de Vera ou o Nemédio de Erotildes. Isso não é explícito, mas tá lá no subconsciente coletivo nordestino e foi lá que a letra de "Minha mulher não deixa não" ecoou. Um hit pode ser imprevisível, mas uma vez ocorrido pode ser justificado, se analisado com atenção. O que os produtores musicais sertanejos estão tentando fazer é tentar capturar um relâmpago em uma garrafa para reproduzí-lo quando abrirem a tampa.

Atualmente a música brasileira vive um momento mágico de criatividade, com um intercâmbio de informações e referência que sempre me animou muito. Um caos, uma bagunça saudável, o caos que o filósofo Nietzsche dizia ser necessário ter dentro de si para dar luz a uma estrela dançarina. Só que justamente no caos é que se deve prestar muita atenção ao que é informação e o que é só ruído. Não é regravando ruído nordestino que os sertanejos serão os parteiros da estrela dançarina da musica brasileira do século XXI. Tem muito forró de qualidade, basta pesquisar mais.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Na Estrada com a Gang do Eletro

A Gang do Eletro ao vivo é sempre uma experiência. Chega até soar paradoxal que uma banda que faz um som eletrônico, sem instrumentos convencionais, destaque-se em suas apresentações ao vivo. Tudo por conta da batida orgânica de Waldo Squash e do forte carsima pessoal de cada um dos três vocalistas: Marcos Maderito, Keila Gentil e Willian Love. Já assisti quatro apresentações desses malucos, em quatro ambientes completamente diferentes e eles roubaram a cena todas as vezes.


Maderito Super Star


A primeira foi do bairro do Jurunas, na perriferia de Belém. A banda faria a abertura do show de Gaby Amarantos que seria filmado pelo diretor francês Vincent Moon, para posterior lançamento de um DVD na Europa. Na época eu só tinha um contato mais íntimo com Maderito e Waldo, ainda considerava Keila e William cantores da Eletrohits, banda gêmea da Gang e também produzida pelo Waldo. Quando vi o casal de baixinhos chegando na casa de Gaby, não botei muita fé, mas um detalhe me aguçou a curiosidade, um grupo de meninas entre sete e dez anos cercou Keila e todas fizeram questão de beijá-la e abraçá-la. Achei um treco bonito de ambas as partes.

Minha desconfiança logo se dissipou e em poucos minutos já estávamos todos tomando cerveja, conversando e cantando. Sim, cantando. Tanto Keila quanto William revelaram-se verdadeiros fãs de tecnomelody, sabiam as letras dos principais sucessos. Maderito estava sofrendo as dores de um misterioso reumatismo e permanecia sentado a maior parte do tempo, o que não o impediu de cantar a capela de um pout pourry de eletros para um grupo de - de novo elas - crianças na varanda da casa da Malaca do Jurunas.

Waldo eu já tinha conhecido na véspera, quando fui na sede da Green Vision me encontrar com a cineasta Priscila Brasil. A cena foi de cinema. Toquei a campainha da porta que tinha o número que o porteiro do prédio tinha me dado. No entanto a porta que se abriu foi lá no fundo do corredor. O cara que abriu olhou pra mim e perguntou: "Você é o Timpin?". Minha resposta foi: "E você é o Waldo Squash?" O Nascimento de uma Amizade, é o título dessa cena de cinema.

O palco montado no Jurunas era pequeno e baixo, perfeito para as dezenas de crianças que o cercaram para assistir a Gang do Eletro tocar. A empolgação da molecada foi tão grande que em determinado momento eles invadiram o palco e banda teve que parar tudo para garantir a segurança. Foi o primeiro sinal que percebi de que aquela banda estava fadada ao sucesso, as crianças não costumam se enganar em seus julgamentos musicais. Saí do Jurunas com a certeza de que o que eu tinha visto, ainda seria evocado pelos livros de história.


Crianças invadem o palco durante show da Gang do Eletro no Jurunas, em Belém


Passaram-se quatro meses até eu assisti-los de novo. O ambiente era o extremo oposto da palco improvisado no bairro pobre do Jurunas. Desta vez eles haviam sido escalados para participarem de um projeto ambicioso criado pela TV Cultura do Pará. Quinze artistas parenses, cobrindo todas as vertentes musicais do estado, apresentando-se no mesmo palco - no caso o Auditório do Ibirapuera, em São Paulo - , com direção artística de Carlos Eduardo Miranda e Cyz Zamorano. Considerados novatos, a eles foi concedido espaço para tocarem uma música. Escolheram um pout porry de eletro melodys, com ênfase na música "Galera da Lage".

Foi um pandemônio. Nem eu que já conhecia a banda estava preparado para o que vi. Se antes Maderito era o líder com um casal de coadjuvantes, agora os três tomavam o palco em condições de igualdade. O imenso palco do Ibirapuera ficou pequeno para os três. O público não sabia pra que lado olhava. William está cada vez mais se soltando, vencendo uma timidez que limitava suas performances e Keila... Bem, Keila cresce como estrela a olhos vistos, chamou pra si a liderança e com sua dança da robô e seu treme-treme sedimentou a Gang do Eletro como a grande surpresa da noite.

Isso sem contar com o reconhecimento ao trabalho de Waldo Squash, que subiu ao palco antes de sua banda, para emprestar suas batidas ao som das guitarradas e não saiu mais de lá. Waldo é um ícone da música do novo milênio. Com formação de mecânica industrial, é na atualidade a personalidade de maior referência da música paraense. Todos querem suas batidas, que no show do Ibirapuera cairam como uma luva tanto na guitarrada de Felipe Cordeiro, como no flash brega de Edilson Moreno ou o tecnomelody vanguardista de Gaby Amarantos. Waldo Squash é o cara!


Waldo Squash e Timpin instante após o primeiro encontro cinematográfico


Foram duas noites seguidas no Ibirapuera. A segunda foi ainda mais agitada, um grupo de pessoas levantou-se das cadeiras e foram dançar e pular na frente do palco. Até pessoas de idade avançada erguiam os braços para fazer a coreografia da "Galera da Lage". Assistindo aquilo eu relembrava as crianças invadindo o palco no Jurunas e enchergava mais um sinal. Me senti no Cavern Club assistindo os Beatles tocarem.

Após o festival, enquanto os outros artistas voltavam pra Belém, a Gang seguiu para a sede do coletivo Fora do Eixo, onde fariam uma apresentação no domingo e onde se hopedariam até tocarem no meio da semana no Studio SP, uma casa de show localizada no bairro da Liberdade. Eu já estava agregado a banda, quase como um quinto elemento. Na saída dos dois shows do Ibirapuera tinha dormido no sofá do quarto de hotel de Keila e William, após encher o rabo de cerveja no bart de um Paraíba que ficava na quadra ao lado. No Ibirapuera não tinha cerveja, já no Fora do Eixo tinha. E de graça. Óbvio que aquilo lá não teria a mínima chance de dar certo.

Quer dizer, até daria, porque a cerveja era servida em copos de plásticos pequenos e era trabalhoso ficar abastecendo toda hora, só que um litro de Ypioca cruzou o meu caminho. Alguem tinha conseguido a pinga para experimentar a mistura com uma iguaria exótica que o povo tinha trazido do Pará e deixou a garrafa justamente na mesinha em frente ao sofá onde eu estava sentado. Eu fiquei olhando pra garrafa, a garrafa olhando pra mim e por fim rolou um sentimento. Foi tudo muito rápido.

Eu estava vestindo uma camisa de botão e gola que o Willian tinha me emprestado e uma gravata que o pessoal tinha comprado de uns hippies que montaram feira por lá. Quando o show da Gang começou eu já estava visivelmente manguaçado, pulando feito uma perereca epilética. Na platéia não tinha mais do que vinte cabeças, mas diversas pseudo-celebridades do underground estavam lá. Músicos como Juca Culatra, MG Calibre, a própria Gaby Amarantos - que fez uma palhinha - e uns caras de uma banda de hard core de Campo Grande. Gregos, troianos, persas, chineses e pelotenses, a Gang mais uma vez provou que agrada a todos. E mais um vez exagerei na cachaça e fiquei miseravelmente bêbado. O parágrafo seguinte pra mim é literatura e os fatos foram reconstituídos baseados em relatos orais de populares que estavam por lá.


Na platéia, Timpin, a perereca epilética, ainda com a gravata que momentos depois tentaria assassiná-lo carbonizado


Consta que após o show eu subi de quatro as escadas que levavam ao segundo andar onde ficavam as acomodações e me joguei na primeira cama que vi. Mais tarde a dona da cama foi me acordar e armei o maior barraco, berrando que ali só tinha corno e baranga. Colocaram um colchão no chão e me depositaram lá, até a bebedeira passar. Instantes depois acordei agoniado com a gravata e posto que não conseguia desfazer o nó, tive a brilhante idéia de queimá-la com um isqueiro. Consegui tirar a gravata, mas acordei com queimaduras de terceiro grau em três dedos da mão direita e mais perdido que filho de puta em dia dos pais.

Claro que fui motivo de chacota nos dois dias seguintes que antecederam o derradeiro show no Studio SP, mas como diz a sabedoria popular: todo castigo pra corno é pouco. Para o show, Waldo tinha comprado uma filmadora e faríamos o primeiro registro de um show completo da Gang. O clima era de expectativa, afinal o Studio SP é frequentado magoritariamente por roqueiros indies, a banda poderia ser hostilizada. Mas não, os indies rebolaram, desceram até o chão toda a vez que os cantores solicitaram e se divertiram muito.

O que de comum observei nas quatro apresentações da Gang do Eletro é o ar de unanimidade e simpatia. Eles conquistam a simpatia de todos com sua humildade e sinceridade. Apesar de soarem como a grande novidade da musica pop brasileira e da pouca idade, eles tem larga experiência, começaram muito jovens e já ralam a mais de quatro anos, o que os torna mais blindado quando ao deslumbre do excesso de elogios e do eminente sucesso. Sem terem sequer um disco pronto, a Gang do Eletro, onde quer que se apresente, deixa em quem os assistiu aquela sensação de privilégio por ter visto um fenômeno ainda em seus primórdios. Esses moleques ainda vão fazer muio barulho...

Video nos Bastidores - Gang do Eletro, Juca Culatra e Timpin

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Doidim de Mossoró - o Forrozeiro Rei das Redes Sociais

A maioria dos artistas ou se abstêm ou fazem merda no Twitter. A regra: é nas redes sociais existem poucos artistas que são mestres. Entre este seleto grupo de mestres, quando o assunto é forró, o campeão é ele: Doidim de Mossoró. Atualmente liderando os Casadões do Forró, após um vai e vem com a Saia Rodada, o rapaz não fez nenhum curso de midias digitais ou outras frescuradas da área, aprendeu fazendo. Começou tímido com um blog de notícias, mas foi só o Twitter cair em suas mão para que pudesse dar vazão ao seu carisma e a sua figura performática.



E o cara é uma figura. Em épocas em que sua banda encotra-se de folga ele costuma transmitir um programa de rádio que se autoproclama como o pior programa de rádio da Internet brasileira. A anarquia impera e o momento em que ele responde as mensagens dos ouvintes no Twitter é um dos momentos altos dos episódios. Recentemente Doidim decidiu-se por exercer seus dotes cinematográficos, lançando curta-metragens no Youtbe que a cada dia que passa, conquista novos aficcionados. A direção de arte costuma ser sua (e o roteiro, e a edição, e a publicação, e a câmera digital e a conexão via rádio...)


Doidim desbaratina na frente do carro que ganhou dos Casadões do Forró após o sucesso no Soão João


Um homem multi-mídia hyperconectado como esse deve deixar sua banda da prioridade vinte e treês... Nada! A banda Casadões do Forró acaba de fechar negócios com um empresário de cacife, Doidim está começando a comôr - semana passada lançou sua música na rede - e um DVD está no prelo. Doidim está animado.

Para um cara que começou cantando numa banda de Swuingueira para curar a depressão e o alcolismo na adolescencia, que depois imitava o Xandy numa banda com o sutilíssimo nome de Jatões do Forró, teve passagem pelo mundo do pop rock e que finalmente chamou a atenção do mundo à frente dos Internautas do Forró - pense num nome! -, a tragetória e o destino estão sendo gratos. Enquanto isso, deixa eu ir lá no Twitter ver se esse corno não postou alguma coisa nova...

VÍDEO Empréstimo de CD acaba em pancadaria

terça-feira, 19 de julho de 2011

Arnaldo Merlotto no paredão dos fãs do Forró do Muído

O Twitter está sendo utilizado por muitos artistas e cantores para aproximarem-se de seus fãs. Mas o caminho inverso também é percorrido, muitos fãs usam o Twitter para se aproximarem de seus ídolos, seja para pura tietagem ou, em alguns casos, tecerem críticas e fazerem suas reclamações. Uma das redes de fãs que mais faz uso dessa rede social para defender seus ídolos são os seguidores do Forró do Muído. Muitas bandas possuem verdadeiras legiões de devotos, que sancionam e defendem quaisquer posturas adotadas por seus ídolos, ignorando o senso crítico. Nessa categoria podemos incluir sem medo de errar a Calypso e Aviões do Forró. Mas existem exceções, e os fãs do Forró do Muído são um exemplo, eles nunca se rogaram de tecer críticas e exigirem tomadas de atitude por parte dos administradores da banda.

Essa semana foi o site oficial que ficou fora por vários dias. Muita gente reclamou que a empresa A3 Entretenimentos prioriza os Aviões do Forró em detrimento do Muído. A cantora Simaria Mendes, sempre corajosa, inclusive replicou essas mensagens de reclamação. Outro caso, mais grave, envolve o cantor Naldinho. Desde que foi anunciado como substituto de Binha Cardoso que o rapaz foi recebido com desconfiança.

Quando o primeiro CD Promocional com sua participação foi lançado as reclamações se multiplicaram: ele tinha uma voz anasalada, seu tom não combinava com o forró, apesar de jovem e bonito seu carisma era fraco e outras críticas. Na sequencia assumiu um espalhafatoso namoro com Luciana Lessa, cantora da Saia Rodada. Ontem porém, ele ultrapassou os limites ao ofender fãs e anunciar que estava bloqueando seguidores no Twitter que ousassem criticá-lo. Na ilustração abaixo vocês podem conferir alguns impropérios proferidos pelo rapaz.



Assumir a linha de frente de uma banda das dimensões do Forró do Muído exige não só responsabilidade, como maturidade, coisas que este Arnaldo Merlotto está provando não possuir. Usar uma rede social de mão dupla para aceitar somente elogios e bajulações, bloqueando as pessoas que, muitas vezes através de críticas, querem no fundo apenas ajudar, não é uma postura adulta e coerente.

Rumores circulam pelos bastidores de que Jobson Mascarenhas, atualmente empunhando o microfone na Novo Balancear, está sendo cotado dividir o palco com Simone e Simaria e colocar a banda novamente no rumo correto. No que depender dos fãs mais engajados - e bloqueados - isso vai acontecer o mais rapidamente possível.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Gaby Amarantos e DJ Waldo Squash na Dancing Cheetah

Já disseram que os desprivilegiados tem quase sempre, muito mais do que os outros, uma inclinação pela ruptura, pela renovação, porque pouco tem a perder e daí ficam naturalmente dispostos a propôr a mudanças. Claro que a galera de Belém, com seus computadores muitas vezes toscos e com conexões precárias, mas mesmo assim em rede. inventaria uma revolução. Os antenados cantam essa pedra desde 2005.

Só que antes o que atraía a atenção era o exotismo "conceitual" de uma cena eletrônica amazonense e que ainda por cima tinha o brega como matriz. Agora o que atrai a atenção é o som, a musica e nada mais além dela. Antes, onze de cada dez autores de artigos elogiosos ao tecnobrega, não escutavam tecnobrega em casa e nos shows, assistiam como quem assiste um novo espécime africano dos macaquinhos bonobos. Agora, esses onze autores dançam e requebram ao som do eletro melody.

A invasão paraense na musica pop brasileira é eminente. Os sinais estão por todos os lado e só que é cego não os percebe. Mês passados os músicos paraenses lotaram duas noites seguidas o Auditório do Ibirapuera com o espetáculo Terruá Pará 2011. Fim de semana passada Gaby Aamarantos e o Dj Waldo Squash fizeram o mesmo no Rio de Janeiro, desta vez no bar Dancing Cheetah. Abaixo, um video com um resumo da apresentação dos dois. Destaque para o frisson que a presença de palco da Gaby causa na platéia.

Gafiera das Gaieras - O Melhor do Brega Volume 1

Depois do Forró e do Tecnomelody, chegou a vez do Brega recifense ter seus principais sucessos recentes reunidos em uma coletânea. Convém aqui esclarecer que a cena brega do Recife é extremamente diversificada. Tem aquele brega com um pé no calypso, influência dos residentes Chimbinha e Joelma, tem o brega romântico prata da casa, que é o que consta em nossa Gafieira das Gaieras e recente pós-brega dos MCs, uma mistura nada ortodoxa do brega com o funk e que fez a fama de figuras como Sheldon, Boco, Metal, Cego dentre dezenas deles. Também mereçe menção o brega da classe média alta, que até graças a Deus nenhum infeliz chamou de brega universitário e suas principais pontas de lança são Faringes da Paixão e Victor Camarote & Banda Arquibancada.


Manda Kitara, com os cantores Rodrigo Mel e Karlinha


Nesta nossa seleção de brega romantico, privilegiamos as bandas novas, com exceção da Kitara, que já está a alguns anos na estrada, mas que vive agora seu melhor momento. Com o repertório de 2011 sendo finalizado nos próximos dias, apresentamos os dois maiores sucessos do ano passado, "Beijo de Lingua" e "Quando está carente". Incluimos a banda de Rodrigo Mel para dar um maior "potencial comercial" para nosso disco e também pelo fato de que no sul quase ninguém conhece a Kitara, o que é uma injustiça.

As outras quatro novatas são Banda Saíra, Toda Boa, Nova Reação e Musa do Calypso. Enquanto as coletaneas sobre as outras vertentes do brega recifense não sai, confiram a playlist deste lançamento com a qualidade premium do Cabaret que você já conhece.

Gafieira das Gaieras - O Melhor do Brega Volume 1 by Timpin CDs

1) Boa Toda - Se eu fosse um garoto
2) Musa do Calypso - Baby
3) Musa do Calypso & Kitara - Se liga amiga
4) Kitara - Beijinho de língua
5) Boa Toda - Não me tocas
6) Musa do Calypso - A vontade que eu tenho
7) Banda Saíra - Estrela cadente
8) Nova Reação - É uma fase
9) Nova Reação - Nosso amor
10) Kitara - Quando está carente
11) Boa Toda - Lábios divididos
12) Boa Toda - Feitos um pro outro
13) Musa do Calypso - Podem até nos separar
14) Musa do Calypso - Quem nunca me amou

Clique no título pra baixar > Gafiera das Gaieras - O Melhor do Brega Volume 1

Clipe oficial Musa do Calypso - Baby

sábado, 9 de julho de 2011

Cabaret Mega Sound - A Aparelhagem Desguiada do DJ Timpin

Cabaret Mega Sound - A Aparelhagem Desguiada do DJ Timpin << Clique pra baixar enquanto lê o post


Curiosidade da capa: depois de 6324325 baldes de gelada no Super Pop, Timpin faz um Z ao invés de um S. Comendo água, o intrépido blogueiro só consegue pronunciar: -Estoe no Zuper Pop, tá ligado muleke?


Foi embaçado, depois que decidi a preparar um CD com os melhores tecnomelodys lançados nos meses de junho e julho, teve momentos em que me arrependi, tamanha a quantidade de músicas a serem baixadas e escutadas. A produção dos caras é em ritmo industrial e a qualidade é impressionante. Mais de 150 músicas, mas como sou fã, foi uma trabalheira extremamente prazeirosa. O resultado foi uma mega seleção de 40 tecnomelodys que nosso cabaret oferece gratuitamente a seus frequentadores. Depois da maratona de downloads e audições, fizemos algumas observações.

A primeira delas é que os artistas que participaram do DVD Movimento Tecnomelody, que foi lançado pela Som Livre não estão vivendo um momento bom em suas carreiras. Os únicos presentes na seleção são Bruno & Trio - a notável exceção, o rapaz já emplacou 3 mega hits neste ano: "Anjo do Amor", "Super Herói" (com clipe no final desse post) e "A lua e as estrelas (presente nesta coletânea - e Xeiro Verde, que marcou presença, mas mesmo assim com uma versão de um forró. Banda Ravelly e Fruto Sensual são os grandes ausentes. Viviane Batidão está soando repetitiva e ainda por cima lançou uma música sofrível num dueto constrangedor com o DJ Betinho Isabelense. Claro, faltou a Gaby Amarantos, mas esta está com CD novo no prelo e a meses não lança singles.

A segunda observação é a influência que o DJ Waldo Squash exerce na cena atual. Desde que começou a inserir samples de sanfona nos singles de sua Gang do Eletro, todo mundo passou a correr atrás. As sanfonas imperam numa quantidade impressionante de músicas. Quando questionado sobre o assundo, Waldo brincou: "mas vai isso vai mudar, vou passar a inserir cavaquinhos". A Gang do Eletro e seu eletromelody vieram pra ficar, são duas as bandas do gênero em nossa seleção, Redlay e o novo projeto do prodígio Joe Benassi, a eletrizante Techno Machine.

Uns ares de flashbrega também podem ser obervados nas músicas da banda Capricho e na faixa de Ruan Morais. Algumas bandas se destacam por sua produtividade em alta, a saber: Açaí Pimenta, Tempero na Batida e Na Pegada. Os Brothers, ARK e M´Synk demonstram uma regularidade impressionante, faz tempo que se mantém com sucessos populares nas aparelhagens. Finalizamos nos lançamento com uma exceção à regra, a música "Esperança" que foi lançada no ano passado pela Eletrohit´s. Composição de Keila Gentil, que agora canta na Gang do Eletro e levou essa belíssima canção para o repertório de sua nova banda. O título é emblemático para encerrar a seleção, porque depois da sensação causada pela mini tounê da Gang em São Paulo no final de junho, Keilinha é a grande esperança da música paraense de presentear o Brasil com uma nova estrela.

Clipe Melody Super Herói - Bruno & Trio OFICIAL HD




Play list do CD Cabaret Mega Sound - A Aparelhagem Desguiada do DJ Timpin

1) Techno Machine - Pout Pourri de Quadrilhas
2) Tribo do Batidão - Absoluta
3) Açaí Pimenta - Sou maluca
4) Xeiro Verde - Loucas no Pop
5) Conexão.com - Super Pop 3 D
6) Dj Marquinho - (remix) A volta da lage
7) Anjos do Melody & Batidão do Melody - Feitos um pro outro
8) Banda 007 - Por você
9) Banda ARK - Desista
10) Banda AR-15 - Por esse amor
11) Açaí Pimenta - Império
12) Banda Batidão - Guerra de Amor
13) Batidão do Melody - Você não sabe amar
14) Capricho - Enganadora
15) DR7 - Amar além
16) Extremesse - Inventor dos amores
17) Gang do Batidão - Volta pra mim
18) M´Synk - Como um anjo
19) Mega Teen - Você vacilou
20) Na Pegada - Eu vou parar de beber
21) Na Pegada - Um beijo
22) Dj Malukinho - Eu te puxo e tu me lambe
23) Redlay - Musissom O Poderoso Cobra
24) New Project - Império, o som do planeta
25) Tempero na Batida - Odeio amar você
26) Tempero na Batida - Seu olhar
27) Tentação do Melody & Anjos do Melody - Eu preciso de você
28) Triba & ARK - Que bom que você chegou
29) Xarada - Que bom que você chegou
30) Bruno e-trio - A lua e as estrelas
31) Manos do Melody - Nada faz sentido sem você
32) New Project - Mega Príncipe
33) Os Brothers - Carol
34) Ruan Morais - Fim do nosso amor
35) Safadinhos do Melody - Eterno Namorado
36) Techno Machine - Astronomia Mega Príncipe
37) Viviane Batidão - Mega Príncipe
38) Paixão do Melody - Eletro Quadrilha do Guerreirão
39) Tropa do Melody - Branca de Neve
40) Eletrohit´s - Esperança

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Forrozão do Timpin - Sucessos do São João 2011 (Timpin CDs - O Moral das tapiocas)

É com muito orgulho que estreamos mais uma seção neste blog, os downloads. Para a inauguração selecionamos os maiores do sucessos de forró do São João de 2011. São 14 faixas que dão uma boa panorâmica nas bandas mais em evidência no momento. Na medida do possível procuramos selecionar as gravações originais, porque hoje em dia várias bandas tocas as mesmas músicas. Com vocês: Forrozão do Timpin - Sucessos do São João 2011 <<< Clique, baixe e quem estiver solteiro dança com a vassoura.



Play list do Forrozão do Timpin - Sucessos do São João 2011

1 - Eu te puxo e tu me lambe - Forró do Muído
2 - Balada - Estakazero
3 - Você, você quer? - Garota Safada
4 - Vai a pé - Forró Sacode
5 - Ai se eu te pego (assim você me mata) - Cangaia de Jegue
6 - Tente entender - Boca a Boca
7 - Menino Traquino - Amor Real
8 - Tatuagem no pensamento - Forró do Bom
9 - Parede de Vidro - Saia Rodada
10 - Se prepare pra sofrer - Cavaleiros do Forró
11 - Crau - Doce Veneno
12 - Sequência do pente - Solteirões do Forró
13 - Sexo - Forró Real
14 - Boate do avião - Aviões do Forró

Deixem o povo fornicar!

Se existem pessoas que encontram mil motivos para reclamarem quando os políticos inventam leis que interferem em suas vidas, os pagodeiros baianos tem então um milhão desses motivos. A exelentíssima deputada estadual Luiza Maia, do PT da Bahia quer aprovar na câmara legislativa uma lei que proibe que grupos que cantem músicas em cujas letras as mulheres sejam tratadas de forma pejorativa, sejam contratados para eventos que contem com verbas públicos. Trocando em miúdos, ela quer regular a putaria.


Rala a tcheca no chão!


Disfarçada com a bandeira do feminismo, o que esta senhora demonstra com essa proposta é a velha mentalidade das esquerdas de que acham que sabem o que é certo e o é errado para o povo. Aquele totalitarismo subliminar, um sutil cerceamento da liberdade de expressão. Isso se nos limitarmos aos aspectos políticos da questão, pois ainda temos a questão da vergonha que a sociedade baiana ainda tem de assumir o pagode como expressão artística autêntica. Fora os aspectos econômicos. O pagode ainda é uma possibilidade de ascenção social dos moradores dos guetos.

O cantor Robsão, da maior banda do estilo criticado pela deputada, o Black Style defende-se dizendo que suas letras relatam o cotidiano e que são inclusive apreciadas pelas mulheres, o que é verdade. É óbvio que se as mulheres se sentirem ofendidas com uma música, simplesmente não a escutaram e pronto, não é necessária nenhuma lei que as auxilie nisso.

Sem contar o prejuízo que a musica em si sofreria com uma lei dessas. A nobre deputada Luiza Maia talvez não saiba, mas um fenômeno muito interessante de autofagia está ocorrendo nas periferias do litoral nordestino, principalmente no Recife e em Salvador. O pagode baiano e o brega recifense estão assimilando o funk carioca e produzindo uma música nova, vibrante e em plena evolução criativa. No Recife, moleques como Mc Sheldo, a dupla Cego & Metal ou o MC Boco estão virando estrelas locais misturando funk com brega. No pagode baiano está acontecendo o mesmo, seja com Black Style, A Bronkka ou No Styllo, embora nesse caso a influencia do funk se dê em maior grau nas letras.

Como o voto é uma moeda de troca poderosa e uma lei dessas extremamente impopular, muito provavelmente não será aprovada. A deputada muito provavelmente ganhará mais votos de sua base eleitoral de esquerda e a admiração de feministas e de intelectuais igualmente de esquerda. E o povo provavelmente deve estar doidinho de vontade de mandar um recado para deputada: o refrão de uma música do Black Style. Vaza canhão!


A deputada Luiza Maia: - Vaza canhão!


Som na caixa! Saiddy Bamba - Bota Você Ta no pau

terça-feira, 5 de julho de 2011

O dia em que a Gang do Eletro colocou os indies para rebolar

A Augusta é a rua mais tolerante e diversificada da cidade de São Paulo. Nela, convivem pacificamente travestis, prostitutas, gays, indies, punks, skinheads, headbangers e outras tribos. E, agora, os tecnobregueiros de Belém do Pará pleiteiam um espaço para desfrutar dessa mistura. E se depender do público local, já têm. A maior prova disso foi vista no show que a banda Gang do Eletro realizou na noite de 28 de junho no Studio SP. Com um plateia predominantemente indie, a banda formada por Marcos Maderito, Keila Gentil, William Love e DJ Waldo Squash literalmente colocou o público para dançar. E, convenhamos, presenciar garotas com roupas de pin up e rapazes barbudinhos de camisas xadrezes rebolando ao som do batidão amazônico é uma experiência inovadora.



Afinal, o espectro de influências da galera que frequenta o Studio SP, todos sabem muito bem qual é e ele passeia basicamente pelo rock alternativo. Mas parece que essa base está mudando. Os indies estão cada vez mais abertos a novas sonoridades e abraçam aos poucos a música eletrônica, o rap e ritmos regionais brasileiros. Isso é bom. Pois só assim está sendo possível presenciar nas casas de espetáculo da Augusta shows como o da Gang.

Tocando hits do porte de "Vou Passar o Sal" e "Panamericano", a banda provou que tem potencial de ultrapassar as fronteiras da região norte e ser sucesso também no sudeste. Seu som - espécie de tecnobrega moderno e pesado - é contagiante. Se colocou os exigentes indies para dançar, imagina só o poder dessa música em ambientes como casas de shows mais populares, comos os famosos bailões da periferia?

Mais que isso, os integrantes da Gang são donos de uma química perfeita. Maderito, o líder e fundador do grupo, conta com um carisma excepcional. William Love a cada show se solta mais e deixa sua timidez de lado. Keila Gentil, a Fergie da Gang, canta afinadinho e manda muito bem nas faixas em que é a vocalista principal. Já DJ Waldo Squash é certeiro na escolha das bases e arranjos. Junto com Maderito, ele forma a dupla criativa mais bacana e talentosa do tecnobrega.

O sucesso em nível nacional será questão de tempo. Estrondoso ou não, ele chegará. A banda só precisa de maiores espaços para mostrar seu trabalho. Em breve, terá uma arma importante para se auto-divulgar: o primeiro CD da carreira. No momento, eles estão em estúdio gravando um álbum com a produção de Carlos Eduardo Miranda. O projeto apresentará uma Gang do Eletro mais orgânica, utilizando guitarras e teclados, além das tradicionais bases eletrônicas. Será um novo passo na carreira da banda, que a cada dia se torna mais profissional e madura.

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Texto escrito com exclusividade para este cabaret por
Helder MaldonadoJornalista

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Como nosso blog prima sempre pela satisafação de sua clientela e pela busca insessante por oferecer sempre o melhor atendimento, postamos aqui, também com exclusividade o novo single da Gang do Eletro "Uno Treme Treme". Afastem os móveis da sala e BAILA, BAILA AÍ MUTCHATCHO!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Gang do Eletro ao vivo no Studio SP

Uma banda com coerência e sinergia interna em que o todo supera a soma das partes é algo raro na música pop. A Gang do Eletro não só atende a esses requisitos como ainda dá conta do fundamental: originalidade, inovação e carisma. Eles são únicos no que fazem e o fazem muito bem. Depois de consagrarem-se como um dos principais destaques do festival Terruá Pará 2011, realizado nos dias 15 e 26 de junho - reunindo 15 nomes de peso do estado - e de uma energética apresentação na sede do Coletivo Fora do Eixo ao lado de Gaby Amarantos, nesta terça eles encerraram a noite no Studio SP.



A abertura ficou a cargo do seminal Juca culatra, também de Belém, que se encarregou de chapar os presentes com seu reggae pesadíssimo e sua performance teatral. Lara Rennó veio em seguida, com seu pop vanguardista e viajandão. Mas a noite era mesmo deles. Quando o apresentador nunciou Maderito, Waldo Squash, Willian Love e Keila Gentil, o frisson na platéia já indicava que eram eles os grandes aguardados do festa.

E os meninos não deixaram a peteca cair. Logo na primeira música o público já respondia ao pedidos para levantarem a mãozinha e gritar "Hey! How! Hey! How!" A presença de palco deles é impressionante e a maçaroca sonora do DJ Waldo Squash são contagiantes, raras foram as pessoas que conseguiram ficar paradas. Sorrisos nos rostos era lugar comum. O clima de festa e diversão durou o show inteiro. Ninguém ficou indiferente ao som da Gang do Eletro, os arautos da novidade.

Alguns pontos altos no entando devem ser destacados, o primeiro deles a dança do robô de Keila Gentil, que fizeram dela uma figura dos quadrinhos japoneses conhecidos como Mangás, mas com o swing tropical brasileiro amazônico. Outro momento em que ela arrancou urros da platéia foi durante as duas passagens do treme-trema da música "Na Velocidade do Eletro", primeiro sozinha e depois com Maderito segurando sua blusa enquanto ela parecida possuída por uma entidade sobrenatural.



Waldo Squash também não deixou por menos quando assumiu a linha de frente para cantar "Curtição da Night" - com direito a aula sobre o significado da expressão "pô-pô-pô" (pequenas embarcações que fazem serviço de taxi fluvial no rio Amazonas) - e "Eletrocúmbia do Mexicano", mais uma de suas geniais criações usando samplers de música latina.

Willian Love, com seu visual teen, sua corrente de prata e seu indefectivel reloginho roxo é o dançarino chefe da casa, o ídolo que arranca suspiros das menininhas. E o Maderito... Bem, o Maderito é o garoto alucinado do Brasil e não se fala mais nisso. O carisma dele não encontra semelhanças entre os cantores brasileiros desde a época do Dinho dos Mamonas Assassinas. Aliás ele começou sua carreira como cantor da Banda Bundas, cover dos Mamonas. Seu estilo é de rapper freestyle e é um MC nato. Sua perrmance em "Eu vou passar o sal" contagiou o ambiente levando todo mundo a repetir o refrão.



Difícil escolher o melhor momento do show. Se me colocassem contra uma parede uma ARK apontada na cabeça exigindo uma escolha eu votaria na música "Galera da Lage", todo mundo fazendo a coreografia com as mãos e cantando o refrão aos berros. E ainda rolaram dois momentos solos, primeiro Keila Gentil apresentou a todos sua composição romântica "Esperança", que levou muitos casais ensaiarem dança de salão - algo nunca visto no Studio SP - e Willian Love cantou "Me apaixonei", sucesso da banda AR-15 nas rádios de Belém.

Quando anunciaram a saideira, todos soltaram um "aahhhh" de decepção. A festa foi encerrada com o trio de vocalistas intimando a platéia a responder as perguntas "cadê o gritinho das foguetas? cadê o gritinho das sinceras? cadê o gritinho das safadas? cadê o gritinho das casadas?" As luzes se apagaram, o show acabou e foi tão diversificado, com tantos hits que nem pareceu que tudo aquilo se passou em menos de uma hora, apesar de que se dependesse da vontade do público, a Gang tocaria por duas horas sem ninguém enjoar. Eles possuem mais de 200 músicas para oferecer, basta dar uma checada no 4shared do Waldo Squash.



O eletromelody da Gang do Eletro tem tudo pra cair no gosto popular do Brasil inteiro, tal como o funk. Só que ao contrário deste último, que faz elegias a violência e a putaria, o eletromelody é saudável, é sacana sem apelar pra sacanagem e a cantora Keila Gentil é sexy sem ser vulgar, uma estrela a despontar no horizonte. Dá pra dizer que esse foi verdadeiramente o primeiro grande show da Gang no sul. Outros virão, com toda a certeza e se eu puder e meu dinheiro der, estarei lá, nem que pra isso tenha que ir de Pô-Pô-Pô.

PS.: A gente filmou esse show. Quem quiser receber de graça um DVD com a gravação dele, é só mandar um e-mail com nome e endereço para timpin2009@yahoo.com.br

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